Nota oficial da APqC sobre a indicação de Ricardo Salles para o cargo do Ministro do Meio Ambiente

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) vem em nota lamentar a indicação, agora oficial, do nome do advogado Ricardo Salles para assumir o cargo de ministro do Meio Ambiente no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Ex-secretário de Estado do Meio Ambiente (SMA) no governo de Geraldo Alckmin (PSDB), Salles teve sua gestão marcada por equívocos administrativos e denúncias de improbidade, feito que lhe rendeu, segundo órgãos ambientalistas, pesquisadores e demais servidores dos Institutos de Pesquisa ligados à pasta (Botânico, Florestal e Geológico), o título de secretário com o pior desempenho nos últimos trinta anos.

Dentre os equívocos administrativos cometidos pelo gestor estão a tentativa de alterar ilegalmente o zoneamento da proposta de plano de manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê [1], a tentativa de venda do prédio do Instituto Geológico [2], a negociação das unidades do Instituto Florestal (atos investigados pelo MP por suspeita de favorecimento a empreendedores particulares) [3], entre outros casos.

Desta forma, a nomeação de Ricardo Salles para o Ministério do Meio Ambiente constitui um ataque do futuro governo federal às políticas ambientais no Brasil, uma vez que o gestor já provou ser incapaz de entender a importância da ciência para o desenvolvimento nacional e demonstrou ter ligações estreitas com representantes de setores que não têm qualquer compromisso com a educação ambiental, a bioecologia e a conservação da natureza.

É preciso que todas e todos estejamos atentos aos passos que serão dados pelo provável futuro ministro do Meio Ambiente, de modo a garantir que não haja retrocessos em termos de fiscalização e de implantação de políticas ambientais no Brasil e especialmente no Estado de São Paulo.

 

Referências:
[1] https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,mp-abre-inquerito-de-improbidade-contra-secretario-de-meio-ambiente-de-sp,70001669920
[2] http://www.diretodaciencia.com/2017/08/10/mp-investiga-secretario-de-alckmin-por-tentar-vender-predio-do-instituto-geologico/
[3] https://sustentabilidade.estadao.com.br/blogs/ambiente-se/depois-de-concessoes-de-parques-governo-alckmin-agora-quer-vender-areas-florestais/

Saiba mais:
Com Salles, Bolsonaro subordinará Meio Ambiente a todos os outros ministérios
http://www.diretodaciencia.com/2018/12/10/com-salles-bolsonaro-subordinara-meio-ambiente-a-todos-os-outros-ministerios/

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Visibilidade da pesquisa científica na mídia é tema de palestra de Maurício Tuffani no dia 11

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Os desafios da visibilidade da pesquisa científica. Este será o tema que o jornalista Maurício Tuffani, editor do site Direto da Ciência, abordará em palestra no próximo dia 11 de dezembro, às 14h, no Auditório José Reis do Instituto Biológico (Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252), em São Paulo.

Com a experiência de mais de trinta anos dedicados ao jornalismo científico, Tuffani afirma que os pesquisadores científicos têm razão quando reclamam da falta de reconhecimento da população acerca de seus trabalhos, mas ao mesmo tempo “têm sua parcela de culpa” na forma como se comunicam. “Costumo dizer que os cientistas ainda não saíram de sua ‘torre de marfim’ e essa postura distante, na era digital, não faz mais sentido”, diz.

Para ele, os cientistas europeus estão um pouco mais avançados nesse sentido, mas os brasileiros, e em especial os pesquisadores do Estado de São Paulo, continuam negligenciando a importância da comunicação. “Hoje as pessoas se informam, basicamente, pelas redes sociais. Artigos acadêmicos são importantes, mas chegam apenas aos seus pares. É preciso ampliar o alcance da pesquisa científica ao público geral”, afirma.

