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Pesquisadores promovem “abraço simbólico” ao Jardim Botânico para protestar contra concessão da área

abraco

Pesquisadores do Instituto de Botânica (IBot) e do Zoológico de São Paulo, ao lado de moradores do bairro da Água Funda, na região sudeste paulistana, representados pela Associação de Moradores e Amigos da Água Funda (AMAAF), realizaram, na tarde de ontem, um abraço simbólico ao Jardim Botânico e ao instituto. A ação teve como objetivo mostrar à sociedade a preocupação quanto à concessão da área à iniciativa privada, anunciada recentemente pelo governo do Estado. Segundo os organizadores, cerca de 150 pessoas participaram do ato.

Para a presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), Dra. Cleusa M. Lucon, entregar o Jardim Botânico à iniciativa privada poderá resultar em problemas ambientais e interromper pesquisas que estão em andamento. “Como o Instituto de Botânica está situado dentro do Jardim Botânico, há o receio de que a privatização possa atingir as pesquisas, inclusive em sua autonomia. É preciso esclarecer a população e mostrar que investir em pesquisa gera sim retorno financeiro ao Estado, ao contrário do que prega o senso comum”, disse.

Entre as preocupações manifestadas pelos pesquisadores e moradores do entorno estão a perspectiva de aumento dos preços da bilheteria do Jardim Botânico (o que dificultaria ou inviabilizaria o acesso de grande parte da população e dos estudantes da rede pública de ensino) e a provável ingerência da concessionária sobre o patrimônio público e o Instituto, cujos laboratórios e coleções estão situados dentro da área que será concedida.
Um funcionário do IBot, que participou do abraço simbólico e pediu para não ser identificado, desabafou: “Após várias reuniões e mediante nossas solicitações, o governo insiste em manter a área do Instituto dentro da área a ser privatizada e se recusa a garantir, no projeto de lei (PL), a autonomia administrativa do mesmo”. Ele ressaltou ainda que o discurso do governo é de que a empresa “ficará responsável pela manutenção dos prédios da área”, mas lembrou o caso da concessão do parque onde funciona o Centro Expo SP, em que o prédio público que ficou sob responsabilidade da concessionária “está em situação de abandono e se deteriorando rapidamente”.

Ainda segundo este funcionário, os pesquisadores não foram consultados pelo governo sobre o teor da redação do PL. “Ficamos sabendo da concessão pela imprensa, depois que o projeto já estava na Assembleia Legislativa”. Em suas palavras, “nos preocupa essa transferência das atribuições do Instituto, que tem 80 anos de pesquisa à serviço do povo paulista, para uma empresa privada. Principalmente em um cenário como o atual, onde o corpo de pesquisadores está reduzido à metade dos cargos e poderá ser reduzido a um quarto do seu quadro funcional em cinco anos por aposentadoria dos funcionários”. Ele lembrou que o governo “não apresenta nenhuma perspectiva de recomposição dos quadros, o que pode levar a médio prazo à incapacidade do Instituto de cumprir as suas funções”.

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