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APqC consulta pesquisadores e divulga melhorias na comunicação

apqc

Entre os meses de abril e maio deste ano, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) realizou uma pesquisa online, em forma de questionário, para medir a opinião dos pesquisadores sobre a comunicação feita pela entidade. Pouco mais de 300 respostas foram enviadas.

O objetivo principal era traçar um diagnóstico do trabalho desenvolvido pela equipe de comunicação em parceria com a diretoria da APqC (biênio 2018/19) e, assim, elaborar um plano estratégico visando aprimorar o alcance dos informes e a interatividade das mídias digitais.

Uma das novidades, lançada paralelamente à pesquisa, foi a inauguração do canal da APqC no Youtube. O primeiro vídeo mostra a pesquisa do engenheiro agrônomo José Alberto Caram de Souza Dias, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que desenvolveu a tecnologia do broto batata-semente. É o primeiro de uma série que será produzida com pesquisadores de outros institutos.

Nos últimos seis meses, a página da APqC no Facebook saltou de 2 mil seguidores para pouco mais de 7 mil. Um dos motivos para este aumento foi a frequência das publicações – uma média de três notícias diárias, sendo que pelo menos uma delas relacionada à Associação ou a algum dos institutos de pesquisa do Estado de São Paulo. Há, no entanto, muito a ser feito. Confira a seguir o que disseram os associados sobre o trabalho de comunicação da APqC.

Números e propostas

A maioria dos entrevistados (44%) consideram que o site da APqC é bom; 27% disseram ser razoável; 14% o acham fraco; 5% o consideram ótimo; os 9% restantes responderam que desconhecem o site. Para incentivar que mais associados tenham acesso ao conteúdo gerado no site e no Facebook, será criado um mailing mensal, com um resumo das notícias e informes mais importantes que foram gerados nas redes sociais, acompanhados de seus respectivos links.

O ponto fraco do site, apontado por 27% dos pesquisadores que responderam ao questionário, é a pouca interatividade. Decidiu-se, então, verificar a possibilidade de melhorar os recursos do site, de modo a permitir que os leitores enviem sugestões de pauta, críticas ou tirem dúvidas em relação a assuntos relacionados à categoria. Também será aumentada a produção de notícias publicadas diretamente no site e linkadas no Facebook e no Twitter da APqC, para ampliar o fluxo de visitações de uma rede à outra.

Sobre a rede social mais nova a ser utilizada pela Associação, o Youtube, a maioria dos entrevistados disse que gostaria de ver vídeos sobre o trabalho desempenhado pela APqC; a segunda opção mais votada foi a de vídeos reportando o trabalho dos pesquisadores; e em terceiro lugar, vídeos sobre os institutos de pesquisa.

A equipe de comunicação está empenhada em produzir, nos próximos meses, vídeos curtos e de fácil assimilação por todo o tipo de público, visando não só valorizar o trabalho dos pesquisadores científicos dos institutos paulistas, mas também esclarecer a população sobre a importância deste trabalho para a vida das pessoas e para o desenvolvimento do Estado e do País.

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Sociedade civil divulga abaixo-assinado contra privatização do Zoológico de São Paulo

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O Zoológico de São Paulo tem uma história de mais de 60 anos e, junto com o Instituto de Botânica, está situado em um fragmento preservado de Mata Atlântica, o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI). Essa área é rica em biodiversidade vegetal e animal. Recentemente, o Governo do Estado decidiu fazer a concessão dessas áreas para a iniciativa privada, o que prejudicará as pesquisas científicas e tecnológicas das duas Instituições, além do Meio Ambiente e da população do entorno.

Além disso, é importante destacar que o zoo de São Paulo não gera custos para o Estado, pois obtém receita própria por meio de sua bilheteira e, a partir dela, investe em projetos de pesquisa e conservação de espécies.

Qual seria o interesse do Governo do Estado em conceder à iniciativa privada a utilização de uma Fundação que gera lucros?

A APqC é contra a concessão e endossa o abaixo-assinado contido neste link (clique aqui). Assine também e entre na luta pela defesa da pesquisa científica do Estado de São Paulo.

APqC debate permanência do Instituto de Botânica em área que será concedida à iniciativa privada

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Buscar maneiras de assegurar a permanência do Instituto de Botânica na administração direta e garantir que a sua estrutura física seja resguardada e permaneça sem interferência da concessionária nas pesquisas básicas e aplicadas desenvolvidas pelo órgão dentro da área do Parque Estadual Fontes do Ipiranga, que o governador João Dória Jr. quer conceder à iniciativa privada. Este foi um dos principais motivos do debate que ocorreu na audiência pública realizada ontem, na ALESP. A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), junto à sua advogada, Dra. Helena Goldman, esteve antes reunida com o Executivo para que estas e outras adequações fossem feitas ao texto final do PL 183/2019, que dispõe sobre a concessão.

Em sua explanação, na audiência da Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão, Dra. Helena Goldman afirmou que o texto do projeto de lei, de autoria do governo, causava preocupação aos pesquisadores por não garantir a permanência do Instituto de Botânica na área a ser concedida à exploração de uma concessionária, bem como nada falava sobre a preservação da competência técnico-científica da instituição. “ O Instituto não pode correr este risco de ser transferido, como ocorreu anteriormente com o Instituto Geológico e de Economia Agrícola”, explicou a advogada, “pois, as pesquisas ali realizadas estão diretamente ligadas ao parque, ao meio ambiente, sendo o Jardim Botânico um laboratório vivo, caso o Instituto de Botânica seja transferido será o fim de inúmeras pesquisas em andamento, e consequentemente o fim da instituição.” explicou.

Segundo ela, o texto não garantia também que as pesquisas geradas pelo IBot e da Fundação Zoológico continuassem sendo de propriedade do Estado e nem garantia o acesso gratuito a estudantes da rede pública para visitação, porém com a adequação da legislação esses importantes pontos passaram a constar na proposta legislativa que deverá ser encaminhada a ALESP, disse a advogada. Além disso, na reunião com representantes do Executivo, a APqC conseguiu negociar também que, no texto do projeto de lei, constasse a preservação da competência da instituição de pesquisa para continuar oferecendo de forma gratuita a capacitação de botânica e meio ambiente, o que acaba por preservar os curso de pós-graduação, que já formaram mais de 400 mestres e doutores.

Preocupação com o futuro

Para a deputada estadual Beth Sahão, coordenadora da Frente Parlamentar, a inclusão das adequações ao texto do PL 183/2019 foi uma “vitória parcial” dos pesquisadores, mas recomendou à categoria que “permaneça alerta e mobilizada” até a chegada do texto final à Alesp. A versão final do projeto de lei não tem data para ser votada e novas sugestões, em tese, ainda podem ser acrescentadas se houver consenso entre os deputados.

Nas palavras da presidente da APqC, Dra. Cleusa M. Lucon, a luta inicial da associação era para que não fosse feita a concessão do Jardim Botânico e de outras instituições do Estado. “Infelizmente estamos trabalhando para salvar ao menos a autonomia administrativa do Instituto de Botânica, pois tudo indica que ele será o primeiro a ser privatizado. Isso nos preocupa muito, pois parece ser uma tendência. O que vai acontecer agora irá traçar o futuro do Estado de São Paulo”, afirmou.

A pesquisadora Dra. Inês Cordeiro, do IBot, usou da palavra para manifestar sua preocupação com o destino dos acervos do Instituto, que estão entre os mais importantes do Brasil. “O que será do nosso herbário, da biblioteca e das orquídeas nativas, por exemplo? Não vejo como uma empresa privada poderia ter retorno financeiro imediato com isso e me preocupa a possibilidade de tudo desaparecer”, disse. Ela revelou ainda que faltam pesquisadores devido à ausência de concurso público e que a concessão irá dificultar ainda mais a possibilidade de novas contratações via edital. “Eu poderia estar aposentada há seis anos; há um colega que poderia ter se aposentado há dez! E, no entanto, estamos trabalhando por amor e responsabilidade às pesquisas em curso”.

Na mesma linha, o assistente técnico Luiz Barretto informou que apenas 59 cargos, dos 105 possíveis, estão preenchidos no Instituto de Botânica. E mesmo assim, segundo ele, 36 irão se aposentar nos próximos cinco anos, restando 23 funcionários. “Com esse número de quadros será impossível continuar. As pesquisas do IBot serão interrompidas se não houver concurso público rápido. Em cinco anos não haverá quem toque o plano de manejo do instituto”, alertou. Para ele, a concessão da área pelo prazo de 35 anos decretará o fim dos concursos e, por consequência, do próprio IBot. “É muito triste pensar que isso pode acontecer depois de tantas décadas de trabalho”, lamentou.

No encerramento da audiência, o vice-presidente da APqC, Dr. Joaquim Adelino de Azevedo, fez um apelo para que o governo do Estado não permita que a concessão do Jardim Botânico à iniciativa privada retire o caráter social da instituição. “Quem mais será afetada é a população pobre, que pode acessar o Jardim Botânico por um preço de ingresso bem abaixo do valor comercial, e os estudantes da rede pública, que recebem educação ambiental e saem de lá querendo ser biólogos, botânicos etc…”.

Um dos encaminhamentos tirados da reunião foi a criação de uma força-tarefa de pesquisadores para conversar com todos os deputados da Alesp e tentar demovê-los da ideia de aprovarem o PL 183/2019.

APqC convida para audiência pública contra privatização do Instituto de Botânica

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) conclama seus pesquisadores e pesquisadoras a participarem, amanhã (22), da Audiência Pública contra a Privatização do Instituto de Botânica, que acontecerá a partir das 10h na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Referência no Brasil e América Latina, o Instituto de Botânica conta hoje com 15 laboratórios científicos e um parque de equipamentos no valor de R$ 5 milhões de reais, resultado de investimentos científicos de diversas agencias de financiamento (FAPESP, FINEP, CNPq, BID, GEF, Banco Mundial, Petrobras, Rodoanel/Dersa) e câmara de compensação.

Administrado pelo Instituto, o Jardim Botânico de São Paulo não é um parque e sim um espaço de preservação in situ e ex situ da biodiversidade botânica paulista, área de experimentação cientifica ambiental e visitação para fins educativos e contemplativos.
O Projeto de Lei 183/2019, de autoria do Governador João Dória, que autoriza a sua concessão para a iniciativa privada é muito amplo, sendo que diversos artigos e incisos levantam dúvidas e questões que precisam ser impreterivelmente discutidas antes da aprovação da matéria em plenário.

De acordo com o PL, a pesquisa cientifica permanecerá sob responsabilidade do governo. Porém todas as edificações onde as pesquisas são realizadas, incluindo laboratórios, herbários, coleções, salas de aula, etc., encontram-se nas áreas a serem concedidas. Ainda, o Projeto de Lei não resguarda o direito do Estado a propriedade intelectual e acesso ao patrimônio genético.

A importância do Instituto de Botânica, para a sociedade se expressa pela importância da instituição nas atividades de pesquisa, tecnologia e inovação, além do centro de formação e treinamento de recursos humanos aptos a atuarem nas políticas públicas do meio ambiente, saúde e educação em todo o país.

O Instituto de Botânica requer autonomia para a realização de suas pesquisas, execução responsável do orçamento institucional e que conhecimentos e produtos gerados pelas atividades desenvolvidas continuem como propriedade do Estado de São Paulo.

Confirme sua participação no grupo do ato no Facebook (clicando aqui) e ajude a mobilizar sua categoria.

 

Em vídeo, Miguel Nicolelis alerta para colapso da soberania científica do Brasil

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, conhecido e respeitado internacionalmente, deu longa entrevista aos jornalistas Kiko Nogueira e Pedro Zambarda, do Diário do Centro do Mundo (DCM). Nela, ele explica como o trabalho de quem dedica sua vida ao conhecimento e à pesquisa científica está sendo perseguido pelo governo de Jair Bolsonaro. “A obsessão em tentar destruir a infraestrutura de ensino superior e de pesquisa significa o colapso da soberania científica e tecnológica do nosso país”, diz o professor. Assista na íntegra. #APqC

Cientistas vão à Av. Paulista neste domingo para mostrar suas pesquisas

No próximo domingo (19/05), cientistas das universidades públicas e dos institutos de pesquisa do Estado de São Paulo irão à Avenida Paulista para mostrar à população o trabalho desenvolvido por eles. A iniciativa faz parte da onda das mobilizações contra os cortes na Ciência, Tecnologia e Educação anunciados pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

Os cientistas paulistas estiveram nas ruas nos dias 8 e 15 de maio em Marcha pela Ciência e voltarão à elas. No domingo, a partir das 14 horas, eles se concentrarão na frente do MASP e estarão à disposição para conversar com as pessoas sobre o que faz um cientista e o que cada um tem feito dentro de suas respectivas áreas. Segundo Cleusa Lucon, presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) foi convidada a participar e estará presente.

A ação visa também fazer um contraponto à política de desinformação que está sendo colocada em prática para manchar a imagem dos pesquisadores perante a sociedade e, dessa forma, abrir espaço para a privatização das universidades e institutos.

#cientistasengajados
#temciêncianobr
#minhapesquisacapes
#minhapesquisacnpq
#liberanossasbolsas

ciencia

A Fapesp e a agropecuária paulista

zago

(O presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago – Zé Carlos Barretta – 18.ago.17/Folhapress)

Apesar das dificuldades econômicas do país, o PIB paulista cresceu 1,6% em 2018. Cerca de 15% desse produto econômico, da ordem de R$ 330 bilhões, vem do agronegócio, responsável também por 15% do emprego no estado. Estimular o agronegócio tem, pois, reflexos positivos na economia e na geração de empregos.

Para manter-se competitiva num mundo que muda rapidamente, em que a atualização científica e tecnológica migra continuamente dos laboratórios e universidades para o setor produtivo, a agropecuária tem que ser sustentada por pesquisa e inovação permanentes.

No estado de São Paulo, esse processo ocorre com vigor há várias décadas, garantindo a força produtiva e contribuindo para o progresso do setor no país, responsável por 20% do PIB brasileiro.

De que forma a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) participa deste esforço?

Estudo recente mostra que cada R$ 1 investido na pesquisa agropecuária tem, em poucos anos, retorno de R$ 11. Os investimentos da Fapesp têm um retorno 27 vezes maior. Esse retorno aparece de formas variadas, como aumento da produção e produtividade e aumento da geração de empregos. Em meados da década de 1990, o PIB per capita rural era 21% do PIB urbano, tanto em São Paulo como no Brasil; em 2014, havia subido para 31% no país e 53% no estado de São Paulo.

Portanto, investir em pesquisa agropecuária é uma excelente estratégia para desenvolver o estado e aplicar recursos públicos com eficiência. A Fapesp investiu R$ 3 bilhões (valores de 2013) na pesquisa de agricultura entre 1993 e 2013 e nos últimos dez anos financiou 4.500 bolsas e 2.600 projetos. Entre 1982 e 2013, os investimentos de Fapesp, Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) e Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) perfizeram R$ 417 milhões anuais, enquanto valor equivalente foi investido na área por USP, Unesp e Unicamp na formação de pessoal.

Em consequência, a produção da agricultura paulista aumentou em mais de 90% nas duas últimas décadas, e o ganho de produtividade total cresceu 3,1% a partir de 1994, enquanto o PIB per capita rural subiu para 57% do PIB urbano em São Paulo quando comparado a 34% do restante do país.

A pesquisa apoiada cobre amplo espectro, desde questões de aplicação imediata —como soluções de adubação e dieta que reduzem a emissão de metano e aumentam a produtividade do gado de corte, identificação de genes que estão ligados à melhoria do gado bovino, preservação de polinizadores e aplicação de drones na agropecuária— até temas mais fundamentais, como uso da genômica para identificar genes que aumentam a resistência das plantas às mudanças climáticas e genômica
para a piscicultura.

Em 30 anos, o etanol mudou o perfil de fonte de energia no Brasil: o uso de petróleo e derivados caiu de 62% para 38%, enquanto a bioenergia elevou-se de 14% para 32%. A Fapesp tem protagonismo neste processo e no debate internacional sobre bioenergia e sustentabilidade.

Uma característica adicional desse setor é a estreita cooperação entre universidades e institutos de pesquisa com o setor produtivo e empresarial, acompanhada de um número crescente de startups. O programa Pipe (Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas), da Fapesp, apoia no momento 80 empresas tecnológicas nesse setor da economia.

A experiência das últimas décadas demonstra claramente que investir em ciência e tecnologia produz inovação, gera empregos e contribui para o desenvolvimento econômico.

Marco Antonio Zago
Presidente da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo)

Fonte original: Folha de S. Paulo

Vídeo: Audiência Pública contra a privatização do Jardim Botânico

Assista na íntegra o vídeo da Audiência Pública contra o projeto de lei 183/19, que institui a privatização do Zoológico, Zoo Safári e do Jardim Botânico de São Paulo. O evento foi realizado em 13 de maio de 2019, no Plenário Tiradentes, da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), e foi coordenado pelo deputado Carlos Giannazi. A #APqC marcou presença.

Pesquisadores pedem retirada de pauta do PL que dispõe sobre concessão do Jardim Botânico à iniciativa privada

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Carta Aberta da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) sobre os problemas do PL 183 para o Instituto de Botânica

A sede do Instituto de Botânica localiza-se dentro do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, na capital do Estado de São Paulo. Tem como missão institucional, o desenvolvimento de pesquisas científicas e tecnológicas, a capacitação de recursos humanos e a gestão de reservas biológicas, acervos e coleções científicas, como subsídio às políticas públicas de meio ambiente do Estado de São Paulo. Produz estudos sobre florística, sistemática, fisiologia, bioquímica, morfologia, anatomia e ecologia com vistas à preservação, recuperação e utilização sustentável dos recursos vegetais. Gerencia Coleções Científicas (Herbário Científico do Estado e coleções vivas do Jardim Botânico do Estado, incluindo germoplasma), possui o terceiro maior herbário do país e o maior do estado; a 5a maior coleção pública de orquídeas do mundo e a maior palinoteca e xiloteca do Brasil com enorme valor científico, mas não mercadológico. Desenvolve atividades de Educação Ambiental para o público em geral, estudantes e professores, oferecendo estágios, treinamentos, aperfeiçoamento, especialização e pós-graduação. Atua na execução da Política Estadual de Meio Ambiente (Decreto nº 55.165 de 14/12/2009).

O Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (PGIBt), credenciado pelo MEC/CAPES – Nível 5, oferece cursos de Mestrado e Doutorado. Também são orientados estágios em nível de Iniciação Científica (PIBIC – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica-CNPq), cujas cotas de bolsas de estudos são administradas pela própria instituição, sob a supervisão das agências de fomento. Esses programas captam cerca de 1,8 milhão de reais anuais, tendo formado nos últimos anos 400 alunos de iniciação científica, 270 de mestrado e 140 de doutorado. Os pós-graduandos são os únicos em todo o Brasil que realizam seu estágio docência em um Jardim Botânico. O IBt também possui um acervo iconográfico, ilustrações botânicas de Margareth Mee, além de obras literárias históricas preciosíssimas.

O Instituto estabelece cooperações com universidades, instituições de ensino superior, institutos de pesquisa, extensão e desenvolvimento tecnológico, nacionais e estrangeiros por meio de seu Programa de Capacitação em Botânica e Meio Ambiente conforme Decreto nº 52.459/2007.

O Jardim Botânico do IBt foi o primeiro do Brasil a ser classificado como Categoria “A” pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, por se tratar de Jardim associado à uma Instituição de Pesquisa e fundamentado no tripé pesquisa científica, educação ambiental e conservação, além de ser uma importante área verde para o lazer da população.

O orçamento do IBt tem sofrido cortes ao longo dos últimos anos, passando de cerca de 14 milhões em 2010 (valores corrigidos) para previsão de cerca de 4 milhões para 2019, o que compromete a consecução das suas prerrogativas institucionais. O IBt conta hoje nos seus 15 laboratórios científicos com um parque de equipamentos de cerca de 5 milhões de reais, resultado de investimentos científicos de diversas agencias de financiamento (FAPESP, FINEP, CNPq, BID, GEF, Banco Mundial, Petrobras, Rodoanel/Dersa) e câmara de compensação.

Administrado pelo Instituto de Botânica, que é um centro de referência em Botânica para todo o Brasil, o Jardim Botânico de São Paulo não é um parque e sim um espaço de preservação in situ e ex situ da biodiversidade botânica paulista, área de experimentação científica ambiental e visitação para fins educativos e contemplativos. O PL 183, que autoriza a sua concessão para a iniciativa privada é muito amplo, sendo que diversos artigos e incisos levantam dúvidas e questões que precisam ser impreterivelmente discutidas antes da aprovação da matéria em plenário. De acordo com o PL 183, a pesquisa científica permanecerá sob responsabilidade do governo. Porém, todas as edificações onde as pesquisas são realizadas, incluindo laboratórios, herbários, coleções, salas de aula, etc., encontram-se nas áreas a serem concedidas. Ainda, o PL não resguarda o direito do Estado a propriedade intelectual e acesso ao patrimônio genético.

