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Posts de Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de SP

Carta aberta: APqC repudia declarações do ministro do Meio Ambiente e clama por ações políticas harmônicas

apqc1Nesse momento em que o mundo vive uma das suas maiores crises em decorrência da pandemia do coronavírus, roga-se aos nossos governantes que adotem uma visão indissociável entre humanos, animais e meio ambiente, cientes de que qualquer alteração nesta relação pode provocar desequilíbrio e, consequentemente, a propagação de doenças, conforme artigo publicado no dia 14 de maio de 2020 pela Dra. Maria Izabel Merino de Medeiros (leia aqui), em que se retrata a importância da saúde única como estratégia que buscar garantir o bem estar ao planeta e seus habitantes.

Na contramão do que se espera de nossa cúpula política seguiu a fala de Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, que assistimos com indignação no dia 22 de maio de 2020. Nela, Salles sugere que o presidente da república aproveite-se da tragédia social, sanitária e econômica provocada pela pandemia para alterar regras do ordenamento jurídico ambiental sem qualquer debate com a sociedade ou especialistas. Em suas palavras, o governo federal deveria “passar a boiada” enquanto a imprensa e a opinião pública estão “distraídas” com a crise.

Infelizmente o comportamento do ministro não é surpresa para a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), pois quando ocupou o cargo de secretário do Meio Ambiente no Estado de São Paulo foi representado por nossa associação junto ao Ministério Público pela tentativa de venda/concessão de 34 áreas do Instituto Florestal, dentre as quais encontram-se os biomas mais ameaçados do Estado de São Paulo como o Cerrado e a Floresta Estacional Semidectual, colocando em risco de extinção várias espécies da flora e fauna.

Ricardo Salles tentou ainda negociar a sede do Instituto Geológico, mesmo com parecer contrário da própria consultoria jurídica do Estado, e foi condenado em 1ª instância por improbidade administrativa por alterar ilegalmente o zoneamento da proposta de plano de manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do rio Tietê, devendo essa decisão ser confirmada em 2ª instância.

Dessa forma, a APqC pleiteia da liderança política ações harmônicas dentre as pastas da Agricultura, Saúde, Meio Ambiente e Economia, sob o olhar de um sistema único, a fim de evitarmos no futuro uma nova catástrofe como a vivenciada hoje, permanecendo a associação sempre alerta em defesa da ciência, tecnologia e inovação em benefício do povo brasileiro.

Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC)
Gestão 2020-2021

Secretário de Agricultura fala sobre o agro paulista e suas perspectivas futuras

 

Confira como foi o bate-papo promovido ontem (28) pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, reunindo o Secretário Gustavo Junqueira e os Coordenadores da CDA, CDRS, CODEAGRO e APTA, sob a moderação da Diretoria de Recursos Humanos. O vídeo conta com a participação de pesquisadores.

Pesquisas do Instituto Agronômico de Campinas trazem impactos positivos para toda a cadeia de produção do café

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A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo desenvolve, há mais de um século, trabalhos relacionados ao café, produto que ocupa o quinto lugar no valor da produção agropecuária do Estado. Os trabalhos com a cultura passam por toda a cadeia de produção, se iniciando nos laboratórios científicos e campos experimentais até chegar na xícara do consumidor. Conheça parte das ações desenvolvidas pela Pasta que beneficia produtores rurais, indústria e consumidores.

Dia Nacional do Café: confira 10 curiosidades da bebida que é preferência nacional

Novas cultivares 

O desenvolvimento de novas cultivares de plantas ‒ mais produtivas, resistentes a doenças e com características que agradam produtor, indústria e consumidor ‒ é o carro-chefe do trabalho do Instituto Agronômico (IAC), vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Um dos destaques é o desenvolvimento de 70 cultivares de café para o setor de produção. As cultivares IAC Mundo Novo, Catuaí Vermelho e Catuaí Amarelo representam 80% do café arábica produzido no Brasil, aproximadamente.

