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Posts da categoria ‘Uncategorized’

Pesquisadores discutem medidas para evitar o surgimento de novas doenças

Um ano após o surgimento do primeiro caso de Covid-19 na China, pesquisadores brasileiros se reunirão virtualmente no dia 4 de dezembro, às 14h, para discutir o que deve ser feito a fim de evitar que novas doenças apareçam e se propaguem com a velocidade e gravidade do coronavírus. Certos de que há uma relação entre epidemias e mudanças climáticas, eles aproveitarão o lançamento mundial do relatório Lancet Countdown de 2020 para demonstrar como se dá a conexão entre os problemas com o clima e o surgimento de doenças infecciosas. O IEA-USP transmitirá o evento ao vivo em seu site (aqui) e canal do YouTube (aqui).

Clima e pandemias

De acordo com os organizadores do seminário, cerca de 70% a 80% das doenças infecciosas emergentes, e quase todas as pandemias recentes, são originárias de animais, a maioria na vida selvagem. O surgimento decorre de complexas interações entre animais selvagens e/ou domésticos e humanos. “O dito efeito de spillover ou transbordamento, que supostamente aconteceu com o SARSCOV-2, está provavelmente relacionado à proximidade entre pessoas e espécies silvestres portadoras de múltiplas variedades de coronavírus, e com a diminuição da biodiversidade”, explica a médica Mayara Floss. Durante o seminário, os pesquisadores discutirão como o maior contato com a biodiversidade no Brasil, resultante em parte do desmatamento, pode ser responsável por essa situação de proximidade e “transbordamento”, levando ao surgimento de doenças inéditas por aqui.

“O surgimento de novas epidemias e pandemias infectocontagiosas parece estar se intensificando em associação à grande aceleração do período Antropoceno e com a transformação dos determinantes socioambientais da saúde”, avalia Antonio Saraiva, coordenador do Grupo de Estudos Saúde Planetária do IEA e que organiza o encontro. Apoiam a atividade o Cemaden, a Fiocruz e a SBMFC.

O relatório da The Lancet

The Lancet Countdown: Tracking Progress on Health and Climate Change é uma colaboração de pesquisa internacional que fornece uma visão global da relação entre saúde pública e mudança climática. A revista científica rastreia a resposta do mundo às mudanças climáticas e os benefícios para a saúde que emergem dessa transição. Em 2018 e 2019, foram publicadas as recomendações para políticas públicas do Brasil. Este ano, o relatório mundial, que também traz dados brasileiros, fará também o recorte da pandemia e das decisões que precisam ser tomadas agora para o futuro.

Os dados do Lancet Countdown ajudam a balizar as principais decisões políticas a respeito das mudanças climáticas baseadas em evidências científicas. Nos relatórios dos anos anteriores, havia recomendações políticas e alertas sobre a capacidade de trabalho, doenças transmitidas por vetores e segurança. Também estava claro, nos textos de 2019, a necessidade de parar completamente a produção de carvão para a proteção da saúde humana, tanto no Brasil quando em todo o mundo.

“Já foi demonstrado que a poluição do ar está intimamente relacionada à infecção respiratória causada por outros microorganismos. As partículas finas com diâmetro de 2,5 micrômetros ou menos (PM2,5), 10 micrômetros ou menos (PM10), dióxido de enxofre (SO₂), dióxido de nitrogênio (NO₂), monóxido de carbono (CO) e ozônio (O₃) afetam as vias aéreas através de inalação e, sabidamente, causam aumento de morbimortalidade por pneumonias em crianças menores de 5 anos e pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica – DPOC, e asma”, explica Mayara.

Saraiva e Mayara lembram que em 2020 o Brasil registrou um aumento nas queimadas e incêndios nos principais biomas e que, em final de setembro e começo de outubro, diversas ondas de calor afetaram o país. “As tendências nos impactos, exposições e vulnerabilidades das mudanças climáticas demonstram um nível de risco inaceitavelmente alto para a saúde atual e futura das populações em todo o mundo, chamando isso também de emergência climática”, afirma Mayara. Para ela, a falta de progresso na redução de emissões e na construção de capacidade adaptativa ameaça tanto as vidas humanas quanto a viabilidade dos sistemas nacionais de saúde, já sobrecarregados com a pandemia.