A importância do IBt para a sociedade se expressa pela importância da instituição nas atividades de pesquisa, tecnologia e inovação, além de centro de formação e treinamento de recursos humanos aptos a atuarem nas políticas públicas de meio ambiente, saúde e educação em todo o país. O Instituto de Botânica requer autonomia para a realização de suas pesquisas, execução responsável do orçamento institucional e que conhecimentos e produtos gerados pelas atividades desenvolvidas sejam também de propriedade do Estado. Isso não está claro no PL 183, sendo que tratativas para modificar os artigos que tratam dessas questões estão sendo discutidas nos Poderes Executivo com o Secretário Marcos Penido e Legislativo com as Deputadas Carla Morando, Janaína Paschoal e Beth Sahão. Contudo, por não estarem concluídas, e segundo o princípio da precaução, solicita-se a imediata retirada do PL 183, de 2019 da pauta de votação, até que a nova proposta esteja elaborada, a fim de evitar imensuráveis prejuízos ao Estado no futuro próximo e perdas irreparáveis para a ciência e sociedade.

São Paulo, 13 de maio de 2019

Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC)

Funcionários do Instituto de Botânica se mobilizam contra privatização do Jardim Botânico de São Paulo

O Jardim Botânico de São Paulo, administrado pelo Instituto de Botânica (IBt), corre o risco de ser privatizado por meio de uma concessão que não foi devidamente discutida com a sociedade. Este será o tema da Audiência Pública que ocorrerá hoje na Alesp (Auditório Tiradentes, às 19h). Na sequência, leia trechos da carta aberta que funcionários do IBt divulgaram para denunciar a situação de incerteza que ronda o instituto e a continuidade das pesquisas ali realizadas. Ao final, colabore com o abaixo-assinado em defesa da pesquisa científica e tecnológica do IBt.
IBt
Carta aberta dos funcionários do IBt (trechos)
Administrado pelo Instituto de Botânica, que é um centro de referência em Botânica para todo o Brasil, o Jardim Botânico de São Paulo não é um parque e sim um espaço de preservação da biodiversidade botânica paulista, área de experimentação científica ambiental e visitação para fins educativos e contemplativos. O PL 183, que autoriza a sua concessão para a iniciativa privada é muito amplo, sendo que diversos artigos e incisos levantam dúvidas e questões que precisam ser impreterivelmente discutidas antes da aprovação da matéria em plenário. De acordo com o PL 183, a pesquisa científica permanecerá sob responsabilidade do governo. Porém, as edificações onde as pesquisas são realizadas, incluindo laboratórios, herbários, coleções, salas de aula, etc., encontram-se nas áreas a serem concedidas, inclusive havendo possibilidade de o concessionário contratar funcionários para realizarem pesquisas que atendam a demandas do concessionário ou da SIMA. Não consta no PL 183 como isso seria viabilizado. Também nada consta sobre ao direito de propriedade intelectual e acesso ao patrimônio genético. Nada consta sobre eventuais distratos.
A importância do IBt para a sociedade não se expressa somente através do número de visitantes do Jardim Botânico, mas pela expressiva importância da instituição como centro de formação, treinamento e formação de recursos humanos aptos a atuarem nas políticas públicas de meio ambiente, saúde e educação em todo o país. O corpo técnico do Instituto de Botânica, constituído por funcionários públicos estatutários, de longa carreira e apartidários requer autonomia para a realização de suas pesquisas, execução responsável do orçamento institucional e que conhecimentos e produtos gerados por suas atividades sejam de propriedade exclusiva e permanente do Estado. Isso não está claro no PL 183, sendo que tratativas para modificar os artigos que abordam essa questão estão sendo feitas, porém não se vislumbra êxito a curto prazo. Seguindo o princípio da precaução, solicita-se retirar o PL 183 da pauta de votação, sugerindo-se a elaboração de uma nova proposta que evite eventuais prejuízos ao estado no futuro próximo e perdas irreparáveis para a Ciência.
Assine o abaixo-assinado Contra a Privatização do Instituto de Botânica e sua pesquisa na concessão do Jardim Botânico (clique aqui).

Mães e cientistas: APqC recomenda textos em homenagem ao Dia das Mães

Scientist Working in The Laboratory

Amanhã, 12 de maio, celebramos o Dia das Mães. Para comemorar esta data tão importante, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APQC) selecionou uma série de textos que mostram a relação entre as mães e a ciência. Como é a vida das mulheres que são mães e cientistas ao mesmo tempo? Quais demandas fazem parte de sua luta por melhores condições de trabalho? O que os estudos científicos descobriram sobre as mães até hoje? Para acessar o conteúdo dos textos selecionados basta clicar no título das matérias abaixo. Boa leitura!

“Cientista não tem hora de trabalho. Se você está no meio de um processo, você não pode simplesmente abandonar tudo e recomeçar do zero. Mas o que fazer quando existe uma criança que depende de você?” (Mães e cientistas: como a maternidade é vista na pós-graduação no Brasil).

“Aceitar a maternidade sem julgamentos e estimular a pesquisadora mãe, um combo que requer mais investimentos por parte da sociedade” (Ser mãe e cientista: o que está por trás disso?).

“O Brasil é um dos países que conta com a maior quantidade de artigos científicos publicados por mulheres. Apesar disso, ainda não existem políticas específicas de auxílio em períodos como a maternidade, o que faz com que a produtividade acadêmica das pesquisadoras diminua” (Faltam políticas de auxílio a mães cientistas no Brasil).

“Pesquisa realizada com mais de 1.100 cientistas no país mostra que queda na produtividade e no acesso a financiamentos de pesquisa é comum para mulheres após se tornarem mães; quais seriam as alternativas rumo a uma ciência mais equânime entre homens e mulheres?” (Sem considerar maternidade, ciência brasileira ainda penaliza mulheres).

“Se a participação feminina já é numericamente igual ou maior na graduação e pós, porque o mesmo não se repete nos cargos de liderança?” (Machismo e seu impacto na carreira de mulheres cientistas).

“Atividades contribuem para o debate sobre disparidade de gênero na academia e mudam percepção pública sobre o papel feminino na pesquisa” (Crescem iniciativas que dão visibilidade a mulheres cientistas).

“Ser mãe vai muito além de gerar e criar filhos. A ciência sabe disso e explica algumas curiosidades sobre a maternidade que você, talvez, não saiba” (11 coisas fascinantes que a ciência sabe sobre as mães).

 

 

 

 

 

 

Frente parlamentar é criada para defender instituições públicas de ensino e pesquisa científica

Com o objetivo de fazer frente à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que visa investigar as contas das universidades públicas de São Paulo, e também de chamar a atenção para os cortes de recursos que vão afetar tanto as universidades quanto os Institutos de Pesquisa, foi lançada, na manhã de ontem (8), a “Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão”, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

A Frente, convocada pela deputada Beth Sahão, conta até o momento com o apoio de 29 deputados da Casa e o ato de lançamento teve a participação de representantes de várias entidades ligadas à Educação e à Ciência, entre eles Wagner Romão (Adunicamp), Raquel Mello (ANPG), Priscila Leal (SINTPq), Ros Mari Zenha (CRE / IPT), Michele Ramos (Adusp), Mariana Moura (Cientistas Engajados), Allen Habert (SEESP) e Dra. Cleusa Maria Lucon (APqC).

A frente parlamentar, segundo a deputada Beth Sahão, pretende mostrar que há transparência nos gastos dessas instituições e quer fazer um alerta à sociedade para o ataque ao serviço público levado adiante pelos governos estadual e federal. Para o Dr. Joaquim Adelino de Azevedo, vice presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos de São Paulo (APQC), os cortes de verbas e a falta de contratação de novos pesquisadores podem afetar o desenvolvimento de tecnologia para o estado. “Muitos trabalhos estão deixando de ser executados e ainda temos um outro problema sério nos institutos, que é a não reposição do pessoal que está aposentando. Sem recursos para os institutos, não há novas contratações”, disse.

A presidente da APqC, Cleusa Lucon, o desmonte das instituições públicas de ensino e pesquisa irá “arrasar um sistema que demorou cem anos para ser construído”. Isso, segundo ela, trará consequências graves, não só para o desenvolvimento do Estado de São Paulo e do País, mas também para a vida das pessoas que dependem dos serviços oferecidos pelas instituições em questão. “A carreira de pesquisador científico está ameaçada de extinção se os recursos continuarem minguando, se não houver concurso público para renovar o quadro de funcionários e se a privatização avançar sobre estes setores”, alertou.

Assista abaixo reportagem da TVT sobre o lançamento da Frente Parlamentar.

Carta aberta da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP) sobre a CPI da ALESP contra as Universidades estaduais paulistas

Nos últimos 80 anos, as Universidades estaduais paulistas se tornaram os pilares do conhecimento não só do Estado de São Paulo, mas do Brasil e, em parte, do mundo. Hoje, se ligarmos nas melhores emissoras de rádio e de TV do país, ou se abrirmos os melhores jornais brasileiros, encontraremos um grande número de explicações, opiniões e entrevistas de professores da USP, UNESP e UNICAMP. Isto ocorre porque é no estado de São Paulo onde as pesquisas acadêmicas geram não apenas conhecimento, mas aplicação tecnológica e inovação, binômio que hoje alicerça a sociedade do conhecimento. Também, é principalmente nestas três universidades que está grande parte da inteligência da sociedade paulista contemporânea. Quando alguém tem dúvidas sobre como algo funciona, como planejar melhor empresas ou governos, ou se quer adquirir cultura, saber sobre leis, ou sobre parâmetros éticos, desenvolver novas tecnologias, ou ainda saber sobre os rumos políticos e econômicos do país, é no estoque de conhecimento das universidades estaduais do Estado de São Paulo que as repostas são primariamente procuradas.

Mas descobrir essas respostas não é trivial: elas são o resultado de décadas de carreiras de professores que se dedicaram intensamente às suas especialidades. É por isto que podemos confiar nas repostas que virão, seja para a sociedade em geral, seja para o governo aplicar políticas públicas fundamentadas, ou para que uma nova tecnologia seja implantada numa empresa. É isto que podemos chamar de “conhecimento embasado”. Nos locais mais avançados, democráticos e justos do planeta, são gestões públicas e privadas embasadas que garantem a qualidade das decisões em qualquer setor da sociedade. Os paulistas têm tudo isso à mão em seu estado.

Além de oferecer todo este conhecimento para embasar as decisões da sociedade moderna, as universidades também formam as novas gerações de médicos, advogados, engenheiros, gestores, professores, políticos e um sem número de cidadãos que formarão parte das lideranças que deverão garantir o nosso futuro e o das gerações que virão.

A sociedade tem sim todo o direito de questionar o funcionamento das universidades. Afinal, somos nós, contribuintes, que pagamos tudo o que lá acontece. E se algum setor da sociedade deve atuar nesse sentido é a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a ALESP. Isto porque ali estão os representantes eleitos pelo povo paulista.

A responsabilidade da ALESP é enorme. Esperamos que ela tenha uma visão ampla e consciência plena e fundamentada de como funciona a sociedade.

As três Universidades estaduais paulistas compõem-se de milhares de professores, funcionários e alunos de graduação e pós-graduação atuando em conjunto. Tudo isto representa um altíssimo nível de complexidade. Por isto, ao montar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as universidades é absolutamente essencial que a ALESP conheça profundamente como as universidades paulistas funcionam. Caso contrário não há como fazer as perguntas efetivas.

As Universidades estaduais paulistas não precisam temer qualquer trabalho de fiscalização séria e responsável. Portanto, não se esquivam de investigações da ALESP, que acreditamos serem essenciais para que o mais importante estado da federação seja um exemplo. De fato, as três instituições paulistas estão sempre estudando e reavaliando a si próprias. Faz parte da natureza acadêmica questionar, sempre. Para sustentar uma CPI que seja produtiva, ou para simplesmente saber se ela é ou não necessária, é fundamental que a própria ALESP também justifique para a sociedade, que nela votou, o tempo e dinheiro que serão gastos para realizar uma CPI que, para ser pertinente, deverá ser altamente complexa e dispendiosa. Se alguém acha que há algo errado com as Universidades, é fundamental que saiba o que perguntar. É primordial que as informações sejam qualificadas, de forma apartidária, com critério embasados na qualidade e excelência.

Pelas primeiras informações veiculadas pela imprensa, uma ideia da CPI seria a de discutir a cobrança de mensalidades. Se a ALESP for se informar, encontrará artigos e plena informação sobre o assunto em vários periódicos e compêndios internacionais que avaliam as universidades ditas de classe mundial. Verá que vários estudos deste tipo mostram claramente que o que se ganharia não resolveria problemas financeiros significativos. Dizem que só os ricos frequentam as três universidades paulistas. Isto não é verdade. Na UNESP, espalhada pelo estado inteiro, há muitos estudantes de baixa e média renda. Outro dado importante a destacar foram programas de cotas criados e bem estabelecidos nas 3 instituições, permitindo acesso aos jovens de baixa renda. Estes programas estão em andamento e deverão atingir o equilíbrio em alguns anos. Sobre a cobrança de mensalidades, convém ressaltar que em grandes universidades de excelência nos países desenvolvidos, ressaltando os EUA, contam-se com enormes financiamentos governamentais, que no fim são a base para o seu destaque mundial. De fato, já se sabe que ciência de qualidade, apta a gerar inovação e riqueza é cara e impossível de ser mantida com mensalidade de estudantes.

Outra alegação é que o volume de recursos repassados à universidade é grande, mais de 9 bilhões de reais por ano. Será mesmo? Para saber, basta comparar com os investimentos que a China vem fazendo com o intuito de tornar suas universidades as líderes mundiais. Podemos fazer algumas perguntas que ajudam a responder como é valioso e bem usado o dinheiro pago pelos paulistas para manter as três universidades estaduais:

1) Quanto vale o que a universidade produziu até hoje e continua produzindo?
2) Quanto valem os produtos até hoje lançados e as empresas constituídas por intermédio dos conhecimentos dos nossos engenheiros?
3) Quanto vale o trabalho de produzir avaliações e soluções para o andamento da nossa economia, feito pelos economistas e sociólogos das nossas universidades?
4) Quanto vale a ciência e as tecnologias produzidas pelos nossos engenheiros civis que contribuem com uma construção de estruturas, eletricidade, materiais, robótica, processos químicos?
5) Quanto vale a ciência e tecnologias na área de agronegócios, que fazem do Brasil uma das maiores potencias mundiais no setor que traz divisas e cria empregos por todo o país e ao mesmo tempo responde por grande parte do equilíbrio da nossa balança econômica?
6) Quanto valem os resultados que os nossos médicos, biomédicos, biólogos e outros professores e alunos da área de saúde produziram para que tenhamos inúmeras técnicas e estratégias de saúde pública em nosso estado? Por que será que todos os presidentes da república sempre vêm para um hospital paulista? Será que é porque os médicos foram formados ou estiveram de alguma forma ligados às universidades paulistas e o que elas fazem?
7) Quanto vale o conhecimento sobre a biodiversidade paulista e brasileira, responsável pelo equilíbrio ambiental que permite a estabilidade de nosso clima e da nossa economia?
8) Quanto custa poder escolher encher o tanque do automóvel com álcool ou gasolina e com isto ter um ar mais limpo nas cidades?
9) O que será das próximas gerações sem professores bem formados? Sem as pesquisas que os nossos físicos, químicos, biólogos, sociólogos e outros pesquisadores básicos estão fazendo agora em seus laboratórios para que tudo isto se torne serviço essencial no futuro?

É uma ilusão, talvez um delírio, achar que no meio destes três gigantes complexos e obsessivos por produzir conhecimento exista um aparelhamento político.

Se a CPI das Universidades fizer as perguntas certas e se informar adequadamente, seu resultado provavelmente será o de tornar as universidades paulistas ainda mais fortes. Isto porque nós, a população paulista que votou nos nossos parlamentares, esperamos que o caminho à frente seja iluminado pelas universidades, para que possamos viver melhor, com maior bem-estar e com saúde. Tudo isso num sistema democrático onde haja liberdade para pesquisas e para expressão. Um lugar onde o conhecimento beneficie a todos sem distinção. Uma CPI das Universidades pode ser importante. Ela tem uma responsabilidade do tamanho da complexidade das três Universidades estaduais paulistas. Promover mudanças é sempre saudável e necessário, mas isto tem que ser feito com muito cuidado, pois estamos lidando com o futuro de mais denquarenta e quatro milhões de habitantes. Os membros da CPI das universidades precisam refletir sobre as consequências dos seus atos e olhar em perspectiva a importância do sistema universitário paulista. As consequências de atitudes açodadas e assentadas em falácias podem ser desastrosas e levar ao colapso um sistema robusto e de excelência construído com muito esforço e sacrifício pela sociedade paulista.

 

Marcos Buckeridge

Presidente

 

Vanderlan

Vice-Presidente

 

Bolzani Hamilton Varela

Diretor Executivo

 

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Edital de Convocação Reunião Mensal

Edital de Convocação Reunião Mensal

 

Estão convocados os membros da Diretoria Executiva, Conselho Deliberativo e Representantes dos Institutos de Pesquisa, biênio 2018/2019, para participarem da reunião mensal desta entidade, no dia 08 de maio de 2019, às 14h:00, no Instituto Biológico, no auditório José Reis, 5o. andar, Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252 – São Paulo, com a seguinte pauta:

  1. Atualização sobre as ações do Fórum em Defesa da Agricultura.
  2. Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão.
  3. Situação dos entendimentos com o Instituto de Engenharia.
  4. Informes sobre as ações judiciais em andamento.
  5. Informes da tesouraria.
  6. Readequação do site e redes sociais.
  7. Carreira de apoio.
  8. Outros assuntos.

 

Cleusa Maria Mantovanello Lucon

Presidente da APqC

Campinas, 06 de maio de 2019

 

Baixar edital de convocação

 

Diretoria APqC biênio 2018/2019

 

 

APqC convida para Ato em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão

evento

No próximo dia 8 de maio (quarta), a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) participará, junto à outras entidades e organizações da sociedade civil, do Ato em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão, ameaçadas pelos governos federal e estadual com cortes de verbas e privatizações. Os resultados dessa Frente Parlamentar dependerão de nosso apoio e engajamento, por isso é de suma importância que estejamos presentes na abertura e demonstremos unidade e força na Assembleia Legislativa. É importante a presença de todos e todas para barrarmos o retrocesso nas áreas da Educação e da Pesquisa Científica. Faça sua inscrição no grupo do evento no Facebook e no site da APqC (links abaixo). Estamos à disposição para eventuais dúvidas. Agende-se e ajude a divulgar.

Clique aqui para confirmar sua presença no grupo do evento no Facebook.

Clique aqui para confirmar presença no site da APqC e informar se necessita de ônibus para o seu translado.

Circula abaixo-assinado em defesa do Instituto de Botânica

IBsp

O anúncio feito pelo governador João Dória Jr., de que concederá o Jardim Botânico à iniciativa privada, causa preocupação na comunidade científica. O Instituto de Botânica funciona dentro da área que será concedida – e isto colocaria em risco o trabalho desenvolvido ali pelos pesquisadores.

O governador afirma que a concessão fará com que o governo deixe de gastar com a manutenção do Jardim Botânico (cerca de R$ 4 milhões anuais para a conservação da estrutura que existe desde 1928), que recebe uma média de 270 mil visitantes por ano. No entanto, não houve diálogo com pesquisadores e servidores do Instituto nem esclarecimento sob a situação do mesmo no referido cenário.

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) entende que a pesquisa científica e tecnológica deve ser independente e voltada aos interesses sociais, assim como defende que a propriedade intelectual gerada pelas pesquisas deve permanecer nas mãos do Estado.

Neste sentido, pedimos aos colegas dos institutos de pesquisa e demais cidadãos e cidadãs paulistas que assinem o seguinte abaixo-assinado e ajude a divulgar para a sociedade a ameaça que paira sob a contnuidade dos trabalhos realizados pelo Instituto de Botânica.

Para assinar o abaixo-assinado clique aqui.

Leia abaixo a íntegra da súmula da reunião que a APqC promoveu com o Secretário da Infraestrutura e do Meio Ambiente (SIMA), Marcos Penido, e demais autoridades, no último dia 2 de maio. Na ocasião, a situação do Instituto de Botânica foi pauta da conversa.

Súmula da Reunião da APqC na SIMA, dia 02.05.2019 (15h)

Estiveram presentes na reunião o secretário da Secretaria da Infraestrutura e do Meio Ambiente Marcos Penido, sub-secretário Eduardo Trani, assessor Paulo da SIMA, deputada Carla Morano (PSDB) e sua assessora Monica Nascimento, Renato Scardoelli (assessor da deputada Beth Sahão (PT)), João Paulo de Castro Bernardes (assessor da deputada Janaína Paschoal – PSL), Cleusa M. Lucon (presidente da APqC), Joaquim Adelino de Azevedo Filho (vice presidente da APqC), Frederico Arzolla (Presidente da CPRTI), Gustavo Armani (CPRTI), Helena Goldman (advogada da APqC), Adriana Fidalgo (representante do IBt na APqC), Roberta Buendia (assessora da SIMA), Luiz Mauro (diretor do IBt), Emerson (assessor do IBt), PqCs Marcos Tiné, Marcos Aidar e Iracema Crusius, além de outros assessores da SIMA.

