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Vacina contra coronavírus deve demorar, dizem pesquisadores

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De tempos em tempos, a humanidade é confrontada com um novo desafio sanitário. Foi assim com a gripe espanhola, no início do século passado, e tem sido desta forma com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Pesquisadores do mundo todo trabalham para encontrar uma vacina, o que garantiria a imunidade da população e salvaria milhares de vidas.

O pesquisador Ricardo Gazzinell, líder do Grupo de Imunopatologia da Fiocruz Minas e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCTV), integrante de rede de pesquisa sobre uma vacina contra o novo coranavirus, explica que “embora as atividades já estejam em andamento, o desenvolvimento de uma vacina leva tempo.” Em situações de calamidade pública como a atual, em que as decisões relacionadas a financiamento são mais céleres, é possível chegar a resultados em torno de dois a três anos. “Este é um momento importante em que a ciência vem sendo chamada e nós estamos preparados para dar a nossa contribuição”, afirma.

Na agropecuária, a busca por vacinas não é muito diferente do processo do desenvolvimento deste produto para os humanos. Os trabalhos levam também anos e precisam de investimento contínuo em ciência e tecnologia. O médico-veterinário do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Ricardo Spacagna Jordão, especialista no desenvolvimento, otimização e produção de vacinas, explica que as para uso veterinário levam 18 meses, no mínimo, de estudos e testes.

Nesse caso, as vacinas são bastante usadas na produção animal, na criação de bovinos, suínos e aves, sendo as mais conhecidas as que imunizam os animais para febre aftosa, brucelose, raiva, parvovirose, newcastle, gumboro entre outras.

A maior dificuldade, segundo o médico-veterinário do IB, está na fase de testes clínicos, realizados em humanos ou em animais de produção. “Infelizmente, a ciência ainda não encontrou como simular em computador todas as variáveis dos organismos, como o sistema imune e os hormônios, por exemplo. Por isso, a necessidade de serem testadas em laboratório e em modelos biológicos, para verificar exaustivamente sua capacidade de estimular o sistema imune e garantir sua segurança”, afirma.

Jordão explica que, apesar das semelhanças no processo de desenvolvimento e de produção, as vacinas para humanos são mais complexas e difíceis de serem desenvolvidas do que as de uso veterinário. Isso porque na formulação para os animais de produção podem ser empregadas matérias-primas que não são aprovadas para uso em humanos. “Por outro lado, para humanos possuem custo por dose mais alto do que as para animais de produção. Por isso nelas se podem usar tecnologias mais avançadas”, observa o pesquisador.

Ele observa que os estudos são permanentes. “A ciência não fica parada entre uma pandemia e outra. Precisamos sempre estar prontos para enfrentar batalhas. Por isso a necessidade de estudos para que, quando um problema desse ocorra, termos ferramentas para dar soluções rápidas”.

O veterinário ressalta que os cientistas aprendem com outras doenças o mecanismo dos vírus, como no caso do Sars-Cov-2, causador da Covid-19, que teve seus “irmãos”: Sars-Cov, transmissor da doença SARS, isolado em 2002, e o MERS-COV, isolado em 2012. Isso permite que agora se tenha dezenas de vacinas em processo de desenvolvimento e teste.”

“Durante a pandemia, os cientistas buscam entender o vírus: qual sua composição, como ele entra nas células, se replica e quais mecanismos das células ele utiliza. Tudo isso para tentar traçar estratégias de cultivo, isolamento e identificação. Definindo isso, é possível sabermos a quais produtos ele é sensível”, conclui.

Fonte: Diário de Pernambuco

Foto: Andrew Milligan / AFP

Artigo de Antonio Roque Dechen: “A Agricultura e o coronavírus”

apqc1Vivemos um momento histórico. A novidade é a pandemia causada pelo coronavírus, preocupação geral de todos os segmentos da sociedade. O receio e o medo levaram a população à reclusão, a proteger-se por máscaras e ao distanciamento social, inclusive dos amigos, à adoção de novos procedimentos de compras online e todo o cuidado no pós-recebimento das mesmas com a limpeza e desinfeção com álcool em gel, este estrategicamente distribuído em todos os pontos da casa.

