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Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia ingressa na era da medicina personalizada

O Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, que atende diariamente cerca de 2 mil portadores de doenças cardíacas em consultas, exames e cirurgias, inaugurou em dezembro a plataforma Dante Digital, o que permitirá iniciar procedimentos de medicina personalizada.

O primeiro passo foi a criação de um biobanco integrado ao laboratório biomolecular para realização de análises genéticas de amostras a partir do sangue coletado de pacientes. “A genômica é uma ferramenta importante no tratamento de doenças cardíacas e irá subsidiar a clínica médica”, salienta Fausto Feres, diretor do Instituto, à Agência Fapesp.

O segundo passo foi implantar o prontuário digital, com informações de todos os setores envolvidos no atendimento ao paciente, integrado a um sistema baseado em inteligência artificial para a análise desse conjunto de informações – incluindo os dados obtidos da análise genética –, para dar suporte à customização dos diagnósticos. “A possibilidade de fazer clínica médica utilizando big data é resultado do apoio da Fapesp”, afirma Carlos Gun, diretor de Ensino e Pesquisa do Instituto, à Agência Fapesp.

O Dante Digital começou a ser concebido em abril de 2018, quando o Instituto, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde, teve aprovado projeto submetido ao edital do Programa de Modernização de Institutos Estaduais de Pesquisa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). No âmbito desse programa, a Fundação destinou um total de R$ 120 milhões para a modernização da infraestrutura de pesquisa e capacitação de pessoal para 12 instituições de pesquisa paulistas.

Bioengenharia e inovação

“A ideia inicial era estruturar o banco de dados. Mas o projeto avançou com a consultoria de Kleber Franchini”, conta Feres. Franchini é diretor do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.

A parceria com Franchini desdobrou-se num contrato com o CNPEM, firmado por intermédio da Secretaria da Saúde, que abriu ao Dante Pazzanese acesso também ao Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) e ao Laboratório Nacional do Luz Síncrotron (LNLS), que opera o Sirius.

Junto com os laboratórios de Campinas, o Dante Pazzanese está desenvolvendo o coaguchek, uma fita para o monitoramento da coagulação sanguínea – semelhante à que mede a glicemia – utilizada em pacientes que fazem uso de medicamentos anticoagulantes. “Os níveis de coagulação se alteram em função de alimentação ou do peso do paciente e precisam ser constantemente monitorados”, explica Feres.

Diariamente, 700 pacientes do Instituto precisam desse acompanhamento. “Cada fita comprada no mercado custa R$ 16. E o SUS não cobre este gasto; paga um outro tipo de exame que leva, em média, oito horas. Com o uso da fita, o resultado sai em 15 minutos”, compara Feres. O coaguchek permitirá que todos os pacientes utilizem a fita, sem impacto de custo para o Instituto.

Inovação

O Instituto Dante Pazzanese já tem implantado um Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) para dar suporte às iniciativas de inovação. “Desenvolvíamos alguns equipamentos para uso do hospital, como bolsas de assistência ao coração, desfibriladores, marcapassos internos, entre outros. Mas não tínhamos, até a constituição do NIT, uma cultura de desenvolvimento de produtos”, conta Gun.

Desde o início da pandemia da COVID-19, boa parte do material de intubação utilizado em pacientes é fabricada pela área de bioengenharia utilizando impressora 3D.

O ambiente de inovação foi reforçado com a constituição do Inova IDP, que pesquisa e desenvolve equipamentos para assistência circulatória, assistência artificial, entre outros equipamentos.

Qualificação de recursos humanos

O apoio da Fapesp inclui, ainda, bolsas de pós-doutorado, de treinamento técnico e de iniciação científica. Três bolsistas de pós-doutorado, por exemplo, estão envolvidos no projeto do coaguchek. Um deles, com formação na área de engenharia eletrônica, desenvolve o algoritmo que vai mensurar a coagulação e o circuito eletrônico para a medição da reação de coagulação, além de implementar as rotinas do software embarcado no equipamento.

Bolsistas de pós-doutorado também investigam o uso de proteínas recombinantes em modelos em culturas celulares e analisam informações genéticas de pacientes com o objetivo de desenvolver biofármacos ou aumentar a eficácia do tratamento com medicamentos já disponíveis. Projetos de pesquisa e estudos clínicos envolvem ainda várias bolsas de capacitação técnica e de iniciação científica.

“Somos um instituto de pesquisa com credibilidade. Desenvolvemos anualmente mais de cem protocolos médicos na área cardiovascular e estamos entre os 50 melhores hospitais nesta especialidade em todo o mundo”, diz Feres.

Criado em 1954, o Dante Pazzanese mantém programa de Residência Médica em cardiologia e cirurgia cardiovascular. “Temos, atualmente, 230 residentes”, conta o diretor do Instituto.

O espaço mantém, ainda, programas de formação em diversas áreas médicas e paramédicas. Esses programas foram reforçados, agora, com a conclusão do projeto de modernização da biblioteca, com 12 computadores, e a instalação de auditórios com recursos multimídia. “Isso nos permite oferecer cursos a distância sobre temas ligados à cardiologia e difundir conhecimento”, afirma Feres. Os cursos são semanais e têm, em média, 2 mil pessoas inscritas.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Pesquisa do Instituto Florestal mostra que florestas bem conservadas aceleram regeneração de áreas vizinhas

FOTO: CLAUDIO DE MOURA

Pesquisa publicada na Revista do Instituto Florestal realizou levantamento da flora de um trecho de Mata Atlântica com histórico de uso agrícola em Peruíbe, na região da Baixada Santista. A área estudada fica no entorno imediato da Estação Ecológica Juréia-Itatins (EEJI). No fragmento, com mais de 30 anos de regeneração natural, foi registrada elevada riqueza de espécies, sendo quatro ameaçadas de extinção. Os resultados deste trabalho mostram como florestas bem conservadas, como as desta Unidade de Conservação, aceleraram o processo de recuperação de áreas vizinhas.

O litoral de São Paulo e a região do Vale do Ribeira são de extrema importância para a conservação da natureza, devido à sua elevada biodiversidade. A Mata Atlântica é um dos biomas brasileiros com maiores taxas de desmatamento e situa-se em um dos ambientes mais ameaçados do planeta, devido à ocupação de seu território. A Estação Ecológica Juréia-Itatins é um dos trechos melhor protegidos e preservados do Brasil. Sua flora é bastante diversificada, com grande número de espécies raras e endêmicas, característica que faz o bioma ser considerado uma das oito áreas mais importantes para a conservação da biodiversidade mundial.

Com o objetivo de discutir a regeneração natural de áreas com o histórico de uso agrícola, os pesquisadores científicos Claudio de Moura, do Instituto Florestal, e Waldir Mantovani, do Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo, realizaram a caracterização da flora de um trecho de floresta limítrofe à EEJI. O fragmento estudado teve cultivo de banana até o ano de 1983, quando a atividade foi interrompida, o que favoreceu a formação de uma floresta secundária (com 33 anos na época da realização do estudo, em 2016).

Mas para compreender o que é uma floresta secundária, primeiro é preciso entender o processo sucessional. Em qualquer terreno não ocupado por vegetação, se estabelece uma condição de vazio ecológico. Essa disponibilidade faz surgirem plantas para colonizarem esse espaço. Ao longo do tempo, as espécies vão se substituindo, cada uma alterando o ambiente para a espécie seguinte. A esse processo, em que ocorre a mudança da vegetação em uma mesma área, é dado o nome de sucessão.

Quando o processo de sucessão começa com uma “comunidade vazia”, é denominado de sucessão primária, pois leva à formação e colonização da vegetação sobre um solo recém-formado. Quando há uma vegetação estabelecida, e ela é totalmente removida por ação humana para uso temporário, a recolonização das plantas somente irá ocorrer após a interrupção daquele uso. Esse processo de reocupação da comunidade de plantas em um local em que elas já habitavam é denominado de sucessão secundária. A área deste estudo se enquadra neste caso, sendo portanto uma floresta secundária.

Dentro de um total de apenas 0,125 hectare foram registrados 956 indivíduos vivos, de 56 famílias botânicas, 91 gêneros e 172 espécies, das quais 13 foram identificadas no nível de família, 21 de gênero e oito plantas não foram identificadas por dificuldade de coleta de material. A área apresentou elevada riqueza de espécies e densidade de indivíduos. Foram registradas quatro espécies ameaçadas de extinção, sendo três a níveis estadual e nacional: a palmeira-juçara (Euterpe Edulis), a bicuíba (Virola bicuhyba) e a batinga orelha de burro (Myrcia isaiana); e a nível global uma espécie de canela (Nectandra psammophila).

O registro destas quatro espécies ameaçadas de extinção mostra a importância das florestas secundárias para a proteção de espécies ameaçadas de extinção e para a conservação biológica. A proteção destas florestas é fundamental sobretudo em regiões com florestas maduras e bem conservadas como as da Juréia, que fornecem material biológico possibilitando que as florestas secundárias remanescentes alcancem a maturidade a longo prazo.

Em comparação com outras áreas de vegetação secundária com 33 anos de idade, os pesquisadores observaram no fragmento estudado um padrão mais desenvolvido de regeneração natural. Segundo eles, o principal fator desta diferença está relacionado com a proximidade a remanescentes florestais bem conservados e isolamento de perturbações externas como gado, roçadas e fogo.

O artigo científico desta pesquisa foi publicado no volume 32, número 1, da Revista do Instituto Florestal. Leia aqui

Fonte: Instituto Florestal

Vídeo mostra a importância do Ital no acesso e qualidade dos alimentos no Brasil

Em outubro do ano passado, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), em parceria com a Peripécia, produziu um vídeo que aborda a importância da alimentação na vida das pessoas e de que forma a pesquisa científica está presente na qualidade e distribuição dos alimentos à mesa dos brasileiros. “O que a Pesquisa Científica tem a ver com sua alimentação?” dá sequência a uma série de vídeos cujo objetivo é divulgar o trabalho dos pesquisadores e dos nossos institutos. No caso do vídeo abaixo, a APqC apresenta ao público o que faz o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Vale a pena ver de novo. Valorize a pesquisa pública e ajude a divulgar o nosso trabalho!

Instituto de Zootecnia pesquisa reuso de água na criação de suínos

A gestão inteligente do esgoto – com produções de água de reuso, fertilizante agrícola e biogás – assume papel relevante à saúde humana, à natureza e à economia produtiva. Visando minimizar os desperdícios e aproveitar ao máximo os recursos em uso, o Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, tem desenvolvido pesquisas para o reuso da água do sistema de criação de suínos.

Os trabalhos de Produção de Proteína Animal Integrada (PPAI) – conduzidos pela equipe do programa “Suíno Pata Verde”, com o sistema Flotub JLTec-IZ, que oferece tecnologia inédita e inovadora à suinocultura paulista -, envolvem a recuperação da água no sistema de produção de suínos. Os resultados apresentaram diminuição do desperdício de nutrientes da ração, redução da ingestão de água pelos animais e recuperação da água pelo tratamento dos efluentes da suinocultura.

Coordenadora do Programa, a pesquisadora Simone Raymundo de Oliveira explica que é necessário promover cada vez mais essa gestão inteligente do esgoto, já que alguns números apontam para a escassez de recursos hídricos.

Pelas projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil deverá atingir 260 milhões de habitantes em 2050 e isso poderá gerar disputas por melhores solos, alimentos, condições climáticas, insumos agropecuários e, principalmente, água potável. Estudo realizado pelo Banco Mundial e lançado em março de 2020 em Washington, nos Estados Unidos, demonstra a importância do tratamento de esgoto para a humanidade. Sabe-se que, no mundo, 80% das águas residuais são devolvidas ao meio ambiente sem tratamento adequado e 36% da população mundial vive em regiões com escassez de recursos hídricos.

A demanda por água no Brasil é crescente, com aumento estimado de aproximadamente 80% do total retirado nas últimas duas décadas. A previsão é de que ocorra um aumento de 24% na demanda até 2030, segundo estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) de 2019. O país utiliza, em média, a cada segundo, cerca de 2,5 milhões de litros. Em 2030, esse total deve superar a marca de três milhões de litros de água por segundo

“Nesse contexto, é imprescindível que os sistemas de produção agropecuários revejam, de imediato, seus manejos tecnológicos nos diferentes sistemas de produção animal relacionados à gestão do uso da água e dos resíduos produzidos”, destaca Simone.

Para a pesquisadora, embora as reduções na disponibilidade de recursos hídricos já estejam ocorrendo, a sociedade passará a exigir produtos oriundos de sistemas ambientalmente corretos. “As mudanças na escolha dos produtos pelos consumidores serão cada vez mais vinculadas ao consumo consciente”, destaca.

Esse comportamento levará a valorização dos sistemas produtivos que contemplem o menor uso de água na produção de alimentos, aliados aos tratamentos adequados dos efluentes e resíduos gerados.

Para Simone, na atual conjuntura mundial, há uma tendência irreversível para que se revejam os conceitos e concepções do sistema de produção de suínos, uma vez que realidades diferentes exigem atitudes diferentes. “Estamos falando em água de reuso, energia comburente (biogás) e biofertilizante para tornar o passivo ambiental em ativo financeiro. Vamos juntos mudar o atual cenário produtivo, tornando a produção de proteína animal integrada em uma geradora de outros coprodutos, além da proteína animal”, afirma.

Sistema Flotub JLTec-IZ

A pesquisa realizada no IZ com 80 suínos, machos castrados e fêmeas, com idade de 63 aos 150 dias, e peso vivo médio de 25 kg na fase inicial e 110 kg na fase final, demonstrou que 28,11% da Proteína Bruta (PB) e 41,32% do Extrato Etéreo (EE) consumidos foram excretados pelos animais nos dejetos. “Esta ineficiência alimentar desencadeia perdas consideráveis de água potável, além de desperdiçar alimento e recursos financeiros”, enfatiza Simone.

Aliados à técnica de manejo e melhoria da qualidade da dieta pela biodisponibilidade dos nutrientes, o sistema Flotub JLTEC-IZ recupera, no mínimo, 70% da água contida nos dejetos dos animais, que poderá ser reutilizada após sua desinfecção, na lavagem das instalações, por exemplo.

O funcionamento do sistema, segundo o engenheiro João Luciano da Silva, da JLTec, se dá em várias etapas. “A primeira consiste na retirada do material sólido do efluente, e a parte líquida vai para o biodigestor com permanência de no mínimo 30 dias. Nas etapas seguintes do processo, o material passa por digestão aeróbica, floculação e clarificação [retirada do lodo da fase líquida]. Por fim, a água de reuso que provém da clarificação do efluente, seguida de desinfecção e posterior avaliação microbiológica e físico-química, é armazenada para reuso”, detalha.

“As pesquisas necessitam sempre estar à frente para avançar no conhecimento para que haja a elucidação dos desafios e dos fatores que impactam negativamente o metabolismo animal [digestão, absorção e excreção]”, enfatiza Simone, coordenadora do Programa “Suíno Pata Verde”. “Estamos preparados para os desafios dentro desta linha de pesquisa inovadora e diferenciada que iniciamos”, destaca a equipe formada pelos pesquisadores e profissionais da área – Simone Raymundo de Oliveira e Fábio Prudêncio de Campos, do IZ, Júlio César de Carvalho Balieiro, da FMVZ/USP, Marcia Nalesso Costa Harder, da Fatec/Piracicaba, Valter Arthur, do Cena/USP, João Luciano da Silva, da JLTec, e Luciana Bueno, do Clinical Nutrition Science (CNS).

Consumo de água x produção de carne suína

Para compreender este estudo, Simone disse que foram adotados os cálculos da média global de consumo de água para a produção da carne suína da Water Footprint Network (WFN), a qual destaca que, do total do volume utilizado para produzir uma tonelada de carne suína, são necessários cerca de cinco mil litros provenientes da precipitação (para produção dos alimentos que compõem a ração); 480 litros são dos corpos hídricos; e para tratar os efluentes são gastos o volume de 600 litros de água.

Para a produção nacional de suínos, em 2019 foram produzidas 260,9 milhões de tonelada de ração para suínos. O Brasil neste período foi o terceiro maior produtor mundial de rações, sendo que as rações para suínos representaram 25% do total de ração produzida. Em 2019, segundo informações da Pesquisa Global de Rações 2020, tanto no mundo quanto no Brasil, o segundo maior volume de ração produzida foi a de suínos.

Sendo, assim, Simone salienta também que “há uma grande importância das pesquisas científicas sobre o aumento da eficiência alimentar em suínos, observando os dados da produção mundial de ração”.

Dados do IBGE 2020 retratam que, em 2019, foram abatidos 46 milhões de cabeças de suínos no Brasil. “Se considerarmos alguns cenários, um suíno consome em média 185 kg de ração dos 63 aos 147 dias de vida, e terá 28,74 kg de proteína bruta excretada nesse período”, destaca Simone.

De acordo com os resultados de pesquisa do Programa “Suíno Pata Verde” em função somente do número de cabeças abatidas em 2019, no Brasil, houve a excreção de 375 mil toneladas de proteína bruta e no Estado de São Paulo aproximadamente 22 mil toneladas de proteína bruta”, detalha Simone, sendo que do montante ingerido, o desperdício de alimentos para um suíno, dos 63 aos 147 dias de idade, gira em torno de 11,30 kg de farelo de soja e 38,54 kg de milho, valores estimados com base no teor de proteína bruta excretado.

Considerando o número de cabeças abatidas no Brasil e no estado de São Paulo em 2019, a ineficiência alimentar acarretou perdas de mais de 1,8 milhão de toneladas de milho e mais de 500 mil toneladas de farelo de soja no Brasil e, somente em São Paulo foram aproximadamente 104 mil toneladas de milho e 31 mil toneladas de farelo de soja.

Para produzir uma tonelada de soja (grão) e uma tonelada de milho (grão), segundo a Water Footprint Network (WFN), é necessário [pela média de produção anual mundial] o consumo de 2.201 metros cúbicos de água por tonelada de soja e 1.222 metros cúbicos por tonelada de milho.

Aliado a isto está a relação de água pelo consumo de ração pelos suínos, que na fase de crescimento e terminação é de três litros de água ingerida para cada quilograma de ração por animal. Pelo número de animais abatidos, em 2019, a ingestão de água no Brasil foi de mais de 25,7 bilhões de metros cúbicos e no Estado de São Paulo de 1,5 bilhão de metros cúbicos.

Simone explica que utilizando as informações dos dados de abate de suínos do Brasil e do estado de São Paulo, do ano de 2019, do IBGE, aliadas a uma estimativa de melhoria da eficiência alimentar dos suínos em 15%, dos 63 aos 144 dias de idade, “a redução do desperdício será de 270 milhões de toneladas de milho e 79 mil toneladas de farelo de soja”.

“No Brasil, seguindo informações da WFN [pegada hídrica], para redução anual do uso da água em relação a produção de soja, esses valores equivaleriam a mais de 570 milhões de metros cúbicos de água para a produção de cerca de 112 mil toneladas de soja grão. Já para o estado de São Paulo a redução anual do desperdício corresponderia a 88,5 mil toneladas de milho e 42 mil toneladas de soja (grão) ou 36 mil toneladas de farelo de soja o que equivaleria na redução de 33 milhões de metros cúbicos de água para a sua produção”, enfatiza Simone.

Com a melhoria da eficiência alimentar, numa granja em que se vende mil animais terminados, segundo Simone, o ganho “seria equivalente a 149 animais de retorno – menor custo de produção e aumento na margem de lucro”.

Há grande impacto gerado na recuperação de águas com os tratamentos de efluentes quando se considera o número de matrizes alojadas e suínos abatidos. Segundo o IBGE de 2020, com base em 2018 e o número de cabeças abatidas em 2019, foram abatidos aproximadamente 2,7 milhões no Estado de São Paulo e mais de 46 milhões, no Brasil.

Considerando a fase crescimento e terminação e o aumento da eficiência alimentar, aliada a recuperação de água, Simone disse que seria permitida a economia de 1,4 milhões de metros cúbicos de água no estado de São Paulo. “Além disso, geraria coprodutos, com alto potencial de comercialização, como os biofertilizantes que são resultantes desse sistema de tratamento de efluentes.”

Com a utilização dos dados já obtidos com o Sistema Flotub JLtec-IZ, considerando os dados do IBGE e a WFN, a produção de água de reuso, no Brasil corresponde a 19,7 milhões de metros cúbicos e no estado de São Paulo em torno de 1,150 milhão de metros cúbicos, “pois foram abatidos mais de 46 milhões de cabeças e utilizados 28 milhões de litros de água”.

“Enquanto, para o alojamento de cerca de cinco milhões de matrizes, a recuperação chegaria a mais de 183 milhões de metros cúbicos de água na produção nacional e mais de seis milhões de metros cúbicos de água de reuso na produção paulista”, detalha Simone.

“Do produtor à indústria, a cadeia produtiva de carne suína busca continuamente pela excelência produtiva com altos investimentos em genética, nutrição, manejo ambiental, qualificação de mão-de-obra, gestão da produção e bem-estar animal”, reforça Simone. “Sendo assim, é possível, com a continuidade das pesquisas, responder, por exemplo, quais os fatores que impossibilitam a utilização eficiente dos nutrientes da dieta para a produção de carne suína; por que tanto desperdício de nutrientes, uma vez que houve um avanço no potencial genético dos suínos; como melhorar a eficiência alimentar e aumentar a metabolização dos nutrientes da dieta e, consequentemente, a redução do consumo de ração e água na produção de suínos”, destaca.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Estado de SP bate recorde de cobertura vacinal de bovídeas

O estado de São Paulo registrou novo recorde anual de cobertura vacinal com 95,71% das fêmeas bovídeas (bovinas e bubalinas), com idade entre 3 a 8 meses, vacinadas contra a brucelose, superando o índice do ano anterior que foi de 95,27%. Os dados são do sistema informatizado Gestão de Defesa Animal e Vegetal (Gedave), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento vinculado à Coordenadoria de Defesa Agropecuária. Outra notícia importante é que mesmo na pandemia, o Instituto Biológico (IB-APTA), também da Secretaria, aumentou em 20% sua produção de imunobiológicos, antígenos usados para diagnóstico de brucelose e tuberculose em animais.

A vacinação contra a brucelose é obrigatória no Estado desde 2002 e é feita uma única vez na vida das fêmeas bovinas ou bubalinas, com idade entre 3 a 8 meses. A declaração junto ao sistema deve ser feita a cada semestre.

O índice de vacinação do segundo semestre de 2020, que inclui as fêmeas bovídeas vacinadas entre o mês de junho e novembro foi de 94,29%. Das 391.955 fêmeas bovinas com registro no sistema, 369.564 foram vacinadas e 22.391 bezerras deixaram de serem vacinadas. Os animais aptos a serem vacinados estavam distribuídos em 42.286 propriedades e destas, 38.152 (90,22%) declararam a vacinação.

“Mesmo diante da pandemia os índices de vacinação foram mantidos no Estado, pois os produtores rurais não deixaram de se preocupar com a sua criação e com as obrigatoriedades de proteção às doenças, principalmente com a brucelose, que é uma zoonose”, diz o médico-veterinário da Secretaria, Klaus Saldanha Hellwig, que junto à Defesa Agropecuária responde pelo Programa Estadual de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose (PECEBT).

Sobre as 22.391 bezerras que deixaram de receber a vacina até os 8 meses de idade, o veterinário explica que os proprietários precisam regularizar a situação junto ao serviço oficial de defesa agropecuária para poder movimentar normalmente seus animais. “O proprietário deve procurar um médico-veterinário de sua confiança para vacinar as fêmeas com mais de 8 meses de idade com a vacina RB-51 e fornecer o atestado de vacinação que deverá ser apresentando em uma unidade da Coordenadoria de Defesa Agropecuária”, diz Hellwig.

Por ser uma vacina viva, que pode infectar o manipulador a vacinação deve ser feita por um profissional médico-veterinário. A relação dos profissionais cadastrados para realizar a vacinação em diversos municípios do Estado de São Paulo está disponível no site da Coordenadoria em https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/credenciados/

IB aumenta em 20% produção de imunobiológicos

Mesmo em um momento difícil, de isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus, o Instituto Biológico continuou aumentando a produção e disponibilizando insumos estratégicos para o setor de produção dos agronegócios.

É o caso da produção de imunobiológicos, antígenos utilizados para diagnóstico de brucelose e tuberculose em animais. Em 2020, o Instituto Biológico produziu 5.484.430 doses de imunobiológicos, um aumento de 20% em relação a produção de 2019. O IB é a única instituição brasileira autorizada a produzir este insumo no Brasil.

“O recorde na vacinação de brucelose e no uso de antígenos para o diagnóstico de doenças importantes mostra que o produtor e o setor estão atentos e que não se descuidaram durante a pandemia”, afirma o médico-veterinário do IB, Ricardo Spacagna Jordão.

Ele explica que a diferença entre os imunobiológicos usados para diagnósticos e a vacina está em que para diagnóstico é usado um produto com bactéria morta e a vacina, no caso da brucelose, com bactéria viva.

O IB também trabalha para disponibilizar os frascos de imunobiológicos para diagnóstico da brucelose com prazo de validade maior, de 18 meses, seis meses a mais do que é encontrado hoje no mercado. “Com isso, atenderemos uma demanda importante para o setor de produção, que há bastante tempo nos pede um prazo maior de validade e frascos com menos doses para evitar desperdício”, explica. Em 2020, o IB disponibilizou os antígenos para diagnóstico de tuberculose com o dobro do prazo de validade usado até então.

O aumento na produção dos produtos e as melhorias da qualidade foram possíveis graças a investimentos no Laboratório de Imunobiológico do Instituto, localizado em São Paulo, Capital. “Nos últimos anos, tivemos grandes investimentos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) no Laboratório, o que permitiu melhorarmos o processo e disponibilizarmos melhores produtos para o setor”, diz Jordão.

Dados regionais de vacinação de brucelose em São Paulo

Na relação abaixo estão o quantitativo de fêmeas bovídeas com idade entre 3 a 8 meses existentes no segundo semestre de 2020; o número de animais vacinados; e o índice de imunização em cada regional de Defesa Agropecuária (EDA).