Na antessala do local onde aconteceu a reunião, Helena e Cleusa falaram a deputada Carla Morano sobre a preocupação com os prazos da concessão (30 anos), pois em poucos anos praticamente não haveria mais pesquisadores na ativa devido à falta de concursos, colocando em risco a continuidade das pesquisas científicas. A resposta da deputada foi que os deputados não têm poder sobre o orçamento do estado e o tema seria de competência do Poder Executivo.

No início da reunião propriamente dita, a deputada Carla falou ao secretário sobre a preocupação dos pesquisadores com a continuidade das pesquisas e com os locais onde elas são realizadas diante da perspectiva de ser aprovada a concessão do IBt e Zoo, na forma como consta no PL183. Falou que mudanças na redação e conteúdo do PL seriam necessárias.

O secretário explicou que o Estado tem que cuidar prioritariamente da saúde, educação, segurança, habitação e transporte, sendo que hoje o Estado conta com capacidade para investimento de apenas 5%, logo, não há orçamento suficiente para investir em todos os seguimentos. Assim, entende que a concessão de setores para a iniciativa privada, seria uma alternativa para conseguir investimentos, modernização e melhorias sem onerar o Estado. Disse que o Estado não está se desfazendo de nada, mas procurando investimentos para esses setores. Explicou ainda que todas as dependências do Jardim Botânico, incluindo o IBt, ou seja, as áreas de pesquisa, estão contidas no PL183 para que do concessionário seja cobrada a manutenção dos mesmos.

Os pesquisadores por diversas vezes levantaram a questão da falta de recursos humanos e sobre a necessidade da abertura de concursos, informando ao Poder Executivo que do quadro de 115 pesquisadores, hoje o instituto conta com apenas 59 pesquisadores e nos próximos 5 anos, 36 poderão se aposentar, restando apenas 23, comprometendo a biodiversidade, unidades de conservação, planos de manejo e inúmeras linhas de pesquisa em desenvolvimento. A resposta do secretário foi que é início de governo e que não há perspectiva de abertura de novos concursos devido à falta de verba. Falou também que mesmo os PqCs aposentados significam ônus para o Estado pois permanecem recebendo seus benefícios dele. Portanto, não há interesse em aumentar o quadro de pessoal no momento. Prevê a possibilidade de contratação via concessionária, inclusive de pesquisador científico com a qualificação desejada.

A CPRTI destacou a necessidade da abertura de concurso público ao menos para repor as áreas estratégicas, e pontuou a diferença entre um pesquisador contratado e um pesquisador concursado, lembrando que o pesquisador concursado consegue desenvolver trabalhos de curto, médio e longo prazo, enquanto o contratado, por não ter vinculo, apenas desenvolve trabalhos pontuais de curto prazo. Citou, como exemplo, o IF, IBt e IG, responsáveis por inúmeros planos de manejo e criação de unidade de conservação, e que este trabalho só era possível por pesquisadores com vínculo, que possuem amplo conhecimento acumulado em vários temas sobre as áreas naturais do estado.

Além disso, alguns participantes da reunião mostraram o risco de as pesquisas científicas perderem o viés público com finalidade social, e somente serem realizada pesquisas com retorno financeiro da concessionária. Ademais, foi externada grande preocupação com a intenção governamental de permitir que a concessionária desenvolva atividades de pesquisa, de forma independente, dissociada do Instituto de Botânica, garantindo a ela a propriedade intelectual de sua pesquisa gerada. Salientou-se a existência de outros caminhos jurídicos que permitem o desenvolvimento da Pesquisa Científica pela iniciativa privada, como o Núcleo de Inovação Tecnológica.

O secretário considera a concessão positiva porque vê a possibilidade de não somente haver melhor manutenção dos edifícios e modernização do Jardim Botânico destinado à visitação, mas também investimentos na pesquisa científica através da contratação de cientistas qualificados para atender a demandas do próprio concessionário e/ou da SIMA.

Afirmou várias vezes que a pesquisa científica do Instituto de Botânica permanecerá sendo de propriedade do Estado, que as pesquisas continuarão sendo realizadas nos mesmos locais onde são feitos atualmente e que investimentos para cuidar de coleções como as do herbário e outras, serão inclusos no contrato de concessão. Ele considera a concessão como um acréscimo de recursos financeiros e de pessoal a um quadro mínimo de PqCs, recursos e pesquisas que deverão permanecer ativas na instituição, inclusive para atender aos requisitos necessários para que o Jardim Botânico permaneça no nível A, aspecto ressaltado também pelo diretor Luiz Mauro.

Com relação aos repasses financeiros do concessionário para o IBt, o secretário concordou que deverão ser efetuados para o Fundo Especial de Despesa do IBt, não permanecendo no Tesouro como estava inicialmente previsto. Explicou que o Edital público será submetido à Audiência Pública e que uma modelagem financeira definirá a duração da concessão e periodicidade dos repasses financeiros.

Dra. Helena (advogada da APqC) trouxe uma sugestão de minuta para alteração do texto original do PL 183. A redação sugerida ao PL183 foi lida para todos, sendo aceitas as modificações quanto a destinação do repasse financeiro, conforme supra referido, bem como que as coleções científicas e sua gestão técnico-científica continuariam sob responsabilidade do Instituto de Botânica, inclusive aquelas associadas ao Jardim Botânico, além da garantia da gratuita a alunos de escolas públicas.

Entretanto, os pontos para que a pesquisa científica, tecnológica e inovação fosse realizada de forma exclusiva pelo Estado, sendo resguarda a competência administrativa do Instituto de Botânica e que a propriedade intelectual gerada pela pesquisa fosse do Estado, não foram aceitos pelo Secretário, sendo um dos argumentos de que a proposta estaria sendo demasiadamente “engessada”. Sugeriu-se que a advogada Helena e a assessora Roberta se reúnam para elaborar nova redação dos artigos mais críticos.

O subsecretário Eduardo Trani informou que criou uma comissão para a revalorização das pesquisas científicas sobre biodiversidade, conservação e proteção, pesquisa aplicada e estabeleceu uma agenda para criação de novas unidades de conservação. Solicitou que os pesquisadores tragam pesquisas para captar recursos da câmara de compensação ambiental para unidade de conservação e zonas de amortecimento, e que estão correndo atrás de investimentos da FAPESP, FEHIDRO e FID.

Em síntese, o que se concluiu da reunião é que a abrangência da concessão para a iniciativa privada, por meio do PL183 é bem maior do que as áreas de visitação pública do Jardim Botânico, também se estendendo sobre a pesquisa e suas coleções científicas. Para minimizar as preocupações da comunidade científica diante disso, o texto do PL183 precisa ser urgentemente modificado.

APTA aplica pesquisa para evitar “gosto de barro” em pescados

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Apesar de ser um dos países com a maior quantidade de água fluvial no mundo, o Brasil ainda consome pouco o pescado de água doce. Segundo o IBGE, o brasileiro consome 9,5 kg de peixe por ano (a média mundial é de mais de 20 kg por habitante) e apenas uma ínfima parte deste montante é de peixes oriundos de rios. Um dos motivos para o baixo consumo é o chamado “gosto de barro”, identificado por muitas pessoas, na carne destes pescados.

Visando evitar o off-flavor (sabor e odor desagradável da carne de peixe), que reduz pela metade o valor para venda, a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), tem desenvolvido pesquisas para orientar aquicultores a manejarem de forma correta a sua produção.

Segundo Gianmarco Silva David, pesquisador da APTA, a causa do “gosto de barro” de alguns peixes decorre de substâncias denominadas geosmina e a metil-isoborneol (MIB), produzidos, principalmente, por cianobactérias e eventualmente estreptomicetos, organismos que vivem no próprio ambiente de cultivo do pescado. Ele explica que quanto mais suja a água, maior a tendência de ocorrer problemas com off-flavor. “Ao contrário do que muitos pensam, o aquicultor não cultiva peixe, mas sim água limpa. Apenas com a água limpa é possível produzir organismos aquáticos saudáveis e de qualidade, por isso, a importância da preservação ambiental”, diz.

Para não sujar a água é necessário dimensionar a capacidade do ambiente em suportar a produção do pescado. A eficiência é outro fator apontado pelo pesquisador. Para Gianmarco é necessário “avaliar a quantidade de ração adequada à produção, trabalhar com ração de alta qualidade e evitar que os animais fiquem estressados, prejudicando a boa conversão alimentar”.

Dentre as novas tecnologias e ações de transferência de conhecimento tocadas pela APTA, o pesquisador destaca o trabalho realizado em Ilha Solteira, principal região produtora de pescado do Estado de São Paulo. “Identificamos situações que podem acarretar perda da qualidade da água e damos suporte aos produtores para melhorar a qualidade da mesma e, assim, valorizar a sua produção”, explica.

A APTA, por meio do Polo Regional de Bauru e do Instituto de Pesca (IP-APTA), em conjunto com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e as universidade dinamarquesas University of Copenhagen e Aalborg University, desenvolveu projeto de pesquisa temático financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para estudar o off-flavor. O projeto foi finalizado em 2018 e já originou várias publicações de artigos em revistas científicas internacionais como Aquaculture Environment Interactions e International Journal of Fisheries and Aquatic Studies.

Prejuízos estimados

O Anuário Peixe BR de 2019 mostra que a produção brasileira de pescado foi de 722 mil toneladas em 2018 e a paulista de 73 mil toneladas. De acordo com Gianmarco, as estimativas apontam que em cerca 10% da produção ocorram problemas relacionados ao off-flavor, o que geraria um prejuízo de, aproximadamente, R$ 13 milhões no Estado de São Paulo.

Este prejuízo, porém, é muito maior, segundo o pesquisador. “O principal problema é que a produção de peixe é estigmatizada. As pessoas costumam dizer que não gostam de peixe de água doce por conta do gosto de barro, que erroneamente consideram uma característica intrínseca dos peixes de rios e lagos. Isso prejudica toda a indústria do pescado, que tem trabalhado para mitigar o problema, evitando o processamento e venda de peixes com problemas de off-flavor. Esta é uma barreira para o crescimento do mercado nacional”, explica.

Laboratório de Qualidade da Água

O Instituto de Pesca mantém em São Paulo um dos únicos laboratórios do Brasil a concentrar análises físicas, químicas e biológicos da água para dar suporte à sustentabilidade ambiental das atividades relacionadas ao meio aquático. O Laboratório de Qualidade da Água do IP é qualificado a atender diferentes setores do agronegócio, em especial as atividades voltadas à pesca e à aquicultura, dependentes da qualidade dos recursos hídricos. “Este laboratório é muito importante para nossas pesquisas com off-flavor, com grande sinergia com as equipes da APTA que atuam no interior do Estado atendendo às demandas regionais da aquicultura. Água limpa é a principal questão para o produtor evitar o problema e disponibilizar à indústria e ao consumidor produtos de alta qualidade”, afirma Gianmarco.

Bruno Ribeiro, com informações da assessoria de imprensa da APTA.

Em audiência pública, APqC cobra transparência do governo na reestruturação de secretarias

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A polêmica reestruturação das Secretarias da Agricultura e do Abastecimento e da Secretaria do Meio Ambiente (que agora se chama Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, anunciadas pelo governador João Doria Jr., foi o principal tema discutido ontem, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), pela Frente Parlamentar pela Reforma Agrária, Agricultura Familiar, Segurança Alimentar e Regularização Fundiária Rural, presidida pela deputada Márcia Lia.

A audiência pública pela transparência na reestruturação das políticas de Agricultura e Meio Ambiente no Estado de São Paulo contou com a participação de representantes do governo, agricultores, ambientalistas, servidores públicos e por membros da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC). A presidente Dra. Cleusa M. Lucon integrou a mesa de debates.

Diante de um auditório Teotônio Vilela completamente lotado, o Assessor Técnico da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Dr. José Luiz Fontes, defendeu a transferência de uma parte da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente com a da Agricultura e Abastecimento, bem como as alterações na Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (CATI), incluídas no Decreto nº 64.131, de 11 de março de 2019, que muda inclusive o nome da instituição. Pelo decreto, a CATI passou a se chamar Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS).

Segundo o representante do governo, o objetivo da reestruturação é “melhorar o atendimento ao produtor rural, criando apenas um balcão de atendimento e trazendo para a Secretaria da Agricultura atribuições que eram dela, mas que estavam dispersas”. Para Fontes, a alteração do nome da CATI foi uma medida “protocolar” e garantiu que as atribuições de todos os funcionários serão mantidas.

A presidente da APqC, Cleusa M. Lucon, questionou o assessor do governo quanto à falta de transparência das medidas que estão sendo tomadas sem que os principais envolvidos sejam consultados. “O governo não está recebendo os pesquisadores para conversar e não há clareza sobre o real objetivo dessas mudanças estruturais nas secretarias”, disse. Ela citou ainda a preocupação dos servidores quanto à fusão dos Institutos de Pesca e de Zootecnia e a anunciada a concessão do Jardim Botânico à empresas privadas. “Não se trata apenas de um parque; ali é um local de pesquisa científica e isso precisa ficar claro para o governo”, explicou.

Dra. Cleusa fez também um apelo quanto à necessidade da abertura de concursos públicos, lembrando que os institutos estão operando no limite. “Ao invés de acabar com instituições que já estão estabelecidas, uma verdadeira mudança para melhor seria fortalecer os institutos contratando mais pesquisadores e corpo técnico”, disse. Ela foi muito aplaudida ao lembrar, na parte final de sua fala, que o Estado de São Paulo sempre foi considerado uma referência na área da pesquisa científica. “O que o governador está fazendo coloca em risco aos nossos institutos, por isso pedimos para que ele nos receba e nos escute antes de implementar estas medidas”, completou.

Em sua intervenção, o vice-presidente da APqC, Dr. Joaquim Adelino, lembrou ao Dr. José Luiz Fontes que os institutos de pesquisa e as secretarias não têm a obrigação de gerar lucro para o Estado, mas de “trabalhar em prol do bem comum e encontrar soluções para demandas da sociedade” através da pesquisa científica. Para ele, privatizar ou estabelecer convênios poderia colocar em risco a função social dos institutos.

Como encaminhamento, Adelino pediu que a Frente Parlamentar movesse esforços para revogar, com apoio jurídico, o Decreto nº 64.131/19, que atinge diretamente a CATI (ele citou, inclusive, PDL de autoria do deputado Carlos Gianazzi, que dispõe sobre este tema); solicitou também que os secretários da Agricultura, do Meio Ambiente e da Justiça sejam convocados para esclarecer todos os “pontos nebulosos” relacionados ao processo de reestruturação; e, por fim, sugeriu que fossem enviadas cartas aos prefeitos e vereadores de todos os municípios do Estado, alertando-os sobre a situação dos pesquisadores e explicando como a população será afetada pelo fim de algumas atividades, pelo fechamento de algumas coordenadorias ou pela privatização de centros e institutos de pesquisa.

Respondendo aos pedidos do vice-presidente da APqC, a deputada Márcia Lia garantiu que a Frente Parlamentar pedirá que os referidos secretários recebam os representantes da categoria e que fará pressão para que as reuniões sejam “o mais transparente possíveis”. Ela disse ainda que irá consultar sua assessoria jurídica para estudar a possibilidade de fazer um decreto legislativo que revogue o decreto do governador em relação à CATI. “Se houver esta possibilidade, faremos com certeza”, afirmou. A deputada prometeu ainda elaborar a carta aos prefeitos e vereadores, sugerida pelo Dr. Joaquim, além de chamar novas audiências públicas para “pressionar o governo e tentar reverter o processo de desmonte” das instituições.

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Joaquim Adelino, vice-presidente da Apqc

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ÚLTIMA CHAMADA PARA AUDIÊNCIA PUBLICA

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) convoca seus pesquisadores para a Audiência Publica sobre a Reestruturação das Políticas de Agricultura e Meio Ambiente no estado de São Paulo, a ser realizada nesta quarta (24/04), às 10h00, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – Alesp.

É fundamental a presença de todos os associados, pois na audiência será discutido questões cruciais dos institutos de pesquisa ligados a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (SAA) e Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA).

Estaremos disponibilizando um ônibus com saída de Campinas para aqueles que tenham dificuldade de deslocamento. O local de partida é o IAC Fazenda Santa Elisa, com horário de saída as 07h00 e retorno previsto às 15h00. 

Ponto de partida: Av. Theodureto de Almeida Camargo, nº 1500, Campinas – SP

 

Pesquisador do IB comenta o crescimento do controle biológico na agricultura brasileira

José Eduardo

Desde 2018 que o registro de agrotóxicos no Brasil tem crescido em ritmo alarmante. Este ano mais de 130 produtos receberam permissão do governo federal para serem comercializados em todo o território nacional. Somente em março, 35 novos agrotóxicos foram liberados pelo Ato nº 17 do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas e já podem ser aplicados na agricultura brasileira. O que mais preocupa especialistas é que, entre os novos produtos, muitos são considerados “extremamente tóxicos” à saúde humana.

Por outro lado, na contramão desta tendência, também tem crescido gradativamente o uso do controle biológico no Brasil. O próprio Ministério da Agricultura divulgou que de 2010 para cá houve um aumento de 652%. Basicamente, o controle biológico é uma técnica que utiliza meios naturais, notadamente outros organismos vivos, criada para diminuir a população de organismos considerados pragas nas lavouras. Por prescindir do uso de produtos químicos, o controle biológico está em sintonia com a crescente demanda da população por alimentos livres de agrotóxicos.

Para o pesquisador científico Dr. José Eduardo Marcondes de Almeida, diretor da ULR de Controle Biológico do Instituto Biológico (IB), além da procura por uma alimentação mais saudável, o principal fator que alavanca o uso do controle biológico na agricultura é a sua eficácia. “Havia uma ideia errada, de que o controle biológico de pragas não era tão eficiente e que somente pequenos produtores faziam uso desse recurso. Hoje temos grandes plantações de cana, soja, milho e feijão recorrendo a esta técnica e obtendo ótimos resultados”, diz.

Ele cita que, bem antes do lançamento do Programa de Transferência de Tecnologia e Inovação do Controle Biológico — o PROBIO —, acontecido em 2017, o Instituto Biológico já realizava pesquisas nesta área, visando contribuir no combate às pragas. No ano 2000, o surgimento da chamada “cigarrinha da raiz da cana” obrigou o IB a desenvolver um fungo específico que praticamente eliminou o problema não só no Estado de São Paulo, mas em várias regiões do Nordeste e do Centro-Oeste brasileiro. “Atualmente, o fungo desenvolvido pelo IB é aplicado em mais de 1 milhão de hectares no Brasil”, revela.

Porém, a vasta extensão territorial do país acaba sendo um dos empecilhos para que a cultura do controle biológico ganhe mais espaço e se aproxime dos números da Europa (no continente europeu, os defensivos biológicos respondem por 30% do mercado; na América Latina apenas 13%). Nas palavras do Dr. José Eduardo, o Brasil possui pouco mais de 60 biofábricas produzindo inimigos naturais para uso no campo, mas ainda não é o suficiente. “Elas (as empresas) não conseguem produzir em quantidade necessária para cobrir nossos mais de 70 milhões de hectares. É um trabalho a longo prazo. Temos de mudar a cultura do agrotóxico, mas de nada adiantará se não tivermos estrutura para dar conta da imensa demanda da agricultura nacional”, explica o pesquisador.

O Instituto Biológico, ainda conforme o pesquisador, faz a sua parte prestando assistência técnica às empresas e fornecendo cursos de produção de fungos para fins de controle biológico nas lavouras. “Por ano, uma média de 40 pessoas passa pela nossa formação. A ideia é que mais e mais empresas do ramo sejam abertas e passem a atuar junto à agricultura brasileira”.

Num cenário futurista (e otimista), Dr. José Eduardo acredita que até 2050 o Brasil poderá ter 30% de sua produção agrícola baseada na cultura do controle biológico, em detrimento do agrotóxico. “Parece pouco, mas será uma vitória se atingirmos essa meta. Acredito que chegaremos lá, pois esta é uma demanda social em permanente crescimento. Mas para isso é preciso que o Estado amplie o investimento em pesquisa, pois novas pragas e doenças surgem todo ano e precisamos estar preparados para combatê-las”.

APqC inaugura série de vídeos sobre o trabalho dos pesquisadores científicos

 

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) lança hoje (18) o primeiro vídeo de uma série que visa divulgar ao público em geral o trabalho desenvolvido pelos pesquisadores científicos em seus respectivos institutos. O vídeo marca também o lançamento do canal da APqC no Youtube, ampliando o alcance de sua comunicação nas redes sociais.

