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Animação mostra como se dá o contágio do coronavírus

A Universidade de Stanford, dos Estados Unidos, produziu uma animação bastante didática para explicar como funciona o contágio do COVID19. Passe adiante. A informação é a melhor forma de prevenção contra o coronavírus.

Estresse: o perigoso sintoma invisível do coronavírus

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Foto: Divulgação / UFRJ

O estresse é um dos principais agravantes da atual pandemia provocada pelo coronavírus. O medo e a insegurança provocados pelo isolamento social, pelo afastamento do trabalho, pela preocupação com outros amigos e parentes isolados, a ansiedade com relação aos problemas financeiros e ao risco de desemprego estão gerando níveis inéditos de estresse generalizado em todos os países do mundo afetados pela pandemia.

As instituições de saúde globais estão atentas a esse fato, que é tratado como efeito colateral da COVID19 e, como tal, tratado como questão de saúde pública também. Como a demanda de atendimento é muito alta, é preciso que todos, pacientes, familiares e profissionais de saúde, estejam em condições psicológicas adequadas para enfrentar as dificuldades e tomar decisões com serenidade, o que nem sempre é possível.

Nesse sentido, ajuda seguir as recomendações de quem tem ampla experiência no manejo de situações como essa, com foco em saúde mental. O guia de cuidados para a saúde mental publicado pelo OMS é uma boa fonte de informações a esse respeito e merece ser conhecido em detalhes.

Em primeiro lugar, ele trata do preconceito. Não há nenhuma relação da doença com qualquer povo específico. O excesso de informação também causa ansiedade e estresse. Reduza suas fontes de informação às mais confiáveis, apenas uma ou duas vezes ao dia, evite o “bombardeio desnecessário” de informações e, claro, fuja das fakenews.

Os agentes de saúde são um dos grupos de preocupação do guia. “O gerenciamento da sua saúde mental e o seu bem-estar psicossocial durante este momento é crucial para que você possa manter sua saúde física também”, recomenda da publicação.

As equipes de atendimento direto precisam adotar medidas específicas para lidar com o estresse, como rotatividade entre funções de maior para menor tensão, apoio psicossocial aos trabalhadores e aos pacientes.

Os cuidadores de crianças devem permitir que elas expressem seus medos e ansiedades. Brincadeiras, jogos e desenhos podem ajudar. É importante mantê-las junto de suas famílias sempre que possível. Quando o contato físico não for possível devem ser usados meios de comunicação como celulares e computadores.

Por fim, o guia trata dos cuidados com os idosos. Especialmente em casos de isolamento social e de demência, os idosos podem apresentar sintomas de raiva, agitação e estresse. É fundamental oferecer apoio emocional a eles nesses casos.

Conversar com eles sobre as coisas que estão acontecendo, fornecendo informações claras sobre as medidas de contenção da pandemia, é uma das formas de ajudar. Tudo da forma mais simples possível. O apoio da família pode ajudar na adoção das medidas de prevenção, como lavar as mãos.

Os medicamentos devem ser mantidos sempre à mão e os amigos devem ser alertados em caso de qualquer necessidade de ajuda. Os idosos devem estar preparados para buscar ajuda, chamar um taxi, pedir entrega de comida em casa ou chamar um médico. E devem manter seus estoques de medicamentos para no mínimo duas semanas.

Fazer exercícios físicos simples durante a quarentena ajuda não reduzir a mobilidade. E claro, manter uma rotina de atividades regulares: arrumar a casa, cozinhar, cantar, pintar, desenhar, escrever e tudo que der vontade! Manter o contato e ajudar a família e os vizinhos sempre que for seguro ou, não sendo possível, por meio do telefone.

O guia completo da OMS para redução do estresse durante a pandemia COVID19 você encontra aqui.

Fonte: Instituto de Saúde.

Fapesp incentiva conversão de pesquisas atuais para o estudo do coronavírus

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A Fapesp abriu chamada para a seleção rápida de propostas de pesquisa de curto prazo (24 meses) como suplementos para auxílios vigentes nas modalidades Temático, Jovem Pesquisador, CEPID ou CPE em curso, que redirecionem parte de seu esforço de pesquisa para contribuir de forma significativa ao entendimento e superação do risco representado pelo vírus SARS-Cov-2 e/ou possíveis caminhos para sua gestão ou prevenção. A data limite para apresentação de propostas de pesquisa nessa chamada é 22 de junho de 2020.