EDA de Andradina – 15.937 – 15.920 – 99,89 %
EDA de Araçatuba – 13.067 – 12.966 – 99,23 %
EDA de Araraquara – 5.172 – 4.917 – 95,07 %
EDA de Assis – 7.577 – 7.401 – 97,68 %
EDA de Avaré – 9.094 – 8.572 – 94,26 %
EDA de Barretos – 3.642 – 3.212 – 88,19 %
EDA de Bauru – 12.475 – 11.607 – 93,04 %
EDA de Botucatu – 11.092 – 9.953 – 89,73 %
EDA de Bragança Paulista – 9.118 – 7.341 – 80,51 %
EDA de Campinas – 5.178 – 4.194 – 81,00 %
EDA de Catanduva – 2.899 – 2.831 – 97,65 %
EDA de Dracena – 15.095 – 14.925 – 98,87 %
EDA de Fernandópolis – 8.269 – 8.259 – 99,88 %
EDA de Franca – 6.748 – 4.960 – 73,50 %
EDA de General Salgado – 14.945 – 14.649 – 98,02 %
EDA de Guaratinguetá – 14.117 – 14.108 – 99,94 %
EDA de Itapetininga – 11.623 – 10.569 – 90,93%
EDA de Itapeva – 8.634 – 6.964 – 80,66 %
EDA de Jaboticabal – 2.468 – 2.068 – 83,79 %
EDA de Jales – 15.525 – 15.459 – 99,57 %
EDA de Jaú – 4.023 – 3.849 – 95,67 %
EDA de Limeira – 5.162 – 5.062 – 98,06 %
EDA de Lins – 14.123 – 13.682 – 96,88 %
EDA de Marília – 15.875 – 15.784 – 99,43 %
EDA de Mogi das Cruzes – 984 – 792 – 80,49 %
EDA de Mogi-Mirim – 3.505 – 3.085 – 88,02 %
EDA de Orlândia – 2.466 – 1.950 – 79,08 %
EDA de Ourinhos – 10.539 – 10.380 – 98,49 %
EDA de Pindamonhangaba – 16.390 – 15.376 – 93,81 %
EDA de Piracicaba – 6.450 – 6.008 – 93,15 %
EDA de Presidente Prudente – 27.954 – 25.861 – 92,51 %
EDA de Presidente Venceslau – 30.249 – 28.982 – 95,81 %
EDA de Registro – 4.911 – 4.585 – 93,36 %
EDA de Ribeirão Preto – 3.850 – 3.450 – 89,61 %
EDA de São João da Boa Vista – 11.811 – 11.653 – 98,66 %
EDA de São José do Rio Preto – 13.112 – 11.681 – 89,09 %
EDA de São Paulo – 191 – 165 – 86,39 %
EDA de Sorocaba – 6.505 – 5.542 – 85,20 %
EDA de Tupã – 13.148 – 12.772 – 97,14 %
EDA de Votuporanga – 8.032 – 8.030 – 99,98 %
TOTAL DO ESTADO – 391.955 – 369.564 – 94,29 %

Brucelose – É uma zoonose (doença que acomete os animais e o homem) infecto-contagiosa causada pela bactéria Brucella abortus. Nos bovinos pode causar aborto; nascimento de bezerros fracos; retenção de placenta; repetição de cio e descargas uterinas com grande eliminação da bactéria, além de inflamação nos testículos.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Pesquisadores lançam obra sobre Cinturão Verde de SP

Pesquisadores e extensionistas da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo participam como autores da obra “Serviços ecossistêmicos e bem-estar humano na reserva da biosfera do Cinturão Verde da cidade de São Paulo”, editada pelo Instituto Florestal, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente.

Ao todo, 75 autores de 35 instituições participaram da obra, composta por mais de 600 páginas. Entre os colaboradores, estão pesquisadores do Instituto de Pesca (IP-APTA) e do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), além de técnicos da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS).

De acordo com seus organizadores, a obra é uma importante ferramenta para a tomada de decisão sobre o meio ambiente nas três esferas do poder público do Brasil e para as ações que impactam diretamente o planejamento e o ordenamento territorial de uma das maiores metrópoles mundiais.

Para Luciana Menezes, pesquisadora do IP, a publicação é um documento de referência, resultado do trabalho integrado de cientistas e será importante para produtores rurais e para o público em geral.

“O objetivo é levar ao conhecimento público os serviços ecossistêmicos que, no âmbito da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo (RBCV), precisam ser protegidos e aqueles que devem ser recuperados. As Reservas da Biosfera são áreas que compreendem ecossistemas terrestres, marinhos e costeiros, onde deve-se promover soluções que conciliam a conservação da biodiversidade com seu uso sustentável”, explica.

“Essa obra é de fundamental importância, pois destaca as comunidades indígenas, de agricultores familiares e pescadores artesanais com suas práticas assessoradas pelos serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) da CDRS, com apoio da pesquisa científica e da Fundação Nacional do Índio (Funai), as quais estão em consonância com as exigências ambientais e de construção de uma economia solidária”, diz o extensionista Newton Rodrigues, da CDRS Regional São Paulo, que tem vários trabalhos nesta área, inclusive publicados no exterior.

Cinturão verde

Segundo a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e sua área envoltória foi declarada como Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo (RBCV) pela UNESCO em 1994. O espaço foi estabelecido como avaliação subglobal pela Avaliação Ecossistêmica do Milênio (AEM). Solicitada em 2000 pelo Secretário Geral da ONU, Kofi Annan, a AEM configurou-se em um programa intergovernamental pioneiro para o desenvolvimento de uma síntese sobre os serviços dos ecossistemas e o conhecimento sobre a biodiversidade.

O estabelecimento de uma avaliação ecossistêmica no Cinturão Verde se deu com o objetivo de destacar a relevância dos benefícios da Reserva para a macrometrópole paulista, em uma área que abrange 78 municípios. Seus habitantes, que representam 55% da população do estado, dependem diretamente desses ecossistemas e de seus serviços para o seu bem-estar. O Cinturão Verde de São Paulo é responsável principalmente por fornecer alimento, água e amenização climática para mais de 25 milhões de habitantes que vivem na área abrangida pela RBCV.

Clique aqui para ter acesso ao livro em pdf.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Instituto de Pesca desenvolve pesquisa inédita com trutas

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo desenvolve pesquisa inédita com trutas arco-íris de coloração azul e amarela. Os estudos são conduzidos na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Campos do Jordão, do Instituto de Pesca (IP-APTA), única unidade de pesquisa do país exclusivamente dedicada a salmonídeos, ou seja, truta e salmão. Além de serem muito apreciadas na pesca esportiva e gastronomia, essas variantes de coloração apresentam potencial uso em pesquisas cientificas. Confira abaixo vídeo e podcast sobre o assunto.

De acordo com Yara Aiko Tabata, pesquisadora aposentada do Instituto de Pesca, as trutas azuis cobalto e amarelas foram isoladas por meio de acasalamentos controlados e caracterizadas geneticamente quanto ao caráter de dominância ou recessividade do padrão de cor. A pesquisadora explica que as trutas arco-íris, normalmente, possuem coloração parda com pintas pretas. A variação de cor ocorre por conta de mutações espontâneas.

Segundo a pesquisadora do IP, Neuza Takahashi, a truta azul possui o dorso azulado e as laterais do corpo prateadas, o que corresponde a fase marinha dos salmonídeos migradores. “Elas são preferidas por muitos mercados consumidores do mundo, particularmente o japonês”. A pesquisadora comenta ainda que ambas as linhagens foram selecionadas a partir de variantes da truta surgidas naturalmente, sem nenhuma técnica de manipulação gênica, sendo, por isso, um produto de origem totalmente natural.

Um dos benefícios decorrentes da variação da pigmentação é a utilização dessas trutas como indicador da condição triploide em lotes produzidos na UPD de Campos do Jordão e, por isso, há um interesse do Instituto de Pesca e da Secretaria de Agricultura na manutenção dessas linhagens. “A triploidização causa a esterilidade em trutas e, consequentemente, promove o aumento da produtividade e a melhoria da qualidade da carne pela supressão das características associadas a atividade reprodutiva”, afirma Yara.

Segundo o cientista do programa Jovem Pesquisador em Centros Emergentes da FAPESP, Ricardo Hattori, que desenvolveu a pesquisa no IP entre 2015 e 2019, apesar do grande interesse pelas trutas azuis, as tentativas de estabelecer linhagens comerciais fracassavam devido a problemas de crescimento e de fertilidade. “Porém, ao analisar com maior detalhe as trutas azuis da Unidade de Campos do Jordão, detectamos desempenhos zootécnicos e reprodutivo muito satisfatórios. Além disso, descobrimos também, por meio de diversos cruzamentos, que elas eram na verdade geneticamente diferentes das descritas até agora. Outro fato interessante e inédito dessa pesquisa foi a geração de trutas brancas-albinas a partir do cruzamento entre as azuis e as amarelas”, diz.

Tecnologias paulistas em todas as regiões produtoras de truta do Brasil

A Unidade do Instituto de Pesca, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), atua na geração e difusão de tecnologias voltadas para a melhoria da qualidade da truta e a diversificação de produtos de valor agregado. Suas pesquisas e resultados podem ser vistos em todas as regiões produtoras de truta do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Espirito Santo, Santa Catarina, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

Anualmente, a unidade de pesquisa transfere ovos de truta para 50 produtores, aproximadamente, atendendo 10% da demanda nacional por ovos. Mais de um milhão de ovos são disponibilizados por ano, que são usados para melhorar a qualidade de 210 toneladas de truta produzidas no Brasil.

Entre resultados de pesquisa marcantes está a reversão sexual da truta para produção de lotes 100% fêmeas, aumentando a produtividade ao eliminar os machos sexualmente precoces e a triploidização, que consiste na manipulação cromossômica para a produção de lotes de peixes estéreis a fim de aumentar a produtividade por meio da eliminação da atividade reprodutiva, obtendo trutas de grande porte, com filés altos.

A truticultura brasileira é formada principalmente por pequenos produtores, por isso, uma forma de aumentar a renda desses profissionais é o uso de tecnologias que agreguem valor à produção. Uma grande contribuição do IP neste sentido foi a viabilização no Brasil da técnica de salmonização da truta, ou seja, o processo de pigmentação da carne com carotenoide adicionado à ração, deixando a carne do peixe em tom rosa, característica que agrada aos consumidores. Este processo foi introduzido e otimizado na UPD de Campos do Jordão, através de auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Outro resultado foi o desenvolvimento do “caviar de truta”, na coloração dourado e vermelho, um produto de grande aceitação na alta gastronomia, desenvolvido com financiamento do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O Instituto de Pesca também completou estudo inédito no mundo de barriga de aluguel entre espécies diferentes. Este estudo, liderado por Hattori, possibilitou a geração de alevinos de salmão do Atlântico em dois anos – quando por vias normais seriam necessários quatro anos para a reprodução do salmão. A celeridade do processo está na utilização da truta arco-íris como receptora de células-tronco germinativas de salmão para gerar, em seu corpo, os espermatozoides e ovos de salmão. O estudo possibilita acelerar o processo de seleção e melhoramento genético do salmão do Atlântico em até metade do tempo necessário, levando em conta o método tradicional de reprodução. “Estudos para otimizar esta tecnologia em salmonídeos seguem sendo conduzidos na unidade, assim como o desenvolvimento de linhagens de truta arco-íris mais resistentes a altas temperaturas”, afirma a pesquisadora Neuza.

Saiba mais:

Vídeo sobre as pesquisas com truta.

Podcast: Spotify Soundclound

Fonte: Assessoria de Comunicação

Edital de Convocação Assembleia Geral Ordinária 26.01.2021

EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA

Estão convocados os associados da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo para participarem da Assembleia Geral Ordinária que se realizará em formato virtual, por meio da plataforma “Google Meet”, através do link: meet.google.com/uqk-qisj-hxo , no dia 26 de janeiro de 2021, às 13:50h, em primeira convocação e às 14:00h em segunda convocação, com a seguinte pauta:

  1. Informe sobre as atividades desenvolvidas pela Associação em 2020;
  2. Plano de trabalho 2021;
  3. Calendário de Assembléias, reuniões e eventos para 2021;
  4. Informes da Tesouraria;
  5. Valor da anuidade/mensalidade de 2021;
  6. Assessoria Jurídica – relatório de atividades;
  7. Comunicação – relatório de atividades;
  8. Outros assuntos;
  9. Palavra do associado.

Objetivando facilitar a organização da assembleia, solicitamos aos interessados que confirmem presença por e-mail: secretaria.apqc@gmail.com Qualquer outra dúvida também poderá ser encaminhada a ao e-mail mencionado.  

João Paulo Feijão Teixeira

Presidente da APqC

Campinas, 13 de janeiro de 2021.

Instituto Biológico de SP pesquisa fungos usados para controlar doenças na agricultura

A preocupação com o meio ambiente, o aumento da demanda por alimentos saudáveis e as dificuldades para o controle químico de algumas doenças em determinados cultivos comerciais têm motivado os agricultores a adotarem estratégias alternativas para conter pragas e doenças na agricultura. Uma dessas estratégias é utilizar um fungo do bem, capaz de controlar outros fungos que causam severos prejuízos em plantios comerciais.

Estes fungos do bem são do gênero Trichoderma. Além de terem grande potencial para controle biológico de fungos causadores de doenças nas plantas, ajudam a melhorar aspectos do cultivo. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Biológico (IB-APTA), desenvolve pesquisas nessa área e mantém uma das mais importantes coleções de Trichoderma do Brasil, que pode ser usada para o desenvolvimento de novos produtos comerciais.

De acordo com o pesquisador do IB, Ricardo Harakava, a coleção de Trichoderma do IB possui 120 isolados, ou seja, linhagens de Trichoderma, coletadas em diferentes biomas paulistas pela pesquisadora aposentada do IB, Cleusa M. M. Lucon. “Esses isolados foram coletados em 40 locais, como na região da Mata Atlântica e Cerrado, além de diferentes áreas de vegetação nativa. O diferencial da nossa coleção é que todos esses isolados passaram por testes para verificar se promovem controle de doenças ou se agem no crescimento das plantas”, conta o pesquisador que atualmente é curador do espaço do Instituto.

Empresas produtoras de bioinsumos podem, segundo Harakava, firmar parcerias com o Instituto Biológico para utilizarem essas linhagens para o desenvolvimento de produtos para o setor de produção. “Os produtores ou cooperativas que tiverem interesse também podem firmar esse tipo de parceria. Ocorre que o desenvolvimento desses produtos custa caro e precisam de aprovação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)”, explica.

O que são Trichoderma?

Os Trichoderma são fungos de crescimento rápido que podem ser utilizados em diversos tipos de indústria, como a de papel, alimentos, química e farmacêutica e, mais recentemente, na produção agrícola, como soja, cana-de-açúcar, algodão e olerícolas, entre outras. Eles controlam doenças causadas por fungos de solo, que infectam as raízes, a base dos caules e o sistema vascular das plantas, ocasionando podridões e murchas.

O uso do Trichoderma nas lavouras também traz outros benefícios associados ao crescimento das plantas e à produtividade, principalmente quando aplicados em solos considerados pobres em nutrientes. Os pesquisadores explicam que ao melhorar o desenvolvimento das raízes, esses fungos acabam propiciando o melhor aproveitamento de água pelas plantas e uma maior absorção de nutrientes minerais.

Os ácidos produzidos pelo Trichoderma colaboram para a solubilização de fosfatos, micronutrientes e alguns minerais como ferro, manganês e magnésio. Além disso, como participam da decomposição de matéria orgânica no solo, aumentam a quantidade de nutrientes que podem ser absorvidos pelas raízes. Algumas linhagens produzem ainda um hormônio de crescimento.

“Mas é importante lembrar que o efeito de Trichoderma na produtividade varia de acordo com a planta cultivada e a linhagem introduzida, bem como com as práticas culturais adotadas pelo produtor que podem ou não favorecer o crescimento e sobrevivência do fungo no local”, explica o pesquisador do IB.

O Instituto Biológico disponibiliza gratuitamente a cartilha online “Trichoderma: O que é, para que serve e como usar corretamente na lavoura”.

Controle biológico

O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais para diminuir a população de uma praga. Resumidamente, pode ser definido como natureza controlando natureza. Os agentes de controle biológico agem em um alvo específico, não deixam resíduos nos alimentos, são seguros para o trabalhador rural, protegem a biodiversidade e preservam os polinizadores.

O IB é referência no Brasil e no mundo em controle biológico e tem forte atuação junto ao setor produtivo, tendo orientado a criação e manutenção das biofábricas, que desenvolvem esses produtos biológicos para serem aplicados nas lavouras. Ao todo, mais de 80 biofábricas de todo o Brasil recebem orientação dos pesquisadores do IB. Em 2019, o Instituto assinou 23 contratos para transferência de tecnologia a essas empresas, localizadas em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná.

O Instituto mantém o Programa de Inovação e Transferência de Tecnologia em Controle Biológico (Probio), que reúne as tecnologias e serviços prestados no Instituto, principalmente para as culturas da cana-de-açúcar, soja, banana, seringueira, flores, morango, feijão e hortaliças.

Fonte: Assessoria de Imprensa IB/APTA

Visitação virtual do Museu de Pesca é opção para as férias

Museus são lugares únicos, onde conhecimento, história e entretenimento andam juntos. Em virtude da pandemia, no entanto, tem sido um pouco mais difícil visitar muitos deles, que permanecem fechados para o público. Nesse cenário, uma possibilidade para não deixar de entrar em contato com esse universo de aprendizado e diversão é visitar virtualmente os espaços. Uma ótima pedida para esse começo de ano é conhecer o Museu de Pesca, que mantém, desde o ano passado, grande parte de seu acervo disponível online para o público. Ouça podcast sobre o Museu no Spotify Soundclound.

Mantido pelo Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em Santos, no litoral paulista, o Museu é considerado uma das principais atrações turísticas da cidade, recebendo, anualmente, cerca de 50 mil visitantes. Sediado em um prédio histórico (originalmente uma fortificação do século XVIII), o local recebeu, em 2020, o prêmio Travelers Choice, da plataforma online TripAdvisor, tendo sua qualidade reconhecida por quem o visitou.

Com a visitação presencial suspensa desde março de 2020, o espaço passou a ser explorado pelo público através deste site. A versão virtual do Museu de Pesca é uma réplica da estrutura física do espaço, contendo em cada ambiente parte de seu acervo real. Dentre as principais atrações, estão um imponente esqueleto de baleia da espécie Balaenoptera physalus, com 23 metros de comprimento e sete toneladas, e diversos exemplares de tubarões. O acervo é composto, ainda, por diversas espécies de peixes, crustáceos, aves e mamíferos marinhos taxidermizados ou suas ossadas, conchas de moluscos, areias, além de maquetes de embarcações, aparelhos e equipamentos utilizados na pesca e em pesquisa oceanográfica, obras artísticas dentre outros.

A iniciativa faz parte do Projeto Venha Visitar Virtualmente (VVV), da Secretaria de Agricultura, que também conta com a mostra virtual do Planeta Inseto (veja aqui), exposição mantida pelo Instituto Biológico (IB-APTA).

Fonte: Assessoria de Comunicação

Pesquisa da APTA Regional mostra impacto da pandemia no setor de hortaliças e frutas

Pesquisadores da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Marília da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, desenvolveram pesquisa que analisou as consequências mercadológicas da pandemia de Covid-19 no setor de hortaliças e frutas na região, conhecida como a “Capital Nacional dos Alimentos”. Um novo estudo conduzido pela APTA começará a ser realizado para avaliar os impactos atuais do setor.

A pesquisa, publicada na Revista Internacional de Ciências, avaliou o impacto no início da quarentena no Estado de São Paulo, entre março e abril de 2020, e como produtores rurais e estabelecimentos comerciais se adaptaram para atender os consumidores no período de maior restrição de circulação da população. Ao todo, o trabalho consultou 45 pessoas, entre supermercados de grande e pequeno porte, hipermercados atacadistas, consumidores, produtores rurais e feirantes. A pesquisa foi realizada em conjunto com a Universidade de Marília (UNIMAR).

De acordo com os pesquisadores, a APTA realizará um novo estudo para analisar a atual situação em decorrência na classificação mais restritiva determinada para a região de Marília para o início do ano de 2021. Em 8 de janeiro de 2021, a região foi reclassificada para a fase laranja do Plano SP.

Segundo dados do estudo, na primeira semana de quarentena, quando foi publicado o decreto referente ao isolamento social, em 22 de março de 2020, os consumidores aumentaram de 30% a 40% a compra de hortaliças e frutas nos supermercados. O aumento do consumo, porém, logo se reverteu, em decorrência do fechamento de bares e restaurantes, registrando queda de 45% no volume das vendas. “Nas semanas seguintes, foi observada uma estabilização, dentro dos índices de redução de 32% do consumo total”, afirma Fernanda de Paiva Badiz Furlaneto, pesquisadora da APTA Regional.

As medidas de isolamento social para conter o avanço da doença exigiu uma mudança na forma de comercialização de produtores rurais e comerciantes para reduzir os impactos na venda. De acordo com a pesquisadora da APTA Regional, produtores responsáveis por estabelecimentos agropecuários de grande porte, que entregam diretamente sua produção em supermercado, conseguiram manter o escoamento de forma mais regular e com alguma estabilidade. Já os que dependiam de intermediário ou que comercializavam a produção com empresas de atacado, encontraram dificuldade.

“As cooperativas e as associações de pequenos e médios horticultores bem estruturadas começaram a se organizar para realizar entregas de cestas de hortaliças nos domicílios. No comércio varejista constatou-se que 90% dos supermercados optaram pela entrega de mercadorias à domicílio, sendo que alguns deles isentaram a taxa de serviço e de entrega atendendo, assim, os consumidores que passaram a realizar compras pelos sites dos estabelecimentos comerciais, sites especializados, como o iFood, e até mesmo realizando a compra por meio do uso de aplicativos como o WhatsApp. Houve, também, estabelecimentos que ofereceram serviço de venda de mercadoria pelos sites e retirada pelo sistema drive thru”, conta a pesquisadora da APTA Regional, Anelisa de Aquino Vidal Lacerda Soares.

A pesquisa identificou, ainda, que alguns supermercados (4%) anunciaram produtos pela internet mais caro do que os adquiridos na loja física, tendo um aumento de 2% a 5% dos preços. “Os consumidores relataram, também, que usualmente compram uma quantidade inferior de produtos em relação ao que se adquire normalmente no supermercado. Tal situação pode ser justificada pelo fato da maior disponibilidade de itens na compra in loco. Deve-se considerar, também, que normalmente, costuma-se ir ao mercado com outros membros familiares que acabam sugerindo a aquisição de produtos extras à lista de compras”, explica Fernanda.

O estudo indicou, porém, resistência de compra em ambientes digitais por consumidores idosos, acima de 70 anos. Na prática, um outro familiar realiza a compra in loco ou pela internet para esse público visando evitar a ida dos idosos ao supermercado. “Mas, mesmo com as medidas restritivas, notou-se a presença de pessoas pertencentes ao grupo de risco realizando compras no mercado, em especial, no setor “verde”, de produtos hortifrutigranjeiros. Atentos a isso, muitos supermercados passaram a oferecer horário estendido para esse público”, afirma Anelisa.

O trabalho mostrou que os consumidores optaram por compra de hortaliças não folhosas, legumes e frutas como tomate, abóbora, berinjela, rabanete, mandioca, cenoura, batata, maçã, manga, abacaxi, caqui, maracujá, abacate e laranja. “Notamos que a redução da comercialização das folhosas foi de 37%, enquanto a de não folhosas foi de 28%. “As vendas das folhosas foram mais comprometidas pelo fechamento de parte considerável do setor de alimentação, como restaurantes e lanchonetes. Salienta-se que o setor entregas de alimentos à domicílio não utilizam muitas folhosas em decorrência da perecibilidade”, afirma Fernanda.

Consumo não apresenta risco de contaminação com a doença

A pesquisa desenvolvida pela unidade regional da APTA mostrou ainda que as hortaliças e frutas devem ser minimamente manuseadas e desinfetadas antes do armazenamento de consumo. Seguidos os protocolos sanitários, não há qualquer risco de contaminação dos consumidores com a Covid-19.

Além dos protocolos de higiene, como lavar mãos e uso de álcool em gel 70º pelos manipuladores, deve-se seguir o distanciamento social entre os trabalhadores rurais e rigorosa classificação dos produtos visando evitar a reclassificação nos entrepostos. “Com isso, é possível preservar a saúde dos trabalhadores das centrais de abastecimento e do consumidor final em decorrência da redução do risco de contaminação dos produtos”, diz Fernanda.

Marília: Capital Nacional dos Alimentos

A cidade de Marília, localizada na região Centro-Oeste do Estado de São Paulo é conhecida como o Capital Nacional dos Alimentos. Apesar de ter uma taxa de urbanização de 93%, a região a região possui 881 estabelecimentos agropecuários, em uma área de 105.699 hectares. O valor bruto da produção agropecuária na região foi de R$ 71.296,67 mil em 2018, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O setor alimentício é responsável por gerar 27,5 mil empregos. Atualmente, Marília produz mais de 32 mil toneladas de alimentos por mês. Os produtos fabricados no município são comercializados em todo território nacional, bem como exportados para diversos países”, explica Anelisa.

Dados da Associação Paulista de Supermercados apontam que região foi responsável por 1,7% do faturamento do setor no Estado de São Paulo, o que equivale a R$ 1,8 bilhão, e gerou nove mil empregos.

Ações de Governo em prol dos produtores

De acordo com as pesquisadoras, neste cenário de crise vivida em todo o mundo é necessário o suporte de Governo e ações para evitar o desabastecimento de várias mercadorias, além de ações que auxiliem os pequenos produtores, mais afetados pelos impactos da pandemia.

Neste contexto, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo realizou diversas ações ao longo de 2020, como o programa Compre do Produtor Local, que incentiva a compra de produtos produzidos localmente pela população e o AgroSP, canal que conecta pequenos produtores rurais e rede varejista para venda direta de produtos agropecuários.

Outra ação foi a compra de produtos de pequenos produtores para a distribuição de 428 mil cestas de 10 kg para a população em vulnerabilidade social, por meio do programa PAA – Cesta Verde.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Pesquisador do IAC recebe prêmio internacional por pesquisa com aplicação de bactérias benéficas em mudas de cana

No último mês de 2020, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, recebeu mais um reconhecimento de seu trabalho. O pesquisador Matheus Aparecido Pereira Cipriano foi premiado na categoria pós-doc na Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference – BBEST/BIOFUTURE SUMMIT II, com o trabalho “Effect of beneficial microorganisms on sugarcane plant growth, metabolism, biological control and osil nacterial community”.

A pesquisa multidisciplinar analisou a interação de microrganismos benéficos em mudas de cana-de-açúcar produzidas pelo Sistema de Mudas Pré-brotadas (MPB). Os resultados mostram a otimização da produção de MPB com aplicação de bactérias benéficas e/ou fungos micorrízicos. Foram observados ganhos de até 80% na produção de biomassa, além de plantas com melhor nutrição e resistentes ao ataque de doenças, como o agente causal da podridão vermelha em cana-de-açúcar. Esse aumento de biomassa pode garantir maior vigor às mudas e reduzir a perda de sacarose causada pelo patógeno Colletotrichum falcatum.

“Tenho orgulho de fazer parte do Instituto Agronômico e agradeço toda equipe do Laboratório de Microbiologia do IAC e os nossos parceiros”, comentou o premiado na categoria mais concorrida do Congresso. Houve cerca de 150 trabalhos inscritos nas diversas categorias, mas a de pós-doutorado é a que gera mais expectativas. As apresentações dos participantes foram gravadas anteriormente e exibidas no Best 2020-21/Biofuture Summit II conferências: Unindo as políticas, a inovação e a ciência para habilitar uma bioeconomia sustentável de baixo carbono.

O estudo realizado entre 2017 e 2020 contou com experimentos conduzidos em laboratório, onde os microrganismos benéficos (bactérias e fungo micorrízico arbusucar – FMA) foram identificados e caracterizados quanto à produção de compostos que podem favorecer o desenvolvimento da planta e controle do patógeno. Nos experimentos com planta, em casa-de-vegetação, as MPBs tratadas com os microrganismos benéficos, principalmente isolados bacterianos da espécie Pseudomonas putida, tiveram um aumento na produção de biomassa de até 80% observado após 45 dias do transplante da MPB. “A diferença do crescimento da planta que interagiu com as bactérias é visível a olho nu”, afirma.