O primeiro vídeo da série foi produzido entre os meses de janeiro e março de 2019 e gravado integralmente no Centro Experimental Central “Fazenda Santa Elisa”, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). A reportagem apresenta a tecnologia do broto batata-semente, desenvolvida no IAC pelo pesquisador e engenheiro agrônomo Dr. José Alberto Caram de Souza Dias.

A tecnologia do broto batata-semente é simples, mas inovadora: o plantio é feito com o broto da própria batata-semente (que geralmente é descartado na produção convencional). Entre as vantagens da técnica está o fato de que os brotos resultantes do plantio são livres de vírus e, portanto, garante ao produtor tubérculos de alta sanidade. Os produtores que adotaram a tecnologia reduziram em até 40% os custos da produção de batatas (o equivalente à despesa com a compra das batatas-sementes importadas).

Por conta deste trabalho, o pesquisador do IAC recebeu, em 2015, o prêmio Josué de Castro na categoria pesquisa científica, concedido pelo Governo do Estado de São Paulo. O prêmio tem o objetivo identificar e difundir iniciativas voltadas à formulação de soluções concretas para o combate à fome e a promoção da segurança alimentar e nutricional no Brasil e no mundo. Caram é considerado ainda o pioneiro em experimentos que comprovam o potencial de brotos destacados de tubérculos como material de propagação.

O vídeo conta com roteiro e entrevista do jornalista Bruno Ribeiro e imagens e edição do cinegrafista Décio Cesarini Jr., com participação de Leonardo França Amui (imagens da colheita de batatas).

Para ver direto no Youtube, clique aqui.

URGENTE: APqC convida seus associados a participarem da Audiência Pública sobre a Reestruturação das Políticas de Agricultura e Meio Ambiente no estado de São Paulo

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo – APqC convida a todos a participarem da Audiência Publica sobre a Reestruturação das Políticas de Agricultura e Meio Ambiente no estado de São Paulo, que irá se realizar no dia 24 de abril de 2019, às 10h na ALESP.

Aos interessados em participar da audiência, a diretoria poderá disponibilizar o transporte até a ALESP mediante a adesão. Pontos de partida e horários será divulgado no dia 22/04. Se inscrevam no link abaixo:

http://www.apqc.org.br/fichainscricao_audiencia.asp

 

Instituto de Pesca e Apta Regional concorrem ao Prêmio Inovação Aquícola

Está aberta a votação online da primeira edição do prêmio Inovação Aquícola. A Apta Regional e o Instituto de Pesca concorrem em duas categorias: na Categoria Produto Final, com o projeto “Biscoito de Pescado” e na Categoria Políticas Institucionais com “O papel da Instituição de pesquisa na efetivação de política pública aplicada a inclusão do pescado na alimentação escolar” e “Aquisys V.1.3: Sistema Informatizado de Apoio às Boas Práticas De manejo e Gestão Ambiental da Aquicultura”.

Inédito, o concurso tem como objetivo dar luz as melhores iniciativas do setor, que cresceu 4,7% no Brasil em 2018, segundo Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR). O prêmio faz parte da programação da décima edição da Aquishow Brasil, que acontece de 14 a 17 de maio, em Santa Fé do Sul – SP.

Até o dia 21 de abril, o público vai poder escolher o melhor case nas categorias Academia, Produção, Beneficiamento, Produto Final e Políticas Institucionais. No total, 47 iniciativas foram inscritas e passaram pela avaliação de 50 notáveis, que integram associações, universidades, empresas e instituições governamentais. A análise foi feita com base no Manual de Inovação de Oslo.

Os ganhadores de cada categoria serão anunciados no dia 15 de maio durante a Aquishow Brasil. Para votar, basta acessar o site do evento (clique aqui). O prêmio Inovação Aquícola é uma iniciativa da Aquaculture Brasil, Aquishow Brasil e Seafood Brasil.

“A inovação é um dos motores para o crescimento do setor aquícola no Brasil e no mundo. Precisamos dar espaço para as novas práticas e reconhecer os processos que contribuem com as diversas fases da cadeira produtiva”, destaca Marilsa Patrício, diretora de Aquishow Brasil e uma das organizadoras do prêmio.

Novidades
O prêmio Inovação Aquicola é uma das novidades da décima edição da Aquishow Brasil, um dos maiores eventos do segmento no País, que recebe representantes nacionais e internacionais de toda a cadeia produtiva. Em 2018, a feira gerou R$ 10 milhões em negócios durante o evento.

Organizada pela Associação Peixe SP – Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União, a edição de 2019 espera receber 3 mil pessoas, contar com 100 expositores e chegar a R$ 15 milhões em negócios fechados durante os quatro dias de evento. “E para isso entendemos que além da exposição, palestras e minicursos, a feira precisava de novas atrações”, destaca Emerson Esteves, presidente da Associação.

No dia 15 de maio, às 19h, vai acontecer o Tilapiada, um stand up comedy. No dia 16 de maio, das 8h às 12h, será realizado o Torneio Filetador de Ouro, em que seres humanos e máquinas vão disputar entre si quem obtêm o filé com o melhor rendimento e em menor tempo. Das 14h às 17h, é a vez do Master Fish, em que serão preparados pratos e discutido sobre Carne Mecanicamente Separadas (CMS) e o melhor aproveitamento.

As inscrições para feira e os minicursos ainda estão abertas. Elas devem ser feitas por meio do site Aquishowbrasil. O evento é destinado para empresas, pesquisadores, estudantes, investidores e produtores.

Serviço:
Prêmio Inovação Aquícola 2019
Votação online até dia 21 de abril pelo site (clique aqui)
Aquishow Brasil 2019
De 14 a 17 de maio, no Complexo Turístico, Cultural e Histórico Roberto Rollemberg, em Santa Fé do Sul – SP.
Inscrições e informações www.aquishowbrasil.com.br

Audiência Publica: Reestruturação das Políticas de Agricultura e Meio Ambiente no estado de São Paulo

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo – APqC convida a todos a participarem da Audiência Publica sobre a Reestruturação das Políticas de Agricultura e Meio Ambiente no estado de São Paulo, que irá se realizar no dia 24 de abril de 2019, às 10h na ALESP. No dia 11 de abril (ontem) foi entregue aos deputados da ALESP uma carta aberta que apresenta os impactos negativos das reestruturações que vem ocorrendo na SAA e SIMA (em anexo). Ressaltamos a importância da participação dos associados!

 

CARTA AOS DEPUTADOS DA ALESP

Fotos da 22ª Abertura do Projeto “Plantando Batata com Ciência”

Vejam as fotos da 22ª Abertura do Projeto “Plantando Batata com Ciência”, na Escola Municipal Profa. Jamile, de Limeira, e na Escola Municipal Profa. Maria Nazareth Lordello, de Cordeirópolis, acontecida hoje (12). O prefeito de Cordeirópolis, Adinan Ortilan (última foto, de cima para baixo), esteve presente para parabenizar o engenheiro agrônomo e pesquisador científico do IAC, Dr. José Alberto Caram de Souza Dias, pela inciativa. O prefeito de Limeira enviou representante da Secretaria de Ensino do Município. O Projeto tem apoio da empresa Microbiol-Microgeo / FUNDAG.

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Pesquisador do IAC desenvolve projeto de plantio e conscientização com estudantes do ensino fundamental

 

Acontece hoje (12), às 8h, na Escola Municipal Profa. Jamile Caram de Souza Dias, em Limeira, a 22ª Abertura dos Trabalhos do Projeto “Plantando Batata com Ciência e com Consciência”, coordenado pelo engenheiro agrônomo José Alberto Caram de Souza Dias, pesquisador científico e virologista do Centro de P&D Fitossanidade do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em parceria com o também engenheiro agrônomo Paulo Antonio D’Andrea, da empresa Microbiol. Na sequência, às 10h, Caram apresentará o projeto na Escola Profa. Maria Nazareth Lordello, em Cordeirópolis.

Realizado há 11 anos na Escola Profa. Jamile, em Limeira, o projeto “Plantando Batata com Ciência e com Consciência” é, segundo a definição de seu próprio criador, uma “introdução ao ensino da defesa sanitária vegetal a nível fundamental”. Em suma: trata-se de um trabalho de transmissão de conhecimentos e técnicas de agricultura aplicadas à estudantes de 9 a 11 anos de idade. Durante o processo, Dr. Caram ensina às crianças, na teoria e na prática, conceitos fundamentais de ciências relacionados com a saúde das plantas.

Segundo ele, um dos objetivos do projeto é “despertar a curiosidade científica de alunos do ensino fundamental para a produção de plantas alimentícias com sanidade vegetal, ou seja, livre de vírus”. Outro é conscientizar este público-alvo sobre a necessidade de impedir ou alertar que seus pais tragam mudas, sementes, brotos ou qualquer outro material de propagação vegetal de uma região à outra. “Às vezes, um material infectado com vírus, trazido de um lugar para outro, pode comprometer toda uma produção”, explica.

Os trabalhos são desenvolvidos com os estudantes dentro de telados construídos especialmente para simular um ambiente de pesquisa científica, na área escolar. Plantas de batatinha (Solanum tuberosum) são distribuídas às crianças e o plantio é feito, com acompanhamento, utilizando a técnica de brotos destacados de tubérculos de batata sadios. É feita também a comparação com o plantio de brotos destacados de tubérculos infectados com vírus, para que os alunos saibam identicar as diferenças.

“Conforme as plantas de batata vão se densenvolvendo, os alunos aprendem a reconhecer as plantas sadias e as doentes, desenhando e anotando os sintomas observados nas folhagens e nas hastes. Nesse período, com a presença de professores, pais e convidados, eles participam do chamado ‘Dia da Transmissão’, que é quando são apresentados os insetos (pulgões e moscas brancas) que transmitem as viroses das plantas doentes para as sadias”, conta Dr. Caram. O processo do plantio à colheita leva entre 70 e 80 dias e, portanto, o projeto pode ser realizado dentro do período escolar (um quadrimestre).

Mais de 1,2 mil estudantes já passaram pelo “Plantando Batata com Ciência”. A importância da continuidade do projeto, nas palavras de seu coordenador, está no fato de que o mesmo “tem formado crianças para servirem de guardiões da agricultura brasileira”. O pesquisador científico considera que tal iniciativa deveria ser aplicada nas escolas em todo o território nacional por ser “inovadora na forma e efetiva como ação voluntária visando a formação de jovens pesquisadores”.

A técnica dos brotos destacados e utilizados como “sementes” para o cultivo da batata, ensinada às crianças pelo projeto, é uma forma de plantio desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e vem sendo transferida para os produtores agrícolas de forma inovadora e pioneira no sistema de produção de batata-semente no Brasil e no mundo. “São brotos que antes eram descartados e agora são utilizados como sementes”, diz Dr. Caram. Para ele, transmitir esta técnica às crianças é “levar adiante um conhecimento que poderá ter grande impacto no sistema de cultivo sustentável no Brasil”.

Saiba mais:
Instituto Agronômico de Campinas
Caram Batata sem Vírus

Bruno Ribeiro, para a APqC

Reunião de Trabalho da Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Publicas de Ensino, Pesquisa e Extensão – Quarta-feira (10/04)

Entidade critica plano de fusão dos institutos de Pesca e Zootecnia

 

A Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática (Aquabio) divulgou na quinta-feira (4) carta posicionando-se contra a fusão do Instituto de Pesca (IP) com o Instituto de Zootecnia (IZ), planejada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), à qual ambos são vinculados.

O “Pesca”, como passou a ser chamado desde sua fundação em 1969 e que completa 50 anos nesta segunda-feira (8), é a primeira instituição brasileira voltada ao estudo de ecossistemas aquáticos e à biologia de organismos marinhos e continentais, com vistas ao povoamento e repovoamento com espécies indicadas, como ressaltou a própria SAA.

Em seu manifesto, que foi encaminhado carta ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e ao secretário de Agricultura e Abastecimento, Gustavo Junqueira, a Aquabio afirma:

Após ampla discussão em nível de diretoria e com vários subsídios de outros membros, a sociedade entende que o desenvolvimento da aquicultura será bastante prejudicado com essa fusão, tanto no que concerne à pesquisa científica, como na difusão dos conhecimentos para o setor produtivo. Embora os dois institutos tenham pequena área de sombreamento, as diferenças são muito grandes, pois não há convergência temática e as especificidades são muito diferentes.

A Aquabio afirmou também que entende a necessidade de promover mudanças administrativas para adequação do Estado aos novos tempos. “No entanto, essas mudanças devem ser feitas sem prejudicar o desenvolvimento de áreas estratégicas como é a aquicultura no Estado de São Paulo”, acrescentou a entidade.

‘Falta de transparência’

No início de março, 33 outras entidades, entre centros de pesquisa e associações do setor pesqueiro, já haviam manifestado seu apoio a uma carta aberta de pesquisadores do Pesca publicada no site da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC). Nesse documento, pesquisadores e funcionários alegam que a proposta do governo carece de transparência e representa, na prática, a extinção dos dois institutos.
Os servidores do IP afirmam ainda que, sem o Pesca, o poder público perderá seu principal interlocutor com as cadeias produtivas da pesca e da aquicultura (“Pesquisadores rejeitam plano de fusão de institutos de Pesca e Zootecnia”).

Questionada por Direto da Ciência sobre seu posicionamento diante dessas críticas por meio de mensagem enviada na sexta-feira (5) à sua assessoria de imprensa, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento não pronunciou antes do fechamento desta reportagem, que será atualizada se houver resposta.

Por Mauricio Tuffani, do Direto da Ciência

Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática divulga manifesto contra a fusão dos institutos de Pesca e Zootecnia

aquabioFundada em 2002, a Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática – AQUABIO, é referência nacional na defesa da aquicultura e nasceu para representar a comunidade acadêmica e científica da área. A Aquabio é responsável pela realização de importantes eventos científicos, como o Congresso Brasileiro de Aquicultura e Biologia Aquática e o Congresso Brasileiro de Aquicultura de Espécies Nativas. Ontem, a associação encaminhou carta ao Governador do Estado de São Paulo, João Doria Jr., e ao Secretário de Agricultura e Abastecimento (SAA), Gustavo Junqueira, na qual critica a fusão do Instituto de Pesca com o Instituto de Zootecnia, apontando os problemas contidos nesta medida. Leia o manifesto na íntegra.

Manifesto da Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática (AQUABIO), contrário a fusão do Instituto de Pesca com o Instituto de Zootecnia, APTA, SAA, SP.

A Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática-AQUABIO é uma sociedade científica que congrega profissionais do ensino, da pesquisa e da extensão em Aquicultura. Uma das suas missões é, defender o desenvolvimento da aquicultura no Brasil em todas as instâncias. Assim, a sociedade vêm expressar preocupação com o processo de fusão do Instituto de Pesca (IP) com o Instituto de Zootecnia (IZ).

Após ampla discussão em nível de diretoria e com vários subsídios de outros membros, a sociedade entende que o desenvolvimento da aquicultura será bastante prejudicado com essa fusão, tanto no que concerne à pesquisa científica, como na difusão dos conhecimentos para o setor produtivo. Embora os dois institutos tenham pequena área de sombreamento, as diferenças são muito grandes, pois não há convergência temática e as especificidades são muito diferentes.

Somente a título de exemplo, como encaixar o cultivo de macroalgas e microalgas que são vegetais no IZ que tem por função precípua a criação de animais? Lembramos que o cultivo de algas representa 25% de toda a produção aquícola do planeta e vem sendo apontado como a grande solução na produção de alimentos nas próximas décadas. As atividades ligadas à pesca extrativista, que corresponde a cerca de 50% das atividades do IP também não se encaixam nas atividades do IZ. Poderíamos continuar enumerando muitos outros exemplos aqui, mas consideramos que esses já são suficientes.

A AQUABIO destaca ainda que o Instituo de Pesca, é uma instituição de enorme tradição especializada na cadeia produtiva do pescado, que congrega o maior número de profissionais nessa área trabalhando juntos em todo o país. Portanto, é um patrimônio do Estado de São Paulo, que não pode se perder.

A AQUABIO entende a necessidade de promover mudanças administrativas para adequação do Estado aos novos tempos. No entanto, essas mudanças devem ser feitas sem prejudicar o desenvolvimento de áreas estratégicas como é a aquicultura no Estado de São Paulo. Além disso, o corpo técnico do IP e outros especialistas da área não foram ouvidos de forma livre na propositura de soluções para os problemas vigentes. As mudanças devem buscar melhorias. A economia de recursos públicos pretendida pelo Governo do Estado é uma ação importante, e tem todo o apoio da AQUABIO. No entanto, a junção proposta desses dois institutos não nos parece estar embasada em critérios técnicos de um projeto estruturante que poderá fortalecer a CT&I e promover o desenvolvimento das atividades de Aquicultura e Pesca.

Portanto, vimos nos solidarizar com os pesquisadores do Instituto de Pesca que são contrários à fusão, pois, entendemos que o Instituto de Pesca, em seus 50 anos de existência vem prestando relevantes serviços à sociedade e à cadeia produtiva do pescado. Aproveitamos para externar nossas saudações com o desejo de que tenham um excelente mandato e nos colocamos à disposição para contribuir no que se fizer necessário.

São Paulo, 04 de abril de 2019

AQUABIO – Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática

Presidente da APqC expõe situação dos institutos de pesquisa em debate na Adusp

cleusa apqc

A presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), Cleusa Maria Lucon, participou ontem (2) da mesa de debates “A Política de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo e sua interface com as universidades e institutos públicos de pesquisa”.

O evento, que aconteceu na sede da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), foi dividido em duas mesas e contou também com a presença de César Minto (Adusp), João Paulo Porsani (SinTpq) e Ros Mari Zenha (CRE/IPT); e Carlos Neder e Beth Sahão (deputados estaduais), Mariana Moura (Coletivo Cientistas Engajados) e Wagner Romão (Adunicamp).

Em sua exposição, Cleusa Lucon fez um balanço da atual situação dos Institutos de Pesquisa face ao congelamento dos recursos governamentais. Um dos principais problemas apontados pela ApqC foi quanto à gradativa diminuição dos recursos financeiros. “Desde 2011 que temos tido acesso a montantes abaixo do adequado para a continuidade de diversas pesquisas e atividades desenvolvidas nos institutos”, disse a presidente. Ela citou que, em 2016, foi aplicado apenas 0,374% do orçamenti total do Estado (algo em torno de R$ 700 milhões) e que este número seria insuficiente para o pleno funcionamento dos IP’s.

Foi abordada também a questão dos recursos humanos e a preocupação para com a vacância das vagas de pesquisadores e técnicos de apoio que estão se aposentando sem substitutos. “A falta de concursos públicos, ano após ano, tem agravado este problema. Hoje temos uma defasagem de 50% dos pesquisadores e 75% para carreiras de apoio e assistentes. Se levarmos em conta que a maioria destes profissionais têm mais de 50 anos de idade, podemos dizer que a continuidade das pesquisas científicas no Estado estão sob risco de paralização a médio prazo”, alertou.

Cleusa Lucon reivindicou ainda a reposição salarial da categoria, que está sem reajuste há quase oito anos. “Em 2018 tivemos 3,5% de reajuste, mas foi insuficiente, pois a defasagem já está na casa dos 54%. A perda salarial constante é um fator de sobrevivência para alguns profissionais, que estão saindo dos institutos para trabalhar em universidades ou empresas privadas”, afirmou.