Além das pesquisas com café do tipo arábica, o IAC, em conjunto com unidade regional da APTA e a Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) desenvolvem trabalhos com café do tipo robusta para alavancar a cafeicultura em regiões marginais ao café arábica. O objetivo é desenvolver materiais de alta qualidade em São Paulo, que é o maior consumidor, torrefador e solubilizador desse tipo de café do Brasil.

Sanidade

A sanidade do café é uma das preocupações da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que desenvolve trabalhos na área com a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) e o Instituto Biológico (IB-APTA).

Nos laboratórios do IB, em Campinas, são realizados projetos de pesquisa, prestação de serviços de análise nematológica, diagnóstico de pragas e doenças e transferência de tecnologia, por meio de treinamentos especializados. As parcerias com a iniciativa privada são constantes, captando recursos e gerando informações essenciais para o manejo de pragas, doenças e nematoides, por meio de agentes biológicos, inimigos naturais e produtos químicos. Além disso, o Instituto realiza trabalhos de transferência de tecnologia para todo o setor de produção e dá suporte junto a outros órgãos da SAA, na elaboração de legislação que protege a cadeia de produção com relação às principais ameaças fitossanitárias.

Os trabalhos do IB envolvem a identificação de espécies de nematoides e avaliação da resistência de cafeeiros aos nematoides das galhas e das lesões radiculares, que têm ocorrência frequente nos cafezais paulistas e brasileiros. Essa ação é desenvolvida em conjunto com a Coordenadoria de Defesa Agropecuária, que faz a certificação de viveiros de mudas de café em São Paulo, para evitar que sejam disponibilizadas ao setor de produção mudas contaminadas com nematoides. O Estado possui 74 viveiros certificados pela Defesa Agropecuária. Em 2018, a Secretaria de Agricultura publicou uma resolução relacionada à produção de mudas isentas de plantas invasoras e de nematoides do gênero Meloidogyne spp. e das espécies Pratylenchus jaehni e Pratylenchus coffeae. A legislação, que é referência brasileira, prevê que, a partir de 2022, não sejam mais comercializadas mudas de café com solo no substrato.

Ainda em sanidade do café, o IB desenvolve diagnósticos de doenças do cafeeiro, com destaque para a mancha aureolada, que se tornou relevante nos últimos anos no Brasil. O IB tem ainda atuação relevante no diagnóstico e manejo das espécies de ácaros encontradas em cafeeiros.

Apoio aos cafeicultores 

O trabalho de extensão rural desenvolvido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, executado pela CDRS, tem papel fundamental no apoio aos cafeicultores paulistas, principalmente nas pequenas propriedades, e na consolidação de suas organizações, atuando de forma estreita com a pesquisa científica, também desenvolvida pela Pasta.

“Nesse contexto, a Secretaria realiza um trabalho de capacitação, difusão de conhecimento, novas tecnologias de produção e Boas Práticas Agropecuárias e de gestão, por meio da realização de Dias de Campo, seminários, palestras, cursos, implementação de Unidades Demonstrativas de Tecnologia, entre outros, levando em consideração as características regionais e as necessidades dos produtores, atuando de forma local, mas pensando de forma global”, ressalta José Luiz Fontes, coordenador da CDRS, acrescentando que as ações extensionistas têm sido desenvolvidas de forma ampla.

Os técnicos extensionistas têm papel importante para a melhoria da qualidade do café paulista, orientando quanto ao momento ideal de se iniciar a colheita dos grãos e o processamento do café no terreiro. Em Franca, uma das mais tradicionais regiões produtoras de café em São Paulo, a CDRS auxiliou na transferência de tecnologias atualmente consolidadas como o manejo de mato, poda e redução de espaçamento, ações com grande impacto na produtividade e qualidade do café. Hoje, há projeto em conjunto com o IB para Manejo Integrado de Pragas (MIP), visando à redução no uso de defensivos agrícolas.