Os resultados obtidos neste estudo, assim como outros trabalhos em andamento pelo grupo, apontam que alguns isolados da “Coleção de Microrganismos Benéficos do Centro de Solos” do Instituto Agronômico, além de promoverem o crescimento de cana-de-açúcar atuam no controle biológico da podridão vermelha em MPB. O grupo enfatiza que esses estudos mostram a versatilidade desses microrganismos capazes de desempenhar funções múltiplas, não apenas em cana-de-açúcar, mas também em outras culturas como alface, café e citros, como vem demonstrando os trabalhos desenvolvidos pelo grupo.

O projeto tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). A pesquisa tem colaboração com o Centro de Cana do IAC, do Laboratório de Fitopatologia do Instituto Biológico e do Instituto Holandês de Ecologia.

Fonte: Assessoria de Imprensa do IAC

Killifish está ameaçado de extinção no Brasil, diz pesquisador do Instituto de Pesca

Você sabia que as poças de água podem ter várias espécies de um peixinho chamado killifish? Também conhecidos como peixes das nuvens, essas espécies nascem a partir do depósito de ovos no fundo de poças de água temporárias, que secam durante alguns meses do ano e eclodem no período das chuvas.

Segundo o pesquisador do Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mauricio Keniti Nagata, a maioria dos killifishes nacionais está na lista de espécies ameaçadas de extinção, por isso, está proibida de ser criada e mantida, exceto para pesquisa.

O Instituto de Pesca protocolou uma declaração de matrizes no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), em 2015, notificando-o que mantém várias espécies com origem (nota fiscal) em um de seus laboratórios, em São Paulo, Capital.

O pesquisador explica que o IP mantém e reproduz algumas espécies nacionais e importadas de killifishes há mais de 20 anos, ou seja, antes de elas serem consideradas como ameaçadas de extinção. Entre as espécies mantidas pelo Instituto está um dos raríssimos vertebrados hermafroditas auto-fecundantes, a Kryptolebias hermaphroditus (ex-Rivulus ocellatus). Essa espécie faz parte do complexo da Kryptolebias marmoratus, que é distribuída em mangues ao longo do litoral Atlântico, porém, as K. hermaphroditus estariam mais restritas aos mangues do litoral da região Sudeste, apesar de mais recentemente serem também encontradas na região Nordeste.

“A K. marmoratus já foi considerada a única espécie de vertebrado hermafrodita auto-fecundante, sendo que atualmente é um complexo de espécies que inclui a K. hermaphroditus. Existem muitas espécies de peixes hermafroditas – sequenciais ou até concomitantes, mas a auto-fecundação é a raridade”, explica.

Nagata conta que os killifishes existem em todos os continentes, exceto no australiano e no antártico. A maioria das espécies nativas é considerada como ameaçada de extinção porque é endêmica, ou seja, cada região pode ter espécies ou populações presentes apenas naquela área geográfica específica, e ficam fragilizadas por qualquer mudança em seu habitat. “Várias espécies já foram extintas e muitas estão em vias de, principalmente, por ações antropomórficas, ou seja, poluição, drenagem dos locais para empreendimentos imobiliários e outros”, afirma.

Há 20 anos a situação dos killifishes eram mesmo bem diferente da atual. Em meados dos anos 2000, a popular apresentadora infantil, Eliana, em conjunto com a empresa Estrela, lançou no Brasil o Aqua Ticos, um kit que oferecia pacotes com substratos com ovos de killifishes nacionais, alimentos e instruções para que o público pudesse hidratar os ovos e fazê-los eclodir. A ideia era que as crianças acompanhassem todo o processo de nascimento e criação dos peixinhos.

“O brinquedo se tornou muito popular e a coleção do Instituto de Pesca conta, inclusive, com killifishes nascidos desta forma. Outros apresentadores, como o Gugu, também disponibilizaram brinquedos parecidos com killifishes – o Triops (crustáceo)”, conta o pesquisador que ressalta que é importante a conscientização do público dessa época e das atuais para que não liberem nenhuma espécie em corpo d’água pelo risco de desequilíbrio ambiental.

Os aquaristas, segundo Nagata, são importantes no desenvolvimento de técnicas de criação e manutenção de espécies. “Nossa alternativa é manter as espécies extintas na natureza e sem habitat natural na aquariofilia, como uma forma de lembrete da fragilidade dos ecossistemas. Os killifishes precisam ser apreciados não só pela beleza de formas e cores, mas também pelo seu ciclo de vida peculiar. É importante ainda a preservação dos habitats naturais e vários grupos têm se engajado arduamente nessa questão”, conta.

O Instituto de Pesca elaborou e atualizou a lista de espécies ornamentais passíveis de criação no Estado de São Paulo com alguns Killifishes nacionais, seguindo os pré-requisitos da legislação federal, ou seja, espécies adquiridas com origem legal. A lista é, inclusive, consultada pela Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) para aquicultores obterem a Declaração de Conformidade de Atividade em Aquicultura (DCAA), que substitui a Licença Ambiental para determinadas propriedades no Estado de São Paulo. Mais detalhes podem ser encontrados no site https://www.cdrs.sp.gov.br/portal/.

Além disso, o IP promove cursos de criação de peixes ornamentais de água doce, ensinando na montagem e manutenção de aquários, técnicas de reprodução das principais famílias e noções dos trâmites para criação comercial de peixes ornamentais de água doce.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto de Pesca

Pesquisador do Ital lança livro sobre o urucum, planta nativa que faz parte da História do Brasil

Paulo Roberto Nogueira Carvalho, pesquisador do Ital

Fonte do pigmento natural que se destaca na indústria de alimentos, também bastante procurada pelas indústrias cosmética, têxtil e farmacêutica, o urucum tornou-se ao longo das últimas décadas alvo de inúmeras pesquisas visando não só mais produtividade como também maior teor de pigmentos. Pela relevância e potencial dessa planta nativa brasileira, acaba de ser lançado o livro Urucum: Uma semente com a história do Brasil, de autoria de Paulo Roberto Nogueira Carvalho, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Com 320 páginas, o livro é todo escrito em português, espanhol e inglês.

“Desde os indígenas – que utilizavam as sementes do urucum para se colorirem, se protegerem do sol e como repelente – a história evoluiu de forma que ele se tornasse também, em poucos séculos, uma planta condimentar. Foi esse uso condimentar que propagou para caminhos mais amplos, despertou interesses, chegando aos dias de hoje como uma planta que gera tecnologia, renda, empregos, desenvolvimento social e saúde”, afirma no prefácio da publicação Victor Paulo de Oliveira, ex-pesquisador do Instituto Agronômico (IAC-APTA).

Urucum: Uma semente com a história do Brasil aborda as áreas relacionadas à cadeia produtiva de forma a resumir a experiência de 30 anos de trabalho de Paulo Carvalho e ao mesmo tempo apresentar diversos aspectos com a ajuda de importante time de colaboradores. Patrocinada pela New Max Industrial, cliente do Ital que comercializa, além do corante, o tocotrienol extraído do urucum, e apoiada pelo site http://www.ourucum.com.br, a publicação é comercializada pelo Centro de Comunicação e Transferência de Conhecimento (Cial) do Ital e parte de sua venda contribuirá com projetos relacionados à cultura.

Histórico do autor e suas pesquisas

Graduado em Química Industrial, mestre em Química Analítica e doutor em Ciências Químicas, Paulo Carvalho ingressou no Ital em 1982 e sete anos depois iniciava suas atividades com urucum, que se tornou seu principal tema de pesquisas, tendo assim coordenado vários eventos relacionados, publicado diversos artigos científicos e atuado intensamente junto a algumas das principais indústrias de corantes do País. Paralelamente, o pesquisador foi assessor técnico da direção do Ital de 1995 a 1998 e diretor do CCQA, de 2005 a 2008.

Atualmente Paulo Carvalho coordena projetos dedicados à separação de possível fitoterápico de sementes de urucum com colaboração de Mary Ann Foglio, professora da Faculdade de Ciência Farmacêutica da Unicamp, e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Ele também é colaborador de outro projeto apoiado pela Fapesp sob coordenação de Mary Ann, que estuda a associação de frações fitoterápicas do urucum com frações de outras plantas.

Além disso, seis estudos com urucum orientados por ele tiveram seus resultados apresentados em outubro no 14º Congresso Interinstitucional de Iniciação Científica, tendo ficado em primeiro lugar dentre as apresentações orais do Ital o Estudo da es tabilidade de bixina em sementes de urucum (Bixa orellana L.) armazenadas em diferentes embalagens de autoria de Beatriz Maluf Dória de Oliveira, bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Curiosidades esclarecidas pelo autor

Afinal, o que é o urucum?

Talvez a forma mais fácil de apresentar o urucum é começar falando sobre o seu produto mais conhecido: o colorau. Um dos condimentos mais utilizados na culinária brasileira, o colorau é produzido a partir das sementes de urucum que, na produção doméstica, são moídas em um pilão, peneiradas e misturadas com farinha de milho. Hoje, a maior parte do colorau é produzida industrialmente, usando tecnologias modernas.

O urucum é uma planta nativa brasileira e faz parte da história do Brasil. Gosto sempre de enfatizar que a primeira citação do urucum foi feita na carta que Pero Vaz de Caminha enviou a D. Manuel, rei de Portugal, informando a descoberta do Brasil. Na carta, Caminha descreve claramente o fruto do urucum e seu uso pelo nativos para colorir seus corpos.

Estudos recentes indicam que o urucum foi domesticado na região amazônica e hoje sua cultura se espalha por todo o País, tornando-o o maior produtor mundial desses grãos. O urucum é uma cultura típica de pequenos produtores. O alto custo da colheita, que ainda é feita de forma manual, torna a agricultura familiar muito competitiva com grandes plantações, que têm que contratar mão de obra cada vez mais rara e mais cara para a colheita.

Além do colorau, onde mais o urucum é utilizado?

O corante extraído das sementes de urucum é considerado o pigmento natural mais utilizado pelas indústrias de alimentos. Suas características peculiares permitiram que seu uso se generalizasse, sendo utilizados nos mais diferentes ramos das indústrias de alimentos.

Um exemplo clássico dessa versatilidade pode ser demonstrado na sua história junto à indústria de laticínios. A literatura relata que, com o início da retirada da gordura do leite de vaca para a fabricação da manteiga, os queijos, antes de cor amarelada devido à presença da gordura, tornaram-se brancos. Isso frustrou a expectativa do consumidor que estava acostumado com queijos de coloração amareladas pela presença da gordura natural do leite. Assim os produtores buscaram uma alternativa para manter a cor desses queijos produzidos com o leite desnatado. Os pigmentos do urucum resolveram esse problema, graças à propriedade que apresentam de se ligar a caseína do leite e se manter no queijo durante o processo de cura. Os queijos Prato, Cheddar, Reino e Saint Paulin são alguns exemplos dessa aplicação.

Os pigmentos de urucum também são fartamente encontrados em massas e produtos cárneos embutidos como na coloração externa da nossa famosa salsicha para cachorro-quente. Iogurtes, temperos, molhos, recheio de bolachas e sorvetes são outros exemplos de alimentos onde você pode encontrar tais corantes.

As sementes de urucum são benéficas à saúde?

Apesar de o urucum ser conhecido principalmente por seus pigmentos, há na literatura inúmeros relatos de seu uso na medicina doméstica como analgésico, anti-inflamatório, antifebril, antiparasitário, cicatrizante e antibacteriano e no tratamento de doenças cardiovasculares, diabetes e câncer.

Como apenas 10% do material contido nas sementes são aproveitados nos processos de produção de corantes, passamos a conduzir estudos para o aproveitamento integral e nos deparamos com inúmeras referências bibliográficas que atribuíam efeitos fitoterápicos a algumas de suas substâncias, dentre elas o geranilgeraniol e o tocotrienol.

Um projeto conduzido com o apoio da Fapesp permitiu que estudássemos a extração de geranilgeraniol em sementes de urucum. Um outro projeto, financiado pela iniciativa privada, completou esses estudos e dois outros produtos foram separados das sementes: um repelente com atividade similar aos produtos artificiais disponíveis hoje no mercado e os tocotrienóis.

Esses últimos fazem parte do grupo de substâncias com atividade vitamínica E e apresentam atividades antioxidante, redutora do colesterol e no combate de diversos tipos de câncer. Tais produtos já estão sendo extraídos pela indústria e está à disposição dos consumidores brasileiros.

O que motivou a publicação do livro?

Quando publiquei meu primeiro artigo sobre essa cultura, Urucum – Uma fonte de corante natural (1989), era uma revisão bibliográfica do que havia sobre o tema em uma época em que não existia as facilidades que a informática oferece hoje, então ficamos dias “confinados” em bibliotecas procurando em bancos de dados físicos artigos de nosso interesse.

As dificuldades que tivemos para encontrar artigos sobre esse tema me desafiou e desde então nunca mais deixei de trabalhar com o urucum. Assim, depois de mais de 30 anos trabalhando com essa cultura, resolvi deixar parte desse conhecimento registrado para que não se perdesse quando eu me aposentar.

Pode-se dizer que o livro tem um significado especial?

Sim. Eu tinha um sonho de publicar um livro que não só trouxesse informações importantes sobre o urucum como fosse visualmente agradável e que pudesse ser entendido por técnico e leigos e além de nossas fronteiras. Assim, buscamos uma equipe de colaboradores (diagramador, tradutores e revisores) que entendessem e abraçassem a nossa proposta. Dessa forma, foi produzida uma publicação em três idiomas, em tamanho grande (22,5 cm x 30cm), com capa dura e sobrecapa, todo em papel couché, ricamente ilustrado e com um conteúdo que abrange a história do urucum, os aspectos agronômicos, químicos e tecnológicos, além do uso dos corantes e suas atividades fitoterápicas, terminando com uma avaliação dos caminhos que as pesquisas apontam para essa cultura.

Sobre o Ital

Localizado em Campinas/SP, o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) realiza pesquisa, desenvolvimento, assistência tecnológica e difusão do conhecimento nas áreas de embalagem e de processamento, conservação e segurança de alimentos e bebidas.

Fundado em 1963, vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, o Ital possui unidades técnicas especializadas em carnes, produtos de panificação, cereais, chocolates, balas, confeitos, laticínios, frutas, hortaliças e embalagens, sendo certificado na ISO 9001 com parte dos ensaios acreditados na ISO/IEC 17025.

Por meio do Centro de Inovação em Proteína Vegetal, do Núcleo de Inovação Tecnológica e da Plataforma de Inovação Tecnológica, o Ital estimula alianças estratégicas para inovação e projetos de cooperação. Possui ainda Programa de Pós-Graduação aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Outras informações estão disponíveis no site do Ital (clique aqui).

Fonte: Assessoria de Comunicação do Ital

Modernização de estrutura e expertise do Ital permitem valorizar fruticultura e olericultura

Produção do chocolate em escala piloto no Cereal Chocotec (crédito: Antonio Carriero/Ital)

Produção de amostras de chocolates moldados, aplicação de ingredientes inovadores para torná-los mais saudáveis, melhoria da qualidade sensorial e da segurança de frutos desidratados e cristalizados, aumento de produção e desenvolvimento de embalagem com especificações que permitem a redução de matéria-prima sem prejudicar a funcionalidade. Essas dentre tantas outras atividades de pesquisa, desenvolvimento, inovação e assistência tecnológica, além de capacitação e difusão do conhecimento, são possíveis através do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por contar com equipes e estrutura especializadas e constantemente buscar financiamentos e parcerias para modernização física e técnica.

A mais recente conquista foi a aprovação pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) da Plataforma Biotecnológica de Ingredientes Saudáveis (PBIS), Núcleo de Pesquisa Orientada a Problemas (NPOP) interinstitucional com financiamento público-privado que entra em ação este ano liderado pelo Ital, que já vinha modernizando sua estrutura nos últimos três anos através do Plano de Desenvolvimento Institucional em Pesquisa (PDIP), financiado pela Fapesp, dentre outros financiamentos.

No pacote das modernizações do PDIP, está a mesa de corte do Laboratório de Embalagens Celulósicas do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) do Ital para desenvolver embalagens com menor quantidade de matéria-prima mantendo a proteção do produto, melhor capacidade de arranjo na distribuição e maior estabilidade. “Por se tratar de uma mesa de corte modular, em que podem ser instaladas ferramentas como facas para corte do tipo arraste, serrilhado ou rotativo, fresas e roletes para vinco, é possível trabalhar com diversos materiais como couro, MDF, acrílico, plástico e celulose”, detalha o pesquisador Leandro Konatu, especialista em ensaios físicos-mecânicos de embalagens celulósicas e para transporte e distribuição.

Segundo Leandro, além de terem sido realizados trabalhos em conjunto com universidades paulistas, está em andamento um estudo em parceria com o Instituto Agronômico (IAC) para diagnóstico e implementação de melhorias na colheita, distribuição e venda de frutas, levando em consideração a representatividade da cultura para o estado de São Paulo e os níveis de perdas ao longo da cadeia.

Aliás, a valorização de frutas e hortaliças de interesse estadual é possível através de equipe especializada em tecnologias como desidratação, congelamento, acidificação, pasteurização e concentração. Dentre os trabalhos desenvolvidos pelo Centro de Frutas e Hortaliças (Fruthotec) do Ital, foi executado um projeto de adequação do processo produtivo de cristalizados como laranja, figo e abóbora, visando a melhoria da qualidade e da segurança dos alimentos e até mesmo a ampliação da produção. “O trabalho da unidade busca inovação no setor, voltando-se para matérias-primas de importância para a fruticultura e a olericultura do estado de São Paulo, bem como para as agroindústrias que suprem os mercados consumidores paulistas”, reforça a pesquisadora Sílvia Germer, que atua em especial com secagem de frutas e hortaliças, aproveitamento e reuso, estabilidade de alimentos, otimização de processos, determinação de propriedades tecnológicas e de equilíbrio.

Outra novidade estrutural de destaque foi a implantação da linha compacta de fabricação de chocolates e derivados usando processo de moinho de esferas financiada pelo Governo de Estado e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), viabilizando em especial o atendimento de empresas de pequeno e médio portes, que representam a maior parte do setor no Brasil.

“Houve uma modernização completa da infraestrutura das plantas-piloto de chocolate e produtos derivados como recheios e spreads. São linhas com capacidade reduzida para teste de cinco a dez quilos de produtos para pesquisas e para teste de desempenho para posterior escalonamento”, explica Valdecir Luccas, pesquisador do Centro de Tecnologia de Cereais e Chocolate (Cereal Chocotec), que atua tanto no desenvolvimento de novos produtos e assistência tecnológica, quanto na produção de amostras, execução de projetos de fomento e realização de cursos regulares ou sob demanda.

A planta também servirá de base para atividades da PBIS em duas frentes. Na primeira, haverá a substituição parcial da gordura no chocolate por lipídeos especiais com funções específicas, com menor teor calórico e/ou com ácidos graxos essenciais. “Será testado todo o desempenho e caracterização de forma a produzir chocolates mais saudáveis”, explica Luccas. Já a outra aplicação será de compostos fenólicos extraídos de subprodutos das indústrias do agronegócio, como cascas e bagaços de matérias-primas amplamente produzidas em SP como amendoim, cana e café. “O objetivo é aumentar o efeito antioxidante desses produtos, auxiliando o retardo do envelhecimento. Posteriormente haverá ensaios pré-clínicos para comprovação desses efeitos”, completa o pesquisador.

Fonte: Assessoria de imprensa do ITAL

Novo WhatsApp da APqC!

IAC vai usar edição gênica para criar café sem cafeína desde a planta

O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) recebeu R$ 34,8 milhões para investir em pesquisas que prometem revolucionar as produções de cana-de-açúcar, café e citros.

Para isso, a aposta é na técnica conhecida como “tesoura genética”, que permitiria, por exemplo, retirar o gene da cafeína das plantas sem alterar o sabor e o aroma. A tecnologia é tão promissora que venceu o prêmio Nobel de Química em 2020.

A iniciativa conta com o apoio do setor privado, que tem bastante interesse, pois 20% do mercado internacional e 10% do brasileiro é para produtos descafeinados.

No caso do citros, a ideia é desenvolver cultivares resistentes ao greening. O Brasil se destaca no mercado internacional, produzindo 3 a cada 5 sucos de laranja, mas o custo para manter a produtividade é alto por conta da doença. Caso os resultados sejam alcançados, o país pode aumentar sua produção.

Por fim, para a cana-de-açúcar, a ideia é criar variedades que produzam o dobro das atuais. O caminho escolhido pelos cientistas é a transgenia e a edição gênica.

Clique aqui para assistir a reportagem veiculada no Canal Rural.

Fonte: Canal Rural

71% dos cargos de pesquisador científico do Instituto Butantan são ocupados por mulheres

Pesquisadoras científicas do Instituto Butantan

Um dos maiores centros de pesquisa e produção de imunobiológicos do país, o Instituto Butantan revelou que tem 71% de seu corpo científico formado por mulheres. Do total de pesquisadores contratados, seja via Fundação ou Instituto, apenas 29% são homens.

Nem sempre foi assim, pelo contrário, essa é uma mudança que vem acontecendo recentemente por conta da maior quantidade de mulehres que têm acesso ao ensino superior.

“Se olharmos as fotos antigas dos laboratórios do Butantan, veremos uma maioria de homens e poucas mulheres. Acredito que essa chave tenha virado com o próprio acesso às universidades porque, antigamente, para alguém fazer um curso superior era preciso se deslocar para as cidades grandes ou até mesmo para fora do país e era muito raro mulheres conseguirem fazer isso, ou inclusive serem aceitas socialmente nesses espaços”, disse Ana Marisa Chudzinski, diretora do Centro de Desenvolvimento e Inovação do Instituto.

Isso, porém, não garante que a área de pesquisa biológica seja de livre do machismo.

“Já passei pela situação, em congressos e em outros encontros, de descobrir que se referiram a mim como ‘o pesquisador Sampaio’, antes de me conhecerem pessoalmente. A primeira ideia até hoje é de que o nome assinado no artigo nunca é de uma mulher. No imaginário continua a imagem de um homem”, contou Sandra Sampaio, diretora do Centro de Desenvolvimento Científico.

Outro comportamento comum em relação às mulheres são os questionamentos relacionados à vida pessoal e à carreira se convergem em algum momento, especialmente no caso da maternidade. Dados obtidos pelo projeto Parent in Science, com 885 pesquisadoras, mostram que essas mulheres passaram por uma queda no número de publicações (indicador de produtividade) após o nascimento de um filho, não em razão das suas novas demandas pessoais, mas, sim, devido às exigências de desempenho e progressão profissional.

“O que conseguimos construir é ainda maior quando consideramos que, apesar dos papéis concebidos socialmente, seja a maternidade, seja como cuidadora de um familiar, nosso papel científico passou a ser reconhecido e nós sempre estivemos na ciência. Andamos com a pesquisa e temos importantes líderes em temáticas e estudos”, concluiu Sandra.

Fonte: IG Delas, com informações da Assessoria de Imprensa

Instituto Biológico desenvolve pesquisas para auxiliar produtores de lichia

Os supermercados estão com as prateleiras cheias de uma frutinha que caiu no gosto dos brasileiros, a lichia. Originária da China, a fruta pode ser encontrada nos pontos de comercialização até o final de janeiro, quando termina sua colheita. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo desenvolve pesquisas com a planta, por meio do seu Instituto Biológico (IB-APTA). Os trabalhos visam disponibilizar soluções para os pequenos produtores enfrentarem ácaro-da-erinose-da-licha, principal praga da cultura, que pode reduzir em 80% a produção.

Produtor diz que lichia é um bom investimento para o futuro

Eduardo Vianna Cotrim, em sua propriedade em Tremembé, possui um pomar com 1.500 pés de lichia que estão com idades variadas, entre seis e 20 anos. São muitas as variedades de lichia, mas foram cinco as escolhidas pelo produtor − Bengal, Brewster, Groff, Folha Negra e Maurício − sendo a Bengal cultivada em diferentes adensamentos: 4m x 4m, 3m x 2,5m e 10m x 10m (espaçamento tradicional). “Venho testando para saber quais as mais indicadas para melhor desenvolvimento da planta e também para atender o meu objetivo de turismo rural, tipo ‘colhe e paga’, e posteriormente pretendo ampliar a produção visando atingir outros mercados.

Na verdade, Eduardo Cotrim é um entusiasta da fruta. A lichia tem sido um hobby ao longo dos últimos 20 anos em que vem se dedicando a outras atividades, como a consultoria em ações de proteção ao meio ambiente, com o plantio de árvores e projetos para licenciamento ambiental. Cotrim foi prestador de serviço autônomo do DPRN (Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais) e, com a integração entre os dois órgãos, passou à Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), em ambos trabalhou com licenciamento ambiental e, após, passou a trabalhar prestando consultoria na área ambiental, o que faz até hoje.

Preocupado com as questões ambientais, o produtor decidiu fazer um manejo natural e não usa produtos químicos há mais de quatro anos. Um dos incentivos para isso foi a visita e o acompanhamento do pesquisador Mário Sato, do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria, que vem fazendo o controle do ácaro-da-erinose-da-lichia com predadores naturais. “Tem dado resultados, é preciso atenção e controle, mas é perfeitamente possível trabalhar dessa forma mais natural, sem agressões ao meio ambiente ou às pessoas que, em épocas normais, vêm colher a sua própria lichia, totalmente isenta de produtos químicos”, diz Cotrim.

A época de colheita é exatamente essa, tem início em novembro e vai até meados de fevereiro. “Este ano as chuvas ocorreram na época certa para a lichia e a produção tem sido boa”, confirma o produtor. É uma fruta muito usada em decoração de Natal, mas são o seu sabor adocicado e aroma que vêm conquistando cada vez mais consumidores. Há muita demanda para a fruta in natura, mas também em polpas, para sucos e sorvetes, compotas e minimamente processadas, em embalagens próprias. Cotrim não faz apenas as visitas guiadas, que podem ser agendadas, mas também atende os pedidos e entrega na região, o contato é feito por WhatsApp (12 99706-2627).

Apesar de dizer que ainda não tem uma produção considerada comercial, Cotrim colhe entre duas a cinco toneladas por ano. Essa diferença ocorre por se tratar de uma cultura bianual em um ano a colheita é maior, no outro menor − uma característica da planta, e também por ter pés em diferentes idades, ;os de seis/sete anos, produzem menos, já os de 10/20 anos têm uma produção considerada boa, com tendência de só vir a crescer nos próximos anos. A muda por alporquia permite que a árvore comece a dar frutos mais cedo, por volta do terceiro ano de idade. A alporquia ou alporque é um método de reprodução de plantas a partir de um galho de uma planta. As raízes da nova planta nascem quando o galho está preso à planta-mãe. A utilização do método, um dos mais antigos na produção de mudas, permite reproduzir uma planta que tem boa produção e a nova planta terá a mesma produção de flores e frutos da planta-mãe.

A pretensão de Cotrim, no entanto, é que a atividade venha a ter um viés mais comercial e que reverta em ganhos. “Por enquanto, fica praticamente empatada, mas trata-se de investimento e meu conselho para outros interessados é que a lichia funcione como uma poupança para o futuro; vale a pena investir, pois o mercado ainda tem muito a crescer”, aconselha. Além dessa área de 10 hectares, a família possui um sítio na Serra da Mantiqueira, próximo à Santo Antonio do Pinhal, onde vem plantando diversas frutíferas: “Esse é um outro hobby, já são mais de 300 espécies diferentes, e os hóspedes também poderão colher as frutas no pé”, diz animado, por saber que está contribuindo com a natureza e a preservação ambiental.

