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VIII Simpósio de Restauração Ecológica tem inscrições abertas

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VIII Simpósio de Restauração Ecológica, promovido pela Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, através do Instituto de Botânica de São Paulo, realizar-se-á no período de 04 a 08 de novembro de 2019, nas dependências do Instituto de Botânica e no São Paulo Expo, São Paulo -SP.

A oitava edição do Simpósio de Restauração Ecológica, terá como tema “Desafios do processo frente à crise ambiental”. Trata-se de um evento dirigido à comunidade atuante no campo de restauração ecológica, cujo objetivo é de oferecer subsídios para a discussão, análise, execução de estudos, projetos e ações relacionadas à restauração ecológica, fundamentados em conceitos desenvolvidos pela comunidade científica e em experiências práticas do setor privado, além da possibilidade de empresas e profissionais da área apresentarem seus produtos e serviços.

Nesta edição, com base na pesquisa científica e nos processos socioambientais, pretende-se promover o cumprimento da legislação ambiental e de metas estabelecidas para a conservação da biodiversidade e a restauração ecológica, com sustentabilidade social. Estas tendências serão apresentadas e discutidas em mesas-redondas, palestras, cursos, estandes de apresentações de trabalhos científicos e atividades, relacionadas à disponibilização de serviços e produtos voltados à restauração ecológica.

As edições anteriores do simpósio, reuniu aproximadamente 1000 participantes, entre universidades, institutos de pesquisa, órgãos oficiais, licenciadores, consultores ambientais, grandes empresas, instituições financeiras, Ministério Público, ONGs, alunos de graduação e pós-graduação, órgãos de assistência técnica, etc.

A expectativa da organização é que o VIII Simpósio de Restauração Ecológica supere os eventos anteriores em número de participantes, na qualidade dos debates e, principalmente, nos seus desdobramentos para promover avanços em Restauração Ecológica e nas políticas públicas para o setor.

Contamos com a sua presença!

Dr. Luiz Mauro Barbosa
Diretor Geral do Instituto de Botânica

Para mais informações e inscrições acessar o site do Instituto de Botânica (clique aqui).

Alterações propostas pela APqC garantem direitos do Instituto de Botânica no texto final do PL 183

 

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Luiz Mauro Barbosa, diretor do Instituto de Botânica, e a pesquisadora Inês Cordeiro comemoram as alterações no texto final do PL 183/2019

O Projeto de Lei nº 183 de 2019, de autoria do Governador, que autoriza a concessão à iniciativa privada da área onde estão compreendidos o Zoológico, Zoo Safari e o Jardim Botânico de São Paulo, foi convertido na Lei nº 17.107, de 2019.

A Lei aprovada em relação à sua redação original sofreu alterações, o que assegurou a inclusão de pontos importantes que são tidos como uma “grande conquista dos pesquisadores e da sociedade”, segundo a presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), Dra. Cleusa Lucon. Segundo ela, nos últimos meses, a associação travou frequentes diálogos com a Secretaria de Infraestrutura e do Meio Ambiente (SIMA) e parlamentares de todos os partidos políticos e orientações ideológicas, no sentido de convencê-los da importância de salvaguardar as pesquisas científicas ali desenvolvidas.

Dentre os pontos que foram negociados, destacam-se a manutenção do Instituto de Botânica na área concedida; a preservação de sua autonomia técnica-científica para desenvolver atividades de ensino, pesquisa científica, tecnológica e de inovação; o direito do Estado a propriedade intelectual das pesquisas geradas; a manutenção da classificação do Jardim Botânico na categoria A do CONAMA; a garantia de acesso gratuito aos estudantes da rede pública; e que a outorga do uso concedido do Jardim Botânico seja destinada ao fundo de despesa do Instituto de Botânica.

Em reconhecimento ao esforço de todos os envolvidos, que trabalharam para aprimorar a proposta legislativa, a APqC encaminhou uma carta de agradecimento aos representantes do governo Marcos Penido (Secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente) e Eduardo Trani (Subsecretário de Infraestrutura e Meio Ambiente), bem como aos parlamentares que compreenderam a importância da causa defendida pelos pesquisadores, entre eles Beth Sahão (PT), Janaína Pascoal (PSL), Carla Morando (PSDB), Carlos Pignatari (PSDB), Gil Diniz (PSL), Carlos Giannazi (PSOL), Tenente Coimbra (PSL), Ricardo Mellão (Partido Novo), Marcia Lia (PT) e Teonílio Barba (PT), além de Luiz Mauro Barbosa (Diretor do IBot).

“Nós estamos felizes com as mudanças e mais ainda com a SIMA” disse a Dra. Cleusa, se referindo às declarações do Subsecretário, Eduardo Trani, que assegurou que tudo que diz respeito ao Instituto de Botânica, produção intelectual, acadêmica, educação ambiental, coleções, serão absolutamente preservados, inclusive sua autonomia administrativa em relação aos prédios e edifícios, sendo que todas essas garantias estarão pormenorizadas no edital, que será elaborado com a participação da APqC e dos pesquisadores.

A APqC disse também que já está agendada nova reunião com o Secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido, e com o subsecretário, Eduardo Trani, no próximo dia 19 de agosto, momento em que entregará em mãos o ofício de agradecimento com registro fotográfico, bem como abordará sobre a possibilidade de criação do Grupo de Trabalho a ser formado com representantes do Executivo, APqC e pesquisadores no Instituto de Botânica e Fundação Parque Zoológico na elaboração do edital.

Pesquisa revela que abelhas jataí se tornam mais lentas e voam menos sob a ação de agrotóxicos

Depois de uma intensa mortandade de abelhas no início dos anos 2000, causada possivelmente pelo uso excessivo de inseticida no campo, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) convidou os biólogos Osmar Malaspina, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Rio Claro, e Roberta Nocelli, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), para aprofundar os estudos sobre a situação das abelhas no Brasil. Em 2017, o governo aprovou uma lei estabelecendo que os agrotóxicos a serem comercializados no Brasil devem passar por testes de avaliação de risco em abelhas Apis mellifera, espécie adotada internacionalmente nos testes dessa natureza, por viver em quase todo o mundo. No entanto, a mortalidade continuou. De dezembro de 2018 a fevereiro de 2019, o Rio Grande do Sul registrou 400 milhões de Apis mortas, Santa Catarina 50 milhões, Mato Grosso do Sul 45 milhões e São Paulo 5 milhões. Os inseticidas usados para matar pragas das plantações são uma das causas da redução das populações de abelhas no mundo, ao lado da diminuição das áreas de florestas e das mudanças climáticas.

O grupo de trabalho criado pelo Ibama para avaliar o risco de agrotóxicos concluiu que era necessário incluir abelhas sem ferrão que fossem representativas das cerca de 350 espécies exclusivas do Brasil. “Temos de criar metodologias de análise de toxicidade para as abelhas nativas para não fazer apenas testes com Apis antes de lançar um produto novo”, enfatiza Malaspina, coordenador do laboratório de pesquisa sobre ecotoxicologia de abelhas sociais do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro. “Sugerimos que os métodos para avaliação de toxicidade durante o estágio imaturo de abelhas adotados para Apis para avaliação de risco não podem ser aplicados nas abelhas sem ferrão”, reitera a bióloga Annelise Rosa-Fontana, pesquisadora em estágio de pós-doutorado na Unesp em Rio Claro.

Em 2015, em um experimento de seu doutorado na Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, ela colocou doses diferentes de um inseticida bastante usado na agricultura, o tiametoxam, no alimento de larvas de uma espécie de abelha nativa sem ferrão, a canudo (Scaptotrigona depilis). Sobreviveram apenas 40% das larvas tratadas com a dose mais alta de inseticida, enquanto no grupo controle, que não recebeu inseticida, sobreviveram 80%, como detalhado em um artigo publicado em 2016 na revista Apidologie.

Em 2018, ela participou de um estudo na Unesp realizado pela bióloga Adna Dorigo, que avaliou o efeito de dimetoato, usado como referência internacional em testes de toxicidade, na uruçu nordestina (Melipona scutellaris). Nesse trabalho, publicado em março de 2019 na revista científica PLOS One, a concentração letal capaz de matar 50% de uma população de larvas de uruçu foi 320 vezes menor que a de larvas de Apis. Em novos estudos, ainda preliminares, larvas de outra espécie de abelha sem ferrão, a mandaguari (Scaptotrigona postica), morreram com uma concentração letal ainda menor do que a da uruçu.

Mudanças de comportamento
Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), a bióloga Cynthia Jacob reforçou as conclusões sobre os efeitos de defensivos agrícolas em abelhas sem ferrão ao verificar que o tiametoxam e outros três inseticidas do grupo dos neonicotinoides podem causar mudanças de comportamento, como a redução da velocidade de voo e da distância percorrida, de abelhas adultas jataí (Tetragonisca angustula), de acordo com um estudo publicado em fevereiro na revista Chemosphere.

Apis predominam como produtoras de mel e são essenciais como polinizadoras de laranja, soja, canola, algodão, entre outras culturas agrícolas, enquanto as sem ferrão favorecem a frutificação de café, morango, maçã, pêssego, tomate e berinjela. O relatório Polinização, polinizadores e produção de alimentos, organizado pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) e pela Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (Rebipp) e apresentado em fevereiro de 2019, estimou em R$ 43 bilhões os serviços prestados pelos polinizadores no Brasil. De acordo com esse documento, as abelhas realizam 66% dos trabalhos de polinização, ao lado de besouros, borboletas, mariposas, aves e morcegos.

As abelhas sem ferrão – na verdade, com ferrão atrofiado – voam em praticamente toda a América Central e do Sul, África, Sudeste Asiático e norte da Austrália. “Elas vivem em matas próximas às plantações, como Apis, são menos numerosas e visíveis, percorrem áreas menores, porém entram em cultivos agrícolas”, diz Malaspina. Diante do risco de redução contínua das populações de abelhas, ele argumenta: “Como os agrotóxicos ainda são indispensáveis para manter o tamanho da safra agrícola, os fabricantes de defensivos e os produtores rurais deveriam investir mais em agroquímicos menos tóxicos ou em produtos biológicos mais seletivos”.

“Se usados adequadamente, por meio de aplicações aéreas com empresas certificadas, os defensivos agrícolas não causam impacto sobre as abelhas”, diz a advogada Renata Camargo, coordenadora de sustentabilidade da União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Unica), que representa 120 usinas produtoras de açúcar e álcool. Em junho de 2017, a Unica e a Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana) assinaram um acordo com órgãos do governo paulista, o Protocolo Etanol Mais Verde, para, entre outros objetivos, promover as boas práticas no uso de agrotóxicos e a proteção da vegetação nativa (Fonte: Revista Fapesp).

Veja o vídeo produzido pela Fapesp sobre o tema.

Pesquisadores apresentam seus trabalhos à população na Marcha pela Ciência

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Marcada por protestos contra os cortes nas áreas de Ciência e Educação, promovidos pelo governo Bolsonaro, a Marcha pela Ciência, organizada por professores e pesquisadores vinculados às universidades públicas e aos institutos de pesquisa, aconteceu ontem, na Avenida Paulista, em São Paulo, e reuniu cerca de 150 profissionais. Entre outras pautas, os manifestantes pediram o fim dos cortes – entre eles o corte de 42% no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) – e o cancelamento da concessão da área do Jardim Botânico à iniciativa privada.

No entanto, para a pesquisadora científica Roseli Torres, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), mais importante do que a marcha foi “a aproximação dos cientistas com a população por meio das exposições dos nossos trabalhos”. Ela se refere à Feira de Ciência, montada próxima ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), que contou com dezenas de tendas onde foram expostos trabalhos e experimentos resultantes de pesquisas desenvolvidas nos institutos. Segundo a organização do evento, milhares de pessoas passaram pelo local para falar com os pesquisadores e ter acesso ao que tem sido feito por eles com o investimento público.

Participaram da Feira de Ciência o Instituto Butantan, o Instituto Florestal, o Instituto Botânico, o Instituto de Pesca, o Instituto Pasteur, o Instituto Biológico, o Instituto Agronômico e a Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN). Segundo Cleusa Lucon, presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), a atividade foi “muito positiva”, na medida em que “cumpriu seu objetivo de informar as pessoas sobre a importância da pesquisa científica, além de mostrar à sociedade nosso repúdio em relação aos ataques e cortes que nosso trabalho vem sofrendo”, disse.

Além da APqC, participaram do ato as entidades Cientistas Engajados; Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC; Academia de Ciências do Estado de São Paulo – ACIESP; Associação Nacional de Pós Graduandos – ANPG; Instituto Questão de Ciência – IQc; Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo – ADUSP; Associação dos Docentes da Unicamp – ADunicamp; e Associação dos Docentes da UNESP – ADUNESP.

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Informe sobre a anuidade de 2019

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Prezado Associado,

Agradecemos aos associados que já baixaram o boleto da anuidade de 2019 e até mesmo que já pagaram a anuidade deste ano. Contudo, cerca de 75% dos associados ainda não baixaram o boleto. A anuidade de 2019 de nossa Associação vencerá em 10/07/2019 e o valor é de R$250,00. Conforme aprovado na Assembleia do último dia 12 de março, a partir do dia 11/07 a anuidade de 2019 passará para R$275,00.

Pague a sua anuidade em dia. O boleto com o valor de sua anuidade está disponível na área de sócio do site da APqC, no link http://www.apqc.org.br/Socios/index.asp.

Diferentemente do que ocorreu nos anos anteriores, todos os boletos precisarão ser registrados em 2019. Esta é uma exigência do Banco Central. Para nossos associados essa mudança significa que não será possível gerar o boleto e pagar no mesmo dia. Para o registro do boleto é necessário 1 dia útil de prazo entre o download e o pagamento. Exemplificando: para pagar o boleto no dia do vencimento (10/07/2019), o associado terá de gerar o boleto até às 17:00h do dia 09/07/2019. Boletos gerados a partir das 17:01h do dia 09/07/2019 só poderão ser pagos após às 17:00h do dia 10/07/2019, até às 23:59h deste dia para pagar dentro do vencimento o valor de R$250,00.

Para outros esclarecimentos, por favor, encaminhe uma mensagem para a srta. Domênica, no e-mail secretaria.apqc@gmail.com. Ou entre em contato pelo número (19) 2514-1431 (Fixo) ou (19)9-97519371 (WhatsApp)

Estamos à disposição para esclarecer eventuais dúvidas.

 

Att.,

Tivelli

Tesoureiro da APqC

Biênio 2018-2019

Marcha Pela Ciência acontece domingo com várias atividades na Avenida Paulista

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No próximo domingo (07/07), com concentração a partir das 16h no vão do MASP, em São Paulo, cientistas e professores das universidades públicas e dos institutos de pesquisa estarão reunidos para participar da Marcha Pela Ciência, que percorrerá a Avenida Paulista para chamar a atenção da população para a importância da pesquisa científica e protestar contra os ataques e cortes que a mesma vem sofrendo no Brasil.

Além da caminhada em si, uma série de atividades acontecerá no local. Mais cedo, das 10h às 17h, na altura do número 393 da Avenida Paulista, pesquisadores poderão apresentar seus trabalhos e experimentos para o público presente na Feira de Ciências. Os pesquisadores interessados terão barracas montadas como suporte para as apresentações, mas deverão se inscrever neste link (clique aqui).

Das 14h às 17h, no mesmo local, haverá exposição de banners científicos utilizados em congressos, simpósios, defesas de tese e outros eventos da área de pesquisa. A ideia é mostrar à população a produção científica gerada pelas universidades e institutos públicos. Os interessados podem inscrever seu banner no link a seguir (clique aqui).

Na sequência leia o manifesto assinado pelas entidades Cientistas Engajados; Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC; Academia de Ciências do Estado de São Paulo – ACIESP; Associação Nacional de Pós Graduandos – ANPG; Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo – APQC; Instituto Questão de Ciência – IQc; Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo – ADUSP; Associação dos Docentes da Unicamp – ADunicamp; e Associação dos Docentes da UNESP – ADUNESP. Não deixe de fazer a sua inscrição na Marcha Pela Ciência (clique aqui).