Bruno Ribeiro

Dia Mundial da Água

O dia 22 de março é o Dia Mundial da Água, estabelecido pela ONU em 1993 para conscientizar a todos quanto ao dever de se conservar esse recurso esgotável. Sem água não há vida no conceito biológico. É amplamente sabido que muitos povos no mundo sofrem com absoluta escassez de água.
O Brasil possui cerca de doze por cento da água doce mundial, mas perto de setenta por cento desses recursos estão na sua região norte, que tem apenas algo como sete por cento da população nacional.
Além de manter a biodiversidade, a água é essencial para o saneamento, a higiene orgânica, o equilíbrio atmosférico, a produção de energia, a preservação dos ecossistemas, o transporte (navegação), a produção alimentar, a produção industrial, etc.. É importante para o lazer e a prática do esporte.
Face à diminuição da precipitação de chuvas ultimamente com relação à série histórica em importantes partes do Brasil, é de se perceber que toda a população já foi devidamente conscientizada pelos governantes da necessidade de utilização desse recurso (a água) com parcimônia, o que tem acontecido. Mas será que tão somente isso resolve? Seguramente é condição necessária mas não suficiente. Mais necessária ainda é a competência de administradores governamentais para tratar do assunto, com o estabelecimento e a execução de políticas públicas.
Lembremo-nos todos de que há alguns anos tivemos grave crise de abastecimento urbano de água na Grande São Paulo e em algumas outras localidades, o que acarretou sério racionamento, embora os governos não usassem esse termo. O problema foi minorado com alguma urgência face às providências emergenciais adotadas.
Quase todos associam a água a rios, lagoas, lagos, geleiras, mangues, mares internos, oceanos, etc., enfim à água superficial. Vamos falar agora de outra fonte de água, que é a água subterrânea. A água subterrânea é aquela que preenche poros ou fissuras nas rochas e que fica abaixo da superfície do solo, só aparecendo quando forma minas de água. Existem águas subterrâneas tão antigas que chegam a ter milhões de anos de idade e freqüentemente são mineralizadas contendo enxofre, boro, carbono, flúor, magnésio, cloro, sódio, bário, cálcio, estrôncio ou nitrogênio, etc.. Essas costumam ficar a grandes profundidades não aparecendo na superfície. Existem também águas subterrâneas atuais formadas pela infiltração pelas chuvas, ficando na parte mais superior do subsolo constituindo o que se chama de lençol freático. A água subterrânea é obtida por meio de poços semi artesianos (os que exigem bombeamento) ou por poços artesianos (quando a água jorra espontaneamente por ter alta pressão natural que supera a pressão atmosférica).
Certamente todos já ouviram falar do Aqüífero Guarani (aquífero é o nome dado a unidades rochosas ou de sedimentos com vazios permeáveis que armazenam e transmitem água subterrânea em volumes passíveis de exploração). O Aqüífero Guarani é uma gigantesca porção geológica que ocupa partes de Argentina, Uruguai e Paraguai, assim como grandes áreas das regiões sudeste, centro-oeste e sul do Brasil (cerca de 1,2 milhão de quilômetros quadrados). Estima-se um volume de 45 mil quilômetros cúbicos de água no mesmo, estando 65% desse total no Brasil. É um autêntico “mar” subterrâneo. Boa parte está no Estado de São Paulo.
Trabalhei durante quarenta e três anos no Instituto Geológico, atualmente na Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo e lembro-me de ter participado da perfuração de dezenas de poços semi artesianos em pequenas e médias municipalidades ou seus distritos, todos a custo quase zero para as prefeituras municipais, o que levou esses burgos a melhorar o saneamento básico, a saúde pública, as produções agrícola e industrial, ocasionando crescimento econômico e melhoria das condições de vida, face ao novo, volumoso e puro abastecimento hídrico. A água subterrânea normalmente não carece de tratamento, tornando sua distribuição mais barata que a da água de superfície.
Hoje o Instituto Geológico não perfura mais poços em parte por que as sondas desgastaram-se e tornaram-se obsoletas, sem reposição e por não ter mais havido concurso para admissão de sondadores e pesquisadores científicos. Os poços de hoje são perfurados por empresas, a custo à vezes muito elevado e geralmente sem o resguardo das técnicas seguras antes aplicadas pelo Instituto Geológico o que, não raro, provoca poluição da água subterrânea, o que é praticamente irreversível.
O Instituto Geológico possui capacidade para locar cientificamente o ponto ideal para a perfuração obtendo a melhor vazão de água e para acompanhar a referida perfuração exigindo competência técnica da empresa perfuradora. Todavia essa instituição não é utilizada pelo Governo do Estado para essa finalidade. O Governo já perfurou para si poços por empresas privadas sem a necessária consulta e conseqüente assessoria do Instituto Geológico, por desconhecimento das incumbências do mesmo que, além da já citada, são muito mais amplas, não pertinentes a este artigo.
Respeitemos a água não a desperdiçando nem poluindo, tratando-a e reciclando-a para que ela nos respeite e nos mantenha vivos. Que desastres ambientais (humanos e sociais) como os últimos rompimentos de barragens de rejeitos de mineração no Brasil (Mariana e Brumadinho) jamais voltem a acontecer.

Dr. Percy Correa Vieira, pesquisador científico e ex-presidente do Instituto Geológico

Carta aberta à cadeia produtiva paulista do pescado, comunidade científica e sociedade paulista

O corpo técnico de dois institutos de pesquisa do Estado de São Paulo, Instituto de Pesca (IP) e Instituto de Zootecnia (IZ), foi recentemente surpreendido com a proposta de EXTINÇÃO das duas instituições, com a alocação das suas atribuições e atividades em uma nova organização a ser criada. Esta proposta, apresentada no alvorecer da gestão do governador João Dória e do secretário Gustavo Junqueira (Secretaria da Agricultura e Abastecimento-SP), está sendo conduzida pelo antigo Diretor do IP e atual diretor do IZ, Dr. Luiz Marques da Silva Ayroza, sendo vagamente justificada por uma suposta economia dos recursos públicos.

Em meio a informações oficiosas sobre o assunto, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo – APqC tornou públicas informações que davam conta de que tais modificações radicais na estrutura da pesquisa paulista realmente vinham sendo aventadas, tendo sido assunto de reunião da entidade com o Dr. Antônio Batista Filho, atual coordenador da APTA, órgão que gere os institutos de pesquisa da Secretaria da Agricultura (ocorrida na semana de 11/02/2019), e de uma assembleia da entidade, ocorrida em 21/02/2019. Dada a condução do processo, até o presente momento, sem transparência ou PARTICIPAÇÃO EFETIVA do corpo técnico, os funcionários do Instituto de Pesca – pesquisadores e de apoio, reunidos por iniciativa própria para discutir a proposta, manifestam-se, em sua ampla maioria (85%), como CONTRÁRIOS à proposta, conforme discorrido abaixo:

1. A EXTINÇÃO das instituições é a PERDA de um ativo relevante do Estado. O Instituto de Pesca é um quadro técnico-científico da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, construído ao longo de 50 anos, que presta serviços à cadeia produtiva do pescado e a diferentes instâncias de governo. O Instituto de Pesca é o principal INTERLOCUTOR das cadeias produtivas da pesca e aquicultura com os órgãos e instâncias gestoras da atividade. Toda alteração neste relacionamento resultará em prejuízo aos serviços prestados às comunidades pesqueiras tradicionais, empresas de pesca e aquicultura, segmento da pesca amadora, órgãos de pesquisa e da administração pública.

2. As cadeias produtivas atendidas pelo Instituto de Pesca são social e economicamente
RELEVANTES para o Estado de São Paulo:

– a pesca industrial é a principal responsável pelo abastecimento de pescado para os grandes entrepostos de comercialização de alimentos in natura, bem como das indústrias de processamento.
– o setor pesqueiro artesanal e os pequenos aquicultores por sua vez englobam um grande contingente de trabalhadores, com o envolvimento dos núcleos familiares, muitos em situação de vulnerabilidade.
– a pesca amadora (pesca esportiva) é um setor em franca expansão, que tem criado postos de trabalho não apenas na indústria e comércio que a atendem, como também na cadeia produtiva do turismo.
– o setor da aquicultura também é gerador de muitos postos de trabalho em várias regiões do Estado, interiorizando empregos ligados à cadeia produtiva pesqueira, para a produção dessa matéria-prima de bom valor agregado.

3. A ADERÊNCIA entre temáticas de trabalho do Instituto de Pesca com as do Instituto de
Zootecnia é apenas APARENTE, já que a pesca e a aquicultura apresentam especificidades que as afastam de outras formas de produção animal. Fato demonstrado pela inexistência, mesmo em países de maior eficiência científica e tecnológica, de instituições de pesquisa e inovação que agreguem as cadeias de produção animal terrestre e aquática. Além disso, a pulverização de competências poderá resultar em evasão por desestímulo, com aposentadoria precoce de especialistas técnicos importantes ao bom andamento das funções institucionais.
4. A criação de uma nova instituição NÃO proporcionará uma ECONOMIA efetiva e consistente de recursos públicos, pois a proposta resume-se a uma redução pouco expressiva de cargos de direção, além da consequente centralização administrativa, que sobrecarregará o fluxo burocrático, causando o risco de não atendimento às demandas sociais.
5. A proposta NÃO proporcionará maior EFICIÊNCIA à produção científica e tecnológica, pois mantém a mesma lógica de distribuição das unidades e dos fluxos de processos, sem aplicar conceitos inovadores às linhas de pesquisa e à gestão como um todo. Acreditamos que o momento atual é OPORTUNO para MUDANÇAS. Entretanto, estas não podem ser desestruturantes dos serviços prestados pelas instituições aos setores produtivos, ou
seja, devem estar em consonância com objetivos de economia, eficiência, inovação, qualidade e sustentabilidade desejáveis ao serviço público.

Diante disso, o corpo técnico do IP tem se colocado à disposição dos superiores hierárquicos para opinar e contribuir na construção de uma nova realidade na gestão técnica e administrativa, que não envolva a extinção das Instituições, sob o manto de uma fusão. Para não, simplesmente, ceder à ilusão de que mudanças meramente estruturais e confusas em essência sejam capazes de dar verdadeiras respostas aos setores produtivos envolvidos. O setor produtivo, em diálogo constante com os pesquisadores do IP, tem compreensão da ameaça que representa a proposta de extinção institucional e criação uma nova organização heterogênea e dispersa.

Por esse motivo, encontramos apoiadores em toda a cadeia produtiva do pescado, desde o setor pesqueiro artesanal, setor pesqueiro industrial e também a aquicultura (listados abaixo). O setor produtivo, em diálogo constante com os pesquisadores do IP, têm compreensão da ameaça que representa a proposta de extinção institucional e criação uma nova organização heterogênea e dispersa. Por esse motivo, encontramos apoiadores em toda a cadeia produtiva do pescado, desde o setor pesqueiro artesanal, setor pesqueiro industrial, indústria pesqueira e também a aquicultura (listados abaixo).

Esperamos que a sociedade entenda a demanda ora posta e se posicione conosco contra a
desestruturação do Instituto de Pesca e em favor da construção de uma alternativa mais
coerente e promissora, que venha ao encontro das necessidades do setor pesqueiro e para São Paulo.

Entidades apoiadoras:
1 – ALPESC – Associação Litorânea da Pesca Extrativista Classista do Estado de São Paulo;
2 – ANEPE- Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva;
3 – Associação Brasileira de Engenharia de Pesca – ABEP;
4 – Associação de Moradores da Cachoeira – Guarujá – SP;
5 – Associação dos Maricultores da Praia da Cocanha (Caraguatatuba) – AMAPEC;
6 – Capatazia de Cubatão, da Vila de Pescadores Z-1;
7 – Capatazia de Monte Cabrão e Caruara, da Colônia de Pescadores Z-1;
8 – Centro de Aquicultura da UNESP – CAUNESP – Jaboticabal – SP;
9 – Coordenadoria do Curso de Graduação em Engenharia de Pesca da UNESP;
10 – Federação das Colônias de Pescadores e Aquicultores do Estado de São Paulo;
11 – Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista;

12 – GETEP/LAN/ESALQ/USP – Grupo de Estudos e Extensão em Inovação Tecnológica do
Pescado Laboratório de Pescado. Departamento de Agroindústria. Escola Superior de
Agricultura “Luiz de Queiroz”. Universidade de São Paulo;
13- Laboratório de Biodiversidade Molecular e Conservação, Departamento de Genética e
Evolução, Universidade Federal de São Carlos – UFSCar;
14 – Laboratório de Ecologia Estrutural e Funcional de Ecossistemas – LEEF – Universidade
Paulista, campus Sorocaba;
15 – Sindicato dos Armadores de Pesca do Estado de São Paulo – SAPESP;
16 – Sindicato dos Armadores e Indústrias de Pesca de Itajaí e Região – SINDIPI;
17 – Sindicato das Indústrias de Pesca do Estado de São Paulo – SIPESP;
18 – Sindicato dos Pescadores e Trabalhadores Assemelhados do Estado de São Paulo;
19 – Sociedade de Melhoramentos de Ilha Diana – Santos;
20 – Sociedade Brasileira de Ictiologia;
21 – Z-1 Colônia de Pescadores Jose Bonifácio – Santos;
22 – Z-3 Colônia de Pescadores Floriano Peixoto- Guarujá;
23 – Z-4 Colônia de Pescadores André Rebouças – São Vicente;
24 – Z-5 Colônia de Pescadores de Peruíbe;
25 – Z-9 Colônia de Pescadores de Cananéia;
26 – Z-23 Colônia de Pescadores Bertioga;
27 – Z-13 Colônia de Pescadores José de Anchieta – Itanhaém;
28 – Z-20 Colônia de Pescadores de Barra Bonita
29 – Z -17 Colônia de Pescadores de SBC Orlando Feliciano
30 – Z-12 Colônia de Pescadores e Aquicultores de Santa Fé do Sul
31 – Z- 27 Colônia de Pescadores – ICEM
32 – Z- 24 Colônia de Pescadores Jorge Tibiriçá -Presidente Epitácio
33 – Z – 15 Colônia de Pescadores – Pindorama

Há 133 anos, pesquisadores da Comissão Geográfica e Geológica começavam a desvendar o território paulista

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Há 133 anos, apesar de viver um acelerado ritmo de crescimento econômico graças à cafeicultura e ao processo de industrialização, São Paulo ainda não conhecia a totalidade de seu território. Assim, no dia 27 de março de 1886, um grupo de pesquisadores fundava a Comissão Geográfica e Geológica (CGG), cujo objetivo era investigar e conhecer o território paulista, contribuindo assim para o desenvolvimento e a ocupação territorial do interior do Estado.

No início, a CGG destinou-se a realizar pesquisas e levantamentos detalhados sobre o solo, clima, geomorfologia, geologia e hidrografia. Isso foi feito por meio de uma série de expedições exploratórias aos lugares mais recônditos – expedições estas repletas de dificuldades, perigos e imprevistos, pois até então era impossível aos pesquisadores saber o que encontrariam pela frente. Naturalistas famosos participaram da comissão pioneira, entre eles Theodoro Sampaio, Albert Loefgren, Orville Adelbert Derby, Francisco de Paula Oliveira e Luiz Felipe Gonzaga de Campos.

Os levantamentos científicos duraram até 1931, e quase todos os materiais que resultaram de suas pesquisas (mapas, relatórios, documentos, fotografias, equipamentos, etc.) passaram a pertencer a diversos órgãos e instituições de pesquisa, como o Instituto Geológico, o Instituto de Botânica, o Instituto Florestal, o Instituto Geográfico e Cartográfico, o Museu de Zoologia e o Museu de Arqueologia e Etnologia, dentre outros.

Em 2010, no Instituto Geológico, foi criado o Núcleo Curadoria do Acervo Histórico para identificar, organizar, descrever, preservar e divulgar o acesso às informações de uma importante documentação relativa aos estudos geocientíficos que nortearam a ocupação do solo no Estado de São Paulo. O acervo abrange o período entre 1886 e 1975 e seu objetivo maior é o de manter a conservação dessa documentação para as futuras gerações e permitir o fácil acesso às informações para pleno uso dos cidadãos e dos pesquisadores.

Em 45 anos de existência, lançou diversas publicações, colaborando, com suas pesquisas, para o reconhecimento e planejamento do espaço territorial paulista.

Para visualizar fotos das expedições históricas, clique aqui.

Bruno Ribeiro, com informações da assessoria de imprensa do Instituto Geológico.

Técnicos e agricultores manifestam preocupação sobre continuidade do programa de extensão rural em SP

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Por Bruno Ribeiro

A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), principal órgão de extensão rural em São Paulo, será restruturada, conforme decreto publicado no Diário Oficial pelo governo do Estado. Segundo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, a Cati passará apenas pela mudança de nome – uma “exigência protocolar” motivada pela fusão desta pasta com parte da Secretaria de Infraestrutura e Meio ambiente. Essa alteração, porém, tem preocupado técnicos e extensionistas. Eles alegam que a restruturação pode afetar cargos e atribuições na Cati e limitar o acesso de agricultores ao programa de extensão rural.

Para o Dr. Carlos Eduardo Galletta, extensionista aposentado e conselheiro da Associação Paulista de Assistência Técnica e Extensão Rural (Apaer), quem mais sofreria com uma hipotética redução do trabalho desenvolvida pela Cati seriam os pequenos e médios agricultores espalhados por mais de 400 municípios. “Pequenos e médios produtores não têm recursos financeiros para pagar consultas técnicas particulares. As dificuldades que eles já apresentam para se manter competitivos no mercado se aprofundariam ainda mais e muitos perderiam suas terras para os produtores da agricultura empresarial. Como consequência, isso resultaria num grave desequilíbrio social, com milhares de famílias engrossando os índices do desemprego e migrando para cidades grandes”, diz.

Nas palavras de Galletta, técnicos, agricultores e cooperativas não são contrários à mudanças pontuais no funcionamento dos órgãos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, mas sim à forma como elas têm ocorrido. “O que mais nos preocupa é que mudanças têm sido feitas à toque de caixa, sem que a sociedade tenha sido chamada para debater. Podemos melhorar a atuação da Cati sem mexer em sua estrutura. Por isso estamos propondo ao secretário que participe de uma audiência na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e não permita que haja redução no número das chamadas Casas da Agricultura, cujos profissionais fazem contato direto com os agricultores para orientá-los”, afirma.

Com 52 anos de atuação, a Cati exerce papel determinante no avanço da agricultura familiar, que hoje é responsável por mais de 70% dos alimentos consumidos pela população brasileira. E isso é garantido, conforme explica o extensionista, graças ao trabalho exercido pelos técnicos do órgão (engenheiros agrônomos, zootecnistas e médicos veterinários, entre outros) que fornecem, de forma totalmente gratuita, ensinamentos ao homem do campo, para que ele se torne capacitado a garantir uma produção agrícola farta e de qualidade. “Toda a sociedade é beneficiada, uma vez que estes pequenos produtores geram alimentos saudáveis que abastecem os mercados e movimentam a economia do estado”, diz Galletta.

Amanda Regina dos Santos, gerente da Cooperativa dos Agricultores e Agricultoras de Vergel (Coopervel), que congrega 34 produtores e 110 famílias, concorda com o extensionista e cita como exemplo a própria história da Coopervel, situada em Mogi Mirim. “Até 2017, antes do treinamento feito pelo pessoal da Cati e da Fundação Instituto de Terras de São Paulo (Itesp), a cooperativa não tinha uma estrutura mínima para apoiar o agricultor na comercialização dos produtos. Logicamente, não gerava lucro. Agora fechamos contrato com três prefeituras e nosso faturamento previsto para este ano é de R$ 750 mil”, afirma.

Amanda faz questão de frisar que os técnicos da Cati estiveram presentes do início ao fim no processo de capacitação da cooperativa, inclusive fazendo visitas fora do horário de trabalho e até em dias de feriado. “Apesar das dificuldades, eles sempre estiveram presentes”, diz. Dentre as dificuldades da Cati, o extensionista Galletta cita a falta de pessoal como o maior entrave. “Hoje o órgão trabalha com um número de técnicos abaixo do razoável. Isso faz com que eles tenham que se desdobrar no atendimento, muitas vezes cobrindo vários municípios ao mesmo tempo”, revela. Ele afirma, no entanto, que o programa de extensão rural nunca foi interrompido, apesar da carência de recursos, e que uma possível redução de cargos e atribuições na Cati “comprometeria de modo crucial o desenvolvimento da agricultura paulista”.

Para o engenheiro agrônomo Dr. Joaquim Adelino, vice-presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), alterações estruturais nos órgãos de extensão rural podem afetar a transferência de tecnologia desenvolvida nos institutos de pesquisa, que são parceiros do programa. “Para evitar que isso aconteça queremos conversar com o secretário de Agricultura para chegarmos num denominador comum. Tenho certeza de que ele compreenderá nossa preocupação”, diz.

Ao lado de entidades como a Associação Paulista de Extensão Rural (APAER), Associação dos Servidores da Assistência Técnica Integral (ASATI), Federação da Agricultura Familiar do Estado de São Paulo, Associação dos Funcionários da Fundação Itesp (AFITESP), Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp) e Sindicato dos Servidores da Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo (Sindefesa-SP), entre outras, a APqC integra o Fórum de Entidades em Defesa da Agricultura Paulista, cuja proposta é buscar apoio junto à sociedade civil e poder Legislativo para que as proposições geradas pelo poder Executivo sejam levadas ao debate com os segmentos interessados. O “desmonte” da Cati é uma das questões prioritárias.

Atualmente a Cati conta com a dedicação de servidores que atuam em 594 Casas da Agricultura, 40 Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDRs), 19 unidades do Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes (DSMM), sendo 13 Núcleos de Produção de Sementes, cinco Núcleos de Produção de Mudas e um Laboratório Central, realizando ações práticas para o desenvolvimento da agricultura familiar, de acordo com a realidade de cada região.

Jardim Botânico de São Paulo completa 90 anos a serviço do conhecimento e da pesquisa sobre a flora brasileira

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O Jardim Botânico de São Paulo, um dos mais importantes da América Latina, completou 90 anos recentemente. Apesar de ser considerada um patrimônio cultural e histórico do Brasil, a instituição ainda carece de visibilidade. Esta é a opinião do pesquisador científico e ex-diretor do Jardim Botânico, Dr. Eduardo Catharino, para quem o espaço “não é constituído apenas de belezas naturais, mas desempenha um papel importante na conservação da flora e no desenvolvimento de pesquisas”.

Embora criado em 1928, quando o o naturalista Frederico Carlos Hoehne foi convidado a implantar um Jardim Botânico na área do antigo Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (umas vasta região de mata nativa desapropriada pelo governo), o local viria a ser oficializado somente dez anos depois, em 1938, com a criação do Departamento de Botânica, na época ligado à Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio.