Controle biológico

Se na casa da população a presença da lichia tem sido cada vez mais frequente, no campo os produtores enfrentam um problema que pode reduzir em até 80% a produção: o ácaro-da-erinose-da-licha, principal praga da cultura. Pensando em disponibilizar soluções para os pequenos produtores que se dedicam à atividade, o Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, desenvolve pesquisas para combater esse ácaro por meio do uso de controle biológico. Não existe no Brasil nenhum defensivo químico registrado para a cultura.

Os trabalhos do IB para controle biológico do ácaro-da-erinose-da-lichia se iniciaram em 2018 e são conduzidos em uma área de produção orgânica no munícipio de Botucatu, no interior paulista. Trabalho de mestrado resultante desses estudos aponta que o uso de controle biológico e de caldas sulfocálcica e bordalesaajuda a controlar o ácaro-da-erinose-da-lichia.

“A liberação de ácaros predadores da espécie Neoseiulus californicus mostrou-se útil para o manejo da praga em períodos de baixa população de ácaros predadores nativos no campo”, afirma Mário Sato, pesquisador do IB que orientou a dissertação de mestrado de João Tenório Ramos, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Sanidade, Segurança Alimentar e Ambiental no Agronegócio do IB.

O Neoseiulus californicus é um inimigo natural de várias espécies de ácaros fitófagos, por isso ajuda no controle da praga que ocorre em diversas regiões brasileiras, além da China, de Taiwan, da Índia, Tailândia e Austrália. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o ácaro-da-erinose-da-licha pode comprometer severamente a produção de lichia, sendo que sua viabilização comercial passa pelo desenvolvimento de estratégias de manejo do ácaro.

Desta forma, segundo os pesquisadores, é possível combinar o uso de controle biológico com outras estratégias de manejo, como a utilização das caldas sulfocálcica e bodalesa. A calda sulfocálcica é originada da reação entre cálcio e enxofre dissolvidos em água e submetidos à fervura. A calda bordalesa foi o primeiro fungicida desenvolvido pelo homem e sua ação ocorre devido a compostos provenientes da reação entre sulfato de cobre e cal virgem. Ambas são bem conhecidas pelos produtores de orgânicos.

De acordo com os pesquisadores, o trabalho do Instituto mostrou que o uso da calda sulfocálcica serviu para reduzir a população deAcerialitchii. Já a aplicação da calda bordalesa contribuiu para diminuir a incidência da erinose e também da população do ácaro-praga, que utiliza a erinose como abrigo.

Segundo os pesquisadores do IB, os ácaros se alimentam dos tecidos vegetais e podem provocar enrolamento das folhas, formação de galhas, queda prematura das folhas, além de danos em órgãos reprodutivos e redução na produção. Algumas espécies de ácaros podem ainda ser vetores de viroses para as plantas, o que não é o caso do ácaro-da-lichia.
“A pesquisa deve ser continuada na busca de novas estratégias para o manejo do ácaro-praga, com ênfase na seleção de novas espécies de inimigos naturais, incluindo predadores e entomopatógenos, visando minimizar os problemas causados pelo ácaro-praga”, explica Sato.

A lichia é uma frutífera de climas tropical e subtropical, originária do sudeste asiático. A China é o principal produtor, respondendo por 80% da produção mundial. A produção brasileira da fruta é em torno de quatro mil toneladas e o Estado de São Paulo se destaca no cenário nacional, produzindo ao redor de 1,5 mil toneladas.

Excelente fonte de vitamina C

Nutricionistas da Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro), da Secretaria, afirmam que a lichia é uma excelente fonte de vitamina C e rica em ferro, cálcio, fibras e potássio. Possui propriedade anti-inflamatória, por meio disso previne os problemas cardíacos, atua no controle da pressão arterial e melhora a saúde intestinal. Sua polpa gelatinosa é adocicada, de agradável sabor e pode ser consumida in natura ou em sucos.

10 Curiosidades sobre a lichia*

1.A lichieira é originária da China, na sua região subtropical da província de Guangdong. O termo “litchi” ou “Li-zhi” vem do dialeto chinês e originariamente significava a propriedade de “ser destacada do galho”. Com o tempo, se descobriu que esse nome também se referia à propriedade de ocorrer uma rápida deterioração dos frutos após a colheita.

2. A lichia é da família das “sapindaceae”, termo proveniente do latim “Sapindus” e significa sabão da índia, pois “sapindus” provém de “sapo” = sabão e “indus” = Índia, devido à presença de saponinas em seus frutos.

3. O cultivo da lichia está por todo o mundo, sendo descrita desde 1.500 anos antes de Cristo pelo povo Malaio e já há milhares de anos cultivada na China. A lichia foi registrada em Madagascar (1.802), no Brasil (1.810), na Austrália (1.854), no Havaí (1873), na Flórida (1.880), na Califórnia (1.897). Os principais produtores mundiais são a China, o Vietnã, a Tailândia, a Índia, Madagascar e a África do Sul. No Brasil, as variedades de lichieiras são, predominantemente, Bengal, Brewster e Americana, e a comercialização dos frutos iniciou-se somente na década de 1970.

4. A lichia possui nutrientes essenciais e micronutrientes, bem como diversos minerais, dentre eles o potássio, magnésio e fósforo, e vitaminas como riboflavina (B2), niacina (B3) e tiamina (B1) e, especialmente, vitamina C, além de ter atividade antioxidante.

5. Em média, cada 100g de lichia contêm cerca de 65 calorias. Seus valores nutricionais médios são de 0,8g de proteínas, 0,4g de gorduras, 16,3g de carboidratos, 2g de fibras e 10mg de cálcio. Esses valores são médios, tendo em vista a condição de produção de cada cultivar e também de cada espécie. A riqueza de potássio e fósforo na lichia são superiores aos do pêssego, da laranja, da uva, da maçã e do morango. Os teores de fósforo da lichia são comparáveis aos da banana e os teores de vitamina C são comparáveis aos da laranja, do limão, da carambola, da tangerina e do maracujá.

6. Na gastronomia, a lichia é utilizada fresca, enlatada, desidratada, processada em sucos, vinhos, licores, picles, aguardentes, caipirinhas, compotas, gelatinas, iogurtes, sorvetes, tortas, bolos e uma série infindável de usos que dependem somente da criatividade.

7. A pitomba, muito consumida no Nordeste brasileiro, possui frutos bastante atraentes e são da sub-família “Nepheleae”, da qual a lichia faz parte. São, por assim dizer, parentes próximas.

8. A lichieira é uma árvore rústica e longeva. Exemplares com mais de 1.200 anos ainda florescem e dão frutos, atingindo de 10m a 12 m de altura e, às vezes, até 20m em espécimes mais antigos.

9. A desidratação dos frutos é considerada a principal causa da rapidez com que o fruto apodrece. As microrrachaduras que ocorrem na superfície da casca aceleram o processo de desidratação e o consequente escurecimento dos frutos. Estudos sobre pós-colheita ainda precisam ser aprofundados.

10. Os chineses são potenciais importadores de lichia brasileira, uma vez que as datas de colheitas não são coincidentes.
* (Fonte: Portal Lichias.com)

Fonte: Assessoria de Comunicação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Fomento ao consumo de pescado será tema de pesquisa inédita realizada pela USP em parceria com Instituto de Pesca

O Pescado para a Saúde será tema de pesquisa aplicada realizada pela Universidade de São Paulo (USP), em co-execução com o Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, aprovada em 22 de dezembro pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Ao todo, o projeto contará com recursos de R$ 23,8 milhões em cinco anos, sendo que a agência de fomento à pesquisa cientifica fará o aporte de R$ 3,65 milhões no projeto, que contará ainda com a participação de universidades e instituições governamentais do Brasil e do exterior. Participam ainda da iniciativa empresas privadas do Brasil, Estados Unidos, Holanda, Dinamarca e França que farão aporte de mais R$ 6 milhões. O Estado investirá outros R$ 14,2 milhões na forma de infraestrutura e divulgação dos resultados, além de bolsas e salário dos servidores. Confira podcast sobre o assunto no Spotify e SoundClound.

O projeto será articulado em um Núcleo de Pesquisa Orientada a Problemas em São Paulo (NPOP-SP), no âmbito do edital Ciência para o Desenvolvimento da FAPESP, que busca resolver problemas e desafios enfrentados pelo Estado por meio da pesquisa aplicada. Além do NPOP com a participação do IP, outros dois Núcleos serão criados no âmbito da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. São eles: NPOP-IAC, sediado pelo Instituto Agronômico e que trabalhará com biotecnologia em citros, cana e café, e o NPOP-BIS, sediado pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), voltado a ingredientes saudáveis. Os recursos para as três iniciativas somam R$ 93,4 milhões, sendo cerca de R$ 10,8 milhões da FAPESP, R$ 14,4 milhões da iniciativa privada e R$ 68 milhões do Estado, incluindo as infraestrutura e salários.

De acordo com o professor da USP, Daniel Lemos, líder do projeto, o pescado é um alimento de alto valor nutricional e que pode ajudar a combater um importante problema enfrentado pelo Brasil e o estado de São Paulo: a obesidade e suas consequentes implicações de saúde. Cerca de 50% da população adulta brasileira está acima do peso e 15% é tida como obesa. Em São Paulo, 45% das crianças e adolescentes estão com sobrepeso ou obesidade infantil, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo em parceria com o Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clinicas da USP e a LetinMed Editora em Saúde.

Apesar de o pescado ser um alimento estratégico para enfrentar a má nutrição, tendo em vista seu alto valor nutricional e baixo índice de gordura, esses alimentos ainda são pouco consumidos no Brasil, se levado em conta todo o país e não regiões específicas, como a amazônica, e as diferenças socioeconômicas e culturais da população. “O consumo de pescado, seja ele oriundo da pesca ou produzido por meio da aquicultura, traz diversas vantagens do ponto de vista nutricional para a população. O que queremos fazer é promover melhorias por meio de resultados de pesquisa científica e conscientizar as pessoas de que esse alimento pode ser superior as proteínas cultivadas de forma terrestre”, afirma Lemos.

Para vencer os desafios do fomento ao consumo do pescado por meio da pesquisa aplicada, os integrantes do projeto focarão suas ações na análise de mercado, análise nutricional e contaminantes e a contribuição atual para o suprimento de nutrientes, análise nutricional de duas espécies da aquicultura e de rações e o aprimoramento do perfil nutricional das espécies por meio do uso de dietas dos peixes e de técnicas de processamento, podendo trazer maior acesso ao pescado pelo mercado consumidor ou por meio de mercados institucionais como a merenda escolar.

“Também desenvolveremos pesquisas focadas em marcadores genéticos e estudos de ampla associação de genomas relacionados a produtividade e qualidade nutricional. Outro ponto importante é a comunicação, fundamental para conscientizar os consumidores quanto aos benefícios do consumo desses alimentos. Para essa conscientização, o Museu de Pesca do IP, localizado em Santos, terá papel muito relevante, já que ele é a principal atração turística da cidade e tem potencial de levar conhecimento, para diferentes faixas etárias”, afirma Vander Bruno dos Santos, diretor do Instituto de Pesca.

O NPOP Pescado para a Saúde terá como Instituição Sede a USP. O Instituto de Pesca e a Universidade de Mogi das Cruzes serão instituições co-executoras. Participam também da iniciativa, a Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (MAPA), além das empresas Polinutri Alimentos S.A., Neogen Ltda, Phileo by Lesaffre (França), Veramaris (Holanda), AquaHana LLC (EUA), BioMar (Dinamarca), Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag), Global Peixe e Guabi, que atuam na cadeia produtiva de ração, genética e prestação de serviços. O desenvolvimento do projeto contará ainda com Albert G J Tacon, consultor da FAO, que detém atuação em vários países no tema, e que será pesquisador visitante.

Apesar do alto potencial do país no setor, brasileiro ainda consome pouco peixe e frutos do mar

De acordo com Lemos, o projeto tem potencial para transformar a produção e o consumo de pescado no Estado e em todo país. “Queremos seguir o que foi feito com o frango, que no passado era um alimento caro e hoje é acessível e muito consumido no Brasil, que é inclusive um grande exportador desse tipo de carne”, afirma o pesquisador da USP.

Atualmente, o Brasil ocupa os últimos lugares no ranking de consumo de pescado no mundo. “Apesar do enorme potencial do país nesse setor, importamos cerca de 30% do pescado que consumimos. Este projeto busca mudar essa realidade, pois vamos focar nas necessidades dos consumidores, dos cidadãos paulistas, para que eles entendam a importância desse alimento e passem a ter condições de consumi-lo mais”, explica Lemos.

Para o diretor do Instituto de Pesca, a junção de esforços entre instituições de pesquisa, governo e iniciativa privada, proposta no edital da FAPESP, traz grandes perspectivas para que os problemas levantados pelos pesquisadores sejam solucionados. “Se trabalhássemos de forma separada, dificilmente conseguiríamos alcançar todos esses objetivos. O grande diferencial desse projeto é a integração entre as instituições e as empresas com vistas a inovação. Isso tem que ser cada vez mais incentivado, para trazermos soluções para toda a população”, afirma.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Vídeo aborda a eficácia da vacina do Instituto Butantan

Confira nesse vídeo inédito os bastidores da eficácia da Vacina do Butantan, contra a COVID-19. Após meses de pesquisas e testes clínicos, os diretores e pesquisadores do Instituto Butantan participaram de uma reunião técnica, para serem apresentados os dados de eficácia da Coronavac. Clique no vídeo acima para assistir e obter mais informações sobre a vacina.

Butantan apresenta nesta quinta dados da eficácia da CoronaVac

O Instituto Butantan e o governo de São Paulo apresentam nesta quinta-feira (7) dados sobre a eficácia dos testes clínicos realizados no Brasil com a vacina CoronaVac, imunizates desenvolvido em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

A previsão é de que os dados sejam divulgados durante a coletiva de imprensa do governo do Estado, que será realizada na sede do Instituto Butantan. A coletiva terá a participação do governador João Doria (PSDB), do secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn e outros integrantes do governo.

O Instituto Butantan adiou o envio do resultado dos testes da vacina CoronaVac no Brasil à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A previsão inicial era de que os documentos fossem entregues no dia 15 de dezembro.

Com isso, a nova data estipulada para a entrega dos resultados seria, então, 23 de dezembro. No dia 23 de novembro, Gorinchteyn, confirmou que o Instituto Butantan havia entrado na fase final do desenvolvimento da vacina CoronaVac após atingir o número mínimo esperado de infectados pela Covid-19 na fase 3 do estudo clínico. São esses os resultados que precisam ser entregues à Anvisa.

Cronograma de vacinação
Segundo o secretário de saúde, o programa tem como prioridade vacinar idosos com mais de 60 anos, que equivalem a 7,5 milhões de pessoas e representam 77% das mortes decorrentes da Covid-19. Trabalhadores da área da saúde, indígenas e quilombolas, que equivalem a 1,5 milhões, também terão prioridade. Assim, a população total a ser vacinada no primeiro momento corresponde a 9 milhões de pessoas. A primeira fase se encerrará dia 28 de março, com duas doses aplicadas por pessoa.

De acordo com o governo, essa fase de imunização prevê 18 milhões de doses de vacina, atuação de 54 mil profissionais de saúde, uso de 27 milhões de seringas e agulhas, 5.200 câmaras de refrigeração, 25 postos de armazenamento e distribuição regional, 30 caminhões refrigerados de distribuição diária e 25 mil policiais para escolta das vacinas e segurança dos locais de vacinação.

“Vimos uma situação semelhante com a gripe espanhola e hoje vivemos uma guerra com um inimigo invisível que jamais imaginaríamos. Tivemos um incremento nos casos, óbitos e internações no Estado. Jamais imaginávamos, tanto no mundo, no Brasil e no próprio Estado, esse aumento porque estávamos observando, durante 12, 13 semanas, uma queda nos casos e voltou de uma forma forma abrupta a varrer vidas e encher nossos hospitais. Temos 10 hospitais que atingiram sua capacidade máxima de atendimento.”

O secretário do desenvolvimento regional, Marco Vinholi, disse que os prefeitos que não seguirem regras podem ir “para o fim da fila”. “Se não cumprir as regras fundamentais, notificamos, encaminhamos para o MP-SP, que, muitas vezes, entra com improbidade administrativa, e os prefeitos podem sofrer sanções”, afirmou.

Fonte: Correio do Povo

A história do cientista Adolfo Lutz é contada em animação

Você conhece a história de Adolfo Lutz, o cientista que dá nome a um de nossos mais importantes institutos de pesquisa de São Paulo? Ele ficou conhecido como o pai da medicina tropical e foi o primeiro cientista a estudar o mecanismo de transmissão da febre amarela. O Canal Futura fez essa ótima animação indicada a pessoas de todas as idades.

Instituto Geológico de SP abre chamada para seleção de jovens pesquisadores

O Instituto Geológico (IG), da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA) do Governo do Estado de São Paulo, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), está selecionando um(a) candidato(a) com títulos de doutor(a) e pós-doutor(a), para uma bolsa de Jovem Pesquisador. Inscrições até 14 de fevereiro de 2021.

O projeto de pesquisa, com duração 48 meses, abordará temas como hidrogeologia, hidroquímica e modelagem numérica de fluxo e transporte reativo de contaminantes e está vinculado ao Plano de Desenvolvimento Institucional em Pesquisa (PDIP), em andamento.

Maiores informações sobre o tema do referido projeto, duração, valor da bolsa e documentos necessários são apresentados AQUI.

IAC concede prêmio à Usina Monteverde por melhoramento genético da cana-de-açúcar em MS

A usina Monteverde, unidade da BP Bunge Bioenergia, em Ponta Porã, Mato Grosso do sul, foi premiada pelo trabalho de melhoramento genético da cana-de-açúcar no estado. O Prêmio Excelência 2020 foi concedido pelo programa Cana do Instituto Agronômico (IAC). A premiação existe desde 2016 e destaca as melhores iniciativas de melhoramento com base em vários indicadores, como, por exemplo, o de atualização varietal.

Segundo o professor Marcos Landell, coordenador do Programa Cana – IAC, a escolha correta de uma variedade de cana pode mudar significativamente a produtividade de uma área, muito além do que qualquer outro elemento agregado ao processo produtivo. “Este reconhecimento coroa o trabalho de toda uma equipe técnica dedicada a obter os melhores resultados em qualidade e produtividade”, afirma Rogério Bremm, diretor Agrícola da BP Bunge Bioenergia.

O Prêmio Excelência 2020 foi entregue durante a 3ª Reunião On-Line do Grupo Fitotécnico de Cana IAC.

Fonte: Com informações do G1

Butantan deverá solicitar até quinta uso da Coronavac à Anvisa

O secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou ontem (4/1) que os pedidos de registro da vacina Coronavac serão feitos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nas próximas 48 horas. O Instituto Butantan, que desenvolve o imunizante contra a Covid-19 em parceria com a chinesa Sinovac, ainda não apresentou os dados de eficácia da fase final da pesquisa. Esses resultados são essenciais para o parecer da Anvisa.

Segundo o secretário, eles serão divulgados até quinta-feira (7/1). O estado de São Paulo vai fazer a solicitação tanto de uso emergencial como de uso definitivo do imunizante. “E dessa forma existem questões burocráticas, de documentos, que estão sendo juntados para serem enviados nos próximos dias para a Anvisa. Nesta semana serão enviados, possivelmente hoje ou amanhã”, disse o secretário, em entrevista à Rádio Bandnews.

Segundo ele, a entrega vai depender do próprio Instituto Butantan ter toda documentação já estabelecida. “Mas muito possivelmente entre hoje e amanhã teremos envio da documentação, fazendo solicitação do ponto de vista emergencial e definitivo.”

De acordo com o Butantan, a Coronavac apresentou, na terceira fase de testes, eficácia acima dos níveis exigidos pela agência brasileira e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A Anvisa considera o mínimo de 50% de eficiência para que um imunizante contra o novo coronavírus seja autorizado para uso em território brasileiro.

A previsão inicial era de que esses dados tivessem sido divulgados em meados de dezembro, o que não ocorreu. De acordo com o instituto, o adiamento, anunciado em 23 de dezembro, ocorreu porque a Sinovac resolveu unificar os dados dos testes feitos no Brasil, na Indonésia e Turquia, o que pode levar 15 dias. A consolidação e a análise de dados são critérios exigidos pela agência de regulação de medicamentos da China.

Fonte: Metrópoles

IAC espera alcançar resultados inéditos em pesquisas após investimento de R$ 34,8 milhões

O Instituto Agronômico (IAC) acaba de ser contemplado com R$ 4.540 milhões em edital da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP) dentro do Núcleo de Pesquisa Orientado a Problemas – SP (NPOP-IAC). Somam-se a esse montante outros R$ 4.470 milhões da iniciativa privada e R$ 25.790 milhões como contrapartida em infraestrutura e recursos humanos do Estado, totalizando R$ 34.800 milhões. O objetivo das pesquisas que serão realizadas com esse aporte é ampliar a base científica e tecnológica para solução de problemas bem definidos nas culturas de citros, café e cana-de-açúcar. Essas três importantes cadeias agrícolas terão o reforço da biotecnologia para acelerar estudos que trarão resultados inéditos para a agricultura mundial. A maior celeridade será proporcionada pelo método de edição de DNA, chamada CRISPR/Cas9 (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats), que significa Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas. Esta é a tecnologia que rendeu o prêmio Nobel de Química 2020 às cientistas Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna, responsáveis pelo desenvolvimento da chamada “tesoura genética”.

“Essas três culturas foram escolhidas pela importância que têm em São Paulo e no Brasil e pelo protagonismo do IAC no desenvolvimento de cultivares dessas espécies perenes e semi-perenes”, conta a pesquisadora e líder do NPOP-IAC, Mariângela Cristofani Yaly. Os desafios foram definidos pelos pesquisadores em conjunto com os três setores de produção.

Na área de citros, o foco é a doença conhecida como huanglongbing (HLB), considerada a mais devastadora nos pomares citrícolas no mundo. Na de café, o objetivo é desenvolver cultivar de café tipo arábica naturalmente desprovida de cafeína a fim de buscar saudabilidade e incluir o produto em novos mercados. Nos estudos com cana-de-açúcar, pretende-se gerar cultivares com tolerância ao estresse hídrico e a patógenos a partir do uso de edição gênica em plantas geneticamente modificadas (transgênicas) e não geneticamente modificadas.

“O conteúdo dos três projetos e a aprovação obtida mostram o alinhamento da ciência agronômica paulista com esse cenário de inovação e tecnologia de ponta, mundialmente reconhecida pelo Nobel 2020”, afirma o diretor-geral do IAC, Marcos Antônio Machado. Para o gestor, é necessário somar esforços nas pesquisas para o agro, aumentar a eficiência e otimizar estruturas.

Além do NPOP-IAC, no edital da FAPESP chamado Ciência Para o Desenvolvimento, também foi selecionado o NPOP do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) – NPOP-BIS, voltado a ingredientes saudáveis. Os dois projetos de pesquisa foram elaborados, avaliados e aprovados considerando os problemas específicos para os quais se voltam as soluções a serem geradas com as pesquisas. Os recursos para esses dois NPOP de Institutos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, que são sede das pesquisas, somam R$ 69,6 milhões, sendo R$ 7,240 milhões da FAPESP, R$ 8,47 milhões de empresas e R$ 53,89 milhões do Estado, incluindo as infraestruturas e salários de equipes. Também da Secretaria, o Instituto de Pesca (IP) participa do NPOP sediado pela USP e trabalhará na temática Pescado para a Saúde. Este projeto contará com total de R$ 23,8 milhões, sendo R$ 3,6 milhões da FAPESP, R$ 6 milhões de empresas e R$ 14,2 milhões do Estado, incluindo as infraestruturas e salários de equipes.

De acordo com Mariângela, no NPOP-IAC, as equipes das três culturas estão trabalhando com ferramentas da biotecnologia, utilizando técnicas semelhantes e haverá ajuda mútua na busca por estratégias de cultivo que possam agregar valores. “No NPOP-IAC pretendemos agregar o que estamos fazendo para obter novas cultivares e nossos sistemas de produção, a edição genômica será a estratégia usadas para as três culturas”, explica. Outra semelhança entre as três áreas é a interação com o setor privado em suas atividades científicas.
No caso dos citros, pretende-se chegar a uma planta editada para controle do HLB, com porta-enxerto que induza a copa a um tamanho reduzido, resultando em sustentabilidade e redução do custo de produção. Em citros, são considerados a variedade copa, parte aérea da planta, e o porta-enxerto, que fica sob o solo.

Todo o esforço será em busca de soluções para o HLB ou Greening, visto que não existe, até o momento, variedade tolerante. As equipes terão três linhas de atuação. Na primeira, serão avaliados citros geneticamente modificados (GM) em ensaios de campo, que já estão em andamento. A segunda linha terá edição gênica por CRISPR para silenciar genes associados à resposta de hipersensibilidade da planta à infecção pela bactéria do HLB. Essa ação possibilitará o desenvolvimento de variedades copa resistentes ao HLB. Espera-se, ao final de cinco anos, ter uma planta editada com as características de tolerância ao HLB, qualidade de fruta, aspecto e sabor desejados. Esta etapa já está em andamento no IAC. A terceira linha de atuação será o uso de porta-enxertos citrandarins (híbridos de tangerinas com Poncirus trifoliata), obtidos no programa de melhoramento de citros do IAC. Esses materiais têm tolerância ao HLB, isto é, reduzem o impacto da doença, além de diminuírem o tamanho da copa da planta, característica muito demandada pelo setor citrícola.

“A equipe de citros do IAC já tem as variedades de porta-enxertos ananicantes e eles têm bons resultados”, adianta Mariângela. Por conta dos prazos, o fato de o IAC já ter parte desses estudos em andamento irá colaborar bastante com a conclusão. Isso porque, como os citros são perenes, são necessários quatro anos, após o plantio, para iniciar as avaliações; e outros quatro anos para analisar as performances completas.

Segundo a pesquisadora do IAC, Alessandra Alves de Souza, o IAC já tem o gene discover, a descoberta dos genes, e a equipe já sabe quais genes são realmente importantes, quais são os top genes, que possam ser editados através dos CRISPR. “Isso requer tempo e nós já temos”, ressalta. A equipe descobriu genes associados com suscetibilidade e resistência da planta ao HLB. Esses genes serão utilizados na edição de citros. “Já temos um background: temos o gene discover, já temos construções em andamento, estamos aplicando a tecnologia em laboratórios e o trabalho já foi publicado em revista internacional de alto impacto”, enumera Alessandra.

Os primeiros testes com as plantas com os vetores para CRISPR já estão em andamento, há algumas plantas com as primeiras transformações, mas a obtenção da planta editada ainda requer tempo e pesquisa. Daí a relevância dos investimentos a serem feitos nos próximos cinco anos.

De acordo com Alessandra, esses estudos envolvem testes de novos produtos em campo e trabalhos de pesquisa em laboratório. “Aplicamos o produto na planta e avaliamos a ação da molécula em relação ao HLB, vamos verificar se dá certo e porque dá certo, assim é possível elucidar os processos envolvidos no controle do HLB e como indutor de resistência”, explica.

