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Instituto Biológico de SP pesquisa fungos usados para controlar doenças na agricultura

A preocupação com o meio ambiente, o aumento da demanda por alimentos saudáveis e as dificuldades para o controle químico de algumas doenças em determinados cultivos comerciais têm motivado os agricultores a adotarem estratégias alternativas para conter pragas e doenças na agricultura. Uma dessas estratégias é utilizar um fungo do bem, capaz de controlar outros fungos que causam severos prejuízos em plantios comerciais.

Estes fungos do bem são do gênero Trichoderma. Além de terem grande potencial para controle biológico de fungos causadores de doenças nas plantas, ajudam a melhorar aspectos do cultivo. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Biológico (IB-APTA), desenvolve pesquisas nessa área e mantém uma das mais importantes coleções de Trichoderma do Brasil, que pode ser usada para o desenvolvimento de novos produtos comerciais.

De acordo com o pesquisador do IB, Ricardo Harakava, a coleção de Trichoderma do IB possui 120 isolados, ou seja, linhagens de Trichoderma, coletadas em diferentes biomas paulistas pela pesquisadora aposentada do IB, Cleusa M. M. Lucon. “Esses isolados foram coletados em 40 locais, como na região da Mata Atlântica e Cerrado, além de diferentes áreas de vegetação nativa. O diferencial da nossa coleção é que todos esses isolados passaram por testes para verificar se promovem controle de doenças ou se agem no crescimento das plantas”, conta o pesquisador que atualmente é curador do espaço do Instituto.

Empresas produtoras de bioinsumos podem, segundo Harakava, firmar parcerias com o Instituto Biológico para utilizarem essas linhagens para o desenvolvimento de produtos para o setor de produção. “Os produtores ou cooperativas que tiverem interesse também podem firmar esse tipo de parceria. Ocorre que o desenvolvimento desses produtos custa caro e precisam de aprovação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)”, explica.

O que são Trichoderma?

Os Trichoderma são fungos de crescimento rápido que podem ser utilizados em diversos tipos de indústria, como a de papel, alimentos, química e farmacêutica e, mais recentemente, na produção agrícola, como soja, cana-de-açúcar, algodão e olerícolas, entre outras. Eles controlam doenças causadas por fungos de solo, que infectam as raízes, a base dos caules e o sistema vascular das plantas, ocasionando podridões e murchas.

O uso do Trichoderma nas lavouras também traz outros benefícios associados ao crescimento das plantas e à produtividade, principalmente quando aplicados em solos considerados pobres em nutrientes. Os pesquisadores explicam que ao melhorar o desenvolvimento das raízes, esses fungos acabam propiciando o melhor aproveitamento de água pelas plantas e uma maior absorção de nutrientes minerais.

Os ácidos produzidos pelo Trichoderma colaboram para a solubilização de fosfatos, micronutrientes e alguns minerais como ferro, manganês e magnésio. Além disso, como participam da decomposição de matéria orgânica no solo, aumentam a quantidade de nutrientes que podem ser absorvidos pelas raízes. Algumas linhagens produzem ainda um hormônio de crescimento.

“Mas é importante lembrar que o efeito de Trichoderma na produtividade varia de acordo com a planta cultivada e a linhagem introduzida, bem como com as práticas culturais adotadas pelo produtor que podem ou não favorecer o crescimento e sobrevivência do fungo no local”, explica o pesquisador do IB.

O Instituto Biológico disponibiliza gratuitamente a cartilha online “Trichoderma: O que é, para que serve e como usar corretamente na lavoura”.

Controle biológico

O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais para diminuir a população de uma praga. Resumidamente, pode ser definido como natureza controlando natureza. Os agentes de controle biológico agem em um alvo específico, não deixam resíduos nos alimentos, são seguros para o trabalhador rural, protegem a biodiversidade e preservam os polinizadores.

O IB é referência no Brasil e no mundo em controle biológico e tem forte atuação junto ao setor produtivo, tendo orientado a criação e manutenção das biofábricas, que desenvolvem esses produtos biológicos para serem aplicados nas lavouras. Ao todo, mais de 80 biofábricas de todo o Brasil recebem orientação dos pesquisadores do IB. Em 2019, o Instituto assinou 23 contratos para transferência de tecnologia a essas empresas, localizadas em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná.

O Instituto mantém o Programa de Inovação e Transferência de Tecnologia em Controle Biológico (Probio), que reúne as tecnologias e serviços prestados no Instituto, principalmente para as culturas da cana-de-açúcar, soja, banana, seringueira, flores, morango, feijão e hortaliças.

Fonte: Assessoria de Imprensa IB/APTA

Visitação virtual do Museu de Pesca é opção para as férias

Museus são lugares únicos, onde conhecimento, história e entretenimento andam juntos. Em virtude da pandemia, no entanto, tem sido um pouco mais difícil visitar muitos deles, que permanecem fechados para o público. Nesse cenário, uma possibilidade para não deixar de entrar em contato com esse universo de aprendizado e diversão é visitar virtualmente os espaços. Uma ótima pedida para esse começo de ano é conhecer o Museu de Pesca, que mantém, desde o ano passado, grande parte de seu acervo disponível online para o público. Ouça podcast sobre o Museu no Spotify Soundclound.