Desde então o Jardim Botânico tem avançado em sua missão de ajudar na difusão do conhecimento sobre plantas e fungos, bem como na preservação e no uso sustentável da biodiversidade paulista e brasileira, por meio da conservação ex-situ (cultivada) e in-situ (em seu ambiente natural). Em seus 360 mil metros quadrados há mais de 1,5 mil árvores, algumas delas ameaçadas de extinção, bem como o Museu Botânico Barbosa Rodrigues, estufas que abrigam plantas típicas da Mata Atlântica e exposições temporárias, entre outras atrações.

Para Dr. Catharino, o Jardim Botânico é “a principal porta de contato dos pesquisadores com a sociedade”, uma vez que o Instituto de Botânica, sediado no mesmo local, teria como princípio “a adequação da linguagem científica ao público em geral”. Por dia, mais de mil pessoas transitam pelo jardim e muitas delas são estudantes. Grupos escolares passam pelo programa de educação ambiental, que ocorre praticamente desde os primórdios. “Há fotos da década de 30 que registram a visitação de colégios. Nós levamos muito a sério a transmissão de informações acerca da nossa flora e a divulgação das pesquisas realizadas aqui. A educação ambiental é uma forma de passar adiante este conhecimento acumulado e em constante atualização”, diz.

Como prova de que pesquisas e ações ambientais continuam sendo feitas desde a fundação do Jardim Botânico, Dr. Catharino cita a recuperação do córrego Pirarungáua, que voltou à tona depois de 70 anos oculto sob um calçadão de tijolos. A renaturalização da nascente do riacho do Ipiranga, que remonta a fundação da área, custou pouco mais de R$ 2 milhões, mas trouxe um ganho de valor incalculável para a comunidade e o meio ambiente: o local registrou um aumento considerável no número de visitantes – o que fez ampliar o valor arrecadado com a bilheteria e impactou no orçamento do Instituto de Botânica; várias espécies de árvores em risco de extinção, retiradas das obras do Rodoanel, foram replantadas nas margens do córrego e vingaram; em consequência disto, verificou-se na região a incidência de novos animais e novas plantas em regeneração.

Nas palavras do pesquisador científico, o “apelo pela conservação” feito por este verdadeiro santuário ecológico contribui para a meta global da manutenção da biodiversidade para as futuras gerações. “Todas as pesquisas realizadas pelo Instituto de Botânica visam conscientizar as pessoas da importância das plantas em nossas vidas, além de desenvolver a percepção dos impactos das ações humanas sobre o meio ambiente”. Dr. Catharino afirma que nada é aleatório no Jardim Botânico. “Não plantamos qualquer árvore ou planta. Tudo é feito à base de planejamento. O jardim é um dos poucos lugares em São Paulo onde ainda há exemplares do raríssimo Jequitibá do Brejo, por exemplo”.

Segundo ele, o Jardim Botânico seria um “oásis em meio ao deserto de ignorância sobre nossa flora”. Ele acredita que o trabalho desenvolvido há quase cem anos pelos pesquisadores e funcionários evitou que a situação, hoje, estivesse ainda pior. “Infelizmente conhecemos mais a flora da Europa, ou a fauna da África, do que as nossas próprias flora e fauna. É um déficit muito grande de informação e de conhecimento que buscamos combater, dentro dos nossos limites. É claro que esse déficit impacta no desenvolvimento da pesquisa em botânica e a conservação ambiental no Brasil, uma vez que só se conserva o que se conhece”, avalia.

Ainda conforme o ex-diretor do Jardim Botânico, é fundamental que instituições como esta mantenham seu caráter público para que sigam exercendo sua função social. “Há bons jardins botânicos particulares, mas eles não têm coleções vivas, como as nossas, e nem compromisso com a pesquisa científica. É importante sempre destacar que o Jardim Botânico é uma fonte permanente de pesquisa e a razão da existência do Instituto de Botânica. É impossível desassociar um do outro”, afirma.

Bruno Ribeiro

Carta aberta do fórum de entidades em defesa da agricultura paulista

Nas últimas décadas, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA) e a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), principais órgãos públicos responsáveis pela elaboração e execução de políticas voltadas para o Desenvolvimento Rural Sustentável paulista, vêm sofrendo um processo de diluição de seus objetivos, deterioração de suas estruturas e enfraquecimento de suas ações.

A contínua diminuição de recursos orçamentários, o rebaixamento salarial dos profissionais, a não realização de concursos para reposição de pessoal técnico e administrativo, a extinção de unidades e cargos, a não implementação de promoções na carreira, a falta de equipamentos e materiais para desenvolvimento dos serviços, a deterioração dos prédios e instalações, a decadência na formação e aperfeiçoamento de corpo técnico, a venda e cessão de áreas públicas, o apadrinhamento político em cargos de direção exercidos sem a necessária competência na gestão pública e expertise na questão agrária e fundiária do Estado, tiveram como resultado o enfraquecimento sistemático das outrora competentes instituições públicas voltadas para o agro paulista, que inúmeros serviços prestaram (e ainda prestam, com todas essas limitações) ao setor agropecuário em nosso Estado.

Dentre os relevantes serviços prestados por estas instituições estão as pesquisas para a geração de novas tecnologias (desenvolvidas pela APTA – Agência Paulista de Tecnologias do Agronegócio, através de seus diversos Institutos); o trabalho técnico-educativo da extensão rural (desenvolvido pela CATI e ITESP) principalmente junto aos agricultores familiares; a proteção ao mercado consumidor através da defesa sanitária (Coordenadoria de Defesa Agropecuária); o fortalecimento da organização dos produtores e comunidades rurais (Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios), o apoio à comercialização e agroindustrialização dos produtos, e tantos outros serviços indispensáveis no dia-a-dia dos agricultores.

Vale destacar aqui programas de excelência desenvolvidos em todo o Estado, nos últimos anos: o Programa Microbacias 2 – Acesso ao Mercado, o Programa Paulista de Agricultura de Interesse Social (PPAIS), o Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), o trabalho de apoio técnico e social a mais de 10.000 famílias dos assentamentos rurais e dezenas de comunidades quilombolas, além do trabalho de regularização fundiária que vem beneficiando milhares de famílias carentes urbanas e rurais.

A atual gestão do Governo Estadual vem “acelerando” o referido processo de enfraquecimento desses serviços ao promover uma desestruturação destas instituições, tomando medidas que visam repassar as atribuições destas entidades à Prefeituras Municipais, fundindo e/ou extinguindo pastas e órgãos, propondo o fechamento de Escritórios Regionais e Coordenadorias, destinando prédios e áreas próprias à venda/cessão. Tudo isso sem um mínimo de diálogo com os principais agentes envolvidos no processo: os beneficiários das políticas públicas e os servidores, executores das ações.

A última medida, tomada por meio do Decreto nº. 64.131 de 11/03/2019, transferiu a Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais (CBRN) da recém fusionada pasta de Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA) para a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (SAA). A medida promove a anexação da CBRN à Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI/SAA), que passa a ser denominada Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS). Desta forma, em um mesmo ato, desvaloriza e relega para um plano inferior a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) e os trabalhos de estímulo à Biodiversidade. A Fundação Itesp, por sua vez, está com quatro de seus escritórios regionais (Andradina, Promissão, Presidente Epitácio e Martinópolis) prestes a serem fechados.

Agora, diante do avanço de decisões que ferem gravemente a estrutura desses serviços de interesse para a agricultura, em especial para a agricultura familiar, não podemos mais ficar paralisados, assistindo passivamente ao desmantelamento do Itesp e da SAA, patrimônios de todo o povo paulista.

Nesta situação crítica, conclamamos a união de todas as organizações representativas dos agricultores (associações, cooperativas, sindicatos, conselhos), dos pesquisadores, dos extensionistas, técnicos e funcionários da Secretaria de Agricultura e da Fundação Itesp, prefeitos, vereadores, deputados, lideranças políticas em geral e todos que creem que a agricultura é uma atividade que diz respeito a toda a população de nosso Estado, juntando-nos em torno deste Fórum Permanente de Entidades em Defesa da Agricultura Paulista, buscando impedir o desmantelamento que vem sendo planejado e defendendo que qualquer mudança nas estruturas destas instituições sejam amplamente discutidas com as organizações de seus servidores e dos agricultores, estabelecendo compromissos principalmente com a sustentabilidade e com a agricultura familiar, valorizando seus profissionais, dando-lhes efetivas condições de trabalho, favorecendo a necessária transparência e a participação da sociedade na construção, execução e avaliação de seus programas e projetos.

Nossa proposta é de que este Fórum de Entidades busque apoio junto à sociedade civil, imprensa e Assembleia Legislativa de nosso Estado, de forma suprapartidária, para que possamos contar com o fundamental respaldo social e político que sustente e proporcione um diálogo construtivo com o Poder Executivo, que efetive as proposições geradas após amplo debate com os segmentos interessados.

TODOS UNIDOS PELO FORTALECIMENTO DA SECRETARIA DE AGRICULTURA E DA FUNDAÇÃO ITESP E CONTRA A DESESTRUTURAÇÃO DOS SERVIÇOS DE APOIO À AGRICULTURA FAMILIAR!

Campinas, 13 de março de 2019.

FÓRUM DE ENTIDADES EM DEFESA DA AGRICULTURA PAULISTA

Associação dos Funcionários da Fundação ITESP (AFITESP)/Sindicato dos Funcionários da Fundação ITESP (SINDAFITESP); Associação Paulista de Extensão Rural (APAER); Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC); Associação dos Servidores da Assistência Técnica Integral (ASATI); Federação da Agricultura Familiar do Estado de São Paulo; FAF Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp); Sindicato dos Servidores da Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo (Sindefesa-SP).

Carta aberta à cadeia produtiva paulista do pescado, comunidade científica e sociedade paulista

O corpo técnico de dois institutos de pesquisa do Estado de São Paulo, Instituto de Pesca (IP) e Instituto de Zootecnia (IZ), foi recentemente surpreendido com a proposta de EXTINÇÃO das duas instituições, com a alocação das suas atribuições e atividades em uma nova organização a ser criada. Esta proposta, apresentada no alvorecer da gestão do governador João Dória e do secretário Gustavo Junqueira (Secretaria da Agricultura e Abastecimento-SP), está sendo conduzida pelo antigo Diretor do IP e atual diretor do IZ, Dr. Luiz Marques da Silva Ayroza, sendo vagamente justificada por uma suposta economia dos recursos públicos.

Em meio a informações oficiosas sobre o assunto, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo – APqC tornou públicas informações que davam conta de que tais modificações radicais na estrutura da pesquisa paulista realmente vinham sendo aventadas, tendo sido assunto de reunião da entidade com o Dr. Antônio Batista Filho, atual coordenador da APTA, órgão que gere os institutos de pesquisa da Secretaria da Agricultura (ocorrida na semana de 11/02/2019), e de uma assembleia da entidade, ocorrida em 21/02/2019. Dada a condução do processo, até o presente momento, sem transparência ou PARTICIPAÇÃO EFETIVA do corpo técnico, os funcionários do Instituto de Pesca – pesquisadores e de apoio, reunidos por iniciativa própria para discutir a proposta, manifestam-se, em sua ampla maioria (85%), como CONTRÁRIOS à proposta, conforme discorrido abaixo:

1. A EXTINÇÃO das instituições é a PERDA de um ativo relevante do Estado. O Instituto de Pesca é um quadro técnico-científico da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, construído ao longo de 50 anos, que presta serviços à cadeia produtiva do pescado e a diferentes instâncias de governo. O Instituto de Pesca é o principal INTERLOCUTOR das cadeias produtivas da pesca e aquicultura com os órgãos e instâncias gestoras da atividade. Toda alteração neste relacionamento resultará em prejuízo aos serviços prestados às comunidades pesqueiras tradicionais, empresas de pesca e aquicultura, segmento da pesca amadora, órgãos de pesquisa e da administração pública.

2. As cadeias produtivas atendidas pelo Instituto de Pesca são social e economicamente
RELEVANTES para o Estado de São Paulo:

– a pesca industrial é a principal responsável pelo abastecimento de pescado para os grandes entrepostos de comercialização de alimentos in natura, bem como das indústrias de processamento.
– o setor pesqueiro artesanal e os pequenos aquicultores por sua vez englobam um grande contingente de trabalhadores, com o envolvimento dos núcleos familiares, muitos em situação de vulnerabilidade.
– a pesca amadora (pesca esportiva) é um setor em franca expansão, que tem criado postos de trabalho não apenas na indústria e comércio que a atendem, como também na cadeia produtiva do turismo.
– o setor da aquicultura também é gerador de muitos postos de trabalho em várias regiões do Estado, interiorizando empregos ligados à cadeia produtiva pesqueira, para a produção dessa matéria-prima de bom valor agregado.

3. A ADERÊNCIA entre temáticas de trabalho do Instituto de Pesca com as do Instituto de
Zootecnia é apenas APARENTE, já que a pesca e a aquicultura apresentam especificidades que as afastam de outras formas de produção animal. Fato demonstrado pela inexistência, mesmo em países de maior eficiência científica e tecnológica, de instituições de pesquisa e inovação que agreguem as cadeias de produção animal terrestre e aquática. Além disso, a pulverização de competências poderá resultar em evasão por desestímulo, com aposentadoria precoce de especialistas técnicos importantes ao bom andamento das funções institucionais.
4. A criação de uma nova instituição NÃO proporcionará uma ECONOMIA efetiva e consistente de recursos públicos, pois a proposta resume-se a uma redução pouco expressiva de cargos de direção, além da consequente centralização administrativa, que sobrecarregará o fluxo burocrático, causando o risco de não atendimento às demandas sociais.
5. A proposta NÃO proporcionará maior EFICIÊNCIA à produção científica e tecnológica, pois mantém a mesma lógica de distribuição das unidades e dos fluxos de processos, sem aplicar conceitos inovadores às linhas de pesquisa e à gestão como um todo. Acreditamos que o momento atual é OPORTUNO para MUDANÇAS. Entretanto, estas não podem ser desestruturantes dos serviços prestados pelas instituições aos setores produtivos, ou
seja, devem estar em consonância com objetivos de economia, eficiência, inovação, qualidade e sustentabilidade desejáveis ao serviço público.

Diante disso, o corpo técnico do IP tem se colocado à disposição dos superiores hierárquicos para opinar e contribuir na construção de uma nova realidade na gestão técnica e administrativa, que não envolva a extinção das Instituições, sob o manto de uma fusão. Para não, simplesmente, ceder à ilusão de que mudanças meramente estruturais e confusas em essência sejam capazes de dar verdadeiras respostas aos setores produtivos envolvidos. O setor produtivo, em diálogo constante com os pesquisadores do IP, tem compreensão da ameaça que representa a proposta de extinção institucional e criação uma nova organização heterogênea e dispersa.

Por esse motivo, encontramos apoiadores em toda a cadeia produtiva do pescado, desde o setor pesqueiro artesanal, setor pesqueiro industrial e também a aquicultura (listados abaixo). O setor produtivo, em diálogo constante com os pesquisadores do IP, têm compreensão da ameaça que representa a proposta de extinção institucional e criação uma nova organização heterogênea e dispersa. Por esse motivo, encontramos apoiadores em toda a cadeia produtiva do pescado, desde o setor pesqueiro artesanal, setor pesqueiro industrial, indústria pesqueira e também a aquicultura (listados abaixo).

Esperamos que a sociedade entenda a demanda ora posta e se posicione conosco contra a
desestruturação do Instituto de Pesca e em favor da construção de uma alternativa mais
coerente e promissora, que venha ao encontro das necessidades do setor pesqueiro e para São Paulo.

Entidades apoiadoras:
1 – ALPESC – Associação Litorânea da Pesca Extrativista Classista do Estado de São Paulo;
2 – ANEPE- Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva;
3 – Associação Brasileira de Engenharia de Pesca – ABEP;
4 – Associação de Moradores da Cachoeira – Guarujá – SP;
5 – Associação dos Maricultores da Praia da Cocanha (Caraguatatuba) – AMAPEC;
6 – Capatazia de Cubatão, da Vila de Pescadores Z-1;
7 – Capatazia de Monte Cabrão e Caruara, da Colônia de Pescadores Z-1;
8 – Centro de Aquicultura da UNESP – CAUNESP – Jaboticabal – SP;
9 – Coordenadoria do Curso de Graduação em Engenharia de Pesca da UNESP;
10 – Federação das Colônias de Pescadores e Aquicultores do Estado de São Paulo;
11 – Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista;

12 – GETEP/LAN/ESALQ/USP – Grupo de Estudos e Extensão em Inovação Tecnológica do
Pescado Laboratório de Pescado. Departamento de Agroindústria. Escola Superior de
Agricultura “Luiz de Queiroz”. Universidade de São Paulo;
13- Laboratório de Biodiversidade Molecular e Conservação, Departamento de Genética e
Evolução, Universidade Federal de São Carlos – UFSCar;
14 – Laboratório de Ecologia Estrutural e Funcional de Ecossistemas – LEEF – Universidade
Paulista, campus Sorocaba;
15 – Sindicato dos Armadores de Pesca do Estado de São Paulo – SAPESP;
16 – Sindicato dos Armadores e Indústrias de Pesca de Itajaí e Região – SINDIPI;
17 – Sindicato das Indústrias de Pesca do Estado de São Paulo – SIPESP;
18 – Sindicato dos Pescadores e Trabalhadores Assemelhados do Estado de São Paulo;
19 – Sociedade de Melhoramentos de Ilha Diana – Santos;
20 – Sociedade Brasileira de Ictiologia;
21 – Z-1 Colônia de Pescadores Jose Bonifácio – Santos;
22 – Z-3 Colônia de Pescadores Floriano Peixoto- Guarujá;
23 – Z-4 Colônia de Pescadores André Rebouças – São Vicente;
24 – Z-5 Colônia de Pescadores de Peruíbe;
25 – Z-9 Colônia de Pescadores de Cananéia;
26 – Z-23 Colônia de Pescadores Bertioga;
27 – Z-13 Colônia de Pescadores José de Anchieta – Itanhaém;
28 – Z-20 Colônia de Pescadores de Barra Bonita
29 – Z -17 Colônia de Pescadores de SBC Orlando Feliciano
30 – Z-12 Colônia de Pescadores e Aquicultores de Santa Fé do Sul
31 – Z- 27 Colônia de Pescadores – ICEM
32 – Z- 24 Colônia de Pescadores Jorge Tibiriçá -Presidente Epitácio
33 – Z – 15 Colônia de Pescadores – Pindorama

Programa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento fortalece produção de orgânicos no Estado de São Paulo

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Em seu livro Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia (2017), a geógrafa Larissa Bombardi, doutora em Geografia pela USP, faz um alerta: o Brasil é atualmente um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo e isso tem acarretado uma série de prejuízos ao meio ambiente e à saúde humana.

Em relação à saúde, dados levantados pela geógrafa apontam que, nos últimos sete anos, mais de 25 mil pessoas foram intoxicadas pela ação de agrotóxicos no Brasil. Por dia, cerca de oito pessoas são atendidas com sinais de intoxicação causada por este tipo de produto. É registrada uma morte a cada dois dias e meio.

Em São Paulo, a Ação SP Orgânico, da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (SAA), desenvolvida pela Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento em Agricultura Ecológica (UPDAE/Apta Regional), em São Roque, é um dos programas governamentais que tem feito a sua parte no fortalecimento e disseminação da agricultura ecológica. Criado em 2013, o programa incentiva a agricultura orgânica com redução de insumos químicos e oferta de produtos mais seguros e saudáveis aos consumidores. O procedimento é feito por uma linha exclusiva de financiamento para agricultura orgânica, que permite o acesso aos recursos necessários para a implantação de culturas orgânicas em pequenas propriedades.

Segundo o engenheiro agrônomo Dr. Sebastião Wilson Tivelli, membro da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) e um dos técnicos da SAA que coordenam a Ação SP Orgânico, foram promovidas oficinas, palestras, seminários, cursos, visitas técnicas e orientação direta em campo que alcançaram, desde o início do programa, mais de 8 mil produtores ou interessados em agricultura familiar. Como consequência, o Estado de São Paulo registrou um aumento considerável de pequenos produtores de alimentos orgânicos nos últimos três anos: de 1.361 produtores em 2015 para 2.194 em 2018.

“Hoje temos agricultura orgânica em 287 municípios do estado – o que representa 44,5% do total do nosso território. Com o aumento da produção, verificou-se também aumento da demanda. Seis em cada dez consumidores (63%) preferem verduras orgânicas e um em cada quatro (25%) optam por frutas e legumes produzidos sem agrotóxicos”, diz Tivelli. A Cooperativa Agrícola de Ibiúna (Caisp), responsável por abastecer todo o estado com produtos orgânicos, faturou mais de R$ 55 milhões em 2017, sobretudo com as vendas em supermercados e feiras.