Dentre os benefícios que as pesquisas trarão, estão a disponibilização de variedades copa e porta-enxertos mais tolerantes ao HLB. “Para a pesquisa, possibilitará o estabelecimento de uma tecnologia relevante e revolucionária que permite editar o genoma, sendo que as plantas não são caracterizadas como transgênicas”, explica Mariângela.

Terão também porta-enxertos que induzem ao menor porte da variedade copa para um novo sistema de produção na citricultura. Alguns dos porta-enxertos ananicantes estão conferindo naturalmente à copa da planta a tolerância ao HLB. Isso será importante para os citricultores, pois esta é a doença mais devastadora dos citros, para a qual não existem variedades resistentes.

“Novas tecnologias deverão ser desenvolvidas, possibilitando o manejo sustentável da citricultura, com menor aplicação de defensivos agrícolas, melhores condições de trabalho aos colhedores e utilização de colheita mecanizada, quando possível”, afirma. Essas soluções contemplam benefícios sociais, ambientais e econômicos, que poderão resultar desses estudos.

O Brasil é o maior produtor mundial de laranja, o estado de São Paulo é líder em produção e exportação mundial de suco. Nos pomares brasileiros, são IAC 90% das cultivares copa e 95% de porta-enxertos. O valor bruto de produção do setor citrícola é de R$ 14 bilhões, por ano. Os desafios do setor são sustentabilidade e controle do huanglongbing (HLB).

Tríplice hélice de inovação

Com estratégias biotecnológicas e genômicas para qualidade, produtividade e manejo sustentável de citros, café e cana-de-açúcar no Estado de São Paulo, esta proposta traz também um modelo inédito de gestão, envolvendo instituições de pesquisa e ensino, empresas e universidades do exterior, chamado tríplice hélice de inovação. Trata-se de uma novidade na gestão da pesquisa científica. “Os NPOP se caracterizam por pesquisa avançada em parceria com a iniciativa privada e com instituições de pesquisa e ensino internacionais”, afirma Mariângela.

Empresas dos setores citrícola, cafeeiro e sucroenergético estão investindo em parceria nesse novo modelo de desenvolvimento tecnológico. As parceiras do NPOP-IAC são: Amazon e Cia Camp, Daterra, Corteva, Biovertis e GrandBio, Citrosuco, Agroterenas, Solo Sagrado e Jacto. Outras empresas poderão aderir ao projeto ao longo dos cinco anos de execução.

A missão desse modelo de ciência é integrar competências, infraestrutura, conhecimento, bases genéticas em projetos disruptivos com genômica e biotecnologia para a solução de problemas nessas três culturas em que o Brasil é líder de produção mundial.

Todo o trabalho será feito em colaboração com a participação de equipe multidisciplinar, com cerca de 200 cientistas de diversas áreas do conhecimento e pluri-institucional. Participam junto ao IAC: Instituto de Economia Agrícola (IEA), ESALQ/USP, UNIFESP, FFCLR/USP, Embrapa, Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, MaxPlant Institute, na Alemanha, e Universidade de Queensland, na Austrália.

Capacitação no sistema ágil

Com o objetivo de capacitar as equipes com novas metodologias que proporcionam alinhamento ao mercado, essas instituições de pesquisa e ensino envolvidas nos NPOP da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo passaram pelo treinamento de gestão ágil, composto por 120 horas, ao longo de seis meses.

Cientistas e profissionais que os apoiam aprenderam sobre as metodologias Design Thinking, MVT (Tecnologia Mínima Viável) e Scrum. No Brasil, essas equipes dos NPOP estão entre os primeiros a recorrer a esse sistema. Os grupos também definiram valores, visão, identidade e missão dos Núcleos e elaboraram o regimento interno. Tudo em conjunto com as empresas parceiras.

IAC recorre à “tesoura genética” para desenvolver café sem cafeína

NPOP-IAC Café está relacionado ao desenvolvimento de cultivares naturalmente sem cafeína – totalmente desprovidos de cafeína ou com baixíssimos índices

Na área de café, a pesquisa dentro do Núcleo de Pesquisa Orientado a Problemas – SP (NPOP-IAC) é direcionada ao desenvolvimento de uma cultivar de café tipo arábica sem cafeína. A equipe propôs um método alternativo de obtenção de uma cultivar naturalmente desprovida de cafeína. Esse método é o de edição genômica, com o uso da metodologia CRISPR/Cas9, que consiste no silenciamento do gene responsável pela síntese de cafeína nas plantas. “Essa tecnologia será adotada para bloquear a síntese de cafeína em uma variedade comercial, que já reúne atributos agronômicos e industriais desejáveis”, explica o pesquisador do IAC, Oliveiro Guerreiro Filho.

Ao invés de transferir esta característica de cafeeiros silvestres, não cultivados, para uma variedade produtiva e resistente, a equipe irá trabalhar em uma variedade comercial, já dotada de boas características e, por meio da edição genômica, bloquear nela a síntese da cafeína. “Isso é fazer edição genômica, é como se, ao editar um texto, o DNA equivalesse a uma frase e dentro desta frase fosse alterada uma letra”, simplifica.

Segundo Guerreiro, há dois caminhos que levam ao mesmo resultado: um deles é o melhoramento genético clássico, que requer de 25 a 30 anos para obter resultados; e o outro é a edição genômica. Este novo método serve para resolver diversos problemas existentes nas diferentes espécies cultivadas e de interesse econômico. “Neste caso, a tecnologia será usada para atribuir baixo índice de cafeína a uma cultivar de café; é como se houvesse um interruptor capaz de desligar o gene que produz cafeína”, explica.

Como isso funciona: existe um determinado gene que é responsável pela síntese da cafeína, chamado gene da cafeína sintase – ele transforma a teobromina em cafeína nas plantas. “Quando nós editamos esse gene, mudamos o código genético, ele deixa de sintetizar a cafeína, deixa de transformar a teobromina em cafeína nos grãos, e a planta deixa de produzir cafeína”, explica Guerreiro. Não existe no mercado um café naturalmente descafeinado. A maior parte do café descafeinado presente no mercado é obtida por meio de processos químicos, que alteram também o aroma e o sabor da bebida.

“Nossa proposta é usar a edição genômica em cultivares comerciais com o objetivo de obter plantas com grãos desprovidos de cafeína, como uma estratégia alternativa à seleção clássica, também conduzida pelo IAC. Partindo de uma cultivar comercial, produtiva, vigorosa, resistente a pragas e doenças e que receberá o gene que atribui a característica aos grãos naturalmente desprovidos de cafeína”, detalha.
O pesquisador explica que essa mesma tecnologia se desdobra e poderá ser usada para obter, por exemplo, cultivares resistentes à determinada praga ou doença. Estima-se que em cinco anos a equipe terá a planta de café editada com baixo índice de cafeína. A partir desse resultado terá início uma nova etapa da pesquisa com avaliações de plantas editadas em casa de vegetação e campo. Ciência é trajetória de longo prazo, ainda que os avanços viabilizem atalhos.

10% do café consumido mundialmente são descafeinados

O café reúne fãs pelo mundo. Mas nem todo consumidor lida bem com a cafeína, fato que levou ao crescimento do mercado de café descafeinado. Cerca de 10% do café consumido mundialmente têm essa característica. A expansão de cafés especiais também ampliou a demanda pela bebida com baixo teor de cafeína. Mas o desenvolvimento de uma cultivar de café arábica naturalmente desprovida de cafeína é uma demanda antiga. No entanto, a “ausência de cafeína” nos grãos havia sido relatada apenas em espécies de cafeeiros não cultivadas, endêmicas de Madagascar, e a ciência brasileira não tinha acesso a estes recursos genéticos. É o que conta o pesquisador do IAC, Oliveiro Guerreiro Filho.

Sem ter como transferir esta característica para o café arábica, por falta de acesso às espécies Malgaxes, foi necessário garimpar exaustivamente no banco de germoplasma do IAC, em Campinas, plantas com essa característica. A busca, liderada pela pesquisadora do IAC, Maria Bernadete Silvarolla, deu resultado e, em 2003, pesquisadores do Instituto encontraram na coleção de cafeeiros café arábica, originária da Etiópia, plantas com ‘baixo teor de cafeína’. Essa descoberta facilitaria a transferência da característica desejada, já que é mais fácil transferir genes, por meio de cruzamentos, entre plantas de uma mesma espécie. A conquista foi veiculada pela revista Nature, publicação de divulgação científica mais citada do mundo.

A partir dessa descoberta, o desenvolvimento de uma variedade de café naturalmente com baixo teor de cafeína seria feito pelo método clássico de melhoramento genético, isto é, com hibridações e seleções sucessivas. Com essa estratégia, os cientistas transferem os genes das plantas e selecionam os descendentes com as características desejadas.

Esse método tradicional de seleção vem sendo conduzido no IAC desde 2003/2004, pois embora pertencentes à mesma espécie, os cafeeiros originais identificados com baixa cafeína não reuniam o perfil comercial necessário para serem imediatamente cultivados, apresentando baixa produtividade e vigor vegetativo, além de serem suscetíveis a doenças e pragas, com a maior parte de nossas cultivares. “A ideia então foi aproveitar somente a característica de interesse e transferi-la para uma variedade mais produtiva e com boa qualidade de bebida”, explica Guerreiro.

O longo período de seleção de uma cultivar de café se explica por algumas particularidades relacionadas à natureza perene da espécie e à necessidade de avaliação das gerações mais avançadas em ambientes distintos. “A nova cultivar deve ser estável, ou seja, sempre do mesmo jeito, em qualquer ambiente cultivado”, explica Guerreiro.

Cerca de 90% do parque cafeeiro brasileiro de café arábica são compostos por cultivares desenvolvidas pelo Instituto Agronômico. O Estado de São Paulo é o maior consumidor, processador e exportador do Brasil, que é o maior produtor mundial de café. O setor cafeeiro nacional movimenta o valor bruto de produção de R$ 25 bilhões, por ano. Os principais desafios são a qualidade da bebida, o mercado de cafés especiais e a sustentabilidade da produção.

NPOP-IAC na área de cana-de-açúcar envolve aumento de biomassa, tolerância à seca, resistência ao carvão e modificação da parede celular

Na área de cana-de-açúcar, o NPOP-IAC objetiva gerar produtos biotecnológicos, com foco em transgenia, a partir de resultados de uma década de pesquisa desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC). O objetivo é tornar o setor sucroenergético mais sustentável e competitivo, partindo de resultados de pesquisas científicas já desenvolvidas no Instituto Agronômico. A equipe irá desenvolver variedades de cana-de-açúcar e cana-energia transgênicas que apresentem aumento de produtividade, tolerância à seca, plantas resistentes ao fungo do carvão e modificação de parede celular para produção de etanol de segunda geração.

“A equipe do IAC identificou genes funcionalmente associados à tolerância a seca que, quando superexpressos em plantas transgênicas, também foram capazes de aumentar a produtividade em condições de estresse hídrico. Também identificou genes envolvidos na composição da biomassa lignocelulósica, de forma a viabilizar a produção de etanol celulósico ou etanol de segunda geração”, explica a pesquisadora do IAC, Silvana Aparecida Creste Dias de Souza.

Segundo a cientista, apesar do potencial energético existente na cana para produção de etanol de segunda geração a partir da biomassa vegetal, sua conversão em biocombustíveis ainda enfrenta obstáculos técnicos e econômicos. A lignina, um componente estrutural da parede celular vegetal, dificulta o processo de sacarificação e obtenção deste biocombustível. Para obter elevados rendimentos de produtividade, que torne o processo economicamente rentável, é necessário um aperfeiçoamento da matéria-prima. “Nossa equipe tem prospectado genes capazes de superar esse gargalo desde 2008, e, atualmente, vários genes identificados podem ser utilizados em abordagens de engenharia genética, a fim de alterar o conteúdo e/ou a composição da lignina e de outros componentes da parede celular, por meio de produção de plantas transgênicas”, explica a pesquisadora do IAC.

Os resultados alcançarão toda a cadeia de produção do setor sucroenergético e também as pesquisas nessa área. “O setor será beneficiado por ter acesso a tecnologias robustas para aumento de produtividade da cana-de-açúcar e melhoria da qualidade da matéria-prima da cana-energia para indústria de etanol 2G”, resume Silvana.

Segundo a cientista, a tolerância à seca tem sido uma característica priorizada pelos programas de melhoramento de culturas agrícolas em todo o mundo. “Além da necessidade de produzir mais com menos água, essa característica reduz a competição de água na agricultura com o humano”, completa. Além disso, completa a pesquisadora, as mudanças climáticas globais têm trazido uma imprevisão na ocorrência das chuvas, fazendo com que os veranicos ocorram nas estações mais chuvosas, como no verão brasileiro. Por exemplo, na safra de 2018, o veranico que ocorreu no início do ano, na região Centro-Sul, reduziu em 6% a produtividade dos canaviais. “Isso parece pouco, mas equivale à produção de cana-de-açúcar no estado do Paraná naquele ano, de aproximadamente 36 milhões de toneladas”, acrescenta.

Considerando os benefícios para o ambiente, as tecnologias a serem geradas permitirão aumentar a produtividade com economia no uso da água, além de verticalizar a produção, isto é, proporcionar maior produtividade por área. “Temos plantas transgênicas de cana energia em experimentação a campo que estão apresentando até 40% a mais na produtividade, afirma.

De acordo com Silvana, o carvão é uma das principais doenças fúngicas na canavicultura. O controle químico não é uma estratégia economicamente viável, de forma que a melhor forma de manejo é o uso de variedades resistentes. No entanto, a doença apresenta interação com o ambiente e, às vezes, uma variedade apresenta resistência num determinado ambiente e não o faz em outro. “Segundo a literatura, para cada 1% de planta infectada, estima-se 0,89% de perda na produtividade. Apesar de ser uma doença que os programas de melhoramento estão atuando bastante, das 22 cultivares mais cultivadas no Brasil, 16 apresentam algum nível de suscetibilidade ao carvão”, explica.

Nesse cenário, o IAC desenvolve pesquisa com carvão e atualmente existem vários genes promissores que poderão ser usados no desenvolvimento de tecnologias disruptivas para resistência ao carvão.

“O interessante de nossas pesquisas é que não estamos reinventando a roda mas, sim, avançando no desenvolvimento de tecnologias que promoverão uma canavicultura mais sustentável e economicamente viável”, comenta. Atualmente há três pedidos de propriedade intelectual depositados no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). Há experimentos com canas geneticamente modificadas para melhoria de conteúdo e qualidade de biomassa para etanol celulósico. As plantas estão em avaliação experimental a campo, por meio da liberação planejada no ambiente aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), em projeto de parceria público-privada com a Granbio. “Em cinco anos de projeto, a equipe pretende dispor de genótipos elites, portanto as tecnologias proprietárias do IAC em campo, com vistas à liberação comercial”, diz. O estudo será conduzido no Centro de Cana do IAC, em Ribeirão Preto, que dispõe de infraestrutura e equipe técnica qualificada para o desenvolvimento do projeto.

A equipe também pretende atuar na edição gênica em cana. “Apesar dessa tecnologia prometer pavimentar o caminho da agricultura futuro, ela ainda apresenta desafios enormes na área de cana que precisam ser superados e, nesse projeto, pretendemos avançar no aprendizado e domínio dessa tecnologia em cana de forma a estabelecer uma plataforma de edição gênica no IAC”, diz.

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Fonte: Assessoria de imprensa – IAC

Plataforma Biotecnológica de Ingredientes Saudáveis liderada pelo Ital é aprovada pela Fapesp

Com investimento público-privado de aproximadamente R$ 6,7 milhões ao longo de cinco anos, sairá do papel a Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (PBIS), sob liderança do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, envolvendo institutos de pesquisa, universidades públicas, fundação, cooperativa e empresas paulistas. Alinhada aos objetivos de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), a proposta de Núcleo de Pesquisa Orientada a Problemas (NPOP) foi aprovada nesta terça-feira (22) pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no Edital Ciência para o Desenvolvimento com a missão de integrar os sistemas produtivos e aplicar processos biotecnológicos sustentáveis para produção de alimentos usando matérias-primas nacionais e aproveitando subprodutos da agroindústria.

Outros dois órgãos de pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) da Secretaria estão envolvidos na PBIS, o Instituto Agronômico (IAC) e o Instituto de Economia Agrícola (IEA), assim como a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Escola de Engenharia de Lorena (EEL) e o Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP) e a Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Assis. Também uniram-se à plataforma a Dori Alimentos, sediada em Marília, a Jacto, sediada em Pompeia, com fábricas na Argentina e na Tailândia e escritórios comerciais nos Estados Unidos e no México, e a cooperativa agrícola Coplana, sediada em Guariba, com filiais em Jaboticabal, Taquaritinga, Dumont, Pradópolis, Batatais e Colina e postos Avançados em Catanduva, Monte Aprazível e Frutal (MG), além da Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia.

Pelo mesmo edital, foi aprovado ainda outro NPOP-IAC liderado pelo Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura, dedicado a biotecnologia em citros, cana e café. Os dois núcleos somam R$ 69,6 milhões em investimentos, sendo R$ 7,240 milhões da Fapesp, R$ 8,47 da iniciativa privada e R$ 53,89 milhões do Estado, incluindo infraestrutura e salários. Já o Instituto de Pesca (IP), também vinculado à APTA, participa do NPOP sediado pela Universidade de São Paulo (USP) com a temática Pescado para Saúde, com financiamento de R$ 3,6 milhões da Fapesp, R$ 6 milhões da iniciativa privada e R$ 14,2 milhões do Estado, incluindo infraestrutura e salários.

Para melhor alinhamento dos profissionais das instituições de pesquisa e ensino envolvidos nos NPOPs, as equipes passaram pelo treinamento de 120 horas em gestão ágil ao longo de seis meses, em que aprenderam sobre as metodologias Design Thinking, MVT (Tecnologia Mínima Viável) e Scrum. Durante a capacitação, foram ainda definidos valores, visão, identidade e missão e elaborado o regimento interno de cada núcleo em conjunto com as empresas parceiras.

“É um modelo de trabalho que existe em outros países considerando a tríplice hélice de inovação, envolvendo governo, pesquisa pública e iniciativa privada, o que tem gerado no mundo resultados mais eficientes e rápidos por considerar as demandas e os problemas do sistema produtivo e da sociedade para concretizar pesquisas e desenvolvimentos. O setor privado envolvido será beneficiado por estar perto do conhecimento e integrar o comitê executivo e estratégico que direciona as pesquisas”, explica a gestora executiva da PBIS, Gisele Camargo, diretora de Programação de Pesquisa e vice-diretora do Ital. “Tudo foi pensando para conseguirmos no final tecnologias, produtos e processos que tragam maior competitividade para as indústrias que atuam no setor de alimentos e bebidas, de forma que possam gerar resultados para o País como emprego e renda”, complementa Gisele, lembrando que a grande maioria de ingredientes utilizados atualmente é importada.

A pesquisadora responsável pela PBIS, Maria Teresa Bertoldo Pacheco, que atua no Centro de Ciência e Qualidade de Alimentos (CCQA) do Ital, considera as aprovações um marco na virada do modelo de pesquisa no Brasil. “A Fapesp foi inovadora nesse arranjo, onde com o apoio do governo permite às indústrias pinçar da academia e dos institutos os conhecimentos que consideram importantes para seu crescimento, diferencial de mercado e atendimento aos anseios dos consumidores”, avalia. “O arranjo proposto vai ser o fio condutor para construção de uma mentalidade inovadora, com troca de conhecimento e experiências. Trata-se de uma oportunidade de externar as expertises dos pesquisadores dos institutos e de aprender novas tecnologias e métodos de trabalho, além da troca de experiências e networking”, completa.

Motivação e diretrizes

A PBIS foi concebida para atender à tendência mundial da indústria de alimentos em oferecer praticidade, indulgência e ao mesmo tempo nutrição com benefícios à saúde, considerando o crescimento da população e da urbanização com consequente aumento do consumo de alimentos de industrializados. Também foi levado em conta a falta de acessibilidade da indústria brasileira a tecnologias dominadas por um número reduzido de multinacionais, responsáveis pela maior parte dos ingredientes disponíveis no Brasil.

No mercado nacional, essa demanda é sustentada dentre os principais fatores pelo Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) 2011-2022, pela Estratégia Intersetorial de Prevenção e Controle da Obesidade e pela Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN).

O projeto foi construído ouvindo as demandas da sociedade e dos consumidores e os interesses das indústrias parceiras, tendo sido selecionados então institutos e universidades envolvidos em pesquisas científicas relevantes e compatíveis com os interesses levantados, sempre considerando as perspectivas de tendências de mercado alinhadas com propostas de inovação.

“Vamos juntar as competências e atuar com a aplicação em alimentos e bebidas e o escalonamento, passando pela caracterização nutricional, microbiológica e tecnológica, para obtenção de ingrediente competitivo no mercado e que, dentro da matriz alimentícia, atenda a indústria e ao consumidor, garantindo a saudabilidade”, resume a gestora executiva da PBIS, Gisele Camargo, sobre a contribuição do Ital, que terá como parceiras sedes a Unicamp e a USP e como associados o IAC, o IEA e a Unesp.

Da Unicamp, será aproveitada a expertise em processos biotecnológicos, biotransformações enzimáticas e avaliação de compostos bioativos in vitro das pesquisadoras Gabriela e Juliana Macedo, do Departamento de Nutrição da FEA. Pelo IFSC-USP, participa o professor Igor Polikarpov, reconhecido mundialmente por seu trabalho com estruturas de proteínas e bioprocessos, possibilitando a atuação com proteínas doces e fibras como xilooligossacarídeos e frutooligossacarídeos. Nas áreas de biotransformação e bioprocessos, ainda haverá o suporte da EEL-USP e da Unesp Assis, com os pesquisadores Fernando Segato e Pedro Oliva Neto, respectivamente. Já o IAC contribuirá com a seleção de fontes de matérias-primas viáveis a serem utilizadas e o IEA, com a avaliação da viabilidade econômica.

Segundo a pesquisadora responsável pela PBIS, Maria Teresa, o Ital destinará 268 m2 de área física com apoio técnico e administrativo para a realização e desenvolvimento das diferentes plataformas biotecnológicas envolvidas no projeto. Além disso, todas as áreas técnicas estarão envolvidas, direta ou indiretamente, com equipes bem definidas e treinadas. “Acreditamos que tanto os pesquisadores quanto as instituições terão maior reconhecimento e projeção nacional e internacional, ocupando lugar de destaque no cenário atual de inovação. Do ponto de vista de recursos humanos, serão abertas novas oportunidades de trabalho através de bolsas, inclusive de pós-graduação vinculadas ao Ital e às universidades”, finaliza.

Próximos passos

Dividido em sete etapas, contemplando toda a cadeia produtiva, o programa de pesquisa será executado através de quatro plataformas de investigação de média e grande complexidades para oferecer substitutos saudáveis e funcionais de ingredientes convencionais. São elas: síntese de lipídios estruturados para redução calórica de alimentos com perfis de fusão e cristalização adequados para aplicação em diferentes tipos de produtos (I); obtenção de extratos fenólicos a partir de resíduos agrícolas nacionais abundantes com aplicação em alimentos funcionais (II); desenvolvimento e produção de prebióticos e proteínas doces e suas interações para promoção da saúde humana (III); novas fontes de proteínas vegetais utilizando pulses para obtenção de farinha de maior teor proteico com funcionalidade tecnológica e nutricional melhoradas para serem substitutas das proteínas animais em sistemas alimentícios (IV).

Na primeira etapa serão sintetizados os compostos saudáveis, por vias biotecnológicas e validação dos métodos. Em seguida, haverá o escalonamento de produção dos ingredientes e o desenvolvimento e readequação de formulações, envolvendo caracterização, avaliação sensorial e estudo de estabilidade dos alimentos desenvolvidos, trabalhos correspondentes à segunda e à terceira etapas.

Já a quarta etapa abrange os ensaios pré-clínicos in vitro e in vivo e na quinta etapa haverá scale up, transferência de tecnologia e estudos de viabilidade econômica. Por fim, a sexta e a última etapas envolverão apoio aos assuntos regulatórios e gestão da propriedade intelectual.

Fonte: Assessoria de imprensa do ITAL

Instituto Biológico participa da elaboração de guia para vacinação contra brucelose

Servidores do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, participaram da elaboração de guia voltado às boas práticas na vacinação contra brucelose em bovinos. O Guia Prático de Procedimentos para Vacinação contra Brucelose de Bovídeos, publicado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária de SP, foi idealizado pela Comissão Técnica de Saúde Animal do CRMV-SP. Participaram da elaboração os profissionais do IB Ricardo Spacagna Jordão, Maristella Cardoso e Margareth Genovês (aposentada), além de técnicos da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), também da Secretaria, e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

“Há um problema, principalmente no campo, de infecção dos médicos-veterinários pela brucelose durante a vacinação”, aponta o médico-veterinário Ricardo Jordão. Ele explica que a contaminação é possível porque a vacina é feita com células vivas da bactéria causadora da doença (Brucella abortus). “Há um risco grande de se infectar no manuseio dos materiais, que é aumentado pelo fato de, muitas vezes, não se utilizar os EPIs (equipamentos de proteção individual) corretos”, alerta o especialista.

Conforme afirma, apesar de, por vezes, haver negligência, também há uma falta de orientação adequada ao profissional que realiza a vacinação. “A gente achou que seria importante ter um manual bem prático para dar suporte para os médicos-veterinários, evitando a contaminação. O Guia é justamente para isso: evitar a contaminação no trabalho, ocupacional”, pontua Jordão. Em alguns estados, acrescenta, existem vacinadores auxiliares, que também precisam ser treinados.

De acordo com Jordão, outra questão que pode ocorrer é não haver o descarte adequado dos materiais (seringas, frascos, etc), aumentando os riscos de infecção acidental. Há algum tempo, menciona, era comum enterrar e queimar os materiais, mas, em virtude do aumento da percepção dos impactos ambientais envolvidos, a prática deixou de ser uma opção. “Esse manual veio também para padronizar isso: o que fazer com os frascos, como descartar agulhas, etc. O intuito é orientar o médico veterinário no atendimento tanto da legislação sanitária quanto da ambiental”, defende o médico-veterinário do IB. A iniciativa, segundo ele, vem complementar as ações do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose. “Queremos trazer soluções práticas, que o profissional consiga fazer no seu dia a dia”.

Jordão exalta a experiência dos órgãos envolvidos, e em especial do IB, enquanto elemento central para a confiabilidade do material. O especialista lembra que o Instituto trabalha há muito tempo com a brucelose e é o responsável pela produção do antígeno necessário para diagnóstico da doença nos animais. “O IB possui também laboratório específico para diagnóstico de brucelose, com corpo técnico altamente especializado”, destaca o especialista. “São anos de pesquisa que vêm aproximar o laboratório do campo”, realça.

Perigo real

Apesar de haver uma baixa percepção do problema pela população em geral, a infecção por brucelose pode trazer danos sérios à saúde humana, com sintomas como fraqueza, tremores, febre, entre outros. Como elucida o especialista do IB, apesar de haver tratamento, o diagnóstico é bastante difícil, por não ser uma doença de rotina. “Por ser uma doença veterinária, o médico humano muitas vezes acaba não suspeitando do problema, mesmo que os sintomas estejam presentes”, alerta Jordão. Eventualmente, diz, uma pessoa pode passar anos com os sintomas sem que a doença seja corretamente diagnosticada. Por isso, é importante qualquer pessoa que trabalhe com vacinação contra a brucelose expôr o fato ao procurar o auxílio de profissionais de saúde.