Os comerciantes estão genuinamente preocupados, pois com o comércio e shoppings em sua maioria fechados, restaurantes e lojas funcionando com o sistema de entregas, observa-se uma grande mudança no nosso dia-a-dia.

Muitos de nós talvez não tenhamos nos preocupado com esse nosso cotidiano, pois nos alimentamos normalmente neste período atípico; as compras nos supermercados, açougues e farmácias passaram a ser online; aliás, estamos com saudades dos supermercados e shoppings!

Assimilamos o uso do álcool em gel e da água sanitária na limpeza das frutas e legumes, enfim, mudamos nossos hábitos mas, com raríssimas exceções, deixamos de encontrar nossos produtos agrícolas preferidos.

O pesquisador da Embrapa, Mário Alves Seixas, na publicação Diálogos Estratégicos, destaca que, a contínua disseminação do vírus corona na China se estenderá além do segundo trimestre de 2020. No agronegócio chinês, os impactos negativos desse vírus foram consideráveis, tanto para os setores de grãos e óleos comestíveis, como para o de carnes (consumo e distribuição) em consequência de cidades inteiras afetadas pelo vírus.

No Brasil ainda não estamos tendo bloqueios, mas estamos sendo afetados pelas restrições de mobilidade da população devidas ao isolamento, ressaltando que a saída para a crise econômica é o Agro, pois o Agro não para nunca!

A grande inserção do agronegócio brasileiro no cenário mundial e as exigências de controles sanitários dos produtos agrícolas fez com que as grandes cadeias do Agro e as cooperativas se ajustassem às exigências internacionais quanto aos aspectos de qualidade e sanidade dos produtos.

Esta pandemia trouxe-nos à memória, a do café nos anos setenta, quando do aparecimento da ferrugem que, num primeiro momento pareceu decretar o fim da cafeicultura brasileira. Mas na época, o ilustre pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), Dr. Alcides Carvalho, já tinha as variedades resistentes pois, com sua experiência na cultura do café, sabia que a ferrugem, mais cedo ou mais tarde, chegaria ao Brasil.

Assim, mandava as sementes das variedades de café por ele desenvolvidas no IAC para seus parceiros de pesquisa em Portugal, que as testavam nas colônias de Portugal na África e o informavam quais eram as resistentes à ferrugem. E estas, ele já as multiplicava! Essa atitude evitou uma grande quebra da cultura do café no Brasil. Hoje, além das instituições de pesquisa, as empresas agrícolas têm programas contínuos para a obtenção de variedades resistentes a pragas e moléstias.

Parabéns aos profissionais das áreas de ciências agrárias, florestais e de alimentos, por contribuírem para a estabilidade social e econômica do país pela produção de alimento e energia, que são o esteio da sustentabilidade social e econômica de qualquer nação.

Relembrando a memorável frase do Dr. Norman Borlaug, Nobel da Paz de 1970: “não se constrói a paz em estômagos vazios”, registramos nosso reconhecimento aos engenheiros agrônomos, agricultores e empresas agrícolas que, pela participação na produção de alimentos, garantem essa sustentabilidade e a paz no Brasil.

*Antonio Roque Dechen, Presidente da Fundação Agrisus; Professor aposentado do Departamento de Ciência do Solo, ESALQ-USP; Membro do Conselho Científico de Agricultura Sustentável – CCAS; Membro do Grupo de Trabalho NPV – Nutrientes Para a Vida, ANDA

Professor da USP fala da relação entre meio ambiente e pandemias no projeto “Café Virtual” do Instituto Florestal

No próximo dia 21 de maio, quinta-feira, o Instituto Florestal convida para o debate “Café Virtual no IF” (pelo Zoom). O professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP, falará sobre a relação entre meio ambiente e pandemias, o novo Coronavírus e perspectivas para o Brasil e o Estado de São Paulo. A transmissão começa às 15h.
Inscreva-se antecipadamente para esta reunião:
Após a inscrição, você receberá um e-mail de confirmação contendo informações sobre como entrar na sala virtual.
IF

Coronavírus: Pesquisador do Instituto de Saúde analisa atual cenário e aponta caminhos para a redução de casos

A repórter Isabella Marzolla, do blog Inconsciente Coletivo, entrevistou José da Rocha Carvalheiro, professor aposentado da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, pesquisador e ex-diretor do Instituto de Saúde. A conversa girou em torno do novo coronavírus, seus impactos sobre a saúde pública e o que podemos esperar da ciência dentro do atual cenário.