CARTA-CONVITE

A produção de conhecimento e a formação de profissionais qualificados é fundamental para sairmos da crise. Ainda assim, o governo federal congelou o repasse para as universidades, bolsas de pós graduação e projetos de pesquisa. Depois das grandiosas manifestações contra os cortes, em um acordo na Comissão de Orçamento, a oposição no Congresso Nacional conseguiu garantir R$ 1,3 bi para o Ministério da Educação, sendo 330 milhões destinados especificamente para bolsas de pesquisa. Mas continuamos com 42% dos recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações contingenciados, assim como a maior parte do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

No Estado de São Paulo, a queda na arrecadação reduziu o recurso disponível para a FAPESP, para as Universidades Estaduais e Institutos de Pesquisa.

O governo estadual, ao invés de ampliar o investimento em pesquisa, enviou e conseguiu aprovar na Assembleia Legislativa o Projeto de Lei de concessão do Jardim Botânico – área fundamental para a pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Botânica. Além disso, pretende unificar os institutos de Pesca e o da Aquicultura e transferir o Hospital Vital Brasil, referência internacional no atendimento a pacientes picados por animais peçonhentos, do Instituto Butantã para o Hospital Emílio Ribas.

Defender as instituições de pesquisa é defender o desenvolvimento do Estado de São Paulo.

Pesquisador do Instituto Florestal registra espécie rara de ave

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Na manhã do último dia 14 de junho, o pesquisador científico do Instituto Florestal (IF) Helder Faria fotografou no Parque Estadual Morro do Diabo (PEMD) uma ave rara: o rei-do-bosque. O registro foi obtido em uma área em estágio avançado de regeneração do Parque localizado no município de Teodoro Sampaio/SP.

“Como não enxergo muito bem, e pela distância, fiz o registro acreditando ser um bem-te-vi, pelo tom amarelado. Quando cheguei em casa, analisei a fotografia e consultei os livros de ornitologia. Fiquei extremamente surpreso”, revela Helder.

Doutor em geografia, o pesquisador é membro da equipe do projeto “Avifauna do PEMD, fragmentos lindeiros e área urbana de Teodoro Sampaio – SP como indicadora da qualidade ambiental do município”, em desenvolvimento desde fevereiro de 2018 na Unidade de Conservação.

O rei-do-bosque é uma ave de pequeno porte, apresentando em média 20 cm de comprimento. Por se tratar de uma espécie rara, este registro é muito importante para a ciência e a compreensão da distribuição da espécie e suas rotas migratórias.

A espécie distribui-se principalmente ao longo da cordilheira dos Andes (Argentina, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela) e habita paisagens áridas e semiabertas com árvores esparsas e matas secas, bem como florestas tropicais e subtropicais úmidas de montanha e campos arbustivos de altitude. Os primeiros registros desta ave em território brasileiro foram publicados em 1870 a partir de espécimes coletados por Johann Natterer no Mato Grosso em 1828. Sua distribuição no Brasil ocorre no sudoeste do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, sendo uma espécie de ocorrência ocasional. Em São Paulo, de acordo com o site Wikiaves, existe um registro na cidade de Botucatu, de 2018.

“A foto foi tirada em uma área de Floresta Estacional Semidecidual nos domínios da Mata Atlântica de Interior. Por isto o registro é tao importante”, explica a pesquisadora científica do IF Andréa Pires Soares.

O ornitólogo Carlos Gussoni, doutor em zoologia pela Unesp e moderador voluntário da plataforma online eBird, em troca de mensagens com os pesquisadores do projeto ressaltou a importância do registro da espécie para o estado de São Paulo.

Com informações da assessoria de imprensa do IF. 

*Foto da matéria é ilustrativa e similar. Não se trata da imagem registrada pelo pesquisador.

Especialistas da Unicamp escrevem sobre impactos da reforma da previdência na vida de professores e pesquisadores

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Docentes da Unicamp, de diferentes áreas e que se dedicam ao estudo das importantes questões sociais do país, publicaram uma série de textos no Boletim ADunicamp que tratam dos impactos que serão provocados na sociedade caso a proposta do atual governo para a Reforma da Previdência, hoje em discussão no Congresso Nacional, seja aprovada. O conjunto dos textos oferece uma visão ampla e aprofundada dos reais objetivos da proposta de reforma e de seus efeitos nos mais diversos segmentos sociais, em especial na vida dos professores e pesquisadores. Vale a leitura.

Para acessar o boletim na íntegra, clique aqui.

Sistema de mudas pré-brotadas desenvolvido pelo IAC conquista marca registrada

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O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) obteve marca registrada do Sistema de Mudas Pré-Brotadas, desenvolvido há dez anos e transferido a canavicultores de diversas regiões do Brasil, com acompanhamento técnico em todo o processo. A marca registrada foi obtida junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que publicou o deferimento da marca MPB Cana IAC, na Revista da Propriedade Industrial (RPI), nº 2521, de 30/04/2019.

“O momento é importante para o IAC, que fez o registro da marca de um produto do Instituto que traz uma mudança conceitual na forma de plantar cana e chamou a atenção do setor sucroenergético para questões que não estavam sendo bem observadas”, avalia o pesquisador do IAC e coordenador do projeto de MPB, Mauro Alexandre Xavier.

Segundo o pesquisador, há diversos segmentos desenvolvendo produtos para o sistema MPB ou similares, o que reforça a importância de o IAC ter a marca registrada. “Essa conquista valoriza o IAC e a equipe envolvida com esse sistema”, diz o pesquisador do IAC, vinculado à APTA.

Cerca de 700 profissionais já foram treinados pelo IAC nesse sistema pioneiro de produção. “O sistema passou a ser prática rotineira na canavivultura”, afirma. A qualificação da produção tem contribuído para alçar alguns produtores a viveiristas de mudas credenciados pelo Ministério de Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA). Segundo Xavier, esse nível de profissionalização é uma conquista da equipe responsável pelo trabalho e dos produtores envolvidos.

Uma muda pré-brotada é um produto com valor agregado, que transfere ao setor produtivo um sistema de multiplicação acelerado e as variedades de cana IAC, com a garantia de suas características genéticas, vigor e padrão fitossanitário. “Há a transferência de um produto de tecnologia agregada, ou seja, modernas variedades na forma de MPB”, resume.

O pesquisador considera que, além da transferência da tecnologia e da inovação que caracterizam esse trabalho, a interatividade é bastante forte nessa ação. “Trazemos o agricultor para dentro da instituição de pesquisa e nós, pesquisadores, vamos para dentro da propriedade agrícola, onde de fato as coisas acontecem”, explica.

Fonte: Assessoria de imprensa do IAC

Parceria entre IAC e Natura resulta em perfumes inéditos no mundo

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Entrar na mata e sair com perfumes. Entre um ato e outro, 12 anos de pesquisas. Esta é a história entre o Instituto Agronômico (IAC) e a Natura, maior multinacional brasileira de cosméticos. Uma imersão na biota na Mata Atlântica realizada pela equipe do IAC juntamente com a Natura, iniciada em 2006, buscava espécies nativas com potencial aromático nesta que é uma das regiões mais ricas da biodiversidade. Desse robusto projeto, que atuou na vocação brasileira de uso da biodiversidade com conservação ambiental, nasceram os perfumes “Química do Humor” e Urbano Noite, lançados pela Natura em 2019 e 2018, respectivamente. Essas fragrâncias, inéditas na perfumaria mundial, trazem pela primeira vez o óleo essencial de Piper, uma pimenta da Mata Atlântica.

No perfume #urbano, a abordagem é de uma marca jovem da Natura com uma fragrância marcada por notas vibrantes, modernas e aromáticas com a pimenta trazendo um toque de ousadia e personalidade única. Já no perfume Química do Humor, uma marca descontraída também voltada ao público mais jovem, o ingrediente entra para trazer contraste e agregar uma experiência surpreendente ao lado das notas de romã, fruta explosiva e afrodisíaca, de acordo com o Time de Ingredientes da Natura.

Das primeiras prospecções, realizadas ainda nas reservas existentes nas áreas do IAC e nos polos regionais da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), presentes em municípios paulistas, até a etapa em que os óleos essenciais foram transformados em produto, vários estudos foram conduzidos.

Sob a liderança de Márcia Ortiz Mayo Marques, pesquisadora do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o estudo foi conduzido de modo a auxiliar às indústrias de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, que buscam tecnologias sustentáveis para o manejo adequado da flora aromática nacional. Segundo Márcia, é necessário conhecer as espécies de plantas e seus potenciais, além de saber cultivá-las. Nesse cenário, a Natura encontrou no IAC o conhecimento e a experiência.

A espécie que deu origem aos perfumes recém-lançados é cultivada. Segundo a pesquisadora, após o estudo desenvolvido com financiamento da Natura, foi transferida para a empresa a tecnologia de cultivo. “Apesar de a espécie utilizada ser abundante, fizemos o cultivo justamente para preservá-la”, diz Márcia. Nas pesquisas também foram descobertas outras espécies promissoras, todas repassadas à Natura, e o projeto em parceria foi concluído.

Para a Natura, essa parceria é considerada muito relevante e referência de sucesso. “Unimos competências complementares e esforços para disponibilizarmos ingredientes que são globalmente inovadores e aplicáveis à nossa principal categoria de produtos”, afirma o Time de Ingredientes.

Em 2014, o IAC esteve entre os premiados pela empresa, a maior fabricante brasileira de cosméticos, no Programa Qlicar, na categoria iQlicar – Desenvolvimento de Tecnologia. O reconhecimento foi feito pela bioprospecção de ingredientes. “Em 2010, também já havíamos recebido outro prêmio pela pesquisa, o que mostra o reconhecimento desse estudo que resultou em um produto nacional”, diz a pesquisadora do IAC, que continua estudando plantas nativas do Cerrado.

O início em 2006

As pesquisas do Instituto Agronômico sobre espécies nativas ganharam reforço em 2006, quando o IAC conquistou recursos para pesquisas sobre biodiversidade dentro do primeiro edital da Natura em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP), no programa Parceria para Inovação Tecnológica (Pite). “A parceria permitiu que os estudos que se iniciaram nas matas preservadas no IAC dessem origem a um resultado inédito na perfumaria mundial”, diz Márcia.

De acordo com a pesquisadora, a parceria entre IAC e Natura permitiu o estudo da biodiversidade dessas regiões em busca de novos óleos essenciais. Estas pesquisas incluíram análises químicas, olfativas, genéticas, taxonômicas e a fisiologia das plantas, além da propagação das espécies selecionadas com potencial olfativo — todas nativas da Mata Atlântica.

A equipe objetivou descobrir se, além dos fatores genéticos, os ambientais também influenciam a composição química dos óleos essenciais. As análises mostraram que os óleos essenciais se diferem de acordo com os lugares onde ocorre a planta.

Segundo a pesquisadora, as informações resultantes da pesquisa viabilizam o uso sustentável das espécies, sua domesticação e cultivo, eliminando o impacto do extrativismo predatório. “A exploração comercial desses recursos genéticos deve levar em conta, além do fornecimento contínuo dos óleos essenciais, a fundamental conservação dos ecossistemas”, diz Márcia.

Sem conhecimento científico, podem ser perdidas oportunidades da adoção sustentável da riqueza natural brasileira, composta por mais de 55 mil espécies catalogadas, de um total estimado entre 350 mil a 550 mil. “Temos no Brasil a maior diversidade vegetal do mundo, com possibilidades de fontes de corantes, óleos vegetais, gorduras, fitoterápicos, antioxidantes e óleos essenciais para os setores de produção”, diz a pesquisadora.

Este é um exemplo de parceria em que a empresa e o instituto de pesquisa colaboraram em projeto de longo prazo para o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos capazes de gerar impacto positivo por meio de renda e qualidade de vida, ao mesmo tempo, promovendo a conservação do patrimônio genético seguindo rigorosos padrões de sustentabilidade e segurança para uso e consumo humano.

Segundo o Time de Ingredientes da Natura, a empresa acredita que uma das maneiras de alavancar o desenvolvimento do país é o investimento em ciência e tecnologia. “As empresas, em suas essências, necessitam de inovação para se diferenciarem em seus mercados de atuação e assim, demandam muita inovação e são capazes de absorver o conhecimento e tecnologia gerados nas instituições de pesquisa. Partindo deste contexto, as empresas são corresponsáveis com o desenvolvimento do país e deveriam cada vez mais financiar e apoiar pesquisas aplicadas no país”, afirma o Time de Ingredientes da Natura.

IAC completa 132 anos com celebração de conquistas

 

 

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Comemorar o aniversário com a celebração das conquistas. Assim será a festa dos 132 anos do Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA). Entre as recentes pesquisas de impacto do instituto está um método inédito capaz de avaliar os resíduos de  produtos químicos nas vestimentas dos trabalhadores rurais, a resistência dos tecidos às lavagens e até a possível contaminação do solo, em caso de chuva ou de degradação do Equipamento de Proteção Individual (EPI). Outra é uma parceria entre o IAC e a Natura  que resultou em um perfume inédito no mundo, a partir da imersão na biota na Mata Atlântica, realizada pela equipe do IAC em busca de espécies nativas com potencial aromático. Destaque também para os oito cultivares de várias espécies, incluindo milho, batata, cana-de-açúcar, sorgo e citros, registradas no último ano. A cerimônia de comemoração será realizada hoje (27 de junho de 2019), a partir das 10h, na fazenda Santa Elisa do IAC, em Campinas.

“O impacto dos resultados do IAC na agricultura é absolutamente grande, é imensurável e pode ser crescente”, diz o diretor-geral do IAC, Marcos Antonio Machado. Para ele, tão importante quanto desenvolver as tecnologias é transferi-las ao agricultor. “Ele é o usuário final da tecnologia e a reverte em alimentos para a sociedade”, afirma.

Outro aspecto forte do IAC ressaltado pelo diretor é a credibilidade junto aos agricultores e à indústria de agrotransformação em São Paulo e no Brasil. Segundo Machado, o IAC é reconhecido como instituto tradicional e dedicado ao desenvolvimento do setor agrícola. “Essa credibilidade se mantém ao longo de 132 anos. Não é qualquer coisa. 132 anos é uma data expressiva e diz que temos que olhar para o futuro agora e ver como nós repetiremos esses 132 anos”.

Nesse período, relata o diretor, o IAC participa do desenvolvimento da agricultura brasileira com a produção de novas cultivares em todas as áreas da agricultura. “Por isso se constitui em um dos principais centros de pesquisa”, avalia.

Ao olhar para parte dos resultados gerados pelo Instituto, como as 1083 cultivares desenvolvidas de 100 espécies, o diretor considera que o impacto da produção desses pacotes tecnológicos reflete na produção de alimentos na medida em que essas inovações proporcionam novos plantios, maior produtividade e redução de custo de produção. “O problema da fome no Brasil não existe na proporção de décadas atrás graças à tecnologia desenvolvida para o setor agro, que é o mais dinâmico do Brasil. Isso tem a participação de tecnologias geradas pelo IAC e demais institutos da Secretaria de Agricultura, além de outras instituições de pesquisa do Brasil”, avalia.

O diretor também ressalta a competitividade da equipe do IAC na obtenção de recursos junto às agências de fomento à pesquisa em níveis estadual e federal. Segundo Machado, pesquisador da área de citros do Instituto, a continuidade dos programas de pesquisa e desenvolvimento depende desses suportes. “Esse apoio não é dado de graça, ele é concedido diante da competitividade, da produtividade e da eficiência do pesquisador. De outra forma, é muito difícil se inserir no sistema brasileiro de ciência e tecnologia”, diz.

De olhos no futuro, Machado considera que é necessário pensar em qual será a próxima agricultura e incorporar as ferramentas que ligadas à agricultura de precisão, internet das coisas, produtividade e conservação ambiental. “Temos que nos debruçar sobre essas preocupações para atender às demandas do mundo atual”, planeja.

Prêmio IAC 2019

Em cada aniversário, o IAC homenageia um pesquisador científico e um funcionário de apoio por suas contribuições à pesquisa. Neste ano, serão agraciados com o Prêmio IAC 2019 o pesquisador Eduardo Sawazaki, responsável pelo desenvolvimento de cultivares de milho e sorgo. O funcionário que será premiado é Carlos Aparecido Fernandes, que atua na área de grãos e fibras do IAC, há 28 anos. O Prêmio IAC também será entregue ao produtor rural Esdras Pinto Vilhena.

Este ano também será feita uma homenagem especial a dois servidores pelo tempo de dedicação ao IAC — Iolanda Lurdes da Silva Sousa e José Aparecido Nogueira estão no Instituto há 57 anos.

Entre hoje e amanhã, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) publicará, neste site, uma série de reportagens sobre as principais pesquisas recentes realizadas pelo IAC.

