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Posts da categoria ‘Uncategorized’

Pesquisadores promovem “abraço simbólico” ao Jardim Botânico para protestar contra concessão da área

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Pesquisadores do Instituto de Botânica (IBot) e do Zoológico de São Paulo, ao lado de moradores do bairro da Água Funda, na região sudeste paulistana, representados pela Associação de Moradores e Amigos da Água Funda (AMAAF), realizaram, na tarde de ontem, um abraço simbólico ao Jardim Botânico e ao instituto. A ação teve como objetivo mostrar à sociedade a preocupação quanto à concessão da área à iniciativa privada, anunciada recentemente pelo governo do Estado. Segundo os organizadores, cerca de 150 pessoas participaram do ato.

Para a presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), Dra. Cleusa M. Lucon, entregar o Jardim Botânico à iniciativa privada poderá resultar em problemas ambientais e interromper pesquisas que estão em andamento. “Como o Instituto de Botânica está situado dentro do Jardim Botânico, há o receio de que a privatização possa atingir as pesquisas, inclusive em sua autonomia. É preciso esclarecer a população e mostrar que investir em pesquisa gera sim retorno financeiro ao Estado, ao contrário do que prega o senso comum”, disse.

Entre as preocupações manifestadas pelos pesquisadores e moradores do entorno estão a perspectiva de aumento dos preços da bilheteria do Jardim Botânico (o que dificultaria ou inviabilizaria o acesso de grande parte da população e dos estudantes da rede pública de ensino) e a provável ingerência da concessionária sobre o patrimônio público e o Instituto, cujos laboratórios e coleções estão situados dentro da área que será concedida.
Um funcionário do IBot, que participou do abraço simbólico e pediu para não ser identificado, desabafou: “Após várias reuniões e mediante nossas solicitações, o governo insiste em manter a área do Instituto dentro da área a ser privatizada e se recusa a garantir, no projeto de lei (PL), a autonomia administrativa do mesmo”. Ele ressaltou ainda que o discurso do governo é de que a empresa “ficará responsável pela manutenção dos prédios da área”, mas lembrou o caso da concessão do parque onde funciona o Centro Expo SP, em que o prédio público que ficou sob responsabilidade da concessionária “está em situação de abandono e se deteriorando rapidamente”.

Ainda segundo este funcionário, os pesquisadores não foram consultados pelo governo sobre o teor da redação do PL. “Ficamos sabendo da concessão pela imprensa, depois que o projeto já estava na Assembleia Legislativa”. Em suas palavras, “nos preocupa essa transferência das atribuições do Instituto, que tem 80 anos de pesquisa à serviço do povo paulista, para uma empresa privada. Principalmente em um cenário como o atual, onde o corpo de pesquisadores está reduzido à metade dos cargos e poderá ser reduzido a um quarto do seu quadro funcional em cinco anos por aposentadoria dos funcionários”. Ele lembrou que o governo “não apresenta nenhuma perspectiva de recomposição dos quadros, o que pode levar a médio prazo à incapacidade do Instituto de cumprir as suas funções”.

Instituto de Botânica de São Paulo recebe abraço simbólico contra a privatização do espaço

Em defesa do Instituto de Botânica, pesquisadores, trabalhadores e representantes da sociedade civil deram um abraço simbólico ao equipamento, localizado na zona oeste de São Paulo, nesta quarta-feira. Projeto de lei do governador João Doria Jr. encaminhado à Assembleia Legislativa de São Paulo quer privatizar, além do instituto, o Zoológico e o Zoo Safári. A presidente da APqC, Cleusa M. Lucon, falou sobre o tema ao repórter Cosmo Silva, da Rádio Brasil Atual. Clique abaixo para ouvir na íntegra.