Os tópicos de pesquisa de interesse incluem, mas não são limitados, aos seguintes:

1) Características epidemiológicas, por exemplo, potencial de transmissão, disseminação geográfica, interações com outros vírus, alteração do genótipo viral, suscetibilidade do hospedeiro, período de incubação, etc.

2) Desenvolvimento de testes diagnósticos clínicos sensíveis, específicos e rápidos para COVID-19.

3) Desenvolvimento de candidatos terapêuticos para a COVID-19; terapêutica de amplo espectro contra múltiplas cepas de corona vírus; estudo da atividade anti-COVID-19 de terapêuticas existentes inicialmente desenvolvida para outras indicações.

4) Terapêutica, com priorização daqueles com potencial para rápido desenvolvimento clínico ou reuso de terapêuticas existentes desenvolvidas para outros patógenos.

5) Estudos para compreender aspectos críticos da infecção viral, replicação, patogênese e transmissão; examinar a estabilidade e persistência do vírus.

6) Pesquisa em procedimentos clínicos, indicadores de prognóstico clínico, incluindo investigações voltadas para a compreensão da história natural da doença.

7) Identificação e avaliação das respostas imunes inatas, celulares e humorais à infecção pelo SARS-Cov-2.

8) Investigações epidemiológicas e soro-epidemiológicas, como as que visam compreender melhor as características e gravidade da transmissão, a fim de compreender o impacto potencial das medidas de controle da COVID-19.

9) Pesquisa baseada em ciências sociais que contribua para a compreensão e influência do comportamento – para as instituições públicas e locais de trabalho – para facilitar a contenção e minimizar comportamentos contraproducentes (inclui pesquisa baseada em georreferenciamento e dados sociais para investigar zonas de risco nas grandes cidades).

O valor total oferecido nessa chamada é de R$ 10 milhões. A duração dos projetos de pesquisa propostos deve ser de 24 meses e cada proposta pode solicitar até o valor máximo de R$ 100 mil por ano.

Além do valor especificado acima, excepcionalmente nesta Chamada, poderá ser solicitada uma Bolsa de Pós-Doutorado (do tipo BCO – Bolsa como Item Orçamentário cujo recipiente será selecionado após a aprovação da solicitação – www.fapesp.br/2615), com duração de até 24 meses.

A submissão deve ser por um Pesquisador Responsável ou Pesquisador Principal na concessão nas modalidades Temático, Jovem Pesquisador, CEPID ou CPE em andamento e que demonstre ter tempo disponível entre suas atividades de pesquisa para liderar de forma eficaz a atividade proposta.

As propostas devem seguir as diretrizes e requisitos de elegibilidade aplicados aos Auxílios à Pesquisa Regulares, descritos em www.fapesp.br/137.

Sendo uma iniciativa de Rápida Implementação as propostas serão analisadas à medida que forem recebidas até que se esgotem os recursos oferecidos ou até a data limite anunciada acima.

Para dúvidas sobre essa chamada escreva para chamada-apr-covid@fapesp.br.

Instituto Butantan constrói laboratório para a realização de testes do coronavírus

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O Instituto Butantan está concluindo a montagem de laboratório especial com a finalidade de desafogar a demanda do Instituto Adolfo Lutz e oferecer uma quantidade maior de testes do coronavírus à população. O processo será mais automatizado e o laboratório deve começar a operar em breve. O jornal do G1, da Rede Globo, entrevistou o diretor do Butantan, Dimas Tadeu Covas. Clique aqui para ter acesso à reportagem.

Coronavírus não é transmitido por leite materno, diz pesquisadora do Instituto de Saúde

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“É muito importante que os profissionais de saúde continuem orientando as lactantes a continuar amamentando seus bebês, mesmo as que adquirirem a infecção pelo novo coronavírus”. Essa é a orientação da pediatra Sonia Venâncio, assistente de direção do Instituto de Saúde, que participou da redação da Nota Técnica publicada pelo Ministério da Saúde sobre amamentação por mães portadoras da doença provocada pelo novo coronavírus, a COVID19.