Fonte: IEA-USP

Instituto de Botânica cria modelos para prever impactos do clima no cinturão verde de SP

Pesquisadores do Instituto de Botânica vão estudar os efeitos das mudanças climáticas, da poluição e do uso do solo na vegetação nativa ainda existente na cidade de São Paulo e em mais de 70 municípios vizinhos. A ideia é desenvolver modelos capazes de prever cenários para os próximos 30 anos, a partir de dados históricos, estudos de campo e simulações em laboratório.

O estudo multidisciplinar tem por objetivo avaliar o nível de conservação da biodiversidade na Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo e também de seus serviços ecossistêmicos como controle da qualidade e do fluxo da água, regulação climática e estocagem de carbono. A ideia é que, com base nos resultados das pesquisas, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo possa desenvolver políticas públicas e regulamentações para a área.

Reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como patrimônio da humanidade em 1993, a Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo inclui remanescentes da Mata Atlântica e de Cerrado, parques naturais urbanos, reservas estaduais, estações ecológicas, áreas de proteção de água doce e da vida silvestre e também áreas urbanas. A área é considerada um hotspot para a conservação da biodiversidade e abrange 73 municípios em torno da capital paulista.

“O principal foco do projeto, estruturado em nove módulos, é a integração das áreas de pesquisa em botânica. Afinal, a reserva é um ecossistema que funciona como uma grande rede interconectada. E notamos que também estamos trabalhando mais interligados agora com a nova infraestrutura e a central de equipamentos multiusuários”, diz Luiz Mauro Barbosa , diretor do Instituto de Botânica.

O projeto começou a ser concebido em abril de 2018, quando o Instituto, vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, foi aprovado no edital do Programa de Modernização de Institutos Estaduais de Pesquisa da FAPESP. No âmbito dessa iniciativa, a Fundação destinou um total de R$ 120 milhões para a modernização da infraestrutura de pesquisa e a capacitação de pessoal para 12 instituições paulistas.

A região estudada é muito populosa, com inúmeros fragmentos de vegetação nativa. “A população que vive nos municípios do entorno já sofre com aumento de temperatura [mudanças climáticas], altos índices de poluição atmosférica e urbanização desordenada. É também uma área que se beneficia com os serviços ecossistêmicos da reserva. Vamos mensurar como será dada essa relação nos próximos anos e qual o papel da conservação da biodiversidade nos ecossistemas terrestres e aquáticos para melhoria da qualidade de vida da população”, afirma Marisa Domingos, pesquisadora do Instituto de Botânica.

Fortalecimento da pesquisa

O apoio da FAPESP envolve, além do financiamento de bolsas de pesquisa e do fortalecimento de parcerias internacionais, o melhoramento de laboratórios e informatização e manutenção de coleções científicas, como as do herbário do Instituto de Botânica, com mais de 500 mil exsicatas (amostra de planta prensada e seca em estufa) da flora brasileira.

O Museu Botânico Dr. João Barbosa Rodrigues – interface do Instituto com a comunidade – também está sendo modernizado e receberá uma exposição voltada às atividades de educação ambiental e comunicação da ciência. Integra o projeto ainda o desenvolvimento de sistema digital para integração de dados dos diversos setores da pesquisa científica. O Museu está instalado dentro da área do Jardim Botânico.

Os recursos para a melhoria física das instalações são provenientes da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Já a compra de equipamentos para estruturação da central multiusuária e o custeio das atividades de pesquisa, como a digitalização e modelagem, são apoiados pela FAPESP.

“É um projeto amplo que passa na escala macro pelo diagnóstico da biodiversidade, análise estrutural e funcional de comunidades e restauração ecológica. Já na escala micro, buscamos identificar biomarcadores químicos, fisiológicos e biomoleculares. Tudo isso associado ao contexto da educação ambiental”, relata Emerson Alves da Silva, presidente do Núcleo de Inovação Tecnológica do Instituto de Botânica.

Passado, presente e futuro

A construção de cenários sobre o que poderá ocorrer nos próximos anos sob os impactos climáticos, de poluição e de perda de hábitat parte de três tipos de estudo.