Com informações da Assessoria do IAC

Concessão do Ibirapuera precisa ser repensada

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Por Nabil Bonduki e Raquel Rolnik

É indiscutível a necessidade de inovar a gestão dos parques da cidade de São Paulo. No entanto, a forma como a prefeitura vem promovendo a concessão dos parques e, especialmente no caso do Parque Ibirapuera, é contrária ao interesse público e precisa ser revertida. A licitação da concessão do Ibirapuera ao setor privado foi realizada antes de se definir, em processo participativo, o futuro do parque, em uma evidente inversão de procedimento. A vencedora apresentou proposta de R$ 70 milhões para receber um parque localizado na área mais valorizada da cidade e explorá-lo por 35 anos, sem que as formas de uso, restauro e expansão das atuais atividades tenham sido sequer arroladas.

Durante uma geração, o Ibirapuera estará privatizado, isto é, sua forma de uso subordinada aos cálculos de rentabilidade dos concessionários. Graças à interveniência do Ministério Público do Meio Ambiente, a assinatura do contrato foi condicionada à elaboração, pela prefeitura, de um Plano Diretor para o parque. A improvisada proposta apresentada para consulta pública não é um Plano Diretor, como bem contestou o Conselho Gestor do Ibirapuera. Limita-se a um compêndio dos setores, áreas e edificações, com diretrizes genéricas, que não define o que será feito. Ademais, seu horizonte temporal, de cinco anos, não guarda relação com o período da concessão.

Nova interferência do Ministério Público exigiu que a prefeitura (que quer acelerar a concessão) realize um verdadeiro Plano Diretor. É fundamental que a nova versão considere, além dos aspectos ambientais, a dimensão cultural do Ibirapuera e os projetos que estavam em curso nesse setor, preocupações que não parecem compartilhadas pela prefeitura e sua Secretaria Municipal de Cultura (SMC). Projetado por Oscar Niemeyer para o Quarto Centenário (1954), o Parque do Ibirapuera abriga o mais importante conjunto cultural do país. Ele inclui, além da Bienal, do MAM (Museu de Arte Moderna), do MAC (Museu de Arte Contemporânea) e do Museu Afro-Brasileiro, todos administrados por instituições culturais sem fins lucrativos, também o Pavilhão das Culturas Brasileiras, a Oca, o Auditório Ibirapuera, o Planetário e a Escola de Astronomia, sob gestão municipal, e incluídos na concessão sem o cuidado de garantir integralmente suas funções culturais e educacionais.

Também não está prevista na concessão a praça de articulação do setor cultural, entre a Oca, o Auditório e a entrada da marquise, cujo projeto reabilita e atualiza o acesso principal no parque, segundo a concepção original de Niemeyer. A proposta foi desenhada em 2015, a pedido da Secretaria de Cultura, pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha. Além disso, a reforma do Pavilhão das Culturas Brasileiras que está em andamento com o apoio da Lei Rouanet, tendo obtido patrocínio do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), condicionou a sua destinação exclusiva e integral para atividades culturais. Isso foi desconsiderado na concessão e, se nada for feito, o BNDES deverá interromper o patrocínio.

Já o Auditório, gerido pelo Instituto Itaú Cultural, recebe cerca de R$ 18 milhões ao ano para manutenção do edifício e mantém uma programação cultural de qualidade, além de uma escola de música com finalidade social. Apesar disso, ele foi incluído na concessão a partir de 2020, quando vence o contrato, que vem sendo renovado há quase uma década, por diferentes gestões da Secretaria de Cultura.

O Plano Diretor deve definir o futuro do parque em todas suas dimensões, em determinado prazo. A proposta deve incluir um modelo de governança que garanta o que queremos para o parque, ao mesmo tempo em que gera recursos para sua manutenção. Obviamente, uma licitação realizada antes deste plano fica invalidada e deveria ser cancelada. A melhor forma de gestão para um parque como o Ibirapuera não é uma concessão de “porteira fechada” para uma única empresa, mas uma parceria público-comunitária, com a participação da sociedade civil. Atividades lucrativas específicas compatíveis com o interesse público podem ser concedidas a empresas, por prazo regulados, e em consonância com a dimensão do investimento.

É fundamental garantir o futuro da mais importante área verde e cultural da cidade.

*Publicado originalmente na página do UOL (clique aqui).

 

 

INFORME SOBRE A ANUIDADE DE 2019

Prezado Associado,

 

A anuidade de 2019 de nossa Associação, cujo valor é de R$ 250,00, vencerá em 10/07/2019. Conforme aprovado na Assembleia do último dia 12 de março, a partir do dia 11/07 a anuidade de 2019 passará para R$ 275,00.

Por favor, mantenha sua anuidade em dia. O boleto com o valor de sua anuidade está disponível na área de sócio do site da APqC.

Diferentemente dos anos anteriores, todos os boletos precisarão ser registrados em 2019, segundo uma exigência do Banco Central. Portanto, para nossos associados, essa mudança significa que não será possível gerar o boleto e pagar no mesmo dia. Para o registro do boleto é necessário 1 dia útil de prazo entre o download e o pagamento.

Atenção: para pagar o boleto no dia do vencimento (10/07/2019), o associado terá de gerar o boleto até às 17:00 h do dia 09/07/2019. Boletos gerados a partir das 17:01 h do dia 09/07/2019 só poderão ser pagos após às 17:00 h do dia 10/07/2019, até às 23:59 h deste dia, para pagar dentro do vencimento o valor de R$250,00.

 

Para mais esclarecimentos, por favor, encaminhe uma mensagem para a srta. Domênica, no email secretaria.apqc@gmail.com.

 

Estamos à disposição para esclarecer eventuais dúvidas.

Atenciosamente,

Tivelli

Tesoureiro da APqC

Biênio 2018-2019

Miguel Nicolelis debate destruição da soberania e da ciência no Brasil

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Neurocientista mundialmente reconhecido, Miguel Nicolelis visita o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo, na próxima terça-feira (25). Em debate, a destruição da soberania nacional e do futuro dos brasileiros. A atividade ocorre no auditório da entidade, situado na Rua Rego Freitas, 454, sala 83, próximo ao metrô República. Nicolelis contará com a companhia de Flávia Calé, presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).

Professor titular da Duke University (EUA), Nicolelis foi considerado um dos 20 maiores cientistas em sua área pela revista Scientific American e pela revista Época. Também foi o primeiro cientista a receber dois prêmios dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) no mesmo ano, além de ser o primeiro brasileiro a ter um artigo de capa na revista Science. Na Duke University, atua como pesquisador do Instituto Internacional de Neurociências Edmond & Lilly Safra (IIN-ELS). Nicolelis lidera o consagrado projeto Walk Again – “Andar de novo”.

Apesar do eixo “Ciência e Tecnologia”, o bate-papo com Nicolelis e Calé deve abranger não somente os ataques ao setor, mas também ao desmonte institucional, a destruição e o entreguismo praticados pelo governo Bolsonaro. A entrada é livre, bastando preencher o formulário através deste link: clique aqui.

Para quem não puder comparecer, haverá transmissão online na página do Barão de Itararé (clique aqui).

Com informações da assessoria de imprensa do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Técnica recomendada pelo IAC pode aumentar produtividade de citros em 50%

LARANJA

Pomares com alta densidade podem atingir aumento de 50% na produtividade, ainda que o rendimento por planta diminua. Com esse rendimento, a técnica do adensamento se torna muito importante para o setor citrícola enfrentar os problemas atuais e manter a sustentabilidade do setor. A técnica do plantio adensado e as variedades de citros foram abordadas na palestra de Fernando Alves de Azevedo, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), durante a 41ª Semana da Citricultura. A apresentação ocorreu em 4 de junho de 2019, em Cordeirópolis, interior paulista.

Segundo Azevedo, na redução do espaçamento entre as plantas tem-se melhor aproveitamento da área do pomar, possibilitando aumento notável da produtividade, sem prejuízos à qualidade dos frutos. “Para isso, é necessário um planejamento adequado que considere aspectos como combinações de copas e porta-enxertos, uso de irrigação e um nível técnico alto no sistema de produção”, diz o pesquisador.

Azevedo destaca a importância dos porta-enxertos ananicantes como um fator inerente ao aumento da densidade de plantas. “O porta-enxerto trifoliate Flying Dragon e os citrandarins, por exemplo, estão sendo usados em plantações de alta densidade”, afirma.

O pesquisador do IAC relata que o Brasil ocupa posição de destaque entre os citricultores do mundo, mas encara desafios para manter a produtividade. Além disso, os problemas fitossanitários alarmam a indústria, questionando sua sustentabilidade. “Mesmo diante de adversidades, no entanto, a indústria cítrica brasileira é muito dinâmica e continua a sofrer mudanças nos padrões tecnológicos, incluindo a densidade de plantio”, afirma Azevedo.

Outro aspecto da citricultura abordado foi o interesse de produtores brasileiros por novas variedades de limão. Essa demanda vem sendo impulsionada pela produção de óleos essenciais, que possui alto valor agregado. O tema foi tratado pelo doutorando do IAC, Rodrigo do Vale Ferreira.

A produção mundial de limão é destinada basicamente para o mercado de frutas frescas, preparo de bebidas, uso culinário, produção de suco concentrado, indústria de refrigerantes e alimentos e extração de óleos essenciais e pectina. O doutorando explica que as variedades cultivadas mundialmente provêm de três linhagens: Eureka, Lisboa e Femminello, sendo que as variedades Eureka, Lisboa, Femminello, Genova, Interdonato, Verna, Fino, Villafranca estão entre as mais cultivadas. “No Brasil, basicamente cultivam-se seleções do tipo Eureka, incluindo a variedade Siciliano IAC 262”, diz Ferreira.

Embora as pesquisas tenham mostrado que variedades da linhagem Eureka apresentam incompatibilidade com trifoliatas, esses porta-enxertos vêm sendo utilizados para as demais linhagens. Em geral, além dos trifoliatas, são utilizados laranja Azeda, limão Cravo, tangerina Cleópatra e citranges.

O doutorando também abordou a pesquisa com a variedade Eureka km 47, estudos conduzidos pelo pesquisador do IAC, José Orlando de Figueiredo, que mostraram que Citrus pennivesiculata e tangerina Cleópatra apresentaram bom desempenho produtivo nas condições de Araraquara, no interior de São Paulo. Ferreira também discutiu sobre as variedades promissoras do Banco Ativo de Germoplasma (BAG Citros IAC).

Com informações da assessoria do IAC.

APqC debate futuro do Instituto de Botânica após privatização do Parque Estadual Fontes do Ipiranga

 

O Parque Estadual Fontes do Ipiranga agora pertence à área de concessão, para a exploração do Zoológico de São Paulo, do Zoo Safári e do Jardim Botânico. O Projeto de Lei 183/2019 foi aprovado pelos deputados da Alesp na terça-feira (11/6). Ao longo da reunião da Frente Parlamentar em Defesa das Instituições de Pesquisa e Extensão realizada nesta quarta-feira (12/6), no auditório Teotônio Vilela, o assunto entrou em pauta e se tornou um dos focos do debate.

Pesquisadora científica do Instituto Butantã, Patricia Clissa deu destaque às maiores preocupações dos envolvidos com o Hospital Vital Brasil, que ainda corre o risco de ser fechado. “São mais de 2200 pacientes atendidos por mês lá, apenas por picadas de animais peçonhentos e reações alérgicas. Os médicos já sabem qual o animal que picou, qual o soro que terão de aplicar, apenas de olhar a picada, se foi animal ou se é reação alérgica. O corpo clínico do hospital é muito especializado. O mais grave é essa decisão ter sido tomada sem uma conversa com o corpo clínico”.

Dra. Helena Goldman, advogada da Associação dos Pesquisadores Científicos (APqC) do Estado de São Paulo, ressaltou que, apesar de ser uma medida indesejada, houve conquistas e avanços sobre a redação original da proposta. “O Instituto de Botânica está na área de concessão, e nosso pleito principal é a retirada dele dessa área. Não conseguimos isso, mas tivemos grandes avanços. O dinheiro da outorga vai retornar para o Instituto de Botânica, por exemplo, e o Instituto vai conseguir reverter isso para pesquisas científicas; outro ponto importante é como as pesquisas serão geridas dentro de uma área que pertence agora à concessionária”. Para a advogada, será possível continuar com as atividades de pesquisa, pós-graduação, mestrado e doutorado. “Além disso, a concessionária que assumir terá de manter o nível de excelência que hoje se encontra o Jardim Botânico.”

Já a deputada coordenadora da Frente Parlamentar Beth Sahão (PT), explicou suas expectativas para a próxima reunião. Dentre elas, citou a importância de tratar sobre os limites do serviço privado para com o serviço público: “temos que estudar até que ponto ela trabalha com a questão da moralidade, onde está o espaço público e onde está o espaço privado. Essa divisão muitas vezes é tênue, e pode resultar em parcerias que não são aceitas. O setor privado não pode se apropriar do espaço público, dos recursos públicos, do conhecimento que é gerado na área pública, e utilizar disso para ter seus lucros. Isso precisa ser regularizado, equilibrado para que a sociedade receba esse benefício diante de todos os cuidados possíveis. O setor público não pode trabalhar de graça para o setor privado.”

O próximo encontro ainda não tem data definida.

Fonte original: Site da Alesp.

Alesp autoriza concessão de área do Jardim Botânico à iniciativa privada

JB

Por 64 votos a favor e 13 contra, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) autorizou na noite de ontem (11) a concessão do Parque Estadual Fontes do Ipiranga à iniciativa privada. Com isso, fica liberada a exploração comercial do Zoológico de São Paulo, do Zoo Safári e do Jardim Botânico.

A deputada Beth Sahão, uma das maiores opositoras do Projeto de Lei (PL) 183/2019 dentro da Alesp, lamentou o resultado da votação e disse que os trabalhos da Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão de São Paulo terão sequência, apesar da derrota no plenário. “Temos lado nessa história e seguiremos lutando; junto aos pesquisadores científicos vamos fiscalizar e cobrar o governo. Queremos saber como será o edital da concessão e em que mãos estarão esses importantes patrimônios do povo paulista”, disse.

O vice-presidente da Associação dos Pesquisadores do Estado de São Paulo (APqC), Joaquim Adelino de Azevedo, disse que o resultado era “esperado”, dado o alinhamento da Câmara dos Deputados com o governo; ele assegurou, no entanto, que a APqC não poupará esforços para evitar que o Instituto de Botânica, situado na área a ser concedida, perca sua autonomia administrativa. “As pesquisas são propriedades do Estado e o trabalho dos pesquisadores e técnicos de apoio não pode ser afetado de forma alguma pela privatização”, disse.

Antes do lançamento do edital, porém, a lei precisa ser sancionada pelo governador João Doria, que defende abertamente a concessão e a privatização de bens públicos. Segundo o próprio governo, a empresa vencedora da licitação terá direito à explorar comercialmente atividades de educação ambiental, recreação, lazer, cultura e ecoturismo no local. Como contrapartida, a concessionária ficará responsável pela conservação, manutenção e modernização do espaço pelo período de 35 anos.

Ricardo Harakava fala sobre o papel do Instituto Biológico de São Paulo

No primeiro vídeo da série #pesquisanobr, a pesquisadora Mariana Moura, do Movimento Cientistas Engajados, entrevista o pesquisador Ricardo Harakava, do Instituto Biológico, no dia em que o órgão público recebe a população para participar da data simbólica em que ocorre, anualmente, a colheita do café no Estado de São Paulo, além de comemorar a fundação do instituto. No vídeo, Harakava conta um pouco sobre os trabalhos de pesquisa realizados pelo Instituto Biológico e sua importância para a sociedade. Acompanhem e ajudem a divulgar os nossos cientistas.

Pesquisadores pedem revisão de itens do projeto que prevê a concessão do Jardim Botânico

JB

Pesquisadores do Instituto de Botânica pedem a revisão de itens do projeto de lei que prevê a concessão do Jardim Botânico, do Zoológico e do Zoo Safári, na zona Sul de São Paulo. Os cientistas alegam que o documento original não garante a autonomia do instituto, que faz pesquisas ligadas a quase 20 áreas de biodiversidade vegetal.

O governador João Doria anunciou, em abril, que pretende conceder as três áreas para a iniciativa privada, por 35 anos. O impasse começou porque o prédio do Instituto de Botânica está incluído no território que deve ser concedido. Isso poderia gerar problemas entre pesquisadores e a empresa que vencesse a licitação, segundo a advogada da Associação dos Pesquisadores de São Paulo, Dra. Helena Goldman.