Mantido pelo Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em Santos, no litoral paulista, o Museu é considerado uma das principais atrações turísticas da cidade, recebendo, anualmente, cerca de 50 mil visitantes. Sediado em um prédio histórico (originalmente uma fortificação do século XVIII), o local recebeu, em 2020, o prêmio Travelers Choice, da plataforma online TripAdvisor, tendo sua qualidade reconhecida por quem o visitou.

Com a visitação presencial suspensa desde março de 2020, o espaço passou a ser explorado pelo público através deste site. A versão virtual do Museu de Pesca é uma réplica da estrutura física do espaço, contendo em cada ambiente parte de seu acervo real. Dentre as principais atrações, estão um imponente esqueleto de baleia da espécie Balaenoptera physalus, com 23 metros de comprimento e sete toneladas, e diversos exemplares de tubarões. O acervo é composto, ainda, por diversas espécies de peixes, crustáceos, aves e mamíferos marinhos taxidermizados ou suas ossadas, conchas de moluscos, areias, além de maquetes de embarcações, aparelhos e equipamentos utilizados na pesca e em pesquisa oceanográfica, obras artísticas dentre outros.

A iniciativa faz parte do Projeto Venha Visitar Virtualmente (VVV), da Secretaria de Agricultura, que também conta com a mostra virtual do Planeta Inseto (veja aqui), exposição mantida pelo Instituto Biológico (IB-APTA).

Fonte: Assessoria de Comunicação

Pesquisa da APTA Regional mostra impacto da pandemia no setor de hortaliças e frutas

Pesquisadores da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Marília da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, desenvolveram pesquisa que analisou as consequências mercadológicas da pandemia de Covid-19 no setor de hortaliças e frutas na região, conhecida como a “Capital Nacional dos Alimentos”. Um novo estudo conduzido pela APTA começará a ser realizado para avaliar os impactos atuais do setor.

A pesquisa, publicada na Revista Internacional de Ciências, avaliou o impacto no início da quarentena no Estado de São Paulo, entre março e abril de 2020, e como produtores rurais e estabelecimentos comerciais se adaptaram para atender os consumidores no período de maior restrição de circulação da população. Ao todo, o trabalho consultou 45 pessoas, entre supermercados de grande e pequeno porte, hipermercados atacadistas, consumidores, produtores rurais e feirantes. A pesquisa foi realizada em conjunto com a Universidade de Marília (UNIMAR).

De acordo com os pesquisadores, a APTA realizará um novo estudo para analisar a atual situação em decorrência na classificação mais restritiva determinada para a região de Marília para o início do ano de 2021. Em 8 de janeiro de 2021, a região foi reclassificada para a fase laranja do Plano SP.

Segundo dados do estudo, na primeira semana de quarentena, quando foi publicado o decreto referente ao isolamento social, em 22 de março de 2020, os consumidores aumentaram de 30% a 40% a compra de hortaliças e frutas nos supermercados. O aumento do consumo, porém, logo se reverteu, em decorrência do fechamento de bares e restaurantes, registrando queda de 45% no volume das vendas. “Nas semanas seguintes, foi observada uma estabilização, dentro dos índices de redução de 32% do consumo total”, afirma Fernanda de Paiva Badiz Furlaneto, pesquisadora da APTA Regional.

As medidas de isolamento social para conter o avanço da doença exigiu uma mudança na forma de comercialização de produtores rurais e comerciantes para reduzir os impactos na venda. De acordo com a pesquisadora da APTA Regional, produtores responsáveis por estabelecimentos agropecuários de grande porte, que entregam diretamente sua produção em supermercado, conseguiram manter o escoamento de forma mais regular e com alguma estabilidade. Já os que dependiam de intermediário ou que comercializavam a produção com empresas de atacado, encontraram dificuldade.

“As cooperativas e as associações de pequenos e médios horticultores bem estruturadas começaram a se organizar para realizar entregas de cestas de hortaliças nos domicílios. No comércio varejista constatou-se que 90% dos supermercados optaram pela entrega de mercadorias à domicílio, sendo que alguns deles isentaram a taxa de serviço e de entrega atendendo, assim, os consumidores que passaram a realizar compras pelos sites dos estabelecimentos comerciais, sites especializados, como o iFood, e até mesmo realizando a compra por meio do uso de aplicativos como o WhatsApp. Houve, também, estabelecimentos que ofereceram serviço de venda de mercadoria pelos sites e retirada pelo sistema drive thru”, conta a pesquisadora da APTA Regional, Anelisa de Aquino Vidal Lacerda Soares.

