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Secretaria de Agricultura coordena pesquisa que busca fomentar a conexão de fragmentos da Mata Atlântica no Vale do Paraíba

De 3 a 7 de fevereiro, a APTA ministrou a pesquisadores o “Curso de capacitação de modelagem matemática com base fisiológica para predição de crescimento vegetal”, em Pindorama, interior paulista. O evento reuniu profissionais que possuem interesse na área e já têm conhecimento em estatística e fisiologia vegetal a utilizar os modelos matemáticos 3-PG e YieldSafe em projeto de pesquisa coordenado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

O projeto busca fomentar a conexão de fragmentos da Mata Atlântica na região do Vale do Paraíba. O objetivo é utilizar técnicas de agricultura sustentável, como o sistema agroflorestal, para promover serviços ecossistêmicos e gerar sustentabilidade econômica para os produtores rurais. Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e com participação de diversas instituições do Brasil e do exterior, a pesquisa utilizará modelos matemáticos para calcular o crescimento das árvores nativas endêmicas plantadas e das culturas usadas no sistema de produção para medir o carbono sequestrado.

De acordo com Maria Teresa Vilela Nogueira Abdo, pesquisadora da APTA e coordenadora do projeto “Avalição de crescimento e produção de espécies florestais nativas e culturas usando os modelos 3-PG e YieldSafe”, a ligação entre os fragmentos desmatados da floresta é fundamental para o abrigo de fauna, proteção do solo e das nascentes e preservação da biodiversidade. “Nem sempre é possível fazer a conexão de matas isoladas apenas com o reflorestamento. A agricultura pode ser uma grande aliada. A implantação de sistemas agroflorestais, em que espécies de árvores nativas são plantadas em conjunto com culturas agrícolas, é um exemplo bem sucedido, além da recuperação de pastagens com arborização”, afirma.

No Vale do Paraíba já existe um movimento de fomento aos sistemas agroflorestais, inclusive apoiado pelo Polo Regional de Pindamonhangaba da APTA. Segundo Maria Teresa, os pesquisadores do projeto e esses agricultores já têm realizado reuniões para implantação e monitoramento. Novas áreas devem começar a ser monitoradas ainda no primeiro semestre de 2020. “O sistema agroflorestal permite inserir as árvores nativas ao mesmo tempo em que os agricultores podem tirar rendimento do local. A preservação tem que estar atrelada à sustentabilidade econômica da propriedade. Não basta apenas a preservação e fomento dos serviços ecossistêmicos. Temos que pensar em formas de aliar isso à renda do produtor rural”, afirma Maria Teresa.

O projeto coordenado pela APTA e pela Coordenadoria de Fiscalização da Biodiversidade (CFB), da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, conta com a participação de pesquisadores do Instituto Superior de Agronomia (ISA), da Universidade de Lisboa; Universidade Estadual Paulista (UNESP); Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT); Instituto Florestal (IF); e das unidades regionais da APTA em Pindorama e Pindamonhangaba, além do Instituto Agronômico (IAC-APTA) e da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS). A pesquisa está dentro do edital da FAPESP e da Global Environmental Facility (GEF). O edital para a recuperação e proteção dos serviços ecossistêmicos relacionados ao clima e à biodiversidade no corredor sudeste da Mata Atlântica do Brasil está inserido no programa Conexão Mata Atlântica, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Modelagem matemática

A pesquisadora da APTA explica que os modelos matemáticos que serão usados na pesquisa verificam a quantidade de carbono sequestrado a partir de informações fisiológicas da planta e também de clima e de solo. “Eles são bastante importantes e podem ser usados para medir, dentre outros dados, o sequestro de carbono em árvores comerciais, como o eucalipto, mas ainda são pouco usados para árvores tropicais, como ocorre no Brasil. Esse banco de dados que vamos gerar poderá também auxiliar pesquisas em outros biomas brasileiros, já que as informações de algumas árvores nativas já estarão nele, sendo necessária apenas a inserção de dados de clima e solo das regiões a serem estudadas”, diz a pesquisadora da APTA.

A expectativa é que o “Curso de capacitação de modelagem matemática com base fisiológica para predição de crescimento vegetal” dê start à parte prática do estudo. O evento contou com 30 participantes, entre pesquisadores, técnicos e docentes e teve palestras proferidas por Margarida Tomé, da Universidade de Lisboa, Glauco S. Rolim, da UNESP, e Miguel Freitas, do Instituto Florestal.

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