Outro destaque foi o projeto Microbacias II, executado pela Secretaria de Agricultura, por meio da CDRS, que beneficiou 22 organizações rurais da cadeia produtiva do café, sendo 18 associações e quatro cooperativas que, além de agregação de valor à produção, tiveram uma maior inserção no mercado, em um investimento total de R$ 16,4 milhões, dos quais R$ 11,5 milhões foram apoiados com recursos do Projeto. Diretamente, foram beneficiadas 530 famílias rurais, mas o número de beneficiados indiretos é muito maior, pois alcança população de cidades inteiras, gerando impacto na economia local e regional.

Inovação e qualidade

Ao longo de sua história, o Instituto de Tecnologia dos Alimentos (ITAL-APTA) tem atuado para garantir a qualidade do café brasileiro. Exemplo é o estabelecimento de norma técnica para fixação de identidade e qualidade da bebida de café torrado em grão e moído para a classificação em gourmet, superior e tradicional. O trabalho foi feito em conjunto com a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo (Sindicafé-SP), o Laboratório Carvalhaes e diversas empresas.

Além de verificar a pureza do café, como laboratório credenciado da Abic, o ITAL realiza outras análises microscópicas, como a detecção de matérias estranhas e, desde o fim da década de 1990, desenvolve estudos relacionados à prevenção da contaminação do café, do pé até a bebida, por ocratoxina A, composto tóxico produzido por algumas espécies de fungos. Tais estudos levaram ao estabelecimento de resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que controla os limites de micotoxinas em alimentos.

Também são importantes os ensaios relacionados a embalagens de café e o desenvolvimento de novos processos e produtos, como os preparados para bebidas instantâneas com café, cappuccino, bolos, biscoitos, chocolates, recheios, barras de cereais, balas e o inusitado Cafessaí.

A parceria entre o ITAL e o IAC permitiu a evolução das regiões cafeeiras do Estado. Como exemplo, houve pesquisa para obtenção de indicadores ambientais da produção de café arábica, a partir da metodologia de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), via Programa Pesquisa Café. Outro trabalho conjunto foi a determinação da influência das mudanças climáticas nos sólidos solúveis em resíduos da produção, com utilização desses em novos produtos.

Fonte: Assessoria da Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Coronavírus: a Ciência combate a pandemia e é afetada por ela

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Podcast da Revista Fapesp, em parceria com a Rádio Usp, revela – entre outros assuntos – como o combate ao coronavírus, mais especificamente o isolamento social, está interferindo na vida de pesquisadores científicos. Veja abaixo alguns dos entrevistados:

A bióloga Fernanda Staniscuaski, pesquisadora da UFRGS e coordenadora do projeto “Parent in Science”, fala sobre o impacto do isolamento social na produtividade de cientistas que têm filhos, em especial das mulheres.

A engenheira agrônoma Juliana Teixeira Yassitepe, da Embrapa, explica como concilia o trabalho de pesquisa e os cuidados com a família em meio às restrições impostas pela pandemia.

O infectologista Fábio Leal, da Faculdade de Medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, mostra os resultados da estratégia de identificação e monitoramento de pessoas com Covid-19 que está sendo aplicada na cidade, testando a população em suas casas.

Dayane Machado, doutoranda do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp, comenta pesquisa que registrou índices elevados de confiança da sociedade na ciência durante a crise do novo coronavírus.

PARA OUVIR O PROGRAMA CLIQUE AQUI

Pesquisadores desvendam mecanismo que torna Covid-19 mais grave em diabéticos

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Um grupo brasileiro de pesquisadores desvendou uma das causas da maior gravidade da COVID-19 em pacientes diabéticos. Como mostraram os experimentos feitos em laboratório, o teor mais alto de glicose no sangue é captado por um tipo de célula de defesa conhecido como monócito e serve como uma fonte de energia extra, que permite ao novo coronavírus se replicar mais do que em um organismo saudável. Em resposta à crescente carga viral, os monócitos passam a liberar uma grande quantidade de citocinas [proteínas com ação inflamatória], que causam uma série de efeitos, como a morte de células pulmonares.