Ações como esta, segundo o agrônomo, contribuem não só com a economia dos municípios e do estado, ao proporcionar geração de emprego e renda, mas também para com a saúde dos consumidores, que passam a ter uma oferta maior de alimentos produzidos sem agrotóxicos. “Este é um assunto que começou a despertar interesse das pessoas há relativamente pouco tempo. Quanto mais consciência tivermos da importância de valorizar a agricultura familiar, mais produtores surgirão”, avalia Tivelli.

Bruno Ribeiro

Dia Internacional da Mulher: APqC parabeniza as mulheres cientistas

Hoje, como sempre, a luta é por mais visibilidade.
A pauta é por respeito e oportunidades iguais.
A mulher na ciência tem ocupado o seu espaço, mas ainda é preciso avançar.
A luta por dignidade passa também pela valorização salarial e por outros aspectos do campo profissional onde a mulher, ainda, é tratada de modo inferior ao homem.
Milhares de mulheres cientistas, ao longo da história, ajudaram a mudar para melhor o destino da Humanidade. Quantas tiveram o justo reconhecimento?
A luta da APqC também está afinada com a causa das mulheres – sobretudo a mulher cientista. Hoje queremos reforçar que “elas podem tudo, sempre”.
Este é também o nosso lema.

“Na vida não existe nada a se temer, apenas a ser compreendido” (Marie Curie)

 

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Pesquisadores se reúnem com o Secretário de Agricultura e Abastecimento para tratar sobre problemas da categoria

No último dia 14 de fevereiro, a diretoria da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), acompanhada pelo engenheiro agrônomo Dr. Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, reuniu-se com o Sr. Secretário de Agricultura e Abastecimento, Gustavo Junqueira, para tratar da questão salarial e reposição do quadro funcional das carreiras de pesquisador científico e apoio dos Institutos de Pesquisa mantidos pelo governo estadual. A reunião foi aberta pelo Dr. Roberto Rodrigues, que solicitou ao Secretário que ouvisse a ajudasse a resolver a questão salarial dos pesquisadores, que considera justa e pertinente, embora venha sendo protelada há muitos anos.
Em seguida, o Dr. Antonio Batista, coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), relatou ao Secretário os danos à continuidade de pesquisas em linhas estratégicas, entre outros problemas, causados pela falta de concursos públicos na série de classes de Pesquisadores Científicos.
Dr. Frederico Arzolla, presidente da Comissão Permanente do Regime de Tempo Integral (CPRTI), lembrou que  45% do quadro dos pesquisadores estão vinculados a Secretária de Agricultura e destacou o fato de que, nos últimos cinco anos, a secretaria tem apresentado uma baixa anual de 33 pesquisadores, em média.
Dra. Helena Goldman, advogada da APqC, fez um breve histórico das legislações que regulamentam a carreira do Pesquisador Científico, das decisões judiciais divergentes e do cenário atual, enfatizando o caso de pesquisadores que trabalham lado a lado, exercendo a mesma função, ganharem vencimentos diferentes. Como uma forma possível de solução da problemática salarial, foi entregue ao Secretário, para análise e apreciação, minuta de um despacho normativo e de uma proposição legislativa com estudo sobre o impacto orçamentário.
Ademais, o vice-presidente da APqC, Dr. Joaquim Adelino, pontuou que hoje 24% dos pesquisadores da ativa possuem equivalência salarial aos docentes universitários por ganho judicial. O Secretário mencionou ter entendido os problemas relacionados às questões salariais e a complexidade e dificuldade da questão, e expôs que muitas medidas e mudanças necessárias dependem de uma politica geral de Estado e não apenas da Agricultura e, em determinados casos, de significantes mudanças normativas. Nesse sentido, informou que está à disposição para continuar a discussão dessas questões e de possíveis caminhos para resolvê-las.
A APqC também reforçou junto ao Secretário a importância da pesquisa básica, lembrando que as pesquisas científicas não são rápidas e nem surtem retorno imediato, mas que sem elas a economia e o desenvolvimento do Estado estariam comprometidas. Neste aspecto, o secretário acrescentou que é muito importante o fortalecimento da Apta e a definição de linhas mestras de pesquisa, conexas e alinhadas com as necessidades do setor produtivo.
Dra. Valquíria, membro da CPRTI, comentou que em 2018 foi instituído um grupo de trabalho que elaborou um modelo de edital, com a finalidade de ser aplicado a todos os institutos de pesquisa científica, e que está adequado à legislação vigente e pode ser aplicado no Secretaria de Agricultura.
Por fim, a APqC pontuou que um concurso público, que está em andamento, é importantíssimo para o Estado e o mínimo para repor áreas estratégicas, bem como que em 2012 já havia um estudo e planejamento para a abertura de um concurso com 120 vagas.
Após apresentadas as preocupações dos pesquisadores, o Secretário Gustavo Junqueira ressaltou que a pesquisa científica é um dos principais pilares de uma boa gestão na Secretaria de Agricultura e Abastecimento e fundamental para o desenvolvimento do agronegócio no Estado de São Paulo. Além disso, mencionou que entendeu os problemas expostos, atualmente existentes, e que dará a atenção devida para entender e identificar, em conjunto com os advogados e os pesquisadores, as melhores soluções possíveis para a manutenção e desenvolvimento de boas e importantes pesquisas na secretaria de Agricultura e Abastecimento.
A reunião contou com a participação do Exmo. Secretário de Agricultura e Abastecimento Gustavo Junqueira, do Exmo. ex-ministro Roberto Rodrigues, dos representantes da APqC Cleusa M. Lucon (presidente), Addolorata Colariccio, Joaquim Adelino de Azevedo Filho (vice-presidente), Sebastião Wilson Tivelli, José Orlando Prucolli, da advogada Helena Goldman e dos membros da CRTI, Frederico Alexandre Roccia Dal Pozzo Arzolla, Valquíria Abrão Coronado Dorce, José Alberto Caram de Souza Dias,  Gustavo Armani e Cacilda Thais Janson Mercante.

Edital de Convocação de Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária

EDITAL DE CONVOCAÇÃO 
ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA E ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA
12 de março de 2019 

Estão convocados os associados da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo para a Assembleia Geral Ordinária que se realizará no dia 12 de março de 2019, às 12:00h, em primeira convocação, e às 13:00h, em segunda convocação, e para a Assembleia Geral Extraordinária, com início às 14h00, em primeira convocação, e às 15h00, em segunda convocação, no Instituto Biológico, 5º andar, auditório José Reis, Av. Rodrigues Alves, 1252 – São Paulo/SP.

 
Assembleia Geral Ordinária
Para decisões sobre a seguinte ordem do dia:
 
1. Prestação de contas da Associação no exercício de 2018;
2. Leitura do parecer do Conselho Fiscal – exercício de 2018;
3. Deliberação da prestação de contas no exercício de 2018;
4. Valor da anuidade/mensalidade de 2019;
5. Aprovação da relação de associados que tiveram suas fichas de inscrição não recuperadas
em razão da inundação da antiga sala da APqC no Instituto Biológico, bem como o
registro do incidente;
6. Outros informes;
7. Palavra do associado.
 
Assembleia Geral Extraordinária
Para decisões sobre a seguinte ordem do dia:
 
1. Informes sobre as ações judiciais em andamento;
2. Concessão de áreas públicas, reestruturação dos Institutos de Pesquisa e Polos da apta;
3. Informes gerais;
4. Palavra do associado.
 

Acesse Edital completo da  Assembleia Geral Ordinária e a Assembleia Geral Extraoordinária

Campinas, 01 de março de 2019
Cleusa Lucon
Presidente da APqC

APqC convida pesquisadores para discutir questões urgentes envolvendo os Institutos

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A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) convida a todos os seus associados para Assembleia Geral Extraordinária, a ser realizada no próximo dia 12 de março, às 14 horas, para tratarmos de questões urgentes relacionadas aos Institutos de Pesquisa, entre elas a fusão dos Institutos de Pesca e de Zootecnia e a privatização do Jardim Botânico, entre outras. A reunião acontecerá no Instituto Biológico (Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, Vila Mariana, São Paulo – 5.º andar).

Entrevista com a Dra. Teresa Losada, referência na pesquisa de mandioca no Brasil

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Por Bruno Ribeiro

A engenheira agrônoma Teresa Losada Valle, pesquisadora do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) desde 1983, é uma das maiores especialistas em pesquisas relacionadas a variedades de mandiocas no Brasil. Doutora em Genética e Melhoramento de Plantas pela Esalq-USP, Teresa aposentou-se recentemente, mas continua sendo procurada para falar sobre as pesquisas que ajudou a desenvolver na área da cultura da mandioca – pesquisas estas que são aplicadas em várias regiões do País e têm ajudado a melhorar a produção e a qualidade da alimentação de milhões de famílias.
Uma das pesquisas mais importantes lideradas pela Dra. Teresa Losada resultou na criação da IAC 576-70, mandioca desenvolvida a partir do cruzamento de diferentes variedades de plantas. Com coloração amarelada e até 40 vezes mais vitamina A do que a mandioca comum, esta variedade responde hoje por quase 100% da mandioca de mesa cultivada no Brasil e rendeu à pesquisadora o Prêmio Péter Murányi 2012, pela importância social e econômica que a variedade adquiriu.
No último dia 27 de fevereiro, Dra. Teresa Losada Valle voltou ao IAC, local onde dedicou décadas de trabalho, para falar com a reportagem da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC). Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

APqC – A senhora nasceu na Espanha e chegou ao Brasil sem conhecer a mandioca. Como foi que se interessou pela agricultura e especialmente por esta planta?
Dra. Teresa Losada – Cheguei ao Brasil em 1962, com oito anos de idade, para se juntar ao meu pai, que havia saído da Espanha uns anos antes, fugindo da crise. Apesar de analfabeto, meu pai valorizava muito o conhecimento. Ele dizia que o dinheiro pode comprar o mundo, mas só o conhecimento liberta o homem – e me incentivou a retomar os estudos que eu havia interrompido. Meus avós eram pequenos produtores rurais na região da Galícia; eles plantavam batatas e coisas do tipo. Então, a agricultura não era uma realidade muito distante para mim. No entanto, a decisão de estudar agronomia surgiu após uma fatalidade: com a morte do irmão do meu pai – um tio que já estava no Brasil antes da gente e de quem eu gostava muito – eu quis estudar Medicina, achando que com isso poderia evitar que as pessoas morressem (risos). Porém, um tempo depois, caiu em minhas mãos um livrinho da coleção “Primeiros Passos” chamado “O Que é Fome?”, e nesse livro descobri que a responsável pela maioria das mortes no mundo, a grande causadora das doenças fatais, é a fome. Eu fui estudar agronomia com esse ideal romântico de combater a fome para evitar a morte das pessoas.

Mas por que a mandioca ganhou sua atenção especial?
Isso foi totalmente por acaso. Eu nunca pensei em me tornar especialista nesta planta, até porque eu não a conhecia. Eu comi mandioca pela primeira vez quando cheguei ao Brasil, porque lá na Espanha não havia. Minha relação de pesquisadora com a mandioca se deu depois de formada. Por conta da minha formação em micro-organismos, fui contratada pelo IAC, em 1982, para me juntar a uma equipe que estava trabalhando com isto. Pouco depois, prestei concurso e fui aprovada, integrando-me ao quadro de funcionários. Como já estava trabalhando com pesquisa de mandioca, continuei nessa área e fui me interessando cada vez mais.

Como a variedade 576-70, que rendeu o Prêmio Péter Murányi ao IAC, foi desenvolvida?
Eu costumo dizer que, em pesquisa científica, as pessoas têm seus méritos próprios, mas nada se cria sozinho. O conhecimento se herda e se transmite. O trabalho de pesquisa com mandioca começou na década de 1930 e perdura até hoje no IAC, sendo considerado o mais antigo do Brasil. Então, a variedade 576-70 é fruto do trabalho ininterrupto de aprimoramento da mandioca de mesa. Ela nasceu do cruzamento com da variedade IAC 17-18, de raiz branca, com a SRT 797, de raiz amarela. Com isso obtivemos uma variedade que apresenta bom desempenho agrícola, como produtividade e resistência a doenças, além de alto teor nutritivo.

Que lugar a IAC 576-70 ocupa hoje na produção de mandioca no Estado de São Paulo?
Hoje a IAC 576-70 responde por quase 100% do plantio no Estado de São Paulo e pode ser encontrada em todos os comércios. Mas não está restrita ao território paulista; essa variedade é predominante em vários estados, como Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul, entre outros. Ela já tem inclusive uma versão melhorada, a IAC 6-01.

Recentemente foi veiculada uma reportagem do Globo Rural mostrando que uma cooperativa de produtores de mandioca em Goiás passou a utilizar a variedade 12-289, desenvolvida pelo IAC, e que a produção mais do que duplicou. Qual a diferença dessa variedade para a 576-70?
Basicamente, a diferença é que a 576-70 é comumente mais usada para a agricultura de mesa, enquanto que a 12-289 é voltada mais para a agricultura industrial, sobretudo para a fabricação de farinha, amido, etc. Além disso, esta última apresenta um teor alto de matéria seca, que se adapta melhor a qualquer tipo de solo. Em São Paulo ela nunca foi cultivada em grande escala, mas no Cerrado é a preferida dos produtores.

Segundo as Organizações das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), a mandioca é um alimento essencial para a erradicação da fome entre as populações de baixa renda. As pesquisas do IAC vão ao encontro dessa premissa?
Eu acredito que sim. Veja o exemplo da IAC 576-70: ela chega a produzir em dobro se comparada com outras variedades, além de ser resistente e adaptável. É um alimento muito popular no Brasil, as pessoas das áreas rurais costumam plantar no quintal, porque a mandioca é a garantia de que não faltará comida na mesa e ainda pode ajudar no orçamento da casa. Não é à toa que a mandioca se deu muito bem na África, porque atende à necessidade da agricultura atual com sustentabilidade e baixo custo.

Qual a relação do povo brasileiro com a mandioca?
Ela foi domesticada pelas populações indígenas, que nos deixaram um grande legado não apenas biológico, mas cultural. Um dos erros da academia é desconsiderar o conhecimento popular e é por isso que, na década de 1970, quando houve um boom do êxodo rural, entrevistei famílias que haviam migrado para a área urbana e percebi que o plantio de mandioca era uma prática que elas trouxeram para as cidades. Isso porque a mandioca era a garantia de que teriam alimentação e uma renda mínima, com a venda do excedente. Sem falar que a mandioca está presente na mesa do brasileiro em quase todo o território nacional, em suas mais variadas formas. Costumo dizer que a mandioca é como a cachaça: as pessoas têm uma ligação afetiva com ela.

Assista a reportagem do Globo Rural (clique aqui) que mostra como produtores de Goiás aumentaram a produção de mandioca e polvilho usando a variedade IAC 12-289.

APqC integra Manifesto da Marcha Pela Ciência

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Não é de agora que a ciência brasileira vem sofrendo graves cortes em recursos. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação (MCTIC), responsável pelo financiamento de projetos e pesquisas científicas no Brasil, tem tido seu orçamento cada vez mais reduzido. Os institutos de pesquisa  estão sucateados e sem recursos para fazer ciência, enquanto grande parte das universidades públicas já sofre até para se manter em funcionamento.
Diante desse quadro preocupante, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) passou a integrar o movimento Manifesto da Marcha pela Ciência.
Nós defendemos as seguintes causas:
1) Somos contra os cortes nas ciências, queremos reverter os cortes já realizados e reconstituir os níveis de investimentos em C&T e Educação;
2) Somos a favor da revitalização dos Institutos de Pesquisa do Estado de São Paulo;
3) Somos contra o desmonte das universidades públicas em todo o país.
Se você concorda com essas reivindicações, some-se à nossa luta assinando o abaixo-assinado (link na sequência) e divulgando em suas redes sociais: Manifesto da Marcha pela Ciência

Em assembleia, APqC consulta corpo técnico sobre a reestruturação de institutos da Agricultura

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Em assembleia geral extraordinária, realizada ontem, 21 de fevereiro, no Polo Regional Centro-Sul, em Piracicaba, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) discutiu com seus associados as reestruturações que se encontram em andamento na Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), coordenada pelo Dr. Antonio Batista Filho, e subordinada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), comandada pelo Sr. Gustavo Junqueira. O evento reuniu mais de 60 pessoas entre pesquisadores e funcionários da carreira de apoio, que se deslocaram de várias unidades do interior e do litoral, além da Capital.

O foco da reunião foi para tratar de três assuntos distintos: Fusão do Instituto de Pesca e Instituto de Zootecnia; reestruturação dos Pólos Regionais da APTA e desmonte do Departamento de Descentralização do Desenvolvimento (DDD), além da abertura de concurso para Pesquisadores Científicos na SAA.

Fusão do I. Pesca e I. Zootecnia

A fusão dos dois Institutos foi apresentada pelo ex-diretor do I. Pesca e atual diretor do I. Zootecnia, o pesquisador Luiz Marques da Silva Ayroza, e foi informada ao corpo técnico quando já estava em andamento, não tendo sido ouvida a opinião dos servidores em nenhum dos institutos. As mudanças propostas não estão claras e também não é consenso de que elas sejam vantajosas para ambos os Institutos.

A pesquisadora Cristiane Rodrigues Pinheiro Neiva, a primeira a falar como representante do Instituto de Pesca (Santos), disse que 85% dos servidores se posicionaram contrários à unificação dos institutos e leu uma carta-manifesto contra a decisão vertical tomada pela Administração e denunciando os efeitos negativos que a hipotética fusão traria para a cadeia produtiva do pescado e para a imagem do próprio governo do Estado: “A cadeia produtiva relacionará o fim do Instituto de Pesca ao descaso com que o governo dá a este segmento”, disse.

Além disso, segundo a carta, as propostas contidas no organograma do governo não proporcionam uma economia real ao erário – principal motivo alegado para justificar a unificação: “Limita-se à redução pouco expressiva de cargos de direção. A extinção de funções de comando acarretará a evasão de funcionários, muitos já em condição de se aposentarem, e faltarão especialistas”.

Também representando o Instituto de Pesca, o pesquisador e representante do IP na APqC, Dr. Eduardo de Medeiros Ferraz defendeu o legado da marca do instituto: “Trata-se de uma marca consagrada no meio científico, uma marca de mais de 50 anos. Isso é levado muito à sério no meio público e nas empresas privadas. Isso pode implicar em prejuízos financeiros na nossa relação com empresas e órgãos ligados ao setor da pesca”, disse.

Foi ouvido também o pesquisador do Instituto de Zootecnia, José Evandro de Moraes, que será o futuro representante do IZ na APqC. Evandro relatou que no dia  30/01/2019, o novo Diretor Técnico de Departamento do IZ, Dr. Luiz Marques da Silva Ayroza, encaminhou mensagem a todos os funcionários, pois estaria reunindo na segunda-feira, 04/02/2019, a partir das 9h00, no auditório do CCTC, para se apresentar e, também, para apresentação dos diretores de Centros de Pesquisas, dos Coordenadores das Áreas Estratégicas do PDIP, Centros Administrativo, Comunicação, Experimental Central, NIT, Curso de Pós-Graduação do IZ, e do Boletim de Indústria Animal (BIA).  Nesta reunião, no dia 04/02/19, o Dr Luiz Ayrosa informou a todos, sobre a possível fusão entre o IP e IZ e ao final da reunião combinou que repassaria por e-mail uma sugestão de organograma e que este deveria ser revisado por todos os grupos de pesquisa (corpo técnico). Ainda, o prazo para o recebimento dessas sugestões deveria ser devolvido a ele até o dia 14/02/19, o que foi feito por todos os grupos. A APqC perguntou ao Evandro se ele sabia quantos pesquisadores eram favoráveis e contrários a fusão entre os institutos. O mesmo relatou que na reunião do dia 04/02/2019, quando da proposta para a fusão, ninguém se manifestou contrário a ela naquele momento e também não soube de nenhum grupo que tivesse posicionamento contrário a ela; mas entendia que devido a todos os grupos terem enviado suas sugestões de modificação do organograma ao Dr Ayrosa no prazo solicitado, acreditava que a ideia da fusão teria sido aceita. Afirmou, ainda que não tinha números de quantos pesquisadores e funcionários poderiam ser contrários em porcentagem, mas se comprometeu a conversar com todos e encaminhar à APqC a posição oficial dos mesmos em relação ao processo de unificação até quarta-feira da semana que vem dia 27/02/2019.

A presidente da APqC, Dra. Cleusa M. Lucon, alertou que a unificação de institutos, com a desculpa de reduzir gastos da máquina pública, deve ser uma tendência daqui por diante e outros institutos poderão vir a ser afetados. Nessa linha, Luiz Barretto, Assistente Técnico de Pesquisa do Secretaria do Meio Ambiente (SMA), sugeriu que se formasse com urgência um grupo de trabalho constituído por pesquisadores e funcionários de apoio representativos dessas categorias que possam produzir levantamento de dados e propostas consistentes como forma de rechaçar toda e qualquer ideia de fusão desses institutos.