A pesquisa identificou, ainda, que alguns supermercados (4%) anunciaram produtos pela internet mais caro do que os adquiridos na loja física, tendo um aumento de 2% a 5% dos preços. “Os consumidores relataram, também, que usualmente compram uma quantidade inferior de produtos em relação ao que se adquire normalmente no supermercado. Tal situação pode ser justificada pelo fato da maior disponibilidade de itens na compra in loco. Deve-se considerar, também, que normalmente, costuma-se ir ao mercado com outros membros familiares que acabam sugerindo a aquisição de produtos extras à lista de compras”, explica Fernanda.

O estudo indicou, porém, resistência de compra em ambientes digitais por consumidores idosos, acima de 70 anos. Na prática, um outro familiar realiza a compra in loco ou pela internet para esse público visando evitar a ida dos idosos ao supermercado. “Mas, mesmo com as medidas restritivas, notou-se a presença de pessoas pertencentes ao grupo de risco realizando compras no mercado, em especial, no setor “verde”, de produtos hortifrutigranjeiros. Atentos a isso, muitos supermercados passaram a oferecer horário estendido para esse público”, afirma Anelisa.

O trabalho mostrou que os consumidores optaram por compra de hortaliças não folhosas, legumes e frutas como tomate, abóbora, berinjela, rabanete, mandioca, cenoura, batata, maçã, manga, abacaxi, caqui, maracujá, abacate e laranja. “Notamos que a redução da comercialização das folhosas foi de 37%, enquanto a de não folhosas foi de 28%. “As vendas das folhosas foram mais comprometidas pelo fechamento de parte considerável do setor de alimentação, como restaurantes e lanchonetes. Salienta-se que o setor entregas de alimentos à domicílio não utilizam muitas folhosas em decorrência da perecibilidade”, afirma Fernanda.

Consumo não apresenta risco de contaminação com a doença

A pesquisa desenvolvida pela unidade regional da APTA mostrou ainda que as hortaliças e frutas devem ser minimamente manuseadas e desinfetadas antes do armazenamento de consumo. Seguidos os protocolos sanitários, não há qualquer risco de contaminação dos consumidores com a Covid-19.

Além dos protocolos de higiene, como lavar mãos e uso de álcool em gel 70º pelos manipuladores, deve-se seguir o distanciamento social entre os trabalhadores rurais e rigorosa classificação dos produtos visando evitar a reclassificação nos entrepostos. “Com isso, é possível preservar a saúde dos trabalhadores das centrais de abastecimento e do consumidor final em decorrência da redução do risco de contaminação dos produtos”, diz Fernanda.

Marília: Capital Nacional dos Alimentos

A cidade de Marília, localizada na região Centro-Oeste do Estado de São Paulo é conhecida como o Capital Nacional dos Alimentos. Apesar de ter uma taxa de urbanização de 93%, a região a região possui 881 estabelecimentos agropecuários, em uma área de 105.699 hectares. O valor bruto da produção agropecuária na região foi de R$ 71.296,67 mil em 2018, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O setor alimentício é responsável por gerar 27,5 mil empregos. Atualmente, Marília produz mais de 32 mil toneladas de alimentos por mês. Os produtos fabricados no município são comercializados em todo território nacional, bem como exportados para diversos países”, explica Anelisa.

Dados da Associação Paulista de Supermercados apontam que região foi responsável por 1,7% do faturamento do setor no Estado de São Paulo, o que equivale a R$ 1,8 bilhão, e gerou nove mil empregos.

Ações de Governo em prol dos produtores

De acordo com as pesquisadoras, neste cenário de crise vivida em todo o mundo é necessário o suporte de Governo e ações para evitar o desabastecimento de várias mercadorias, além de ações que auxiliem os pequenos produtores, mais afetados pelos impactos da pandemia.

Neste contexto, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo realizou diversas ações ao longo de 2020, como o programa Compre do Produtor Local, que incentiva a compra de produtos produzidos localmente pela população e o AgroSP, canal que conecta pequenos produtores rurais e rede varejista para venda direta de produtos agropecuários.

Outra ação foi a compra de produtos de pequenos produtores para a distribuição de 428 mil cestas de 10 kg para a população em vulnerabilidade social, por meio do programa PAA – Cesta Verde.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Pesquisador do IAC recebe prêmio internacional por pesquisa com aplicação de bactérias benéficas em mudas de cana

No último mês de 2020, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, recebeu mais um reconhecimento de seu trabalho. O pesquisador Matheus Aparecido Pereira Cipriano foi premiado na categoria pós-doc na Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference – BBEST/BIOFUTURE SUMMIT II, com o trabalho “Effect of beneficial microorganisms on sugarcane plant growth, metabolism, biological control and osil nacterial community”.

A pesquisa multidisciplinar analisou a interação de microrganismos benéficos em mudas de cana-de-açúcar produzidas pelo Sistema de Mudas Pré-brotadas (MPB). Os resultados mostram a otimização da produção de MPB com aplicação de bactérias benéficas e/ou fungos micorrízicos. Foram observados ganhos de até 80% na produção de biomassa, além de plantas com melhor nutrição e resistentes ao ataque de doenças, como o agente causal da podridão vermelha em cana-de-açúcar. Esse aumento de biomassa pode garantir maior vigor às mudas e reduzir a perda de sacarose causada pelo patógeno Colletotrichum falcatum.