O Guia Prático de Procedimentos para Vacinação contra Brucelose de Bovídeos do CRMV-SP está disponível na internet e pode ser obtido gratuitamente através deste link.

Fonte: Assessoria de Imprensa APTA

Governo de SP publica decreto que eleva à nível superior cargos de pesquisadores científicos dos institutos públicos

O governo do Estado de São Paulo publicou hoje (22/12), no Diário Oficial, decreto que eleva à classe de nível imediatamente superior cargos e funções-atividades de cem pesquisadores científicos de carreira lotados no serviço público. O decreto é resultado de uma luta antiga da categoria, da qual fez parte a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC). “É uma conquista há muito esperada.”, definiu o presidente da entidade, Dr. João Paulo Feijão Teixeira.

Segundo ele, houve “forte empenho da APqC junto às secretarias de estado e ao vice-governador” para que não houvesse descontinuidade do processo de avaliação por mérito dos pesquisadores que atuam nos intitutos públicos de pesquisa. Em mensagem encaminhada ao vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, no último dia 17, o presidente da Associação lembrou que a publicação do decreto atenderia o cumprimento da Lei Complementar nº 125/1975, que criou a carreira pública de pesquisador, hoje com 45 anos de existência.

O decreto eleva de nível pesquisadores científicos aprovados no acesso 2019, homologado e publicado em 7 de abril de 2020 pela Subsecretaria de Gestão da Secretaria de Fazenda e Planejamento. Feijão Teixeira destaca a importância da ampliação deste direito a pesquisadores que estão, neste momento, trabalhando na linha de frente contra a Covid-19 dentro dos institutos Butantan, Adolfo Lutz e Biológico, entre outros. “Finalmente uma boa notícia nesta reta final do ano. A APqC parabeniza os pesquisadores e continuará na luta pela garantia de direitos em 2021.”, disse.

Para ter acesso à íntegra do decreto e aos nomes dos pesquisadores contemplados clique aqui.

IAC atualiza o sistema de mudas pré-Brotadas de cana e o torna mais sustentável

Em constante evolução, o Sistema de Mudas Pré-Brotadas (MPB), desenvolvido pelo Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, passa por atualização para tornar o processo de produção das mudas mais sustentável. Com as mudanças sugeridas pelos pesquisadores do Programa Cana IAC é possível economizar energia, reutilizar resíduos e fazer a rastreabilidade.

De acordo com Mauro Alexandre Xavier, pesquisador o IAC, desde que foi criado, em 2009, o Sistema MPB passa por desdobramentos constantemente. Agora, a equipe do Instituto se dedica a tornar os procedimentos mais sustentáveis e ágeis nos chamados Núcleos de Produção de Mudas. “Fizemos algumas mudanças que foram muito positivas no Núcleo do Centro de Cana IAC, em Ribeirão Preto, e agora isso começa a ser levado para o setor sucroenergético, que pode se inspirar no que fizemos”, afirma.

Uma das mudanças foi a instalação de placas de energia solar. Xavier explica que a energia é importante para a produção das MPB. As mudas precisam ser produzidas em um ambiente com temperatura e umidade controladas. “A economia em energia vai variar de acordo com o tamanho de cada sala de brotação. No caso do IAC, que tem salas com 60 m² e capacidade de produzir 70 mil gemas brotadas a cada dez dias, conseguimos reduzir em 80% o consumo em Kwh/mês no processo de produção”, explica.

Outra atualização importante foi o uso de resíduos da produção das MPBs para a formação de compostagem, usada no próprio cultivo das áreas de Jardins Clonais, mantidos pelo Centro de Cana do IAC. Segundo Xavier, para produzir as MPBs, o importante é o uso das gemas, pequena estrutura do colmo que fica nos entrenós. “Passamos a utilizar os resíduos do processo para produzir um composto que será reutilizado no campo. Dessa forma, de uma maneira extremamente simples, estabelecemos o conceito de economia circular, utilizando o próprio resíduo como insumo para a produção de novas mudas”, afirma.

A rastreabilidade também passou a fazer parte da produção das MPBs. Segundo o pesquisador, desde setembro de 2020 o IAC tem implementado e validado os procedimentos. Essa ação torna possível “mapear” o processo completo, do Jardim Clonal à finalização da produção, controlando a utilização de insumos e ampliando a qualidade nos procedimentos. “Isso tem trazido melhorias ao produto final, acumulando informações de toda a cadeia de produção”, relata.

Setor sucroenergético passa a conhecer atualizações propostas pelo IAC

Atento às novidades vindas da pesquisa, o setor começa a se movimentar para entender e participar das atualizações da produção e utilização das MPB propostas pelo IAC. De acordo com Xavier, assim como ocorreu no Sistema de Mudas Pré-Brotadas, o Núcleo de Produção de MPB do IAC será demandado pelo setor sucroenergético como um ambiente de divulgação dessas atualizações.

“O setor terá à disposição nossas atualizações e poderá começar a fazer uso delas, incorporando essas mudanças na produção de mudas. Isso é muito positivo, pois adicionamos controles, técnica e sustentabilidade na produção das MPB, o que acaba refletindo na melhor qualidade das mudas”, afirma Xavier.

IAC propõe reduzir pela metade tempo de produção de uma muda

O IAC também avalia a utilização de gemas brotadas diretamente a campo. Ainda em fase experimental, o novo pacote tecnológico em estudo poderá reduzir pela metade o tempo de produção de material de propagação, que atualmente está em torno de 60 dias.

A ideia, de acordo com Xavier, não é deixar de produzir as MPBs da forma como é feita hoje, mas sim que o produtor tenha mais uma opção de uso e manejo e possa economizar, por exemplo, em logística.

Os primeiros testes já foram realizados no Núcleo de Produção de MPB do IAC. As gemas brotadas estão sendo avaliadas em experimentos de campo em usinas parceiras do Programa Cana IAC. A expectativa é divulgar os primeiros resultados em 2021.

Fonte: Assessoria de Imprensa – IAC

Projeto da APTA retoma plantio de uvas em campo experimental de São Roque

Projeto retoma plantio de uvas em campo experimental de São Roque — Foto: TV TEM/Reprodução

Caminhar pelas videiras é um momento de nostalgia para Gustavo. Ele vem de uma tradicional família produtora de vinho, mas o investimento no plantio de uvas não era feito havia décadas, desde o bisavô. Atualmente, as frutas para a vinícola chegam de outros municípios e até de outros estados. O produtor vê com otimismo o desenvolvimento de variedades para serem cultivadas em São Roque (SP).

A produção dos 1.300 pés de uvas de um campo experimental vai para a vinícola dele. A área faz parte de uma pesquisa desenvolvida em São Roque. Quatro variedades de uvas orgânicas aceitaram bem o solo e o clima do município.

O projeto começou em 2018 na unidade da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta). A área, bem próxima à cidade, já era um ambiente orgânico, o que facilitou o plantio das mudas. O sistema escolhido foi o de espaldeira com pés cultivados em linhas.

Outra característica é a cobertura em arco, o que protege folhas e frutas da umidade e do sol. A cerca viva abraça o parreiral. É uma proteção natural para quebrar o vento e afastar insetos e passarinhos. No espaçamento entre os pés, muitas plantas daninhas. São elas que naturalmente ajudam a afastar os inimigos.

Para manter os pés saudáveis é preciso observação e também conhecimento, porque doença é sinônimo de desequilíbrio. Na produção orgânica, quando um pé fica doente, o remédio tem que ser no estilo caseiro. Um deles, por exemplo, foi atacado por um ácaro, o que significa deficiência de enxofre no solo. Ele está sendo curado com calda de folha de mamona.

O projeto retoma uma cultura histórica em São Roque: a de produtor de uvas e vinhos. 18 produtores do Sindicato da Indústria do Vinho (Sindusvinho) investiram no projeto de pesquisa.

As uvas orgânicas agregam valor aos produtos. Com áreas mais valorizadas no estado de São Paulo, a produção em pequena escala se tornou uma alternativa para quem ainda tem prazer em cultivar uvas.

O empresário Túlio Patto viu no plantio de uvas uma atração para o negócio da família e investiu em mil pés de cinco variedades diferentes. Em uma pequena área do restaurante, fez o parreiral com condução coberta. Ainda não tem selo de orgânico, mas garante que, com toda a proteção, poucos defensivos são usados.

A colheita começa em breve e retirar os cachos de uvas será um trabalho para os clientes do restaurante.

Clique aqui para assistir reportagem veiculada pela GloboPlay no dia 20/12.

Fonte: G1

APTA quer criar vitrine tecnológica da banana no Vale do Ribeira

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Polo Regional de Pariquera-Açú da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), desenvolve pesquisas para identificar a real necessidade da reforma das plantações de banana. Apesar de a literatura científica indicar a necessidade da reforma do bananal após os cinco primeiros anos de cultivo, os produtores nem sempre dispõem de dados tabulados e detalhados sobre a prática em sua propriedade, o que reduz a adoção da técnica. Com a pesquisa, a APTA espera disponibilizar mais informações para os produtores do Vale do Ribeira decidirem melhor sobre sua produção. O secretário de Agricultura e Abastecimento, Gustavo Junqueira, visitou no último dia 9 de dezembro a unidade de pesquisa, na qual será criada uma vitrine tecnológica da cultura da banana para transferir conhecimentos e tecnologias para os agricultores.

De acordo com o pesquisador e diretor do Polo Regional de Pariquera-Açú da APTA, Erval Damatto Junior, o foco da pesquisa é a longevidade e a viabilidade econômica do bananal. “Pretendemos avaliar a necessidade ou não da reforma da plantação, uma técnica que consiste em eliminar todas as plantas da área, de um lote doente ou com baixa produtividade e realizar um novo plantio”, explica.

A literatura científica recomenda uma possível reforma do bananal a partir do quinto ano de produção devido a perdas na produtividade. No dia a dia, porém, apenas a partir do décimo ano que parte dos produtores começam a adotar a técnica. “Cerca de 20% dos produtores de banana fazem a reforma a partir do décimo ano. Mas há bananais no Vale do Ribeira, por exemplo, com mais de 80 anos de produção, que nunca foram reformados”, afirma o pesquisador da APTA.

A baixa utilização da reforma é explicada pelos custos envolvidos na operação e porque após o novo plantio, o bananal demorará mais um ano para se formar e iniciar a produção de novos cachos da fruta. “O momento da reforma é bastante relativo, pois depende das condições de solo, de cultivo e de tratos culturais realizados, que podem influenciar no tempo necessário. Por isso, é importante realizarmos pesquisas direcionadas à produção do Vale do Ribeira, que tem a banana como seu principal produto do agro. A ideia é fazermos o acompanhamento das condições do bananal e da sua produção para fornecermos informações para a tomada de decisão do produtor”, explica Damatto Junior.

Iniciada em 2019, os primeiros resultados da pesquisa devem começar a surgir a partir da primeira colheita dos frutos, que será realizada entre janeiro e fevereiro de 2021. O trabalho está sendo conduzido em conjunto com a empresa Marquinhos Bananeiro.

Vitrine Tecnológica

A expectativa, segundo Damatto Junior, é criar nesta área uma vitrine tecnológica, em que produtores rurais, técnicos, pesquisadores e empresas de insumos aprendam sobre técnicas de manejo da produção da banana.

O trabalho está sendo realizado em uma área de 37 hectares do Polo Regional da APTA, em que foram plantadas diferentes cultivares de banana, tipos de muda e usado espaçamento e adubação diferenciada. Por isso, há a possibilidade de se estudar outros aspectos da cultura e do manejo da banana dentro da área, como o uso de fertilizantes, defensivos agrícolas e outros insumos empregados na produção.

“Antes desse trabalho, essa área era improdutiva dentro da nossa unidade de pesquisa. Encontramos na parceria com a iniciativa privada uma forma para desenvolver projetos relevantes para os produtores e trazê-los para perto da pesquisa científica. A APTA é referência em estudos com banana e, por isso, queremos ter um espaço para levar todo o conhecimento gerado aqui para quem está no dia a dia no campo”, explica.

Os pesquisadores da APTA e técnicos da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) lançaram neste ano o Manual Técnico 82 – Cultivo da Bananeira que pode ser baixado gratuitamente.

Vale do Futuro

A banana é uma das principais culturas da região do Vale do Ribeira, que conta com 22 municípios e o Programa Vale do Futuro, estabelecido pelo Governo do Estado de São Paulo.

São Paulo é o maior produtor nacional de banana, respondendo por 15,7% do total produzido no Brasil em 2018, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA). O Vale do Ribeira produziu 34.536.804 caixas de 21 quilos de banana em 2019, o que gerou R$ 1.038.867.282,69 para a região e respondeu por 65% da produção estadual da fruta.

Fonte: Assessoria de Imprensa – APTA

Cartilha de cuidados preparada pela Fiocruz

A #Apqc divulga a cartilha de cuidados preparada pela Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz, indicada para quem está pensando em celebrar as festividades do Natal e do Réveillon na casa de parentes ou amigos. Lembrando que não há prevenção 100% segura nestes casos, desejamos a todos que passem bem o fim do ano, com responsabilidade e saúde, entre os seus.

Para acessar o conteúdo da cartinha clique aqui e recomende a leitura aos seus contatos. Feliz Natal!

Boas Festas!

Recesso de Fim de Ano

Ital oferece bolsa jovem pesquisador em Contaminação de Alimentos por Embalagens

O Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, está com inscrições abertas até 30 de dezembro para o processo seletivo de uma bolsa jovem pesquisador para atuar por quatro anos em projeto de pesquisa relacionado a contaminantes químicos de alimentos decorrentes da migração a partir de materiais de embalagem.

Com valor mensal de R$ 8.152,20, isento de imposto de renda, a bolsa está vinculada ao Plano de Desenvolvimento Institucional de Pesquisa (PDIP) do Ital, localizado em Campinas, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Para se candidatar é preciso ter doutorado em Química, Engenharia de Alimentos, Engenharia Química, Engenharia de Materiais ou áreas afins e experiência posterior como pesquisador por pelo menos dois anos em grupo de pesquisa fora do País e internacionalmente competitivo.

Dentre os requisitos, é necessário conhecimento da língua inglesa para leitura, redação científica e conversação, comprovada produção científica nas áreas relacionadas e prática em técnicas instrumentais como cromatografia gasosa, cromatografia líquida e espectrometria de massas, além de conhecimento sobre embalagens para contato com alimentos e sobre composição e química de materiais plásticos, formulações, condições de processamento e processos de degradação de plásticos.

O aprovado atuará no Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) do Ital e integrará a ampliação da área de Segurança e Saudabilidade de Alimentos, mais especificamente na implantação de estudos de contaminantes não intencionalmente adicionados em materiais de embalagem plásticos destinados ao contato com alimentos. Dentre suas atribuições, estão o desenvolvimento de um projeto relacionado ao tema e a realização de estudos experimentais considerando diferentes materiais e estruturas de embalagem, condições de uso e requerimentos de legislações.

Fonte: Assessoria de imprensa do Ital

Pesquisa do Instituto Florestal busca alternativas ao uso do pau-brasil na confecção de instrumentos de corda

A revista Pesquisa FAPESP, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, publicou em seu canal do Youtube matéria sobre pesquisa do Instituto Florestal que busca oferecer alternativas ao uso do pau-brasil (Paubrasilia echinata) na confecção de arcos para instrumentos de corda. O trabalho é desenvolvido pelo biólogo Eduardo Longui e pelo arqueteiro Daniel Lombardi. Assista ao vídeo abaixo.

Estudante do Instituto de Pesca alcança 2º lugar na 1ª Maratona Digital de Aquicultura

O estudante do segundo semestre da Pós-graduação em Pesca e Aquicultura, do Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mikel Eduardo de Mello Campos, conquistou a segunda posição entre os dez classificados na 1ª Maratona Digital de Aquicultura. Realizada pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE-Aracati) entre os dias 17 e 18 de outubro de 2020 de forma online, devido à pandemia de Covid-19, a maratona reuniu estudantes e profissionais da área de Aquicultura de todo o Brasil para realizar avaliações sobre conhecimentos da área.

Único representante do Estado de São Paulo entre os classificados, Mikel é formado em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário FIEO e na Pós-graduação do IP é orientado pela pesquisadora científica da instituição Claudia Maris Ferreira Mostério.

A avaliação se deu com 50 questões no dia 17 de outubro e mais 50 questões no dia 18 de outubro. A devolutiva aos participantes do evento foi dada pelos organizadores por e-mail e pelo site, onde se encontram as avaliações por categoria, com gabarito, e a classificação dos dez primeiros participantes classificados com maior pontuação.

“Eu me surpreendi com o resultado, pois estou no segundo semestre ainda. O meu interesse em participar foi para testar meus conhecimentos na área de Aquicultura, visando compreender onde estão os pontos fortes e fracos nesta área e o aprimoramento de minhas técnicas de estudos e pesquisas. Com a participação no evento, pude perceber em qual área da Aquicultura tenho mais conhecimento e em quais áreas preciso de aperfeiçoamento, para me tornar um profissional e pesquisador melhor”, explica Mikel.

Fonte: Assessoria de Imprensa – APTA

Evento conecta conhecimentos da pesquisa científica, produção agrícola e alta gastronomia

O resultado da conexão de saberes relacionados à ciência, produção agrícola e gastronomia poderá ser conferido no Mesa Regeneração, evento online realizado pela Prazeres da Mesa, em 10, 11 e 13 de dezembro de 2020. Mais de dez pesquisadores científicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo participaram da ação, abordando assuntos que são objetos de pesquisa nos Institutos e Polos Regionais da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA). Chefs de cozinha renomados fizeram uma imersão com os pesquisadores e produtores rurais em três unidades experimentais da Secretaria, localizadas em Monte Alegre do Sul, Tietê e Pindamonhangaba.

De acordo com a organização do evento, o objetivo do Mesa Regeneração é unir o setor da alimentação por meio de práticas sustentáveis, tendo como pilares o consumo alimentar consciente e biodiverso, a discussão de estratégias para a regeneração do planeta e as formas para aproximar o consumidor das escolhas certas feitas à mesa. Os episódios gravados nas fazendas da Secretaria têm a temática “Mãos na Terra” e poderão ser conferidos no primeiro dia do evento: https://www.mesaregeneracao.com.br/maos-na-terra. O Secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Gustavo Junqueira, também gravou depoimento.

Segundo o pesquisador da APTA, Daniel Gomes, a iniciativa foi importante para aproximar os pesquisadores dos chefs de cozinha, ligando as duas pontas da cadeia de produção da agropecuária: a pesquisa científica e o consumo.

“Há alguns anos temos trabalhado para essa aproximação. É importante que os pesquisadores saibam o que os chefs de cozinha e consumidores finais buscam em um determinado produto agropecuário. Ao mesmo tempo, é interessante que os chefs tenham uma vivência no campo e saibam como é o funcionamento da ciência e como ela pode contribuir para uma maior variedade e previsibilidade de produtos em seu restaurante”, afirma.

Para Mariella Lazaretti diretora do Mundo Mesa – Núcleo de Inteligência em Gastronomia, essa conexão entre pesquisadores, produtores rurais e chefs de cozinha é inédita e muito importante para a sustentabilidade. “O chef de cozinha é quase a ponta da cadeia de produção, é quem vai delinear tendências, lançar um produto que será adotado pela indústria e pelas pessoas em geral. Essa cadeia toda tem que estar conectada, pelo bem do planeta, para que as pessoas escolham o melhor para o seu prato”, afirma.

Os pesquisadores da APTA Regional, Instituto Agronômico (IAC), Instituto Biológico (IB) e Instituto de Zootecnia (IZ) participaram de discussões com chefs a respeito das pesquisas desenvolvidas na Agência relacionadas a Sistemas Agroflorestais, Plantas Alimentícias Não Convencionais (Panc), regeneração de abelhas, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), bem-estar animal, nutrição de pastagens, macaúba, batata, mandioca, criação sustentável de rãs, óleos essenciais e hidrolatos.

As pesquisas desenvolvias pela APTA foram apresentadas a grandes chefs de cozinha como Fabio Vieira (Restaurante Micaela), Luiz Filipe Souza (Restaurante Evvai); a pesquisadora e cozinheira Neide Rigo (Projeto Panc na City), o patissier e professor Lucas Corazza e a chef especialista em gastronomia molecular Angélica Vitali (Gastrô Brasil Gastronomia).

“Após a exposição dos trabalhos, os chefs tiveram a oportunidade de pôr o pé no barro, plantando e colhendo mandioca, por exemplo. Isso foi interessante para eles terem uma vivência no campo, conhecerem que temos diversas variedades de mandioca, desde as brancas até as laranjas, que têm potencial para serem usadas em grandes restaurantes”, explica Gomes.

Segundo Mariella, a experiência imersiva possibilitou que os chefs conhecessem de perto o “sacrifício” do trabalho de pesquisa e de plantar os alimentos, o que fará com que essas práticas sejam mais respeitadas e valorizadas. “Para nós foi uma grata surpresa conhecer todo esse trabalho e poder valorizar a ciência e a tecnologia, que durante esse ano se mostrou super importante, mas que ao mesmo tempo ouvimos barbaridades querendo diminuir o valor dela. Para nós, ciência e tecnologia são as vertentes que vão salvar o planeta e indicar os caminhos e foram justamente esses caminhos que quisemos mostrar nesse evento”, afirma.

Bom para a alta gastronomia, bom para o consumo no dia a dia

De acordo com o pesquisador da APTA, um dos objetivos dessa aproximação entre instituições de pesquisa e chefs é disponibilizar ao mercado alimentos de alta qualidade e interesse alimentar e para o consumidor de uma maneira geral.

Ele lembra que para o desenvolvimento de uma nova variedade de planta, por exemplo, são necessários em média dez anos de trabalhos científicos e que seria interessante durante esse desenvolvimento, contar com o conhecimento desses chefs para incorporar características relacionadas à sabor e textura, por exemplo, que interessa tanto aos restaurantes, quanto para a população em geral.

“Outro ponto importante é que, o interesse dos chefs de cozinha por determinado produto desenvolvido pela pesquisa acaba gerando uma demanda para os produtores rurais, que podem ser fornecedores desses produtos para os restaurantes e a população. Com isso, as instituições de pesquisa podem transferir essas tecnologias e conhecimentos de forma facilitada aos produtores, que terão uma melhor rentabilidade. Ou seja, diferentes elos da cadeia produtiva são beneficiados”, afirma o pesquisador da APTA.

Parceria com a Prazeres da Mesa

A parceria entre a APTA e a Prazeres da Mesa existe desde 2016. Ao longo desse tempo, a APTA participou de grandes eventos promovidos pela revista gastronômica, como o Mesa SP e Melhores do Ano Prazeres da Mesa, considerado o Oscar da gastronomia brasileira.

Nesses eventos, foram fornecidos diversos produtos desenvolvidos ou em desenvolvimento nas unidades de pesquisa da Secretaria, que foram preparados por chefs de cozinha e alunos da Escola Técnica Estadual (Etec) “Professor Camargo Aranha”, em São Paulo, também parceira da APTA. “Esses pratos foram servidos para os participantes do evento, para mostrar aos chefs e público de todo o país o que a pesquisa científica tem a oferecer”, explica Gomes.

SERVIÇO
Mesa Regeneração
Data: 10, 11 e 13 de dezembro de 2020
Horário: A partir das 14h
Evento online e gratuito
Inscrições: http://www.mesaregeneracao.com.br e em todos os canais digitais da Prazeres da Mesa
Fonte: Fernanda Domiciano / Assessoria de Imprensa – APTA

Instituto Florestal monitora atropelamento de animais silvestres e propõe medidas para reduzir danos à fauna em SP

O Parque Estadual Morro do Diabo (PEMD) é segmentado em um trecho de 14 km pela Rodovia Arlindo Bettio (SP-613), que faz a ligação entre os municípios de Teodoro Sampaio e Rosana. Embora tenha importância econômica e social por serem corredores de transporte, a estrada fragmenta a paisagem e causa distúrbios à fauna e flora. Neste contexto, há três décadas pesquisadores científicos do Instituto Florestal (IF) realizam o monitoramento do atropelamento de fauna e propõem medidas para a mitigação destes impactos na região.

O engenheiro florestal Helder Henrique de Faria realizou junto a guardas-parques neste trecho da rodovia, ao longo de dez anos (1989-1999), um monitoramento que contabilizou a morte por atropelamento de 182 indivíduos de 25 espécies de fauna. Destes, 29 (16%) eram de espécies ameaçadas de extinção.

Entre 2002 e 2010, foi realizado um monitoramento mais sistematizado, com o registro de boletins de ocorrência visando a obtenção de recursos de Compensação Ambiental. A partir da integração da bióloga Andréa Soares Pires ao projeto, em 2004, os dados passaram a ser inseridos em um sistema de informação geográfica. Neste período foram contabilizados 56 animais mortos, uma média de sete ao ano. Este levantamento permitiu definir pontos para a instalação de quatro conjuntos de radares fotográficos, bem com outras medidas visando a mitigação destes impactos, como a instalação de sinalização educativa e dois portais nas entradas do trecho que corta o Parque.

“Em função dos impactos da rodovia sobre a biodiversidade do PEMD registrados, o Conselho Consultivo da Unidade de Conservação (UC) e a comunidade foram decisivos na obtenção dos radares, dos alambrados para conduzir a fauna para as passagens subterrâneas e da manutenção em geral”, complementa Helder.

Um terceiro monitoramento, realizado entre 2015 e 2017, foi realizado como projeto de pesquisa, seguindo o rigor do método científico. “Mas se observarmos os dados de 2002 a 2010 e os deste último levantamento, mesmo o segundo período não tendo o mesmo protocolo, constatamos que os resultados são bem parecidos. O segundo monitoramento possibilitou inclusive que o trajeto se transformasse em estrada-parque”, relata Andréa.

O Decreto estadual nº53.146/2008 define os parâmetros para a implantação, gestão e operação de estradas no interior de Unidades de Conservação de Proteção Integral em São Paulo. Conforme artigo de autoria dos pesquisadores, é conhecido como “decreto estrada-parque”, muito embora não exista esta categoria de manejo no estado. O decreto prevê que o órgão, entidade ou empresa, pública ou privada, responsável diretamente pela implantação e operação da estrada pública inserida em UC, deve providenciar um Plano de Implantação e um Plano de Gestão e Operação para cada trecho de estrada. Os trechos de rodovias são transformados em locais especiais com instâncias de decisão diferenciadas. No caso do trecho de 14 km da Rodovia Arlindo Bettio (SP-613), por exemplo, há uma gestão conjunta entre o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) e a Fundação Florestal, gestora do PEMD.

Em relação às passagens de animais silvestres, os pesquisadores observaram que poucas espécies utilizam de fato esses túneis para as travessias, principalmente animais de pequeno porte como ratos, cotias, tatus e lagartos. As passagens de fauna, mesmo com alambrados condutores, não se mostraram eficazes para a megafauna do Parque, que continua sendo atropelada. Cercar completamente a rodovia fragmentaria mais ainda a Unidade de Conservação e diminuiria o fluxo gênico das espécies.

