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Pesquisa do Instituto Florestal mostra que florestas bem conservadas aceleram regeneração de áreas vizinhas

FOTO: CLAUDIO DE MOURA

Pesquisa publicada na Revista do Instituto Florestal realizou levantamento da flora de um trecho de Mata Atlântica com histórico de uso agrícola em Peruíbe, na região da Baixada Santista. A área estudada fica no entorno imediato da Estação Ecológica Juréia-Itatins (EEJI). No fragmento, com mais de 30 anos de regeneração natural, foi registrada elevada riqueza de espécies, sendo quatro ameaçadas de extinção. Os resultados deste trabalho mostram como florestas bem conservadas, como as desta Unidade de Conservação, aceleraram o processo de recuperação de áreas vizinhas.

O litoral de São Paulo e a região do Vale do Ribeira são de extrema importância para a conservação da natureza, devido à sua elevada biodiversidade. A Mata Atlântica é um dos biomas brasileiros com maiores taxas de desmatamento e situa-se em um dos ambientes mais ameaçados do planeta, devido à ocupação de seu território. A Estação Ecológica Juréia-Itatins é um dos trechos melhor protegidos e preservados do Brasil. Sua flora é bastante diversificada, com grande número de espécies raras e endêmicas, característica que faz o bioma ser considerado uma das oito áreas mais importantes para a conservação da biodiversidade mundial.

Com o objetivo de discutir a regeneração natural de áreas com o histórico de uso agrícola, os pesquisadores científicos Claudio de Moura, do Instituto Florestal, e Waldir Mantovani, do Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo, realizaram a caracterização da flora de um trecho de floresta limítrofe à EEJI. O fragmento estudado teve cultivo de banana até o ano de 1983, quando a atividade foi interrompida, o que favoreceu a formação de uma floresta secundária (com 33 anos na época da realização do estudo, em 2016).

Mas para compreender o que é uma floresta secundária, primeiro é preciso entender o processo sucessional. Em qualquer terreno não ocupado por vegetação, se estabelece uma condição de vazio ecológico. Essa disponibilidade faz surgirem plantas para colonizarem esse espaço. Ao longo do tempo, as espécies vão se substituindo, cada uma alterando o ambiente para a espécie seguinte. A esse processo, em que ocorre a mudança da vegetação em uma mesma área, é dado o nome de sucessão.

Quando o processo de sucessão começa com uma “comunidade vazia”, é denominado de sucessão primária, pois leva à formação e colonização da vegetação sobre um solo recém-formado. Quando há uma vegetação estabelecida, e ela é totalmente removida por ação humana para uso temporário, a recolonização das plantas somente irá ocorrer após a interrupção daquele uso. Esse processo de reocupação da comunidade de plantas em um local em que elas já habitavam é denominado de sucessão secundária. A área deste estudo se enquadra neste caso, sendo portanto uma floresta secundária.

Dentro de um total de apenas 0,125 hectare foram registrados 956 indivíduos vivos, de 56 famílias botânicas, 91 gêneros e 172 espécies, das quais 13 foram identificadas no nível de família, 21 de gênero e oito plantas não foram identificadas por dificuldade de coleta de material. A área apresentou elevada riqueza de espécies e densidade de indivíduos. Foram registradas quatro espécies ameaçadas de extinção, sendo três a níveis estadual e nacional: a palmeira-juçara (Euterpe Edulis), a bicuíba (Virola bicuhyba) e a batinga orelha de burro (Myrcia isaiana); e a nível global uma espécie de canela (Nectandra psammophila).

O registro destas quatro espécies ameaçadas de extinção mostra a importância das florestas secundárias para a proteção de espécies ameaçadas de extinção e para a conservação biológica. A proteção destas florestas é fundamental sobretudo em regiões com florestas maduras e bem conservadas como as da Juréia, que fornecem material biológico possibilitando que as florestas secundárias remanescentes alcancem a maturidade a longo prazo.

Em comparação com outras áreas de vegetação secundária com 33 anos de idade, os pesquisadores observaram no fragmento estudado um padrão mais desenvolvido de regeneração natural. Segundo eles, o principal fator desta diferença está relacionado com a proximidade a remanescentes florestais bem conservados e isolamento de perturbações externas como gado, roçadas e fogo.

O artigo científico desta pesquisa foi publicado no volume 32, número 1, da Revista do Instituto Florestal. Leia aqui

Fonte: Instituto Florestal

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