“Tenho orgulho de fazer parte do Instituto Agronômico e agradeço toda equipe do Laboratório de Microbiologia do IAC e os nossos parceiros”, comentou o premiado na categoria mais concorrida do Congresso. Houve cerca de 150 trabalhos inscritos nas diversas categorias, mas a de pós-doutorado é a que gera mais expectativas. As apresentações dos participantes foram gravadas anteriormente e exibidas no Best 2020-21/Biofuture Summit II conferências: Unindo as políticas, a inovação e a ciência para habilitar uma bioeconomia sustentável de baixo carbono.

O estudo realizado entre 2017 e 2020 contou com experimentos conduzidos em laboratório, onde os microrganismos benéficos (bactérias e fungo micorrízico arbusucar – FMA) foram identificados e caracterizados quanto à produção de compostos que podem favorecer o desenvolvimento da planta e controle do patógeno. Nos experimentos com planta, em casa-de-vegetação, as MPBs tratadas com os microrganismos benéficos, principalmente isolados bacterianos da espécie Pseudomonas putida, tiveram um aumento na produção de biomassa de até 80% observado após 45 dias do transplante da MPB. “A diferença do crescimento da planta que interagiu com as bactérias é visível a olho nu”, afirma.

Os resultados obtidos neste estudo, assim como outros trabalhos em andamento pelo grupo, apontam que alguns isolados da “Coleção de Microrganismos Benéficos do Centro de Solos” do Instituto Agronômico, além de promoverem o crescimento de cana-de-açúcar atuam no controle biológico da podridão vermelha em MPB. O grupo enfatiza que esses estudos mostram a versatilidade desses microrganismos capazes de desempenhar funções múltiplas, não apenas em cana-de-açúcar, mas também em outras culturas como alface, café e citros, como vem demonstrando os trabalhos desenvolvidos pelo grupo.

O projeto tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). A pesquisa tem colaboração com o Centro de Cana do IAC, do Laboratório de Fitopatologia do Instituto Biológico e do Instituto Holandês de Ecologia.

Fonte: Assessoria de Imprensa do IAC

Killifish está ameaçado de extinção no Brasil, diz pesquisador do Instituto de Pesca

Você sabia que as poças de água podem ter várias espécies de um peixinho chamado killifish? Também conhecidos como peixes das nuvens, essas espécies nascem a partir do depósito de ovos no fundo de poças de água temporárias, que secam durante alguns meses do ano e eclodem no período das chuvas.

Segundo o pesquisador do Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mauricio Keniti Nagata, a maioria dos killifishes nacionais está na lista de espécies ameaçadas de extinção, por isso, está proibida de ser criada e mantida, exceto para pesquisa.

O Instituto de Pesca protocolou uma declaração de matrizes no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), em 2015, notificando-o que mantém várias espécies com origem (nota fiscal) em um de seus laboratórios, em São Paulo, Capital.

O pesquisador explica que o IP mantém e reproduz algumas espécies nacionais e importadas de killifishes há mais de 20 anos, ou seja, antes de elas serem consideradas como ameaçadas de extinção. Entre as espécies mantidas pelo Instituto está um dos raríssimos vertebrados hermafroditas auto-fecundantes, a Kryptolebias hermaphroditus (ex-Rivulus ocellatus). Essa espécie faz parte do complexo da Kryptolebias marmoratus, que é distribuída em mangues ao longo do litoral Atlântico, porém, as K. hermaphroditus estariam mais restritas aos mangues do litoral da região Sudeste, apesar de mais recentemente serem também encontradas na região Nordeste.

“A K. marmoratus já foi considerada a única espécie de vertebrado hermafrodita auto-fecundante, sendo que atualmente é um complexo de espécies que inclui a K. hermaphroditus. Existem muitas espécies de peixes hermafroditas – sequenciais ou até concomitantes, mas a auto-fecundação é a raridade”, explica.

Nagata conta que os killifishes existem em todos os continentes, exceto no australiano e no antártico. A maioria das espécies nativas é considerada como ameaçada de extinção porque é endêmica, ou seja, cada região pode ter espécies ou populações presentes apenas naquela área geográfica específica, e ficam fragilizadas por qualquer mudança em seu habitat. “Várias espécies já foram extintas e muitas estão em vias de, principalmente, por ações antropomórficas, ou seja, poluição, drenagem dos locais para empreendimentos imobiliários e outros”, afirma.

Há 20 anos a situação dos killifishes eram mesmo bem diferente da atual. Em meados dos anos 2000, a popular apresentadora infantil, Eliana, em conjunto com a empresa Estrela, lançou no Brasil o Aqua Ticos, um kit que oferecia pacotes com substratos com ovos de killifishes nacionais, alimentos e instruções para que o público pudesse hidratar os ovos e fazê-los eclodir. A ideia era que as crianças acompanhassem todo o processo de nascimento e criação dos peixinhos.