Também foi observada a diminuição dos atropelamentos de animais nas proximidades dos quatro conjuntos de radares, mas a atitude dos usuários de acelerarem após passarem os dispositivos provocou algumas mortes nas imediações. Os radares fotográficos aparentemente diminuíram as velocidades médias dos veículos e possivelmente os atropelamentos, sendo eficazes para os locais onde estão instalados, no entanto produzindo uma alteração no padrão espacial dos atropelamentos.

Deste modo, os pesquisadores concluem que a melhor solução é a redução das velocidades em todo o trecho da rodovia, que é de apenas 14 km. “Para que isso aconteça devem ser utilizados a tecnologia dos “radares inteligentes” que conseguem extrair e transmitir dados da velocidade média de veículos entre dois pontos, efetuando o registro caso ele esteja acima da velocidade permitida”, defende Helder.

A taxa de mortalidade de mamíferos foi de 0,0113 indivíduo por quilômetro, que significa que a cada seis veículos que passem pela estrada, um animal pode ser atropelado, conforme explica Helder. “O índice encontrado é baixo, mas para uma Unidade de Conservação de Proteção Integral é inaceitável qualquer taxa acima de zero,” reforça o pesquisador.

A estimativa de atropelamentos foi de 52 espécimes ao ano, sendo 60% animais de pequeno porte. A riqueza de espécies segundo os três monitoramentos abarca 33 espécies. Os mamíferos mais afetados foram cachorros do mato, antas, tapitis, quatis e tatus. Merece destaque o ratão-do-banhado (Myocastor coypus), registrado no segundo período, e que agora foi comprovado seu estabelecimento no PEMD, já que não havia registros da espécie no Parque.

Entre os mamíferos ocorreu considerável perda de antas (Tapirus terrestris). Para valorar uma possível Compensação Ambiental, os pesquisadores produziram um cálculo para os seis indivíduos atropelados do último monitoramento. Os valores de recuperação das antas e de compensação foram de R$ 1.664.400,00 e R$42.608.640,00, respectivamente.

Os resultados do trabalho “Monitoramento e gestão dos impactos da rodovia SP-613 no Parque Estadual do Morro do Diabo, São Paulo, Brasil” serão apresentados no III Congresso Iberoamericano de Biodiversidade e Infraestrutura Viária (CIBIV 2020), que acontece de 7 a 11 de dezembro em ambiente virtual.

Fonte: Instituto Florestal

Justiça acata pedido da APqC para que servidores públicos não sejam obrigados a usar licença-prêmio na pandemia

O juiz Randolfo Ferraz de Campos, da 14ª vara de Fazenda Pública de São Paulo, atendeu o pedido da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), encaminhado em forma de ação judicial, para que fosse invalidado o efeito de decreto estadual recente, que dispõe sobre a forma como licenças-prêmio devem ser usufruídas pelos servidores associados.

Na ação contra o Estado, a APqC alega que o decreto estadual 64.864/20 determina o proveito imediato de licença-prêmio pelos servidores, mas a lei estadual 10.261/68 deixa claro que cabe ao servidor solicitar o uso previamente, no momento que lhe for adequado. Segundo a APqC, servidores de institutos de pesquisa paulistas estão sendo obrigados pelo governo estadual a tirar licença-prêmio e “o que era um direito, passou a ser uma penalidade, pois muitos pesquisadores mesmo em licença-prêmio continuarão com suas pesquisas em andamento, possuem projetos aprovados, não podendo paralisar seus experimentos de um momento para outro”.

Ao analisar a demanda, o juiz Ferraz de Campos ponderou que “o Decreto Estadual n. 64.864/20, ao estabelecer o gozo compulsório das licenças-prêmio a que têm direito os servidores públicos subordinados às autoridades mencionadas no caput do artigo 1º, transmutou aquilo que era um direito do funcionário público estadual em uma obrigação, retirando-lhe completamente a possibilidade de verdadeira fruição que lhe é intrínseca”. Ele concluiu ainda que obrigar o servidor a tirar licença-prêmio no atual contexto socioeconômico, é “medida que desnatura o instituto, anulando por completo o caráter e benefício que lhe é intrínseco.”

No entanto, a advogada Dra. Helena Goldman, assessora jurídica da APqC, alerta que a decisão não é definitiva, pois contra ela ainda cabe recurso para a 2ª instância. Em nota ela informa:

“É com grande satisfação que informamos que a nossa ação judicial contra o art. 2º, I, do Decreto Estadual n. 64.864, de 16 de março de 2020, que determinou o gozo obrigatório e imediato da licença-prêmio foi julgada parcialmente procedente em 1ª instância, pela 14ª Vara da Fazenda Pública do Estado de São Paulo.
Dessa forma, o juiz Randolfo Campos invalidou as licenças-prêmio usufruídas pelos associados da APqC por força do artigo 2º , I, Decreto Estadual n. 64.864/20, e dos demais atos normativos que o regulamentaram, assegurando aos senhores o direito de contagem do período de licença já usufruído como de efetivo exercício para todos os fins, bem como a restituição deste período a seu patrimônio jurídico como licença-prêmio.
Essa ação somente beneficia os associados da APqC que se filiaram até 31 de março de 2020.
Contra essa decisão ainda cabe recurso para a 2ª instância.
Estaremos acompanhando, trabalhando na defesa dos interesses dos senhores.
Att.,
Helena Goldman”

O escritório Goldman Advogados atua na causa pela Associação. Para mais informações entrar em contato via e-mail: goldman.advogados@gmail.com

Processo: 1016771-76.2020.8.26.0053
Veja a decisão clicando aqui.

Instituto Serrapilheira tem inscrições abertas para chamada pública de apoio à ciência

O Instituto Serrapilheira está com inscrições abertas até dia 16 de dezembro de 2020 para a 4ª chamada pública de apoio à ciência. Serão selecionados até 12 jovens cientistas que contribuam para o conhecimento fundamental em ciências naturais, ciência da computação e matemática.

Os projetos selecionados receberão auxílio de R$ 200 mil a R$ 700 mil, de acordo com as necessidades de cada projeto. Os cientistas, após selecionados, poderão concorrer, de forma voluntária, a recursos extras para serem investidos exclusivamente na integração e formação de pessoas de grupos sub-representados em suas equipes. O valor do bônus vai depender da ação a ser desenvolvida e poderá variar de 10% a 100% do auxílio recebido.

Outra novidade da chamada é que cada candidato só poderá submeter no máximo duas propostas durante todo o período em que for elegível. Além disso, os candidatos deverão indicar pelo menos dois artigos de impacto em que foram autores principais.

O processo de seleção acontecerá em duas fases. Na primeira, os candidatos enviam uma pré-proposta, que será avaliada pelos revisores. A partir daí, alguns serão chamados para submeter a proposta completa. A etapa final inclui uma entrevista.

Os candidatos deverão ter vínculo permanente com alguma instituição de pesquisa no Brasil e ter concluído o doutorado entre 1º de janeiro de 2013 e 31 de dezembro de 2018. As inscrições devem ser feitas pelo site do Serrapilheira (clique aqui).

Mais informações clicando aqui.

Fonte: Agência Fapesp

Pesquisador da Fiocruz faz alerta sobre atraso do Ministério da Saúde em garantir a imunização dos brasileiros

Júlio Croda, pesquisador da Fiocruz / Divulgação

O infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), afirmou estar “preocupado com a organização do governo federal para vacinar a população contra a covid-19” e reforça o time de especialistas que criticam a atuação omissa do presidente Jair Bolsonaro ao longo da pandemia e têm chamado a atenção da opinião pública sobre a urgência de o Estado coordenar uma força-tarefa visando a imunização dos brasileiros.

Ao portal UOL, o pesquisador disse que o Brasil está “atrasado em tudo”, inclusive na compra de materiais básicos para vacinação, e alertou que o Ministério da Saúde não está cumprindo seu papel de informar a população sobre o avanço da doença e de garantir a compra em quantidades suficientes de imunizantes e de materiais indispensáveis ao processo de vacinação, como seringas e agulhas.

“O mundo todo corre atrás dos insumos. Não é só o Brasil. Seringas e agulhas são fundamentais para a vacinação. Vai ter competição no mercado. A gente já viu isso na época dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e dos respiradores, no qual a gente não teve compra imediata e não pode ofertar mais leitos por conta disso. Pode ser que tenha vacina em março. Mas se essa compra (dos insumos) for fracassada por falta de fornecedor, pode ser que a gente tenha que adiar essa vacinação. Então na minha avaliação, a gente está muito atrasado em tudo. Esse movimento de vacina está ocorrendo há seis meses. A gente sabia que ia precisar de seringas e agulhas independente do tipo de vacina escolhida”, afirmou.

APTA promove treinamento de startups para atuar no setor dos agronegócios em SP

Verificar se o produto ou serviço oferecido tem viabilidade no mercado e se de fato pode resolver o problema de seus potenciais clientes, são questões fundamentais a serem consideradas pelo empreendedor para a criação de startups, como é conhecido o modelo de negócio, adaptável, repetível, escalável e de base tecnológica. Com o intuito de auxiliar mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos nessa jornada empreendedora de transformar os mais promissores resultados de pesquisa científica em ideias de negócio, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo realizou a segunda edição do Programa de Treinamento de Startups.

Ao todo, 13 equipes participaram do treinamento, em novembro, oferecido pela Rede de Núcleos de Inovação Tecnológica da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Rede NIT-APTA), em parceria com o Agropolo Campinas – Brasil, plataforma interinstitucional fundamentada no conceito de inovação colaborativa. As equipes contaram com pós-graduandos, pós-doutorandos e pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), Instituto Biológico (IB), Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), Instituto de Zootecnia (IZ) e APTA Regional.

O treinamento foi ministrado por Flávio Grynszpan, consultor especializado em inovação e um dos coordenadores do curso PIPE-Empreendedor, desenvolvido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), no âmbito do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas. Grynszpan é também parceiro do Instituto Agronômico (IAC) em projetos voltados ao fomento do empreendedorismo e ao desenvolvimento de negócios com foco no agro e interface com alimentos, saúde, bioenergia e produtos químicos.

Segundo Grynszpan, o treinamento faz com que os pesquisadores e pós-graduandos saiam de seus laboratórios e vão às ruas conversar com seus potenciais clientes para verificar se de fato a ideia de negócio deles é de interesse de quem poderá consumir o produto ou serviço. “Quando você desenvolve pesquisa dentro de uma instituição, você ou a instituição define o que é prioridade a ser pesquisado. Quando você monta um negócio isso muda, pois é o cliente que manda. O dono do negócio é o cliente”, explica.

Se o cliente manda no negócio, o jeito é ouvir o que ele tem a dizer, por isso, Grynspzan faz com que os empreendedores realizem entrevistas até terem a certeza de que seu negócio resolve o problema, a dor, do cliente. Se a resposta for positiva, vale o investimento de tempo e recursos financeiros. Se não for, o jeito é mudar o negócio.

O consultor especializado em inovação explica que o desenvolvimento de startups é um caminho alternativo para transferir tecnologia ao setor produtivo. Se antes as tecnologias desenvolvidas pelos Institutos eram apenas oferecidas para as empresas já estabelecidas no mercado, hoje, é possível criar startups para que esses resultados inovadores cheguem de forma mais rápida ao seu destino.

“As grandes empresas entendem muito de seus negócios e inovam dentro dele. Elas, porém, pouco se arriscam em novos negócios, por isso, as startups têm uma grande chance de crescimento. Com elas, é possível fazer essa transferência de tecnologia mais rápido. Essas pequenas empresas podem crescer e se estabelecer no mercado ou ser absorvida por um grande grupo”, afirma.

O Brasil conta, atualmente, com cerca de 1975 startups com serviços e soluções para o agronegócio, de acordo com a 100 Open Startups, consultoria em ecossistemas de inovação, que contabilizou as empresas cadastradas em sua base até o final de abril de 2020. De acordo com a 100 Open Startups, o crescimento dessas empresas é vertiginoso desde 2017, girando em torno de 702%.

Ganho a ganho: pesquisadores participam da jornada empreendedora

Segundo a pesquisadora e diretora do NIT-IAC, Lilian Anefalos, o diferencial do treinamento foi a participação de pesquisadores de Institutos e Polos Regionais da APTA, em conjunto com os pós-graduandos. “Com isso, conectamos essa vontade de empreender com o know-how das nossas instituições, que têm forte contribuição para todo o setor dos agronegócios. Juntamos os pós-graduandos, que desenvolvem pesquisas nos Programas de Pós-Graduação dos Institutos para pensar junto com nossos pesquisadores, o que também contribui para criar uma cultura do empreendedorismo em nossas instituições”, explica.

De acordo com Lilian, a ideia é abrir o leque de opções para os pós-graduandos, mostrando que além de poderem atuar na área acadêmica, esses profissionais, com os conhecimentos adquiridos, podem criar empresas que desenvolvam soluções tecnológicas para o setor produtivo.

Grynszpan afirma que essa conexão entre pesquisadores e empreendedores traz ganhos para todos os lados. O conhecimento desses cientistas é primordial para o desenvolvimento contínuo das startups, por isso, é importante a realização do trabalho em conjunto. Por outro lado, essa aproximação do pesquisador do Instituto com empreendedor faz com que em outros projetos de pesquisa, questões relacionadas à viabilidade e necessidade do usuário da tecnologia sejam incorporadas, trazendo ganhos para todos os lados, inclusive para a sociedade.

Aplicativo para aplicação correta de adubo em hortaliças e produção de mudas em larga escala

Carolina Cinto de Moraes, quando ainda estava no curso de Mestrado na Pós-Graduação em Agricultura Tropical e Subtropical do IAC, em 2015, pensou em uma solução para os produtores rurais: um aplicativo que os ajudaria a realizar a aplicação correta de adubos no cultivo de hortaliças.

Durante o Doutorado na mesma instituição, Carolina foi amadurecendo a ideia juntamente com o estatístico Rodolfo Lindemute, o então orientador Luis Felipe Villani Purquerio e o pesquisador Humberto Sampaio de Araújo da APTA. Quando estavam escrevendo o projeto para submeter ao PIPE-Fapesp surgiu a oportunidade de participar da primeira edição do treinamento, realizada em 2019. “Foi muito bom. Durante o treinamento realizamos entrevistas com possíveis clientes da empresa, como produtores rurais e empresas de sementes de hortaliças. Vimos que nossa ideia seria viável no mercado”, conta.

Os empreendedores submeteram, ainda em 2019, um projeto PIPE-FAPESP, que foi aprovado em sua fase 1. Com isso, se iniciou a startup FertiSense e receberam aporte financeiro da Fundação para o desenvolvimento do aplicativo, que neste primeiro momento tem foco na produção de cebolas e tomates.

“A adubação de hortaliças depende de questões de clima, solo e da cultivar utilizada. A ideia é que a partir de informações cadastradas pelos produtores nesse aplicativo, consigamos dar uma recomendação personalizada de adubação de acordo com essas variáveis. Isso interessa ao produtor, já que ainda não existe uma ferramenta tecnológica como essa, mas também para as empresas de sementes, que buscam cada vez mais oferecer um pacote tecnológico para os agricultores”, conta.

Mariza Monteiro também participou da primeira edição do treinamento, em 2019. Ela contou que participava de um projeto com um ex-aluno da PG-IAC e a partir do curso viu que a ideia deles era viável. Paralelamente, a partir do conhecimento adquirido, escreveu seu próprio projeto que foi aprovado pela Fapesp para receber recursos do PIPE.

“Nosso projeto é relacionado à produção de mudas em larga escala. Com o treinamento, vi que essa ideia era economicamente viável. O curso foi fundamental e hoje me ajuda no início do processo do PIPE, já que a Fapesp também oferece treinamento parecido”, conta.

Pesquisadores da APTA também recebem treinamento

Os pesquisadores dos Institutos de Pesquisa da APTA, da Secretaria de Agricultura, também receberam treinamento sobre a metodologia iCorps e a importância do papel dos cientistas na transferência de conhecimento e resultados de pesquisas para o setor produtivo.

O treinamento, também foi ministrado por Grynszpan, de 30 de julho a 20 de agosto, e contou com a participação de mais de 70 pesquisadores, indicados por cada um dos seis Institutos e Polos Regionais ligados à APTA. “Identificamos que seria interessante realizarmos um treinamento específico para os nossos pesquisadores entenderem o seu papel na transferência de conhecimento e de tecnologia ao setor produtivo, por meio de ações com foco no empreendedorismo. Foi muito positivo e esperamos realizar novas edições em breve”, conta Lilian.

Devido à pandemia do novo coronavírus, os dois treinamentos foram realizados de forma on-line.

Fonte: Fernanda Domiciano / Assessoria de Imprensa – APTA

Especialistas debatem efeitos da pandemia no comportamento de crianças e adolescentes

Para debater o tema da saúde mental de crianças e adolescentes na pandemia, o Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FM) da USP promove entre hoje e amanhã (4 e 5 de dezembro) o III Simpósio do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência (SEPIA). O evento será no formato on-line e terá a participação de 20 especialistas, com coordenação de Guilherme V. Polanczyk, professor e pesquisador da FM.

O evento tem como objetivo debater como cuidadores e profissionais da área da saúde e educação podem atuar, caracterizar e intervir nas emoções e comportamentos das crianças e adolescentes no contexto da covid-19. Entre os assuntos em destaque, o evento abordará a atuação das escolas, o ensino à distância durante a pandemia e o que vem pela frente; o estudo Jovens na Pandemia: como está a rotina e saúde mental das crianças e adolescentes?; reações frente à pandemia – quando a tristeza e ansiedade viram patologia?; violência e conflitos durante a pandemia, entre outros.

As inscrições podem ser realizadas pelo formulário on-line, neste link, e os valores, que dependem do perfil do participante, vão de 120 reais para estudante a 220 reais para profissionais da área. A programação completa e inscrições estão disponíveis no site: Simposiosepia2020

Fonte: Jornal da USP

Instituto Butantan recebe 600 litros a granel da CoronaVac

Nesta quinta (03/12) o Instituto Butantan recebeu 600 litros a granel da vacina CoronaVac. O volume corresponde a 1 milhão de doses da vacina do Butantan. Esta é a segunda remessa a chegar no país, sendo a primeira de 120 mil doses prontas recebida no dia 19 de novembro. Ao todo serão 46 milhões de doses, sendo 6 milhões já prontas para aplicação e 40 milhões em forma de matéria-prima para produção, envase e rotulagem em fábrica própria do Instituto Butantan.

Instituto Florestal: Horto de Tupi desenvolve pesquisas e melhorias na infraestrutura

A Estação Experimental de Tupi (Horto de Tupi) tem dado continuidade às atividades de pesquisa, educação ambiental e melhorias na sua infraestrutura, parceria entre o Instituto Florestal (IF), a Prefeitura Municipal de Piracicaba e a universidade.

Pesquisa científica

Em pesquisa, destacam-se os diversos trabalhos apresentados no 14º Seminário de Iniciação Científica do IF. Das seis pesquisas premiadas, metade foi desenvolvida na unidade:

Categoria Bolsistas CNPq:

1º Lugar: “O regime internacional do clima e a ‘Colcha de retalhos’ da Política Nacional de Mudanças Climáticas”, do bolsista Lucas Barroso Sampaio, orientado pelo pesquisador científico do IF Edgar Fernando de Luca;
2º Lugar: “As contribuições de um projeto de educação integral e ambiental no contexto de uma área protegida” da bolsista Caroline Gonçalves Garcia, orientada pela especialista ambiental do IF Maria Luísa Bonazzi Palmieri;
Categoria Estagiários do CIEE e outros:
2° Lugar: “Educação ambiental e pandemia: estratégias educativas para a interação com a comunidade na quarentena, da estagiária: Stella Carolina Peçanha Leme, orientada pela especialista ambiental do IF Maria Luísa Bonazzi Palmieri.

Os vídeos desses e de todos os demais trabalhos desenvolvidos na Estação Experimental de Tupi e nas outras áreas protegidas do Estado de São Paulo apresentados no evento estão disponíveis aqui.

Educação ambiental

Por conta da pandemia, os programas de educação ambiental desenvolvidos na Estação Experimental de Tupi, coordenados conjuntamente pelo Instituto Florestal e Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Piracicaba, foram adaptados ao mundo virtual neste ano. No “Vem pro Horto”, foram realizados webinars sobre as aves existentes na unidade, as abelhas e a participação da juventude na pesquisa, educação ambiental e uso público.

No “PJ Tupi: educação integral e ambiental” ocorreram diversas reuniões pedagógicas com os professores, coordenadores e gestores da Escola Estadual “Pedro de Mello”, com formações sobre educação ambiental crítica, compartilhamento das atividades desenvolvidas nas disciplinas eletivas nesse ano pelos professores e apresentação dos resultados da pesquisa que analisou as contribuições das visitas pedagógicas ao Horto no âmbito do PJ Tupi, premiada no 14º Seminário de Iniciação Científica do Instituto Florestal e apresentada também em um webinar promovido pela Escola Estadual João Sampaio e em outros eventos.

Também estão sendo construídas com o Laboratório de Educação e Política Ambiental da ESALQ/USP parcerias no âmbito do PJ Tupi e outras ações de agroecologização do território e construção de tecnologias sociais voltadas ao saneamento rural. Essas ações estão sendo planejadas, ainda, de forma integrada com o Projeto de extensão da ESALQ “Corredor Caipira” que prevê ações de conectividade da paisagem e transição agroecológica.

Foi construída também, com a participação de diversos parceiros, a proposta do “EducaTrilha na Escola” para o próximo ano, prevendo-se a adoção de protocolos de distanciamento social e medidas de higiene. Também se prevê o retorno, em 2021, do “Bacia Caipira”, assim que houver a vacinação dos participantes, já que este programa educativo é voltado à terceira idade.

Gestão participativa e parceria com a Prefeitura de Piracicaba

O Comitê Gestor da Área de Visitação Pública da Estação Experimental de Tupi tem realizado suas reuniões mensais de forma virtual, sendo este formado pelo Instituto Florestal, Prefeitura de Piracicaba (por meio da SEDEMA), ESALQ/USP e entidade da sociedade civil local (atualmente a Associação Tupi Futebol Clube).

Na última reunião, foi informada a aprovação, pelo GT Categorização do Instituto Florestal, da proposta da categorização da Estação Experimental de Tupi em Floresta Estadual, que agora segue para as instâncias superiores. Informou-se também sobre a continuidade dos programas educativos.

Também foi informado sobre diversas melhorias que a Prefeitura do Município de Piracicaba tem proporcionado à unidade, como:

a reforma dos banheiros coletivos próximos ao Centro de visitantes e ao Lago Marcelo; instalação de fossas sépticas;
reforma do Imóvel 23 que passou a ser denominado Centro de apoio da Sedema (CAS) Horto de Tupi com o objetivo de servir de apoio as equipes do Pelotão Ambiental e Patrulhamento Rural (destacamento da Guarda Civil Municipal) e da Polícia Militar durante as rondas na unidade e constituir um espaço para que o Núcleo de Educação Ambiental em parceria com as equipes do IF desenvolvam as atividades e ações dos diversos Programas de Educação Ambiental em andamento;
o corte do mato ao longo das estradas internas e nas áreas destinadas ao público e também a poda de galhos de árvores que possam causar acidentes nas diversas trilhas existentes no local;
a reposição de 150 e 200 mudas de árvores nativas atrativas de fauna, em área que havia sido restaurada, mas foi destruída em incêndio.
A unidade, que se encontrava aberta ao público atendendo aos protocolos de distanciamento sociais e higiene enquanto a região encontrava-se na fase verde do Plano São Paulo, será novamente fechada à visitação pública devido à região encontrar-se novamente à fase amarela. Porém, as atividades online, as pesquisas e manutenção terão continuidade, bem como o planejamento para 2021.

Fonte: Instituto Florestal

INFORMATIVO AÇÃO COLETIVA CONTRA O AUMENTO DA ALÍQUOTA

Prezados,

A assessora jurídica da associação, Dra. Helena Goldman, preparou um informativo para sanar as dúvidas referente a Ação Coletiva contra o aumento da Alíquota Previdenciária.

Abaixo segue o informativo e os anexos 1 e 2. Para ter acesso ao anexo 3, lista de associados que participam da ação, acesse a interna do associado no site APqC (aqui).

Havendo problemas de acesso entre em contato com a secretaria no e-mail secretaria.apqc@gmail.com, ou nos contatos: (19) 41415175 ou WhatsApp, (19) 9 96583696.

Instituto Biológico ajuda a mudar a realidade de pequenos produtores de leite no Vale do Rio Paraíba

Conhecimento aliado à aplicabilidade pode ser a equação perfeita para melhoria da qualidade de produção – e de vida – de pequenos produtores rurais. Foi o que aconteceu com os 22 produtores de leite do Vale Histórico do Rio Paraíba, localizados nos municípios de São José do Barreiro e Areias, que contaram com o auxílio da pesquisa cientifica realizada pelo Instituto Biológico (IB), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São, para tratar de um problema grave e silencioso na produção leiteira: a mastite. Juntos, os dois municípios produzem cerca de 24 milhões de litros de leite por ano.

O projeto do IB na região se iniciou em 2017, após recebimento de demanda por parte dos pequenos e médios produtores dos municípios, que tinham problemas relacionados ao controle da mastite, uma doença que pode causar até 40% de perda na produção de leite, além de reduzir a qualidade final do produto, o que impacta no preço pago ao produtor.

A partir do trabalho de coleta, análise laboratorial e orientação aos produtores pelo IB foi possível reduzir em 25% o valor gasto com produtos veterinários e diminuir em 60% o número de produtores que tinham dificuldade em controlar a doença. Os dados são da SEI – Assessoria em Sustentabilidade, parceira do projeto.

“Muitas vezes, o produtor compra um antibiótico inadequado para o tratamento da mastite. É comum que eles comprem o produto mais vendido no mercado, sem conhecer o agente que está causando a doença, o que reduz a eficiência do medicamento. Com esse projeto, coletamos materiais e fizemos análise para saber qual bactéria era causadora da doença e qual o melhor medicamento para tratá-la”, explica Alessandra Nassar, pesquisadora do IB.

Segundo Alessandra, essa análise cuidadosa para escolha do medicamento também é importante porque alguns antibióticos não são indicados por gerarem resíduo na produção de leite, deixando o produto impróprio para o consumo.

Para João Paulo Altenfelder, sócio gestor da SEI – Assessoria em Sustentabilidade, o projeto mostra o resultado positivo quando se alia conhecimento e aplicabilidade, dois pontos-chaves da atuação do IB. “O conhecimento sem a aplicabilidade não significa nada para esses produtores. O Instituto foi um parceiro de grande importância por aliar esses dois pontos, capazes de mudar a realidade dessas famílias”, afirma.

De acordo com Ricardo Moraes Vicalvi, diretor de comunicação corporativa, responsabilidade social e assuntos institucionais da Zoetis, empresa patrocinadora de todo o projeto, que também contou com transferência do conhecimento em genética, reprodução, manejo e gestão da propriedade, o grande benefício da ação foi levar conhecimento para um público que muitas vezes não consegue participar de treinamentos ou fazer cursos, seja por falta de tempo, como também distância e até mesmo recursos financeiros.

“Quase todos os municípios brasileiros possuem atividade leiteira e a grande maioria dos produtores são considerados pequenos e médios. Por meio deste projeto, levamos conhecimento com aplicação prática aos produtores. Ao longo de dois anos, eles aumentaram sua produção em 20% em média, obtendo assim maior qualidade de vida e renda disponível para melhorar seu rebanho, suas propriedades e embarcar em um ciclo virtuoso”, conta.