Barretto mencionou ainda a importância de a APqC conquistar espaço político dentro da estrutura do atual governo: “Se não fizermos, outros farão”, disse. Disse também da experiência vivida na Secretaria do Meio Ambiente e que, graças a constituição de um grupo de trabalho conseguiu-se que aquele grupo fosse reconhecido e oficializado em Diário Oficial. “Somente através de um trabalho sério e consistente pudemos pressionar o governo e obstaculizar a proposta que estava sendo imposta de fusão de três institutos daquela Secretaria”, recordou.

Por sua vez, o vice-presidente da APqC, Dr. Joaquim Adelino, lembrou que a participação da base é “fundamental para barrar o avanço do processo de unificação dos institutos” e que é preciso “haver uma posição clara e próxima da unanimidade entre pesquisadores e pessoal de apoio”. Assim, depois de ouvir pesquisadores e funcionários de apoio, deliberou-se que a APqC solicitará, em caráter de urgência, reunião com o coordenador da APTA, Dr. Antônio Batista Filho, e com os diretores dos Institutos de Pesca, Dr. Vander Bruno dos Santos e de Zootecnia, Dr. Luiz Marques da Silva Ayroza, para esclarecimento das dúvidas existentes dos servidores lotados nessas instituições.

Desmonte do DDD

Em relação a mais uma reorganização das unidades do Departamento de Descentralização do Desenvolvimento (DDD), espalhadas por todo o território paulista, o Dr. Wilson Tivelli, tesoureiro da APqC, relatou a reorganização que está acontecendo nos Pólos Regionais, à revelia dos Diretores das unidades. Ele lembrou que este conceito foi criado para atender as demandas regionais, em atenção à Constituição Federal do Brasil. A existência do DDD visa reduzir as desigualdades sociais e regionais, aproximando governo do Estado e comunidade. “Sem estes polos, vinculados aos institutos, não teremos como atender a demanda dos agricultores locais”, explicou.

Dr. Fábio Luis Ferreira Dias, diretor do Polo Centro-Sul, Piracicaba, relatou a dificuldade de gerir sua unidade, com a atual defasagem de funcionários e sugeriu que a APqC procurasse o apoio de outros setores da sociedade e não apenas dos pesquisadores, pois, segundo ele, “estamos correndo contra o tempo e o desmonte vai acontecer, mesmo que a gente não queira”. Funcionários de outras unidades, como as de Bauru e Brotas, salientaram também as dificuldades de trabalho nos polos – dada a quantidade cada vez menor de servidores e pediram que este problema também fosse levado às autoridades competentes.

Foi deliberado que a APqC irá solicitar uma reunião com o coordenador da APTA e o diretor do DDD, bem como os diretores dos polos regionais. Estas e outras questões, como a importância da autonomia administrativa dos polos, serão discutidas com o objetivo de frear o processo de desmonte. “Estamos resguardados pela Constituição Federal e isso tem de ficar claro para os gestores”, declarou Wilson Tivelli.

Concurso para pesquisadores na SAA

Foi relatado ainda na Assembléia que houve uma reunião entre a APqC, APTA, CPRTI e o Exmo. Sr. Secretário da Agricultura e Abastecimento, Gustavo Junqueira, e que nesta ocasião ressaltou-se a necessidade de um comprometimento do governo com a abertura de concurso público para suprir a demanda dos institutos, uma vez que tais vagas, em alguns casos, podem estar vinculadas com o montante liberado pela FAPESP em 2017, e que incluía, entre outros, o Programa Jovem Pesquisador.

Ainda, ficou decidido que uma comitiva formada por funcionários e membros da APqC irá à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) para conversar com a Frente Parlamentar em Defesa dos Institutos Públicos de Pesquisa e das Fundações Públicas do Estado de São Paulo e levar estas questões à tribuna da Casa. A meta é ampliar as discussões sobre as mudanças propostas pelo Governo do Estado nas instituições públicas de pesquisa, visando esclarecer dúvidas dos funcionários e democraticamente garantir uma maior participação dos associados e demais envolvidos no processo dessas alterações. Além disso, a APqC visa buscar dar maior transparência e visibilidade ao programa de governo do Exmo Sr. Governador de São Paulo, Sr. João Dória Jr.

Butantan comemora aniversário com “Feira da Vacina” e diversas atrações

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O Instituto Butantan completa 118 anos de existência no próximo fim de semana. Como parte da comemoração será realizada, nos dias 23 e 24 de fevereiro (sábado e domingo) a Feira da Imunidade e da Vacina – Como Nosso Organismo se Protege. O evento, que acontecerá das 10h às 16h, terá entrada franca para visitantes de todas as idades e ofecerá atividades interativas com a finalidade de informar o público sobre o funcionamento do sistema imunológico dos seres humanos e sobre como as vacinas atuam nele, ajudando a prevenir ou curar doenças.

A importância da vacinação é um tema atual que tem mobilizado pesquisadores do Instituto Butantan, uma vez que a procura por vacinas vem apresentando declínio em vários países do mundo, incluindo o Brasil. Tal fenômeno ocorre devido ao trabalho de desinformação realizado por grupos anti-vacina nas redes sociais. Como consequência, tem sido registrado o retorno de doenças que estavam sob controle, como é o caso do sarampo (11 mil casos no Brasil em 2018). A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que esta é a “maior emergência da saúde pública para 2019”.

Para responder a este problema, o Butantan montará uma tenda de 900m² no parque do Instituto e disponibilizará 70 monitores para orientar o público presente. Nesses dias, os museus Biológico, Histórico e de Microbiologia estarão abertos e terão entrada gratuita.

Confira algumas atrações

No local estarão instaladas paredes de escalada para as crianças subirem pelos caminhos do nosso “sistema linfático” e explorar os seus principais “órgãos”. Já quem quiser conhecer uma célula “por dentro” poderá entrar no Celularium e assistir à projeção do simulador. No espaço Linfócito B, as pessoas aprendem de modo divertido como o corpo produz anticorpos depois de receber uma dose de vacina.

Uma estrutura de 3,5 metros de altura, chamada de Espiral da Segurança, revelará todas as fases do desenvolvimento de uma vacina. Atores representando Vital Brazil e Arthur Neiva, pesquisadores do início do século 20, contarão como foram os surtos de peste bubônica e a epidemia de gripe espanhola no Estado de São Paulo.

O público também poderá participar de rodas de conversas com cientistas, que irão esclarecer todas as dúvidas acerca das vacinas, e ter acesso a microscópios, vídeos e jogos coletivos. Uma peça infantil será encenada para as crianças.

A programação completa está disponível no site da Feira da Imunidade e da Vacina.

Serviço:
Feira da Imunidade e da Vacina – Como nosso organismo se protege
Data: 23 e 24 de fevereiro de 2019 (sábado e domingo)
Horário: das 10h às 16h
Local: Heliponto do Instituto Butantan – Avenida Vital Brasil, 1500 – Butantã – São Paulo/SP
Entrada franca

Pesquisadores do Butantan lançam livro sobre serpentes

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Na próxima quinta-feira (21), o pesquisador e ex-diretor do Laboratório de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan, Dr. Otávio Augusto Marques, e o médico e diretor do Hospital Vital Brazil, Carlos Roberto de Medeiros, lançam o livro Nossas Incríveis Serpentes (Ed. Ponto A), que fornece informações básicas sobre cobras e é voltada para médicos, biólogos, professores e estudantes, entre outros interessados no assunto. O evento de lançamento ocorrerá às 19h no próprio Instituto Butantan.

Reconhecido como um dos mais importantes centros de pesquisa biológica do Brasil, o Butantan é responsável por mais de 50% da produção de vacinas e por 46% de soros para uso profilático e curativo no país, além de contar com o Hospital Vital Brazil, referência no atendimento de acidentes causados por animais peçonhentos. O livro reúne informações acumuladas pelos dois pesquisadores ao longo de suas experiências em campo e no dia a dia do instituto, constituindo uma obra essencial para informar e esclarecer especialistas e leigos sobre origem, características, prevenção a acidentes e conservação das espécies, entre outros tópicos.

Para falar sobre esta obra, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) entrevistou o pesquisador Dr. Otávio Augusto Marques, que também é professor credenciado pelo programa de pós-graduação em Biologia Animal da Universidade Estadual Paulista (Unesp), cujo trabalho se situa principalmente na história natural de serpentes.

APqC – No próximo dia 21, em parceria com o Dr. Carlos Medeiros, você lança o livro Nossas Incríveis Serpentes. O que o leitor que se interessa pelo assunto irá encontrar nesta obra?

Dr. Otávio Marques Este é um livro que eu sonhava em escrever desde que entrei no Instituto Butantan, porque há ainda muita desinformação sobre esses animais. Como lidamos principalmente com o público leigo, tive o cuidado de tornar o livro acessível a todos e não apenas aos especialistas. Assim, todo aquele que se interessar pelo assunto irá encontrar informações que vão desde a origem e as características das cobras nativas, passam pela parte médica e culminam na conservação das espécies.

Podemos dizer que o livro é também resultado do acúmulo de informações que você adquiriu ao longo de sua trajetória como pesquisador? Como foi o processo de produção da obra?

Sem dúvida. Tentei ser o mais rigoroso possível nas informações. Como eu disse, há muita informação equivocada sobre as cobras e o livro esclarece alguns pontos. Por exemplo: é comum ouvirmos por aí que as cobras são surdas. Isso não é verdade. As cobras captam sons do ar, apenas numa frequência menor do que a da maioria dos animais. Também é mentira que a sucuri pode chegar a dez metros de comprimento. Quando atinge seis metros ela já é considerada rara.

O livro diz que o soro antiofídico produzido com auxílio de cavalos está obsoleto. Qual é a nova alternativa e desde quando está sendo produzida no Instituto Butantan?

A forma mais usual de produção de soro antiofídico é feita com o auxílio de cavalos, que recebem o veneno e produzem anticorpos. Isso é feito há mais de 100 anos. Esse soro, no entanto, embora seja eficiente para neutralizar a ação do veneno de cobras, traz consigo proteínas animais que podem causar algum tipo de reação alérgica no paciente. Com o avanço da biotecnologia já é possível produzirmos soro com anticorpo monoclonal humano, o que tornará obsoleto o soro que temos usado até então. O Instituto Butantan ainda faz uso do soro antiofídico tradicional, mas acredito que é questão de tempo para substituí-lo.

O Hospital do Instituto Butantan atende muitas pessoas vítimas de picadas de serpentes ou estes incidentes estão em queda com a crescente urbanização das cidades?

Não tenho esses dados estatísticos de cabeça, mas não diria que estão em queda. Ainda recebemos muitos acidentados, principalmente vindos da zona rural de São Paulo e das áreas periféricas. Apesar do crescimento urbano, ainda há bolsões onde o ser humano convive diariamente com a presença de cobras e outros animais peçonhentos.

Você diz, no livro, que a cobra-coral é a espécie nativa mais perigosa ao homem, mas que casos de óbitos motivados pela picada dessa serpente são raros. Por quê?

Por alguns fatores. Um deles é que, por conta de suas cores, a cobra-coral é muito fácil de ser identificada, o que a torna muito visível, ao contrário de outras cobras que se confundem com o mato ou com a terra. Outro fator – e talvez o principal – é que ela não é tão agressiva quanto a cascavel e a jararaca. Além disso, ela possui uma abertura bocal pequena, o que dificulta a sua mordida.

A pesquisa científica consegue responder se o medo que sentimos de cobra é inato ou adquirido?

Experimentos e estudos neurofisiológicos com macacos ajudaram a entender melhor essa questão. Verificou-se que existe uma área no cérebro de um determinado primata que reage de um modo específico, como em sinal de alerta, quando estimulada com a imagem de uma cobra. A conclusão é de que a resposta visual rápida é uma predisposição, até mesmo porque os primatas utilizados no teste nunca tinham visto uma cobra na vida. No Butantan nós temos um programa que se chama “Mão na Cobra”, que testa a reação das crianças ao entrarem em contato físico com as serpentes pela primeira vez, e todas demonstram fascínio ou medo, nunca indiferença. São milhões de anos convivendo com as cobras, então pode ser que tenhamos desenvolvido um sistema de defesa natural.

O livro dedica um capítulo à conservação das serpentes. Como a conservação dessas espécies se relaciona com a conservação do próprio meio ambiente?

A conservação das serpentes não é importante apenas para os fármacos, que ajudam a salvar vidas humanas, mas também para o meio ambiente, uma vez que elas fazem parte da cadeia alimentar. Porém, para além desses fatores, está o fato de que as cobras são bastante diferenciadas entre si e algumas são endêmicas de áreas restritas, como é o caso da Jararaca Bothrops Pirajai, por exemplo. Esse tipo de informação é de grande importância para estratégias de conservação, pois a presença desses animais ajuda a definir e limitar áreas preservadas, que não podem ser devastadas.

Como o Instituto Butantan tem atuado no sentido de garantir a conservação de algumas espécies de cobras?

Embora não seja uma atribuição dos pesquisadores, o Instituto Butantan iniciou o primeiro programa de conservação ex-situ da jararaca-ilhoa, uma espécie que vive exclusivamente na Ilha da Queimada Grande, que fica no Oceano Atlântico, no Estado de São Paulo. Estima-se que vivam por lá mais de 2 mil serpentes dessa espécie. Infelizmente essa população está ameaçada de extinção, por razões que expusemos no livro e que agorá estarão disponíveis ao público.

Serviço

O Quê: Lançamento do livro Nossas Incríveis Serpentes
Quando: Quinta-feira (21/02), às 19h.
Onde: Instituto Butantan (Av. Vital Brasil, 1500, Butantã, São Paulo).
Quanto: Entrada franca.

Última chamada para a Assembleia Geral Extraordinária

urgenteA Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) convoca seus pesquisadores para Assembleia Geral Extraordinária a ser realizada no próximo dia 21 de fevereiro (quinta-feira), a partir das 12h30, no Polo Regional Centro Sul, no Salão de Eventos, Rod. SP 127, km 30, em Piracicaba (SP). É fundamental a presença de todos e todas, pois estaremos discutindo questões cruciais para os nossos institutos.

Além dos temas urgentes que exigem mobilização constante, como a necessidade da abertura imediata de concursos públicos para repor vagas em pesquisa e pessoal de apoio, falaremos do desmonte dos Departamentos de Descentralização do Desenvolvimento (DDDs), que está em curso, e da unificação entre o Instituto de Pesca e o Instituto de Zootecnia, que deve ocorrer nos próximos dias, caso não haja contraponto por parte da nossa categoria.

A posição da APqC sobre este último ponto da pauta será definida nesta Assembleia Geral Extraordinária, de modo que a participação em peso dos pesquisadores se faz necessária. A fusão do Instituto de Pesca com o Instituto de Zootecnia, ambos com mais de 50 anos de existência, poderá significar a extinção de cargos e de algumas atribuições, colocando em risco não apenas o desenvolvimento de pesquisas específicas, mas também o serviço oferecido por estes institutos à sociedade.

A APqC pede a todos e todas que confirmem presença no link a seguir. Estaremos disponibilizando ônibus, que sairá de Campinas, Nova Odessa e São Paulo, em hora e locais a serem definidos em breve, para aqueles que tenham dificuldade de deslocamento. Contamos com a adesão dos colegas.

Confirme sua participação aqui.

APqC se reúne com o Dr. Antônio Batista, novo coordenador da APTA

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Na semana passada, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) se reuniu com o novo coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Dr. Antônio Batista.

O primeiro ponto da pauta foi dar ciência ao representante do governo sobre todas as ações realizadas pela APqC no ano de 2018, principalmente no tocante ao aumento de vencimentos da carreira de pesquisador científico, conforme dispõe o PLC 04/2018, que objetiva a equivalência de vencimentos entre os pares, e o Processo SAA 13.999/2018, que busca a recomposição salarial de 2010 à 2018 no montante de 54,44%, bem como o aumento do interstício entre os níveis da carreira, a fim de que o salário do nível I da série de classes de pesquisador científico seja competitivo.

“É importante adequar o salário ao perfil do candidato ao cargo que ingressa, pois na maioria das vezes os aspirantes já contam com a qualificação de doutorado. Isso evitaria a evasão dos quadros nos níveis iniciais da carreira de pesquisador, que superaram 70% no último concurso realizado em 2003”, disse a presidente da APqC, Cleusa Lucon. O coordenador entendeu tratar-se de pleito justo, dando total apoio às reivindicações acima.

Quanto à reposição dos quadros, o Dr. Antônio Batista informou que não existe previsão de novos concursos. Disse ainda que o novo Secretário de Agricultura e Abastecimento (SAA) é administrador e está colhendo dados sobre a produtividade das pesquisas e dos pesquisadores.

O coordenador informou que irá unificar o Instituto de Pesca e Instituto de Zootecnia, a fim de propiciar o melhor aproveitamento dos recursos financeiros e capacidade de trabalho, como uma forma de fortalecer a instituição.

Dr. Prucoli lembrou que inicialmente, antes da reforma de 1970, ambos institutos eram divisões técnicas denominadas como Divisão de Pesca e Divisão de Zootecnia e Nutrição Animal, pertencentes ao Departamento da Produção Animal.

Quanto aos Departamentos de Descentralização do Desenvolvimento (DDD), Dr. Batista afirmou que há um estudo para restruturação dos mesmos e que a Procuradoria do Estado já está preparando a minuta. Segundo ele, a ideia inicial é “transformar o DDD em uma unidade dos próprios Institutos de Pesquisa e que os pontos positivos seriam que as referidas unidades teriam a proteção do artigo 272 da Constituição Paulista, bem como facilitaria a provisão de recursos financeiros”. Ele se comprometeu também a não alienar nenhuma área.

O engenheiro agrônomo Dr. Wilson Tivelli, tesoureiro da APqC, lembrou que o DDD foi criado para atender as demandas regionais, em atenção à Constituição Federal do Brasil, que visa reduzir as desigualdades sociais e regionais, aproximando o governo do Estado com a demanda local. Enfatizou ainda a importância da autonomia administrativa do Polo.

Dr. Joaquim Adelino, vice-presidente da APqC, indagou como ficariam as unidades que possuem pesquisadores de diferentes institutos e a qual Instituto se vinculariam. Além disso, questionou sobre como os recursos financeiros chegariam às unidades e o que aconteceria com os recursos financeiros gerados por elas. Dr. Batista entendeu que os recursos devem voltar para o Diretor do Instituto, que decidirá aonde os recursos devem ser aplicados.

Dra. Cleusa Lucon enfatizou a importância do diálogo e a importância da pesquisa científica e o seu grande retorno financeiro. Também solicitou ao novo coordenador da APTA que intermediasse uma reunião entre a APqC e o Secretário de Agricultura e Abastecimento. Dr. Batista afirmou que irá providenciar esta solicitação.

Participaram da reunião, representando a APqC, a Dra. Cleusa Lucon, Dr. Joaquim Adelino, Dr. Wilson Tivelli, Dra. Addolorata Colariccio, Dr. Orlando Prucoli e a Dra. Helena Goldman.

Urgente: APqC convoca para Assembleia Geral Extraordinária

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) convoca a todos os seus pesquisadores e pesquisadoras para assembleia geral extraordinária a ser realizada no próximo dia 21 de fevereiro (quinta-feira), a partir das 12h30, no Polo Regional Centro Sul, no Salão de Eventos, Rod. SP 127, km 30, em Piracicaba (SP).

Em sua última reunião ordinária, ocorrida no dia 11, a diretoria da APqC decidiu fazer a presente convocação diante do aparecimento de questões que se colocam como urgentes à nossa categoria. Algumas delas foram previamente discutidas com o coordenador da APTA, Dr. Antônio Batista, tais como: reposição salarial, o andamento do PLC 04/2018, a realização de concursos públicos, o desmontes dos Departamentos de Descentralização do Desenvolvimento (DDDs) e a unificação do Instituto de Pesca com o Instituto de Zootecnia.

Sobre este último ponto, que integra a reforma administrativa e a reestruturação dos institutos pretendidas pelo governo do Estado, a APqC se posicionará oficialmente após consultar os pesquisadores associados na assembleia geral extraordinária. É de suma importância que tomemos uma posição rápida e consensual, pois informações que nos chegam dão conta de que a unificação de dois dos nossos institutos está prestes a ser assinada pelo governador.

A fusão do Instituto de Pesca com o Instituto de Zootecnia, ambos com mais de 50 anos de existência, poderá significar a extinção de cargos e de algumas atribuições, colocando em risco não apenas o desenvolvimento de estudos e pesquisas já em curso, mas também o serviço oferecido por estes institutos à sociedade.

É importante a participação de pesquisadores e pesquisadoras de todos os institutos na nossa assembleia geral extraordinária, pois o processo de reestruturação poderá vir a afetar os IP’s em sua integralidade. A adesão em massa se faz urgente também porque iremos discutir a elaboração do texto de uma moção, a ser assinada por várias entidades e personalidades de renome, denunciando a situação atual dos Institutos de Pesquisa e clamando pela abertura de concursos públicos.

Mobilizar para assegurar nossos direitos e garantir serviços de qualidade à população.

Assine a ficha de inscrição aqui: Assembleia Geral Extraordinária.

Att.,
Cleusa M. Lucon, presidente da APqC