O primeiro deles são os diagnósticos observacionais realizados por pesquisa de campo. Um grupo multidisciplinar está analisando diferentes grupos taxonômicos, como algas, bromélias, epífitas, árvores pioneiras e não pioneiras que habitam a vegetação nativa remanescente na região da reserva.

“Pretendemos identificar quais espécies são mais ou menos adaptáveis a esses impactos e que efeitos a variação de suas populações podem acarretar no ecossistema e nas cidades. É uma região que sofre forte pressão antrópica e queremos descobrir, entre os diversos estressores ambientais, climáticos e poluentes, quais proporcionam mais mudanças na biodiversidade. Queremos entender também se haverá efeitos aditivos, sinérgicos ou antagônicos, pois a ideia é pensar numa perspectiva futura da conservação da biodiversidade”, diz Domingos.

O segundo tipo de estudo parte do uso de dados e de séries temporais preexistentes. “São dados históricos de temperatura e poluição obtidos em bancos de dados ou por testemunhos de sedimentos, que recontam a história da urbanização nessa região. Temos também dados, por exemplo, das condições químicas e de biodiversidade de algas. Por mais de 20 anos, os pesquisadores acompanharam as comunidades de algas de um lago e fazem associações com as condições químicas de eutrofização [crescimento excessivo de plantas aquáticas, que reduz o nível de oxigênio da água e causa a morte de espécies]”, explica Domingos.

O estudo do lago eutrofizado, que recebe cargas de esgoto, e as mudanças nas condições químicas da água e da comunidade de algas também dão pistas importantes sobre o que aconteceu nas cidades ao longo dos anos e como essas mudanças impactaram a comunidade de algas.

Por fim, a partir dos dados históricos e observacionais, os pesquisadores vão fazer simulações em laboratório e então criar os modelos preditivos. “Dentre tantos fatores, é difícil imaginar qual estaria afetando mais uma determinada população. Então no laboratório conseguimos simular as condições, por exemplo, da temperatura atual em um ambiente e comparar com o que vai acontecer daqui a 20 ou 30 anos”, diz.

O objetivo é compreender não só os efeitos da urbanização nos fragmentos de floresta, mas como a perda do Cinturão Verde pode impactar a vida nas cidades.

Silva compara a modelagem de conservação da biodiversidade a uma equação. “Essa equação tem várias incógnitas que precisam ser respondidas. No entanto, para que se consiga prever o que vai acontecer nos próximos anos, só trazendo para essa equação elementos de diversos níveis – como informações sobre plantas, algas e fungos do ecossistema aquático e terrestre, além de dados climáticos e de poluição. É o que estamos fazendo e esperamos que o volume de dados que temos e estamos produzindo torne essas predições as mais confiáveis possíveis.”

Fonte: Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP / Instituto de Botânica

Considerações nos 45 anos da carreira de Pesquisador Científico, por Marco Antônio Zullo

Vários institutos de pesquisa paulistas foram criados entre o final do Segundo Império e a primeira metade do século passado, como a Estação Agronômica de Campinas, fundada em 1887, hoje Instituto Agronômico, o Laboratório de Bacteriologia de São Paulo, de 1892, hoje Instituto Adolfo Lutz, o Instituto Serumtherapico, de 1901, hoje Instituto Butantan, o Instituto Biológico, de 1927. Originados na Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo, criada em 1886, são os Institutos Florestal, Geológico, de Botânica, e Geográfico e Cartográfico. Neste período inicial até a década de 1970 a atividade científica e tecnológica era desenvolvida nestas instituições sob diversos regimes de trabalho e por integrantes de carreiras distintas.

Na década de 1920 foi instituído, no Instituto Agronômico, o Regime de Tempo Integral, posteriormente adotado por outros institutos de pesquisa e pela recém criada (1934) Universidade de São Paulo. A partir do final da década de 1950 solidificou-se a percepção da semelhança das atividades técnicas e científicas desenvolvidas pelos diferentes institutos de pesquisa da administração direta e a universidade estadual, tendo como princípios norteadores a excelência científica, a isenção política, a promoção do desenvolvimento econômico, a segurança da saúde da população, razão por que se pretendeu a criação de uma carreira própria que reunisse, sob um único regime de trabalho e escala remuneratória própria, os cientistas atuantes nestas instituições.