Segundo o pesquisador, cientistas podem identificar os anticorpos capazes de impedir a reprodução do vírus até o fim deste ano. No entanto, será necessária mais uma etapa relativamente longa para a avaliação de eficiência, eficácia e riscos da vacina em seres humanos. “Nós estamos, nesta altura do campeonato, num imperfeito conhecimento da história natural dessa doença (Covid-19)”, afirma.

Enquanto a vacina não surge, Carvalheiro comenta as alternativas “não farmacológicas” para conter a epidemia. A primeira, adotada na China e Coreia do Sul, é a intensa aplicação de testes diagnósticos. No Brasil, apesar dos esforços dos laboratórios públicos, como Instituto Butantan e Bio-Manguinhos, ainda é necessária a importação desses testes em larga escala. A segunda, que vem sendo adotada com mais intensidade no Brasil, é o isolamento social.

O que fazer se aumentar o número de casos e diminuírem os leitos disponíveis? Carvalheiro chama a atenção para o fato de que a recomendação da OMS, adotada pelos países que tiveram maior sucesso na contenção da epidemia, é o isolamento social, cuja intensidade depende basicamente da variação dos cenários. Quanto maior o número de casos, mais radical deve ser o isolamento, e vice-versa.

Clique abaixo para ver a entrevista na íntegra.

Artigo: “Saúde única: importante em tempos de pandemia ou em qualquer tempo”