Para tentar construir um projeto que atenda os dois lados, os cientistas apresentaram uma emenda que foi aceita parcialmente e deve ser votada nesta semana na Assembleia Legislativa de São Paulo.

O governo do Estado reformulou um dos itens que deixavam dúvidas sobre a autonomia dos pesquisadores do Instituto de Botânica, mas não retirou o território do projeto de concessão. Assim como a emenda, o projeto de lei precisa de 48 votos dos 94 deputados para ser aprovado na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Clique aqui para ouvir a entrevista que a Dra. Helena Goldman concedeu à Rádio BandNews FM sobre o assunto.

Pesquisador do IAC ministra curso de defesa sanitária vegetal para crianças

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O pesquisador científico e virologista do Centro de P&D Fitossanidade do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Dr. José Alberto Caram de Souza Dias, participou, na última sexta-feira (6 de junho), de mais uma edição do projeto “Plantando Batata com Ciência”, na Escola Municipal Profa. Maria Nazareth Lordello, em Cordeirópolis.

Realizado há 11 anos, o projeto é, segundo a definição do pesquisador, uma “introdução ao ensino da defesa sanitária vegetal a nível fundamental”. O objetivo, em última instância, é “ensinar, formar e estimular jovens cientistas a se interessarem pela agricultura e, em especial, pelo plantio de tubérculos livres de vírus”. Para Caram, a transmissão destes conhecimentos básicos sobre a saúde das plantas e de técnicas aplicadas para crianças de 9 a 11 anos de idade é uma “necessidade diante do pouco saber que se tem sobre o assunto nas escolas”.

Conforme explica o pesquisador, as crianças são “educadas para o futuro”, de modo a evitar a disseminação de pragas na agricultura. “Na palestra digo que a consciência serve para evitar custos com o tratamento de plantas doentes. Muitas vezes, por falta de conhecimento, as pessoas trazem sementes, mudinhas e brotos e plantam em vasos ou no jardim de casa. Quando crescem, vêm os pulgões e se alimentam das plantas, que podem estar com vírus; aí esses pulgões espalham esse vírus nas plantações das fazendas, o que pode prejudicar a produção de alimentos”. Aos alunos da Escola Profa. Maria Nazareth Lordello, Caram fez um alerta para que os jovens aconselhem seus pais a não trazerem mudas, sementes, brotos ou qualquer outro material de propagação vegetal de uma região à outra.

Plantas de batatinha (Solanum tuberosum) foram distribuídas às crianças e o plantio foi feito, com acompanhamento, utilizando a técnica de brotos destacados de tubérculos de batata sadios. Foi feita também a comparação com o plantio de brotos destacados de tubérculos infectados com vírus, para que os alunos pudessem identicar as diferenças, e a apresentação do pulgão que transmite a virose para as plantas sadias. Mais de 1,2 mil estudantes já passaram pelo curso “Plantando Batata com Ciência”.

Protesto contra privatização do Zoológico e do Jardim Botânico acontece amanhã diante da Alesp

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Acontece amanhã (terça), a partir das 14h, o terceiro protesto do Movimento Lute pela Floresta contra a privatização do Zoológico e do Jardim Botânico. O ato se dará em frente à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), na Avenida Pedro Álvares Cabral, 201.

O Movimento Lute pela Floresta, formado por membros da Associação de Moradores e Amigos da Água Funda (AMAAF) e por trabalhadores da região, conta com a adesão e o apoio da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), que conclama aos seus associados que participem desta importante manifestação em defesa não só da floresta no entorno da área a ser privatizada, bem como do Instituto de Botânica, que está inserido nela.

Convite – Reunião Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão

Caras e caros amigos,
Em nome da deputada Beth Sahão, coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão, convido a todas e todos para a próxima reunião da Frente no que acontecerá no dia 12 de junho (quarta-feira), no auditório Teotônio Vilela, às 09h30. 
Segue abaixo a pauta reunião:
– Andamento da CPI das Universidades da Alesp;
 
– Debate sobre a andamento do PL 183/2019 – Concessão do Instituto de Botânica e da Fundação ZOO SP;
 
– Proposta de fusão do Instituto de Pesca com o Instituto de Zootecnia (documento anexo);
 
 
– Definição de pauta para debate com o Presidente do Conselho Superior da FAPESP, Marco Antonio Zago na Comissão de Ciência e Tecnologia da Alesp (documento anexo);
 
– Definição de pauta para debate com a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen, na Comissão de Ciência e Tecnologia na Alesp (documento anexo)
Um abraço,
Renato Scardoelli

 

Beth Sahão – Deputada Estadual

Anexo – Pesca

Edital de Convocação – Reunião Mensal

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

 

Estão convocados os membros da Diretoria Executiva, Conselho Deliberativo e Representantes dos Institutos de Pesquisa, biênio 2018/2019, para participarem da reunião mensal desta entidade, no dia 12 de junho de 2019, às 14h00, no Instituto Biológico, no auditório José Reis, 5o. andar, Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252 – São Paulo, com a seguinte pauta:

 

  1. Andamento das reformas administrativas nos Institutos ligados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento;
  2. Atualizações sobre o PL 183/2019, relativo à concessão de áreas do Jardim Botânico;
  3. Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão;
  4. Transferência do Hospital Vital Brasil para Emílio Ribas;
  5. Informes da tesouraria;
  6. Andamento dos ofícios encaminhados aos institutos sobre ações com o Instituto de Engenharia;
  7. Informes sobre as ações judiciais em andamento e sobre a “ação condenatória de repetição de indébito”;
  8. Reunião da APqC com a SBPC e participação na Marcha pela Ciência, em 7 de julho próximo;
  9. Carreira de Apoio;
  10. Outros assuntos.

 

Cleusa Lucon
Presidente da APqC

Diretoria APqC Biênio 2018/2019

 

Edital de Convocação – Reunião 12_06_2019

 

 

Jardim Botânico de São Paulo organiza atividades gratuitas de educação ambiental

No Dia Mundial do Meio Ambiente, o Jardim Botânico de São Paulo organizou atividades gratuitas de educação ambiental para que a população tenha conhecimento da importância de preservar a vegetação. O repórter Renan Nievola fez, para a Rede Vida, matéria sobre o trabalho desenvolvido por nossos pesquisadores. Assista na íntegra (abaixo).

Movimento Lute Pela Floresta realiza no domingo ato contra privatização do Zoológico e do Jardim Botânico

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O Movimento Lute pela Floresta, formado por membros da Associação de Moradores e Amigos da Água Funda (AMAAF) e por trabalhadores da região, realizará no próximo domingo, 9 de junho, um abraço simbólico ao Zoológico de São Paulo. O ato, que começa às 10h, é um protesto contra a privatização de grande parte da área do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, onde estão localizados o Zoológico e o Jardim Botânico.

Segundo o manifesto, divulgado pelo Movimento Lute Pela Floresta nas redes sociais, o “governo quer vender o Zoológico e o Jardim Botânico, onde está uma das últimas florestas de São Paulo, para exploração da iniciativa privada. Jovens do mundo inteiro se levantam para defender o meio ambiente e evitar um colapso ambiental. Nós também nos levantaremos em defesa da nossa floresta”.

Clique aqui e confirme a sua presença na manifestação.

Pesquisadores promovem “abraço simbólico” ao Jardim Botânico para protestar contra concessão da área

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Pesquisadores do Instituto de Botânica (IBot) e do Zoológico de São Paulo, ao lado de moradores do bairro da Água Funda, na região sudeste paulistana, representados pela Associação de Moradores e Amigos da Água Funda (AMAAF), realizaram, na tarde de ontem, um abraço simbólico ao Jardim Botânico e ao instituto. A ação teve como objetivo mostrar à sociedade a preocupação quanto à concessão da área à iniciativa privada, anunciada recentemente pelo governo do Estado. Segundo os organizadores, cerca de 150 pessoas participaram do ato.

Para a presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), Dra. Cleusa M. Lucon, entregar o Jardim Botânico à iniciativa privada poderá resultar em problemas ambientais e interromper pesquisas que estão em andamento. “Como o Instituto de Botânica está situado dentro do Jardim Botânico, há o receio de que a privatização possa atingir as pesquisas, inclusive em sua autonomia. É preciso esclarecer a população e mostrar que investir em pesquisa gera sim retorno financeiro ao Estado, ao contrário do que prega o senso comum”, disse.

Entre as preocupações manifestadas pelos pesquisadores e moradores do entorno estão a perspectiva de aumento dos preços da bilheteria do Jardim Botânico (o que dificultaria ou inviabilizaria o acesso de grande parte da população e dos estudantes da rede pública de ensino) e a provável ingerência da concessionária sobre o patrimônio público e o Instituto, cujos laboratórios e coleções estão situados dentro da área que será concedida.
Um funcionário do IBot, que participou do abraço simbólico e pediu para não ser identificado, desabafou: “Após várias reuniões e mediante nossas solicitações, o governo insiste em manter a área do Instituto dentro da área a ser privatizada e se recusa a garantir, no projeto de lei (PL), a autonomia administrativa do mesmo”. Ele ressaltou ainda que o discurso do governo é de que a empresa “ficará responsável pela manutenção dos prédios da área”, mas lembrou o caso da concessão do parque onde funciona o Centro Expo SP, em que o prédio público que ficou sob responsabilidade da concessionária “está em situação de abandono e se deteriorando rapidamente”.

Ainda segundo este funcionário, os pesquisadores não foram consultados pelo governo sobre o teor da redação do PL. “Ficamos sabendo da concessão pela imprensa, depois que o projeto já estava na Assembleia Legislativa”. Em suas palavras, “nos preocupa essa transferência das atribuições do Instituto, que tem 80 anos de pesquisa à serviço do povo paulista, para uma empresa privada. Principalmente em um cenário como o atual, onde o corpo de pesquisadores está reduzido à metade dos cargos e poderá ser reduzido a um quarto do seu quadro funcional em cinco anos por aposentadoria dos funcionários”. Ele lembrou que o governo “não apresenta nenhuma perspectiva de recomposição dos quadros, o que pode levar a médio prazo à incapacidade do Instituto de cumprir as suas funções”.

Instituto de Botânica de São Paulo recebe abraço simbólico contra a privatização do espaço

Em defesa do Instituto de Botânica, pesquisadores, trabalhadores e representantes da sociedade civil deram um abraço simbólico ao equipamento, localizado na zona oeste de São Paulo, nesta quarta-feira. Projeto de lei do governador João Doria Jr. encaminhado à Assembleia Legislativa de São Paulo quer privatizar, além do instituto, o Zoológico e o Zoo Safári. A presidente da APqC, Cleusa M. Lucon, falou sobre o tema ao repórter Cosmo Silva, da Rádio Brasil Atual. Clique abaixo para ouvir na íntegra.

Bióloga Roseli Torres é homenageada na abertura da Semana do Meio Ambiente

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Nesta quarta-feira, 5 de junho, dia em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, realizou-se a abertura oficial da Semana do Meio Ambiente – Semeia 2019, no Paço Municipal de Campinas. A pesquisadora aposentada do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Dra. Roseli Torres, foi uma das homenageadas com o Diploma de Mérito Ambiental “Paulo Nogueira Neto”. A cerimônia de entrega contou com a presença do do Vice-prefeito de Campinas, Henrique Magalhães Teixeira, do Secretário do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Rogério Menezes, e do vereador Luiz Carlos Rossini, entre outras autoridades.

Bióloga com mestrado em biologia vegetal e doutorado em ciências pela Unicamp, Roseli Torres participa da Sociedade Protetora da Diversidade das Espécies (PROESP), a mais antiga entidade ambientalista de Campinas e uma das mais antigas do Estado de São Paulo. “Parte do reconhecimento profissional que resultou na indicação deste diploma de mérito se deve à minha participação nesta entidade”, disse a pesquisadora.

Ela teve também relevante participação em projetos de educação ambiental junto à comunidade e no Conselho Municipal do Meio Ambiente. Dentre os seus trabalhos mais importantes estão as propostas de arborização urbana, baseada em pesquisas desenvolvidas ao longo da carreira. “O prêmio é individual, mas um pesquisador nunca ganha sozinho; ele representa um trabalho coletivo que começou antes de mim”, disse Roseli.

A pesquisadora, que também faz parte da diretoria da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), fez questão de agradecer ao IAC pela oportunidade de ter se dedicado à pesquisas de impacto ambiental, aos colegas de profissão e às ONGs que, segundo ela, “sempre lutaram ao nosso lado pela construção de um ambiente melhor para todos”.

Além da Dra. Roseli Torres foram homenageados também Dr. Francisco Carlos de Castro Lahóz, Dr. José Roberto Carvalho Albejante, Dra. Dionete Santini, Dr. Edilson Vitorelli de Lima e Maria Ananias Ferreira da Silva (in memorian), líder comunitária falecidade recentemente e que era conhecida na região do bairro Carlos Gomes como “Donana”. A Semeia 2019 terá 172 atividades espalhadas pela cidade até o próximo domingo, dia 9.

Instituto Butantan confirma que unidade do Hospital Vital Brazil será desativada e corpo médico protesta

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O Instituto Butantan voltou atrás e confirmou, nesta segunda-feira (3), o que havia negado em nota oficial na última sexta: a unidade do Hospital Vital Brazil, sediada na área do instituto, será mesmo desativada e o atendimento transferido para o Hospital Emílio Ribas. Ainda não há data para a mudança, mas a informação foi recebida com preocupação pelo corpo médico da unidade.

Especializado em acidentes com animais peçonhentos, o Hospital Vital Brazil é referência internacional em sua área de atuação e atende a milhares de pessoas por mês com resolutividade de 98% dos casos. Embora a instituição assegure que o atendimento à população e os estudos clínicos não serão interrompidos com a transferência, os médicos apontam o contrário e dizem de graves perdas que “encerrarão o bem sucedido modelo de atendimento do Hospital Vital Brazil”, segundo carta aberta endereçada ao secretário da Saúde, José Henrique Germann Ferreira, e ao diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas.

Para o corpo médico, a localização do hospital dentro do Butantan é de suma importância para a qualidade do atendimento prestado, pois “permite interação entre pesquisadores e médicos e o atendimento dos próprios biólogos da instituição”. A carta continua dizendo que o Hospital Vital Brazil “interna todos os casos de acidentes por animais peçonhentos da Grande São Paulo com indicação de internação, exceto uma minoria que necessita de UTI, sendo a unidade que mais atende acidentes ofídicos de todo o Estado, estando integrado ao SUS (Sistema Único de Saúde)”.

Em seu perfil no Facebook, uma profissional que trabalha no Hospital há 14 anos afirmou que o fechamento da unidade e a sua transferência comprometeriam não só o atendimento, mas as pesquisas clínicas em andamento. “Mudando-nos para qualquer outro hospital, estaríamos diluídos em meio ao atendimento geral, não havendo como prosseguir nas pesquisas, nem tampouco como continuar o treinamento a residentes de instituições como o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e a Escola Paulista de Medicina da Unifesp)”, disse ela.

A postagem da médica viralizou e acabou dando origem a um abaixo-assinado contra o fechamento da unidade. Até o fechamento desta matéria, o abaixo-assinado já contava com mais de 9 mil assinaturas (clique aqui para visualizar e assinar).

Leia a seguir a carta aberta divulgada pelo corpo médico do Hospital Vital Brazil.

CARTA ABERTA

São Paulo, 03 de junho de 2019

Carta aberta à Secretaria Estadual de Saúde e à Direção do Instituto Butantan

À Sua Excelência o Senhor
Dr. José Henrique Germann Ferreira
Secretário de Estado da Saúde de São Paulo
Ao Senhor
Prof. Dr. Dimas Tadeu Covas
Diretor do Instituto Butantan

Caros Diretor e Secretário,

No dia 28 de maio de 2019 o corpo clínico do Hospital Vital Brazil tomou ciência, através da Diretoria do Instituto, da decisão consumada sobre o encerramento das atividades do Hospital Vital Brazil realizadas dentro Instituto, e da transferência dos atendimentos para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Após questionamentos da imprensa, o Instituto comunicou oficialmente o plano de transferência do atendimento de pacientes para o Hospital Emilio Ribas.

Para nós, infelizmente, essa mudança encerrará o bem sucedido modelo de atendimento no Hospital Vital Brazil, que é referência internacional no atendimento dos pacientes acidentados por animais peçonhentos, com resolutividade de mais de 98% dos casos no próprio hospital.