O estudo, apoiado pela FAPESP, é liderado por Pedro Moraes-Vieira, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp), e por pesquisadores que integram a força-tarefa contra a COVID-19 da universidade, coordenada por Marcelo Mori, também professor do IB-Unicamp e coautor do trabalho.

O artigo encontra-se em revisão na Cell Metabolism, mas já está disponível em versão preprint, ainda não revisada por pares.

“O trabalho mostra uma relação causal entre níveis aumentados de glicose com o que tem sido visto na clínica: maior gravidade da COVID-19 em pacientes com diabetes”, diz Moraes-Vieira, pesquisador do Experimental Medicine Research Cluster (EMRC) e do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP, com sede na Unicamp.

Por meio de ferramentas de bioinformática, os pesquisadores analisaram inicialmente dados públicos de células pulmonares de pacientes com quadros médios e severos de COVID-19. Foi observada uma superexpressão de genes envolvidos na chamada via de sinalização de interferon alfa e beta, que está ligada à resposta antiviral.

Os pesquisadores observaram ainda no pulmão de pacientes graves com COVID-19 uma grande quantidade de monócitos e macrófagos, duas células de defesa e de controle da homeostase do organismo.

Monócitos e macrófagos eram as células mais abundantes nas amostras e as análises mostraram que a chamada via glicolítica, que metaboliza a glicose, estava bastante aumentada.

As análises por bioinformática foram realizadas pelos pesquisadores Helder Nakaya, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP), e Robson Carvalho, professor do Instituto de Biociências de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (IBB-Unesp).

Glicose e vírus

O grupo da Unicamp realizou, então, uma série de ensaios com monócitos infectados com o novo coronavírus, em que eles eram cultivados em diferentes concentrações de glicose. Os experimentos foram feitos no Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (Leve), que tem nível 3 de biossegurança – um dos mais altos –, e é coordenados por José Luiz Proença Módena, professor do IB-Unicamp apoiado pela FAPESP e coautor do trabalho.

“Quanto maior a concentração de glicose no monócito, mais o vírus se replicava e mais as células de defesa produziam moléculas como as interleucinas 6 [IL-6] e 1 beta [IL-1β)] e o fator de necrose tumoral alfa, que estão associadas ao fenômeno conhecido como tempestade de citocinas, em que não só o pulmão, como todo o organismo, é exposto a essa resposta imunológica descontrolada, desencadeando várias alterações sistêmicas observadas em pacientes graves e que pode levar à morte”, diz Moraes-Vieira.

Os pesquisadores usaram então, nas células infectadas, uma droga conhecida como 2-DG, utilizada para inibir o fluxo de glicose. Eles observaram que o tratamento bloqueou completamente a replicação do vírus, assim como o aumento da expressão das citocinas observadas anteriormente e da proteína ACE-2, aquela pela qual o coronavírus invade as células humanas.

Além disso, usaram uma droga que está sendo testada em pacientes com alguns tipos de câncer. Assim como alguns análogos, a 3-PO inibe a ação de um gene envolvido no aumento do fluxo de glicose nas células. O resultado da sua aplicação foi o mesmo da 2-DG: menos replicação viral e menos expressão de citocinas inflamatórias.

Os resultados que indicaram maior atividade da via glicolítica frente à infecção foram obtidos por meio de análises proteômicas dos monócitos infectados, realizadas em colaboração com Daniel Martins-de-Souza, professor do IB-Unicamp apoiado pela FAPESP.

Por fim, as análises mostraram que o mecanismo era mediado pelo fator induzido por hipóxia 1 alfa. Como é estudada em diversas doenças, é sabido que essa via é mantida estável, em parte pela a presença de espécies reativas de oxigênio na mitocôndria, a usina de energia das células.