Bauru, 14 de maio de 2020

SAÚDE ÚNICA, IMPORTANTE EM TEMPOS DE PANDEMIA OU EM QUALQUER TEMPO

A relação entre doenças que afetam humanos e animais é estudada desde o século 19. Iniciou-se com o médico patologista alemão Rudolf Virchow (1821-1902) que assertivamente afirmava que entre animais e a medicina humana não há divisórias e nem deveria haver. E foi ele o responsável pela criação do termo zoonose (doença infecciosa capaz de ser naturalmente transmitida entre animais e seres humanos), mas foi apenas na década de 1960 que Calvin W. Schwabe, conhecido como “pai de apqc1epidemiologia veterinária”, criou o termo “medicina única”, que mais tarde daria origem ao conceito de Saúde Única (One Health). O tema foi abordado em seu livro “Veterinary Medicine and Human Health”, no qual Schwabe enfatizava a necessidade de colaboração entre as medicinas humana e veterinária para efetivamente curar, prevenir e controlar doenças que afetam tanto humanos como animais.
Em 2004, um simpósio dedicado a debater abordagens interdisciplinares de saúde em um mundo globalizado permitiu a criação de um documento conhecido como “Princípios de Manhattan”, que define 12 prioridades no combate às ameaças à saúde de humanos, animais e da vida selvagem, formando assim as bases para o conceito de Saúde Única.
Saúde Única representa o conceito perfeito da relação indissociável entre as saúdes animal, humana e ambiental e recebe o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e do Banco Mundial (BM) para a aplicação de estratégias conjuntas de saúde que garantam o bem-estar não apenas do ser humano, mas de todo o planeta. Reconhece, por meio de uma visão integrada, a importância de como humanos e animais interagem ecologicamente em um ambiente, onde qualquer alteração nesta relação provocará desequilíbrios e, consequentemente, a propagação de doenças.
Questões como o aumento da demanda mundial para produção de alimentos, os efeitos das mudanças climáticas sobre a relação entre o ambiente, humanos e animais evidenciam a importância multidisciplinar na abordagem da Saúde Única.
Os serviços da Medicina Veterinária, em seus componentes públicos e privados, desempenham um papel essencial no desenvolvimento e implementação de políticas para gerenciar os riscos à saúde animal. Ao proteger a saúde e o bem-estar dos animais contribuem significativamente para melhorar a saúde humana, bem como a segurança e proteção dos alimentos.
Segundo a OIE, cerca de 60% das doenças humanas têm em seu ciclo a participação de animais, portanto, são zoonóticas, assim como quase 75% dos agentes patogênicos das enfermidades infecciosas emergentes do ser humano são de origem animal.
Além disso, calcula-se que a cada ano aparecem cinco novas enfermidades em todo o mundo, sendo que três são de origem animal. A OIE adverte também que 80% dos agentes patogênicos potenciais para fins de bioterrorismo são zoonóticos.
No Brasil, um exemplo importante de interdisciplinaridade foi conquistado pelo trabalho do Conselho Federal de Medicina Veterinária e Zootecnia – CFMV com a participação de Médicos Veterinários no Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), atuando ao lado de outros profissionais que trabalham pela qualidade da atenção básica à Saúde nos municípios brasileiros, desde 2011.
Em todo o mundo, no dia 3 de novembro, comemora-se o Dia da Saúde Única, mas é em 2020, frente aos desafios de uma Pandemia, que a Saúde Única no Brasil e no mundo ganha mais importância, definindo políticas, legislação e o rumo das pesquisas, onde a união interdisciplinar se destaca, tanto no desenvolvimento e aplicação de diagnósticos, quanto no tratamento e na busca da cura, atuando diretamente em ações na Saúde Pública visando a redução dos riscos para a saúde global.
Olhar o todo, como uma só saúde torna-se fundamental no combate à pandemia da doença causada pelo novo coronavírus (COVID-19) e de outras doenças que podem ser melhor prevenidas e combatidas por meio da atuação integrada entre a Medicina Humana, a Medicina Veterinária, e outros profissionais.
A Ação Estratégica do Ministério da Saúde – “O Brasil Conta Comigo – Profissionais da Saúde” é um exemplo deste olhar. No dia 02/04/2020, o Ministério da Saúde publicou a Portaria nº 639/2020, que determina o cadastramento dos profissional da área de saúde (Serviço Social, Biologia, Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia e Técnica em Radiologia) e também a participação nos cursos à distância que os capacitarão com base nos protocolos clínicos oficiais de enfrentamento à pandemia de Covid-19. O objetivo do Ministério da Saúde é mapear os profissionais de saúde, para orientar as suas ações voltadas à pandemia de Covid-19, bem como deixar todos atualizados em relação aos protocolos, videoaulas e informações importantes para cada categoria profissional.
No Estado de São Paulo, a carreira de Pesquisador Científico une os principais pilares da Saúde Única: Saúde, Agricultura e Abastecimento e Meio Ambiente. Médicos, Médicos Veterinários, Zootecnistas, Biólogos, Químicos, Engenheiros Agrônomos, Engenheiros Ambientais, Engenheiros de Alimentos, Economistas, entre outros, compõe o quadro de pesquisadores.
As pesquisas realizadas por estes profissionais sempre foram destaque no Brasil e no mundo, mas em tempos de Pandemia, o trabalho realizado nas Instituições de Pesquisa do Estado de São Paulo tem se destacado e chamado a atenção de governantes e da população em geral.
Laboratórios montados pelos pesquisadores científicos com o apoio do governo e de instituições de fomento para o desenvolvimento de pesquisas estão sendo utilizados pelo Estado no combate ao novo vírus (Sars-Cov-2) causador da doença Covid-19, com a realização incansável de diagnósticos, pesquisas relacionadas ao tratamento da doença e o desenvolvimento de vacina.
Desde o início da doença no Estado houve uma evolução fantástica no tempo da entrega de resultados de diagnóstico. Com estes resultados é possível identificar rapidamente o aumento de casos no Estado, no intuito de que sejam tomadas decisões para contenção do avanço da doença no âmbito da Secretaria de Estado da Saúde, assim como pelo Governo Federal.
O Instituto Adolfo Lutz – IAL, Laboratório Central de Saúde Pública do Estado de São Paulo, como responsável pelas análises laboratoriais para a detecção do novo coronavírus no Estado, vem atuando, desde o início de fevereiro de 2020, quando da liberação dos primeiros resultados do Brasil, à época negativos, de exames em amostras de casos suspeitos. Os pesquisadores do IAL fazem parte do projeto CADDE, que tem apoio da FAPESP e do Medical Research Council (MRC) do Reino Unido, que desenvolve novas técnicas para monitorar epidemias em tempo real e, em conjunto com o Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e com a Universidade de Oxford, completou o sequenciamento do primeiro caso de coronavírus da América Latina, apenas 2 dias após o caso ter sido confirmado.
Demonstrando mais uma vez a importância da visão de Saúde Única, além do Centro de Virologia do IAL, uma força-tarefa forneceu novas áreas físicas e equipamentos neste Instituto para realização de testes diagnósticos, reunindo profissionais dos Centros de Imunologia, Bacteriologia, Patologia, Parasitologia e Micologia, de Alimentos e de Procedimentos Interdisciplinares, que se dispuseram, de maneira espontânea e dedicada, a trabalhar para auxiliar na realização dos exames.
Outro importante destaque é o Instituto Butantan, que além da realização de diagnósticos da Covid – 19, realizou um trabalho hercúleo na produção da vacina trivalente contra gripe que protege contra três cepas da doença (H1N1, H3N2 e B) e que foi disponibilizada pelo Ministério da Saúde para os grupos prioritários em todo o território nacional. Esta produção foi ampliada para 75 milhões de doses em 2020 e a campanha de imunização em São Paulo antecipada em 23 dias antes do prazo inicialmente planejamento. A antecipação foi extremamente importante para que menos pessoas fossem infectadas com os vírus da gripe colaborando assim com a rapidez e precisão do diagnóstico na população de casos suspeitos de coronavírus. Além disso, está sendo desenvolvido por pesquisadores do Instituto Butantan um produto composto por anticorpos para combater a doença Covid-19. Estão sendo selecionados anticorpos monoclonais neutralizantes de células de defesa (células B) do sangue de indivíduos curados da doença. O objetivo é localizar proteínas com a capacidade de se ligar ao vírus para neutralizá-lo. As moléculas mais promissoras serão produzidas em larga escala para serem utilizadas no tratamento da enfermidade.
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do Instituto Biológico (IB), também está atendendo o Estado no diagnóstico da Covid-19. O Laboratório de Viroses de Bovídeos do Instituto, que possui instalação de Biossegurança Nível 3 (NB3), com sede na capital, recebeu avaliação satisfatória do Instituto Adolfo Lutz para prestar o atendimento durante a pandemia.
Além disso, pesquisadores da Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo continuam gerando conhecimento para melhorar a economia e garantir a segurança alimentar colaborando com a saúde da população, assim como os Pesquisadores da Secretaria de Meio Ambiente estudam o melhor manejo de áreas nativas e a preservação da qualidade da água essencial para a vida.
A verdade é que, “Em tempos de Pandemia ou em qualquer tempo”, a carreira de Pesquisador Científico do Estado de São Paulo é um grande exemplo de profissionais de diversas áreas, que atuam no desenvolvimento de pesquisas e tecnologias em prol da Saúde Única, do Estado, do Brasil e do Mundo.