Nossa carta é um convite ao debate dos pontos que consideramos os mais críticos com essa mudança do atendimento para o Hospital Emilio Ribas.

• A localização dentro do Instituto Butantan é estratégica para interação entre os pesquisadores e médicos. Essa proximidade entre hospital e as áreas de pesquisas é o grande diferencial que permite torná-lo um centro de referência, prestando serviço a unidades de saúde de todo o Brasil e, por vezes, até do exterior.
• Devido ao seu grau de especialização e à concentração dos casos, o Hospital Vital Brazil permite a integração dos atendimentos realizados aos pacientes acidentados por animais peçonhentos com a pesquisa cientifica realizada no próprio Instituto Butantan. A título de exemplo, atualmente temos um protocolo extenso de estudo prospectivo de picadas por aranha marrom (Loxosceles sp.), que seria descontinuado com a mudança.
• No Instituto Butantan há serpentes de gêneros pertencentes e não pertencentes à nossa fauna. No Hospital Vital Brazil, mantemos soros específicos para estas cobras, para o caso de acidentes com nossos biólogos. Em alguns casos, como acidentes por Najas (o Instituto possui cerca de 30 delas), o pronto atendimento médico é fundamental para se evitar o óbito.
• O atendimento rápido é fundamental para o tratamento de acidentados por animais peçonhentos em geral. A mudança para dentro da estrutura do Emilio Ribas pode cria intermediários desde a primeira ligação até a transferência, obrigatoriamente através do CROSS.
• Existe uma grande procura espontânea dos pacientes pelo Instituto Butantan (cujo nome é indissociável de acidentes por animais peçonhentos), onde são acolhidos pelo braço assistencial deste, o Hospital Vital Brazil. Os pacientes picados continuarão a procurar o Instituto Butantan, e a nossa transferência para o Instituto Emílio Ribas acarretaria transtornos e riscos de agravamento pelo tempo adicional de deslocamento dos picados.
• Outro ponto fundamental para o tratamento é correta identificação do animal. Todo procedimento de atendimento é apoiado pelo grupo de biólogos de várias especialidades que auxiliam os médicos dentro do Instituto Butantan e não teria como existir fora deste. Note-se que muitos pacientes levam o animal vivo, o que poderia colocar em risco os profissionais do Instituto Emílio Ribas, que não conta com profissionais habilitados no manejo destes animais.
• Quanto ao número de casos atendidos, em 2018 foram registrados 2.292 casos de Pronto Atendimento e 1.756 teleconsultorias.
• O Hospital Vital Brazil já interna todos os casos de acidentes por animais peçonhentos da Grande São Paulo com indicação de internação, exceto uma minoria que necessita de UTI, sendo a unidade que mais atende acidentes ofídicos de todo o Estado, estando integrado ao SUS.
• Pelo nosso hospital passam alunos de faculdades brasileiras e do exterior, residentes de faculdades como a de Medicina da USP e da Universidade Federal de São Paulo, bem como bolsistas do Programa de Aperfeiçoamento Profissional da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. As aulas abrangem desde o atendimento no hospital até visitas guiadas pelos biólogos aos laboratórios de herpetologia e artrópodes, que estariam extremamente prejudicadas em qualquer outro hospital fora do campus do Instituto Butantan.
• Os profissionais que atuam no Hospital Vital Brazil são altamente especializados. O novo modelo de atuação proposto, longe do Instituto Butantan, impossibilitará treinamento adequado de mão de obra para reposição de uma equipe que hoje é a única referência para as demais unidades de saúde do Estado e do Brasil.

Os pontos acima visam preservar as conquistas possibilitadas pela íntima integração entre o Hospital Vital Brazil e os demais setores do Instituto nos últimos 74 anos, que geraram conhecimento científico e expertise no atendimento de qualidade à população.

Colocamo-nos à disposição,
Corpo Clínico do Hospital Vital Brazil.

Biólogas do Instituto de Botânica e do Zoológico de São Paulo falam sobre a extinção de plantas e animais

O programa Em Discussão entrevistou Rosângela Simão Bianchini, bióloga do Instituto de Botânica de São Paulo, Cristina Adams, professora de Gestão Ambiental e Angélica Sugieda, bióloga do Zoológico de São Paulo. No vídeo abaixo elas falam sobre a extinção de plantas e animais.

Associação dos Moradores da Água Funda avalia impacto ambiental de concessão da área do Jardim Botânico

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Izabel Graciana, presidente da Associação dos Moradores e Amigos da Água Funda

Hoje (29/05), na Assembleia Legislativa, aconteceu a audiência com o Secretário do Meio Ambiente Marcos Penido. Na minha perspectiva e de forma sintética, o secretário fez uma apresentação com pouca profundidade, não deixando claros os objetivos da concessão e, principalmente, como a iniciativa privada vai utilizar deste espaço que é uma das últimas florestas da cidade para obter lucro. A afirmação de que tudo será feito de acordo com o plano de manejo não parece ser real, sendo que o secretário foi incapaz de responder ao questionamento da associação sobre o impacto urbano para o bairro da Água Funda, que já sofre com o descaso do poder público, por exemplo, não coibindo o descarte ilegal de lixo. Se o atrativo é o número de visitantes será a forma de a iniciativa privada obter lucro o mínimo que poderíamos esperar é um estudo de impacto urbano e de infraestrutura que não foi apresentado.

O argumento do secretário de falta de recursos para investimento por parte do poder público escancara a estratégia de utilizar do sucateamento realizado pelo próprio governo como forma de pressão. A tentativa de mostrar que a pesquisa será preservada como algo ligado ao Estado e com autonomia dos pesquisadores se chocou com sua postura inegociável quanto a mudar o projeto e não destinar para iniciativa privada o espaço público onde hoje são realizadas as pesquisas. Promessas e supostas garantias são feitas utilizando a função que o Estado teria de fiscalizar a iniciativa privada, mas que serão desfeitas no momento seguinte da concessão.

Indo direto ao ponto, tanto o projeto quanto a fala do secretário não explicam o que a concessão significa realmente para a preservação, para a pesquisa, para o entorno da Água Funda, para os trabalhadores e para a população da cidade como um todo. Tal postura do governo executivo deve ser questionada, não apenas lutando contra o Projeto de Lei na Assembleia, mas em uma campanha sustentada dialogando com toda a população. É importante ampliarmos nossa articulação e tentarmos superar as ameaças do governo. A nossa luta não acaba com a votação dos deputados. Podemos realizar ações no campo jurídico e também ações nas ruas envolvendo cada vez mais pessoas.

Temos de nos inspirar no movimento mundial de estudantes em defesa do ambiente liderados por Greta Thunberg, de apenas 16 anos. E nos inspirar também em Chico Mendes que transformou a luta dos seringueiros numa luta em defesa da Floresta Amazônica. Quero falar para vocês que o bairro da Água Funda, a pesquisa, o trabalho de cada um de vocês e todas as instituições envolvidas são muito importantes, mas nossa luta é maior. Nossa luta é em defesa do futuro! Nossa luta é em defesa de uma das últimas florestas da cidade. Por isso a presença de vocês na reunião do dia 4 de junho, às 18h, na AMAAF é muito importante – Rua Jacapé, 98, São Paulo – assim como nos ato do dia 5 de junho, às 12h, em frente ao Jardim Botânico, e no dia 9 de junho, às 10h, em frente ao Zoológico.

Izabel Graciana Mendes Ramos, presidente da Associação dos Moradores e Amigos da Água Funda (AMAAF)

Futuro do Instituto de Botânica é debatido em audiência pública

 

Helena

Com a presença do secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SIMA), Marcos Penido, foi realizada ontem, no Auditório Franco Montoro, da Alesp, audiência pública para tratar do Projeto de Lei (PL 183/2019), que dispõe sobre a concessão à iniciativa privada do Zoológico, do Zoo Safári e do Jardim Botânico. A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), que desde o anúncio da medida tem se manifestado contrária à concessão, participou do evento.

Em sua fala inicial, o secretário Penido afirmou que o governo estadual “não está vendendo nada” e que o Instituto de Botânica (IBot) – localizado na área de concessão do Jardim Botânico – terá sua autonomia administrativa preservada e continuará sendo um patrimônio do Estado de São Paulo. “Além do imóvel, a propriedade intelectual das pesquisas também continuará sendo do governo e não da concessionária”, disse. Ele garantiu ainda que será mantida, no edital, a gratuidade da visitação para estudantes da escola pública.

Em sua intervenção, a presidente da Associação dos Moradores da Água Funda, Izabel Graciana Mendes dos Ramos, mostrou-se preocupada com relação às condições do entorno da área que será concessionada. Segundo ela, a via principal de acesso ao bairro já apresenta um fluxo intenso de carros, o que “prejudica o ir e vir da população local”. Ela solicitou ao secretário que incluísse no edital a obrigação de a concessionária tomar providências quanto à obras de melhorias no trânsito.

O Dr. Eduardo Catarino, ex-diretor do Instituto Botânico e pesquisador da área, alertou que dissociar o local de pesquisa do ambiente do Jardim Botânico afetará o trabalho dos 50 pesquisadores que se encontram em atividade atualmente. “O Jardim Botânico é o nosso cartão de visitas para mostrar à sociedade a importância da botânica na vida das pessoas. Ele é parte essencial das pesquisasa realizadas pelo Instituto de Botânica. As pesquisas dependem do Jardim. A área física é a mesma, só que tem uma área que é aberta ao público e outra reservada aos pesquisadores”, explicou.

Para Catarino, a iniciativa privada não terá interesse nas pesquisas e isso pode afetar esta área que está dentro da que será posta para concessão. “As pesquisas científicas não são de interesse da iniciativa privada. Privatizando a área pública do Jardim Botânico, o Instituto de Botânica ficará à mercê de qualquer ingerência futura. Nós perderemos nossa área de contato com o público”, acrescentou.

Nessa mesma linha, a pesquisadora Ada André Pinheiro, do IBot, lembrou que o Jardim Botânico “não é um simples parque onde as pessoas vão passear no fim de semana” e disse que o secretário “desconhece a missão do Instituto e o que é feito ali em termos de pesquisa”. Ela sugeriu ainda que o governo consultasse os pesquisadores antes de tomar qualquer medida que lhes diz respeito. “Venha nos perguntar o que fazer para aumentar a visitação do parque, secretário; nós podemos colaborar, pois conhecemos mais aquele espaço do que qualquer empresa privada”, disse.

Falando em nome da APqC, Dra. Helena Goldman, advogada da associação, reconheceu a disposição do secretário em aceitar a inclusão de adequações sugeridas pelos pesquisadores à redação final do PL 183, mas pediu que o governo levasse em consideração o substitutivo ao projeto proposto pela APqC, que visa, entre outras coisas, “proteger e garantir a soberania das pesquisas realizadas dentro do instituto”.

Em suas considerações finais, o secretário da SIMA reforçou que “as pesquisas feitas pelo instituto não serão afetadas” e que “os funcionários não serão desligados pela concessionária”. Segundo ele, o objetivo da medida é “modernizar e viabilizar economicamente” os espaços que serão concedidos à iniciativa privada. Ele atribuiu a decisão ao “contexto de crise econômica do Brasil” e a “falta de recursos do Estado para manter sozinho tantas áreas públicas”.

Por fim, o deputado Carlos Giannazi lembrou que o Jardim Zoológico não onera o Estado, pois possui fontes próprias de renda, e que sua “privatização poderá comprometer as pesquisas com animais ali desenvolvidas”. A deputada Beth Sahão disse que uma concessão de 35 anos, conforme consta no PL 183, é “um exagero” e sugeriu que o governo reveja o prazo dado à concessionária. A deputada Márcia Lia, por sua vez, questionou qual seria o interesse de uma empresa privada em assumir a responsabilidade pela manutenção do prédio do Instituto de Botânica se ela não poderá usá-lo para obter lucro.

Em breve será divulgada a data da próxima reunião da Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão no Estado de São Paulo, que trata desta e de outras questões pertinentes à categoria.

APqC consulta pesquisadores e divulga melhorias na comunicação

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Entre os meses de abril e maio deste ano, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) realizou uma pesquisa online, em forma de questionário, para medir a opinião dos pesquisadores sobre a comunicação feita pela entidade. Pouco mais de 300 respostas foram enviadas.

O objetivo principal era traçar um diagnóstico do trabalho desenvolvido pela equipe de comunicação em parceria com a diretoria da APqC (biênio 2018/19) e, assim, elaborar um plano estratégico visando aprimorar o alcance dos informes e a interatividade das mídias digitais.

Uma das novidades, lançada paralelamente à pesquisa, foi a inauguração do canal da APqC no Youtube. O primeiro vídeo mostra a pesquisa do engenheiro agrônomo José Alberto Caram de Souza Dias, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que desenvolveu a tecnologia do broto batata-semente. É o primeiro de uma série que será produzida com pesquisadores de outros institutos.

Nos últimos seis meses, a página da APqC no Facebook saltou de 2 mil seguidores para pouco mais de 7 mil. Um dos motivos para este aumento foi a frequência das publicações – uma média de três notícias diárias, sendo que pelo menos uma delas relacionada à Associação ou a algum dos institutos de pesquisa do Estado de São Paulo. Há, no entanto, muito a ser feito. Confira a seguir o que disseram os associados sobre o trabalho de comunicação da APqC.

Números e propostas

A maioria dos entrevistados (44%) consideram que o site da APqC é bom; 27% disseram ser razoável; 14% o acham fraco; 5% o consideram ótimo; os 9% restantes responderam que desconhecem o site. Para incentivar que mais associados tenham acesso ao conteúdo gerado no site e no Facebook, será criado um mailing mensal, com um resumo das notícias e informes mais importantes que foram gerados nas redes sociais, acompanhados de seus respectivos links.

O ponto fraco do site, apontado por 27% dos pesquisadores que responderam ao questionário, é a pouca interatividade. Decidiu-se, então, verificar a possibilidade de melhorar os recursos do site, de modo a permitir que os leitores enviem sugestões de pauta, críticas ou tirem dúvidas em relação a assuntos relacionados à categoria. Também será aumentada a produção de notícias publicadas diretamente no site e linkadas no Facebook e no Twitter da APqC, para ampliar o fluxo de visitações de uma rede à outra.

Sobre a rede social mais nova a ser utilizada pela Associação, o Youtube, a maioria dos entrevistados disse que gostaria de ver vídeos sobre o trabalho desempenhado pela APqC; a segunda opção mais votada foi a de vídeos reportando o trabalho dos pesquisadores; e em terceiro lugar, vídeos sobre os institutos de pesquisa.

A equipe de comunicação está empenhada em produzir, nos próximos meses, vídeos curtos e de fácil assimilação por todo o tipo de público, visando não só valorizar o trabalho dos pesquisadores científicos dos institutos paulistas, mas também esclarecer a população sobre a importância deste trabalho para a vida das pessoas e para o desenvolvimento do Estado e do País.

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Sociedade civil divulga abaixo-assinado contra privatização do Zoológico de São Paulo

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O Zoológico de São Paulo tem uma história de mais de 60 anos e, junto com o Instituto de Botânica, está situado em um fragmento preservado de Mata Atlântica, o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI). Essa área é rica em biodiversidade vegetal e animal. Recentemente, o Governo do Estado decidiu fazer a concessão dessas áreas para a iniciativa privada, o que prejudicará as pesquisas científicas e tecnológicas das duas Instituições, além do Meio Ambiente e da população do entorno.

Além disso, é importante destacar que o zoo de São Paulo não gera custos para o Estado, pois obtém receita própria por meio de sua bilheteira e, a partir dela, investe em projetos de pesquisa e conservação de espécies.

Qual seria o interesse do Governo do Estado em conceder à iniciativa privada a utilização de uma Fundação que gera lucros?

A APqC é contra a concessão e endossa o abaixo-assinado contido neste link (clique aqui). Assine também e entre na luta pela defesa da pesquisa científica do Estado de São Paulo.

APqC debate permanência do Instituto de Botânica em área que será concedida à iniciativa privada

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Buscar maneiras de assegurar a permanência do Instituto de Botânica na administração direta e garantir que a sua estrutura física seja resguardada e permaneça sem interferência da concessionária nas pesquisas básicas e aplicadas desenvolvidas pelo órgão dentro da área do Parque Estadual Fontes do Ipiranga, que o governador João Dória Jr. quer conceder à iniciativa privada. Este foi um dos principais motivos do debate que ocorreu na audiência pública realizada ontem, na ALESP. A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), junto à sua advogada, Dra. Helena Goldman, esteve antes reunida com o Executivo para que estas e outras adequações fossem feitas ao texto final do PL 183/2019, que dispõe sobre a concessão.