“O brinquedo se tornou muito popular e a coleção do Instituto de Pesca conta, inclusive, com killifishes nascidos desta forma. Outros apresentadores, como o Gugu, também disponibilizaram brinquedos parecidos com killifishes – o Triops (crustáceo)”, conta o pesquisador que ressalta que é importante a conscientização do público dessa época e das atuais para que não liberem nenhuma espécie em corpo d’água pelo risco de desequilíbrio ambiental.

Os aquaristas, segundo Nagata, são importantes no desenvolvimento de técnicas de criação e manutenção de espécies. “Nossa alternativa é manter as espécies extintas na natureza e sem habitat natural na aquariofilia, como uma forma de lembrete da fragilidade dos ecossistemas. Os killifishes precisam ser apreciados não só pela beleza de formas e cores, mas também pelo seu ciclo de vida peculiar. É importante ainda a preservação dos habitats naturais e vários grupos têm se engajado arduamente nessa questão”, conta.

O Instituto de Pesca elaborou e atualizou a lista de espécies ornamentais passíveis de criação no Estado de São Paulo com alguns Killifishes nacionais, seguindo os pré-requisitos da legislação federal, ou seja, espécies adquiridas com origem legal. A lista é, inclusive, consultada pela Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) para aquicultores obterem a Declaração de Conformidade de Atividade em Aquicultura (DCAA), que substitui a Licença Ambiental para determinadas propriedades no Estado de São Paulo. Mais detalhes podem ser encontrados no site https://www.cdrs.sp.gov.br/portal/.

Além disso, o IP promove cursos de criação de peixes ornamentais de água doce, ensinando na montagem e manutenção de aquários, técnicas de reprodução das principais famílias e noções dos trâmites para criação comercial de peixes ornamentais de água doce.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto de Pesca

Pesquisador do Ital lança livro sobre o urucum, planta nativa que faz parte da História do Brasil

Paulo Roberto Nogueira Carvalho, pesquisador do Ital

Fonte do pigmento natural que se destaca na indústria de alimentos, também bastante procurada pelas indústrias cosmética, têxtil e farmacêutica, o urucum tornou-se ao longo das últimas décadas alvo de inúmeras pesquisas visando não só mais produtividade como também maior teor de pigmentos. Pela relevância e potencial dessa planta nativa brasileira, acaba de ser lançado o livro Urucum: Uma semente com a história do Brasil, de autoria de Paulo Roberto Nogueira Carvalho, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Com 320 páginas, o livro é todo escrito em português, espanhol e inglês.

“Desde os indígenas – que utilizavam as sementes do urucum para se colorirem, se protegerem do sol e como repelente – a história evoluiu de forma que ele se tornasse também, em poucos séculos, uma planta condimentar. Foi esse uso condimentar que propagou para caminhos mais amplos, despertou interesses, chegando aos dias de hoje como uma planta que gera tecnologia, renda, empregos, desenvolvimento social e saúde”, afirma no prefácio da publicação Victor Paulo de Oliveira, ex-pesquisador do Instituto Agronômico (IAC-APTA).

Urucum: Uma semente com a história do Brasil aborda as áreas relacionadas à cadeia produtiva de forma a resumir a experiência de 30 anos de trabalho de Paulo Carvalho e ao mesmo tempo apresentar diversos aspectos com a ajuda de importante time de colaboradores. Patrocinada pela New Max Industrial, cliente do Ital que comercializa, além do corante, o tocotrienol extraído do urucum, e apoiada pelo site http://www.ourucum.com.br, a publicação é comercializada pelo Centro de Comunicação e Transferência de Conhecimento (Cial) do Ital e parte de sua venda contribuirá com projetos relacionados à cultura.

Histórico do autor e suas pesquisas

Graduado em Química Industrial, mestre em Química Analítica e doutor em Ciências Químicas, Paulo Carvalho ingressou no Ital em 1982 e sete anos depois iniciava suas atividades com urucum, que se tornou seu principal tema de pesquisas, tendo assim coordenado vários eventos relacionados, publicado diversos artigos científicos e atuado intensamente junto a algumas das principais indústrias de corantes do País. Paralelamente, o pesquisador foi assessor técnico da direção do Ital de 1995 a 1998 e diretor do CCQA, de 2005 a 2008.

Atualmente Paulo Carvalho coordena projetos dedicados à separação de possível fitoterápico de sementes de urucum com colaboração de Mary Ann Foglio, professora da Faculdade de Ciência Farmacêutica da Unicamp, e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Ele também é colaborador de outro projeto apoiado pela Fapesp sob coordenação de Mary Ann, que estuda a associação de frações fitoterápicas do urucum com frações de outras plantas.

Além disso, seis estudos com urucum orientados por ele tiveram seus resultados apresentados em outubro no 14º Congresso Interinstitucional de Iniciação Científica, tendo ficado em primeiro lugar dentre as apresentações orais do Ital o Estudo da es tabilidade de bixina em sementes de urucum (Bixa orellana L.) armazenadas em diferentes embalagens de autoria de Beatriz Maluf Dória de Oliveira, bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Curiosidades esclarecidas pelo autor

Afinal, o que é o urucum?