Os pesquisadores usaram então antioxidantes nas células infectadas e viram que a hipóxia 1 alfa diminuía a sua atividade e, assim, deixava de influenciar o metabolismo da glicose. Como consequência, fazia com que o vírus parasse de se replicar nos monócitos, as células de defesa infectadas, que não mais produziam citocinas tóxicas para o organismo.

“Quando intervimos no monócito com antioxidantes ou com drogas que inibem o metabolismo da glicose, nós revertemos a replicação do vírus e também a disfunção em outras células de defesa, os linfócitos T. Com isso, evitamos ainda morte das células pulmonares”, diz Moraes-Vieira.

Os estudos com linfócitos T e a análise da expressão de hipóxia 1 alfa em pacientes foram realizados em colaboração com Alessandro Farias, professor do IB-Unicamp e coautor do trabalho.

Como as drogas usadas nos experimentos com células estão atualmente em testes clínicos para alguns tipos de câncer, poderiam futuramente ser testadas em pacientes com COVID-19.

O trabalho tem como primeiros autores Ana Campos Codo, bolsista de mestrado da FAPESP; Gustavo Gastão Davanzo, que tem bolsa de doutorado da FAPESP e Lauar de Brito Monteiro, também bolsista de doutorado, todos no IB-Unicamp sob orientação de Moraes-Vieira.

“Esse trabalho só foi possível devido às colaborações, ao empenho dos alunos de pós-graduação, que tem trabalhado noite e dia nesse projeto, e ao financiamento rápido do FAEPEX [Fundo de Apoio ao Ensino, à Pesquisa e à Extensão] da Unicamp e da FAPESP”, diz Moraes-Vieira.

O artigo “Elevated glucose levels favor SARS-CoV-2 infection and monocyte response through a HIF-1α/glycolysis dependent axis” pode ser lido aqui.

Com informações de André Julião, Agência FAPESP

Instituto de Zootecnia abre inscrição para bolsa Fapesp de pós-doutorado em microbiologia

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O Instituto de Zootecnia, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, torna pública edital de inscrições para candidatura de uma bolsa de Pós-Doutorado na área de Microbiologia Veterinária e Biologia Molecular, vinculada a projeto que será desenvolvido no Centro de Pesquisa de Bovinos de Leite, cujo objetivo será avaliar e desenvolver alternativas para tratamento de mastite bovina, o qual participa do Plano de Desenvolvimento Institucional de Pesquisa do Instituto de Zootecnia (PDIP/IZ). O bolsista ficará lotado no Laboratório de Referência de Qualidade do Leite, do Centro de Pesquisa de Bovinos de Leite, na unidade do IZ em Nova Odessa, SP.

Os candidatos devem possuir título de doutor no país ou no exterior obtido há, no máximo, 5 anos a partir da data final para inscrição, e experiência na realização de análises microbiológicas e de biologia molecular na área de mastite bovina e produção animal sustentável, para desenvolver projeto de pesquisa que se enquadre no tema “Avaliação do efeito de bacteriocinas e óleos essenciais e sua associação contra patógenos multirresistentes isolados de mastite bovina”.

O projeto de pesquisa envolve atividades como coletas de amostras biológicas, técnicas laboratoriais de isolamento e identificação microbiológica de patógenos da mastite bovina, pesquisa de cepas resistentes e alternativas terapêuticas com uso de óleos essenciais, e pesquisa de genes por métodos de Biologia Molecular.
O bolsista também poderá conduzir trabalhos de mestrado e doutorado de alunos ligados ao projeto, auxílio na redação de relatórios e de artigos científicos.

A bolsa, com duração de até 12 meses, será financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e vinculada ao PDIP. O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 7.373,10 mensais e Reserva Técnica equivalente a 15% do valor anual da bolsa para atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

Para inscrições contate pelo e-mail lenira@iz.sp.gov.br com a súmula curricular nos modelos da FAPESP, acesse o site aqui, envie carta de motivação evidenciando os pré-requisitos exigidos (máximo de 200 palavras) e três cartas de recomendação, com prazo até o dia 15/06/2020. Para mais informações clique aqui.