Dra. Maria Izabel Merino de Medeiros
Médica Veterinária
Pesquisadora Científica VI – APTA
Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Mais informações:

Clique para acessar o folder_SU.pdf


https://www.oie.int/en/for-the-media/onehealth/
http://www.ial.sp.gov.br/ial/perfil/homepage/destaques/a-atuacao-do-ial-no-enfrentamento-a-pandemia-da-covid-19
http://www.biologico.sp.gov.br/noticia/laboratorio-da-secretaria-de-agricultura-de-sao-paulo-fara-testes-para-o-covid-19

Butantan acelera produção para antecipação da Campanha de Vacinação contra a Gripe


Clique para acessar o al868e00.pdf


http://www.fao.org/europe/news/detail-news/en/c/1170251/

Projeto “Plantando Batatas com Ciência”, de pesquisador do IAC, recebe apoio de empresa brasileira

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Em tempos tão difíceis como esse, de pandemia, vale a reflexão: o que sua empresa tem feito, antes mesmo da crise ou durante, para agregar conhecimento de forma positiva às pessoas? A Microgeo, empresa 100% brasileira, do setor de biológicos, por exemplo, apoia desde o início o Projeto voluntário Plantando Batata com Ciência, que aborda muitos ensinamentos do período que a sociedade vive atualmente. O programa, que começou no ano de 2008, foi idealizado pelo Dr. José Alberto Caram de Souza Dias, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), e tem como objetivo ensinar os conceitos básicos de ciências e moldar, desde a infância, potenciais cientistas conscientes da importância da sanidade vegetal.