Bióloga Roseli Torres é homenageada na abertura da Semana do Meio Ambiente

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Nesta quarta-feira, 5 de junho, dia em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, realizou-se a abertura oficial da Semana do Meio Ambiente – Semeia 2019, no Paço Municipal de Campinas. A pesquisadora aposentada do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Dra. Roseli Torres, foi uma das homenageadas com o Diploma de Mérito Ambiental “Paulo Nogueira Neto”. A cerimônia de entrega contou com a presença do do Vice-prefeito de Campinas, Henrique Magalhães Teixeira, do Secretário do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Rogério Menezes, e do vereador Luiz Carlos Rossini, entre outras autoridades.

Bióloga com mestrado em biologia vegetal e doutorado em ciências pela Unicamp, Roseli Torres participa da Sociedade Protetora da Diversidade das Espécies (PROESP), a mais antiga entidade ambientalista de Campinas e uma das mais antigas do Estado de São Paulo. “Parte do reconhecimento profissional que resultou na indicação deste diploma de mérito se deve à minha participação nesta entidade”, disse a pesquisadora.

Ela teve também relevante participação em projetos de educação ambiental junto à comunidade e no Conselho Municipal do Meio Ambiente. Dentre os seus trabalhos mais importantes estão as propostas de arborização urbana, baseada em pesquisas desenvolvidas ao longo da carreira. “O prêmio é individual, mas um pesquisador nunca ganha sozinho; ele representa um trabalho coletivo que começou antes de mim”, disse Roseli.

A pesquisadora, que também faz parte da diretoria da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), fez questão de agradecer ao IAC pela oportunidade de ter se dedicado à pesquisas de impacto ambiental, aos colegas de profissão e às ONGs que, segundo ela, “sempre lutaram ao nosso lado pela construção de um ambiente melhor para todos”.

Além da Dra. Roseli Torres foram homenageados também Dr. Francisco Carlos de Castro Lahóz, Dr. José Roberto Carvalho Albejante, Dra. Dionete Santini, Dr. Edilson Vitorelli de Lima e Maria Ananias Ferreira da Silva (in memorian), líder comunitária falecidade recentemente e que era conhecida na região do bairro Carlos Gomes como “Donana”. A Semeia 2019 terá 172 atividades espalhadas pela cidade até o próximo domingo, dia 9.

Instituto Butantan confirma que unidade do Hospital Vital Brazil será desativada e corpo médico protesta

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O Instituto Butantan voltou atrás e confirmou, nesta segunda-feira (3), o que havia negado em nota oficial na última sexta: a unidade do Hospital Vital Brazil, sediada na área do instituto, será mesmo desativada e o atendimento transferido para o Hospital Emílio Ribas. Ainda não há data para a mudança, mas a informação foi recebida com preocupação pelo corpo médico da unidade.

Especializado em acidentes com animais peçonhentos, o Hospital Vital Brazil é referência internacional em sua área de atuação e atende a milhares de pessoas por mês com resolutividade de 98% dos casos. Embora a instituição assegure que o atendimento à população e os estudos clínicos não serão interrompidos com a transferência, os médicos apontam o contrário e dizem de graves perdas que “encerrarão o bem sucedido modelo de atendimento do Hospital Vital Brazil”, segundo carta aberta endereçada ao secretário da Saúde, José Henrique Germann Ferreira, e ao diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas.

Para o corpo médico, a localização do hospital dentro do Butantan é de suma importância para a qualidade do atendimento prestado, pois “permite interação entre pesquisadores e médicos e o atendimento dos próprios biólogos da instituição”. A carta continua dizendo que o Hospital Vital Brazil “interna todos os casos de acidentes por animais peçonhentos da Grande São Paulo com indicação de internação, exceto uma minoria que necessita de UTI, sendo a unidade que mais atende acidentes ofídicos de todo o Estado, estando integrado ao SUS (Sistema Único de Saúde)”.