Até o momento não foram encontradas evidências de que o aleitamento provoque a transmissão do vírus pelo leite, por isso a recomendação contida no documento do Ministério da Saúde e de outros organismos estrangeiros, como OMS, CDC e Unicef, é não interromper a amamentação, porque as evidências existentes são de que ela protege as crianças contra infecções, e não o contrário. Ou seja, deixar de amamentar não oferece qualquer benefício à criança, segundo os estudos atualmente existentes. Porém é imprescindível manter as medidas de higiene, como uso de máscara e lavagem criteriosa das mãos pelas mães.

A nota técnica foi elaborada pelo Ministério da Saúde para orientar o Centro de Operações de Emergência para o Coronavírus sobre as medidas a serem adotadas pela rede SUS quanto ao aleitamento materno. Além do Instituto de Saúde, participaram da redação da nota a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, a Sociedade Brasileira de Pediatria, Instituto de Medicina Integrada Professor Fernando Figueira, Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras e Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar.

Fonte: Assessoria do Instituto de Saúde

Cientista Miguel Nicolelis aponta caminhos para o combate ao coronavírus

Em entrevista aos jornalistas Rodolfo e Eleonora de Lucena, o neurocientista Miguel Nicolelis define pandemia como situação de guerra, critica respostas dadas pelo governo brasileiro até o momento e propõe a criação de uma Comissão de Salvação Nacional para coordenar ação no país contra o coronavírus. Assista.

Instituto Florestal: Mata Atlântica tem substância que combate protozoário causador da Doença de Chagas

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(Foto: Ramos com flores de Nectandra barbellata Coe-Teixeira, Laurácea / João B. Baitello)

Estudo publicado na revista Bioorganic Chemistry em janeiro deste ano aponta um composto natural, isolado dos galhos de uma espécie de canela, como potencial candidato ao desenvolvimento de um novo medicamento para a Doença de Chagas. A pesquisa revelou que a substância identificada como ácido cóstico pode alterar diretamente o sistema bioenergético do protozoário Trypanosoma cruzi, levando à morte do parasita.

A ação biológica do composto, pertencente à classe dos terpenos, foi avaliada em laboratório frente ao parasita causador da doença. Observou-se que a substância afetou o transporte de metabólitos e nutrientes para o protozoário. Estudos de microscopia eletrônica revelaram intenso dano ultraestrutural no citoplasma e desorganização das organelas intracelulares. Além disso, o ácido cóstico também abalou a membrana das mitocôndrias, que são vitais aos parasitas e únicas em cada indivíduo.

Atualmente, estima-se que mais de 4 milhões de pessoas estejam infectadas no Brasil com a doença, que causa aproximadamente 6 mil mortes por ano a partir de um quadro clínico com complicações principalmente cardíacas e gastrointestinais. A transmissão ocorre geralmente pelas fezes de insetos popularmente conhecidos como “barbeiro”. A busca por novos protótipos que auxiliem na cura dessa enfermidade é muito importante, já que o tratamento com benznidazol, único fármaco disponível no país para o tratamento dos pacientes acometidos com a doença, é considerado tóxico e pouco eficaz. Dessa forma, para contribuir com novas terapias, a química dos produtos naturais desempenha um papel importante na busca de compostos bioativos.

As Unidades de Conservação cumprindo sua função social

A coleta do material vegetal foi realizada no Parque Estadual Alberto Löfgren, zona norte da cidade de São Paulo, sede do Instituto Florestal (IF). A Nectandra barbellata, popularmente conhecida como canela-amarela, é nativa da Mata Atlântica dos estados de São Paulo e Espírito Santo.

A Lista Vermelha do Centro Nacional de Conservação da Flora, que utiliza os critérios da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), classifica a espécie como vulnerável. Ou seja, enfrenta um risco de extinção elevado. A grande ameaça à canela-amarela é a destruição de seu habitat, como ocorre na Serra da Cantareira com a expansão imobiliária e desmatamentos ilegais.

A vegetação nativa esconde compostos químicos ainda não revelados, o que realça a importância de estudos como este. Assim, seus resultados mostram como as Unidades de Conservação da Natureza são imprescindíveis para a pesquisa científica e a saúde pública.