Instituto Floresta realiza debate virtual sobre alterações na Lei da Mata Atlântica na próxima quinta

O Instituto Florestal convida para mais uma edição do projeto Café Virtual no IF (pelo Zoom). O tema será “As alterações na Lei da Mata Atlântica e consequências para o bioma”, com Clayton Lino (RBMA), João de Deus Medeiros (RMA) e Mário Mantovani (SOS Mata Atlântica). O debate acontece no dia 28 de maio de 2020, quinta-feira, às 15 horas. Inscreva-se antecipadamente para esta reunião no site: www.iflorestal.sp.gov.br

Mais informações no cartaz abaixo.

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Unidades da APTA realizam colheitas de grãos e novas pesquisas levam resultados ao agro paulista

apqc1Unidades de pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, vêm realizando colheitas de grãos ligadas a diversos experimentos. Os órgãos tomam todas as precauções de saúde necessárias em relação ao momento atual e as pesquisas seguem levando resultados para o agro paulista.

No Polo de Pindorama da APTA, a colheita de amendoim realizada nas últimas semanas deverá fornecer informações importantes sobre novas cultivares, além do combate a uma praga que preocupa o produtor.

“As colheitas que foram realizadas se referem a duas linhas de pesquisa: a primeira é sobre melhoramento de amendoim e desenvolvimento de novas cultivares, e a segunda, sobre a avaliação e controle do percevejo-preto, uma praga de solo que ataca a cultura”, diz Marcos Michelotto, pesquisador da APTA e um dos responsáveis pelos trabalhos.

As pesquisas com melhoramento, coordenadas pelo pesquisador Ignácio Godoy, do Instituto Agronômico (IAC-APTA), visam obter cultivares de amendoim que apresentem maior resistência a doenças e também maior produtividade, explica Michelotto.

“Colhemos as vagens e enviamos para análise no instituto, onde se analisa a produtividade e se as características das cultivares atendem às exigências do mercado, podendo ser disponibilizadas como opção ao produtor”, acrescenta.

Classificação

Quanto a outra pesquisa, o grupo liderado pelo pesquisador vem buscando maneiras de melhor conhecer e combater o percevejo-preto (Cyrtomenus mirabilis). “Essa praga pode estar presente na plantação sem que o agricultor se dê conta, uma vez que o inseto ataca as vagens no solo, danificando os grãos”, detalha Michelotto.

Segundo o pesquisador da APTA, o problema pode ser percebido apenas durante o beneficiamento, onde os grãos danificados pelo percevejo acabam tendo sua classificação rebaixada e recebendo valor de mercado bem menor.

“Testamos alguns tipos de inseticidas e pretendemos avaliar tanto a eficiência de cada um no controle do percevejo, quanto a persistência de resíduo no grão colhido”, explica. A questão do controle de resíduos, defende o pesquisador, é essencial para a saúde do consumidor e necessária para adentrar mercados exigentes, como o europeu.

“Também estamos testando alternativas de controle biológico, utilizando nematoides e fungos entomopatogênicos para combater o percevejo”, salienta. Outra aposta é a utilização de compostos à base de enxofre, que agem como repelentes. “Eles impedem que o inseto permaneça na área, ou reduzem sua alimentação e, consequentemente, seus danos, controlando a praga durante todo o ciclo do amendoim”, diz o especialista.

Resultados

Feita a colheita, a hora é de analisar os resultados obtidos para averiguar quais tratamentos empregados foram eficazes. Para isso, o corpo de estagiários do projeto está auxiliando o pesquisador na limpeza dos grãos, contagem de insetos presentes e de grãos avariados e mensuração dos danos observados.

Outras amostras foram enviadas ao laboratório contratado para realizar os testes de resíduos de agrotóxicos. “Nesse projeto, contamos com a parceria de empresas do setor que têm interesse direto em resolver o problema, que pode causar perdas da ordem de 20 a 30% da produção”, salienta Michelotto.