Em seu perfil no Facebook, uma profissional que trabalha no Hospital há 14 anos afirmou que o fechamento da unidade e a sua transferência comprometeriam não só o atendimento, mas as pesquisas clínicas em andamento. “Mudando-nos para qualquer outro hospital, estaríamos diluídos em meio ao atendimento geral, não havendo como prosseguir nas pesquisas, nem tampouco como continuar o treinamento a residentes de instituições como o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e a Escola Paulista de Medicina da Unifesp)”, disse ela.

A postagem da médica viralizou e acabou dando origem a um abaixo-assinado contra o fechamento da unidade. Até o fechamento desta matéria, o abaixo-assinado já contava com mais de 9 mil assinaturas (clique aqui para visualizar e assinar).

Leia a seguir a carta aberta divulgada pelo corpo médico do Hospital Vital Brazil.

CARTA ABERTA

São Paulo, 03 de junho de 2019

Carta aberta à Secretaria Estadual de Saúde e à Direção do Instituto Butantan

À Sua Excelência o Senhor
Dr. José Henrique Germann Ferreira
Secretário de Estado da Saúde de São Paulo
Ao Senhor
Prof. Dr. Dimas Tadeu Covas
Diretor do Instituto Butantan

Caros Diretor e Secretário,

No dia 28 de maio de 2019 o corpo clínico do Hospital Vital Brazil tomou ciência, através da Diretoria do Instituto, da decisão consumada sobre o encerramento das atividades do Hospital Vital Brazil realizadas dentro Instituto, e da transferência dos atendimentos para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Após questionamentos da imprensa, o Instituto comunicou oficialmente o plano de transferência do atendimento de pacientes para o Hospital Emilio Ribas.

Para nós, infelizmente, essa mudança encerrará o bem sucedido modelo de atendimento no Hospital Vital Brazil, que é referência internacional no atendimento dos pacientes acidentados por animais peçonhentos, com resolutividade de mais de 98% dos casos no próprio hospital.

Nossa carta é um convite ao debate dos pontos que consideramos os mais críticos com essa mudança do atendimento para o Hospital Emilio Ribas.

• A localização dentro do Instituto Butantan é estratégica para interação entre os pesquisadores e médicos. Essa proximidade entre hospital e as áreas de pesquisas é o grande diferencial que permite torná-lo um centro de referência, prestando serviço a unidades de saúde de todo o Brasil e, por vezes, até do exterior.
• Devido ao seu grau de especialização e à concentração dos casos, o Hospital Vital Brazil permite a integração dos atendimentos realizados aos pacientes acidentados por animais peçonhentos com a pesquisa cientifica realizada no próprio Instituto Butantan. A título de exemplo, atualmente temos um protocolo extenso de estudo prospectivo de picadas por aranha marrom (Loxosceles sp.), que seria descontinuado com a mudança.
• No Instituto Butantan há serpentes de gêneros pertencentes e não pertencentes à nossa fauna. No Hospital Vital Brazil, mantemos soros específicos para estas cobras, para o caso de acidentes com nossos biólogos. Em alguns casos, como acidentes por Najas (o Instituto possui cerca de 30 delas), o pronto atendimento médico é fundamental para se evitar o óbito.
• O atendimento rápido é fundamental para o tratamento de acidentados por animais peçonhentos em geral. A mudança para dentro da estrutura do Emilio Ribas pode cria intermediários desde a primeira ligação até a transferência, obrigatoriamente através do CROSS.
• Existe uma grande procura espontânea dos pacientes pelo Instituto Butantan (cujo nome é indissociável de acidentes por animais peçonhentos), onde são acolhidos pelo braço assistencial deste, o Hospital Vital Brazil. Os pacientes picados continuarão a procurar o Instituto Butantan, e a nossa transferência para o Instituto Emílio Ribas acarretaria transtornos e riscos de agravamento pelo tempo adicional de deslocamento dos picados.
• Outro ponto fundamental para o tratamento é correta identificação do animal. Todo procedimento de atendimento é apoiado pelo grupo de biólogos de várias especialidades que auxiliam os médicos dentro do Instituto Butantan e não teria como existir fora deste. Note-se que muitos pacientes levam o animal vivo, o que poderia colocar em risco os profissionais do Instituto Emílio Ribas, que não conta com profissionais habilitados no manejo destes animais.
• Quanto ao número de casos atendidos, em 2018 foram registrados 2.292 casos de Pronto Atendimento e 1.756 teleconsultorias.
• O Hospital Vital Brazil já interna todos os casos de acidentes por animais peçonhentos da Grande São Paulo com indicação de internação, exceto uma minoria que necessita de UTI, sendo a unidade que mais atende acidentes ofídicos de todo o Estado, estando integrado ao SUS.
• Pelo nosso hospital passam alunos de faculdades brasileiras e do exterior, residentes de faculdades como a de Medicina da USP e da Universidade Federal de São Paulo, bem como bolsistas do Programa de Aperfeiçoamento Profissional da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. As aulas abrangem desde o atendimento no hospital até visitas guiadas pelos biólogos aos laboratórios de herpetologia e artrópodes, que estariam extremamente prejudicadas em qualquer outro hospital fora do campus do Instituto Butantan.
• Os profissionais que atuam no Hospital Vital Brazil são altamente especializados. O novo modelo de atuação proposto, longe do Instituto Butantan, impossibilitará treinamento adequado de mão de obra para reposição de uma equipe que hoje é a única referência para as demais unidades de saúde do Estado e do Brasil.