Governadores houve indiferentes ou francamente contrários à pretensão. Apenas em 1975, após um longuíssimo período de convencimento, os cientistas dos institutos de pesquisa do Governo do Estado de São Paulo lograram êxito na criação da carreira de Pesquisador Científico, consubstanciada na Lei Complementar nº 125, de 18 de novembro de 1975. O texto original elenca, da Secretaria da Agricultura os Institutos Agronômico, Biológico, de Botânica, de Economia Agrícola, Florestal, de Pesca, de Tecnologia de Alimentos e de Zootecnia; da Secretaria da Saúde os Institutos Adolfo Lutz, Butantan, de Cardiologia, Pasteur e de Saúde; e da Secretaria de Economia e Planejamento, o Instituto Geográfico e Geológico. Com o tempo agregaram-se o Instituto Lauro de Souza Lima, a Superintendência de Controle de Endemias e os Laboratórios de Investigação Médica do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, os Institutos de Botânica, Florestal e Geológico foram encampados pela Secretaria do Meio Ambiente e passou-se a considerar os Institutos Agronômico, Biológico, de Economia Agrícola, de Pesca, de Tecnologia de Alimentos, de Zootecnia e os Polos de Desenvolvimento Regional como centros de excelência da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, esta o instituto de pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Não mudou, nestes 45 anos de existência, ser a carreira 1) constituída de cargos de provimento efetivo, a que são inerentes atividades de execução ou orientação de trabalhos de investigação científica ou tecnológica, em Regime de Tempo Integral, nos termos da Lei nº 4.477, de 24 de dezembro de 1957 nas instituições de pesquisa do Estado; 2) compor-se de seis classes escalonadas segundo a exigência de maior capacitação científico-tecnológica, desempenho de atividades específicas de investigação científica ou tecnológica, em nível de coordenação, orientação e execução, e complexidade e responsabilidade decorrentes do exercício destas atribuições. Os méritos de cada um dos seus integrantes são periodicamente aferidos por uma comissão independente das instituições, evitando desta forma critérios personalistas de ascensão profissional e garantindo o ambiente meritocrático necessário ao desenvolvimento da atividade pública. É de notar o reconhecimento da equivalência entre as atividades desenvolvidas pelos pesquisadores científicos em regime de tempo integral e os docentes das universidades públicas paulistas através da escala de referências de vencimentos, semelhante entre ambos os ambientes: a equivalência destas escalas se manteve até a obtenção da autonomia didática, financeira e administrativa pelas universidades estaduais paulistas em 1989, a partir de quando houve uma grave perda de vencimentos até a edição da Lei Complementar nº 727, de 15 de setembro de 1993, vigente por curto período e na prática revogada pela Lei Complementar nº 859, de 22 de setembro de 1999, embora em sua justificativa de ter “como objetivo essencial conferir aos vencimentos da série de classes em apreço valores idênticos aos dos vencimentos percebidos pelos docentes das Universidades Estaduais” reproduzisse a essência de uma das justificativas para a criação da carreira de pesquisador científico.

Estes quarenta e cinco anos de existência da carreira de pesquisador científico no estado de São Paulo trouxeram, de um lado, o reconhecimento da importância da existência e da excelência do trabalho dos institutos de pesquisa do Governo do Estado nas áreas de agricultura, pecuária, saúde e meio ambiente, o que não tem impedido, por outro, a tomada de algumas decisões equivocadas em estratos superiores, como a diminuição drástica de recursos financeiros e humanos dos institutos de pesquisa, a cada vez menor capacidade de decisão destas instituições, o sequestro de seus recursos próprios, as extinções de institutos de pesquisa, a execução de reformas administrativas sem consulta ao ambiente afetado, a cessão de áreas de pesquisa à iniciativa privada, entre outras atitudes, o que faz temer a execução de um projeto não explicitado de extinção paulatina de institutos de pesquisa como os citados. Podem ser decisões conjunturais, porém o são há tanto tempo que quase se podem reconhecer como política de Estado.

Continuemos a nos oferecer a discutir estas questões com as autoridades do Estado que, conquanto legitimamente possam executar e legislar sobre o nosso ambiente, não têm o dom ou o poder da onisciência e podem, na melhor das intenções, estarem criando situações de não retorno rumo ao fim de instituições de quase um século e meio de bons e excelentes serviços prestados no mínimo ao estado de São Paulo.