Além do amendoim, pesquisas com soja também estão fornecendo novos resultados na APTA. Na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itapetininga, foram realizadas as colheitas de um relevante projeto realizado em parceria com a cooperativa Coplacana. “Neste projeto, avaliamos mais de 25 variedades de soja quanto a diversas características de produção”, diz o pesquisador da APTA Carlos Frederico Rodrigues, responsável pela unidade.

Ele explica que o projeto terá duração de cinco anos, estando atualmente no terceiro. Nesse período, as cultivares serão avaliadas a cada nova safra, formando-se um ranking de acordo com seu potencial produtivo. “Objetivamos estabelecer uma espécie de ‘selo de desempenho’ para as cultivares, de acordo com o desempenho de cada uma”, aponta.

Mais que expor as características produtivas da planta propriamente ditas, o projeto quer auxiliar o produtor a fazer a melhor escolha, levando-se em conta seu potencial de investimento, demanda de produção, capacidade instalada em termos de maquinário, entre outros fatores. “Começamos cultivando todas em áreas de diferentes tamanhos e, quando identificamos que uma cultivar tem bom desempenho, plantamos em maior escala no próximo ano – um desafio de produção comercial”, comenta Rodrigues.

Variedades

Além das variedades comercialmente conhecidas, a pesquisa trabalha com muitas advindas de instituições de pesquisa e assistência técnica, como a Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS), da pasta, e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Essas variedades de sojas convencionais são, na opinião do pesquisador, interessantes para inserção junto ao agricultor familiar.

Outro intuito da pesquisa, informa o responsável, é difundir e estimular a técnica de plantio direto para soja, considerada vantajosa em termos de conservação do solo. “Todas as variedades do experimento foram cultivadas em plantio direto”, lembra Rodrigues.

“Estamos agora iniciando o plantio de aveia, uma cultura de inverno que será colhida para semente e, depois, servirá de palhada para o novo plantio de soja – que deve ocorrer em outubro”, diz. Algumas variedades foram observadas no sistema ILPF (Integração Lavoura Pecuária Floresta) da unidade, e, nesses cenários de integração, serão avaliadas a partir da safra 2020-2021, incluindo dados climáticos em tempo real e contínuo.

O pesquisador conta que, uma vez por ano, ocorre na UPD o evento Caminhos da Soja, onde os produtores rurais têm a possibilidade de conhecer os resultados levantados pela pesquisa e utilizar deste conhecimento para selecionar as variedades que mais lhe convenham.

“É uma vitrine tecnológica”, ressalta Rodrigues, acrescentando que a Unidade também realiza pesquisas com milho na mesma linha. “Visitas monitoradas nesses sistemas de produção são agendadas com colegas da CDRS, produtores e estudantes, durante todas as fases da cultura”, completa.

Colheita

Também é tempo de colheita no Polo de Adamantina da APTA. A região, assim como a de Itapetininga, assiste a uma expansão considerável da sojicultura. “A soja é uma commodity de segurança em relação à comercialização futura e demanda”, pontua Fernando Nakayama, pesquisador e diretor do Polo, apontando esse fator como um promotor do interesse dos agricultores paulistas na cultura.

“Os produtores começaram a querer informação, procurar variedades e a gente se sentiu na obrigação, como Instituição de Pesquisa, de gerar essa informação e fazer essa difusão”, contextualiza.

De acordo com Nakayama, as pesquisas estão na primeira etapa – e a de maior demanda –, que é a escolha das cultivares de soja adaptadas à região. Para isso, as empresas de sementes são convidadas a terem suas variedades avaliadas. “O que é feito é plantar faixas de cultivares onde avaliamos o comportamento geral de cada uma, fazemos a biometria e constatamos a produtividade”, relata o pesquisador. “Posteriormente, geramos o resultado e disponibilizamos para o produtor”, finaliza.