Os pontos acima visam preservar as conquistas possibilitadas pela íntima integração entre o Hospital Vital Brazil e os demais setores do Instituto nos últimos 74 anos, que geraram conhecimento científico e expertise no atendimento de qualidade à população.

Colocamo-nos à disposição,
Corpo Clínico do Hospital Vital Brazil.

Biólogas do Instituto de Botânica e do Zoológico de São Paulo falam sobre a extinção de plantas e animais

O programa Em Discussão entrevistou Rosângela Simão Bianchini, bióloga do Instituto de Botânica de São Paulo, Cristina Adams, professora de Gestão Ambiental e Angélica Sugieda, bióloga do Zoológico de São Paulo. No vídeo abaixo elas falam sobre a extinção de plantas e animais.

Associação dos Moradores da Água Funda avalia impacto ambiental de concessão da área do Jardim Botânico

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Izabel Graciana, presidente da Associação dos Moradores e Amigos da Água Funda

Hoje (29/05), na Assembleia Legislativa, aconteceu a audiência com o Secretário do Meio Ambiente Marcos Penido. Na minha perspectiva e de forma sintética, o secretário fez uma apresentação com pouca profundidade, não deixando claros os objetivos da concessão e, principalmente, como a iniciativa privada vai utilizar deste espaço que é uma das últimas florestas da cidade para obter lucro. A afirmação de que tudo será feito de acordo com o plano de manejo não parece ser real, sendo que o secretário foi incapaz de responder ao questionamento da associação sobre o impacto urbano para o bairro da Água Funda, que já sofre com o descaso do poder público, por exemplo, não coibindo o descarte ilegal de lixo. Se o atrativo é o número de visitantes será a forma de a iniciativa privada obter lucro o mínimo que poderíamos esperar é um estudo de impacto urbano e de infraestrutura que não foi apresentado.

O argumento do secretário de falta de recursos para investimento por parte do poder público escancara a estratégia de utilizar do sucateamento realizado pelo próprio governo como forma de pressão. A tentativa de mostrar que a pesquisa será preservada como algo ligado ao Estado e com autonomia dos pesquisadores se chocou com sua postura inegociável quanto a mudar o projeto e não destinar para iniciativa privada o espaço público onde hoje são realizadas as pesquisas. Promessas e supostas garantias são feitas utilizando a função que o Estado teria de fiscalizar a iniciativa privada, mas que serão desfeitas no momento seguinte da concessão.