Talvez a forma mais fácil de apresentar o urucum é começar falando sobre o seu produto mais conhecido: o colorau. Um dos condimentos mais utilizados na culinária brasileira, o colorau é produzido a partir das sementes de urucum que, na produção doméstica, são moídas em um pilão, peneiradas e misturadas com farinha de milho. Hoje, a maior parte do colorau é produzida industrialmente, usando tecnologias modernas.

O urucum é uma planta nativa brasileira e faz parte da história do Brasil. Gosto sempre de enfatizar que a primeira citação do urucum foi feita na carta que Pero Vaz de Caminha enviou a D. Manuel, rei de Portugal, informando a descoberta do Brasil. Na carta, Caminha descreve claramente o fruto do urucum e seu uso pelo nativos para colorir seus corpos.

Estudos recentes indicam que o urucum foi domesticado na região amazônica e hoje sua cultura se espalha por todo o País, tornando-o o maior produtor mundial desses grãos. O urucum é uma cultura típica de pequenos produtores. O alto custo da colheita, que ainda é feita de forma manual, torna a agricultura familiar muito competitiva com grandes plantações, que têm que contratar mão de obra cada vez mais rara e mais cara para a colheita.

Além do colorau, onde mais o urucum é utilizado?

O corante extraído das sementes de urucum é considerado o pigmento natural mais utilizado pelas indústrias de alimentos. Suas características peculiares permitiram que seu uso se generalizasse, sendo utilizados nos mais diferentes ramos das indústrias de alimentos.

Um exemplo clássico dessa versatilidade pode ser demonstrado na sua história junto à indústria de laticínios. A literatura relata que, com o início da retirada da gordura do leite de vaca para a fabricação da manteiga, os queijos, antes de cor amarelada devido à presença da gordura, tornaram-se brancos. Isso frustrou a expectativa do consumidor que estava acostumado com queijos de coloração amareladas pela presença da gordura natural do leite. Assim os produtores buscaram uma alternativa para manter a cor desses queijos produzidos com o leite desnatado. Os pigmentos do urucum resolveram esse problema, graças à propriedade que apresentam de se ligar a caseína do leite e se manter no queijo durante o processo de cura. Os queijos Prato, Cheddar, Reino e Saint Paulin são alguns exemplos dessa aplicação.

Os pigmentos de urucum também são fartamente encontrados em massas e produtos cárneos embutidos como na coloração externa da nossa famosa salsicha para cachorro-quente. Iogurtes, temperos, molhos, recheio de bolachas e sorvetes são outros exemplos de alimentos onde você pode encontrar tais corantes.

As sementes de urucum são benéficas à saúde?

Apesar de o urucum ser conhecido principalmente por seus pigmentos, há na literatura inúmeros relatos de seu uso na medicina doméstica como analgésico, anti-inflamatório, antifebril, antiparasitário, cicatrizante e antibacteriano e no tratamento de doenças cardiovasculares, diabetes e câncer.

Como apenas 10% do material contido nas sementes são aproveitados nos processos de produção de corantes, passamos a conduzir estudos para o aproveitamento integral e nos deparamos com inúmeras referências bibliográficas que atribuíam efeitos fitoterápicos a algumas de suas substâncias, dentre elas o geranilgeraniol e o tocotrienol.

Um projeto conduzido com o apoio da Fapesp permitiu que estudássemos a extração de geranilgeraniol em sementes de urucum. Um outro projeto, financiado pela iniciativa privada, completou esses estudos e dois outros produtos foram separados das sementes: um repelente com atividade similar aos produtos artificiais disponíveis hoje no mercado e os tocotrienóis.

Esses últimos fazem parte do grupo de substâncias com atividade vitamínica E e apresentam atividades antioxidante, redutora do colesterol e no combate de diversos tipos de câncer. Tais produtos já estão sendo extraídos pela indústria e está à disposição dos consumidores brasileiros.

O que motivou a publicação do livro?

Quando publiquei meu primeiro artigo sobre essa cultura, Urucum – Uma fonte de corante natural (1989), era uma revisão bibliográfica do que havia sobre o tema em uma época em que não existia as facilidades que a informática oferece hoje, então ficamos dias “confinados” em bibliotecas procurando em bancos de dados físicos artigos de nosso interesse.

As dificuldades que tivemos para encontrar artigos sobre esse tema me desafiou e desde então nunca mais deixei de trabalhar com o urucum. Assim, depois de mais de 30 anos trabalhando com essa cultura, resolvi deixar parte desse conhecimento registrado para que não se perdesse quando eu me aposentar.

Pode-se dizer que o livro tem um significado especial?