Em sua explanação, na audiência da Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão, Dra. Helena Goldman afirmou que o texto do projeto de lei, de autoria do governo, causava preocupação aos pesquisadores por não garantir a permanência do Instituto de Botânica na área a ser concedida à exploração de uma concessionária, bem como nada falava sobre a preservação da competência técnico-científica da instituição. “ O Instituto não pode correr este risco de ser transferido, como ocorreu anteriormente com o Instituto Geológico e de Economia Agrícola”, explicou a advogada, “pois, as pesquisas ali realizadas estão diretamente ligadas ao parque, ao meio ambiente, sendo o Jardim Botânico um laboratório vivo, caso o Instituto de Botânica seja transferido será o fim de inúmeras pesquisas em andamento, e consequentemente o fim da instituição.” explicou.

Segundo ela, o texto não garantia também que as pesquisas geradas pelo IBot e da Fundação Zoológico continuassem sendo de propriedade do Estado e nem garantia o acesso gratuito a estudantes da rede pública para visitação, porém com a adequação da legislação esses importantes pontos passaram a constar na proposta legislativa que deverá ser encaminhada a ALESP, disse a advogada. Além disso, na reunião com representantes do Executivo, a APqC conseguiu negociar também que, no texto do projeto de lei, constasse a preservação da competência da instituição de pesquisa para continuar oferecendo de forma gratuita a capacitação de botânica e meio ambiente, o que acaba por preservar os curso de pós-graduação, que já formaram mais de 400 mestres e doutores.

Preocupação com o futuro

Para a deputada estadual Beth Sahão, coordenadora da Frente Parlamentar, a inclusão das adequações ao texto do PL 183/2019 foi uma “vitória parcial” dos pesquisadores, mas recomendou à categoria que “permaneça alerta e mobilizada” até a chegada do texto final à Alesp. A versão final do projeto de lei não tem data para ser votada e novas sugestões, em tese, ainda podem ser acrescentadas se houver consenso entre os deputados.

Nas palavras da presidente da APqC, Dra. Cleusa M. Lucon, a luta inicial da associação era para que não fosse feita a concessão do Jardim Botânico e de outras instituições do Estado. “Infelizmente estamos trabalhando para salvar ao menos a autonomia administrativa do Instituto de Botânica, pois tudo indica que ele será o primeiro a ser privatizado. Isso nos preocupa muito, pois parece ser uma tendência. O que vai acontecer agora irá traçar o futuro do Estado de São Paulo”, afirmou.

A pesquisadora Dra. Inês Cordeiro, do IBot, usou da palavra para manifestar sua preocupação com o destino dos acervos do Instituto, que estão entre os mais importantes do Brasil. “O que será do nosso herbário, da biblioteca e das orquídeas nativas, por exemplo? Não vejo como uma empresa privada poderia ter retorno financeiro imediato com isso e me preocupa a possibilidade de tudo desaparecer”, disse. Ela revelou ainda que faltam pesquisadores devido à ausência de concurso público e que a concessão irá dificultar ainda mais a possibilidade de novas contratações via edital. “Eu poderia estar aposentada há seis anos; há um colega que poderia ter se aposentado há dez! E, no entanto, estamos trabalhando por amor e responsabilidade às pesquisas em curso”.

Na mesma linha, o assistente técnico Luiz Barretto informou que apenas 59 cargos, dos 105 possíveis, estão preenchidos no Instituto de Botânica. E mesmo assim, segundo ele, 36 irão se aposentar nos próximos cinco anos, restando 23 funcionários. “Com esse número de quadros será impossível continuar. As pesquisas do IBot serão interrompidas se não houver concurso público rápido. Em cinco anos não haverá quem toque o plano de manejo do instituto”, alertou. Para ele, a concessão da área pelo prazo de 35 anos decretará o fim dos concursos e, por consequência, do próprio IBot. “É muito triste pensar que isso pode acontecer depois de tantas décadas de trabalho”, lamentou.

No encerramento da audiência, o vice-presidente da APqC, Dr. Joaquim Adelino de Azevedo, fez um apelo para que o governo do Estado não permita que a concessão do Jardim Botânico à iniciativa privada retire o caráter social da instituição. “Quem mais será afetada é a população pobre, que pode acessar o Jardim Botânico por um preço de ingresso bem abaixo do valor comercial, e os estudantes da rede pública, que recebem educação ambiental e saem de lá querendo ser biólogos, botânicos etc…”.

Um dos encaminhamentos tirados da reunião foi a criação de uma força-tarefa de pesquisadores para conversar com todos os deputados da Alesp e tentar demovê-los da ideia de aprovarem o PL 183/2019.

APqC convida para audiência pública contra privatização do Instituto de Botânica

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) conclama seus pesquisadores e pesquisadoras a participarem, amanhã (22), da Audiência Pública contra a Privatização do Instituto de Botânica, que acontecerá a partir das 10h na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Referência no Brasil e América Latina, o Instituto de Botânica conta hoje com 15 laboratórios científicos e um parque de equipamentos no valor de R$ 5 milhões de reais, resultado de investimentos científicos de diversas agencias de financiamento (FAPESP, FINEP, CNPq, BID, GEF, Banco Mundial, Petrobras, Rodoanel/Dersa) e câmara de compensação.

Administrado pelo Instituto, o Jardim Botânico de São Paulo não é um parque e sim um espaço de preservação in situ e ex situ da biodiversidade botânica paulista, área de experimentação cientifica ambiental e visitação para fins educativos e contemplativos.
O Projeto de Lei 183/2019, de autoria do Governador João Dória, que autoriza a sua concessão para a iniciativa privada é muito amplo, sendo que diversos artigos e incisos levantam dúvidas e questões que precisam ser impreterivelmente discutidas antes da aprovação da matéria em plenário.

De acordo com o PL, a pesquisa cientifica permanecerá sob responsabilidade do governo. Porém todas as edificações onde as pesquisas são realizadas, incluindo laboratórios, herbários, coleções, salas de aula, etc., encontram-se nas áreas a serem concedidas. Ainda, o Projeto de Lei não resguarda o direito do Estado a propriedade intelectual e acesso ao patrimônio genético.

A importância do Instituto de Botânica, para a sociedade se expressa pela importância da instituição nas atividades de pesquisa, tecnologia e inovação, além do centro de formação e treinamento de recursos humanos aptos a atuarem nas políticas públicas do meio ambiente, saúde e educação em todo o país.

O Instituto de Botânica requer autonomia para a realização de suas pesquisas, execução responsável do orçamento institucional e que conhecimentos e produtos gerados pelas atividades desenvolvidas continuem como propriedade do Estado de São Paulo.

Confirme sua participação no grupo do ato no Facebook (clicando aqui) e ajude a mobilizar sua categoria.

 

Em vídeo, Miguel Nicolelis alerta para colapso da soberania científica do Brasil

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, conhecido e respeitado internacionalmente, deu longa entrevista aos jornalistas Kiko Nogueira e Pedro Zambarda, do Diário do Centro do Mundo (DCM). Nela, ele explica como o trabalho de quem dedica sua vida ao conhecimento e à pesquisa científica está sendo perseguido pelo governo de Jair Bolsonaro. “A obsessão em tentar destruir a infraestrutura de ensino superior e de pesquisa significa o colapso da soberania científica e tecnológica do nosso país”, diz o professor. Assista na íntegra. #APqC

Cientistas vão à Av. Paulista neste domingo para mostrar suas pesquisas

No próximo domingo (19/05), cientistas das universidades públicas e dos institutos de pesquisa do Estado de São Paulo irão à Avenida Paulista para mostrar à população o trabalho desenvolvido por eles. A iniciativa faz parte da onda das mobilizações contra os cortes na Ciência, Tecnologia e Educação anunciados pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

Os cientistas paulistas estiveram nas ruas nos dias 8 e 15 de maio em Marcha pela Ciência e voltarão à elas. No domingo, a partir das 14 horas, eles se concentrarão na frente do MASP e estarão à disposição para conversar com as pessoas sobre o que faz um cientista e o que cada um tem feito dentro de suas respectivas áreas. Segundo Cleusa Lucon, presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) foi convidada a participar e estará presente.

A ação visa também fazer um contraponto à política de desinformação que está sendo colocada em prática para manchar a imagem dos pesquisadores perante a sociedade e, dessa forma, abrir espaço para a privatização das universidades e institutos.

#cientistasengajados
#temciêncianobr
#minhapesquisacapes
#minhapesquisacnpq
#liberanossasbolsas

ciencia

A Fapesp e a agropecuária paulista

zago

(O presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago – Zé Carlos Barretta – 18.ago.17/Folhapress)

Apesar das dificuldades econômicas do país, o PIB paulista cresceu 1,6% em 2018. Cerca de 15% desse produto econômico, da ordem de R$ 330 bilhões, vem do agronegócio, responsável também por 15% do emprego no estado. Estimular o agronegócio tem, pois, reflexos positivos na economia e na geração de empregos.

Para manter-se competitiva num mundo que muda rapidamente, em que a atualização científica e tecnológica migra continuamente dos laboratórios e universidades para o setor produtivo, a agropecuária tem que ser sustentada por pesquisa e inovação permanentes.

No estado de São Paulo, esse processo ocorre com vigor há várias décadas, garantindo a força produtiva e contribuindo para o progresso do setor no país, responsável por 20% do PIB brasileiro.

De que forma a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) participa deste esforço?

Estudo recente mostra que cada R$ 1 investido na pesquisa agropecuária tem, em poucos anos, retorno de R$ 11. Os investimentos da Fapesp têm um retorno 27 vezes maior. Esse retorno aparece de formas variadas, como aumento da produção e produtividade e aumento da geração de empregos. Em meados da década de 1990, o PIB per capita rural era 21% do PIB urbano, tanto em São Paulo como no Brasil; em 2014, havia subido para 31% no país e 53% no estado de São Paulo.

Portanto, investir em pesquisa agropecuária é uma excelente estratégia para desenvolver o estado e aplicar recursos públicos com eficiência. A Fapesp investiu R$ 3 bilhões (valores de 2013) na pesquisa de agricultura entre 1993 e 2013 e nos últimos dez anos financiou 4.500 bolsas e 2.600 projetos. Entre 1982 e 2013, os investimentos de Fapesp, Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) e Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) perfizeram R$ 417 milhões anuais, enquanto valor equivalente foi investido na área por USP, Unesp e Unicamp na formação de pessoal.

Em consequência, a produção da agricultura paulista aumentou em mais de 90% nas duas últimas décadas, e o ganho de produtividade total cresceu 3,1% a partir de 1994, enquanto o PIB per capita rural subiu para 57% do PIB urbano em São Paulo quando comparado a 34% do restante do país.

A pesquisa apoiada cobre amplo espectro, desde questões de aplicação imediata —como soluções de adubação e dieta que reduzem a emissão de metano e aumentam a produtividade do gado de corte, identificação de genes que estão ligados à melhoria do gado bovino, preservação de polinizadores e aplicação de drones na agropecuária— até temas mais fundamentais, como uso da genômica para identificar genes que aumentam a resistência das plantas às mudanças climáticas e genômica
para a piscicultura.

Em 30 anos, o etanol mudou o perfil de fonte de energia no Brasil: o uso de petróleo e derivados caiu de 62% para 38%, enquanto a bioenergia elevou-se de 14% para 32%. A Fapesp tem protagonismo neste processo e no debate internacional sobre bioenergia e sustentabilidade.

Uma característica adicional desse setor é a estreita cooperação entre universidades e institutos de pesquisa com o setor produtivo e empresarial, acompanhada de um número crescente de startups. O programa Pipe (Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas), da Fapesp, apoia no momento 80 empresas tecnológicas nesse setor da economia.

A experiência das últimas décadas demonstra claramente que investir em ciência e tecnologia produz inovação, gera empregos e contribui para o desenvolvimento econômico.

Marco Antonio Zago
Presidente da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo)

Fonte original: Folha de S. Paulo

Vídeo: Audiência Pública contra a privatização do Jardim Botânico

Assista na íntegra o vídeo da Audiência Pública contra o projeto de lei 183/19, que institui a privatização do Zoológico, Zoo Safári e do Jardim Botânico de São Paulo. O evento foi realizado em 13 de maio de 2019, no Plenário Tiradentes, da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), e foi coordenado pelo deputado Carlos Giannazi. A #APqC marcou presença.

Pesquisadores pedem retirada de pauta do PL que dispõe sobre concessão do Jardim Botânico à iniciativa privada

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Carta Aberta da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) sobre os problemas do PL 183 para o Instituto de Botânica

A sede do Instituto de Botânica localiza-se dentro do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, na capital do Estado de São Paulo. Tem como missão institucional, o desenvolvimento de pesquisas científicas e tecnológicas, a capacitação de recursos humanos e a gestão de reservas biológicas, acervos e coleções científicas, como subsídio às políticas públicas de meio ambiente do Estado de São Paulo. Produz estudos sobre florística, sistemática, fisiologia, bioquímica, morfologia, anatomia e ecologia com vistas à preservação, recuperação e utilização sustentável dos recursos vegetais. Gerencia Coleções Científicas (Herbário Científico do Estado e coleções vivas do Jardim Botânico do Estado, incluindo germoplasma), possui o terceiro maior herbário do país e o maior do estado; a 5a maior coleção pública de orquídeas do mundo e a maior palinoteca e xiloteca do Brasil com enorme valor científico, mas não mercadológico. Desenvolve atividades de Educação Ambiental para o público em geral, estudantes e professores, oferecendo estágios, treinamentos, aperfeiçoamento, especialização e pós-graduação. Atua na execução da Política Estadual de Meio Ambiente (Decreto nº 55.165 de 14/12/2009).

O Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (PGIBt), credenciado pelo MEC/CAPES – Nível 5, oferece cursos de Mestrado e Doutorado. Também são orientados estágios em nível de Iniciação Científica (PIBIC – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica-CNPq), cujas cotas de bolsas de estudos são administradas pela própria instituição, sob a supervisão das agências de fomento. Esses programas captam cerca de 1,8 milhão de reais anuais, tendo formado nos últimos anos 400 alunos de iniciação científica, 270 de mestrado e 140 de doutorado. Os pós-graduandos são os únicos em todo o Brasil que realizam seu estágio docência em um Jardim Botânico. O IBt também possui um acervo iconográfico, ilustrações botânicas de Margareth Mee, além de obras literárias históricas preciosíssimas.

O Instituto estabelece cooperações com universidades, instituições de ensino superior, institutos de pesquisa, extensão e desenvolvimento tecnológico, nacionais e estrangeiros por meio de seu Programa de Capacitação em Botânica e Meio Ambiente conforme Decreto nº 52.459/2007.

O Jardim Botânico do IBt foi o primeiro do Brasil a ser classificado como Categoria “A” pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, por se tratar de Jardim associado à uma Instituição de Pesquisa e fundamentado no tripé pesquisa científica, educação ambiental e conservação, além de ser uma importante área verde para o lazer da população.

O orçamento do IBt tem sofrido cortes ao longo dos últimos anos, passando de cerca de 14 milhões em 2010 (valores corrigidos) para previsão de cerca de 4 milhões para 2019, o que compromete a consecução das suas prerrogativas institucionais. O IBt conta hoje nos seus 15 laboratórios científicos com um parque de equipamentos de cerca de 5 milhões de reais, resultado de investimentos científicos de diversas agencias de financiamento (FAPESP, FINEP, CNPq, BID, GEF, Banco Mundial, Petrobras, Rodoanel/Dersa) e câmara de compensação.

Administrado pelo Instituto de Botânica, que é um centro de referência em Botânica para todo o Brasil, o Jardim Botânico de São Paulo não é um parque e sim um espaço de preservação in situ e ex situ da biodiversidade botânica paulista, área de experimentação científica ambiental e visitação para fins educativos e contemplativos. O PL 183, que autoriza a sua concessão para a iniciativa privada é muito amplo, sendo que diversos artigos e incisos levantam dúvidas e questões que precisam ser impreterivelmente discutidas antes da aprovação da matéria em plenário. De acordo com o PL 183, a pesquisa científica permanecerá sob responsabilidade do governo. Porém, todas as edificações onde as pesquisas são realizadas, incluindo laboratórios, herbários, coleções, salas de aula, etc., encontram-se nas áreas a serem concedidas. Ainda, o PL não resguarda o direito do Estado a propriedade intelectual e acesso ao patrimônio genético.