Voltado para crianças de 9 a 11 anos de idade, o projeto acontece nas escolas municipais CEIEF Jamile Caram de Souza Dias, em Limeira (SP), e EMEIEF Maria Nazareth Stocco Lordello, em Cordeirópolis (SP). No programa, cada estudante é orientado a plantar e acompanhar até a colheita o desenvolvimento de plantas de batatas (Solanum tuberosum). Para isso, são utilizados vegetais sadios e com algum tipo de virose, comum no cultivo da cultura. Essa ação garante aos alunos tanto a percepção de alguns conceitos básicos de acompanhamento/ observação e avaliação, quanto o conhecimento dos benefícios do cultivo orgânico.

“E é neste momento que entendemos que o trabalho que aplicamos é mais do que importante. É uma forma de aprendizagem para a vida como um todo, já que estamos há 12 anos ensinando alunos a serem guardiões e ajudarem no controle dos vírus que podem estar presentes em plantas de batata, especificamente. Podemos então, associar o vírus na batata com o novo coronavírus na humanidade, e afirmar que os estudantes que tiveram a experiência em participar do programa, possuem noções básicas do que estamos enfrentando e o que deve ser feito para prevenir a doença”, afirma Dr. José Alberto Caram de Souza Dias.

Os ensinamentos no Projeto Plantando Batata com Ciência são totalmente focados em plantas com e sem vírus, oferecendo oportunidade de ensino, de forma simples e segura, ressaltando aspectos fundamentais da ciência da virologia, como epidemiologia, nomenclatura, testes de detecção, sintomas, transmissão/ disseminação, prevenção e controle. “Esses conhecimentos, apesar de específicos para vírus que só infectam plantas, também são destaques para controlar e prevenir o vírus na sociedade”, explica Caram.

Segundo ele, o projeto ainda mostra sementes, mudas, brotos, ramas, galhos ou borbulhas que precisam, antes de serem plantados, passar por isolamento (quarentena vegetal) e análises – testes para saber se a planta a ser desenvolvida estará com ou sem o vírus e outras pragas, algo semelhante ao que vêm sendo frequente neste período de quarentena com as pessoas. Além disso, o programa ensina conceitos básicos e fundamentais de higiene individual e comunitária, como lavar as mãos com água e sabão, por exemplo”, destaca.

O Plantando Batata com Ciência é realizado duas vezes por ano, pois o ciclo de vida da planta é curto (80-90 dias do plantio à colheita) e os sintomas de virose são visíveis desde o início. A ação conta com duas etapas: a primeira – teórica, que ocorre dentro da sala de aula com os professores, e a segunda – prática, na qual os alunos vão até a estufa para fazer o plantio e acompanhar o desenvolvimento das plantas. Para que o projeto seja realizado com sucesso, a Microgeo disponibiliza a inovadora tecnologia Microgeo®, que permite a produção e o uso do adubo biológico no cultivo das batatas.

“Apoiamos esse projeto por sua iniciativa de unir duas inovações científicas: a técnica IAC-Broto/Batata-semente e a tecnologia Microgeo®. A ação já educou aproximadamente 2.000 alunos, despertando nas crianças a consciência ecológica nas relações sanitárias das plantas com o meio ambiente e o conhecimento de poderem aplicar tudo que aprenderam com o programa, no dia a dia, principalmente, nesta quarentena”, cita o Engenheiro Agrônomo e Diretor de P&D da Microgeo, Paulo D’Andréa.

Fonte: Agrolink 

Pesquisadores apontam que Brasil tem 14 vezes mais casos de Covid-19 do que os notificados

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O site Covid-19 Brasil é uma iniciativa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto que reúne uma equipe de cientistas independentes de várias instituições brasileiras. Nele, é possível encontrar informações, estatísticas, mapas e ferramentas de pesquisa sobre os diversos aspectos da doença e da pandemia provocada por ela.

A partir do monitoramento em tempo real dos dados fornecidos por fontes oficiais sobre a propagação do vírus no país, o site oferece ferramentas de análise cientificamente embasadas de maneira a auxiliar gestores, autoridades e a população de uma maneira geral no enfrentamento da COVID-19.