Marco Antônio Teixeira Zullo, Pesquisador Científico do Instituto Agronômico de Campinas (IAC)

Café: IAC faz descoberta que pode reduzir tempo de desenvolvimento de nova cultivar e ser mais resistente ao bicho mineiro

O Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, é responsável pelo desenvolvimento de aproximadamente 90% das cultivares de cafeeiro do tipo arábica plantadas comercialmente no Brasil. Buscando a excelência do produto, o Instituto mantém pesquisas modernas e patenteou uma tecnologia para ser utilizada por cientistas de instituições públicas ou privadas dedicados ao desenvolvimento de novas cultivares de espécies de interesse econômico. A patente é de um promotor, denominado CaIsoR, que direciona a expressão específica para folhas das plantas. Este promotor foi isolado de cafeeiro, mas a tecnologia pode ser adotada em qualquer espécie cultivada.

“Trata-se de uma etapa importante no desenvolvimento de plantas geneticamente modificadas”, afirma Oliveiro Guerreiro Filho, pesquisador do IAC. Entenda o porquê: o diferencial do CalsoR é ter expressão específica em tecido foliar, ou seja, os genes introduzidos irão se expressar apenas nas folhas da planta. Por isso esse promotor gênico se difere de promotores normalmente utilizados para transformação genética, que atuam em todos os organismos da planta.

A tecnologia tem potencial para permitir a expressão de genes estruturais de interesse agronômico, em tecidos foliares. Exemplos destes são genes de resistência a pragas e doenças que atingem a parte aérea das plantas de café ou de outras espécies.

Segundo Guerreiro, o uso dessa tecnologia para desenvolvimento de variedades geneticamente modificadas com resistência a pragas ou doenças de importância primária poderá gerar redução direta de custos por dispensar ou reduzir o controle químico. A tecnologia poderá também reduzir o tempo necessário para o desenvolvimento de uma cultivar de café, que requer cerca de 20 anos de pesquisa. Essa nova tecnologia patenteada pelo IAC poderá colaborar em uma fase desse sistema complexo. “Dependendo do material genético utilizado para transformação, de maneira geral, podemos dizer que a tecnologia reduziria o tempo de desenvolvimento de uma nova cultivar de café à metade, ou seja, dez anos”, explica.

O promotor é uma sequência de DNA que informa quando e onde o gene deve ser ativado para produzir a proteína. Segundo Mirian Perez Maluf, pesquisadora da Embrapa Café que atua no IAC, a montagem dessa sequência de DNA com um gene-alvo é chamada cassete de expressão, e contém as informações essenciais para garantir a expressão do gene. O CaIsoR possui o tamanho de 950kb e foi isolado a partir de sequência de um gene do cafeeiro pertencente à família das isoflavonas.Considerando o uso do promotor CalsoR associado a um gene estrutural responsável direto pela síntese de uma proteína com atividade inseticida, por exemplo, esta proteína será produzida apenas nas folhas e quando estimuladas pela herbivoria de um inseto-praga.

“Como o cassete de expressão específico tem ação apenas na folha não haverá expressão gênica ou síntese de proteína com atividade inseticida em órgãos que serão usados para o consumo, que nesse caso seriam os grãos de café”, explica o pesquisador do IAC, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

O CaIsoR é ativado apenas quando a folha da planta sofre uma ação biótica ou abiótica. Entre os agentes bióticos que ativam esse gene está a infecção fúngica, conhecida como ferrugem, e a infestação por insetos e pragas, como o bicho-mineiro, além de ácaros diversos. A ativação por agentes abiótica está mais estreitamente relacionada a danos de natureza mecânica, causados nas folhas em consequência do atrito provocado por ventos e trânsito de máquinas e implementos. A pesquisa foi desenvolvida em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e a Universidade Estadual Paulista (UNESP).