Indo direto ao ponto, tanto o projeto quanto a fala do secretário não explicam o que a concessão significa realmente para a preservação, para a pesquisa, para o entorno da Água Funda, para os trabalhadores e para a população da cidade como um todo. Tal postura do governo executivo deve ser questionada, não apenas lutando contra o Projeto de Lei na Assembleia, mas em uma campanha sustentada dialogando com toda a população. É importante ampliarmos nossa articulação e tentarmos superar as ameaças do governo. A nossa luta não acaba com a votação dos deputados. Podemos realizar ações no campo jurídico e também ações nas ruas envolvendo cada vez mais pessoas.

Temos de nos inspirar no movimento mundial de estudantes em defesa do ambiente liderados por Greta Thunberg, de apenas 16 anos. E nos inspirar também em Chico Mendes que transformou a luta dos seringueiros numa luta em defesa da Floresta Amazônica. Quero falar para vocês que o bairro da Água Funda, a pesquisa, o trabalho de cada um de vocês e todas as instituições envolvidas são muito importantes, mas nossa luta é maior. Nossa luta é em defesa do futuro! Nossa luta é em defesa de uma das últimas florestas da cidade. Por isso a presença de vocês na reunião do dia 4 de junho, às 18h, na AMAAF é muito importante – Rua Jacapé, 98, São Paulo – assim como nos ato do dia 5 de junho, às 12h, em frente ao Jardim Botânico, e no dia 9 de junho, às 10h, em frente ao Zoológico.

Izabel Graciana Mendes Ramos, presidente da Associação dos Moradores e Amigos da Água Funda (AMAAF)

Futuro do Instituto de Botânica é debatido em audiência pública

 

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Com a presença do secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SIMA), Marcos Penido, foi realizada ontem, no Auditório Franco Montoro, da Alesp, audiência pública para tratar do Projeto de Lei (PL 183/2019), que dispõe sobre a concessão à iniciativa privada do Zoológico, do Zoo Safári e do Jardim Botânico. A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), que desde o anúncio da medida tem se manifestado contrária à concessão, participou do evento.

Em sua fala inicial, o secretário Penido afirmou que o governo estadual “não está vendendo nada” e que o Instituto de Botânica (IBot) – localizado na área de concessão do Jardim Botânico – terá sua autonomia administrativa preservada e continuará sendo um patrimônio do Estado de São Paulo. “Além do imóvel, a propriedade intelectual das pesquisas também continuará sendo do governo e não da concessionária”, disse. Ele garantiu ainda que será mantida, no edital, a gratuidade da visitação para estudantes da escola pública.

Em sua intervenção, a presidente da Associação dos Moradores da Água Funda, Izabel Graciana Mendes dos Ramos, mostrou-se preocupada com relação às condições do entorno da área que será concessionada. Segundo ela, a via principal de acesso ao bairro já apresenta um fluxo intenso de carros, o que “prejudica o ir e vir da população local”. Ela solicitou ao secretário que incluísse no edital a obrigação de a concessionária tomar providências quanto à obras de melhorias no trânsito.

O Dr. Eduardo Catarino, ex-diretor do Instituto Botânico e pesquisador da área, alertou que dissociar o local de pesquisa do ambiente do Jardim Botânico afetará o trabalho dos 50 pesquisadores que se encontram em atividade atualmente. “O Jardim Botânico é o nosso cartão de visitas para mostrar à sociedade a importância da botânica na vida das pessoas. Ele é parte essencial das pesquisasa realizadas pelo Instituto de Botânica. As pesquisas dependem do Jardim. A área física é a mesma, só que tem uma área que é aberta ao público e outra reservada aos pesquisadores”, explicou.

Para Catarino, a iniciativa privada não terá interesse nas pesquisas e isso pode afetar esta área que está dentro da que será posta para concessão. “As pesquisas científicas não são de interesse da iniciativa privada. Privatizando a área pública do Jardim Botânico, o Instituto de Botânica ficará à mercê de qualquer ingerência futura. Nós perderemos nossa área de contato com o público”, acrescentou.