O estudo faz parte das pesquisas realizadas pelo aluno de doutorado Vinicius Silva Londero, da Universidade Federal de São Paulo, com orientação do Prof. Dr. João Henrique Ghilardi Lago, da Universidade Federal do ABC, em parceria com pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, da Universidade de São Paulo e do Instituto Florestal e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O projeto está aprovado e registrado na Comissão Técnico-Científica do IF, que faz a gestão da pesquisas científicas realizadas nas unidades de conservação do Sistema Estadual de Florestas do Estado de São Paulo.

O pesquisador científico do IF, especializado na família das Lauráceas, João Batista Baitello, foi parceiro neste trabalho interinstitucional, apresentando, identificando e indicando os locais para a coleta da espécie. Em geral, quando se utiliza uma espécie botânica em estudos químicos, recomenda-se que um exemplar seja depositado em herbário oficial. O testemunho da canela-amarela utilizada nesta pesquisa encontra-se no Herbário Dom Bento José Pickel (SPSF), do Instituto Florestal.

Acesse o artigo:

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0045206819315536

APqC entra com mandado de segurança contra decreto do governo de SP que determina gozo de licença prêmio aos servidores

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COMUNICADO EM RAZÃO DO DECRETO GOVERNAMENTAL Nº 64.864 DE 16/03/2020.

Prezados Pesquisadores,

A APqC tem recebido dúvidas recorrentes de seus associados sobre Decreto Governamental nº 64.864 de 16/03/2020, dessa forma, a fim de esclarecer seguem as respostas para os questionamentos mais frequentes:

1) Sou obrigado(a) a gozar de férias ou de licença prêmio, por decisão unilateral da administração, em razão da edição do Decreto Governamental nº 64.864 de 16/03/2020?

Inicialmente, cabe esclarecer que estamos lidando com uma situação excepcional, nunca antes vivida, para prevenir a propagação de contágio pelo COVID-19, prevendo o Executivo a adoção de medidas, que segundo o Estado, convergem em benefício a saúde do servidor/população e do serviço público.

Faz-se necessário o presente esclarecimento, pois muitas situações ainda poderão ser frutos de debates em âmbito dos nossos tribunais, ainda mais após a decretação do Estado de Calamidade.

QUANTO A LICENÇA PRÊMIO:

A APqC informa que foi impetrado mandado de segurança com pedido de liminar (MS n. 2055199-75.2020.8.26.0000), objetivando que nenhum pesquisador científico associado, seja compelido arbitrariamente, a gozar de sua licença prêmio, sem prévio requerimento.

Estamos aguardando o deferimento da liminar e comunicaremos assim que obtivermos resposta do Poder Judiciário.

Anexo, segue o link da petição inicial para ciência.

Para aqueles que já fizeram o requerimento solicitando a concessão de sua licença prêmio, a APqC orienta que o pesquisador associado, protocolize novo requerimento, conforme modelo anexo, para serem beneficiados caso o mandado de segurança seja julgado procedente. Modelo I.

Caso o pesquisador ainda não tenha feito requerimento e não desejar gozar de sua licença prêmio no presente momento, recomendamos o preenchimento do requerimento anexo. Modelo II.

QUANTO A FÉRIAS:

No tocante a Férias o Estatuto do Servidor Público assim disciplina:

Artigo 176 – O funcionário terá direito ao gozo de 30 (trinta) dias de férias anuais, observada a escala que for aprovada.

Artigo 177 – Atendido o interesse do serviço, o funcionário poderá gozar férias de uma só vez ou em dois períodos iguais.

Artigo 178 – Somente depois do primeiro ano de exercício no serviço público, adquirirá o funcionário direito a férias.

Artigo 179- Caberá ao chefe da repartição ou do serviço, organizar, no mês de dezembro, a escala de férias para o ano seguinte, que poderá alterar de acordo com a conveniência do serviço.

Assim, observa-se que o administrador público possui discricionariedade para aprovar e alterar a escala de férias dos servidores de acordo com a conveniência e oportunidade do serviço público.

Vale observar, que as férias, diferentemente da licença prêmio, possuem prazo legal para serem usufruídas.

E nesse raciocínio, o administrador poderia determinar o gozo imediato de férias regulamentares, estando o Decreto n. 64.864, de 16 de março de 2020 em harmonia com a Lei 10.261, de 1968.

Dessa forma, não observamos ilegalidade.