Fonte: Virgínia Alves e IAC/Notícias Agrícolas

O Dia Estadual do Pesquisador Científico, por João Paulo Feijão Teixeira

A Lei Nº 14.142,de 14 de junho de 2010 instituiu o Dia Estadual do Pesquisador Científico a comemorar-se anualmente em 18 de novembro por ser nesse dia no ano de 1975 que foi promulgada a Lei Complementar n.° 125, que criou e organizou a carreira de Pesquisador Científico na Administração Pública do Estado de São Paulo, a qual rege os Pesquisadores Científicos em RTI – Regime de Tempo Integral nos 19 Institutos de Pesquisa do Estado, ativos e inativos, cujas pesquisas vêm contribuindo grandemente para a melhoria da qualidade de vida da população e para a aumentar as riquezas do povo brasileiro.

No Estado de São Paulo os pesquisadores científicos são ocupantes de cargos pertencentes à série de classes da mesma denominação, nos quais ingressam mediante concurso público de títulos e prova, realizado por área de especialização.

A citada série de classes de pesquisador científico possui legislação orgânica específica que a diferencia do plano geral de carreira do funcionalismo público. Essa diferenciação existe desde a criação do Regime de Tempo Integral, nos idos de 1945, e que foi incorporada à Lei Complementar 125/1975, que consolidou o Regime de Tempo Integral como regime de trabalho próprio dos cargos da carreira de pesquisador científico na qual não são permitidos cargos sob outros regimes de trabalho.

Trata-se, além da carga horária, da exigência de dedicação exclusiva a uma área de conhecimento científico com desempenho comprovado pela publicação de trabalhos originais de pesquisa científica ou tecnológica e é pelo desempenho produtivo comprovado e, permanentemente, aprimorado do pesquisador científico que se dá a valorização de suas atividades com a elevação do cargo aos níveis maiores da série de classes.

E mais do que isso, são os Pesquisadores Científicos que fazem evoluir o conhecimento, multiplicam os territórios do saber, abrem novas possibilidades de avanços e descobertas, enfim, é a eles que devemos o evolver científico.

João Paulo Feijão Teixeira, engenheiro agrônomo e presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC)

Agenda APqC: Reunião sobre Situação Salarial dos Pesquisadores

CONVITE AOS ASSOCIADOS

Reunião sobre Situação Salarial dos PqCs

A APqC no intuito de dar publicidade, bem como ouvir seus associados, sobre as atividades desenvolvidas pelo grupo de trabalho que objetiva promover a paridade de vencimentos entre pesquisadores, convida os seus associados para participarem da reunião, a ser realizada no dia 03 de dezembro de 2020, às 14:00, online, no endereço eletrônico meet.google.com/tcf-qckk-xnn , com a seguinte pauta:

  1. Esclarecimentos gerais sobre a questão salarial do Pesquisador Científico;
  2. Viabilidade da Equiparação;
  3. Ações futuras;
  4. Palavra aberta aos associados.

João Paulo Feijão Teixeira

Presidente da APqC

Campinas, 24 de novembro de 2020.

Live discute reorganização das atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação nos institutos da APTA

Acontece amanhã, 25 de novembro, das 9h às 11h, a live “Reorganização das atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I)” no âmbito dos Institutos de Pesquisa da APTA e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA). Participam da transmissão o representante da SAA, Michael Cerqueira, que será o moderador da conversa, e os representantes dos institutos, Antonio Batista Filho, coordenador da APTA, e Marcos Antonio Machado, diretor do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Os interessados podem acompanhar a live por meio do canal do YouTube da Secretaria (clique aqui).

Vacina desenvolvida pelo Butantan deve ser liberada em dezembro

Boa notícia! O estudo clínico de fase 3 da Coronavac atingiu o indicador necessário para que se possa dar início às análises de eficácia do imunizante. Isso significa que o Instituto Butantan, que está desenvolvendo o imunizante em parceria com o laboratório chinês Sinovac, entra na fase final de aprovação da vacina. Nessa etapa os resultados serão analisados e validados pelo Comitê Internacional Independente e, em dezembro, será possível remeter à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para análise do parecer do órgão. Assista o vídeo acima para mais informações.

APTA capacita 250 pessoas em segurança dos alimentos na região de Bauru

Produtores rurais, técnicos da extensão e manipuladores de alimentos de escolas, agroindústrias e restaurante popular, passam por capacitação relacionada à segurança dos alimentos na Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O projeto “Do Campo à Mesa”, conduzido por pesquisadores do Polo Regional de Bauru da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), realiza desde 2018 ações de pesquisa, extensão e ensino voltadas aos produtores de olerícolas e aos manipuladores de alimentos. O projeto é conduzido em parceria com a Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS – Bauru), Prefeitura Municipal de Bauru, Faculdades Integradas de Bauru (FIB), Unisagrado, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e Udelar-Uruguay.