Nessa mesma linha, a pesquisadora Ada André Pinheiro, do IBot, lembrou que o Jardim Botânico “não é um simples parque onde as pessoas vão passear no fim de semana” e disse que o secretário “desconhece a missão do Instituto e o que é feito ali em termos de pesquisa”. Ela sugeriu ainda que o governo consultasse os pesquisadores antes de tomar qualquer medida que lhes diz respeito. “Venha nos perguntar o que fazer para aumentar a visitação do parque, secretário; nós podemos colaborar, pois conhecemos mais aquele espaço do que qualquer empresa privada”, disse.

Falando em nome da APqC, Dra. Helena Goldman, advogada da associação, reconheceu a disposição do secretário em aceitar a inclusão de adequações sugeridas pelos pesquisadores à redação final do PL 183, mas pediu que o governo levasse em consideração o substitutivo ao projeto proposto pela APqC, que visa, entre outras coisas, “proteger e garantir a soberania das pesquisas realizadas dentro do instituto”.

Em suas considerações finais, o secretário da SIMA reforçou que “as pesquisas feitas pelo instituto não serão afetadas” e que “os funcionários não serão desligados pela concessionária”. Segundo ele, o objetivo da medida é “modernizar e viabilizar economicamente” os espaços que serão concedidos à iniciativa privada. Ele atribuiu a decisão ao “contexto de crise econômica do Brasil” e a “falta de recursos do Estado para manter sozinho tantas áreas públicas”.

Por fim, o deputado Carlos Giannazi lembrou que o Jardim Zoológico não onera o Estado, pois possui fontes próprias de renda, e que sua “privatização poderá comprometer as pesquisas com animais ali desenvolvidas”. A deputada Beth Sahão disse que uma concessão de 35 anos, conforme consta no PL 183, é “um exagero” e sugeriu que o governo reveja o prazo dado à concessionária. A deputada Márcia Lia, por sua vez, questionou qual seria o interesse de uma empresa privada em assumir a responsabilidade pela manutenção do prédio do Instituto de Botânica se ela não poderá usá-lo para obter lucro.

Em breve será divulgada a data da próxima reunião da Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão no Estado de São Paulo, que trata desta e de outras questões pertinentes à categoria.

APqC consulta pesquisadores e divulga melhorias na comunicação

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Entre os meses de abril e maio deste ano, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) realizou uma pesquisa online, em forma de questionário, para medir a opinião dos pesquisadores sobre a comunicação feita pela entidade. Pouco mais de 300 respostas foram enviadas.

O objetivo principal era traçar um diagnóstico do trabalho desenvolvido pela equipe de comunicação em parceria com a diretoria da APqC (biênio 2018/19) e, assim, elaborar um plano estratégico visando aprimorar o alcance dos informes e a interatividade das mídias digitais.

Uma das novidades, lançada paralelamente à pesquisa, foi a inauguração do canal da APqC no Youtube. O primeiro vídeo mostra a pesquisa do engenheiro agrônomo José Alberto Caram de Souza Dias, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que desenvolveu a tecnologia do broto batata-semente. É o primeiro de uma série que será produzida com pesquisadores de outros institutos.

Nos últimos seis meses, a página da APqC no Facebook saltou de 2 mil seguidores para pouco mais de 7 mil. Um dos motivos para este aumento foi a frequência das publicações – uma média de três notícias diárias, sendo que pelo menos uma delas relacionada à Associação ou a algum dos institutos de pesquisa do Estado de São Paulo. Há, no entanto, muito a ser feito. Confira a seguir o que disseram os associados sobre o trabalho de comunicação da APqC.

Números e propostas

A maioria dos entrevistados (44%) consideram que o site da APqC é bom; 27% disseram ser razoável; 14% o acham fraco; 5% o consideram ótimo; os 9% restantes responderam que desconhecem o site. Para incentivar que mais associados tenham acesso ao conteúdo gerado no site e no Facebook, será criado um mailing mensal, com um resumo das notícias e informes mais importantes que foram gerados nas redes sociais, acompanhados de seus respectivos links.