“O projeto foi nota dez”, afirma produtor

Marcio Braga Diniz, pequeno produtor de leite de São José do Barreiro, estava com dificuldade para controlar a mastite em suas 30 vacas leiteiras. A partir do trabalho realizado pelos pesquisadores do Instituto Biológico aprendeu como deveriam ser as práticas de higiene para a ordenha dos animais, o que o ajudou a controlar a doença no seu rebanho.

“O projeto foi nota dez. Me ajudou muito mesmo, porque aqui eu não tinha veterinário para me ajudar e eu não estava conseguindo resolver esse problema. Hoje, meu leite tem ótima qualidade e em vez de eu vendê-lo para a indústria de leite, passei a fabricar meus próprios produtos, como queijo, manteiga, doces e bolachas”, conta o produtor, que entrega seus quitutes, da marca MBD, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O produtor conta que, atualmente, mantém 17 vacas em seu rebanho, mas tem produção maior do que quando tinha quase o dobro de animais. “Antes eu tinha muita vaca e pouco leite. Agora tenho pouca vaca e bastante leite”, constata.

Conhecimento é contínuo

Como a ciência é um processo contínuo, feito a muitas mãos, o projeto piloto do IB ganhará mais profundidade a partir do desenvolvimento de uma pesquisa de doutorado, conduzida pela pesquisadora científica e aluna da Pós-Graduação em Sanidade, Segurança Alimentar e Ambiental no Agronegócio do Instituto, Vanessa Castro.

A pesquisa orientada por Alessandra Nassar tem como ineditismo a educação sanitária dos produtores rurais, avaliação de aspectos econômicos e sociais da mastite em duas importantes regiões produtoras de leite em São Paulo, o Vale do Paraíba e Araçatuba.

A ideia do projeto é acompanhar dois perfis de produtores: os pequenos e os tecnificados para verificar a ocorrência da doença. O projeto prevê a realização de visitas aos produtores, coleta de amostras, análises laboratoriais e transferência de tecnologia e conhecimento. “Além de juntar os pontos da educação sanitária e avaliação econômica e social, o projeto tem potencial para descobrir o gene da resistência do principal agente causador da mastite”, conta Vanessa.

O compartilhamento de conhecimentos relacionados à educação sanitária é fundamental, segundo as pesquisadoras, pois esta é uma das principais medidas para evitar a ocorrência da doença tanto na mastite subclínica, quanto na mastite ambiental. “Algumas medidas são bastante simples e podem fazer grande diferença para evitar a doença, como lavar muito bem as mãos e instrumentos utilizados com os animais, o uso de solução iodada antes e depois da ordenha e utilização de material descartável para secar os tetos das vacas”, explica Vanessa.

Alessandra completa com outra dica: após a ordenha manter as vacas em ambiente limpo e concretado por pelo menos 20 minutos. Só depois desse tempo os animais devem ser levados ao pasto. “Isso porque leva um tempo até o teto se fechar, impedindo a entrada de bactérias. Se a vaca vai para o pasto, ela vai se alimentar do capim e depois se deitar em um ambiente que pode ter bactérias, o que poderá resultar na mastite ambiental”, diz a pesquisadora.

A pesquisa também contará com o apoio dos pesquisadores Daniel de Jesus Cardoso de Oliveira, da Unidade do IB em Araçatuba, e Sergio Monteiro e Ricardo Harakava, pesquisadores do IB de São Paulo.

Fonte: Governo de São Paulo

Lançamento do manifesto “Vacinação Já” será no dia 21

O lançamento do manifesto “Vacinação Já”, que pleiteia o início imediato da vacinação gratuita e para todos, sem interferências políticas que atentem contra a saúde dos brasileiros foi adiado para o dia 21 de janeiro, às 17h. A transmissão do evento online será pela WebTV da OAB SP no YouTube.

A mudança ocorreu devido à grande adesão de entidades de vários setores da sociedade civil, somando mais de 350 delas, como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a OAB SP – por meio de sua Comissão de Direitos Humanos, Centrais Sindicais, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), União Nacional dos Estudantes (UNE) e Associação Brasileira de Imprensa (ABI.

A manifestação pública é reflexo de decisões do Governo Federal, como o veto à autorização de gastos especiais, que permitiriam a vacinação ampla à população. As entidades pedem a derrubada do veto presidencial, em todas as instâncias, pois sua manutenção coloca em risco a vida dos cidadãos.

A ação faz ainda um apelo para que a vacina não tenha viés político e para que a sociedade se mobilize junto aos governos estaduais e municipais para o início urgente da imunização.

O evento de apresentação do manifesto contará com as participações do presidente da OAB Nacional, Felipe Santa Cruz, do presidente da OAB SP, Caio Augusto Silva dos Santos, do presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira, entre outros representantes de entidades que subscrevem o documento. A transmissão será realizada pela WebTV da OAB SP no YouTube, neste link.

O manifesto recebe subscrições até às 12h do dia 20 de janeiro. A SBPC convida todas as Sociedades Científicas Afiliadas a assinarem o documento.

Leia o manifesto abaixo:

ENTIDADES EXIGEM VACINAÇÃO JÁ!

Há um ano na China surgiram os primeiros sinais de uma nova doença, a Covid-19, provocada por um novo tipo de coronavírus. Em poucos meses, transformou-se numa pandemia mundial, provocando a maior e mais grave crise humanitária em tempos de paz, acentuando as condições de miserabilidade, especialmente entre aqueles mais expostos à vulnerabilidade, como os moradores em situação de rua, de comunidades periféricas e das comunidades tradicionais, todos com demandas urgentes de atendimento de saúde, atenção básica e renda para sobreviver.

A pandemia provocada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) impôs uma série de restrições no modo de vida da população, quer seja pelo isolamento social, quer seja pela adequação aos protocolos e cuidados para aqueles e aquelas que continuaram nas funções laborais fundamentais, para que as condições mínimas de vida fossem mantidas, mesmo com risco de contaminação, como os profissionais de saúde, de assistência social, de segurança pública e de serviços essenciais.

Os números de contaminados e mortes são catastróficos, no mundo e no Brasil. Somadas as duas ondas da doença, o mundo chega, neste terceiro dia de 2021, aos 84 milhões de infectados, com 1,83 milhão de mortos, e o Brasil soma 7,7 milhões de doentes, com 195 mil mortos.

A urgência por vacinas que interrompam essa escalada mortífera fez com que houvesse um enorme esforço científico mundial, de laboratórios, fundações, universidades, instituições públicas e privadas, com pesquisas, testes e produção das esperadas vacinas, que alimentam as esperanças da humanidade pela cura. Desde outubro de 2020, as primeiras vacinas começaram a ter sua liberação final para uso em escala mundial.

Na contramão desse esforço, o Governo Federal, desde o início, tem a postura de negação da doença, e tenta impedir que os governos estaduais e municipais protejam as suas populações com isolamento social e, em alguns lugares, com o uso da paralisação completa da economia. Esses governos estaduais e municipais tiveram dificuldades em comprar equipamentos essenciais, como os usados em UTIs, respiradores, para salvar vidas e evitar que a pandemia ficasse completamente fora de controle.

As vacinas, que trazem um alento ao combate mais efetivo da Covid-19, mais uma vez não são prioridade do Governo Federal. O Congresso Nacional aprovou, na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária), uma autorização prévia de gastos não vinculados às receitas para permitir que o Governo possa gastar no esforço da vacinação ampla. O Governo Federal, entretanto, vetou essa previsão legal.

O Brasil é um dos últimos países do mundo em que não há plano de vacinação, nem mesmo de compromisso de compras dos insumos básicos necessários para essa imunização. O Instituto Butantan e a Fundação Fiocruz se somaram aos esforços de China e Inglaterra, respectivamente, nas pesquisas e agora produção de vacinas que podem salvar milhões de vidas. A Anvisa, no entanto, impôs condições inaceitáveis para a liberação da produção e/ou a importação dos insumos para a sua produção.

Constata-se, assim, objetivamente, que todos esses esforços em busca da vacina, e até antes, no combate à pandemia, causaram uma clara divisão no país. O Governo Federal não só nega a doença como age contra o seu combate, numa clara demonstração de irresponsabilidade com a saúde e a vida da população.

O veto aos gastos especiais para a aquisição das vacinas, decidido pelo viés ideológico do ajuste fiscal, não se sustenta, pois são de maior monta os gastos com hospitais, com UTIs, com remédios, com a paralisia da economia, além de, principalmente, o valor inestimável da perda de vidas humanas.

Neste momento em que há vacinas disponíveis no mercado, o governo brasileiro não apresenta nenhum plano factível de imunização, não fez os acordos de compras que possam cobrir a população e tem posto em dúvida a eficácia das vacinas, propondo inclusive uma série de medidas protelatórias que, se cumpridas, impedirão a imunização no Brasil em 2021.

São importantes as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) de liberar a aquisição de vacinas disponíveis pelos governos estaduais, e, ao mesmo tempo, de que a Anvisa não pode dificultar a homologação das vacinas, seguindo a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS).

É preciso derrubar o veto, usar todas as instâncias e poderes para que se reverta essa decisão absurda do Governo Federal, que atenta contra a saúde pública e contra a vida.

Nesse sentido, as entidades que subscrevem esta nota entendem que é fundamental a mobilização da sociedade junto aos governos estaduais, como o de São Paulo, e aos prefeitos, para que a vacinação seja efetivada com urgência, sem qualquer empecilho que possa retardar o combate à doença, pois há novos picos diários de mais de 1.000 (mil) mortos e quase 50.000 (cinquenta mil) infectados, com hospitais e UTIs em risco de colapso.

Assim, as entidades defendem Vacinação, Já! Contra o veto presidencial sobre os gastos com a vacinação!

A Vacinação Já significa defender a vida, defender a Justiça social, o Direito Sanitário, a Democracia e o Estado de Direito, que são os compromissos basilares da advocacia e dos Direitos Humanos.

É urgente e é o que se precisa nesse momento tão grave.

3 de janeiro de 2021

Subscrevem o manifesto até o momento desta publicação:

Academia de Ciências de Pernambuco (ACP)

Centro de Referência em Desenvolvimento e Humanidades da Universidade do Estado da Bahia.

Academia Paulista de Direito (APD)

Academia Paulista de Direito do Trabalho (APDT)

Ação Educativa

Arrastão Movimento de Promoção Humana

Articul@ções da Unifesp – Diadema/SP

Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara (ABEFC)

Articulação de Mulheres Brasileiras

Associação Americana de Juristas – Rama Brasil

Associação Beneficente Estrela Dalva de Heliópolis

Associação Beneficente Irmã Edelfranca

Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas (ABRAT)

Associação Brasileira de Antropologia (ABA)

Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação (ABECO)

Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas (ABCF)

Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas (ABCF)

Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública)

Associação Brasileira de Economistas Pela Democracia (ABED)

Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC Brasil)

Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM)

Associação Brasileira de Ensino de Biologia (SBenBio)

Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (ABEJ)

Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (ABET)

Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciência e das Tecnologias (ESOCITE.BR)

Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD)

Associação Brasileira de Limnologia (ABLimno)

Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN)

Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC)

Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas (ABRACE)

Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor)

Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO)

Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)

Associação Brasileira de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Abrastt)

Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas- ABRAMD

Associação Cidade Escola Aprendiz

Associação Cultural da Comunidade do Morro do Querosene

Associação de Base dos Trabalhadores do Judiciário do Estado de São Paulo (ASSOJUBS)

Associação de Direitos Humanos do Alto Tietê e Adjacências

Associação de Linguística Aplicada do Brasil (ALAB)

Associação de Moradores do Jardim Casa Branca e Adjacências

Associação de Mulheres da Vila Pinheiros

Associação de Professores de Filosofia e Filósofos do Brasil (Aproffib)

Associação de Professores de Filosofia e Filósofos do Estado de SP

Associação de Servidoras e Servidores da Defensoria Pública do Estado de São Paulo (ASDPESP)

Associação dos Advogados Trabalhistas de SP

Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB)

Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB)

Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo (APET)

Associação dos Professores de Ensino Superior de Juiz de Fora (APESJF)

Associação Educacional e Assistencial Casa do Zezinho

Associação Franciscana de Solidariedade (Sefras)

Associação Habitacional em Defesa da Moradia e Meio Ambiente

Associação Juízes para a Democracia (AJD)

Associação Mineira de Advogados Trabalhistas (AMAT)

Associação Nacional da Advocacia Negra (ANAN)

Associação Nacional das Torcidas Organizadas do Brasil (Anatorg)

Associação Nacional de História (ANPUH)

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (ANPARQ)

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo (ANPTUR)

Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED)

Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Geografia (ANPEGE)

Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Geografia (ANPEGE)

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR)

Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (ANPOF)

Associação Povo em Ação pela Qualidade Social e Vida Sustentável

Associação Prato Cheio

Associação Profissão Jornalista (APJOR)

Associação Projetos Integrados de Desenvolvimento Sustentável de São Paulo

Associação Prudentina de Prevenção a AIDS (APPA)

Associação Rede Rua

Associação Viva a Diversidade LGBT de Diadema

Bancada Hip Hop

Brigada pela Vida de São Paulo

Casa da Criança e do Adolescente Santo Amaro Grossarl

Casa Laudelina de Campos Mello – Organização da Mulher Negra

CEDECA Interlagos

Central dos Movimentos Populares (CMP)

Central Única dos Trabalhadores (CUT)

Central, Sindical e Popular Conlutas (CSP Conlutas)

Centro Acadêmico 22 de agosto- Direito/PUC/SP

Centro Acadêmico XI de agosto- Direito/USP/SP

Centro de Direitos Humanos e Educação Popular do Campo Limpo (CDHEP)

Centro de Direitos Humanos e Memória Popular

Centro de Psicologia Aplicada ao Trabalho do Instituto de Psicologia da USP (CPAT – IPUSP)

Centro Evangélico Brasileiro e Ecumênico de Pastoral (CEBEP)

Centro Itaquerense das Famílias Amigas (CIFA/Itaquera)

Centro Santo Dias de Direitos Humanos

Clube Brasileiro de Purinas (CBP)

CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Regional Sul1

Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE)

Coletivo ALMA – Maiorca, Espanha

Coletivo Andes em Luta (CAEL)

Coletivo Andorinha – Frente Democrática Brasileira de Lisboa

Coletivo Bar do Mutcho

Coletivo das Advogadas do Brasil

Coletivo de Assistentes Sociais Resistência e Luta de Sergipe

Coletivo de Mulheres e Gênero “Impacto Feminista” de Mogi das Cruzes

Coletivo de Negras e Negros de Taboão da Serra e Região

Coletivo Enfrente

Coletivo Flores pela Democracia

Coletivo Marielle Franco de Mulheres da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

Coletivo Memória e Utopia

Coletivo Palmares – Bordeaux França

Coletivo por um Brasil Democrático (CPBD-LA) – Los Angeles, EUA

Coletivo Tecendo Democracia

Coletivo Terapeutas Solidários

Coletivo Transforma MP

Collectif Alerte France Brésil / MD18

Colletivo Marielle Franco- Ravenna Italia.

Comissão da Advocacia Assalariada da OAB/SP

Comissão da Advocacia Pública OAB/SP

Comissão da Diversidade Sexual e Gênero OAB/SP

Comissão da Igualdade Racial OAB/SP

Comissão da Mulher Advogada da OAB/SP

Comissão da Verdade da Escravidão no Brasil da OAB/SP

Comissão das Sociedades de Advogados da OAB/SP

Comissão de Cultura e Eventos da OAB/SP

Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais da OAB/SP

Comissão de Direito Administrativo da OAB/SP

Comissão de Direito Constitucional da OAB/SP

Comissão de Direito do Terceiro Setor da OAB/SP

Comissão de Direito Eleitoral da OAB/SP

Comissão de Direito Militar da OAB/SP

Comissão de Direito Previdenciário da OAB-SP

Comissão de Direito Sanitário da OAB/SP

Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP

Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB

Comissão de Igualdade Racial da OAB de Mogi das Cruzes-SP

Comissão de Justiça Restaurativa OAB/SP

Comissão de Política Criminal e Penitenciária da OAB/SP

Comissão de Processo Penal da OAB/SP

Comissão de Recepção e Visitas da OAB/SP

Comissão de Relacionamento com o TRF 3ª Região da OAB/SP

Comissão de Representação Junto à Área Contábil da OAB/SP

Comissão de Segurança Pública da OAB/SP

Comissão de Seleção e Inscrição da OAB/SP

Comissão Especial de Direito Desportivo da OAB/SP

Comissão Especial de Direito Penal da OAB/SP

Comissão Justiça e Paz de São Paulo

Comitê Defend Democracy in Brazil – New York

Comitê Lula Livre England Oxford

Comitê São Paulo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação

Confederação das Mulheres do Brasil (CMB)

Confederação dos Trabalhadores Municipais do BR Confetam-CUT

Congresso Nacional de Lutas Contra o Neoliberalismo

Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro (CEDIM-RJ)

Conselho Federal da OAB – Presidente Felipe Santa Cruz

Conselho Federal de Serviço Social (CFESS).

Conselho Nacional do Laicato Brasileiro (CNLB)

Conselho Nacional do Laicato Brasileiro/Guarulhos (CNLB Guarulhos)

Conselho Regional de Psicologia – Pernambuco (CRP 2ª região)

Conselho Regional de Psicologia de São Paulo

Conspiração Socialista

Diadorim – Centro de Estudos de Gênero, Raça/Etnia e Sexualidade da Universidade do Estado da Bahia.

Educafro

Escola de Cidadania da Zona Oeste – Butantã

Escola de Cidadania José de Souza Cândido da Diocese de Mogi das Cruzes

Escola de Fé e Política Waldemar Rossi

Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano (EPFCL-BRASIL)

Espaço Cultural Jd Damasceno

Face Original

Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE)

Federação dos Trabalhadores Municipais do Estado de São Paulo (Fetam/CUT-SP)

Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)

Federação Nacional dos Metroviários (FENAMETRO)

Federação Nacional dos Psicólogos

Federação Nacional dos Urbanitários (FNU)

Federación Internacional de Resistencia Migrante en España (FIRMES)

Fórum da Cidade de Acompanhamento de Políticas Públicas da População de Rua

Fórum das Pastorais Sociais da Região 1 da Diocese de Campo Limpo

Fórum de Assistência Social da Cidade de São Paulo

Fórum de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Butantã (FoCA – BT)

Fórum de Promoção da Liberdade Sindical no Estado do Espírito Santo

Fórum de Saúde do Campo Limpo

Fórum de Sustentabilidade do Butantã

Fórum Hip Hop do Município de São Paulo

Fórum Livre de Combate ao Racismo de São Bernardo do Campo

Fórum Municipal de Economia Solidária de Guarulhos

Fórum Nacional de Usuários do SUAS FNU-SUAS

Fórum Popular de Saúde da Zona Leste – SP

Fórum Verde Permanente dos Parques, Praças e Áreas Verdes de São Paulo

Frente Ampla Democrática pelos Direitos Humanos (FADDH)

Frente Ampla em Defesa da Saúde dos Trabalhadores

Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito

Frente Democrática Oxford

Frente Feminista de Esquerda do Alto Tietê

Frente Pela Vida – Mulheres de Presidente Prudente/SP

Geledés Instituto da Mulher Negra

Grupo de Fé e Política do ABC Paulista

Grupo Prerrogativas

Grupo Tortura Nunca Mais SP

Grupo Trabalho Pesquisa Capital da Faculdade de Direito USP (GTPC)

Igreja Povo de Deus em Movimento (IPDM)

Ile Àṣẹ Olú Aiye Ati Iya Omi

Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial

Instituto Brasileiro de Advocacia Pública (IBAP)

Instituto Cultiva

Instituto de Defesa de Direito de Defesa (IDDD)

Instituto dos Advogados Brasileiros

Instituto EcoVida – AP, AM, AC, PA, RR, PB, MA, PE, SE, SP, RJ, DF, RS

Instituto HaPHirma pelo Desenvolvimento Humano Integral

Instituto Macuco

Instituto Patrícia Galvão – Comunicação e Mídia

Instituto Paulo Freire

Instituto Pedro Henrique de Direitos Humanos

Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento (TID-Br)

Instituto Vladimir Herzog de Direitos Humanos

Laboratório de Estudos do Imaginário do Instituto de Psicologia da USP (LABI – IPUSP)

Levante das Mulheres Brasileiras – Mulheres Derrubam Bolsonaro

Linhas de Sampa/SP

Linhas de Santos/SP

Linhas do Horizonte/MG

Linhas do Itapeti/SP

Linhas do Mar/ Caraguatá SP

Linhas do Rio/RJ

Luta Popular

MNQRC- Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe

Movimento Comunitário Trabalhista do Estado de São Paulo

Movimento da Advocacia Trabalhista Independente (MATI)

Movimento da População em Situação de Rua do Rio Grande do Norte

Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos da Cidade de São Paulo (MOVA-SP)

Movimento de Mulheres Judias Me dê sua Mão

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST/SP

Movimento em Defesa da Vida do ABC

Movimento Estadual da População em Situação de Rua de SP

Movimento Independente Mães de Maio

Movimento Mães de Maio

Movimento Mulheres em Luta (MML)

Movimento Nacional da População em Situação de Rua

Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas (MNCP)

Movimento Nacional de Direitos Humanos de SP – MNDH/SP

Movimento Nacional de Luta pela Defesa da População em Situação de Rua – MNLDPR

Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB)

Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR)

Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua

Movimento Negro Unificado (MNU)

Movimento Nosso Jardim Helena – Zona Leste de São Paulo

Movimento Parque Chácara do Jóquei

Movimento Sem Teto do Centro (MSTC)

Mulheres na Luta Pela Democracia

Museu Bajubá

Nossa Igreja Brasileira – Igreja Batista/RJ

Observatório das Violências Policiais e dos Direitos Humanos (OVP-DH)

Observatório Judaico dos Direitos Humanos no Brasil “Henry Sobel”

Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (ONDAS)

Ocupação Nove de Julho

Organização de Auxílio Fraterno (OAF)

Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Cocaia/Guarulhos

Paróquia Nossa Senhora de Fátima da Vila Fátima – Guarulhos/SP

Paróquia Nossa Senhora do Carmo de Itaquera/SP

Pastoral das Pessoas com Deficiências da Diocese de São Miguel Paulista

Pastoral de Educação do Regional Sul 1 da CNBB

Pastoral dos Idosos da Diocese de São Miguel Paulista

Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo

Pastoral Fé e Política da Diocese de Campo Limpo

Pastoral Fé e Política da Diocese de Guarulhos

Pastoral Fé e Política da Região Belém da Arquidiocese de São Paulo

Pastoral Fé e Política do Regional Sul 1 da CNBB

Pastoral Operária da Diocese de Campo Limpo

Pastoral Operária Metropolitana de São Paulo

Projeto Técnicos e Sociais (Projetech)

Psicanalistas Unidos pela Democracia (PUD)

Quilombo Dandara.

Rede Brasileira de Redução de Danos e Direitos Humanos (REDUC)

Rede de Apoio às Famílias das Vítimas do Covid

Rede de Entidades e Forças Sociais do Butantã (Rede Butantã)

Rede de Escolas de Cidadania do Estado de São Paulo (REC-SP)

Rede de Estudos e Monitoramento Interdisciplinar da Reforma Trabalhista (Remir)

Rede de Historiadores e Historiadoras LGBTQIA+

Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio

Rede Irerê de Proteção à Ciência

Rede Nossa Mogi das Cruzes

Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

Semana Tereza de Benguela da Baixada Santista

Sessão Sindical dos Docentes da Unioeste (ADUNIOESTE)

Sindicato das Psicólogas e Psicólogos do Estado de São Paulo

Sindicato das Sociedades de Advogados de SP e RJ (Sinsa)

Sindicato do Procuradores do Estado, das Autarquias, Fundações e das Universidades Públicas de São Paulo (SINDPROESP)

Sindicato dos Advogados de São Paulo (SASP)

Sindicato dos Agentes Fiscais de Rendas do Estado de São Paulo (Sinafresp)

Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte (SEEB-RN)

Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

Sindicato dos Funcionários Públicos de Diadema (SINDEMA)

Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Sindicato dos Metroviários de São Paulo

Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo (SindiNutri-SP)

Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (SINDIPETRO/RJ)

Sindicato dos Petroleiros do Pará, Amazonas, Maranhão e Amapá

Sindicato dos Procuradores do Estado, das Autarquias, das Fundações e das Universidades Públicas do Estado de São Paulo (Sindiproesp)

Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP)

Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) – Sub-Sede Guarulhos

Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) – Subsede Poá/Ferraz de Vasconcelos

Sindicato dos Professores e Professoras de Guarulhos (Sinpro Guarulhos)

Sindicato dos Químicos e Plásticos de São Paulo

Sindicato dos Técnicos Administrativos do Rio Grande do Norte (Sintest-RN)

Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais do ABC

Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Estadual das Cidades de Caieiras e São Paulo (SINDJESP)

Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (SINTRAJUD/SP)

Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Judiciário Estadual na Baixada Santista, Litoral e Vale do Ribeira do Estado de São Paulo (SINTRAJUS)

Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SINTAEMA)

Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do RN (Sindsaúde-RN)

Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência no Estado de São Paulo (SINSPREV SP)

Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep/SP)

Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação de São José dos Campos e Região (STA)

Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal do Estado de São Paulo (Sindsef-SP)

Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil (CEDS-SP e DSSP)

Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN)

Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério Público da União / Seção SP (SindMPU-SP)

Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica e Profissional -Seção Sindical IFSC (SINASEFE-IFSC)

Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Instituições de Pesquisa Agropecuária e Florestal (SINPAF)

Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE / Núcleo SP (ASSIBGE-SN/SP)

Sociedade Astronômica Brasileira (SAB)

Sociedade Brasileira de Biofísica (SBBf)

Sociedade Brasileira de Biologia Celular (SBBC)

Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq)

Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (ECOECO)

Sociedade Brasileira de Ecotoxicologia (Ecotox.Br)

Sociedade Brasileira de Eletromagnetismo (SBMAG)

Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB)

Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos (SBEC)

Sociedade Brasileira de Farmacognosia (SBFGnosia)

Sociedade Brasileira de Farmacologia e Terapêutica Experimental (SBFTE)

Sociedade Brasileira de Genética (SBG)

Sociedade Brasileira de Geologia (SBGeo)

Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC)

Sociedade Brasileira de História da Educação (SBHE)

Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI)

Sociedade Brasileira de Matemática (SBM)

Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC)

Sociedade Brasileira de Microbiologia (SBMicro)

Sociedade Brasileira de Microeletrônica (SBMicro)

Sociedade Brasileira de Ornitologia (SBO)

Sociedade Brasileira de Ótica e Fotônica (SBFoton)

Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMAT)

Sociedade Brasileira de Química (SBQ)

Sociedade Brasileira de Telecomunicações (SBrT)

Sociedade Brasileira de Zoologia (SBZ)

Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB)

SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia

SOS Fascism in Brazil: Press Reports

Uneafro Brasil

União Brasileira de Mulheres

União da Juventude Socialista (UJS)

União dos Movimentos de Moradia de São Paulo (UMM)

União Geral dos Trabalhadores (UGT)

União Nacional dos Estudantes (UNE)

União Nacional por Moradia Popular

Uniduniler Todas as Letras

Fonte: SBPC