O objetivo do projeto, que deve ser finalizado ainda em 2020, é analisar possíveis patógenos, parasitas e resíduos de defensivos agrícolas em alfaces produzidas na região, além de validar o processo de higienização das hortaliças na Cozinha Comunitária, que oferece refeições saudáveis e balanceadas à população em vulnerabilidade social.

Aliado à pesquisa, a equipe do projeto e colaboradores realizam capacitações com foco em Boas Práticas Agrícolas, Gestão da Produção e Boas Práticas de Manipulação. O projeto contou com aporte financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Nesses dois anos de projeto, foram capacitados cerca de 100 produtores rurais, 50 manipuladores (agroindústrias, escolas da rede pública e cozinhas comunitárias) e 100 técnicos da extensão rural, além de estudantes. Também foram treinados dois graduandos, um do curso de Agronomia e outro Farmácia.

“Ao todo, foram oferecidas 160 horas de capacitação, sendo que neste ano tivemos que adaptar esses cursos para o meio virtual. Contudo, conseguimos cumprir o que propõe o projeto, de levar conhecimento tanto para os produtores rurais, quanto para técnicos de extensão, que fazem a multiplicação dessas informações, como também para os manipuladores de alimentos, contribuindo bastante para a segurança alimentar do interior paulista”, afirma Maria Cecília de Arruda, pesquisadora da APTA.

Segundo Maria Cecília, o projeto tem possibilitado a transferência de conhecimentos e troca de experiências com extensionistas, pesquisadores e produtores rurais e a interação das ações de extensão e pesquisa em prol do pequeno produtor, além da busca da melhoria contínua em todo o processo produtivo da Cozinha Comunitária de Bauru.

Pesquisa

Com o trabalho desenvolvido pela APTA, as pessoas que consomem semanalmente as mil refeições servidas no espaço têm a garantia de estar ingerindo um prato seguro. Paralelamente, as 600 famílias que adquirem as hortaliças diretamente do produtor onde a pesquisa está sendo realizada também são beneficiados com a oferta de hortaliças seguras.

Para o desenvolvimento do projeto, a APTA coletou amostras de compostos orgânicos usados na produção de alface, da água utilizada na irrigação e lavagem das hortaliças, tanque de lavagem, caixas de colheita, mãos de manipuladores, utensílios e as hortaliças colhidas para o consumo, durante seis ciclos produtivos. A coleta das alfaces foi realizada desde a colheita até a finalização do processo de higienização na cozinha comunitária. “Com a pesquisa está sendo possível obter o diagnóstico e buscar melhorias no processo produtivo, visando à produção de hortaliças seguras”, afirma Maria Cecília.

A pesquisa foi desenvolvida com um produtor rural de olerícolas, com certificação orgânica, e na Cozinha Comunitária. Com o estudo foi possível fazer um monitoramento microbiológico e as Análises de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) na cadeia produtiva da alface orgânica, além da capacitação e conscientização dos produtores para implementação de Boas Práticas Agrícolas (BPA) e Boas Práticas de Manipulação (BPM), as quais contribuem para a garantia da segurança dos produtos.

A saudabilidade dos alimentos é um dos objetivos apresentados no macro programa Cidadania no Campo 2030, em que a Secretaria de Agricultura visa proporcionar ações de educação para toda a cadeia produtiva, visando a produção de alimentos seguros.

Os pesquisadores da APTA e os técnicos da CDRS também têm auxiliado os pequenos agricultores da região de Bauru a diversificarem a produção olerícola utilizando as Boas Práticas Agrícolas, principalmente no uso de composto orgânico maturado, uso adequado e racional de defensivos e fertilizantes, no controle da qualidade da água de irrigação e na adoção de Boas Práticas de Manuseio Pós-Colheita. “Também queremos auxiliar os agricultores na abertura de novos canais de comercialização”, diz a pesquisadora.

Fonte: Assessoria de Imprensa – APTA

Gravação: Assembleia Geral Ordinária de 20/11