No Polo, experimentos similares são feitos também com variedades de milho de interesse para a região. Periodicamente, como forma de transferência de tecnologia, são realizados dias de campo para os produtores rurais conhecerem as cultivares disponíveis para cada cultura e embasarem suas escolhas na hora de produzir.

Fonte: Assessoria

Pesquisa realizará testes rápidos de Covid-19 em 133 municípios brasileiros

apqc1Nos próximos dias 28 e 29 de maio e 11 e 12 de junho, entrevistadores da pesquisa “Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19 no Brasil: Estudo de Base Populacional” estarão novamente em campo entrevistando e testando cerca de 33 mil em 133 municípios.

Essa será a segunda etapa da pesquisa que teve início no último dia 17. Espera-se que até dia 12 de junho, quando inicia a terceira e última etapa, seja possível testar mais de 100 mil pessoas. O estudo é financiado pelo Ministério da Saúde, coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), do Rio Grande do Sul, e executado pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope).

O objetivo é avaliar, por meio de testes rápidos, a evolução da infecção da COVID-19 no Brasil, para que a partir disso novas informações possam ser descobertas sobre o vírus e uma nova estratégia de combate possa ser traçada.

A coleta de dados se dará no âmbito domiciliar. Em cada domicílio sorteado para a amostra, será anotada a lista de moradores, e um deles será sorteado para participar do inquérito. A cada nova etapa, a amostragem incluirá os mesmos setores censitários, mas domicílios diferentes daqueles incluídos nos inquéritos anteriores. No site do Ministério da Saúde é possível consultar a lista de municípios participantes da pesquisa.

Agressões contra as equipes

Em alguns municípios foram relatadas agressões contra o pessoal de campo da pesquisa, além de retenção dos equipamentos, insumos e amostras. A coordenação da Universidade Federal de Pelotas lamentou fortemente os incidentes e tem solicitado apoio das autoridades competentes dos municípios envolvidos. A ABRASCO, através de nota pública, também se posicionou sobre os fatos, declarando solidariedade aos pesquisadores.

Fonte: Núcleo de Comunicação Técnico-Científica do Instituto de Saúde

Com apoio dos institutos Butantan e Adolfo Lutz, governo do Estado de SP amplia testes de coronavírus à população

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O governo de São Paulo mudou os critérios e ampliou os protocolos para aplicação dos exames para os testes de coronavírus. Em Bauru, três laboratórios que fazem os exames devem ampliar de 100 para 500 a quantidade diária de análise de testes. Segundo protocolo adotado pelo Ministério da Saúde, os exames para diagnóstico da Covid-19 eram feitos apenas em casos graves da doença, mortes ou em profissionais da saúde.

A ampliação dos testes definida pelo estado, com distribuição de novos insumos, vai permitir que o coronavírus seja diagnosticado também em casos leves em pacientes com sintomas gripais e nos que fazem parte de outros grupos de risco. “A decisão de quem será testado é da equipe médica nas unidades de saúde, e os grupos de risco serão definidos pela Vigilância Epidemiológica. O tamanho da ampliação será definida pela rede de laboratórios e disponibilidade de insumos”, explica Virgínia Bodelão Pereira, diretora do Instituto Adolfo Lutz em Bauru.

Além do Adolfo Lutz local, em Bauru outros dois laboratórios estão credenciados para fazer os testes: o laboratório da Faculdade de Odontologia da USP e o Instituto Lauro de Souza Lima. Juntos, os três laboratórios analisam os exames de 38 municípios da região que concentra uma população estimada em 1 milhão de habitantes. A expectativa de que a capacidade diária chegue a 500 exames é das três instituições.

Segundo o Instituto Butantan, que administra os 50 laboratórios credenciados para fazer exames no estado, a capacidade do sistema deve ser ampliada de 5 mil para 8 mil testes. A testagem é considerada um procedimento fundamental para que os municípios adotem estratégias de combate à doença.

Clique aqui para ver a reportagem.

Com informações do G1 de Bauru.