O ponto fraco do site, apontado por 27% dos pesquisadores que responderam ao questionário, é a pouca interatividade. Decidiu-se, então, verificar a possibilidade de melhorar os recursos do site, de modo a permitir que os leitores enviem sugestões de pauta, críticas ou tirem dúvidas em relação a assuntos relacionados à categoria. Também será aumentada a produção de notícias publicadas diretamente no site e linkadas no Facebook e no Twitter da APqC, para ampliar o fluxo de visitações de uma rede à outra.

Sobre a rede social mais nova a ser utilizada pela Associação, o Youtube, a maioria dos entrevistados disse que gostaria de ver vídeos sobre o trabalho desempenhado pela APqC; a segunda opção mais votada foi a de vídeos reportando o trabalho dos pesquisadores; e em terceiro lugar, vídeos sobre os institutos de pesquisa.

A equipe de comunicação está empenhada em produzir, nos próximos meses, vídeos curtos e de fácil assimilação por todo o tipo de público, visando não só valorizar o trabalho dos pesquisadores científicos dos institutos paulistas, mas também esclarecer a população sobre a importância deste trabalho para a vida das pessoas e para o desenvolvimento do Estado e do País.

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Sociedade civil divulga abaixo-assinado contra privatização do Zoológico de São Paulo

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O Zoológico de São Paulo tem uma história de mais de 60 anos e, junto com o Instituto de Botânica, está situado em um fragmento preservado de Mata Atlântica, o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI). Essa área é rica em biodiversidade vegetal e animal. Recentemente, o Governo do Estado decidiu fazer a concessão dessas áreas para a iniciativa privada, o que prejudicará as pesquisas científicas e tecnológicas das duas Instituições, além do Meio Ambiente e da população do entorno.

Além disso, é importante destacar que o zoo de São Paulo não gera custos para o Estado, pois obtém receita própria por meio de sua bilheteira e, a partir dela, investe em projetos de pesquisa e conservação de espécies.

Qual seria o interesse do Governo do Estado em conceder à iniciativa privada a utilização de uma Fundação que gera lucros?

A APqC é contra a concessão e endossa o abaixo-assinado contido neste link (clique aqui). Assine também e entre na luta pela defesa da pesquisa científica do Estado de São Paulo.

APqC debate permanência do Instituto de Botânica em área que será concedida à iniciativa privada

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Buscar maneiras de assegurar a permanência do Instituto de Botânica na administração direta e garantir que a sua estrutura física seja resguardada e permaneça sem interferência da concessionária nas pesquisas básicas e aplicadas desenvolvidas pelo órgão dentro da área do Parque Estadual Fontes do Ipiranga, que o governador João Dória Jr. quer conceder à iniciativa privada. Este foi um dos principais motivos do debate que ocorreu na audiência pública realizada ontem, na ALESP. A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), junto à sua advogada, Dra. Helena Goldman, esteve antes reunida com o Executivo para que estas e outras adequações fossem feitas ao texto final do PL 183/2019, que dispõe sobre a concessão.

Em sua explanação, na audiência da Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão, Dra. Helena Goldman afirmou que o texto do projeto de lei, de autoria do governo, causava preocupação aos pesquisadores por não garantir a permanência do Instituto de Botânica na área a ser concedida à exploração de uma concessionária, bem como nada falava sobre a preservação da competência técnico-científica da instituição. “ O Instituto não pode correr este risco de ser transferido, como ocorreu anteriormente com o Instituto Geológico e de Economia Agrícola”, explicou a advogada, “pois, as pesquisas ali realizadas estão diretamente ligadas ao parque, ao meio ambiente, sendo o Jardim Botânico um laboratório vivo, caso o Instituto de Botânica seja transferido será o fim de inúmeras pesquisas em andamento, e consequentemente o fim da instituição.” explicou.