A partir das análises contidas no site Covid-19 , a repórter Maria Fernanda Ziegler – da Agência FAPESP – aponta que “mais de 1,6 milhão de casos da doença causada pelo novo coronavírus no país, sendo 526 mil só no Estado de São Paulo. O número, referente ao dia 4 de maio, é 14 vezes maior que o registro oficial”. Nessa data, o Ministério da Saúde registrava 108 mil casos confirmados da doença no Brasil, sendo 32 mil só no estado de São Paulo.

Esses dados não considerados pelas estatísticas colocariam o Brasil na liderança de casos da doença, ultrapassando os 1,2 milhão de casos registrados nos Estados Unidos.

“É sabido que existe uma grande subnotificação de casos no Brasil todo, pois só estão sendo testados os casos graves, de quem vai para os hospitais. Mas de quanto é essa distorção da realidade? A motivação deste estudo é, de alguma forma, contribuir para o planejamento da epidemia, pois com essa subnotificação tremenda só estamos vendo a ponta do iceberg”, disse à revista Domingos Alves, integrante do grupo COVID-19 Brasil, formado por cientistas de mais de 10 universidades brasileiras para monitorar a epidemia por meio de técnicas de ciências de dados.

O pesquisador, que também é coordenador do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que uma estimativa mais realista do número de casos de COVID-19 permitiria que governos e população tivessem maior capacidade de planejar medidas de combate à pandemia.

“Para ter uma noção real da dimensão, o ideal seria testagem em massa. Como não temos testes disponíveis para todos, as estimativas podem servir de base para o gerenciamento de medidas de confinamento, necessidade de novos leitos e da abertura de hospitais de campanha”, diz Alves, que tem experiência em modelagem de epidemias de pneumonia.

A projeção 14 vezes maior do que o registro oficial foi obtida a partir dos dados epidemiológicos da Coreia do Sul e ajustaram fatores como pirâmide etária, porcentual de comorbidades e fatores de risco para COVID-19 na população brasileira. O ajuste contou ainda com informações sobre o número de óbitos.

Dessa forma, ressalta o pesquisador, a realidade deve ser ainda mais grave que a estimativa. “A estimativa de a epidemia ser 14 vezes mais grave que o registrado já assusta e pode fazer com que as pessoas optem por um lockdown ou cobrem mais leitos e hospitais de campanha, mas é importante ressaltar que se trata de uma estimativa para baixo que estamos fazendo nesse estudo”, diz.

Fonte: Instituto de Saúde

Audiência para concessão do Zoológico e do Jardim Botânico de SP acontece hoje, às 17h, pela internet

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A Audiência Pública para a concessão do Zoológico e do Jardim Botânico de São Paulo acontecerá hoje, 12 de maio, às 17h, virtualmente pela internet. A reunião, inicialmente convocada para 7 de abril pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), acabou adiada em função do controle e combate à pandemia do Novo Coronavírus, conforme as diretrizes do Governo do Estado de São Paulo.

Os interessados deverão se cadastrar previamente enviando nome, RG, órgão ou entidade que representa, telefone e endereço de correio-eletrônico para sima.concessoes@sp.gov.br. Perguntas também poderão ser mandadas durante a Audiência, tanto por participantes quanto por espectadores. O endereço eletrônico para ingresso ao ambiente virtual será fornecido para os inscritos nos e-mails informados. As instruções também serão disponibilizadas neste link (aqui). As inscrições para fala começarão às 9h do dia 12 de maio e terminarão até 60 minutos após o início da audiência.

Mais informações sobre a reunião e a versão digital dos documentos do projeto estão disponíveis neste link (aqui)

Sobre o projeto

O “Projeto de Concessão de uso de bem público para a exploração do Zoológico, do Jardim Botânico e da Fazenda, compreendendo as atividades de Manejo, Educação Ambiental, Recreação, Lazer, Cultura e Ecoturismo, com os serviços associados” visa repassar à iniciativa privada a administração e modernização das áreas e serviços dos complexos, localizados no Parque Estadual Fontes do Ipiranga (PEFI).

O PEFI é um significativo fragmento de Mata Atlântica de 500 hectares dentro da cidade de São Paulo. Possui 24 nascentes do Riacho Ipiranga, dois aquíferos subterrâneos, diversos exemplares de fauna silvestre e a presença de espécies ameaçadas de extinção.