Sim. Eu tinha um sonho de publicar um livro que não só trouxesse informações importantes sobre o urucum como fosse visualmente agradável e que pudesse ser entendido por técnico e leigos e além de nossas fronteiras. Assim, buscamos uma equipe de colaboradores (diagramador, tradutores e revisores) que entendessem e abraçassem a nossa proposta. Dessa forma, foi produzida uma publicação em três idiomas, em tamanho grande (22,5 cm x 30cm), com capa dura e sobrecapa, todo em papel couché, ricamente ilustrado e com um conteúdo que abrange a história do urucum, os aspectos agronômicos, químicos e tecnológicos, além do uso dos corantes e suas atividades fitoterápicas, terminando com uma avaliação dos caminhos que as pesquisas apontam para essa cultura.

Sobre o Ital

Localizado em Campinas/SP, o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) realiza pesquisa, desenvolvimento, assistência tecnológica e difusão do conhecimento nas áreas de embalagem e de processamento, conservação e segurança de alimentos e bebidas.

Fundado em 1963, vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, o Ital possui unidades técnicas especializadas em carnes, produtos de panificação, cereais, chocolates, balas, confeitos, laticínios, frutas, hortaliças e embalagens, sendo certificado na ISO 9001 com parte dos ensaios acreditados na ISO/IEC 17025.

Por meio do Centro de Inovação em Proteína Vegetal, do Núcleo de Inovação Tecnológica e da Plataforma de Inovação Tecnológica, o Ital estimula alianças estratégicas para inovação e projetos de cooperação. Possui ainda Programa de Pós-Graduação aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Outras informações estão disponíveis no site do Ital (clique aqui).

Fonte: Assessoria de Comunicação do Ital

Modernização de estrutura e expertise do Ital permitem valorizar fruticultura e olericultura

Produção do chocolate em escala piloto no Cereal Chocotec (crédito: Antonio Carriero/Ital)

Produção de amostras de chocolates moldados, aplicação de ingredientes inovadores para torná-los mais saudáveis, melhoria da qualidade sensorial e da segurança de frutos desidratados e cristalizados, aumento de produção e desenvolvimento de embalagem com especificações que permitem a redução de matéria-prima sem prejudicar a funcionalidade. Essas dentre tantas outras atividades de pesquisa, desenvolvimento, inovação e assistência tecnológica, além de capacitação e difusão do conhecimento, são possíveis através do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por contar com equipes e estrutura especializadas e constantemente buscar financiamentos e parcerias para modernização física e técnica.

A mais recente conquista foi a aprovação pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) da Plataforma Biotecnológica de Ingredientes Saudáveis (PBIS), Núcleo de Pesquisa Orientada a Problemas (NPOP) interinstitucional com financiamento público-privado que entra em ação este ano liderado pelo Ital, que já vinha modernizando sua estrutura nos últimos três anos através do Plano de Desenvolvimento Institucional em Pesquisa (PDIP), financiado pela Fapesp, dentre outros financiamentos.

No pacote das modernizações do PDIP, está a mesa de corte do Laboratório de Embalagens Celulósicas do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) do Ital para desenvolver embalagens com menor quantidade de matéria-prima mantendo a proteção do produto, melhor capacidade de arranjo na distribuição e maior estabilidade. “Por se tratar de uma mesa de corte modular, em que podem ser instaladas ferramentas como facas para corte do tipo arraste, serrilhado ou rotativo, fresas e roletes para vinco, é possível trabalhar com diversos materiais como couro, MDF, acrílico, plástico e celulose”, detalha o pesquisador Leandro Konatu, especialista em ensaios físicos-mecânicos de embalagens celulósicas e para transporte e distribuição.

Segundo Leandro, além de terem sido realizados trabalhos em conjunto com universidades paulistas, está em andamento um estudo em parceria com o Instituto Agronômico (IAC) para diagnóstico e implementação de melhorias na colheita, distribuição e venda de frutas, levando em consideração a representatividade da cultura para o estado de São Paulo e os níveis de perdas ao longo da cadeia.

Aliás, a valorização de frutas e hortaliças de interesse estadual é possível através de equipe especializada em tecnologias como desidratação, congelamento, acidificação, pasteurização e concentração. Dentre os trabalhos desenvolvidos pelo Centro de Frutas e Hortaliças (Fruthotec) do Ital, foi executado um projeto de adequação do processo produtivo de cristalizados como laranja, figo e abóbora, visando a melhoria da qualidade e da segurança dos alimentos e até mesmo a ampliação da produção. “O trabalho da unidade busca inovação no setor, voltando-se para matérias-primas de importância para a fruticultura e a olericultura do estado de São Paulo, bem como para as agroindústrias que suprem os mercados consumidores paulistas”, reforça a pesquisadora Sílvia Germer, que atua em especial com secagem de frutas e hortaliças, aproveitamento e reuso, estabilidade de alimentos, otimização de processos, determinação de propriedades tecnológicas e de equilíbrio.

Outra novidade estrutural de destaque foi a implantação da linha compacta de fabricação de chocolates e derivados usando processo de moinho de esferas financiada pelo Governo de Estado e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), viabilizando em especial o atendimento de empresas de pequeno e médio portes, que representam a maior parte do setor no Brasil.