Segundo ela, o texto não garantia também que as pesquisas geradas pelo IBot e da Fundação Zoológico continuassem sendo de propriedade do Estado e nem garantia o acesso gratuito a estudantes da rede pública para visitação, porém com a adequação da legislação esses importantes pontos passaram a constar na proposta legislativa que deverá ser encaminhada a ALESP, disse a advogada. Além disso, na reunião com representantes do Executivo, a APqC conseguiu negociar também que, no texto do projeto de lei, constasse a preservação da competência da instituição de pesquisa para continuar oferecendo de forma gratuita a capacitação de botânica e meio ambiente, o que acaba por preservar os curso de pós-graduação, que já formaram mais de 400 mestres e doutores.

Preocupação com o futuro

Para a deputada estadual Beth Sahão, coordenadora da Frente Parlamentar, a inclusão das adequações ao texto do PL 183/2019 foi uma “vitória parcial” dos pesquisadores, mas recomendou à categoria que “permaneça alerta e mobilizada” até a chegada do texto final à Alesp. A versão final do projeto de lei não tem data para ser votada e novas sugestões, em tese, ainda podem ser acrescentadas se houver consenso entre os deputados.

Nas palavras da presidente da APqC, Dra. Cleusa M. Lucon, a luta inicial da associação era para que não fosse feita a concessão do Jardim Botânico e de outras instituições do Estado. “Infelizmente estamos trabalhando para salvar ao menos a autonomia administrativa do Instituto de Botânica, pois tudo indica que ele será o primeiro a ser privatizado. Isso nos preocupa muito, pois parece ser uma tendência. O que vai acontecer agora irá traçar o futuro do Estado de São Paulo”, afirmou.

A pesquisadora Dra. Inês Cordeiro, do IBot, usou da palavra para manifestar sua preocupação com o destino dos acervos do Instituto, que estão entre os mais importantes do Brasil. “O que será do nosso herbário, da biblioteca e das orquídeas nativas, por exemplo? Não vejo como uma empresa privada poderia ter retorno financeiro imediato com isso e me preocupa a possibilidade de tudo desaparecer”, disse. Ela revelou ainda que faltam pesquisadores devido à ausência de concurso público e que a concessão irá dificultar ainda mais a possibilidade de novas contratações via edital. “Eu poderia estar aposentada há seis anos; há um colega que poderia ter se aposentado há dez! E, no entanto, estamos trabalhando por amor e responsabilidade às pesquisas em curso”.

Na mesma linha, o assistente técnico Luiz Barretto informou que apenas 59 cargos, dos 105 possíveis, estão preenchidos no Instituto de Botânica. E mesmo assim, segundo ele, 36 irão se aposentar nos próximos cinco anos, restando 23 funcionários. “Com esse número de quadros será impossível continuar. As pesquisas do IBot serão interrompidas se não houver concurso público rápido. Em cinco anos não haverá quem toque o plano de manejo do instituto”, alertou. Para ele, a concessão da área pelo prazo de 35 anos decretará o fim dos concursos e, por consequência, do próprio IBot. “É muito triste pensar que isso pode acontecer depois de tantas décadas de trabalho”, lamentou.

No encerramento da audiência, o vice-presidente da APqC, Dr. Joaquim Adelino de Azevedo, fez um apelo para que o governo do Estado não permita que a concessão do Jardim Botânico à iniciativa privada retire o caráter social da instituição. “Quem mais será afetada é a população pobre, que pode acessar o Jardim Botânico por um preço de ingresso bem abaixo do valor comercial, e os estudantes da rede pública, que recebem educação ambiental e saem de lá querendo ser biólogos, botânicos etc…”.

Um dos encaminhamentos tirados da reunião foi a criação de uma força-tarefa de pesquisadores para conversar com todos os deputados da Alesp e tentar demovê-los da ideia de aprovarem o PL 183/2019.