Vale destacar que a unidade de conservação, as pesquisas e a proteção das espécies ameaçadas de extinção continuarão sob a responsabilidade do Governo do Estado durante o prazo da concessão, que será de 30 anos.

VISITAÇÃO

O Zoológico de São Paulo, administrado pela Fundação Zoológico, foi fundado em 1958 e recebeu, em 2019, mais de um milhão de visitantes. Ele abriga cerca de dois mil animais de mais de 250 espécies. É o maior da América Latina.

Já o Jardim Botânico, fundado em 1928 e administrado pelo Instituto de Botânica (IBot), recebeu no ano passado mais de 133 visitantes. O local abriga atividades de pesquisa, conservação, educação ambiental, além da promoção da cultura e lazer.

Fonte: Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente

Dia do Enfermeiro: vídeo homenageia profissionais da enfermagem na luta contra a covid-19

Hoje, dia 12 de maio, comemora-se no mundo todo o Dia do Enfermeiro, em homenagem a Florence Nightingale, símbolo da enfermagem moderna nascido em 12 de maio de 1820. No Brasil, além do Dia do Enfermeiro, comemoramos a Semana da Enfermagem entre os dias 12 e 20 de maio, data instituída na década de 1940 em referência à brasileira Anna Nery, primeira enfermeira a se alistar voluntariamente em combates militares.

A enfermagem como profissão data de milhares de anos e, durante séculos, vem formando profissionais comprometidos com a saúde dos seres humanos. Reconhecendo a sua importância, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) parabeniza a todos os enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares pela semana comemorativa. A pesquisa e a ciência estão ao seu lado nesta luta para salvar vidas em meio à pandemia do coronavírus.

#LuteComoUmaEnfermeira

#EnfermagemEuValorizo

Curso de aplicação de agroquímicos, no Instituto Agronômico de Campinas, adiado por conta da pandemia

A Unidade de Referência em Tecnologia e Segurança na Aplicação de Agroquímicos (UR) informa que transferiu para o período de 15 a 19 de junho o primeiro módulo de seu curso Tecnologia de Aplicação. Inicialmente agendado para a segunda quinzena de maio, o programa foi adiado ante os riscos à saúde decorrentes da pandemia de coronavírus. Conforme os organizadores, a parte conclusiva do treinamento ocorrerá entre os dias 6 e 10 de julho. apqc1

De acordo com o coordenador da UR, o pesquisador científico Hamilton Ramos, o curso Tecnologia de Aplicação será ministrado na sede do Centro de Engenharia e Automação (CEA), do Instituto Agronômico (IAC), órgão da Secretaria de Agricultura a Abastecimento do Estado de SP, sediado na cidade de Jundiaí. Serão aceitos no máximo 15 inscritos.

Segundo Ramos, além do conteúdo tecnológico envolvendo pulverizadores, equipamentos, aplicações aéreas e terrestres, o curso tratará ainda de medidas efetivas para proteger a saúde do trabalhador rural e o meio ambiente.

“Os módulos visam a formação de agentes multiplicadores de treinamentos, tais como engenheiros agrônomos e técnicos que atuam em assistência técnica ou trabalham nas propriedades e empresas do agro. Focamos na aplicação sustentável de defensivos e no sucesso das práticas de controle de pragas, doenças e plantas daninhas”, diz Ramos.

“Constatamos que pelo menos 80% dos trabalhadores aplicadores de agroquímicos não possuem qualificação, daí a importância de se incentivar a multiplicação de treinamentos ao campo brasileiro”, complementa ele. O pesquisador calcula que o mau uso de agroquímicos ocasiona prejuízos anuais da ordem de R$ 2 bilhões ao agronegócio, somados desperdícios de ingredientes ativos e despesas resultantes de acidentes e intoxicações.

A Unidade de Referência é uma entidade sem fins lucrativos. Foi criada há cerca de três anos por meio de uma parceria entre o CEA-IAC e o setor privado. A meta central da UR, conforme Hamilton Ramos, é reduzir o déficit de profissionais especializados no uso de defensivos agrícolas. As inscrições permanecem abertas no site http://www.unidadedereferencia.com.br

Fonte: Agrolink