Ainda conforme o jornalista, em “tempos obscurantistas, cuja tendência é desqualificar a informação científica”, os cientistas têm o dever de “sair de sua zona de conforto e dar as caras nas mídias sociais para ajudar a combater as chamadas ‘fake news’ e tornar acessível o resultado de suas pesquisas”.

Ele cita ainda a necessidade de os pesquisadores estreitarem laços com jornalistas da área científica, compreender como se processa o trabalho da imprensa, identificar o que de fato é relevante para o grande público e não temer a exposição nas redes sociais. A palestra, organizada pela diretoria da APqC (biênio 2018/2019), será gratuita e voltada para pesquisadores de todos os Institutos de Pesquisa do Estado de São Paulo e aos demais interessados no tema.

APqC avalia como “catástrofica” possível indicação de Ricardo Salles para o Ministério do Meio Ambiente

 

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O nome do advogado Ricardo Salles, ex-secretário do Meio Ambiente de Geraldo Alckmin (PSDB), está sendo aventado como o possível futuro ministro da pasta no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), com quem ele se reuniu ontem (27), no Centro Cultural Banco do Brasil. Salles disputou uma vaga na Câmara Federal pelo Partido Novo, mas não se elegeu. Sua campanha foi marcada pela incitação à violência contra ambientalistas e movimentos sociais.

Sua gestão na Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SMA) ficou marcada como a de pior desempenho nos últimos trinta anos, segundo os servidores dos Institutos de Pesquisa ligados à pasta (Botânico, Florestal e Geológico). Durante o período em que permaneceu à frente da Secretaria, Salles cometeu uma série de equívocos administrativos, além de acumular ações e denúncias de improbidade.
Dentre os equívocos cometidos pelo gestor estão a tentativa de alterar ilegalmente o zoneamento da proposta de plano de manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê, a transferência da Fundação Florestal para as dependências da Cetesb (que prejudicou a integração dos trabalhos), a tentativa de venda do prédio do Instituto Geológico, a negociação das unidades do Instituto Florestal (atos investigados pelo MP por suspeita de favorecimento a empreendedores particulares) e ter deixado de assinar de forma arbitrária contato com a Finep, além de lotear a Fundação e a SMA com indicados políticos.

Ainda não há a confirmação oficial de que Ricardo Salles será mesmo indicado por Bolsonaro para assumir o Ministério do Meio Ambiente, mas o futuro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, membro da equipe de transição, confirmou que manteve contatos com representantes o setor do agronegócio para colher impressões sobre a possível indicação do advogado para o cargo. Em nota, a Sociedade Rural Brasileira (SRB) manifestou apoio à provável indicação e disse que Salles irá “conciliar os interesses do produtor rural pelo aumento da produtividade com as questões ambientais de forma objetiva e sem ideologias”.

Para o vice-presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), Joaquim Adelino, a nomeação de Ricardo Salles para o Ministério do Meio Ambiente seria “catastrófica” e colocaria em risco as políticas ambientais no Brasil. “Trata-se de alguém incapaz de entender a importância da ciência para o desenvolvimento nacional e que já provou ter ligações com representantes de setores que não têm qualquer compromisso com a educação ambiental, a bioecologia e a conservação da natureza”, disse.

Carta Aberta do Instituto Florestal

Carta Aberta do Instituto Geológico

Carta Aberta do Instituto de Botânica
Saiba mais
http://www.diretodaciencia.com/2018/11/28/bolsonaro-recebe-ex-secretario-de-alckmin-que-desarticulou-politica-ambiental-de-sp/

 

No Dia do Pesquisador Científico, APqC cita avanços e dificuldades no reconhecimento da profissão