“Houve uma modernização completa da infraestrutura das plantas-piloto de chocolate e produtos derivados como recheios e spreads. São linhas com capacidade reduzida para teste de cinco a dez quilos de produtos para pesquisas e para teste de desempenho para posterior escalonamento”, explica Valdecir Luccas, pesquisador do Centro de Tecnologia de Cereais e Chocolate (Cereal Chocotec), que atua tanto no desenvolvimento de novos produtos e assistência tecnológica, quanto na produção de amostras, execução de projetos de fomento e realização de cursos regulares ou sob demanda.

A planta também servirá de base para atividades da PBIS em duas frentes. Na primeira, haverá a substituição parcial da gordura no chocolate por lipídeos especiais com funções específicas, com menor teor calórico e/ou com ácidos graxos essenciais. “Será testado todo o desempenho e caracterização de forma a produzir chocolates mais saudáveis”, explica Luccas. Já a outra aplicação será de compostos fenólicos extraídos de subprodutos das indústrias do agronegócio, como cascas e bagaços de matérias-primas amplamente produzidas em SP como amendoim, cana e café. “O objetivo é aumentar o efeito antioxidante desses produtos, auxiliando o retardo do envelhecimento. Posteriormente haverá ensaios pré-clínicos para comprovação desses efeitos”, completa o pesquisador.

Fonte: Assessoria de imprensa do ITAL

Novo WhatsApp da APqC!

IAC vai usar edição gênica para criar café sem cafeína desde a planta

O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) recebeu R$ 34,8 milhões para investir em pesquisas que prometem revolucionar as produções de cana-de-açúcar, café e citros.

Para isso, a aposta é na técnica conhecida como “tesoura genética”, que permitiria, por exemplo, retirar o gene da cafeína das plantas sem alterar o sabor e o aroma. A tecnologia é tão promissora que venceu o prêmio Nobel de Química em 2020.

A iniciativa conta com o apoio do setor privado, que tem bastante interesse, pois 20% do mercado internacional e 10% do brasileiro é para produtos descafeinados.

No caso do citros, a ideia é desenvolver cultivares resistentes ao greening. O Brasil se destaca no mercado internacional, produzindo 3 a cada 5 sucos de laranja, mas o custo para manter a produtividade é alto por conta da doença. Caso os resultados sejam alcançados, o país pode aumentar sua produção.

Por fim, para a cana-de-açúcar, a ideia é criar variedades que produzam o dobro das atuais. O caminho escolhido pelos cientistas é a transgenia e a edição gênica.

Clique aqui para assistir a reportagem veiculada no Canal Rural.

Fonte: Canal Rural

71% dos cargos de pesquisador científico do Instituto Butantan são ocupados por mulheres

Pesquisadoras científicas do Instituto Butantan

Um dos maiores centros de pesquisa e produção de imunobiológicos do país, o Instituto Butantan revelou que tem 71% de seu corpo científico formado por mulheres. Do total de pesquisadores contratados, seja via Fundação ou Instituto, apenas 29% são homens.

Nem sempre foi assim, pelo contrário, essa é uma mudança que vem acontecendo recentemente por conta da maior quantidade de mulehres que têm acesso ao ensino superior.

“Se olharmos as fotos antigas dos laboratórios do Butantan, veremos uma maioria de homens e poucas mulheres. Acredito que essa chave tenha virado com o próprio acesso às universidades porque, antigamente, para alguém fazer um curso superior era preciso se deslocar para as cidades grandes ou até mesmo para fora do país e era muito raro mulheres conseguirem fazer isso, ou inclusive serem aceitas socialmente nesses espaços”, disse Ana Marisa Chudzinski, diretora do Centro de Desenvolvimento e Inovação do Instituto.

Isso, porém, não garante que a área de pesquisa biológica seja de livre do machismo.

“Já passei pela situação, em congressos e em outros encontros, de descobrir que se referiram a mim como ‘o pesquisador Sampaio’, antes de me conhecerem pessoalmente. A primeira ideia até hoje é de que o nome assinado no artigo nunca é de uma mulher. No imaginário continua a imagem de um homem”, contou Sandra Sampaio, diretora do Centro de Desenvolvimento Científico.

Outro comportamento comum em relação às mulheres são os questionamentos relacionados à vida pessoal e à carreira se convergem em algum momento, especialmente no caso da maternidade. Dados obtidos pelo projeto Parent in Science, com 885 pesquisadoras, mostram que essas mulheres passaram por uma queda no número de publicações (indicador de produtividade) após o nascimento de um filho, não em razão das suas novas demandas pessoais, mas, sim, devido às exigências de desempenho e progressão profissional.

“O que conseguimos construir é ainda maior quando consideramos que, apesar dos papéis concebidos socialmente, seja a maternidade, seja como cuidadora de um familiar, nosso papel científico passou a ser reconhecido e nós sempre estivemos na ciência. Andamos com a pesquisa e temos importantes líderes em temáticas e estudos”, concluiu Sandra.

Fonte: IG Delas, com informações da Assessoria de Imprensa