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Pesquisa revela potencial da Floresta Estadual de Pederneiras para atividades de uso público

aif

Estudo publicado na revista IF Série Registros revela o potencial da Floresta Estadual de Pederneiras (FEP) para a realização de atividades de Uso Público. A pesquisa propõe a implantação de trilhas interpretativas de média e de longa distância na Unidade de Conservação (UC) passando por atrativos cênicos e áreas adequadas para atividades educativas e recreativas. No levantamento, são identificadas edificações que podem ser utilizadas para a implementação de estruturas físicas de atendimento ao público, como centro de visitantes e hospedaria.

O trabalho foi desenvolvido com o objetivo de avaliar o potencial da FEP para a implantação de um Programa de Uso Público. Para isso, os pesquisadores envolvidos realizaram diversas visitar à área entre 2016 e 1017 e analisaram sua infraestrutura e seus atrativos. Também percorreram trilhas e elaboraram traçados demarcados com GPS.

A relevância ecológica e paisagística da Floresta de Pederneiras

A Floresta Estadual de Pederneiras é uma UC de Uso Sustentável com cerca de 2 mil hectares. Seu bioma natural é Mata Atlântica em região de transição com o Cerrado, apresentando vegetação exótica de pinus e eucalipto e cerca de 800 hectares de vegetação nativa. No artigo é mencionado que o município de Pederneiras possui apenas 4,71 % de sua área com vegetação natural e 3,3 % de reflorestamentos, o que mostra a grande importância da unidade para a proteção da biodiversidade da região. Além disso, a Floresta pode ser uma fonte para obtenção de sementes e produção de mudas nativas para a recuperação da cobertura florestal.

A Floresta Estadual de Pederneiras possui diversos atrativos para a visitação, como corpos d’água, cachoeira, represa e vegetação nativa (que pode ser ampliada por meio da substituição de parte da vegetação exótica). Quatro pequenos riachos nascem no interior da Unidade e formam o córrego dos Carajás. Dois deles estão totalmente inseridos na UC.

O estudo serviu também para subsidiar o Plano de Manejo da UC, publicado em 2018. De acordo com o documento, a FEP abriga diversas espécies ameaçadas: árvores como o ipê-felpudo, o jacarandá-paulista, a canela-preta, e cedro-rosa, além do arbusto Mostuea muricata. Este último merece destaque. Presente em todos os trechos de vegetação nativa da unidade é endêmico do Brasil e foi descrito há apenas 15 anos para o interior paulista. A população presente na FEP é a sexta população registrada para a espécie e a segunda em Unidade de Conservação. Dentre as espécies animais, temos o gato-do-mato-pequeno, a jaguatirica e a onça-parda, todas consideradas ameaçadas de extinção. Já os lagartos papa-vento e lagarto-do-rabo-azul são considerados ameaçados de extinção no estado de São Paulo.

Trilhas interpretativas como instrumentos de sensibilização

Uma das principais propostas foi a de implantação de duas trilhas de interpretação, uma de média e outra de longa distância (2 e 4 quilômetros). Os traçados dessas trilhas contemplam áreas planas e passam por atrativos cênicos e plantios de espécies exóticas e trechos de vegetação nativa, adequados para atividades educativas ou recreativas.

Caminhada por trilhas em áreas naturais é uma modalidade de ecoturismo, uma das formas sustentáveis do turismo, que pode contribuir com a conservação da biodiversidade e promover melhorias na qualidade de vida das comunidades do entorno. Trata-se de um investimento de longo prazo em conservação e educação.

As trilhas interpretativas auxiliam a assimilação do conhecimento sobre as relações que ocorrem na natureza e sensibilizam os visitantes acerca da importância das áreas e dos recursos naturais. O processo de interpretação ambiental é um importante recurso de interação do público visitante com o meio natural, representando uma importante ferramenta de sensibilização e de construção de conhecimentos para os visitantes, podendo também proporcionar atividades lúdicas e recreativas.

Uma trilha é considerada interpretativa quando seus atributos são traduzidos para o visitante através de guias especializados, folhetos ou painéis. A trilha guiada é aquela realizada com acompanhamento de um guia tecnicamente capacitado para estabelecer um bom canal de comunicação entre o ambiente e o visitante. Já a trilha autoguiada permite o contato do visitante e o meio ambiente sem a presença de um guia. Recursos visuais como painéis e placas, orientam a caminhada com informações de direção, distância, elementos a serem destacados e os temas desenvolvidos.

Legado do mestre das trilhas

O artigo publicado na IF Série Registros é o último trabalho do pesquisador científico do IF Waldir Joel de Andrade, falecido em 2017. Waldir destacou-se por seu pioneirismo na implantação de sistemas de trilhas nas UCs do estado de São Paulo e tornou-se um profissional de referência no Brasil no assunto.

Para a implementação de uma trilha é necessário um amplo conhecimento do local onde se pretende implanta-la, para que ela possa alcançar seus objetivos com maior plenitude e causar o mínimo de impacto. Por isso, deve-se levar em consideração diversos fatores ambientais, como solo, vegetação, fauna e recursos hídricos e definir, ainda na fase de planejamento, qual será o objetivo da trilha, os elementos de interpretação, assim como o público alvo.

Em 2017, Waldir recebeu a medalha Alba Lavras, condecoração dada pela Associação de Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo àqueles que tenham se destacado em favor da ciência.

Se apropriar do espaço para proteger

Em relação aos impactos a serem mitigados na unidade, foram identificados fatores relacionados à ocupação humana, como rodovias e ferrovia que atravessam a área, aterro sanitário contíguo à UC, deposição irregular e ilegal de resíduos sólidos em abundância, utilização de área na zona de amortecimento para criação de animais domésticos, entre outros.

Os Programas de Uso Público são os cartões de visita das Áreas Protegidas. A visitação sensibiliza as pessoas sobre a importância da conservação da biodiversidade e podem constituir-se em vetor de desenvolvimento local e regional. A estruturação da Floresta Estadual de Pederneiras para atividades de Uso Público pode auxiliar na criação de um vínculo do visitante com a unidade. O Ecoturismo ajuda a educar o público com relação a questões de conservação e cria um elo natural entre negócios e conservação, na defesa por um melhor manejo de áreas protegidas. Além disso, é importante que a população esteja envolvida em um projeto educativo com vistas à sensibilização da importância da conservação da biodiversidade. E os trabalhos de educação ambiental são estratégicos para integrar a comunidade no processo de proteção dos patrimônios natural e histórico-cultural abrigados pela Floresta Estadual de Pederneiras.

As belezas e peculiaridades da Floresta Estadual de Pederneiras em conferência online

Em 14 de maio deste ano, a pesquisadora científica Maria Teresa Zugliani Toniato e o gestor da unidade José Arimateia Rebelo Machado apresentaram a Floresta Estadual de Pederneiras em videoconferência realizada pelo Instituto Florestal. Foram apresentados dados técnicos, científicos e históricos sobre a UC. Confira no vídeo abaixo:

O artigo “Avaliação do potencial para Uso Público na Floresta Estadual de Pederneiras, Estado de São Paulo, Brasil” foi publicado na revista IF Serie Registros nº 57, de dezembro de 2019. São autores do trabalho Waldir Joel de Andrade, Marilda Rapp Eston, Maria Teresa Zugliani Toniato, Marina Mistue Kanashiro, Sueli Herculiani, Rosângela Célia de Oliveira, Fernando Descio.

Acesse aqui o artigo

Imagem: Acervo Instituto Florestal / Fonte: Assessoria de Imprensa do IF

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