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Pesquisador do IB comenta o crescimento do controle biológico na agricultura brasileira

José Eduardo

Desde 2018 que o registro de agrotóxicos no Brasil tem crescido em ritmo alarmante. Este ano mais de 130 produtos receberam permissão do governo federal para serem comercializados em todo o território nacional. Somente em março, 35 novos agrotóxicos foram liberados pelo Ato nº 17 do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas e já podem ser aplicados na agricultura brasileira. O que mais preocupa especialistas é que, entre os novos produtos, muitos são considerados “extremamente tóxicos” à saúde humana.

Por outro lado, na contramão desta tendência, também tem crescido gradativamente o uso do controle biológico no Brasil. O próprio Ministério da Agricultura divulgou que de 2010 para cá houve um aumento de 652%. Basicamente, o controle biológico é uma técnica que utiliza meios naturais, notadamente outros organismos vivos, criada para diminuir a população de organismos considerados pragas nas lavouras. Por prescindir do uso de produtos químicos, o controle biológico está em sintonia com a crescente demanda da população por alimentos livres de agrotóxicos.

Para o pesquisador científico Dr. José Eduardo Marcondes de Almeida, diretor da ULR de Controle Biológico do Instituto Biológico (IB), além da procura por uma alimentação mais saudável, o principal fator que alavanca o uso do controle biológico na agricultura é a sua eficácia. “Havia uma ideia errada, de que o controle biológico de pragas não era tão eficiente e que somente pequenos produtores faziam uso desse recurso. Hoje temos grandes plantações de cana, soja, milho e feijão recorrendo a esta técnica e obtendo ótimos resultados”, diz.

Ele cita que, bem antes do lançamento do Programa de Transferência de Tecnologia e Inovação do Controle Biológico — o PROBIO —, acontecido em 2017, o Instituto Biológico já realizava pesquisas nesta área, visando contribuir no combate às pragas. No ano 2000, o surgimento da chamada “cigarrinha da raiz da cana” obrigou o IB a desenvolver um fungo específico que praticamente eliminou o problema não só no Estado de São Paulo, mas em várias regiões do Nordeste e do Centro-Oeste brasileiro. “Atualmente, o fungo desenvolvido pelo IB é aplicado em mais de 1 milhão de hectares no Brasil”, revela.

Porém, a vasta extensão territorial do país acaba sendo um dos empecilhos para que a cultura do controle biológico ganhe mais espaço e se aproxime dos números da Europa (no continente europeu, os defensivos biológicos respondem por 30% do mercado; na América Latina apenas 13%). Nas palavras do Dr. José Eduardo, o Brasil possui pouco mais de 60 biofábricas produzindo inimigos naturais para uso no campo, mas ainda não é o suficiente. “Elas (as empresas) não conseguem produzir em quantidade necessária para cobrir nossos mais de 70 milhões de hectares. É um trabalho a longo prazo. Temos de mudar a cultura do agrotóxico, mas de nada adiantará se não tivermos estrutura para dar conta da imensa demanda da agricultura nacional”, explica o pesquisador.

O Instituto Biológico, ainda conforme o pesquisador, faz a sua parte prestando assistência técnica às empresas e fornecendo cursos de produção de fungos para fins de controle biológico nas lavouras. “Por ano, uma média de 40 pessoas passa pela nossa formação. A ideia é que mais e mais empresas do ramo sejam abertas e passem a atuar junto à agricultura brasileira”.

Num cenário futurista (e otimista), Dr. José Eduardo acredita que até 2050 o Brasil poderá ter 30% de sua produção agrícola baseada na cultura do controle biológico, em detrimento do agrotóxico. “Parece pouco, mas será uma vitória se atingirmos essa meta. Acredito que chegaremos lá, pois esta é uma demanda social em permanente crescimento. Mas para isso é preciso que o Estado amplie o investimento em pesquisa, pois novas pragas e doenças surgem todo ano e precisamos estar preparados para combatê-las”.

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