2) Eu tenho menos de 60 anos, porém gostaria de continuar trabalhando “home office”? Como ficam as atividades que não podem ser interrompidas?

Essa decisão, infelizmente não cabe ao funcionário e sim ao gestor público, podendo haver diferentes entendimentos em âmbitos das diferentes secretarias.

Dessa forma, em regra geral, segundo o artigo 2º, o gestor público deve determinar o gozo imediato de férias regulamentares e licença-prêmio.

Entretanto, deve assegurar apenas a permanência de número mínimo de servidores necessários a atividades essenciais e de natureza continuada.

Logo, por exemplo um determinado gestor, a fim de assegurar a proteção do servidor, bem como a permanência de número mínimo de servidores necessários a atividades essenciais e de natureza continuada, pode determinar o teletrabalho, sem prejuízo do serviço público, mesmo para aqueles que possuem idade inferior a 60 anos.

Por outro lado, outro gestor, pode entender que aquela pesquisa não constitui atividade essencial ou que já existe n. mínimo de pesquisadores em atividade para desenvolver aquela atividade para o Estado, e, estando presentes os requisitos, pode determinar o gozo imediato das férias.

Também poderia entender que mesmo aqueles que possuem licença prêmio ou férias não poderão assim gozá-las no momento, em razão da necessidade da prestação do serviço a população.

Outrossim, o Decreto n. 64.879, de 20 de março de 2020, prevê uma outra situação, qual seja, de colocar funcionários à disposição da Administração, para quem exerça atividade não essencial e não disponha de período de férias, ou mediante teletrabalho ou presencial para aqueles responsáveis por atividades essenciais.

Vejam, há inúmeras situações, devendo o gestor, em cada caso, assim disciplinar a questão, sempre levando em consideração a saúde do servidor, o bem do serviço público e o estado de calamidade.

Por fim, vale dizer, que o Decreto n° 62.648, de 27 de junho de 2017, instituiu e regulamentou o teletrabalho em âmbito da administração pública, podendo no futuro ser caracterizado como uma nova forma de trabalho, independentemente de estarmos diante de uma situação calamitosa.

São Paulo, 23 de março de 2020.

Dra. Helena Goldman
OAB/SP 307.103

ANEXOS*

Modelo I

Modelo II

Mandado de Segurança n. 2055199-75.2020.8.26.0000

APqC entra com mandado de segurança contra decreto do governo de SP que determina gozo de licença prêmio aos servidores

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COMUNICADO EM RAZÃO DO DECRETO GOVERNAMENTAL Nº 64.864 DE 16/03/2020.

Prezados Pesquisadores,

A APqC tem recebido dúvidas recorrentes de seus associados sobre o Decreto Governamental nº 64.864 de 16/03/2020. Dessa forma, a fim de esclarecer seguem as respostas para os questionamentos mais frequentes:

1) Sou obrigado(a) a gozar de férias ou de licença prêmio, por decisão unilateral da administração, em razão da edição do Decreto Governamental nº 64.864 de 16/03/2020?

Inicialmente, cabe esclarecer que estamos lidando com uma situação excepcional, nunca antes vivida, para prevenir a propagação de contágio pelo COVID-19, prevendo o Executivo a adoção de medidas, que segundo o Estado, convergem em benefício a saúde do servidor/população e do serviço público.

Faz-se necessário o presente esclarecimento, pois muitas situações ainda poderão ser frutos de debates em âmbito dos nossos tribunais, ainda mais após a decretação do Estado de Calamidade.

QUANTO A LICENÇA PRÊMIO:

A APqC informa que foi impetrado mandado de segurança com pedido de liminar (MS n. 2055199-75.2020.8.26.0000), objetivando que nenhum pesquisador científico associado, seja compelido arbitrariamente, a gozar de sua licença prêmio, sem prévio requerimento.

Estamos aguardando o deferimento da liminar e comunicaremos assim que obtivermos resposta do Poder Judiciário.

Anexo, segue o link da petição inicial para ciência.

Para aqueles que já fizeram o requerimento solicitando a concessão de sua licença prêmio, a APqC orienta que o pesquisador associado, protocolize novo requerimento, conforme modelo anexo, para serem beneficiados caso o mandado de segurança seja julgado procedente. Modelo I.