A importância do IBt para a sociedade se expressa pela importância da instituição nas atividades de pesquisa, tecnologia e inovação, além de centro de formação e treinamento de recursos humanos aptos a atuarem nas políticas públicas de meio ambiente, saúde e educação em todo o país. O Instituto de Botânica requer autonomia para a realização de suas pesquisas, execução responsável do orçamento institucional e que conhecimentos e produtos gerados pelas atividades desenvolvidas sejam também de propriedade do Estado. Isso não está claro no PL 183, sendo que tratativas para modificar os artigos que tratam dessas questões estão sendo discutidas nos Poderes Executivo com o Secretário Marcos Penido e Legislativo com as Deputadas Carla Morando, Janaína Paschoal e Beth Sahão. Contudo, por não estarem concluídas, e segundo o princípio da precaução, solicita-se a imediata retirada do PL 183, de 2019 da pauta de votação, até que a nova proposta esteja elaborada, a fim de evitar imensuráveis prejuízos ao Estado no futuro próximo e perdas irreparáveis para a ciência e sociedade.

São Paulo, 13 de maio de 2019

Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC)

Funcionários do Instituto de Botânica se mobilizam contra privatização do Jardim Botânico de São Paulo

O Jardim Botânico de São Paulo, administrado pelo Instituto de Botânica (IBt), corre o risco de ser privatizado por meio de uma concessão que não foi devidamente discutida com a sociedade. Este será o tema da Audiência Pública que ocorrerá hoje na Alesp (Auditório Tiradentes, às 19h). Na sequência, leia trechos da carta aberta que funcionários do IBt divulgaram para denunciar a situação de incerteza que ronda o instituto e a continuidade das pesquisas ali realizadas. Ao final, colabore com o abaixo-assinado em defesa da pesquisa científica e tecnológica do IBt.
IBt
Carta aberta dos funcionários do IBt (trechos)
Administrado pelo Instituto de Botânica, que é um centro de referência em Botânica para todo o Brasil, o Jardim Botânico de São Paulo não é um parque e sim um espaço de preservação da biodiversidade botânica paulista, área de experimentação científica ambiental e visitação para fins educativos e contemplativos. O PL 183, que autoriza a sua concessão para a iniciativa privada é muito amplo, sendo que diversos artigos e incisos levantam dúvidas e questões que precisam ser impreterivelmente discutidas antes da aprovação da matéria em plenário. De acordo com o PL 183, a pesquisa científica permanecerá sob responsabilidade do governo. Porém, as edificações onde as pesquisas são realizadas, incluindo laboratórios, herbários, coleções, salas de aula, etc., encontram-se nas áreas a serem concedidas, inclusive havendo possibilidade de o concessionário contratar funcionários para realizarem pesquisas que atendam a demandas do concessionário ou da SIMA. Não consta no PL 183 como isso seria viabilizado. Também nada consta sobre ao direito de propriedade intelectual e acesso ao patrimônio genético. Nada consta sobre eventuais distratos.
A importância do IBt para a sociedade não se expressa somente através do número de visitantes do Jardim Botânico, mas pela expressiva importância da instituição como centro de formação, treinamento e formação de recursos humanos aptos a atuarem nas políticas públicas de meio ambiente, saúde e educação em todo o país. O corpo técnico do Instituto de Botânica, constituído por funcionários públicos estatutários, de longa carreira e apartidários requer autonomia para a realização de suas pesquisas, execução responsável do orçamento institucional e que conhecimentos e produtos gerados por suas atividades sejam de propriedade exclusiva e permanente do Estado. Isso não está claro no PL 183, sendo que tratativas para modificar os artigos que abordam essa questão estão sendo feitas, porém não se vislumbra êxito a curto prazo. Seguindo o princípio da precaução, solicita-se retirar o PL 183 da pauta de votação, sugerindo-se a elaboração de uma nova proposta que evite eventuais prejuízos ao estado no futuro próximo e perdas irreparáveis para a Ciência.
Assine o abaixo-assinado Contra a Privatização do Instituto de Botânica e sua pesquisa na concessão do Jardim Botânico (clique aqui).

Mães e cientistas: APqC recomenda textos em homenagem ao Dia das Mães

Scientist Working in The Laboratory

Amanhã, 12 de maio, celebramos o Dia das Mães. Para comemorar esta data tão importante, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APQC) selecionou uma série de textos que mostram a relação entre as mães e a ciência. Como é a vida das mulheres que são mães e cientistas ao mesmo tempo? Quais demandas fazem parte de sua luta por melhores condições de trabalho? O que os estudos científicos descobriram sobre as mães até hoje? Para acessar o conteúdo dos textos selecionados basta clicar no título das matérias abaixo. Boa leitura!

“Cientista não tem hora de trabalho. Se você está no meio de um processo, você não pode simplesmente abandonar tudo e recomeçar do zero. Mas o que fazer quando existe uma criança que depende de você?” (Mães e cientistas: como a maternidade é vista na pós-graduação no Brasil).

“Aceitar a maternidade sem julgamentos e estimular a pesquisadora mãe, um combo que requer mais investimentos por parte da sociedade” (Ser mãe e cientista: o que está por trás disso?).

“O Brasil é um dos países que conta com a maior quantidade de artigos científicos publicados por mulheres. Apesar disso, ainda não existem políticas específicas de auxílio em períodos como a maternidade, o que faz com que a produtividade acadêmica das pesquisadoras diminua” (Faltam políticas de auxílio a mães cientistas no Brasil).

“Pesquisa realizada com mais de 1.100 cientistas no país mostra que queda na produtividade e no acesso a financiamentos de pesquisa é comum para mulheres após se tornarem mães; quais seriam as alternativas rumo a uma ciência mais equânime entre homens e mulheres?” (Sem considerar maternidade, ciência brasileira ainda penaliza mulheres).

“Se a participação feminina já é numericamente igual ou maior na graduação e pós, porque o mesmo não se repete nos cargos de liderança?” (Machismo e seu impacto na carreira de mulheres cientistas).

“Atividades contribuem para o debate sobre disparidade de gênero na academia e mudam percepção pública sobre o papel feminino na pesquisa” (Crescem iniciativas que dão visibilidade a mulheres cientistas).

“Ser mãe vai muito além de gerar e criar filhos. A ciência sabe disso e explica algumas curiosidades sobre a maternidade que você, talvez, não saiba” (11 coisas fascinantes que a ciência sabe sobre as mães).

 

 

 

 

 

 

Frente parlamentar é criada para defender instituições públicas de ensino e pesquisa científica

Com o objetivo de fazer frente à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que visa investigar as contas das universidades públicas de São Paulo, e também de chamar a atenção para os cortes de recursos que vão afetar tanto as universidades quanto os Institutos de Pesquisa, foi lançada, na manhã de ontem (8), a “Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão”, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

A Frente, convocada pela deputada Beth Sahão, conta até o momento com o apoio de 29 deputados da Casa e o ato de lançamento teve a participação de representantes de várias entidades ligadas à Educação e à Ciência, entre eles Wagner Romão (Adunicamp), Raquel Mello (ANPG), Priscila Leal (SINTPq), Ros Mari Zenha (CRE / IPT), Michele Ramos (Adusp), Mariana Moura (Cientistas Engajados), Allen Habert (SEESP) e Dra. Cleusa Maria Lucon (APqC).

A frente parlamentar, segundo a deputada Beth Sahão, pretende mostrar que há transparência nos gastos dessas instituições e quer fazer um alerta à sociedade para o ataque ao serviço público levado adiante pelos governos estadual e federal. Para o Dr. Joaquim Adelino de Azevedo, vice presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos de São Paulo (APQC), os cortes de verbas e a falta de contratação de novos pesquisadores podem afetar o desenvolvimento de tecnologia para o estado. “Muitos trabalhos estão deixando de ser executados e ainda temos um outro problema sério nos institutos, que é a não reposição do pessoal que está aposentando. Sem recursos para os institutos, não há novas contratações”, disse.

A presidente da APqC, Cleusa Lucon, o desmonte das instituições públicas de ensino e pesquisa irá “arrasar um sistema que demorou cem anos para ser construído”. Isso, segundo ela, trará consequências graves, não só para o desenvolvimento do Estado de São Paulo e do País, mas também para a vida das pessoas que dependem dos serviços oferecidos pelas instituições em questão. “A carreira de pesquisador científico está ameaçada de extinção se os recursos continuarem minguando, se não houver concurso público para renovar o quadro de funcionários e se a privatização avançar sobre estes setores”, alertou.

Assista abaixo reportagem da TVT sobre o lançamento da Frente Parlamentar.

Carta aberta da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP) sobre a CPI da ALESP contra as Universidades estaduais paulistas

Nos últimos 80 anos, as Universidades estaduais paulistas se tornaram os pilares do conhecimento não só do Estado de São Paulo, mas do Brasil e, em parte, do mundo. Hoje, se ligarmos nas melhores emissoras de rádio e de TV do país, ou se abrirmos os melhores jornais brasileiros, encontraremos um grande número de explicações, opiniões e entrevistas de professores da USP, UNESP e UNICAMP. Isto ocorre porque é no estado de São Paulo onde as pesquisas acadêmicas geram não apenas conhecimento, mas aplicação tecnológica e inovação, binômio que hoje alicerça a sociedade do conhecimento. Também, é principalmente nestas três universidades que está grande parte da inteligência da sociedade paulista contemporânea. Quando alguém tem dúvidas sobre como algo funciona, como planejar melhor empresas ou governos, ou se quer adquirir cultura, saber sobre leis, ou sobre parâmetros éticos, desenvolver novas tecnologias, ou ainda saber sobre os rumos políticos e econômicos do país, é no estoque de conhecimento das universidades estaduais do Estado de São Paulo que as repostas são primariamente procuradas.

Mas descobrir essas respostas não é trivial: elas são o resultado de décadas de carreiras de professores que se dedicaram intensamente às suas especialidades. É por isto que podemos confiar nas repostas que virão, seja para a sociedade em geral, seja para o governo aplicar políticas públicas fundamentadas, ou para que uma nova tecnologia seja implantada numa empresa. É isto que podemos chamar de “conhecimento embasado”. Nos locais mais avançados, democráticos e justos do planeta, são gestões públicas e privadas embasadas que garantem a qualidade das decisões em qualquer setor da sociedade. Os paulistas têm tudo isso à mão em seu estado.

Além de oferecer todo este conhecimento para embasar as decisões da sociedade moderna, as universidades também formam as novas gerações de médicos, advogados, engenheiros, gestores, professores, políticos e um sem número de cidadãos que formarão parte das lideranças que deverão garantir o nosso futuro e o das gerações que virão.

A sociedade tem sim todo o direito de questionar o funcionamento das universidades. Afinal, somos nós, contribuintes, que pagamos tudo o que lá acontece. E se algum setor da sociedade deve atuar nesse sentido é a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a ALESP. Isto porque ali estão os representantes eleitos pelo povo paulista.

A responsabilidade da ALESP é enorme. Esperamos que ela tenha uma visão ampla e consciência plena e fundamentada de como funciona a sociedade.

As três Universidades estaduais paulistas compõem-se de milhares de professores, funcionários e alunos de graduação e pós-graduação atuando em conjunto. Tudo isto representa um altíssimo nível de complexidade. Por isto, ao montar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as universidades é absolutamente essencial que a ALESP conheça profundamente como as universidades paulistas funcionam. Caso contrário não há como fazer as perguntas efetivas.

As Universidades estaduais paulistas não precisam temer qualquer trabalho de fiscalização séria e responsável. Portanto, não se esquivam de investigações da ALESP, que acreditamos serem essenciais para que o mais importante estado da federação seja um exemplo. De fato, as três instituições paulistas estão sempre estudando e reavaliando a si próprias. Faz parte da natureza acadêmica questionar, sempre. Para sustentar uma CPI que seja produtiva, ou para simplesmente saber se ela é ou não necessária, é fundamental que a própria ALESP também justifique para a sociedade, que nela votou, o tempo e dinheiro que serão gastos para realizar uma CPI que, para ser pertinente, deverá ser altamente complexa e dispendiosa. Se alguém acha que há algo errado com as Universidades, é fundamental que saiba o que perguntar. É primordial que as informações sejam qualificadas, de forma apartidária, com critério embasados na qualidade e excelência.

Pelas primeiras informações veiculadas pela imprensa, uma ideia da CPI seria a de discutir a cobrança de mensalidades. Se a ALESP for se informar, encontrará artigos e plena informação sobre o assunto em vários periódicos e compêndios internacionais que avaliam as universidades ditas de classe mundial. Verá que vários estudos deste tipo mostram claramente que o que se ganharia não resolveria problemas financeiros significativos. Dizem que só os ricos frequentam as três universidades paulistas. Isto não é verdade. Na UNESP, espalhada pelo estado inteiro, há muitos estudantes de baixa e média renda. Outro dado importante a destacar foram programas de cotas criados e bem estabelecidos nas 3 instituições, permitindo acesso aos jovens de baixa renda. Estes programas estão em andamento e deverão atingir o equilíbrio em alguns anos. Sobre a cobrança de mensalidades, convém ressaltar que em grandes universidades de excelência nos países desenvolvidos, ressaltando os EUA, contam-se com enormes financiamentos governamentais, que no fim são a base para o seu destaque mundial. De fato, já se sabe que ciência de qualidade, apta a gerar inovação e riqueza é cara e impossível de ser mantida com mensalidade de estudantes.

Outra alegação é que o volume de recursos repassados à universidade é grande, mais de 9 bilhões de reais por ano. Será mesmo? Para saber, basta comparar com os investimentos que a China vem fazendo com o intuito de tornar suas universidades as líderes mundiais. Podemos fazer algumas perguntas que ajudam a responder como é valioso e bem usado o dinheiro pago pelos paulistas para manter as três universidades estaduais:

1) Quanto vale o que a universidade produziu até hoje e continua produzindo?
2) Quanto valem os produtos até hoje lançados e as empresas constituídas por intermédio dos conhecimentos dos nossos engenheiros?
3) Quanto vale o trabalho de produzir avaliações e soluções para o andamento da nossa economia, feito pelos economistas e sociólogos das nossas universidades?
4) Quanto vale a ciência e as tecnologias produzidas pelos nossos engenheiros civis que contribuem com uma construção de estruturas, eletricidade, materiais, robótica, processos químicos?
5) Quanto vale a ciência e tecnologias na área de agronegócios, que fazem do Brasil uma das maiores potencias mundiais no setor que traz divisas e cria empregos por todo o país e ao mesmo tempo responde por grande parte do equilíbrio da nossa balança econômica?
6) Quanto valem os resultados que os nossos médicos, biomédicos, biólogos e outros professores e alunos da área de saúde produziram para que tenhamos inúmeras técnicas e estratégias de saúde pública em nosso estado? Por que será que todos os presidentes da república sempre vêm para um hospital paulista? Será que é porque os médicos foram formados ou estiveram de alguma forma ligados às universidades paulistas e o que elas fazem?
7) Quanto vale o conhecimento sobre a biodiversidade paulista e brasileira, responsável pelo equilíbrio ambiental que permite a estabilidade de nosso clima e da nossa economia?
8) Quanto custa poder escolher encher o tanque do automóvel com álcool ou gasolina e com isto ter um ar mais limpo nas cidades?
9) O que será das próximas gerações sem professores bem formados? Sem as pesquisas que os nossos físicos, químicos, biólogos, sociólogos e outros pesquisadores básicos estão fazendo agora em seus laboratórios para que tudo isto se torne serviço essencial no futuro?

É uma ilusão, talvez um delírio, achar que no meio destes três gigantes complexos e obsessivos por produzir conhecimento exista um aparelhamento político.

Se a CPI das Universidades fizer as perguntas certas e se informar adequadamente, seu resultado provavelmente será o de tornar as universidades paulistas ainda mais fortes. Isto porque nós, a população paulista que votou nos nossos parlamentares, esperamos que o caminho à frente seja iluminado pelas universidades, para que possamos viver melhor, com maior bem-estar e com saúde. Tudo isso num sistema democrático onde haja liberdade para pesquisas e para expressão. Um lugar onde o conhecimento beneficie a todos sem distinção. Uma CPI das Universidades pode ser importante. Ela tem uma responsabilidade do tamanho da complexidade das três Universidades estaduais paulistas. Promover mudanças é sempre saudável e necessário, mas isto tem que ser feito com muito cuidado, pois estamos lidando com o futuro de mais denquarenta e quatro milhões de habitantes. Os membros da CPI das universidades precisam refletir sobre as consequências dos seus atos e olhar em perspectiva a importância do sistema universitário paulista. As consequências de atitudes açodadas e assentadas em falácias podem ser desastrosas e levar ao colapso um sistema robusto e de excelência construído com muito esforço e sacrifício pela sociedade paulista.