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Comemorado em todo o Estado de São Paulo no dia 18 de novembro, por meio da lei nº 14.142 de 2010 (de autoria dos então deputados Jonas Donizette e Davi Zaia), o Dia Estadual do Pesquisador Científico reconhece e valoriza o trabalho realizado pelos profissionais da área e também representa uma data importante para as atividades da Associação dos Pequisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) que, anualmente nesse dia, premia com a medalha “Alba Lavras” pesquisadores e profissionais de outros setores que se destacam por iniciativas em prol da produção científica.
Neste ano, excepcionalmente, a APqC não realizou a cerimônia e não efetuou a entrega da honraria devido a motivos alheios à vontade de sua diretoria e conselho. Como o evento faz parte do calendário oficial da entidade, a data tem por objetivo homenagear todos os pesquisadores científicos do estado. Segundo a presidente da APqC, Cleusa Lucon, citando o texto da lei, “o conhecimento é o condutor do progresso intelectual da humanidade. No âmbito estatal, particularmente no Estado de São Paulo, a pesquisa científica atua em amplas e variadas vertentes, mesmo com as dificuldades conhecidas, porém, com liberdade. É o conhecimento e a liberdade proporcionada por ele que exaltamos ao homenagear os pesquisadores e demais pessoas que valorizam o nosso trabalho”, diz.
Ainda conforme o texto da lei, o conjunto dos Institutos de Pesquisas do Estado de São Paulo “atua na solução de problemas sociais e no desenvolvimento científico e tecnológico, usando como ferramenta e ciência e a tecnologia”. Neste sentido, os pesquisadores seriam os que “fazem evoluir o conhecimento, multiplicam os territórios do saber, abrem novas possibilidades de avanços e descobertas”.
Para o vice-presidente da APqC, Joaquim Adelino, o Dia Estadual do Pesquisador Científico contribui para jogar luzes sobre a categoria, sua missão e suas demandas, na medida em que a sociedade passa a ter conhecimento de sua existência. “Na maioria dos casos os trabalhos inerentes à pesquisa científica são realizados nos ambientes fechados dos laboratórios, levando os pesquisadores a uma situação de anonimato e quase nunca alcançando o seu devido reconhecimento. De uns anos para cá temos avançado – a data comemorativa e a medalha “Alba Lavras” colaboraram para isso – mas ainda falta muito a ser feito”, comenta, ainda, o vice-presidente.

Consema aprova Tanquã e Barreiro Rico como Áreas de Proteção Ambiental no interior paulista

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As áreas do Tanquã e Barreiro Rico foram aprovadas para se tornarem Áreas de Proteção Ambiental (APAs) pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema). A aprovação é resultado de uma luta de mais de dez anos travada pela população local, ambientalistas, promotorias de justiça e pesquisadores.

O projeto que originou a criação, elaborado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SMA), contou com o estudo dos Institutos Florestal, Botânico e Geológico, e da Fundação Florestal, e irá contribuir para a manutenção do patrimônio natural e cultural, a preservação das espécies e da diversidade genética dessas duas localidades.
Para Joaquim Adelino, vice-presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), a preservação do santuário ecológico poderá gerar renda com o ecoturismo, o que representaria um motivo a mais para que o governador Márcio França aprovasse o decreto, antes de deixar o cargo. “Com o aval do Consema, acreditamos que o governador terá o bom senso de aprovar a criação oficial das APAs e deixar à população um legado de respeito ao meio ambiente, em sintonia com as tendências mundiais de políticas públicas”, disse. Um abaixo-assinado pedindo que o governador sancione o decreto foi criado pela Rede Birdwatching de Piracicaba está circulando na internet (ver link ao final do texto).

Com a criação das APAs, o Estado gerenciará as áreas em questão, assegurando a manutenção e a melhoria da qualidade ambiental dessas duas áreas. Para o Secretário Municipal de Defesa do Meio Ambiente, José Otávio Menten, a aprovação das APAs é um avanço na política ambiental do Estado. “O Tanquã por se tratar de uma área com grande diversidade de aves e peixes, e o Barreiro Rico por ser uma das áreas mais importantes para primatas”, afirmou. As APAs estão compreendidas entre os municípios paulistas de Piracicaba e Botucatu.

Leia o manifesto na íntegra e assine o abaixo-assinado clicando no link abaixo.