Caso o pesquisador ainda não tenha feito requerimento e não desejar gozar de sua licença prêmio no presente momento, recomendamos o preenchimento do requerimento anexo. Modelo II.

QUANTO ÀS FÉRIAS:

No tocante a Férias o Estatuto do Servidor Público assim disciplina:

Artigo 176 – O funcionário terá direito ao gozo de 30 (trinta) dias de férias anuais, observada a escala que for aprovada.

Artigo 177 – Atendido o interesse do serviço, o funcionário poderá gozar férias de uma só vez ou em dois períodos iguais.

Artigo 178 – Somente depois do primeiro ano de exercício no serviço público, adquirirá o funcionário direito a férias.

Artigo 179- Caberá ao chefe da repartição ou do serviço, organizar, no mês de dezembro, a escala de férias para o ano seguinte, que poderá alterar de acordo com a conveniência do serviço.

Assim, observa-se que o administrador público possui discricionariedade para aprovar e alterar a escala de férias dos servidores de acordo com a conveniência e oportunidade do serviço público.

Vale observar, que as férias, diferentemente da licença prêmio, possuem prazo legal para serem usufruídas.

E nesse raciocínio, o administrador poderia determinar o gozo imediato de férias regulamentares, estando o Decreto n. 64.864, de 16 de março de 2020 em harmonia com a Lei 10.261, de 1968.

Dessa forma, não observamos ilegalidade.

2) Eu tenho menos de 60 anos, porém gostaria de continuar trabalhando “home office”?
Como ficam as atividades que não podem ser interrompidas?

Essa decisão, infelizmente não cabe ao funcionário e sim ao gestor público, podendo haver diferentes entendimentos em âmbitos das diferentes secretarias.

Dessa forma, em regra geral, segundo o artigo 2º, o gestor público deve determinar o gozo imediato de férias regulamentares e licença-prêmio.

Entretanto, deve assegurar apenas a permanência de número mínimo de servidores necessários a atividades essenciais e de natureza continuada.

Logo, por exemplo um determinado gestor, a fim de assegurar a proteção do servidor, bem como a permanência de número mínimo de servidores necessários a atividades essenciais e de natureza continuada, pode determinar o teletrabalho, sem prejuízo do serviço público, mesmo para aqueles que possuem idade inferior a 60 anos.

Por outro lado, outro gestor, pode entender que aquela pesquisa não constitui atividade essencial ou que já existe n. mínimo de pesquisadores em atividade para desenvolver aquela atividade para o Estado, e, estando presentes os requisitos, pode determinar o gozo imediato das férias.

Também poderia entender que mesmo aqueles que possuem licença prêmio ou férias não poderão assim gozá-las no momento, em razão da necessidade da prestação do serviço a população.

Outrossim, o Decreto n. 64.879, de 20 de março de 2020, prevê uma outra situação, qual seja, de colocar funcionários à disposição da Administração, para quem exerça atividade não essencial e não disponha de período de férias, ou mediante teletrabalho ou presencial para aqueles responsáveis por atividades essenciais.

Vejam, há inúmeras situações, devendo o gestor, em cada caso, assim disciplinar a questão, sempre levando em consideração a saúde do servidor, o bem do serviço público e o estado de calamidade.

Por fim, vale dizer, que o Decreto n° 62.648, de 27 de junho de 2017, instituiu e regulamentou o teletrabalho em âmbito da administração pública, podendo no futuro ser caracterizado como uma nova forma de trabalho, independentemente de estarmos diante de uma situação calamitosa.

São Paulo, 23 de março de 2020.

Helena Goldman
OAB/SP 307.103

ANEXOS

Em breve disponibilizaremos aqui os textos integrais do mandado de segurança e dos modelos anexos I e II.

Em vídeo, pesquisador do Instituto Butantan explica como funciona o teste para diagnosticar coronavírus

Para esclarecer a população sobre o novo coronavírus, que já infectou mais de 900 pessoas no Brasil, o Instituto Butantan, por meio do pesquisador Renato Astray, produziu um vídeo informativo que mostra como são realizados os testes para diagnosticar a covid-19 nos pacientes. Clique abaixo para assistir, compartilhe e divulgue. A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) se soma aos esforços dos institutos de pesquisa para ajudar na redução dos impactos causados pela pandemia.