 

Marcos Buckeridge

Presidente

 

Vanderlan

Vice-Presidente

 

Bolzani Hamilton Varela

Diretor Executivo

 

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Edital de Convocação Reunião Mensal

Edital de Convocação Reunião Mensal

 

Estão convocados os membros da Diretoria Executiva, Conselho Deliberativo e Representantes dos Institutos de Pesquisa, biênio 2018/2019, para participarem da reunião mensal desta entidade, no dia 08 de maio de 2019, às 14h:00, no Instituto Biológico, no auditório José Reis, 5o. andar, Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252 – São Paulo, com a seguinte pauta:

  1. Atualização sobre as ações do Fórum em Defesa da Agricultura.
  2. Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão.
  3. Situação dos entendimentos com o Instituto de Engenharia.
  4. Informes sobre as ações judiciais em andamento.
  5. Informes da tesouraria.
  6. Readequação do site e redes sociais.
  7. Carreira de apoio.
  8. Outros assuntos.

 

Cleusa Maria Mantovanello Lucon

Presidente da APqC

Campinas, 06 de maio de 2019

 

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Diretoria APqC biênio 2018/2019

 

 

APqC convida para Ato em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão

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No próximo dia 8 de maio (quarta), a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) participará, junto à outras entidades e organizações da sociedade civil, do Ato em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão, ameaçadas pelos governos federal e estadual com cortes de verbas e privatizações. Os resultados dessa Frente Parlamentar dependerão de nosso apoio e engajamento, por isso é de suma importância que estejamos presentes na abertura e demonstremos unidade e força na Assembleia Legislativa. É importante a presença de todos e todas para barrarmos o retrocesso nas áreas da Educação e da Pesquisa Científica. Faça sua inscrição no grupo do evento no Facebook e no site da APqC (links abaixo). Estamos à disposição para eventuais dúvidas. Agende-se e ajude a divulgar.

Clique aqui para confirmar sua presença no grupo do evento no Facebook.

Clique aqui para confirmar presença no site da APqC e informar se necessita de ônibus para o seu translado.

Circula abaixo-assinado em defesa do Instituto de Botânica

IBsp

O anúncio feito pelo governador João Dória Jr., de que concederá o Jardim Botânico à iniciativa privada, causa preocupação na comunidade científica. O Instituto de Botânica funciona dentro da área que será concedida – e isto colocaria em risco o trabalho desenvolvido ali pelos pesquisadores.

O governador afirma que a concessão fará com que o governo deixe de gastar com a manutenção do Jardim Botânico (cerca de R$ 4 milhões anuais para a conservação da estrutura que existe desde 1928), que recebe uma média de 270 mil visitantes por ano. No entanto, não houve diálogo com pesquisadores e servidores do Instituto nem esclarecimento sob a situação do mesmo no referido cenário.

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) entende que a pesquisa científica e tecnológica deve ser independente e voltada aos interesses sociais, assim como defende que a propriedade intelectual gerada pelas pesquisas deve permanecer nas mãos do Estado.

Neste sentido, pedimos aos colegas dos institutos de pesquisa e demais cidadãos e cidadãs paulistas que assinem o seguinte abaixo-assinado e ajude a divulgar para a sociedade a ameaça que paira sob a contnuidade dos trabalhos realizados pelo Instituto de Botânica.

Para assinar o abaixo-assinado clique aqui.

Leia abaixo a íntegra da súmula da reunião que a APqC promoveu com o Secretário da Infraestrutura e do Meio Ambiente (SIMA), Marcos Penido, e demais autoridades, no último dia 2 de maio. Na ocasião, a situação do Instituto de Botânica foi pauta da conversa.

Súmula da Reunião da APqC na SIMA, dia 02.05.2019 (15h)

Estiveram presentes na reunião o secretário da Secretaria da Infraestrutura e do Meio Ambiente Marcos Penido, sub-secretário Eduardo Trani, assessor Paulo da SIMA, deputada Carla Morano (PSDB) e sua assessora Monica Nascimento, Renato Scardoelli (assessor da deputada Beth Sahão (PT)), João Paulo de Castro Bernardes (assessor da deputada Janaína Paschoal – PSL), Cleusa M. Lucon (presidente da APqC), Joaquim Adelino de Azevedo Filho (vice presidente da APqC), Frederico Arzolla (Presidente da CPRTI), Gustavo Armani (CPRTI), Helena Goldman (advogada da APqC), Adriana Fidalgo (representante do IBt na APqC), Roberta Buendia (assessora da SIMA), Luiz Mauro (diretor do IBt), Emerson (assessor do IBt), PqCs Marcos Tiné, Marcos Aidar e Iracema Crusius, além de outros assessores da SIMA.

Na antessala do local onde aconteceu a reunião, Helena e Cleusa falaram a deputada Carla Morano sobre a preocupação com os prazos da concessão (30 anos), pois em poucos anos praticamente não haveria mais pesquisadores na ativa devido à falta de concursos, colocando em risco a continuidade das pesquisas científicas. A resposta da deputada foi que os deputados não têm poder sobre o orçamento do estado e o tema seria de competência do Poder Executivo.

No início da reunião propriamente dita, a deputada Carla falou ao secretário sobre a preocupação dos pesquisadores com a continuidade das pesquisas e com os locais onde elas são realizadas diante da perspectiva de ser aprovada a concessão do IBt e Zoo, na forma como consta no PL183. Falou que mudanças na redação e conteúdo do PL seriam necessárias.

O secretário explicou que o Estado tem que cuidar prioritariamente da saúde, educação, segurança, habitação e transporte, sendo que hoje o Estado conta com capacidade para investimento de apenas 5%, logo, não há orçamento suficiente para investir em todos os seguimentos. Assim, entende que a concessão de setores para a iniciativa privada, seria uma alternativa para conseguir investimentos, modernização e melhorias sem onerar o Estado. Disse que o Estado não está se desfazendo de nada, mas procurando investimentos para esses setores. Explicou ainda que todas as dependências do Jardim Botânico, incluindo o IBt, ou seja, as áreas de pesquisa, estão contidas no PL183 para que do concessionário seja cobrada a manutenção dos mesmos.

Os pesquisadores por diversas vezes levantaram a questão da falta de recursos humanos e sobre a necessidade da abertura de concursos, informando ao Poder Executivo que do quadro de 115 pesquisadores, hoje o instituto conta com apenas 59 pesquisadores e nos próximos 5 anos, 36 poderão se aposentar, restando apenas 23, comprometendo a biodiversidade, unidades de conservação, planos de manejo e inúmeras linhas de pesquisa em desenvolvimento. A resposta do secretário foi que é início de governo e que não há perspectiva de abertura de novos concursos devido à falta de verba. Falou também que mesmo os PqCs aposentados significam ônus para o Estado pois permanecem recebendo seus benefícios dele. Portanto, não há interesse em aumentar o quadro de pessoal no momento. Prevê a possibilidade de contratação via concessionária, inclusive de pesquisador científico com a qualificação desejada.

A CPRTI destacou a necessidade da abertura de concurso público ao menos para repor as áreas estratégicas, e pontuou a diferença entre um pesquisador contratado e um pesquisador concursado, lembrando que o pesquisador concursado consegue desenvolver trabalhos de curto, médio e longo prazo, enquanto o contratado, por não ter vinculo, apenas desenvolve trabalhos pontuais de curto prazo. Citou, como exemplo, o IF, IBt e IG, responsáveis por inúmeros planos de manejo e criação de unidade de conservação, e que este trabalho só era possível por pesquisadores com vínculo, que possuem amplo conhecimento acumulado em vários temas sobre as áreas naturais do estado.

Além disso, alguns participantes da reunião mostraram o risco de as pesquisas científicas perderem o viés público com finalidade social, e somente serem realizada pesquisas com retorno financeiro da concessionária. Ademais, foi externada grande preocupação com a intenção governamental de permitir que a concessionária desenvolva atividades de pesquisa, de forma independente, dissociada do Instituto de Botânica, garantindo a ela a propriedade intelectual de sua pesquisa gerada. Salientou-se a existência de outros caminhos jurídicos que permitem o desenvolvimento da Pesquisa Científica pela iniciativa privada, como o Núcleo de Inovação Tecnológica.

O secretário considera a concessão positiva porque vê a possibilidade de não somente haver melhor manutenção dos edifícios e modernização do Jardim Botânico destinado à visitação, mas também investimentos na pesquisa científica através da contratação de cientistas qualificados para atender a demandas do próprio concessionário e/ou da SIMA.

Afirmou várias vezes que a pesquisa científica do Instituto de Botânica permanecerá sendo de propriedade do Estado, que as pesquisas continuarão sendo realizadas nos mesmos locais onde são feitos atualmente e que investimentos para cuidar de coleções como as do herbário e outras, serão inclusos no contrato de concessão. Ele considera a concessão como um acréscimo de recursos financeiros e de pessoal a um quadro mínimo de PqCs, recursos e pesquisas que deverão permanecer ativas na instituição, inclusive para atender aos requisitos necessários para que o Jardim Botânico permaneça no nível A, aspecto ressaltado também pelo diretor Luiz Mauro.

Com relação aos repasses financeiros do concessionário para o IBt, o secretário concordou que deverão ser efetuados para o Fundo Especial de Despesa do IBt, não permanecendo no Tesouro como estava inicialmente previsto. Explicou que o Edital público será submetido à Audiência Pública e que uma modelagem financeira definirá a duração da concessão e periodicidade dos repasses financeiros.

Dra. Helena (advogada da APqC) trouxe uma sugestão de minuta para alteração do texto original do PL 183. A redação sugerida ao PL183 foi lida para todos, sendo aceitas as modificações quanto a destinação do repasse financeiro, conforme supra referido, bem como que as coleções científicas e sua gestão técnico-científica continuariam sob responsabilidade do Instituto de Botânica, inclusive aquelas associadas ao Jardim Botânico, além da garantia da gratuita a alunos de escolas públicas.

Entretanto, os pontos para que a pesquisa científica, tecnológica e inovação fosse realizada de forma exclusiva pelo Estado, sendo resguarda a competência administrativa do Instituto de Botânica e que a propriedade intelectual gerada pela pesquisa fosse do Estado, não foram aceitos pelo Secretário, sendo um dos argumentos de que a proposta estaria sendo demasiadamente “engessada”. Sugeriu-se que a advogada Helena e a assessora Roberta se reúnam para elaborar nova redação dos artigos mais críticos.

O subsecretário Eduardo Trani informou que criou uma comissão para a revalorização das pesquisas científicas sobre biodiversidade, conservação e proteção, pesquisa aplicada e estabeleceu uma agenda para criação de novas unidades de conservação. Solicitou que os pesquisadores tragam pesquisas para captar recursos da câmara de compensação ambiental para unidade de conservação e zonas de amortecimento, e que estão correndo atrás de investimentos da FAPESP, FEHIDRO e FID.

Em síntese, o que se concluiu da reunião é que a abrangência da concessão para a iniciativa privada, por meio do PL183 é bem maior do que as áreas de visitação pública do Jardim Botânico, também se estendendo sobre a pesquisa e suas coleções científicas. Para minimizar as preocupações da comunidade científica diante disso, o texto do PL183 precisa ser urgentemente modificado.

APTA aplica pesquisa para evitar “gosto de barro” em pescados

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Apesar de ser um dos países com a maior quantidade de água fluvial no mundo, o Brasil ainda consome pouco o pescado de água doce. Segundo o IBGE, o brasileiro consome 9,5 kg de peixe por ano (a média mundial é de mais de 20 kg por habitante) e apenas uma ínfima parte deste montante é de peixes oriundos de rios. Um dos motivos para o baixo consumo é o chamado “gosto de barro”, identificado por muitas pessoas, na carne destes pescados.

Visando evitar o off-flavor (sabor e odor desagradável da carne de peixe), que reduz pela metade o valor para venda, a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), tem desenvolvido pesquisas para orientar aquicultores a manejarem de forma correta a sua produção.

Segundo Gianmarco Silva David, pesquisador da APTA, a causa do “gosto de barro” de alguns peixes decorre de substâncias denominadas geosmina e a metil-isoborneol (MIB), produzidos, principalmente, por cianobactérias e eventualmente estreptomicetos, organismos que vivem no próprio ambiente de cultivo do pescado. Ele explica que quanto mais suja a água, maior a tendência de ocorrer problemas com off-flavor. “Ao contrário do que muitos pensam, o aquicultor não cultiva peixe, mas sim água limpa. Apenas com a água limpa é possível produzir organismos aquáticos saudáveis e de qualidade, por isso, a importância da preservação ambiental”, diz.

Para não sujar a água é necessário dimensionar a capacidade do ambiente em suportar a produção do pescado. A eficiência é outro fator apontado pelo pesquisador. Para Gianmarco é necessário “avaliar a quantidade de ração adequada à produção, trabalhar com ração de alta qualidade e evitar que os animais fiquem estressados, prejudicando a boa conversão alimentar”.

Dentre as novas tecnologias e ações de transferência de conhecimento tocadas pela APTA, o pesquisador destaca o trabalho realizado em Ilha Solteira, principal região produtora de pescado do Estado de São Paulo. “Identificamos situações que podem acarretar perda da qualidade da água e damos suporte aos produtores para melhorar a qualidade da mesma e, assim, valorizar a sua produção”, explica.

A APTA, por meio do Polo Regional de Bauru e do Instituto de Pesca (IP-APTA), em conjunto com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e as universidade dinamarquesas University of Copenhagen e Aalborg University, desenvolveu projeto de pesquisa temático financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para estudar o off-flavor. O projeto foi finalizado em 2018 e já originou várias publicações de artigos em revistas científicas internacionais como Aquaculture Environment Interactions e International Journal of Fisheries and Aquatic Studies.

Prejuízos estimados

O Anuário Peixe BR de 2019 mostra que a produção brasileira de pescado foi de 722 mil toneladas em 2018 e a paulista de 73 mil toneladas. De acordo com Gianmarco, as estimativas apontam que em cerca 10% da produção ocorram problemas relacionados ao off-flavor, o que geraria um prejuízo de, aproximadamente, R$ 13 milhões no Estado de São Paulo.

Este prejuízo, porém, é muito maior, segundo o pesquisador. “O principal problema é que a produção de peixe é estigmatizada. As pessoas costumam dizer que não gostam de peixe de água doce por conta do gosto de barro, que erroneamente consideram uma característica intrínseca dos peixes de rios e lagos. Isso prejudica toda a indústria do pescado, que tem trabalhado para mitigar o problema, evitando o processamento e venda de peixes com problemas de off-flavor. Esta é uma barreira para o crescimento do mercado nacional”, explica.

Laboratório de Qualidade da Água

O Instituto de Pesca mantém em São Paulo um dos únicos laboratórios do Brasil a concentrar análises físicas, químicas e biológicos da água para dar suporte à sustentabilidade ambiental das atividades relacionadas ao meio aquático. O Laboratório de Qualidade da Água do IP é qualificado a atender diferentes setores do agronegócio, em especial as atividades voltadas à pesca e à aquicultura, dependentes da qualidade dos recursos hídricos. “Este laboratório é muito importante para nossas pesquisas com off-flavor, com grande sinergia com as equipes da APTA que atuam no interior do Estado atendendo às demandas regionais da aquicultura. Água limpa é a principal questão para o produtor evitar o problema e disponibilizar à indústria e ao consumidor produtos de alta qualidade”, afirma Gianmarco.

Bruno Ribeiro, com informações da assessoria de imprensa da APTA.

Pesquisadora e deputada falam sobre a luta em defesa do Instituto de Botânica após privatização

Em conversa com a deputada estadual Beth Sahão, a pesquisadora científica Dra. Addolorata Colariccio fala sobre a importância do Instituto de Botânica para o Estado de São Paulo e manifesta sua preocupação com o destino do mesmo diante da privatização da área onde está situado. Fiscalização sobre o edital e o trabalho da empresa concessionária será a próxima luta da Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão.