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“E assim acaba o mundo…”

“… não com uma explosão, mas com um gemido”, concluía T. S. Eliot, em The Hollow Men . Uma pandemia não é menos destrutiva que uma guerra. Pode, no entanto, ser desqualificada, total ou parcialmente. Sejamos claros: em nenhum momento a COVID-19 assolou o Brasil como agora. Crescem as internações e mortes. Disseminam-se variantes virais, provavelmente mais transmissíveis e talvez causando doença mais grave. Pior: é possível que essas variantes escapem à imunidade conferida pelas vacinas.
Que essa não é uma situação sem esperança demonstram os exemplos da Nova Zelândia, Alemanha e Espanha. E o movimento coerente (ainda que tardio) do município de Araraquara, no interior paulista. Porém vivemos uma epidemia de cegueira que ultrapassa as previsões de Saramago. O pacto coletivo de autoengano consistia em negar o que ocorre na Europa. Agora se estende a ignorar o colapso da cidade vizinha.
Como entender que Araraquara e Jaú estejam em lockdown enquanto Bauru, a 55Km da última, faz passeatas pelo direito de aglomeração? Sem dúvida esse é um caso para análise em antropologia e ciências do comportamento. Não que se menosprezem os danos econômicos, sociais e psicológicos do distanciamento. Mas na emergência da saúde pública, o valor intrínseco da vida deve ser reforçado. Não sabemos tudo, mas já acumulamos fortes evidências. As “medidas não farmacêuticas”, incluindo distanciamento social por fechamento de comércio, inibição de aglomerações e uso rigoroso de máscaras são o único (amargo) caminho para interromper a progressão da COVID-19.
Não conseguiremos vacinar a tempo. É possível que o vírus se antecipe à vacina, com suas mutações de escape. A transmissão do coronavírus gera oportunidades para surgimento de variantes. É urgente, pois, interrompê-la. Mas se continuarmos a pensar que Araraquara e Jaú são longínquas ilhas do Pacífico marcharemos rapidamente para o colapso da saúde. Não no Estado de São Paulo, mas no país.
Passamos pela fase da ilusão de “enterros falsos”. Muitos de nós já tiveram vítimas fatais na família. Também já estão soterradas as pílulas milagrosas, cloroquina, ivermectina e nitazoxanida. Os antivirais com resultados promissores são novos, caros, inacessíveis. O prefeito de Araraquara já menciona dificuldade em conseguir oxigênio. O caos está aqui, está em todo lugar.
Pesa sobre nós uma escolha. De um lado temos o darwinismo social, em que aceitaremos a morte de centenas de milhares como uma pequena inconveniência suportada em nome da economia. Do outro, a chance de aprender com as lições positivas e negativas de outros países. Como bom exemplo, temos a Nova Zelândia. No extremo oposto, os Estados Unidos. Ainda há tempo para deixarmos de bater continência a réplicas da Estátua da Liberdade e reconhecermos que Trump levou seu país ao fundo do poço da saúde pública.
Não será o fim do mundo, mas já é uma catástrofe sem precedentes. Silenciosa, exceto pelos ruídos de ambulâncias e ventiladores mecânicos, quando existem. Ou pelos gemidos daqueles a quem falta o ar. Uma agonia tão intensa e destrutiva quanto bombardeios.
Manipular politicamente o boicote às medidas óbvias de contenção da COVID-19 foi a receita para o caos, tanto nos Estados Unidos quanto no Amazonas. Não é muito desejar que aprendamos com nossos erros. “O que a vida quer da gente”, diria Guimarães Rosa, “é coragem”.

Assinam:

Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza , Professor Associado da Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista (UNESP). Presidente Eleito da Sociedade Paulista de Infectologia, diretor da International Federation of Infection Control (IFIC) .
Luís Fernando Aranha Camargo , Professor Adjunto de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Dimas Tadeu Covas , Professor Titular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (USP). Diretor do Instituto Butantan.
Marcos Boulos , Professor Titular aposentado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)
Rodrigo Nogueira Angerami , Médico infectologista, Coordenador do Núcleo de Vigilância Epidemiológica, Hospital de Clínicas, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Coordenador Nacional do Program for Monitoring Emerging Diseases (ProMED) da International Society of Infectious Diseases .
Benedito Antônio Lopes da Fonseca , Professor associado da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (USP)
Eduardo Massad , Professor Titular da Fundação Getúlio Vargas- RJ, Professor Titular Aposentado da Universidade de São Paulo, Professor Honorário da London School of Hygiene and Tropical Medicine.
Francisco Coutinho , Professor Senior do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina de Universidade de São Paulo (USP)
Gonzalo Vecina , Professor da Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo (USP)

Pesquisas do Instituto Agronômico de Campinas transformam mercado e consumo da mandioca no Brasil

Tipicamente brasileira, a mandioca faz parte da cultura alimentar do Brasil, tendo espaço na alimentação do dia a dia e até mesmo na alta gastronomia. O que pouca gente sabe é que por trás desse produto, considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o alimento do século XXI, há muita ciência e tecnologia. Esse alimento consegue atravessar décadas por carregar forte bagagem científica, em que o Instituto Agronômico (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, é o protagonista.

Desenvolvida pelo Instituto Agronômico, por exemplo, a mandioca IAC 576-70 é conhecida pelos agricultores de todo o Brasil como Amarelinha, por ter polpa de coloração creme-amarelada quando crua e amarelada quando cozida. O material produz cerca de 30 toneladas de raízes por hectare, 28% superior às variedades de mesa de polpa branca, aproximadamente, e possui 10 vezes mais betacaroteno, precursor da vitamina A.

“A Amarelinha tem 250 UI (Unidades Internacionais) por 100g de polpa de vitamina A, aproximadamente, sendo que as variedades de polpa branca possuem 20 UI por 100g. O IAC continua suas pesquisas para desenvolver materiais mais produtivos e enriquecidos com nutrientes. Esperamos lançar em breve novas variedades que podem chegar a mais de 1.000 UI por 100g de polpa de vitamina A, nutriente importante para a visão e o sistema imunológico”, explica José Carlos Feltran, pesquisador do Instituto, ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

Para o consumidor, o material do IAC tem mais duas características importantes: cozinha em cerca de 30 minutos e tem baixo teor de ácido cianídrico (HCN), veneno que pode ser encontrado em raízes de mandioca, principalmente naquelas voltadas à produção de farinhas e fécula, na indústria.

Além da vantagem produtiva e nutricional, Feltran explica que a Amarelinha transformou o mercado da mandioca de mesa para um sistema de produção de agronegócios. “Antes do seu lançamento, na década de 1980, as mandiocas de mesa eram vendidas em caixas para os centros de distribuição, como a Ceasa e Ceagesp. Hoje, o produtor consegue descascar essa mandioca e resfriar ou mesmo cozinhar e congelar, colocando no mercado um produto de alto valor agregado”, afirma.

Essa transformação é verificada em números. Segundo o pesquisador do IAC, no sistema tradicional de venda de mandioca de mesa, o produtor ganha cerca de R$ 0,80 centavos por quilo, em fevereiro de 2021, valor considerado alto. Com o trabalho de descascamento e inserção do produto na cadeia de frio, o mandiocultor pode ganhar mais de R$ 2,50, por quilo.

Novos mercados

Feltran afirma que novos mercados podem surgir para a mandioca, como o de farinhas especiais, produzidas com as variedades de mesa enriquecidas com nutrientes, como a Amarelinha e demais materiais em estudo pelo IAC. “Estamos fazendo testes com variedades que, além do alto índice de vitamina A, têm quatro vezes mais cálcio do que as mandiocas de hoje comercializadas. O mercado de farinha especiais é uma possibilidade, pois teríamos uma farinha enriquecida com esses nutrientes”, afirma.

Para isso, porém, não basta apenas usar os materiais de mesa do IAC para a produção convencional nas farinheiras, sendo necessários ajustes na produção. De acordo com o pesquisador, ocorre perda de nutrientes no momento da produção das farinhas e, para evitá-la ou reduzi-la, é recomendado o uso de embalagens especiais e conservação do produto em ambiente mais fresco.

O pesquisador do Instituto da Secretaria também cita que a parte aérea da planta da mandioca pode ser utilizada para alimentar animais de produção como aves e ruminantes, após processo de ensilagem ou fenação. “Como são materiais enriquecidos, eles podem trazer benefícios enormes para a produção de animais, podendo melhorar, inclusive, as características reprodutivas”, afirma.

Pesquisa integrada para gerar renda ao produtor e alimentos melhores para os consumidores

O desenvolvimento das pesquisas com mandioca no IAC se iniciou na década de 1930. De acordo com Feltran, ao longo desses anos, o programa de melhoramento genético do Instituto contou com diversos pesquisadores e técnicos, que trabalharam e ainda trabalham de forma conjunta para desenvolver novos materiais e transferir essas tecnologias e conhecimentos para os agricultores.

“Hoje, testamos os novos materiais na fazenda do IAC, em Campinas, mas também em diversas unidades da APTA Regional e produtores rurais. Contamos ainda com técnicos da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS), também da Secretaria, para levar conhecimento aos agricultores paulistas. É um trabalho feito em conjunto, que contou com várias gerações de pesquisadores e técnicos agrícolas”, conta.

Produção paulista de mandioca

Atualmente, o Brasil produz 22 milhões de toneladas anuais de mandioca de mesa e para a indústria, cultivadas em 1,8 milhão de hectares, aproximadamente. Toda essa produção é utilizada para consumo de mesa e para a produção de farinha, amido e polvilho. O estado do Pará é o maior produtor nacional.

São Paulo produziu 1.363,7 mil toneladas de mandioca para indústria, cultivadas em 63,2 mil hectares, principalmente nas regiões de Assis, Presidente Venceslau e Marília, que juntos somam mais de 50% da produção paulista, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), na safra 2019/2020.

As lavouras paulistas produziram 247,1 mil toneladas de mandioca de mesa, na safra 2019/2020, em área de 19,8 mil hectares, principalmente na região de Mogi Mirim, que contribuiu com mais de 30% da safra estadual. “A grande totalidade desta produção é centrada nas cultivares de mandioca desenvolvidas pelo IAC, como exemplo podemos citar além da IAC 576-70 (mesa), as cultivares IAC 13, IAC 14 e IAC 90 destinadas ao uso industrial. É o trabalho do Instituto gerando renda no campo e bem estar ao cidadão paulista”, afirma Feltran.

Fonte: Assessoria de Comunicação / APTA

Pesquisador do Instituto Biológico explica como identificar e prevenir a presença de cupins em árvores

“Minha árvore tem cupins?” é uma dúvida muito frequente entre a população. Mas como saber se uma árvore está infestada? O pesquisador do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Francisco José Zorzenon, explica o que são cupins e como eles podem ser identificados. Neste verão, a Secretaria faz uma série de textos especiais para tratar das chamadas pragas urbanas.

“Os cupins são criaturinhas incríveis, mas em alguns casos muito destrutivas. Eles são insetos atualmente considerados baratas pela ciência”, afirma. De acordo com Zorzenon, os cupins são insetos sociais, ou seja, possuem indivíduos que realizam diferentes tarefas em seu ninho, também chamado de colônia. Existem os cupins operários, que praticamente cuidam de tudo, desde a procura por alimento até a construção dos ninhos. Há os soldados, com a função de proteger a colônia de inimigos, como as formigas; e os reprodutores, chamados reis e rainhas, pais de todos os cupins da colônia.

“Em algumas espécies de cupins, os reis e rainhas podem viver por 20 a 30 anos ou mais. Uma rainha, dependendo da espécie, pode colocar mais de 30 mil ovos por dia. Por isso, algumas vezes, as colônias de cupins são enormes, semelhantes às cidades em sua devida proporção”, explica o pesquisador do IB.

Todos os cupins são agentes ecológicos importantes, pois possuem a função de decompor os vegetais, principalmente a madeira, estando ela na natureza ou mesmo nas cidades. Eles também servem de alimento para aves, sapos e peixes, por exemplo. “Mas da mesma forma em que são muito importantes para o meio ambiente, podem também ser considerados pragas levando à grandes prejuízos econômicos”, diz.

Cerca de três mil espécies de cupins são conhecidas no mundo e 300 delas, aproximadamente, são encontradas no Brasil. Entre as espécies, os cupins subterrâneos são os mais prejudiciais para as árvores. Chamados de cupins de solo, eles constroem suas colônias nas raízes de árvores, casas e prédios, sendo praticamente impossível de serem identificados.

“Qualquer árvore pode ser atacada por cupins, sendo que um ataque severo, associado a outros fatores, pode levar a queda da árvore prematuramente. Podas mal feitas, falta de adubação e espaço para as raízes, falta de planejamento e plantio de espécies inapropriadas ao local, vandalismos e descuidos em geral, favorecem o aparecimento de pragas e doenças nas árvores urbanas, o que causa transtorno, principalmente no período de chuvas, com a queda dessas árvores”, explica.

Como saber se a árvore está infestada?

Segundo o pesquisador do IB, existem sinais que podem mostrar se uma árvore está ou não com cupins, apesar de a identificação não ser tão fácil.

“Troncos e galhos com a presença de caminhos semelhantes a tubos ou cordões terrosos são um dos principais indicadores da presença de cupins de solo. Estes caminhos terrosos são formados por solo e fezes de cupins e servem como verdadeiras avenidas por onde passam os operários à procura por alimento e de soldados que os protegem. Observamos a presença dos insetos quando mexemos nesses caminhos e logo após, vemos uma grande quantidade de cupins saindo deles”, explica.

Outra dica é observar a revoada de siriris ou aleluias, saindo de ocos de árvores infestadas, sendo um forte indicativo da presença de ninho na planta. Sintomas como a queda prematura de galhos, amarelecimento e queda abundante de folhas fora de época, rachaduras e ocos em troncos e galhos, florescimento tardio, precoce ou não florescimento (fora de época), brotamento tardio, murcha, seca e morte da árvore sem motivo aparente, podem ser indicativos da presença de cupins.

Identificação profissional

O pesquisador do IB alerta que todos estes sinais são usados para a análise visual. Existem, no entanto, outros meios mais complexos e completos usados por técnicos profissionais governamentais ou particulares.

Uma das ferramentas é o uso de microcâmeras que, após serem introduzidas no interior dos troncos, mostram a presença dos cupins e seus danos. Aparelhos ainda mais sofisticados como o penetrógrafo ou resistógrafo (equipamentos com uma espécie de broca muito fina e sensível) conseguem dizer como está o tronco em relação a sua resistência.

“Há ainda os aparelhos chamados tomógrafos de árvores, onde é possível formar imagens na tela de computadores e “enxergar” internamente o tronco da planta e ver o seu estado quanto a presença de cavidades e áreas comprometidas”, afirma.

Em épocas mais quentes e chuvosas, os cupins promovem um espetáculo da natureza.

Apesar dos transtornos, os cupins promovem um grande espetáculo da natureza nos períodos mais quentes e chuvosos, como na Primavera e Verão. São as chamadas revoadas, em que os machos e fêmeas alados (os futuros reis e rainhas), popularmente conhecidos por siriris ou aleluias, voam para achar seus pares, procurar por um novo local, acasalar e fundar novas colônias.
“Eles saem de seus ninhos geralmente em dias de maior umidade e ao entardecer, voando aos milhares. Nesta hora, muitos animais como aves, lagartos, sapos e outros bichos, realizam verdadeiros banquetes, comendo os cupins e diminuindo significativamente a possibilidade de formação de novos casais e futuros ninhos”, explica o pesquisador.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Globo Rural destaca variedade de pássaros que vivem no Instituto Butantan

O Globo Repórter de domingo recuperou uma reportagem de 2019, feita por José Hamilton Ribeiro, sobre a incrível variedade de pássaros que vivem nas áreas verdes do Instituto Butantan. São cerca de 160 espécies. A reportagem está disponível a partir dos 35m05s de vídeo.

Instituto de Pesca desenvolve método mais barato para criação de lambari

Pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), utiliza materiais alternativos de baixo custo para construção de tanques de recirculação voltados à criação de lambari da Mata Atlântica. O peixe, da espécie Deuterodon iguape, é usado como isca-viva na pesca esportiva do robalo e seu cultivo reduz a captura predatória de outros organismos do ambiente para o mesmo fim, em especial o camarão-branco (Litopenaeus schmitti).

“Na pescaria do robalo, que é um dos peixes mais valorizados pela pesca recreativa, é muito utilizado o camarão vivo e, em virtude da sobrepesca e do desrespeito ao ciclo de vida do animal, a captura dessa espécie nos estuários é considerada atualmente uma atividade predatória”, afirma Marcelo Barbosa Henriques, pesquisador do IP. Há um bom tempo, Henriques e sua equipe vêm buscando introduzir o lambari como alternativa de isca-viva ao crustáceo para a pesca esportiva no litoral sul paulista, justamente por se tratar de uma espécie que pode ser cultivada. Para isso, num trabalho inicial foi feita a comparação da eficiência de pesca do camarão e do lambari. “Nesse primeiro projeto, chegamos à conclusão de que o lambari, cultivado nos chamados tanques de recirculação, é mais barato que o camarão e também uma isca mais eficiente para pesca de robalo em rios, por se mostrar mais atrativo nesse tipo de ambiente”, relata. Essa pesquisa foi publicada em um dos mais importantes periódicos internacionais que tratam do assunto, Fisheries Management and Ecology.

Além de dar um fôlego maior à população de camarões no ambiente, o cultivo de lambari passou a ser defendido pelo especialista como uma possibilidade de renda interessante para produtores da região. Uma vantagem desse sistema, explica o pesquisador do IP, é que, para isca-viva, o criador vende o peixe por unidade, não por quilo, o que favorece o estabelecimento na atividade dos pequenos aquicultores, principalmente no sistema alternativo de baixo custo desenvolvido. “Se o produtor for vender lambari por quilo, teria que trabalhar com viveiros grandes, escavados, onde são colocados centenas de milhares de lambaris. Vendendo por unidade, o pequeno produtor pode trabalhar com tanques de recirculação de 8 a 10 mil litros, com cerca de 4 mil peixes por tanque”, pormenoriza.

Inovação a custo baixo

Conforme conta o pesquisador, tradicionalmente a piscicultura brasileira é feita no sistema semi-intensivo de viveiro escavado, onde se cava um viveiro na terra com entrada e saída de água para renovação ininterrupta. “Em virtude do aumento da preocupação com a escassez hídrica, no entanto, a aquicultura mundial está mudando em direção a sistemas de recirculação, onde há troca zero de água”, pontua o especialista. Segundo afirma, esse sistema também evita a entrada de patógenos e substâncias químicas, como defensivos, que podem estar presentes na água captada em rios, por exemplo. “Nesse caso, por não haver renovação, é necessário um controle maior dos parâmetros de água, e também um excelente filtro biológico para processar os micro-organismos presentes e evitar que a água se torne tóxica para os peixes”, pondera Henriques.

Com o objetivo de tornar a atividade viável para produtores e comunidades de baixa renda, Henriques e sua equipe aperfeiçoaram métodos de criação de peixes já existentes. “No nosso sistema, especificamente, adaptamos uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa, originalmente para cultivo de tilápia, e aplicamos ao lambari”, diz o especialista. O pesquisador do IP elaborou um comparativo entre o sistema convencional de recirculação (com tanques e equipamentos de escala industrial) e seu sistema alternativo, de baixo custo, construído com materiais como papelão, lona plástica, madeira, bombinhas de aquário, redes de pesca usadas, baldes e tambores de plástico. “Nosso intuito era mostrar que, numa densidade não muito elevada, a atividade é vantajosa para gerar renda para o pequeno produtor, que precisa ter um domínio total do processo para não haver mortalidade”, detalha.

Comparando crescimento, ganho de peso e taxa de sobrevivência dos lambaris, os dois sistemas (tradicional e alternativo) tiveram resultados similares. “No nosso sistema, tivemos uma taxa de sobrevivência de 97%”, celebra o pesquisador. “Concluímos que o alternativo é uma opção viável e barata, sendo adequado para comunidades pesqueiras e pequenos produtores de baixa renda”, complementa.

Além dos benefícios ambientais, o projeto proposto por Henriques vem trazendo retorno econômico para a região. “Apostando neste tipo de cultivo do lambari, movimentamos toda uma cadeia produtiva (produtores, pequenos fornecedores de insumos, marinas, compradores das iscas etc), fortalecendo a economia local”, defende.

O pesquisador menciona que o sistema vem sendo testado em algumas cidades do litoral sul de São Paulo, com boa aceitação por parte do pequeno produtor. “Um dos aquicultores, de Itanhaém, conseguiu ampliar o número de tanques e passou até mesmo a diversificar a produção, cultivando verduras com a água do sistema dos peixes (técnica denominada aquaponia)”, anima-se Henriques. “O produtor, inclusive, sugeriu melhorias, como a colocação de coberturas sobre os tanques, para minimizar a incidência direta dos raios solares, o que pode ocasionar mortandade dos peixes em regiões muito quentes”, finaliza.

Fonte: Assessoria de Comunicação

APqC conclama à Alesp que aprove o PDL 22/20 e anule descontos adicionais em aposentadorias e pensões de servidores públicos

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) vem se somar aos servidores públicos no apoio ao PDL 22/20, de autoria do deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL), que está em trâmite na Assembleia Legislativa (Alesp). O projeto, que está apto a ser votado em regime de urgência, anula imediatamente os efeitos do decreto nº 65.021/20, do Governo de São Paulo, que estabelece descontos adicionais nas aposentadorias e pensões dos servidores estaduais.

Tais descontos estão em vigor desde outubro de 2020 e impactam na contribuição previdenciária de servidores aposentados e pensionistas que ganham a partir de um salário mínimo (R$ 1.045,00). Antes, só tinham a incidência de alíquota os benefícios que ultrapassavam o teto do INSS (R$ 6.101,06), sendo os demais isentos. O dispositivo, que faz parte do pacote da reforma da previdência estadual, aprovada pela Alesp no ano passado, passou a descontar 12% de quem recebe entre R$ 1.045,00 e R$ 3.000,00 e 14% sobre vencimentos que vão de R$ 3.000,01 e R$ 6.101,06. Para quem ganha acima do teto do RGPS (R$ 6.433,67), o desconto é de 16%.

A justificativa do Governo de São Paulo para alterar as regras da contribuição previdenciária é que se fazia necessário, em meio a um contexto de crise econômica, “frear o crescimento da despesa com pagamento de benefícios no Estado”. Porém, com a redução da receita líquida nos proventos e aposentadorias, a economia prevista de cerca de R$ 31 bilhões no prazo de dez anos, sairá do bolso dos servidores.

Antes de ser eleito, o governador João Doria garantiu aos servidores públicos que não atacaria a previdência estadual. O descumprimento da promessa de campanha faz com que os descontos previstos no decreto nº 65.021/20 se assemelhem a “confiscos”. A APqC entende, portanto, que os deputados e deputadas da Alesp, que aprovaram a reforma previdenciária, têm uma dívida para com os servidores públicos e precisam honrá-la aprovando o PDL 22/20.

O projeto de lei do deputado Giannazi já foi aprovado no congresso de comissões e só não foi à votação em plenário porque o Governo de São Paulo apresentou uma emenda de última hora, travando temporariamente o debate em torno da proposta. A APqC conclama aos nobres parlamentares que coloquem o PDL 22/20 em votação o mais rápido possível e que o aprovem, dando uma resposta democrática à esta demanda do funcionalismo público, em especial dos que já se aposentaram após tanto contribuirem à sociedade por meio de seu trabalho. Nossa Associação irá atuar junto à Alesp para que a Casa possa reparar a injustiça cometida contra estes servidores.


João Paulo Feijão Teixeira é presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC)

IAC usa sensoriamento remoto para avaliar estado hídrico da cana

Considerando as amplas extensões de áreas de cana-de-açúcar, qual a estratégia mais adequada para avaliar se as plantas estão em estresse hídrico ou se dispõem de água suficiente para alcançar a produtividade de três dígitos? Para contribuir nesse manejo que reflete na produtividade desta cadeia econômica com importância para produção de açúcar, etanol e bioenergia, o Instituto Agronômico (IAC) adotou o sensoriamento remoto, realizado por VANTs (Veículos Aéreos Não Tripulados) equipados com câmeras termográfica e multiespectral, em voos distintos. O IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, iniciou um estudo, no segundo semestre de 2020, com o objetivo de avaliar alternativas para monitoramento do estado hídrico da cana-de-açúcar, por meio de dados gerados por essas câmeras e avaliação do estado hídrico das plantas. Os resultados mostraram que a temperatura foi menor na área irrigada, variando na faixa de 22°C até 37°C, e na área não irrigada as temperaturas foram superiores a 37°C.

Os experimentos foram feitos em Ribeirão Preto, interior paulista. Nos ensaios foi adotada a cultivar IACSP95-5094. O estudo recebeu o Prêmio de melhor artigo no Inovagri Meeting Virtual, XXIX Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem e IV Simpósio Brasileiro de Salinidade, em dezembro de 2020.

Por meio das imagens, os cientistas interpretam o estado hídrico da planta, isto é, se ela está sob déficit, qual a intensidade desse estresse ou, ainda, se mantém boa condição de disponibilidade de água. “Para culturas com grandes áreas, é muito importante analisar e interpretar, através de imagens, se há estresse hídrico, qual a intensidade deste e o período de tempo no qual a planta está nesta condição”, avalia a pesquisadora do IAC, Regina Célia de Matos Pires.

O estudo conduzido pelo IAC é diferenciado porque há poucas pesquisas associando os resultados obtidos por imagens ao estado hídrico da planta com vistas ao entendimento da ocorrência ou não de déficit hídrico, ao planejamento da irrigação e ao seu manejo. O sensoriamento remoto traz benefícios para o setor sucroenergético com estudos de estimativa de biomassa, crescimento e vigor de plantas e levantamento de falhas, neste caso para saber, por exemplo, qual o número de mudas necessárias para reduzir as falhas no estande de plantas.

Segundo a pesquisadora, as avaliações permitiram registrar diferenças entre os tratamentos irrigados quando comparados ao manejo sem irrigação nas duas câmeras utilizadas. “As imagens termográficas têm potencial para avaliação do estado hídrico de plantas de cana-de-açúcar de modo rápido, não destrutivo e eficiente”, considera a pesquisadora do IAC, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

O fornecimento de água às plantas contribui para elevar a produtividade e a qualidade da produção. Para obter tais resultados, é fundamental conhecer os diferentes manejos de irrigação que podem ser aplicados em áreas extensas, visando ao uso eficiente da água e considerando o estado hídrico e o desenvolvimento da cultura.

A equipe do IAC trabalhou em dois grupos de plantas: um com irrigação e outro sem. Na área irrigada, a água foi aplicada por gotejamento superficial, com uma linha de tubogotejadores, por linha de plantio. “O manejo da água foi realizado com aplicação de 50% da evapotranspiração da cultura, caracterizada como uma irrigação deficitária”, comenta Regina. Neste tipo de irrigação, é disponibilizado um volume de água inferior à demanda da planta, naquele momento.

Para obtenção das imagens, a equipe utilizou o VANT de asa fixa da marca SenseFly, modelo eBee X. Nele foram acopladas, em voos distintos, as câmeras termográfica e multiespectral. As imagens termais foram feitas às 12h e às 15h, com a câmera térmica a 30 metros de altura. As imagens multiespectrais foram registradas em apenas um horário no período da tarde, com a câmera a 45 metros de altura. Os voos foram realizados nos meses de agosto e outubro de 2020. Os dados de clima, também considerados no estudo, foram obtidos em estação meteorológica automática do IAC, instalada em local próximo à área experimental.

De acordo com a pesquisadora, o planejamento e a execução do plano de voo foram feitos com o software eMotion, que permite controlar remotamente a aeronave durante a captação das imagens aéreas. O voo foi acompanhado em solo, mantendo sempre o contato visual com o VANT.

Feitas as imagens, elas foram mosaicadas, isto é, juntadas em duas ou mais, e ortorretificadas, processo de correções das distorções internas (do sistema) e externas (da paisagem), pelo software Pix4Dmapper. “A partir dos arquivos gerados na etapa de processamento dos dados, obtivemos os mapas com imagem espectral da área experimental, apresentando o índice de vegetação da diferença normalizada, também foi obtido o mapa com as temperaturas registradas pelo processamento da imagem termográfica”, explica.

As tecnologias de sensoriamento remoto aplicadas na agricultura têm permitido o monitoramento e o gerenciamento da variabilidade espacial e temporal das lavouras em tempo real. No Brasil, a área cultivada de cana-de-açúcar é de cerca de 10 milhões de hectares. A produtividade média é de 76,1 toneladas, por hectare, e os esforços são direcionados aos três dígitos, isto é, ao menos 100 toneladas, por hectare. O estado de São Paulo é responsável por 51% da produção brasileira. Com áreas tão extensas e números tão representativos para a economia, é fundamental recorrer a tecnologias que permitam análises abrangentes.

Prêmio de melhor artigo

Intitulado “Uso de Imagens Multiespectrais e Termográficas para monitoramento das condições hídricas da cana-de-açúcar”, o artigo foi premiado como melhor artigo apresentado no Inovagri Meeting Virtual, XXIX Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem e IV Simpósio Brasileiro de Salinidade, em dezembro de 2020. O artigo foi escrito por: Jane Maria de Carvalho Silveira, Bernardo Moreira Cândido, André Luiz Barros de Oliveira Silva, Gláucia Cristina Pavão, Mauro Alexandre Xavier, Regina Célia de Matos Pires.

Como seria a análise de estresse hídrico sem VANT?

A pesquisadora explica que os recursos adotados nesse estudo auxiliam na obtenção de informações em grandes áreas, sem a necessidade de ter equipamentos instalados para obter informações em tempo real ou de ter operador com equipamentos específicos in loco para avaliar. Por exemplo: o estado hídrico da cana-de-açúcar pode ser mensurado por um equipamento que meça as trocas gasosas da planta ou que verifique a temperatura foliar in loco ou ainda que avalie o potencial de água na folha, dentre outros.

“Portanto, há diversas formas para avaliar o estado hídrico da planta, mas para isso ou você tem que ir com determinado equipamento na área e faz algumas amostragens; ou opção é instalar equipamento na área para monitoramento em tempo real”, comenta.

A temperatura foliar pode ser utilizada como indicador de deficiência hídrica, principalmente para fins de manejo de áreas irrigadas e para monitorar o déficit hídrico. Porém, segundo a cientista, o uso de câmeras que capturam imagens em grandes áreas e o conhecimento para interpretá-las, em termos de estado hídrico dessas plantas, proporcionam amostragem muito maior e mais representativa da área. “Ao invés de ter uma planta ou algumas plantas ou algumas folhas, você tem avaliação em área maior, isso é importante em grandes culturas e contribui para melhorar a representatividade”, resume.

Como a irrigação contribui para elevar a produtividade e a qualidade?

Para crescer e acumular matéria seca, a cana-de-açúcar realiza trocas gasosas, em que perdem água por evaporação e absorvem gás carbônico que será utilizado no processo de fotossíntese o que proporciona o crescimento da planta e o aumento da produção.

Com relação à qualidade da cana, a irrigação é suspensa em determinado período, anterior à colheita. Esse momento varia e depende, além do clima, da disponibilidade de água no solo e da capacidade de armazenamento de água no solo para as plantas. Mas a qualidade é determinada também pelo aporte nutricional e pelo clima da região. “Nas áreas irrigadas, costuma-se suspender a irrigação um tempo antes da colheita para favorecer a concentração de sacarose”, explica. Porém, não é só reduzir a disponibilidade de água que vai favorecer a maturação, são vários outros fatores, mas a suspensão da irrigação é uma das estratégias adotadas, segundo a pesquisadora.

“O aumento da biomassa depende de todo o manejo adotado, só a água não fará milagre”, destaca Regina. Ela recomenda, além da irrigação, a adoção de cultivar responsiva à água e a nutrição adequada para obter elevadas produtividades.

De acordo com o pesquisador e líder do Programa Cana IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell, dentre as cultivares de cana, há grande variabilidade de resposta à água. “Não é tudo igual. A cultivar pode determinar a viabilidade ou a inviabilidade de um projeto de irrigação e tem que render alta produtividade para valer o investimento na irrigação”, orienta Landell. Ele assegura que as cultivares IAC se destacam pela alta performance em condição irrigada porque o Instituto tem muitas informações obtidas ao longo dos últimos 20 anos de pesquisas e, transferidas ao setor, dão alto retorno. A cultivar IAC911099, por exemplo, apresenta resposta muito boa com irrigação deficitária, em Goiás, na área da usina Jalles Machado.

“A IACSP-955000 vai bem com irrigação plena, quando é oferecida mais água, atendendo mais à demanda dela, torna-se muito competitiva. É o que temos observado no estado de São Paulo. Ela é uma grande opção para essa condição”, diz Landell. A cultivar IACSP-955094 atende muito bem aos dois tipos de irrigação: deficitária e plena, assim como a IAC911099. Landell comenta que há novos materiais que estão chegando com performances muito boas também em condição irrigada.

O IAC avalia a resposta de cultivares a irrigações desde o início do ano 2000, em trabalhos com a usina Jalles Machado, onde instalava ensaios em condição de irrigação deficitária, porque a disponibilidade de água era pequena naquela região. “Daí começamos a selecionar materiais e, em 2005, fomos conhecer Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, eles queriam saber se a cana era viável naquela região e nós instalamos campos experimentais e depois iniciamos projetos de seleção em condições de irrigação” conta Landell. Atualmente, o Instituto Agronômico tem muitos materiais com boa resposta à irrigação.

O clima do ano e do ciclo da cultura também é determinante para o aumento da biomassa. “Em anos com maior déficit hídrico, a resposta à irrigação (comparado à condição de sequeiro) vai ser muito maior que em um ano que tenha déficits por menor tempo ou com menor intensidade”, atesta Regina. Por isso, esse percentual de aumento depende de todo o contexto, incluindo a região ambiental a disponibilidade hídrica e a condição de solo.

Tipos de irrigação

As diferentes estratégias adotadas para irrigação podem ser: irrigação eventual, irrigação de salvamento, deficitária e complementar.

A irrigação eventual, que pode ser adotada uma ou mais vezes, é aquela feita em momentos específicos e pode auxiliar a manter a produtividade ou mesmo mitigar um estresse hídrico muito severo. Ela é usada quando o canavial passa por um período muito grande de seca intensa, a propriedade tem água disponível e equipamento adequado.

Outra estratégia é a irrigação de salvamento, feita normalmente depois do corte da cana, para favorecer a brotação. “No período de seca intensa, se não favorecer a brotação, pode haver quebra de produtividade grande no ano seguinte, nesse talhão, por isso é chamada de salvamento”, explica Regina Célia de Matos Pires.

De acordo com a pesquisadora, a irrigação deficitária caracteriza-se pela disponibilização de volume de água inferior à demanda da planta no momento. A irrigação complementar normalmente ocorre onde a precipitação anual total é superior a 800 mm, ela complementa a reposição da chuva. O cálculo do volume a ser fornecido é feito por meio de monitoramento do balanço hídrico ou da disponibilidade de água no solo. “Nesta irrigação, aproveitamos as entradas das chuvas como saldo positivo no balanço hídrico e há reposição do que falta para completar 100% à demanda da cultura ou ainda uma porcentagem desta. A irrigação complementar às chuvas também pode ser deficitária”, explica.

A Agência Nacional das Águas (ANA) define a irrigação plena como o fornecimento de 100% da demanda da cultura e isso reflete em aplicações de irrigações de 400 mm a 1000mm, por ano. Há também a indicação de irrigação plena em regiões onde chove menos de 800 mm, por ano.

Fonte: Assessoria de Comunicação / IAC

Projeto S: Butantan inicia vacinação da população de Serrana

Foto: Serrana / G1

Nesta quarta-feira, 17, foi iniciada a vacinação da população de Serrana (SP), que participa do Projeto S, estudo clínico pioneiro que está sendo realizado pelo Butantan com o objetivo de entender a eficácia da vacinação no controle da transmissão e na redução do número de casos de Covid-19. A primeira etapa da imunização vai até 21 de fevereiro e é exclusiva para os moradores do Grupo Verde. A iniciativa pretende vacinar, em caráter de pesquisa clínica, cerca de 30 mil habitantes do município.

A abertura da vacinação em Serrana aconteceu na EMEF Professora Maria Celina Walter de Assis na presença do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, do governador de São Paulo, João Doria, do secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, do prefeito de Serrana, Léo Capitelli, e da secretária de Saúde e vice-prefeita de Serrana, Leila Gusmão.

A primeira voluntária a ser vacinada na presença das autoridades ressaltou que a participação no estudo é uma contribuição para o fim da pandemia e de valorização à Ciência. “É um momento de gratidão e felicidade em poder contribuir com esse projeto. Tirar essa aflição do nosso coração e poder contribuir para o mundo”, afirmou ela. “Hoje eu estou aqui para aplaudir o Butantan. Estou aqui para poder convencer as pessoas de que realmente é importante formar essa opinião e entender o estudo que está sendo feito”, completou.

Por meio do acompanhamento da população de Serrana, o Projeto S vai avaliar o impacto da vacina na transmissibilidade do novo coronavírus, na redução da sobrecarga no sistema de saúde e na aceitação da vacinação. “Serrana será a primeira localidade do mundo a estar integralmente imunizada dentro do prazo de três semanas com a vacina do Butantan. É um estudo inédito e transformador”, ressaltou o governador João Doria.

“É um estudo que vai contribuir para o entendimento do programa de vacinação em controlar a pandemia. Por isso é de interesse mundial. Nunca foi feito um estudo como esse, é a primeira vez. Nós estamos inovando e esperamos que o resultado desse estudo seja extremamente positivo para que a gente possa desenvolver as próximas estratégias de combate a essa pandemia e a outras pandemias”, salientou Dimas Covas.

As datas de início da vacinação dos demais grupos populacionais – Grupo Amarelo, Grupo Cinza e Grupo Azul – serão, respectivamente, 24 de fevereiro e 3 e 10 de março.

Fonte: Instituto Butantan

Falta de investimentos ameaça Institutos de Pesquisa no Estado de SP

O Estado de São Paulo conta com uma estrutura avançada no campo da ciência, tecnologia e inovação. Considerando a importância dessa estrutura organizacional paulista, a garantia de continuidade das atividades de pesquisa que vêm sendo desenvolvidas nos Institutos Públicos de Pesquisa torna-se essencial para que o território paulista continue sendo o polo científico mais avançado do País.
Entretanto, nos últimos anos, viu-se que o Estado começou a investir cada vez menos no segmento de pesquisa, em especial referente ao seu recurso humano, o que afeta a produtividade dessas instituições e, consequentemente, o objetivo do Estado de conquistar e manter sua autonomia tecnológica e científica. De acordo com informações do próprio governo paulista, não há perspectiva para a realização de concursos para a reposição de pessoal a curto e médio prazo, tendo em vista as restrições orçamentárias que o Estado enfrenta dado o cenário econômico atual.
A preocupação com a política de recursos humanos é fundamental para o processo de recuperação dos investimentos em pesquisa, não somente porque pessoal é parcela importante do orçamento, mas principalmente porque a manutenção de equipes treinadas dentro de alto padrão de conhecimento científico está diretamente relacionada com os resultados em termos de tecnologia gerada.
A geração de uma nova tecnologia muito comumente demanda 5 a 10 anos de trabalho ininterrupto e sua interrupção ou descontinuidade leva a perdas consideráveis de investimentos já realizados e das consequências de sua ausência.
Sem a renovação de pessoal, linhas de pesquisa correm o risco de se perder. As instituições já percebem o peso da real ou potencial perda de gerações de pesquisadores. Especialmente porque muitas lideranças científicas se aproximam da aposentadoria ou se aposentam no auge do saber, experiência e capacidade produtiva. E são eles que conhecem as estruturas e funcionalidades destas instituições, constituindo-se atores que concorrem de maneira decisiva para a inovação.
A pesquisa exige o domínio da metodologia experimental e a aplicação de conhecimentos altamente especializados. E essa capacitação consiste em processo que se consolida quando o pesquisador atinge sua maturidade cultural e adquire percepção mais ampla do universo de sua atuação. É quando o pesquisador científico e a missão institucional realmente se encontram. Por isso é essencial ter instituições que mantenham a característica da ciência como bem público, facilitem o acesso ao estoque de conhecimentos, capacitem agentes para recuperar e utilizar as informações disponíveis e nem sempre codificadas. É inquestionável o papel que cabe aos Institutos Públicos de Pesquisa nesse propósito.
Porém, esse papel está ameaçado pela descontinuidade de equipes de pesquisadores e funcionários especializados. Essa ameaça não pode ficar sem resposta efetiva e a solução cabe indiscutivelmente ao Governo Estadual. Também se sabe que a solução não é mágica, imediata e indolor, mas é possível.
São Paulo não pode ficar ao sabor dos desígnios da área de economia governamental, responsável pela redução de investimentos e não acolhimento de reposição estratégica de pessoal nos Institutos de Pesquisa e, mesmo recentemente, pela extinção de institutos de pesquisa das áreas do meio ambiente e da saúde (Lei 17293/2020).
Assim, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) defende que o governo paulista observe e cumpra a Constituição Estadual e de que instale com urgência o Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia (CONCITE), visando definir de fato, e não apenas de modo retórico, uma política para o setor no Estado de São Paulo. Não se trata de uma demanda da categoria, mas de toda a sociedade. Da ciência depende o futuro de todos nós.

João Paulo Feijão Teixeira é presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC)

Mulheres ocupam maioria dos cargos de direção dos institutos de pesquisa da Secretaria de Agricultura de SP

As mulheres ocupam a maioria dos cargos de diretoras gerais nas instituições de pesquisa ligadas à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Elas lideram quatro das sete instituições de pesquisa da Pasta, organizações estas consideradas de elite na pesquisa agropecuária. Com formação nas mais respeitadas Universidades do Brasil e do exterior, estas cientistas são diretoras gerais do Instituto de Zootecnia (IZ), Instituto Biológico (IB), Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) e Instituto de Economia Agrícola (IEA), todas instituições ligadas à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).
“52% dos cargos de pesquisadores científicos na Secretaria são ocupados por mulheres. Ao todo, são 265 pesquisadoras. Nada mais justo do que elas também serem maioria na diretoria dessas instituições. Temos que cada vez mais incentivar e alçar as mulheres a ocupar postos de liderança nas instituições públicas e privadas”, afirma Gabriela Chiste, secretária-executiva da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Conheça cada uma delas!

Cristina Maria Pacheco Barbosa
Cristina Maria Pacheco Barbosa foi nomeada, em outubro de 2020, diretora geral do Instituto de Zootecnia (IZ), instituição com 115 anos de história e contribuição para a pecuária nacional. Ela é a terceira mulher a ocupar o mais alto posto de direção da instituição
Graduada em zootecnia, com mestrado em produção animal e doutorado em zootecnia, Cristina desenvolve atualmente no IZ trabalhos científicos relacionados aos Sistemas Integrados de Produção Agropecuária – produção animal e sistemas silvipastoris, com foco em pastagem e forragicultura. Durante seu doutorado, fez estágio no exterior, no Institut National de la Recherche Agronomique (INRA), na França, uma das mais importantes instituições de pesquisa agropecuária do mundo.
“Assumir a diretoria geral do Instituto de Zootecnia é um enorme desafio e um orgulho para mim. Para isso, conto e agradeço toda a equipe do Instituto para continuarmos gerando ciência e tecnologia como um Centro de Excelência, pois contribuímos muito para a agropecuária brasileira”, diz.
De acordo com Cristina, o IZ seguirá sua missão institucional de gerar e transferir conhecimento científico e tecnológico para o agronegócio, no Estado de São Paulo e no Brasil. “Nossa proposta de gestão foca no desenvolvimento de melhorias nas condições de trabalho dos pesquisadores para o desenvolvimento das cadeias produtivas, buscando inovações tecnológicas que promovam produtividade, qualidade e diversidade da produção, contribuindo assim com o desenvolvimento sustentável dos agronegócios, enfatiza.
A trajetória da profissional de Cristina na Secretaria de Agricultura se iniciou em 2008, quando ingressou como pesquisadora na APTA Regional de Votuporanga. Ao desenvolver trabalhos relacionados à ovinocultura, foi convida a trabalhar na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itapetininga, local em que atuou por oito anos como pesquisadora e diretora. Desenvolveu o projeto de políticas públicas com a comunidade regional intitulado “Suporte para políticas públicas: pesquisa, desenvolvimento e expansão da ovinocaprinocultura do sudoeste paulista”, projeto que trouxe muita informação, treinamento e desenvolvimento para a cadeia da ovinocultura e caprinocultura da região. “Atuamos na viabilização econômica de sistemas de produção sustentáveis para a ovinocaprinocultura familiar, envolvendo capacitação e treinamento de alunos de ensino técnico e tecnológico e produtores rurais, que já exploravam ou tinham interesse na atividade, promovendo assim a inclusão social”, afirma.
Em 2017, a hoje diretora geral, se transferiu para o IZ, atuando primeiramente no Centro de Pesquisa em Bovinos de Leite e mais recentemente no Centro de Pesquisa em Nutrição Animal e Pastagens. No Instituto, foi assistente técnica de direção por três anos e durante a pandemia de Covid-19 liderou a instituição e organizou o regime de trabalho garantindo segurança para todos os servidores e assegurando continuidade nos projetos de pesquisa. Ela é ainda membro do Comitê Editorial do Boletim de Indústria Animal, periódico científico do IZ, que representa um importante meio de difusão do conhecimento científico no país. Ao longo de sua carreira de pesquisa já publicou artigos científicos em diversos periódicos de circulação nacional e internacional. Participou também de palestras e colaborou em capítulos de livros.

Ana Eugênia de Carvalho Campos
Ana Eugênia de Carvalho Campos ingressou como estagiária no Instituto Biológico em 1994. Seis meses depois, o Governo do Estado de São Paulo abriu um concurso público para o cargo de pesquisador e ela foi uma das cientistas selecionadas para atuar no IB.
Bióloga de formação, com mestrado e doutorado em ciências biológicas, Ana Eugênia ingressou na diretoria do IB em 2004, como assessora, cargo que ocupou por 13 anos, posteriormente por mais dois anos à frente do Núcleo de Inovação Tecnológica, até ser alçada a diretora geral de uma instituição com 93 anos de história, respeitada nacional e internacionalmente na área de sanidade animal, vegetal e proteção ambiental.
“Eu trago uma experiência grande na diretoria, porém, é diferente quando você é diretor geral, porque as decisões são suas. Isso é instigante, é um desafio constante. Precisamos estar prontos para tomar decisões rápidas, sempre pensando institucionalmente”, afirma.
Segundo Ana Eugênia, o IB tem ação importante por trabalhar com a saúde dos animais, plantas e, consequentemente, da população. “O IB está sempre antenado as exigências do mercado e da população nas questões relacionadas ao alimento seguro. Nossas pesquisas estão focadas na solução desses problemas. Temos forte atuação também na formação de mestres e doutores para atuar nessa área, pessoas altamente qualificadas, com pesquisas que podem ser inovadoras. Por isso, temos olhado essas pesquisas inovadoras com bastante carinho, instigando nossos alunos a conhecerem sobre empreendedorismo e startups e trazendo a ideia de eles transformarem seus trabalhos de pós-graduação em um novo negócio”, afirma.

Eloísa Garcia
Dos 57 anos de história do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), a atual diretora geral, Eloísa Garcia, faz parte de 37 anos, sendo a primeira mulher a liderar a instituição composta por maioria feminina. Engenheira de alimentos e mestre em Tecnologia de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Eloísa iniciou sua carreira no Ital como estagiária no Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) e ao longo dos anos atingiu o nível VI como pesquisadora científica, tendo ocupado os cargos de gerente técnica nos grupos de Embalagens Plásticas e de Meio Ambiente do Cetea e vice-diretora por quatro anos antes de assumir a atual posição.
Ao longo dos anos, acompanhou de perto vários processos estratégicos da instituição, alinhados ao crescimento e amadurecimento dos mercados de alimentos, bebidas e embalagens nacionais e internacionais, como a implantação dos centros de pesquisa, do Sistema de Gestão da Qualidade, da Plataforma de Inovação Tecnológica (PITec), do mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos e do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT). Além disso, sempre procurou se atualizar, tendo em seu currículo diversos cursos e estágios complementares no Brasil, nos Estados Unidos, na Inglaterra e no Japão
Não à toa, desde que assumiu a liderança do Ital, no início da atual gestão da Secretaria, Eloísa está à frente de inéditas iniciativas para o fortalecimento institucional no ecossistema de inovação como a concretização do Plano de Desenvolvimento Institucional de Pesquisa (PDIP), que viabilizou até agora a aquisição de 25 novos equipamentos e a execução de quatro bolsas de Mestrado, cinco de Pós-Doutorado e um auxílio Jovem Pesquisador, e a criação do Centro de Inovação em Proteína Vegetal (PRO-VEG), que abriu portas para parceria com o The Good Food Institute (GFI). A diretora geral do Ital também está dentre os mentores do instituto como parceiro especialista do TechStart Food Innovation, programa de aceleração de projetos e startups.
Além disso, Eloísa fez uma série de encontros mensais com cada unidade técnica e administrativa do Ital de maneira alternada com lideranças e com todos os servidores e estagiários para troca de ideias e compartilhamento de conhecimentos. “O ambiente científico é formado por mentes mais abertas, com maior facilidade para as mulheres se desenvolverem e subirem na carreira, mas não posso ser uma boa líder se não estimular a competência e o profissionalismo de todos e dar condições para isso. Acredito que juntos somos mais fortes e somente através do trabalho em equipe conseguimos acompanhar as constantes transformações do setor alimentício, em que buscamos nos manter como referência”, ressalta a diretora geral, que conduz a gestão ao lado de mais duas mulheres: Gisele Camargo, diretora de Programação de Pesquisa e vice-diretora, e Claire Sarantópoulos, diretora de Ciência e Tecnologia.

Priscilla Rocha Silva
Outra liderança importante dentro dos Institutos de pesquisa ligados à Secretaria de Agricultura de SP é a diretora geral do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), Priscilla Rocha Fagundes.
Formada em engenharia agronômica pela Universidade Estadual Paulista (Unesp – Botucatu) com mestrado em horticultura pela mesma instituição, Priscilla ingressou como pesquisadora do IEA em 2005 e de 2017 a 2019 ocupou a diretoria do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Estudos Econômicos dos Agronegócios.
“Sou formada em engenharia agronômica e venho de uma turma que tinha poucas mulheres. O campo sempre foi visto como um ambiente masculino, apesar de a mulher sempre ter uma participação importante dentro das propriedades rurais. Estamos, porém, ocupando cada vez mais lugar no setor dos agronegócios e na pesquisa científica. Temos contribuído muito para aproximar o rural do urbano e mostrar a força do setor dos agronegócios”, afirma a cientista, que também é coordenadora do programa Rotas Rurais.
Antes de ingressar no Instituto, Priscilla atuou no Centro de Qualidade em Horticultura da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) e no programa Hortiqualidade. No IEA, desenvolve pesquisas na área de fruticultura e citricultura.

Fonte: Assessoria de Imprensa / APTA

Nota da APqC sobre supostas alterações no quadro de servidores do IAC

Nota do presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), Dr. João Paulo Feijão Teixeira:

Circulam em grupos de WhatsApp de pesquisadores mensagens com a informação de que alterações estariam em curso no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), causando o esvaziamento do Instituto. A APqC buscou informações junto ao Gabinete da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) e à própria direção do IAC. Apuramos o que segue:

Em função do proposto no decreto de reestruturação da SAA (ainda não publicado) haverá, antecipadamente, a reunião de funcionários administrativos (RH, finanças, TI) das instituições de Campinas (IAC, APTA, IB, ITAL) para ocupar o prédio recém-reformado onde estava a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), no parque da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).

Em São Paulo, os administrativos do Instituto Biológico (IB), Instituto de Pesca (IP) e Instituto de Economia Agrícola (IEA) ficarão em atividade no prédio sede da Secretaria. O que se pretende é que somente atividades-fim permaneçam nos Institutos. Não há transferências confirmadas com relação a laboratórios.

A APqC continua atenta para evitar que medidas administrativas afetem negativamente a atuação dos Institutos e dos servidores públicos.

Dr. João Paulo Feijão Teixeira, presidente da APqC

Campinas, 11 de fevereiro de 2021

Pesquisador do Instituto Biológico dá dicas para evitar a ocorrência de mosquitos no período de chuvas

Altas temperaturas e início das chuvas é um prato cheio para o aumento da ocorrência de mosquitos. Para orientar a população, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do seu Instituto Biológico (IB-APTA), compartilha algumas dicas para controlar e evitar a ocorrência desses insetos, que além de causarem incômodos, podem transmitir doenças graves como febre amarela, elefantíase, dengue, Zika e Chikungunya. Neste verão, a Secretaria fará uma série de textos especiais para tratar das chamadas pragas urbanas.

Segundo o pesquisador do IB, Francisco Zorzenon, o aumento da ocorrência de mosquito está associado as altas temperaturas e a temporada de chuvas. “Essa combinação de água e calor faz com que ocorra proliferação dos mosquitos, que possuem um ciclo de vida muito rápido”, conta.

Zorzenon explica que os mosquitos, pernilongos, carapanãs ou muriçocas são insetos que pertencem a família Culicidae, mudando seu nome popular de acordo com a região do país. Na prática, os adultos possuem asas, pernas e antenas longas e são sugadores de sangue. “Entretanto, apenas as fêmeas sugam sangue, que é usado para a maturação dos futuros ovos. São as fêmeas que veiculam uma série de doenças”, explica.

Os mosquitos que costumam incomodar a população são os Culex quinquefasciatus. De hábito noturno, eles possuem atração por aves e mamíferos, atacando também os seres humanos, sendo atraídos pelo calor e pela emissão de gás carbônico pela expiração. Eles causam grandes transtornos, interferindo negativamente no sono das pessoas com seu zumbido característico na procura de sangue, podendo reduzir significativamente a produtividade no trabalho e estudo de adultos e crianças”, afirma o pesquisador do IB.

Os criadouros típicos desses mosquitos são depósitos naturais e artificiais de água estagnada, solo ou em recipientes, com água suja, ou altamente poluída, rica em matéria orgânica em decomposição. “Os ovos são depositados diretamente sobre a água dos criadouros, em “jangadas” com cerca de 200 ovos, não resistentes à dessecação. O desenvolvimento das larvas ocorre durante todo o período do ano na região neotropical. O ciclo do ovo à fase adulta varia de 10,8 a 46,8 dias dependendo da estação do ano e tipo de criadouro, por exemplo”, diz.

A má notícia, de acordo com Zorzenon, é que a prevenção desse tipo de mosquito é um pouco difícil. “O que se pode fazer é utilizar telas em janelas e portas e deixar o ambiente fechado no final do dia. Deixe o quintal sempre limpo, livre de água parada, restringindo assim o desenvolvimento desses insetos”, afirma.
Os adultos do gênero Culex possuem porte médio coloração marrom escura ou clara e asas com escamas escuras. Os machos possuem as antenas bem mais plumosas que as encontradas nas fêmeas. As larvas são aquáticas, têm aspecto vermiforme e coloração que varia entre o esbranquiçado, esverdeado, avermelhado ou mesmo enegrecido.

Aedes aegypti e Aedes albopictus

O pesquisador do IB explica que o gênero Aedes possui diversas espécies, mas são Aedes aegypti e Aedes albopictus os principais transmissores de arboviroses (vírus transmitidos por artrópodes) como a dengue, febre amarela urbana, Zyca e Chikungunya, por meio da picada de fêmeas contaminadas.

Os ovos são dispostos isoladamente ou em grupos podendo resistir sem o contato com a água por seis meses ou mais. O período de incubação dos ovos é variável ao redor de dois a três dias estando o embrião pronto para a eclosão. O ciclo biológico de ovo a adulto das espécies é curto, em torno de sete a 10 dias, dependendo das condições climáticas.

“Este período é curto devido a adaptação do inseto em se desenvolver em pequenos volumes de água. O estímulo para as fêmeas realizarem as posturas depende do volume de sangue ingerido, sendo seu número médio de 120 ovos para cada fêmea. As oviposições são realizadas nas paredes úmidas dos volumes de água, preferencialmente acima da superfície líquida”, explica.

Os criadouros são os recipientes artificiais, representados principalmente por pneus, latas, vidros, calhas e ralos entupidos, pratos de vasos, bromélias, bambus cortados, ocos de árvores, caixas d’água, cisternas ou mesmo lagos artificiais, piscinas e aquários abandonados.

Os adultos A. albopictus e A. aegypti são escuros, praticamente pretos, rajados de branco, com manchas prateadas nas regiões laterais do tórax e abdômen. Suas pernas são escuras com anéis brancos. As fêmeas atacam preferencialmente durante o dia, com maior intensidade ao amanhecer e no início do crepúsculo, picando principalmente os pés e pernas.

“Eles são mais silenciosos quando comparados ao mosquito comum, sendo muitas vezes imperceptíveis antes de realizarem as picadas. Aparecem frequentemente no interior dos domicílios, se escondendo em locais sombreados como atrás de armários, embaixo de móveis e em plantas ornamentais. Possuem baixa autonomia de voo, preferindo circular para se alimentarem nas proximidades dos locais onde se originaram”, afirma o pesquisador.

Dicas para se prevenir e controlar os Aedes:

Colabore com a coleta de lixo do seu bairro. Não deixe pneus, latas e garrafas ao relento.
Em vasos de plantas ornamentais, substitua a água dos pratos enchendo-os até a borda com areia grossa, ou fure os pratinhos.

Mantenha a caixa d’água sempre limpa e bem tampada e filtros e potes de água bem fechados.

Se possível, use telas nas janelas e portas para dificultar a entrada de pernilongos no interior do imóvel.

Mantenha a piscina sempre limpa e clorada. Caso ela permaneça sem uso por longo período, esgote-a ao máximo e adicione cloro regularmente.

Não deixe acumular água sobre as lonas de proteção de piscinas. Mantenha lajes e calhas desobstruídas, limpas e sem pontos de acúmulo de água.

Mantenha sempre os ralos limpos, telados e se possível, adicione detergente, cloro, água sanitária ou desinfetante.

O uso de repelentes eletrônicos (sonoros) é questionável quanto a sua eficiência. Prefira os repelentes elétricos e os de uso tópico (quando não for alérgico aos componentes da fórmula). Sempre use produtos registrados e aprovados junto aos órgãos sanitários competentes, evitando fórmulas caseiras sem embasamento e comprovação científica.

Quando em infestações severas, procure sempre por uma empresa controladora de pragas para a execução do manejo adequado dos mosquitos.

Fonte: Assessoria de Comunicação / APTA

Horto Florestal comemora 125 anos prestes a ser concedido à iniciativa privada

Em 10 de fevereiro é comemorado o aniversário do Parque Estadual Alberto Löfgren, popularmente conhecido como Horto Florestal. O parque, que completa 125 anos, foi criado em 1896 com a desapropriação do antigo Engenho Pedra Branca, uma fazenda de café e cana-de-açúcar.

Seu idealizador foi o naturalista sueco Alberto Löfgren, chefe da Seção de Meteorologia e Botânica da Comissão Geográfica e Geológica da Província de São Paulo, criada em 1886, que além de ser o embrião do Serviço Florestal (posteriormente Instituto Florestal), também deu origem ao Instituto Geológico.

O espaço foi criado como horto botânico com campos de experimentação e serviço florestal. Ou seja, um local visando à pesquisa e o reflorestamento. Em 1907, o espaço passou a ser sede da Seção de Meteorologia e Botânica e em 1911, já respondendo diretamente à Secretaria de Agricultura, foi transformado em Serviço Florestal do Estado de São Paulo.

Em 1931 foi inaugurado o Museu Florestal. O espaço foi a sede da pesquisa científica do Serviço Florestal (que já expandia-se por todo o Estado de São Paulo) e ali surgiu o herbário, a xiloteca e a biblioteca da instituição, equipamentos que foram ampliados ao longo dos anos dentro da infraestrutura do Instituto Florestal.

O Museu foi criado para funcionar tanto como laboratório de ciência quanto espaço de popularização das atividades científicas realizadas na instituição. Seu acervo é um convite à reflexão sobre o uso racional da biodiversidade paulista. São diversas coleções em madeira e outras plataformas (incluindo a própria arquitetura do Museu) que possibilitam que o espaço conjugue ciência, história e arte de maneira inédita.

Em 1948 o nome de Octávio Vecchi, seu idealizador, foi incorporado à denominação do Museu Florestal. Da mesma forma, o nome de Alberto Löfgren  foi incorporado à denominação do Parque na década de 1990, época em que o rei e a rainha da Suécia visitaram o local.

Ciência, História, Cultura e Meio Ambiente

Além da importância científica, o Parque Alberto Löfgren tem também relevância cultural. A área salvaguarda a história do protagonismo histórico do estado de São Paulo em relação à ciência e à conservação ambiental.

De um ponto de vista mais amplo, o Parque é imprescindível para a compreensão da formação da identidade paulista tal qual conhecemos. De maneira mais localizada, a área mantém um vínculo afetivo com os moradores da região.

Foi no Horto que, em 1939, foi criado o Clube Atlético Silvicultura, agremiação esportiva consagrada no futebol de várzea e que existiu até o início dos anos 2000. Da estrutura do Clube, restou o campo de futebol de tamanho oficial, ainda bastante utilizado pelos visitantes do Parque.

Em 1956 ocorreu no Parque a entronização de uma imagem de São João Gualberto, o santo protetor das florestas esculpido em mármore de carrara e vinda da Itália. Em 1970 o Parque ganhou uma estátua do Curupira, entidade fantástica de nosso folclore, e em 2019 ganhou nova imagem em reposição à anterior que havia sido depredada décadas antes (a antiga foi recuperada e encontra-se no Museu).

O Parque Estadual Alberto Löfgren possui ainda uma indiscutível beleza cênica. Seus lagos e arboretos, que abrigam uma rica biodiversidade bastante próxima à área urbana, são um convite aos apreciadores da natureza. A área, com centenas de espécies de fauna, é bastante propícia para o turismo de observação de aves.

Fonte: Assessoria de Comunicação / IF

Hoje, 10 de fevereiro, às 15h, ocorrerá em ambiente virtual audiência junto à comunidade científica e as discussões serão focadas na operação do Museu Florestal Octávio Vecchi. No dia 25 de fevereiro de 2021, às 17h, acontecerá a Audiência Pública com a Sociedade Civil, também em ambiente virtual sobre o projeto de concessão do Horto Florestal à iniciativa privada (a APqC recomenda a todos os pesquisadores e pesquisadoras que participem de modo a tentar barrar qualquer prejuízo à continuidade dos serviços prestados por esta instituição pública centenária, bem como aos servidores).   As inscrições serão realizadas a partir das 9h da data de realização da audiência através do link (aqui). Além de poder participar das audiências, qualquer pessoa ou instituição pode enviar suas contribuições para o e-mail consema@sp.gov.br, até as 18h do dia 4 de março de 2021. 

APqC alerta para a não reposição de pesquisadores no Instituto Butantan

O Instituto Butantan, que proximamente completará 120 anos de existência, tem frequentado a mídia com grande ênfase por ser o principal produtor de soros e vacinas para o SUS – Sistema Único de Saúde – e tem se empenhado para transformar-se em grande indústria de produtos biofarmacêuticos relevantes com capacidade para atender ao mercado nacional e internacional.

Mas o Instituto Butantan é muito mais que uma grande indústria de biofármacos; é um centro de excelência em saúde, pesquisa e ciência. E assim, gerando conhecimentos e tecnologias, projetou-se ao longo dos anos como Instituto de Pesquisa e tem demonstrado sua importância ao lado de institutos congêneres, como o Instituto Adolfo Lutz na recente presença do coronavírus (Sars-CoV-2) em nosso país.

Entretanto, à margem desse destaque que esses institutos obtiveram, verifica-se que no âmbito dos 19 institutos de pesquisa estaduais, em média, 45% dos cargos de pesquisadores científicos estão vagos, bem como 78% dos cargos da carreira de apoio à pesquisa. Nos últimos cinco anos a redução média do quadro de pesquisadores nos 19 institutos públicos de São Paulo foi de 22%.

Exatamente por esse motivo, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), a partir de informações obtidas com pesquisadores que atuam em grandes áreas de pesquisa do Instituto Butantan, fez um diagnóstico da situação atual da instituição quanto ao seu recurso humano.

No Butantan não é diferente. Áreas de importância indiscutível para o desenvolvimento de pesquisa e suporte à ação de saúde pública, como no caso da pandemia de Covid-19, carecem de pesquisadores e há as que sofrerão descontinuidade proximamente pela aposentadoria de lideranças científicas.

A Instituição tem só 46% dos cargos ocupados por funcionários concursados. Nos próximos cinco anos 139 servidores se aposentarão. Hoje 124 já estão aptos a aposentar, sendo que destes, 50 são pesquisadores científicos. Há áreas de pesquisa de importância inconteste que ficarão sem o pesquisador líder de pesquisa. Na maior parte dos institutos os últimos concursos para pesquisadores científicos ocorreram em 2003 e 2004, e nas Instituições da Secretaria da Saúde ocorreram outros mais recentemente, o último em 2015 para poucos cargos.

A relevância do papel desenvolvido ao longo dos anos e a ser desenvolvido, durante e no pós-pandemia, pelos Institutos Públicos de Pesquisa do Estado de São Paulo, não pode ser desconsiderado pelo Governo do Estado de São Paulo.

A APqC acredita que não se permitirá que essa ruptura na capacidade de pesquisa e geração de soluções para a sociedade brasileira ocorra. E para tanto desenvolve ações junto ao Governo Estadual no sentido de que concursos públicos sejam autorizados para contratação de recursos humanos em áreas estratégicas e para afastar as ameaças hoje presentes no Instituto Butantan e demais Institutos de Pesquisa do Estado de São Paulo.

João Paulo Feijão Teixeira é engenheiro agrônomo do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC)

Com apoio do IAC, programa treina agricultores para aplicação correta de defensivos agrícolas

A agricultura não parou durante a pandemia de covid-19. E junto com o trabalho de produção de alimentos no campo, o Programa Aplique Bem seguiu com sua missão de treinar produtores e funcionários de empresas agrícolas sobre a correta aplicação de defensivos agrícolas em diferentes cultivos. A iniciativa do Instituto Agronômico (IAC) em parceria com a UPL chega aos 14 anos em 2021, tendo já levado informações a 72.902 pessoas.

“Para manter a segurança das equipes e dos participantes, reduzimos as turmas pela metade, chegando a 10 pessoas, e aplicamos um protocolo de prevenção ao coronavírus. Essas medidas envolveram o distanciamento entre as pessoas e a realização de treinos em locais mais arejados, com uso de máscara e álcool em gel, o que garantiu a eficácia dos encontros”, afirma Cláudia Barreto, gerente de Stewardship da UPL Brasil.

O modelo adotado pelo Aplique Bem é inédito no Brasil. O programa conta com cinco laboratórios itinerantes – batizados de tech móveis. Quatro deles percorrem todo o território nacional, enquanto um veículo destina-se exclusivamente à Pesquisa Participativa, no circuito das frutas do interior do Estado de São Paulo. Os treinamentos são gratuitos e já foram “exportados” com êxito para Colômbia, México, Vietnã, Burkina Faso, Costa do Marfim, República do Mali e Gana.

“Em vez de levarmos os agricultores e funcionários para a sala de aula, levamos a sala de aula até eles. Esse modelo de treinamento não só aumenta a participação dos trabalhadores como permite a prática para melhor fixação do aprendizado”, afirma o doutor em agronomia Hamilton Ramos, pesquisador científico do CEA/IAC e coordenador do programa. Segundo ele, as turmas pequenas são uma estratégia para não comprometer a qualidade do conteúdo.

Cláudia Barreto, que é engenheira química, salienta que o projeto se trata de uma prestação de serviços para a agricultura. “O Aplique Bem leva conhecimento ao campo para melhor uso da tecnologia e uso racional de defensivos agrícolas, contribuindo para a produção de alimentos seguros e de qualidade, otimizando a produção e diminuindo gastos, além de proporcionar mais segurança para quem aplica e menos impactos ao meio ambiente.”

Benefícios e pioneirismo
Os benefícios do programa Aplique Bem vão além da aplicação correta dos defensivos agrícolas, explica a gerente da UPL. “Os trabalhadores bem treinados utilizam os equipamentos de proteção (EPIs) de forma correta e fazem as aplicações adequadamente, inclusive com as máquinas de aplicação bem reguladas. Assim, toda a cadeia da produção de alimentos é beneficiada: o agricultor tem economia de defensivos agrícolas, a saúde e o bem-estar dos trabalhadores são preservados, o meio ambiente não é afetado e os consumidores recebem alimentos de qualidade”, enfatiza.

Outro pioneirismo do Aplique Bem é a adoção e a validação da norma internacional ISO 16.122 para avaliação da qualidade dos pulverizadores em uso no Brasil. O programa foi o primeiro a adotar essa normativa, de 2015.

“Temos muito orgulho de realizar um programa que já treinou quase 73 mil pessoas no campo. Já são 14 anos desde o lançamento e o Aplique Bem continua cumprindo um papel muito importante e, além de tudo, mais atual do que nunca. Trabalhamos continuamente para que essa iniciativa cresça e se multiplique com a parceria de nossos clientes, inclusive de forma global”, afirma Fábio Torretta, presidente da UPL no Brasil.

Sobre UPL
A UPL é uma fornecedora global de produtos e soluções agrícolas sustentáveis, com receita anual superior a US $ 5 bilhões. Como uma das 5 maiores empresas de soluções agrícolas do mundo, nosso robusto portfólio consiste em produtos biológicos e soluções tradicionais de proteção de cultivos, com mais de 13.600 registros. Com presença em mais de 130 países e mais de 10.000 colaboradores globalmente, atuamos em cerca de 90% da produção de alimentos em todo o mundo. Para obter mais informações sobre nosso portfólio integrado de soluções para todos os ciclos dos cultivos, desde o tratamento de sementes até a mesa do consumidor, incluindo serviços e tecnologias digitais.

Fonte: UPL Brasil

Entrevista: diretora do ITAL, Eloísa Garcia ressalta importância da pesquisa científica para a indústria de alimentos

Eloisa Garcia, diretora do ITAL

O Panorama ABIAD entrevistou Eloísa Garcia, diretora geral do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, sobre as pesquisas e inovações na produção de alimentos. Na conversa, além de responder às perguntas, Eloísa ressaltou que considera muito importante para esse segmento a certificação contra fraudes, que podem ser feitas de várias maneiras. Por atuar com produtos de alto valor agregado, o segmento é mais suscetível a esse tipo de problema. Se um produto tem prebióticos, por exemplo, é necessário saber se é funcional e é indicado para o consumidor público-alvo. Trata-se de um grande desafio a ser enfrentado e que exige constante atenção da Abiad e esse tema ainda requer muita pesquisa e desenvolvimento de técnicas de investigação.

Confira abaixo a entrevista exclusiva publicada originalmente no site da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD).

PANORAMA: Na sua opinião, quais foram as principais inovações que a pesquisa científica gerou para a indústria de alimentos nos últimos anos e por quê?

ELOÍSA: A pesquisa está trabalhando muito no desenvolvimento de novos ingredientes saudáveis e por isso busca novas matérias-primas como frutas não tradicionais e resíduos agroindustriais, visando desde novos aromas até ação antioxidante, incluindo tecnologias de obtenção, de purificação e de aplicação. Para isso, têm sido pesquisados ramos como a microencapsulação de bioativos, a melhoria da estabilidade dos compostos e processos de extração mais sustentáveis.

Essas inovações devem-se primeiro à exigência do consumidor por novidades ao paladar, produtos plant based e melhorias nutricionais como suco com mais vitaminas e iogurte com pré e probióticos mais efetivos. Há, portanto, interesse na variação de sabores e texturas, na relevância do alimento na sua nutrição e no atendimento a restrições por questões de crença e saúde.

As demandas vêm do consumidor por motivos diferentes. A própria Covid-19 fez ele refletir um pouco mais sobre como a alimentação pode deixá-lo mais saudável ou lhe trazer mais serenidade e tranquilidade.

PANORAMA: Os consumidores, de maneira geral, estão mais conscientes quanto à importância de se buscar alimentos seguros como forma de prevenção de doenças e promoção de saúde? Sente que houve mudança nesse aspecto com a pandemia de Covid-19 ou os assuntos não se “cruzaram”?

ELOÍSA: Houve aumento da demanda mais por saudabilidade, mas ainda o consumidor não entende muito a questão da segurança: não consegue ter uma correta visualização. No contexto da pandemia, a tendência foi procurar por produtos in natura, produzidos e ofertados perto de casa, mas não buscar saber se são seguros e como foram feitos os processos de produção. Acentuou-se também a entrega de produtos, o que deixa mais complexo o controle de segurança. Vejo que o consumidor tem mais consciência para melhorar sua saúde no aspecto nutricional, mas não no aspecto da segurança dos alimentos.

 PANORAMA: Quais frentes de pesquisa o Ital tem desenvolvido? Como você enxerga o futuro a curto e médio prazo nessa questão (alguma linha será abandonada em detrimento de outras ou alguma será mais importante do que é hoje)?

ELOÍSA: No Ital temos diferentes linhas de pesquisa para atender várias necessidades da indústria de alimentos, bebidas, ingredientes e embalagem. Nos últimos anos têm se destacado os estudos de segurança contra contaminação química e microbiológica em alimentos, com capacidade analítica ampliada recentemente para atuar também com biologia molecular.

Temos focado ainda em pesquisa e desenvolvimento de proteínas vegetais, buscando novas fontes com ênfase em matéria-prima nacional e novos produtos e formulações com apelo nutricional e sensorial, levando em consideração desafios como as questões regulatórias, a estabilidade do fornecimento e o clean label.

Outra área que o Ital tem trabalhado é o desenvolvimento de formulações com menor teor de sal, açúcar e gordura, com mais fibras e com probióticos e prebióticos.

Adicionalmente, estamos com uma proposta sob análise da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) do Núcleo de Pesquisa Orientada a Problemas (NPOP), a Plataforma Biotecnológica de Ingredientes Saudáveis (PBIS), parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que visa, dentre outros objetivos, desenvolver novos ingredientes nacionais competitivos e com alta performance de aplicação e agregar valor a resíduos agroindustriais, viabilizando-os para o desenvolvimento de alimentos e bebidas com melhor valor nutricional.

Na área de embalagem, temos atuado no apoio ao desenvolvimento tecnológico da reciclagem, com enfoque, por exemplo, na avaliação de materiais reciclados pós-consumo para produção de novas embalagens e de outros produtos.

PANORAMA: Qual o volume de pesquisa que é gerado pelo Ital e por outros órgãos de pesquisa ligados à alimentação no Brasil? Como estamos em relação aos demais países?

ELOÍSA: Existe um complexo de pesquisas voltado ao agronegócio e mais especificamente em alimentos no Brasil, mas, como em todas as áreas, há um descompasso do país frente aos grandes players mundiais como EUA e Europa. As pesquisas lá fora estão mais evoluídas, mas a academia e os institutos de pesquisa brasileiros vêm trabalhando para mudar esse cenário, se fortalecendo. Cada vez mais estamos convencidos de que se tem uma área em que o País pode ter liderança é na nossa.

E existe um movimento nesse sentido: iniciativas de integração de pesquisa público-privada, hubs se voltando para o agro e ecossistema de inovação se abrindo. Isso é muito positivo porque acelera a evolução de PD&I com uma visão de no futuro o Brasil ser líder mundial, especialmente em tecnologia de alimentos. Na área de ingredientes alimentícios, estamos fortes, mas precisamos acelerar, pois com nossa disponibilidade de recursos naturais temos tudo para sermos protagonistas nesse fornecimento.

Ciente do papel estratégico que possui nesse contexto, a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, da qual o Ital faz parte, lançou em 2020 uma nova programação de pesquisa dividida em três áreas estratégicas – inovação e tecnologias emergentes, sustentabilidade e segurança alimentar – com 13 programas com temas agregadores, para que seus institutos de pesquisa trabalhem melhor em rede, por vezes junto à extensão rural, à defesa agropecuária e ao desenvolvimento dos agronegócios, e consigam transferir com maior eficiência os resultados aos usuários das tecnologias.

PANORAMA: O que é mais complexo, demorado e caro: desenvolver novos ingredientes alimentares ou novas tecnologias de processamento e conservação de alimentos?

ELOÍSA: As novas tecnologias são mais desafiadoras, porque já temos muita coisa desenvolvida e a conservação requer um tempo de gestão e um tempo de implantação no mercado. Se você desenvolve um ingrediente com boa performance, logo consegue colocar no mercado, já novas tecnologias envolvem investimento maior, porque demandam a aquisição de uma linha de processamento.

O que se tem visto mais é uma evolução para incorporar o conceito de indústria 4.0: trazer a automação para dentro da gestão das linhas de produção e com isso melhorar a qualidade, o controle e a produtividade. Esse movimento tem sido mais forte do que o desenvolvimento de uma nova tecnologia, mas não significa que não há inovação em tecnologias. Existe uma frente que a gente trabalha no Ital, por exemplo, que é a tecnologia de micro-ondas, tanto para processamento, quanto para a melhoria de qualidade de matérias-primas e ingredientes.

Eloísa Garcia. Engenheira de alimentos e mestre em Tecnologia de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tendo em seu currículo diversos cursos complementares no Brasil, nos Estados Unidos, na Inglaterra e no Japão. É diretora geral do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), onde começou a carreira como pesquisadora científica em 1983, tendo atuado também como Gerente Técnico dos Grupos de Embalagens Plásticas e de Meio Ambiente no Centro de Tecnologia de Embalagens (Cetea) de 1995 até 2018; paralelo ao cargo de vice-diretora do Instituto (2014-2019). Na área científica, especializou-se em embalagens plásticas, com vasta experiência em pesquisa e assistência tecnológica nas áreas de desenvolvimento de embalagem, de avaliação do potencial de interação embalagem/produto e sobre legislação de embalagem e segurança de alimentos. Coordenou estudos de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) de materiais e embalagens e projetos de desenvolvimento de produtos com menor impacto ambiental.

Instituto de Zootecnia comemora 80 anos da publicação científica “Boletim da Indústria Animal”

Em época de tamanha busca por respostas para novas descobertas científicas em meio a uma pandemia, o Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, destaca os 80 anos da Revista Científica do IZ – o “Boletim de Indústria Animal” (BIA). O periódico reúne artigos de enorme importância na área da produção animal sustentável, envolvendo várias áreas da produção animal.

Publicado pelo IZ desde 1941, este ano alcança o volume 78, com mais de 2.200 artigos originais, contribuindo para o avanço do conhecimento em todas as áreas relevantes da Zootecnia, como aquicultura, forragicultura, nutrição de não-ruminantes, nutrição de ruminantes, produção animal, reprodução e melhoramento animal. O Boletim Científico é um periódico de acesso livre, atualmente na modalidade Publicação Contínua.

O acesso aberto a esse conhecimento traz benefícios à sociedade, seja pelo desenvolvimento tecnológico, melhoria na qualidade de vida e riquezas, além da atualização do saber, transmitido por diversas instituições de pesquisa.

“Hoje, o BIA está, ainda mais, integrado à geração de conhecimento, já que os autores dos trabalhos são oriundos do IZ e de instituições de ensino e pesquisa do Brasil e do exterior”, enfatiza a editora-chefe da revista, Cristina Maria Pacheco Barbosa, atualmente diretora geral do IZ.

Para Cristina, ser editora do Boletim de Indústria Animal no seu aniversário de 80 anos, é “uma honra, e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade”. “O aniversário é a oportunidade de reafirmar seu valor como publicação científica vinculada ao Instituto de Zootecnia”.

Para comemorar a data será realizado evento on-line, dia 24 de março de 2021, com a participação de profissionais relevantes para a discussão de assuntos ligados à publicação científica para expor aos pesquisadores, colaboradores e alunos de pós-graduação a importância das boas práticas na editoração cientifica.

A revista representa um importante meio de difusão do conhecimento científico no país e passa por um momento de transição, tornou-se uma publicação integral em inglês, cujo propósito é alcançar cada vez mais a comunidade científica internacional.

Atualmente está vinculada à Associação Brasileira de Editores Científicos, presente em três diretórios e em 10 bases indexadoras, e conta com 16 editores associados em instituições nacionais e internacionais. Na editoria científica conta com os pesquisadores do IZ, Karina Batista e Fábio Campos Prudêncio.

Fonte: Assessoria de Comunicação

APTA Regional inicia pesquisas com pecuária de precisão na área de nutrição de gado de corte

Com o objetivo de avaliar em tempo real os nutrientes das pastagens para que o pecuarista consiga adequar a dieta dos animais com base em dados confiáveis e precisos, a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) vem desenvolvendo um projeto de pesquisa em seu Polo Regional de Colina, no interior de São Paulo. O equipamento testado para obter os resultados é o NIRS (Near Infrared Spectroscopy), importado da Suíça pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Segundo Regina Kitagawa Grizotto, pesquisadora da APTA Regional, foram investidos R$ 350 mil no equipamento, que foi comprado com recursos do Plano de Desenvolvimento Institucional de Pesquisa dos Institutos Estaduais de Pesquisa do Estado de São Paulo (PDIP), aprovados pelo Instituto de Zootecnia. “O NIRS é um equipamento de grande versatilidade que pode atender a demanda regional dentro do conceito de Pecuária de Precisão. É uma ferramenta que está sendo utilizada no desenvolvimento na área de bovino de corte melhorando produtos, processos e ações inovadoras”, disse.

Atualmente, conforme a pesquisadora, o pecuarista toma decisões pessoais acerca da dieta adequada aos animais de corte, baseadas na simples observação do pasto. “Se o capim está seco, ele deduz que precisa começar a suplementação, se o capim está verde, espera.”, explicou. Com isso, porém, o produtor pode estar “gastando dinheiro à toa”, porque nem sempre é hora de iniciar uma nova dieta, já que o pasto tem os nutrientes necessários para o ganho de peso”. Com o uso do NIRS, o produtor obtém informações precisas para saber quando deve dar início à suplementação da dieta dos animais e adequar os nutrientes que precisam ser oferecidos para que eles ganhem mais peso.

A pesquisa, no entanto, ainda está em curso e levará um tempo a ser concluída. Para Regina Grizotto, ainda será necessário coletar e analisar diversas amostras de pastos em diferentes momentos do ano. “Precisamos abastecer o aparelho com dados para que ele aprenda a realizar essas análises em tempo real. Esse trabalho leva tempo, pois temos que aumentar nosso banco de dados e fazer a curva de calibração.”, revela a pesquisadora.

Como funciona?

O NIRS é um aparelho com feixes de luz que ao ser utilizado em amostras de pastagens reflete a radiação e gera gráficos e números instantaneamente. Na técnica usual, o tempo de preparo da amostra leva cerca de 72 horas para dar o resultado. Com o banco de dados abastecido, o aparelho faz a análise instantânea do material e apresenta o resultado em poucos minutos.

Confira podcast sobre o assunto no Spotify Soundclound..

APqC, com informações da Assessoria de Imprensa da APTA

Astro do funk grava clipe pró-vacina no Instituto Butantan

“Essa vacina é saliente, vai curar nóis do vírus e salvar muita gente”, canta MC Fioti na nova versão do clipe do hit “Bum Bum Tan Tan”, dirigido por Kaique Alves do KondZilla Records, maior canal de funk do mundo e maior canal do Youtube do Brasil e da América Latina. O clipe, lançado ao meio-dia deste sábado (23), traz letra adaptada de incentivo e valorização à Ciência.

O clipe conta a história do MC que tinha pendente com o gênio da lâmpada dois desejos. Em uma nova oportunidade, Fioti pede “a cura do coronavírus” e, como terceiro e último desejo, “quero que traga paz, amor e saúde para a humanidade”. O gênio então concede os desejos e o jovem acorda na escadaria do Instituto Butantan – um dos maiores centros de pesquisa do Brasil, reconhecido mundialmente.

A partir daí, a história nos conduz às áreas internas do Butantan: Museus Biológico e Microbiológico, Biblioteca e diversas áreas do Instituto, como, por exemplo, o departamento de Compras. E, em uma cena ou outra, funcionários do Butantan fazem a magia acontecer.

A homenagem, cuja gravação ocorreu em uma sexta-feira, foi marcada por sorrisos, animação e a esperança de dias melhores. Na visita, a vacina ainda não tinha sido aprovada pela Anvisa. Agora, após a aprovação, a mensagem que fica é a seguinte: “Se vacina aí, pô”, incentiva MC Fioti.

Fonte: Assessoria de comunicação / Instituto Butantan

Pesquisador da APTA estuda viabilizar produção de uva orgânica em São Roque

O pesquisador Sebastião Wilson Tivelli

Pesquisador da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo desenvolve projeto para viabilizar a produção de uva orgânica no município de São Roque. Os trabalhos são conduzidos na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento em Agricultura Ecológica da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA). O objetivo é disponibilizar conhecimento e tecnologia para que os agricultores produzam suco de uva e vinho orgânicos de alta qualidade.

Segundo o pesquisador da APTA Regional – São Roque, Sebastião Wilson Tivelli, a pesquisa tem sido conduzida desde 2017 em conjunto com o Sindicato da Indústria do Vinho de São Roque (SINDUSVINHO), o Instituto Federal (IF) e a Prefeitura da Estância Turística de São Roque. “Finalizamos agora a primeira etapa do estudo, que identificou que é possível a produção de uvas orgânicas na cidade”, afirma o pesquisador.

O resultado foi possível após a avaliação de quatro cultivares de uva na produção orgânica por dois anos consecutivos. “Avaliamos neste primeiro momento quatro cultivares: a IAC 517, desenvolvida pelo Instituto Agronômico, Bordô, Isabel Precoce e BRS Lorena. Dessas, apenas a BRS Lorena não se mostrou adequada para a produção orgânica no município”, explica Tivelli.

A segunda etapa do projeto prevê a realização de experimentos para testar outras cultivares de uva, mais produtivas. A ideia é oferecer uma gama de opções aos produtores de uva da região. “A terceira etapa do estudo avaliará a parte econômica desse sistema de produção. Queremos saber se produzir uva dessa maneira é viável economicamente e se o produto final chega ao consumidor em uma faixa de preço adequada para os visitantes da cidade”, diz o pesquisador, reforçando que o município é reconhecido pelo turismo rural, mantendo a chamada Rota do Vinho, em que os visitantes podem conhecer vinícolas e degustar vinho e suco de uva produzidos localmente.

Para Fernando Pereira Leite, presidente do SINDUSVINHO, o projeto conjunto destas quatro frentes possibilita, além das pesquisas e geração de novas tecnologias e variedades de uvas, a retomada da cultura dos vinhedos em São Roque. “São Roque já foi tomada por videiras, e em função de vários aspectos como o clima, valorização imobiliária e dificuldade de mão de obra, a cidade perdeu muito espaço de plantação de uvas. O projeto das uvas orgânicas vem justamente para retomar esta cultura histórica de São Roque. E produzirmos sucos e vinhos com uvas naturais daqui”, explica Fernando.

Mais qualidade

De acordo com o pesquisador da APTA Regional, a busca dos produtores e da pesquisa não é apenas viabilizar a produção de matérias primas orgânicas com alto valor agregado, mas viabilizar a produção de uvas com alta qualidade para o processamento. “Uvas de qualidade, com porcentagem adequada de acidez e Brix, por exemplo, resultam em vinho e suco de qualidade superior, por não precisar adicionar açúcar na sua produção. Isso é uma demanda dos produtores que estamos atendendo”, afirma.

A avaliação da qualidade do produto final é possível graças à parceria com o Instituto Federal, que mantém no município o curso de enologia. “Esse estudo também só é possível graças ao Sindicato da Indústria do Vinho de São Roque, que além de financiar as pesquisas, nos aproxima dos agricultores. É importante destacar que outros produtores, que não são ligados ao Sindicato, podem ter acesso aos estudos e seus resultados”, diz Tivelli, que reforça a importância da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento da APTA Regional no Município. “Esta unidade de pesquisa possui mais de 90 anos. Ela foi criada, justamente, para estudar a produção de uva e, hoje, com esse projeto, volta a atender a essas demandas”, afirma.

Produção de uvas em São Roque

O Estado de São Paulo produz 10,4% da uva no Brasil, ficando atrás do Rio Grande do Sul (45,3%) e de Pernambuco (29,6%), segundo dados da safra de 2019. De acordo com Tivelli, para a produção de vinho e suco de uva, São Roque utiliza uvas, principalmente, do Rio Grande do Sul. “Com esse projeto de pesquisa queremos aumentar o PIB do agro paulista, aumentando o cultivo de uva em São Roque e em todo o Estado. O cultivo de vinhedos em São Paulo tem alto potencial de agregação de valor e aumento da arrecadação do ICMS”, afirma.

Fonte: Assessoria de Comunicação / APTA

Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia ingressa na era da medicina personalizada

O Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, que atende diariamente cerca de 2 mil portadores de doenças cardíacas em consultas, exames e cirurgias, inaugurou em dezembro a plataforma Dante Digital, o que permitirá iniciar procedimentos de medicina personalizada.

O primeiro passo foi a criação de um biobanco integrado ao laboratório biomolecular para realização de análises genéticas de amostras a partir do sangue coletado de pacientes. “A genômica é uma ferramenta importante no tratamento de doenças cardíacas e irá subsidiar a clínica médica”, salienta Fausto Feres, diretor do Instituto, à Agência Fapesp.

O segundo passo foi implantar o prontuário digital, com informações de todos os setores envolvidos no atendimento ao paciente, integrado a um sistema baseado em inteligência artificial para a análise desse conjunto de informações – incluindo os dados obtidos da análise genética –, para dar suporte à customização dos diagnósticos. “A possibilidade de fazer clínica médica utilizando big data é resultado do apoio da Fapesp”, afirma Carlos Gun, diretor de Ensino e Pesquisa do Instituto, à Agência Fapesp.

O Dante Digital começou a ser concebido em abril de 2018, quando o Instituto, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde, teve aprovado projeto submetido ao edital do Programa de Modernização de Institutos Estaduais de Pesquisa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). No âmbito desse programa, a Fundação destinou um total de R$ 120 milhões para a modernização da infraestrutura de pesquisa e capacitação de pessoal para 12 instituições de pesquisa paulistas.

Bioengenharia e inovação

“A ideia inicial era estruturar o banco de dados. Mas o projeto avançou com a consultoria de Kleber Franchini”, conta Feres. Franchini é diretor do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.

A parceria com Franchini desdobrou-se num contrato com o CNPEM, firmado por intermédio da Secretaria da Saúde, que abriu ao Dante Pazzanese acesso também ao Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) e ao Laboratório Nacional do Luz Síncrotron (LNLS), que opera o Sirius.

Junto com os laboratórios de Campinas, o Dante Pazzanese está desenvolvendo o coaguchek, uma fita para o monitoramento da coagulação sanguínea – semelhante à que mede a glicemia – utilizada em pacientes que fazem uso de medicamentos anticoagulantes. “Os níveis de coagulação se alteram em função de alimentação ou do peso do paciente e precisam ser constantemente monitorados”, explica Feres.

Diariamente, 700 pacientes do Instituto precisam desse acompanhamento. “Cada fita comprada no mercado custa R$ 16. E o SUS não cobre este gasto; paga um outro tipo de exame que leva, em média, oito horas. Com o uso da fita, o resultado sai em 15 minutos”, compara Feres. O coaguchek permitirá que todos os pacientes utilizem a fita, sem impacto de custo para o Instituto.

Inovação

O Instituto Dante Pazzanese já tem implantado um Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) para dar suporte às iniciativas de inovação. “Desenvolvíamos alguns equipamentos para uso do hospital, como bolsas de assistência ao coração, desfibriladores, marcapassos internos, entre outros. Mas não tínhamos, até a constituição do NIT, uma cultura de desenvolvimento de produtos”, conta Gun.

Desde o início da pandemia da COVID-19, boa parte do material de intubação utilizado em pacientes é fabricada pela área de bioengenharia utilizando impressora 3D.

O ambiente de inovação foi reforçado com a constituição do Inova IDP, que pesquisa e desenvolve equipamentos para assistência circulatória, assistência artificial, entre outros equipamentos.

Qualificação de recursos humanos

O apoio da Fapesp inclui, ainda, bolsas de pós-doutorado, de treinamento técnico e de iniciação científica. Três bolsistas de pós-doutorado, por exemplo, estão envolvidos no projeto do coaguchek. Um deles, com formação na área de engenharia eletrônica, desenvolve o algoritmo que vai mensurar a coagulação e o circuito eletrônico para a medição da reação de coagulação, além de implementar as rotinas do software embarcado no equipamento.

Bolsistas de pós-doutorado também investigam o uso de proteínas recombinantes em modelos em culturas celulares e analisam informações genéticas de pacientes com o objetivo de desenvolver biofármacos ou aumentar a eficácia do tratamento com medicamentos já disponíveis. Projetos de pesquisa e estudos clínicos envolvem ainda várias bolsas de capacitação técnica e de iniciação científica.

“Somos um instituto de pesquisa com credibilidade. Desenvolvemos anualmente mais de cem protocolos médicos na área cardiovascular e estamos entre os 50 melhores hospitais nesta especialidade em todo o mundo”, diz Feres.

Criado em 1954, o Dante Pazzanese mantém programa de Residência Médica em cardiologia e cirurgia cardiovascular. “Temos, atualmente, 230 residentes”, conta o diretor do Instituto.

O espaço mantém, ainda, programas de formação em diversas áreas médicas e paramédicas. Esses programas foram reforçados, agora, com a conclusão do projeto de modernização da biblioteca, com 12 computadores, e a instalação de auditórios com recursos multimídia. “Isso nos permite oferecer cursos a distância sobre temas ligados à cardiologia e difundir conhecimento”, afirma Feres. Os cursos são semanais e têm, em média, 2 mil pessoas inscritas.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Pesquisa do Instituto Florestal mostra que florestas bem conservadas aceleram regeneração de áreas vizinhas

FOTO: CLAUDIO DE MOURA

Pesquisa publicada na Revista do Instituto Florestal realizou levantamento da flora de um trecho de Mata Atlântica com histórico de uso agrícola em Peruíbe, na região da Baixada Santista. A área estudada fica no entorno imediato da Estação Ecológica Juréia-Itatins (EEJI). No fragmento, com mais de 30 anos de regeneração natural, foi registrada elevada riqueza de espécies, sendo quatro ameaçadas de extinção. Os resultados deste trabalho mostram como florestas bem conservadas, como as desta Unidade de Conservação, aceleraram o processo de recuperação de áreas vizinhas.

O litoral de São Paulo e a região do Vale do Ribeira são de extrema importância para a conservação da natureza, devido à sua elevada biodiversidade. A Mata Atlântica é um dos biomas brasileiros com maiores taxas de desmatamento e situa-se em um dos ambientes mais ameaçados do planeta, devido à ocupação de seu território. A Estação Ecológica Juréia-Itatins é um dos trechos melhor protegidos e preservados do Brasil. Sua flora é bastante diversificada, com grande número de espécies raras e endêmicas, característica que faz o bioma ser considerado uma das oito áreas mais importantes para a conservação da biodiversidade mundial.

Com o objetivo de discutir a regeneração natural de áreas com o histórico de uso agrícola, os pesquisadores científicos Claudio de Moura, do Instituto Florestal, e Waldir Mantovani, do Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo, realizaram a caracterização da flora de um trecho de floresta limítrofe à EEJI. O fragmento estudado teve cultivo de banana até o ano de 1983, quando a atividade foi interrompida, o que favoreceu a formação de uma floresta secundária (com 33 anos na época da realização do estudo, em 2016).

Mas para compreender o que é uma floresta secundária, primeiro é preciso entender o processo sucessional. Em qualquer terreno não ocupado por vegetação, se estabelece uma condição de vazio ecológico. Essa disponibilidade faz surgirem plantas para colonizarem esse espaço. Ao longo do tempo, as espécies vão se substituindo, cada uma alterando o ambiente para a espécie seguinte. A esse processo, em que ocorre a mudança da vegetação em uma mesma área, é dado o nome de sucessão.

Quando o processo de sucessão começa com uma “comunidade vazia”, é denominado de sucessão primária, pois leva à formação e colonização da vegetação sobre um solo recém-formado. Quando há uma vegetação estabelecida, e ela é totalmente removida por ação humana para uso temporário, a recolonização das plantas somente irá ocorrer após a interrupção daquele uso. Esse processo de reocupação da comunidade de plantas em um local em que elas já habitavam é denominado de sucessão secundária. A área deste estudo se enquadra neste caso, sendo portanto uma floresta secundária.

Dentro de um total de apenas 0,125 hectare foram registrados 956 indivíduos vivos, de 56 famílias botânicas, 91 gêneros e 172 espécies, das quais 13 foram identificadas no nível de família, 21 de gênero e oito plantas não foram identificadas por dificuldade de coleta de material. A área apresentou elevada riqueza de espécies e densidade de indivíduos. Foram registradas quatro espécies ameaçadas de extinção, sendo três a níveis estadual e nacional: a palmeira-juçara (Euterpe Edulis), a bicuíba (Virola bicuhyba) e a batinga orelha de burro (Myrcia isaiana); e a nível global uma espécie de canela (Nectandra psammophila).

O registro destas quatro espécies ameaçadas de extinção mostra a importância das florestas secundárias para a proteção de espécies ameaçadas de extinção e para a conservação biológica. A proteção destas florestas é fundamental sobretudo em regiões com florestas maduras e bem conservadas como as da Juréia, que fornecem material biológico possibilitando que as florestas secundárias remanescentes alcancem a maturidade a longo prazo.

Em comparação com outras áreas de vegetação secundária com 33 anos de idade, os pesquisadores observaram no fragmento estudado um padrão mais desenvolvido de regeneração natural. Segundo eles, o principal fator desta diferença está relacionado com a proximidade a remanescentes florestais bem conservados e isolamento de perturbações externas como gado, roçadas e fogo.

O artigo científico desta pesquisa foi publicado no volume 32, número 1, da Revista do Instituto Florestal. Leia aqui

Fonte: Instituto Florestal

Vídeo mostra a importância do Ital no acesso e qualidade dos alimentos no Brasil

Em outubro do ano passado, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), em parceria com a Peripécia, produziu um vídeo que aborda a importância da alimentação na vida das pessoas e de que forma a pesquisa científica está presente na qualidade e distribuição dos alimentos à mesa dos brasileiros. “O que a Pesquisa Científica tem a ver com sua alimentação?” dá sequência a uma série de vídeos cujo objetivo é divulgar o trabalho dos pesquisadores e dos nossos institutos. No caso do vídeo abaixo, a APqC apresenta ao público o que faz o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Vale a pena ver de novo. Valorize a pesquisa pública e ajude a divulgar o nosso trabalho!

Instituto de Zootecnia pesquisa reuso de água na criação de suínos

A gestão inteligente do esgoto – com produções de água de reuso, fertilizante agrícola e biogás – assume papel relevante à saúde humana, à natureza e à economia produtiva. Visando minimizar os desperdícios e aproveitar ao máximo os recursos em uso, o Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, tem desenvolvido pesquisas para o reuso da água do sistema de criação de suínos.

Os trabalhos de Produção de Proteína Animal Integrada (PPAI) – conduzidos pela equipe do programa “Suíno Pata Verde”, com o sistema Flotub JLTec-IZ, que oferece tecnologia inédita e inovadora à suinocultura paulista -, envolvem a recuperação da água no sistema de produção de suínos. Os resultados apresentaram diminuição do desperdício de nutrientes da ração, redução da ingestão de água pelos animais e recuperação da água pelo tratamento dos efluentes da suinocultura.

Coordenadora do Programa, a pesquisadora Simone Raymundo de Oliveira explica que é necessário promover cada vez mais essa gestão inteligente do esgoto, já que alguns números apontam para a escassez de recursos hídricos.

Pelas projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil deverá atingir 260 milhões de habitantes em 2050 e isso poderá gerar disputas por melhores solos, alimentos, condições climáticas, insumos agropecuários e, principalmente, água potável. Estudo realizado pelo Banco Mundial e lançado em março de 2020 em Washington, nos Estados Unidos, demonstra a importância do tratamento de esgoto para a humanidade. Sabe-se que, no mundo, 80% das águas residuais são devolvidas ao meio ambiente sem tratamento adequado e 36% da população mundial vive em regiões com escassez de recursos hídricos.

A demanda por água no Brasil é crescente, com aumento estimado de aproximadamente 80% do total retirado nas últimas duas décadas. A previsão é de que ocorra um aumento de 24% na demanda até 2030, segundo estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) de 2019. O país utiliza, em média, a cada segundo, cerca de 2,5 milhões de litros. Em 2030, esse total deve superar a marca de três milhões de litros de água por segundo

“Nesse contexto, é imprescindível que os sistemas de produção agropecuários revejam, de imediato, seus manejos tecnológicos nos diferentes sistemas de produção animal relacionados à gestão do uso da água e dos resíduos produzidos”, destaca Simone.

Para a pesquisadora, embora as reduções na disponibilidade de recursos hídricos já estejam ocorrendo, a sociedade passará a exigir produtos oriundos de sistemas ambientalmente corretos. “As mudanças na escolha dos produtos pelos consumidores serão cada vez mais vinculadas ao consumo consciente”, destaca.

Esse comportamento levará a valorização dos sistemas produtivos que contemplem o menor uso de água na produção de alimentos, aliados aos tratamentos adequados dos efluentes e resíduos gerados.

Para Simone, na atual conjuntura mundial, há uma tendência irreversível para que se revejam os conceitos e concepções do sistema de produção de suínos, uma vez que realidades diferentes exigem atitudes diferentes. “Estamos falando em água de reuso, energia comburente (biogás) e biofertilizante para tornar o passivo ambiental em ativo financeiro. Vamos juntos mudar o atual cenário produtivo, tornando a produção de proteína animal integrada em uma geradora de outros coprodutos, além da proteína animal”, afirma.

Sistema Flotub JLTec-IZ

A pesquisa realizada no IZ com 80 suínos, machos castrados e fêmeas, com idade de 63 aos 150 dias, e peso vivo médio de 25 kg na fase inicial e 110 kg na fase final, demonstrou que 28,11% da Proteína Bruta (PB) e 41,32% do Extrato Etéreo (EE) consumidos foram excretados pelos animais nos dejetos. “Esta ineficiência alimentar desencadeia perdas consideráveis de água potável, além de desperdiçar alimento e recursos financeiros”, enfatiza Simone.

Aliados à técnica de manejo e melhoria da qualidade da dieta pela biodisponibilidade dos nutrientes, o sistema Flotub JLTEC-IZ recupera, no mínimo, 70% da água contida nos dejetos dos animais, que poderá ser reutilizada após sua desinfecção, na lavagem das instalações, por exemplo.

O funcionamento do sistema, segundo o engenheiro João Luciano da Silva, da JLTec, se dá em várias etapas. “A primeira consiste na retirada do material sólido do efluente, e a parte líquida vai para o biodigestor com permanência de no mínimo 30 dias. Nas etapas seguintes do processo, o material passa por digestão aeróbica, floculação e clarificação [retirada do lodo da fase líquida]. Por fim, a água de reuso que provém da clarificação do efluente, seguida de desinfecção e posterior avaliação microbiológica e físico-química, é armazenada para reuso”, detalha.

“As pesquisas necessitam sempre estar à frente para avançar no conhecimento para que haja a elucidação dos desafios e dos fatores que impactam negativamente o metabolismo animal [digestão, absorção e excreção]”, enfatiza Simone, coordenadora do Programa “Suíno Pata Verde”. “Estamos preparados para os desafios dentro desta linha de pesquisa inovadora e diferenciada que iniciamos”, destaca a equipe formada pelos pesquisadores e profissionais da área – Simone Raymundo de Oliveira e Fábio Prudêncio de Campos, do IZ, Júlio César de Carvalho Balieiro, da FMVZ/USP, Marcia Nalesso Costa Harder, da Fatec/Piracicaba, Valter Arthur, do Cena/USP, João Luciano da Silva, da JLTec, e Luciana Bueno, do Clinical Nutrition Science (CNS).

Consumo de água x produção de carne suína

Para compreender este estudo, Simone disse que foram adotados os cálculos da média global de consumo de água para a produção da carne suína da Water Footprint Network (WFN), a qual destaca que, do total do volume utilizado para produzir uma tonelada de carne suína, são necessários cerca de cinco mil litros provenientes da precipitação (para produção dos alimentos que compõem a ração); 480 litros são dos corpos hídricos; e para tratar os efluentes são gastos o volume de 600 litros de água.

Para a produção nacional de suínos, em 2019 foram produzidas 260,9 milhões de tonelada de ração para suínos. O Brasil neste período foi o terceiro maior produtor mundial de rações, sendo que as rações para suínos representaram 25% do total de ração produzida. Em 2019, segundo informações da Pesquisa Global de Rações 2020, tanto no mundo quanto no Brasil, o segundo maior volume de ração produzida foi a de suínos.

Sendo, assim, Simone salienta também que “há uma grande importância das pesquisas científicas sobre o aumento da eficiência alimentar em suínos, observando os dados da produção mundial de ração”.

Dados do IBGE 2020 retratam que, em 2019, foram abatidos 46 milhões de cabeças de suínos no Brasil. “Se considerarmos alguns cenários, um suíno consome em média 185 kg de ração dos 63 aos 147 dias de vida, e terá 28,74 kg de proteína bruta excretada nesse período”, destaca Simone.

De acordo com os resultados de pesquisa do Programa “Suíno Pata Verde” em função somente do número de cabeças abatidas em 2019, no Brasil, houve a excreção de 375 mil toneladas de proteína bruta e no Estado de São Paulo aproximadamente 22 mil toneladas de proteína bruta”, detalha Simone, sendo que do montante ingerido, o desperdício de alimentos para um suíno, dos 63 aos 147 dias de idade, gira em torno de 11,30 kg de farelo de soja e 38,54 kg de milho, valores estimados com base no teor de proteína bruta excretado.

Considerando o número de cabeças abatidas no Brasil e no estado de São Paulo em 2019, a ineficiência alimentar acarretou perdas de mais de 1,8 milhão de toneladas de milho e mais de 500 mil toneladas de farelo de soja no Brasil e, somente em São Paulo foram aproximadamente 104 mil toneladas de milho e 31 mil toneladas de farelo de soja.

Para produzir uma tonelada de soja (grão) e uma tonelada de milho (grão), segundo a Water Footprint Network (WFN), é necessário [pela média de produção anual mundial] o consumo de 2.201 metros cúbicos de água por tonelada de soja e 1.222 metros cúbicos por tonelada de milho.

Aliado a isto está a relação de água pelo consumo de ração pelos suínos, que na fase de crescimento e terminação é de três litros de água ingerida para cada quilograma de ração por animal. Pelo número de animais abatidos, em 2019, a ingestão de água no Brasil foi de mais de 25,7 bilhões de metros cúbicos e no Estado de São Paulo de 1,5 bilhão de metros cúbicos.

Simone explica que utilizando as informações dos dados de abate de suínos do Brasil e do estado de São Paulo, do ano de 2019, do IBGE, aliadas a uma estimativa de melhoria da eficiência alimentar dos suínos em 15%, dos 63 aos 144 dias de idade, “a redução do desperdício será de 270 milhões de toneladas de milho e 79 mil toneladas de farelo de soja”.

“No Brasil, seguindo informações da WFN [pegada hídrica], para redução anual do uso da água em relação a produção de soja, esses valores equivaleriam a mais de 570 milhões de metros cúbicos de água para a produção de cerca de 112 mil toneladas de soja grão. Já para o estado de São Paulo a redução anual do desperdício corresponderia a 88,5 mil toneladas de milho e 42 mil toneladas de soja (grão) ou 36 mil toneladas de farelo de soja o que equivaleria na redução de 33 milhões de metros cúbicos de água para a sua produção”, enfatiza Simone.

Com a melhoria da eficiência alimentar, numa granja em que se vende mil animais terminados, segundo Simone, o ganho “seria equivalente a 149 animais de retorno – menor custo de produção e aumento na margem de lucro”.

Há grande impacto gerado na recuperação de águas com os tratamentos de efluentes quando se considera o número de matrizes alojadas e suínos abatidos. Segundo o IBGE de 2020, com base em 2018 e o número de cabeças abatidas em 2019, foram abatidos aproximadamente 2,7 milhões no Estado de São Paulo e mais de 46 milhões, no Brasil.

Considerando a fase crescimento e terminação e o aumento da eficiência alimentar, aliada a recuperação de água, Simone disse que seria permitida a economia de 1,4 milhões de metros cúbicos de água no estado de São Paulo. “Além disso, geraria coprodutos, com alto potencial de comercialização, como os biofertilizantes que são resultantes desse sistema de tratamento de efluentes.”

Com a utilização dos dados já obtidos com o Sistema Flotub JLtec-IZ, considerando os dados do IBGE e a WFN, a produção de água de reuso, no Brasil corresponde a 19,7 milhões de metros cúbicos e no estado de São Paulo em torno de 1,150 milhão de metros cúbicos, “pois foram abatidos mais de 46 milhões de cabeças e utilizados 28 milhões de litros de água”.

“Enquanto, para o alojamento de cerca de cinco milhões de matrizes, a recuperação chegaria a mais de 183 milhões de metros cúbicos de água na produção nacional e mais de seis milhões de metros cúbicos de água de reuso na produção paulista”, detalha Simone.

“Do produtor à indústria, a cadeia produtiva de carne suína busca continuamente pela excelência produtiva com altos investimentos em genética, nutrição, manejo ambiental, qualificação de mão-de-obra, gestão da produção e bem-estar animal”, reforça Simone. “Sendo assim, é possível, com a continuidade das pesquisas, responder, por exemplo, quais os fatores que impossibilitam a utilização eficiente dos nutrientes da dieta para a produção de carne suína; por que tanto desperdício de nutrientes, uma vez que houve um avanço no potencial genético dos suínos; como melhorar a eficiência alimentar e aumentar a metabolização dos nutrientes da dieta e, consequentemente, a redução do consumo de ração e água na produção de suínos”, destaca.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Estado de SP bate recorde de cobertura vacinal de bovídeas

O estado de São Paulo registrou novo recorde anual de cobertura vacinal com 95,71% das fêmeas bovídeas (bovinas e bubalinas), com idade entre 3 a 8 meses, vacinadas contra a brucelose, superando o índice do ano anterior que foi de 95,27%. Os dados são do sistema informatizado Gestão de Defesa Animal e Vegetal (Gedave), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento vinculado à Coordenadoria de Defesa Agropecuária. Outra notícia importante é que mesmo na pandemia, o Instituto Biológico (IB-APTA), também da Secretaria, aumentou em 20% sua produção de imunobiológicos, antígenos usados para diagnóstico de brucelose e tuberculose em animais.

A vacinação contra a brucelose é obrigatória no Estado desde 2002 e é feita uma única vez na vida das fêmeas bovinas ou bubalinas, com idade entre 3 a 8 meses. A declaração junto ao sistema deve ser feita a cada semestre.

O índice de vacinação do segundo semestre de 2020, que inclui as fêmeas bovídeas vacinadas entre o mês de junho e novembro foi de 94,29%. Das 391.955 fêmeas bovinas com registro no sistema, 369.564 foram vacinadas e 22.391 bezerras deixaram de serem vacinadas. Os animais aptos a serem vacinados estavam distribuídos em 42.286 propriedades e destas, 38.152 (90,22%) declararam a vacinação.

“Mesmo diante da pandemia os índices de vacinação foram mantidos no Estado, pois os produtores rurais não deixaram de se preocupar com a sua criação e com as obrigatoriedades de proteção às doenças, principalmente com a brucelose, que é uma zoonose”, diz o médico-veterinário da Secretaria, Klaus Saldanha Hellwig, que junto à Defesa Agropecuária responde pelo Programa Estadual de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose (PECEBT).

Sobre as 22.391 bezerras que deixaram de receber a vacina até os 8 meses de idade, o veterinário explica que os proprietários precisam regularizar a situação junto ao serviço oficial de defesa agropecuária para poder movimentar normalmente seus animais. “O proprietário deve procurar um médico-veterinário de sua confiança para vacinar as fêmeas com mais de 8 meses de idade com a vacina RB-51 e fornecer o atestado de vacinação que deverá ser apresentando em uma unidade da Coordenadoria de Defesa Agropecuária”, diz Hellwig.

Por ser uma vacina viva, que pode infectar o manipulador a vacinação deve ser feita por um profissional médico-veterinário. A relação dos profissionais cadastrados para realizar a vacinação em diversos municípios do Estado de São Paulo está disponível no site da Coordenadoria em https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/credenciados/

IB aumenta em 20% produção de imunobiológicos

Mesmo em um momento difícil, de isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus, o Instituto Biológico continuou aumentando a produção e disponibilizando insumos estratégicos para o setor de produção dos agronegócios.

É o caso da produção de imunobiológicos, antígenos utilizados para diagnóstico de brucelose e tuberculose em animais. Em 2020, o Instituto Biológico produziu 5.484.430 doses de imunobiológicos, um aumento de 20% em relação a produção de 2019. O IB é a única instituição brasileira autorizada a produzir este insumo no Brasil.

“O recorde na vacinação de brucelose e no uso de antígenos para o diagnóstico de doenças importantes mostra que o produtor e o setor estão atentos e que não se descuidaram durante a pandemia”, afirma o médico-veterinário do IB, Ricardo Spacagna Jordão.

Ele explica que a diferença entre os imunobiológicos usados para diagnósticos e a vacina está em que para diagnóstico é usado um produto com bactéria morta e a vacina, no caso da brucelose, com bactéria viva.

O IB também trabalha para disponibilizar os frascos de imunobiológicos para diagnóstico da brucelose com prazo de validade maior, de 18 meses, seis meses a mais do que é encontrado hoje no mercado. “Com isso, atenderemos uma demanda importante para o setor de produção, que há bastante tempo nos pede um prazo maior de validade e frascos com menos doses para evitar desperdício”, explica. Em 2020, o IB disponibilizou os antígenos para diagnóstico de tuberculose com o dobro do prazo de validade usado até então.

O aumento na produção dos produtos e as melhorias da qualidade foram possíveis graças a investimentos no Laboratório de Imunobiológico do Instituto, localizado em São Paulo, Capital. “Nos últimos anos, tivemos grandes investimentos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) no Laboratório, o que permitiu melhorarmos o processo e disponibilizarmos melhores produtos para o setor”, diz Jordão.

Dados regionais de vacinação de brucelose em São Paulo

Na relação abaixo estão o quantitativo de fêmeas bovídeas com idade entre 3 a 8 meses existentes no segundo semestre de 2020; o número de animais vacinados; e o índice de imunização em cada regional de Defesa Agropecuária (EDA).

EDA de Andradina – 15.937 – 15.920 – 99,89 %
EDA de Araçatuba – 13.067 – 12.966 – 99,23 %
EDA de Araraquara – 5.172 – 4.917 – 95,07 %
EDA de Assis – 7.577 – 7.401 – 97,68 %
EDA de Avaré – 9.094 – 8.572 – 94,26 %
EDA de Barretos – 3.642 – 3.212 – 88,19 %
EDA de Bauru – 12.475 – 11.607 – 93,04 %
EDA de Botucatu – 11.092 – 9.953 – 89,73 %
EDA de Bragança Paulista – 9.118 – 7.341 – 80,51 %
EDA de Campinas – 5.178 – 4.194 – 81,00 %
EDA de Catanduva – 2.899 – 2.831 – 97,65 %
EDA de Dracena – 15.095 – 14.925 – 98,87 %
EDA de Fernandópolis – 8.269 – 8.259 – 99,88 %
EDA de Franca – 6.748 – 4.960 – 73,50 %
EDA de General Salgado – 14.945 – 14.649 – 98,02 %
EDA de Guaratinguetá – 14.117 – 14.108 – 99,94 %
EDA de Itapetininga – 11.623 – 10.569 – 90,93%
EDA de Itapeva – 8.634 – 6.964 – 80,66 %
EDA de Jaboticabal – 2.468 – 2.068 – 83,79 %
EDA de Jales – 15.525 – 15.459 – 99,57 %
EDA de Jaú – 4.023 – 3.849 – 95,67 %
EDA de Limeira – 5.162 – 5.062 – 98,06 %
EDA de Lins – 14.123 – 13.682 – 96,88 %
EDA de Marília – 15.875 – 15.784 – 99,43 %
EDA de Mogi das Cruzes – 984 – 792 – 80,49 %
EDA de Mogi-Mirim – 3.505 – 3.085 – 88,02 %
EDA de Orlândia – 2.466 – 1.950 – 79,08 %
EDA de Ourinhos – 10.539 – 10.380 – 98,49 %
EDA de Pindamonhangaba – 16.390 – 15.376 – 93,81 %
EDA de Piracicaba – 6.450 – 6.008 – 93,15 %
EDA de Presidente Prudente – 27.954 – 25.861 – 92,51 %
EDA de Presidente Venceslau – 30.249 – 28.982 – 95,81 %
EDA de Registro – 4.911 – 4.585 – 93,36 %
EDA de Ribeirão Preto – 3.850 – 3.450 – 89,61 %
EDA de São João da Boa Vista – 11.811 – 11.653 – 98,66 %
EDA de São José do Rio Preto – 13.112 – 11.681 – 89,09 %
EDA de São Paulo – 191 – 165 – 86,39 %
EDA de Sorocaba – 6.505 – 5.542 – 85,20 %
EDA de Tupã – 13.148 – 12.772 – 97,14 %
EDA de Votuporanga – 8.032 – 8.030 – 99,98 %
TOTAL DO ESTADO – 391.955 – 369.564 – 94,29 %

Brucelose – É uma zoonose (doença que acomete os animais e o homem) infecto-contagiosa causada pela bactéria Brucella abortus. Nos bovinos pode causar aborto; nascimento de bezerros fracos; retenção de placenta; repetição de cio e descargas uterinas com grande eliminação da bactéria, além de inflamação nos testículos.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Pesquisadores lançam obra sobre Cinturão Verde de SP

Pesquisadores e extensionistas da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo participam como autores da obra “Serviços ecossistêmicos e bem-estar humano na reserva da biosfera do Cinturão Verde da cidade de São Paulo”, editada pelo Instituto Florestal, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente.

Ao todo, 75 autores de 35 instituições participaram da obra, composta por mais de 600 páginas. Entre os colaboradores, estão pesquisadores do Instituto de Pesca (IP-APTA) e do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), além de técnicos da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS).

De acordo com seus organizadores, a obra é uma importante ferramenta para a tomada de decisão sobre o meio ambiente nas três esferas do poder público do Brasil e para as ações que impactam diretamente o planejamento e o ordenamento territorial de uma das maiores metrópoles mundiais.

Para Luciana Menezes, pesquisadora do IP, a publicação é um documento de referência, resultado do trabalho integrado de cientistas e será importante para produtores rurais e para o público em geral.

“O objetivo é levar ao conhecimento público os serviços ecossistêmicos que, no âmbito da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo (RBCV), precisam ser protegidos e aqueles que devem ser recuperados. As Reservas da Biosfera são áreas que compreendem ecossistemas terrestres, marinhos e costeiros, onde deve-se promover soluções que conciliam a conservação da biodiversidade com seu uso sustentável”, explica.

“Essa obra é de fundamental importância, pois destaca as comunidades indígenas, de agricultores familiares e pescadores artesanais com suas práticas assessoradas pelos serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) da CDRS, com apoio da pesquisa científica e da Fundação Nacional do Índio (Funai), as quais estão em consonância com as exigências ambientais e de construção de uma economia solidária”, diz o extensionista Newton Rodrigues, da CDRS Regional São Paulo, que tem vários trabalhos nesta área, inclusive publicados no exterior.

Cinturão verde

Segundo a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e sua área envoltória foi declarada como Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo (RBCV) pela UNESCO em 1994. O espaço foi estabelecido como avaliação subglobal pela Avaliação Ecossistêmica do Milênio (AEM). Solicitada em 2000 pelo Secretário Geral da ONU, Kofi Annan, a AEM configurou-se em um programa intergovernamental pioneiro para o desenvolvimento de uma síntese sobre os serviços dos ecossistemas e o conhecimento sobre a biodiversidade.

O estabelecimento de uma avaliação ecossistêmica no Cinturão Verde se deu com o objetivo de destacar a relevância dos benefícios da Reserva para a macrometrópole paulista, em uma área que abrange 78 municípios. Seus habitantes, que representam 55% da população do estado, dependem diretamente desses ecossistemas e de seus serviços para o seu bem-estar. O Cinturão Verde de São Paulo é responsável principalmente por fornecer alimento, água e amenização climática para mais de 25 milhões de habitantes que vivem na área abrangida pela RBCV.

Clique aqui para ter acesso ao livro em pdf.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Instituto de Pesca desenvolve pesquisa inédita com trutas

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo desenvolve pesquisa inédita com trutas arco-íris de coloração azul e amarela. Os estudos são conduzidos na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Campos do Jordão, do Instituto de Pesca (IP-APTA), única unidade de pesquisa do país exclusivamente dedicada a salmonídeos, ou seja, truta e salmão. Além de serem muito apreciadas na pesca esportiva e gastronomia, essas variantes de coloração apresentam potencial uso em pesquisas cientificas. Confira abaixo vídeo e podcast sobre o assunto.

De acordo com Yara Aiko Tabata, pesquisadora aposentada do Instituto de Pesca, as trutas azuis cobalto e amarelas foram isoladas por meio de acasalamentos controlados e caracterizadas geneticamente quanto ao caráter de dominância ou recessividade do padrão de cor. A pesquisadora explica que as trutas arco-íris, normalmente, possuem coloração parda com pintas pretas. A variação de cor ocorre por conta de mutações espontâneas.

Segundo a pesquisadora do IP, Neuza Takahashi, a truta azul possui o dorso azulado e as laterais do corpo prateadas, o que corresponde a fase marinha dos salmonídeos migradores. “Elas são preferidas por muitos mercados consumidores do mundo, particularmente o japonês”. A pesquisadora comenta ainda que ambas as linhagens foram selecionadas a partir de variantes da truta surgidas naturalmente, sem nenhuma técnica de manipulação gênica, sendo, por isso, um produto de origem totalmente natural.

Um dos benefícios decorrentes da variação da pigmentação é a utilização dessas trutas como indicador da condição triploide em lotes produzidos na UPD de Campos do Jordão e, por isso, há um interesse do Instituto de Pesca e da Secretaria de Agricultura na manutenção dessas linhagens. “A triploidização causa a esterilidade em trutas e, consequentemente, promove o aumento da produtividade e a melhoria da qualidade da carne pela supressão das características associadas a atividade reprodutiva”, afirma Yara.

Segundo o cientista do programa Jovem Pesquisador em Centros Emergentes da FAPESP, Ricardo Hattori, que desenvolveu a pesquisa no IP entre 2015 e 2019, apesar do grande interesse pelas trutas azuis, as tentativas de estabelecer linhagens comerciais fracassavam devido a problemas de crescimento e de fertilidade. “Porém, ao analisar com maior detalhe as trutas azuis da Unidade de Campos do Jordão, detectamos desempenhos zootécnicos e reprodutivo muito satisfatórios. Além disso, descobrimos também, por meio de diversos cruzamentos, que elas eram na verdade geneticamente diferentes das descritas até agora. Outro fato interessante e inédito dessa pesquisa foi a geração de trutas brancas-albinas a partir do cruzamento entre as azuis e as amarelas”, diz.

Tecnologias paulistas em todas as regiões produtoras de truta do Brasil

A Unidade do Instituto de Pesca, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), atua na geração e difusão de tecnologias voltadas para a melhoria da qualidade da truta e a diversificação de produtos de valor agregado. Suas pesquisas e resultados podem ser vistos em todas as regiões produtoras de truta do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Espirito Santo, Santa Catarina, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

Anualmente, a unidade de pesquisa transfere ovos de truta para 50 produtores, aproximadamente, atendendo 10% da demanda nacional por ovos. Mais de um milhão de ovos são disponibilizados por ano, que são usados para melhorar a qualidade de 210 toneladas de truta produzidas no Brasil.

Entre resultados de pesquisa marcantes está a reversão sexual da truta para produção de lotes 100% fêmeas, aumentando a produtividade ao eliminar os machos sexualmente precoces e a triploidização, que consiste na manipulação cromossômica para a produção de lotes de peixes estéreis a fim de aumentar a produtividade por meio da eliminação da atividade reprodutiva, obtendo trutas de grande porte, com filés altos.

A truticultura brasileira é formada principalmente por pequenos produtores, por isso, uma forma de aumentar a renda desses profissionais é o uso de tecnologias que agreguem valor à produção. Uma grande contribuição do IP neste sentido foi a viabilização no Brasil da técnica de salmonização da truta, ou seja, o processo de pigmentação da carne com carotenoide adicionado à ração, deixando a carne do peixe em tom rosa, característica que agrada aos consumidores. Este processo foi introduzido e otimizado na UPD de Campos do Jordão, através de auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Outro resultado foi o desenvolvimento do “caviar de truta”, na coloração dourado e vermelho, um produto de grande aceitação na alta gastronomia, desenvolvido com financiamento do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O Instituto de Pesca também completou estudo inédito no mundo de barriga de aluguel entre espécies diferentes. Este estudo, liderado por Hattori, possibilitou a geração de alevinos de salmão do Atlântico em dois anos – quando por vias normais seriam necessários quatro anos para a reprodução do salmão. A celeridade do processo está na utilização da truta arco-íris como receptora de células-tronco germinativas de salmão para gerar, em seu corpo, os espermatozoides e ovos de salmão. O estudo possibilita acelerar o processo de seleção e melhoramento genético do salmão do Atlântico em até metade do tempo necessário, levando em conta o método tradicional de reprodução. “Estudos para otimizar esta tecnologia em salmonídeos seguem sendo conduzidos na unidade, assim como o desenvolvimento de linhagens de truta arco-íris mais resistentes a altas temperaturas”, afirma a pesquisadora Neuza.

Saiba mais:

Vídeo sobre as pesquisas com truta.

Podcast: Spotify Soundclound

Fonte: Assessoria de Comunicação

Edital de Convocação Assembleia Geral Ordinária 26.01.2021

EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA

Estão convocados os associados da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo para participarem da Assembleia Geral Ordinária que se realizará em formato virtual, por meio da plataforma “Google Meet”, através do link: meet.google.com/uqk-qisj-hxo , no dia 26 de janeiro de 2021, às 13:50h, em primeira convocação e às 14:00h em segunda convocação, com a seguinte pauta:

  1. Informe sobre as atividades desenvolvidas pela Associação em 2020;
  2. Plano de trabalho 2021;
  3. Calendário de Assembléias, reuniões e eventos para 2021;
  4. Informes da Tesouraria;
  5. Valor da anuidade/mensalidade de 2021;
  6. Assessoria Jurídica – relatório de atividades;
  7. Comunicação – relatório de atividades;
  8. Outros assuntos;
  9. Palavra do associado.

Objetivando facilitar a organização da assembleia, solicitamos aos interessados que confirmem presença por e-mail: secretaria.apqc@gmail.com Qualquer outra dúvida também poderá ser encaminhada a ao e-mail mencionado.  

João Paulo Feijão Teixeira

Presidente da APqC

Campinas, 13 de janeiro de 2021.

Instituto Biológico de SP pesquisa fungos usados para controlar doenças na agricultura

A preocupação com o meio ambiente, o aumento da demanda por alimentos saudáveis e as dificuldades para o controle químico de algumas doenças em determinados cultivos comerciais têm motivado os agricultores a adotarem estratégias alternativas para conter pragas e doenças na agricultura. Uma dessas estratégias é utilizar um fungo do bem, capaz de controlar outros fungos que causam severos prejuízos em plantios comerciais.

Estes fungos do bem são do gênero Trichoderma. Além de terem grande potencial para controle biológico de fungos causadores de doenças nas plantas, ajudam a melhorar aspectos do cultivo. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Biológico (IB-APTA), desenvolve pesquisas nessa área e mantém uma das mais importantes coleções de Trichoderma do Brasil, que pode ser usada para o desenvolvimento de novos produtos comerciais.

De acordo com o pesquisador do IB, Ricardo Harakava, a coleção de Trichoderma do IB possui 120 isolados, ou seja, linhagens de Trichoderma, coletadas em diferentes biomas paulistas pela pesquisadora aposentada do IB, Cleusa M. M. Lucon. “Esses isolados foram coletados em 40 locais, como na região da Mata Atlântica e Cerrado, além de diferentes áreas de vegetação nativa. O diferencial da nossa coleção é que todos esses isolados passaram por testes para verificar se promovem controle de doenças ou se agem no crescimento das plantas”, conta o pesquisador que atualmente é curador do espaço do Instituto.

Empresas produtoras de bioinsumos podem, segundo Harakava, firmar parcerias com o Instituto Biológico para utilizarem essas linhagens para o desenvolvimento de produtos para o setor de produção. “Os produtores ou cooperativas que tiverem interesse também podem firmar esse tipo de parceria. Ocorre que o desenvolvimento desses produtos custa caro e precisam de aprovação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)”, explica.

O que são Trichoderma?

Os Trichoderma são fungos de crescimento rápido que podem ser utilizados em diversos tipos de indústria, como a de papel, alimentos, química e farmacêutica e, mais recentemente, na produção agrícola, como soja, cana-de-açúcar, algodão e olerícolas, entre outras. Eles controlam doenças causadas por fungos de solo, que infectam as raízes, a base dos caules e o sistema vascular das plantas, ocasionando podridões e murchas.

O uso do Trichoderma nas lavouras também traz outros benefícios associados ao crescimento das plantas e à produtividade, principalmente quando aplicados em solos considerados pobres em nutrientes. Os pesquisadores explicam que ao melhorar o desenvolvimento das raízes, esses fungos acabam propiciando o melhor aproveitamento de água pelas plantas e uma maior absorção de nutrientes minerais.

Os ácidos produzidos pelo Trichoderma colaboram para a solubilização de fosfatos, micronutrientes e alguns minerais como ferro, manganês e magnésio. Além disso, como participam da decomposição de matéria orgânica no solo, aumentam a quantidade de nutrientes que podem ser absorvidos pelas raízes. Algumas linhagens produzem ainda um hormônio de crescimento.

“Mas é importante lembrar que o efeito de Trichoderma na produtividade varia de acordo com a planta cultivada e a linhagem introduzida, bem como com as práticas culturais adotadas pelo produtor que podem ou não favorecer o crescimento e sobrevivência do fungo no local”, explica o pesquisador do IB.

O Instituto Biológico disponibiliza gratuitamente a cartilha online “Trichoderma: O que é, para que serve e como usar corretamente na lavoura”.

Controle biológico

O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais para diminuir a população de uma praga. Resumidamente, pode ser definido como natureza controlando natureza. Os agentes de controle biológico agem em um alvo específico, não deixam resíduos nos alimentos, são seguros para o trabalhador rural, protegem a biodiversidade e preservam os polinizadores.

O IB é referência no Brasil e no mundo em controle biológico e tem forte atuação junto ao setor produtivo, tendo orientado a criação e manutenção das biofábricas, que desenvolvem esses produtos biológicos para serem aplicados nas lavouras. Ao todo, mais de 80 biofábricas de todo o Brasil recebem orientação dos pesquisadores do IB. Em 2019, o Instituto assinou 23 contratos para transferência de tecnologia a essas empresas, localizadas em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná.

O Instituto mantém o Programa de Inovação e Transferência de Tecnologia em Controle Biológico (Probio), que reúne as tecnologias e serviços prestados no Instituto, principalmente para as culturas da cana-de-açúcar, soja, banana, seringueira, flores, morango, feijão e hortaliças.

Fonte: Assessoria de Imprensa IB/APTA

Visitação virtual do Museu de Pesca é opção para as férias

Museus são lugares únicos, onde conhecimento, história e entretenimento andam juntos. Em virtude da pandemia, no entanto, tem sido um pouco mais difícil visitar muitos deles, que permanecem fechados para o público. Nesse cenário, uma possibilidade para não deixar de entrar em contato com esse universo de aprendizado e diversão é visitar virtualmente os espaços. Uma ótima pedida para esse começo de ano é conhecer o Museu de Pesca, que mantém, desde o ano passado, grande parte de seu acervo disponível online para o público. Ouça podcast sobre o Museu no Spotify Soundclound.

Mantido pelo Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em Santos, no litoral paulista, o Museu é considerado uma das principais atrações turísticas da cidade, recebendo, anualmente, cerca de 50 mil visitantes. Sediado em um prédio histórico (originalmente uma fortificação do século XVIII), o local recebeu, em 2020, o prêmio Travelers Choice, da plataforma online TripAdvisor, tendo sua qualidade reconhecida por quem o visitou.

Com a visitação presencial suspensa desde março de 2020, o espaço passou a ser explorado pelo público através deste site. A versão virtual do Museu de Pesca é uma réplica da estrutura física do espaço, contendo em cada ambiente parte de seu acervo real. Dentre as principais atrações, estão um imponente esqueleto de baleia da espécie Balaenoptera physalus, com 23 metros de comprimento e sete toneladas, e diversos exemplares de tubarões. O acervo é composto, ainda, por diversas espécies de peixes, crustáceos, aves e mamíferos marinhos taxidermizados ou suas ossadas, conchas de moluscos, areias, além de maquetes de embarcações, aparelhos e equipamentos utilizados na pesca e em pesquisa oceanográfica, obras artísticas dentre outros.

A iniciativa faz parte do Projeto Venha Visitar Virtualmente (VVV), da Secretaria de Agricultura, que também conta com a mostra virtual do Planeta Inseto (veja aqui), exposição mantida pelo Instituto Biológico (IB-APTA).

Fonte: Assessoria de Comunicação

Pesquisa da APTA Regional mostra impacto da pandemia no setor de hortaliças e frutas

Pesquisadores da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Marília da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, desenvolveram pesquisa que analisou as consequências mercadológicas da pandemia de Covid-19 no setor de hortaliças e frutas na região, conhecida como a “Capital Nacional dos Alimentos”. Um novo estudo conduzido pela APTA começará a ser realizado para avaliar os impactos atuais do setor.

A pesquisa, publicada na Revista Internacional de Ciências, avaliou o impacto no início da quarentena no Estado de São Paulo, entre março e abril de 2020, e como produtores rurais e estabelecimentos comerciais se adaptaram para atender os consumidores no período de maior restrição de circulação da população. Ao todo, o trabalho consultou 45 pessoas, entre supermercados de grande e pequeno porte, hipermercados atacadistas, consumidores, produtores rurais e feirantes. A pesquisa foi realizada em conjunto com a Universidade de Marília (UNIMAR).

De acordo com os pesquisadores, a APTA realizará um novo estudo para analisar a atual situação em decorrência na classificação mais restritiva determinada para a região de Marília para o início do ano de 2021. Em 8 de janeiro de 2021, a região foi reclassificada para a fase laranja do Plano SP.

Segundo dados do estudo, na primeira semana de quarentena, quando foi publicado o decreto referente ao isolamento social, em 22 de março de 2020, os consumidores aumentaram de 30% a 40% a compra de hortaliças e frutas nos supermercados. O aumento do consumo, porém, logo se reverteu, em decorrência do fechamento de bares e restaurantes, registrando queda de 45% no volume das vendas. “Nas semanas seguintes, foi observada uma estabilização, dentro dos índices de redução de 32% do consumo total”, afirma Fernanda de Paiva Badiz Furlaneto, pesquisadora da APTA Regional.

As medidas de isolamento social para conter o avanço da doença exigiu uma mudança na forma de comercialização de produtores rurais e comerciantes para reduzir os impactos na venda. De acordo com a pesquisadora da APTA Regional, produtores responsáveis por estabelecimentos agropecuários de grande porte, que entregam diretamente sua produção em supermercado, conseguiram manter o escoamento de forma mais regular e com alguma estabilidade. Já os que dependiam de intermediário ou que comercializavam a produção com empresas de atacado, encontraram dificuldade.

“As cooperativas e as associações de pequenos e médios horticultores bem estruturadas começaram a se organizar para realizar entregas de cestas de hortaliças nos domicílios. No comércio varejista constatou-se que 90% dos supermercados optaram pela entrega de mercadorias à domicílio, sendo que alguns deles isentaram a taxa de serviço e de entrega atendendo, assim, os consumidores que passaram a realizar compras pelos sites dos estabelecimentos comerciais, sites especializados, como o iFood, e até mesmo realizando a compra por meio do uso de aplicativos como o WhatsApp. Houve, também, estabelecimentos que ofereceram serviço de venda de mercadoria pelos sites e retirada pelo sistema drive thru”, conta a pesquisadora da APTA Regional, Anelisa de Aquino Vidal Lacerda Soares.

A pesquisa identificou, ainda, que alguns supermercados (4%) anunciaram produtos pela internet mais caro do que os adquiridos na loja física, tendo um aumento de 2% a 5% dos preços. “Os consumidores relataram, também, que usualmente compram uma quantidade inferior de produtos em relação ao que se adquire normalmente no supermercado. Tal situação pode ser justificada pelo fato da maior disponibilidade de itens na compra in loco. Deve-se considerar, também, que normalmente, costuma-se ir ao mercado com outros membros familiares que acabam sugerindo a aquisição de produtos extras à lista de compras”, explica Fernanda.

O estudo indicou, porém, resistência de compra em ambientes digitais por consumidores idosos, acima de 70 anos. Na prática, um outro familiar realiza a compra in loco ou pela internet para esse público visando evitar a ida dos idosos ao supermercado. “Mas, mesmo com as medidas restritivas, notou-se a presença de pessoas pertencentes ao grupo de risco realizando compras no mercado, em especial, no setor “verde”, de produtos hortifrutigranjeiros. Atentos a isso, muitos supermercados passaram a oferecer horário estendido para esse público”, afirma Anelisa.

O trabalho mostrou que os consumidores optaram por compra de hortaliças não folhosas, legumes e frutas como tomate, abóbora, berinjela, rabanete, mandioca, cenoura, batata, maçã, manga, abacaxi, caqui, maracujá, abacate e laranja. “Notamos que a redução da comercialização das folhosas foi de 37%, enquanto a de não folhosas foi de 28%. “As vendas das folhosas foram mais comprometidas pelo fechamento de parte considerável do setor de alimentação, como restaurantes e lanchonetes. Salienta-se que o setor entregas de alimentos à domicílio não utilizam muitas folhosas em decorrência da perecibilidade”, afirma Fernanda.

Consumo não apresenta risco de contaminação com a doença

A pesquisa desenvolvida pela unidade regional da APTA mostrou ainda que as hortaliças e frutas devem ser minimamente manuseadas e desinfetadas antes do armazenamento de consumo. Seguidos os protocolos sanitários, não há qualquer risco de contaminação dos consumidores com a Covid-19.

Além dos protocolos de higiene, como lavar mãos e uso de álcool em gel 70º pelos manipuladores, deve-se seguir o distanciamento social entre os trabalhadores rurais e rigorosa classificação dos produtos visando evitar a reclassificação nos entrepostos. “Com isso, é possível preservar a saúde dos trabalhadores das centrais de abastecimento e do consumidor final em decorrência da redução do risco de contaminação dos produtos”, diz Fernanda.

Marília: Capital Nacional dos Alimentos

A cidade de Marília, localizada na região Centro-Oeste do Estado de São Paulo é conhecida como o Capital Nacional dos Alimentos. Apesar de ter uma taxa de urbanização de 93%, a região a região possui 881 estabelecimentos agropecuários, em uma área de 105.699 hectares. O valor bruto da produção agropecuária na região foi de R$ 71.296,67 mil em 2018, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O setor alimentício é responsável por gerar 27,5 mil empregos. Atualmente, Marília produz mais de 32 mil toneladas de alimentos por mês. Os produtos fabricados no município são comercializados em todo território nacional, bem como exportados para diversos países”, explica Anelisa.

Dados da Associação Paulista de Supermercados apontam que região foi responsável por 1,7% do faturamento do setor no Estado de São Paulo, o que equivale a R$ 1,8 bilhão, e gerou nove mil empregos.

Ações de Governo em prol dos produtores

De acordo com as pesquisadoras, neste cenário de crise vivida em todo o mundo é necessário o suporte de Governo e ações para evitar o desabastecimento de várias mercadorias, além de ações que auxiliem os pequenos produtores, mais afetados pelos impactos da pandemia.

Neste contexto, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo realizou diversas ações ao longo de 2020, como o programa Compre do Produtor Local, que incentiva a compra de produtos produzidos localmente pela população e o AgroSP, canal que conecta pequenos produtores rurais e rede varejista para venda direta de produtos agropecuários.

Outra ação foi a compra de produtos de pequenos produtores para a distribuição de 428 mil cestas de 10 kg para a população em vulnerabilidade social, por meio do programa PAA – Cesta Verde.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Pesquisador do IAC recebe prêmio internacional por pesquisa com aplicação de bactérias benéficas em mudas de cana

No último mês de 2020, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, recebeu mais um reconhecimento de seu trabalho. O pesquisador Matheus Aparecido Pereira Cipriano foi premiado na categoria pós-doc na Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference – BBEST/BIOFUTURE SUMMIT II, com o trabalho “Effect of beneficial microorganisms on sugarcane plant growth, metabolism, biological control and osil nacterial community”.

A pesquisa multidisciplinar analisou a interação de microrganismos benéficos em mudas de cana-de-açúcar produzidas pelo Sistema de Mudas Pré-brotadas (MPB). Os resultados mostram a otimização da produção de MPB com aplicação de bactérias benéficas e/ou fungos micorrízicos. Foram observados ganhos de até 80% na produção de biomassa, além de plantas com melhor nutrição e resistentes ao ataque de doenças, como o agente causal da podridão vermelha em cana-de-açúcar. Esse aumento de biomassa pode garantir maior vigor às mudas e reduzir a perda de sacarose causada pelo patógeno Colletotrichum falcatum.

“Tenho orgulho de fazer parte do Instituto Agronômico e agradeço toda equipe do Laboratório de Microbiologia do IAC e os nossos parceiros”, comentou o premiado na categoria mais concorrida do Congresso. Houve cerca de 150 trabalhos inscritos nas diversas categorias, mas a de pós-doutorado é a que gera mais expectativas. As apresentações dos participantes foram gravadas anteriormente e exibidas no Best 2020-21/Biofuture Summit II conferências: Unindo as políticas, a inovação e a ciência para habilitar uma bioeconomia sustentável de baixo carbono.

O estudo realizado entre 2017 e 2020 contou com experimentos conduzidos em laboratório, onde os microrganismos benéficos (bactérias e fungo micorrízico arbusucar – FMA) foram identificados e caracterizados quanto à produção de compostos que podem favorecer o desenvolvimento da planta e controle do patógeno. Nos experimentos com planta, em casa-de-vegetação, as MPBs tratadas com os microrganismos benéficos, principalmente isolados bacterianos da espécie Pseudomonas putida, tiveram um aumento na produção de biomassa de até 80% observado após 45 dias do transplante da MPB. “A diferença do crescimento da planta que interagiu com as bactérias é visível a olho nu”, afirma.

Os resultados obtidos neste estudo, assim como outros trabalhos em andamento pelo grupo, apontam que alguns isolados da “Coleção de Microrganismos Benéficos do Centro de Solos” do Instituto Agronômico, além de promoverem o crescimento de cana-de-açúcar atuam no controle biológico da podridão vermelha em MPB. O grupo enfatiza que esses estudos mostram a versatilidade desses microrganismos capazes de desempenhar funções múltiplas, não apenas em cana-de-açúcar, mas também em outras culturas como alface, café e citros, como vem demonstrando os trabalhos desenvolvidos pelo grupo.

O projeto tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). A pesquisa tem colaboração com o Centro de Cana do IAC, do Laboratório de Fitopatologia do Instituto Biológico e do Instituto Holandês de Ecologia.

Fonte: Assessoria de Imprensa do IAC

Killifish está ameaçado de extinção no Brasil, diz pesquisador do Instituto de Pesca

Você sabia que as poças de água podem ter várias espécies de um peixinho chamado killifish? Também conhecidos como peixes das nuvens, essas espécies nascem a partir do depósito de ovos no fundo de poças de água temporárias, que secam durante alguns meses do ano e eclodem no período das chuvas.

Segundo o pesquisador do Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mauricio Keniti Nagata, a maioria dos killifishes nacionais está na lista de espécies ameaçadas de extinção, por isso, está proibida de ser criada e mantida, exceto para pesquisa.

O Instituto de Pesca protocolou uma declaração de matrizes no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), em 2015, notificando-o que mantém várias espécies com origem (nota fiscal) em um de seus laboratórios, em São Paulo, Capital.

O pesquisador explica que o IP mantém e reproduz algumas espécies nacionais e importadas de killifishes há mais de 20 anos, ou seja, antes de elas serem consideradas como ameaçadas de extinção. Entre as espécies mantidas pelo Instituto está um dos raríssimos vertebrados hermafroditas auto-fecundantes, a Kryptolebias hermaphroditus (ex-Rivulus ocellatus). Essa espécie faz parte do complexo da Kryptolebias marmoratus, que é distribuída em mangues ao longo do litoral Atlântico, porém, as K. hermaphroditus estariam mais restritas aos mangues do litoral da região Sudeste, apesar de mais recentemente serem também encontradas na região Nordeste.

“A K. marmoratus já foi considerada a única espécie de vertebrado hermafrodita auto-fecundante, sendo que atualmente é um complexo de espécies que inclui a K. hermaphroditus. Existem muitas espécies de peixes hermafroditas – sequenciais ou até concomitantes, mas a auto-fecundação é a raridade”, explica.

Nagata conta que os killifishes existem em todos os continentes, exceto no australiano e no antártico. A maioria das espécies nativas é considerada como ameaçada de extinção porque é endêmica, ou seja, cada região pode ter espécies ou populações presentes apenas naquela área geográfica específica, e ficam fragilizadas por qualquer mudança em seu habitat. “Várias espécies já foram extintas e muitas estão em vias de, principalmente, por ações antropomórficas, ou seja, poluição, drenagem dos locais para empreendimentos imobiliários e outros”, afirma.

Há 20 anos a situação dos killifishes eram mesmo bem diferente da atual. Em meados dos anos 2000, a popular apresentadora infantil, Eliana, em conjunto com a empresa Estrela, lançou no Brasil o Aqua Ticos, um kit que oferecia pacotes com substratos com ovos de killifishes nacionais, alimentos e instruções para que o público pudesse hidratar os ovos e fazê-los eclodir. A ideia era que as crianças acompanhassem todo o processo de nascimento e criação dos peixinhos.

“O brinquedo se tornou muito popular e a coleção do Instituto de Pesca conta, inclusive, com killifishes nascidos desta forma. Outros apresentadores, como o Gugu, também disponibilizaram brinquedos parecidos com killifishes – o Triops (crustáceo)”, conta o pesquisador que ressalta que é importante a conscientização do público dessa época e das atuais para que não liberem nenhuma espécie em corpo d’água pelo risco de desequilíbrio ambiental.

Os aquaristas, segundo Nagata, são importantes no desenvolvimento de técnicas de criação e manutenção de espécies. “Nossa alternativa é manter as espécies extintas na natureza e sem habitat natural na aquariofilia, como uma forma de lembrete da fragilidade dos ecossistemas. Os killifishes precisam ser apreciados não só pela beleza de formas e cores, mas também pelo seu ciclo de vida peculiar. É importante ainda a preservação dos habitats naturais e vários grupos têm se engajado arduamente nessa questão”, conta.

O Instituto de Pesca elaborou e atualizou a lista de espécies ornamentais passíveis de criação no Estado de São Paulo com alguns Killifishes nacionais, seguindo os pré-requisitos da legislação federal, ou seja, espécies adquiridas com origem legal. A lista é, inclusive, consultada pela Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) para aquicultores obterem a Declaração de Conformidade de Atividade em Aquicultura (DCAA), que substitui a Licença Ambiental para determinadas propriedades no Estado de São Paulo. Mais detalhes podem ser encontrados no site https://www.cdrs.sp.gov.br/portal/.

Além disso, o IP promove cursos de criação de peixes ornamentais de água doce, ensinando na montagem e manutenção de aquários, técnicas de reprodução das principais famílias e noções dos trâmites para criação comercial de peixes ornamentais de água doce.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto de Pesca

Pesquisador do Ital lança livro sobre o urucum, planta nativa que faz parte da História do Brasil

Paulo Roberto Nogueira Carvalho, pesquisador do Ital

Fonte do pigmento natural que se destaca na indústria de alimentos, também bastante procurada pelas indústrias cosmética, têxtil e farmacêutica, o urucum tornou-se ao longo das últimas décadas alvo de inúmeras pesquisas visando não só mais produtividade como também maior teor de pigmentos. Pela relevância e potencial dessa planta nativa brasileira, acaba de ser lançado o livro Urucum: Uma semente com a história do Brasil, de autoria de Paulo Roberto Nogueira Carvalho, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Com 320 páginas, o livro é todo escrito em português, espanhol e inglês.

“Desde os indígenas – que utilizavam as sementes do urucum para se colorirem, se protegerem do sol e como repelente – a história evoluiu de forma que ele se tornasse também, em poucos séculos, uma planta condimentar. Foi esse uso condimentar que propagou para caminhos mais amplos, despertou interesses, chegando aos dias de hoje como uma planta que gera tecnologia, renda, empregos, desenvolvimento social e saúde”, afirma no prefácio da publicação Victor Paulo de Oliveira, ex-pesquisador do Instituto Agronômico (IAC-APTA).

Urucum: Uma semente com a história do Brasil aborda as áreas relacionadas à cadeia produtiva de forma a resumir a experiência de 30 anos de trabalho de Paulo Carvalho e ao mesmo tempo apresentar diversos aspectos com a ajuda de importante time de colaboradores. Patrocinada pela New Max Industrial, cliente do Ital que comercializa, além do corante, o tocotrienol extraído do urucum, e apoiada pelo site http://www.ourucum.com.br, a publicação é comercializada pelo Centro de Comunicação e Transferência de Conhecimento (Cial) do Ital e parte de sua venda contribuirá com projetos relacionados à cultura.

Histórico do autor e suas pesquisas

Graduado em Química Industrial, mestre em Química Analítica e doutor em Ciências Químicas, Paulo Carvalho ingressou no Ital em 1982 e sete anos depois iniciava suas atividades com urucum, que se tornou seu principal tema de pesquisas, tendo assim coordenado vários eventos relacionados, publicado diversos artigos científicos e atuado intensamente junto a algumas das principais indústrias de corantes do País. Paralelamente, o pesquisador foi assessor técnico da direção do Ital de 1995 a 1998 e diretor do CCQA, de 2005 a 2008.

Atualmente Paulo Carvalho coordena projetos dedicados à separação de possível fitoterápico de sementes de urucum com colaboração de Mary Ann Foglio, professora da Faculdade de Ciência Farmacêutica da Unicamp, e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Ele também é colaborador de outro projeto apoiado pela Fapesp sob coordenação de Mary Ann, que estuda a associação de frações fitoterápicas do urucum com frações de outras plantas.

Além disso, seis estudos com urucum orientados por ele tiveram seus resultados apresentados em outubro no 14º Congresso Interinstitucional de Iniciação Científica, tendo ficado em primeiro lugar dentre as apresentações orais do Ital o Estudo da es tabilidade de bixina em sementes de urucum (Bixa orellana L.) armazenadas em diferentes embalagens de autoria de Beatriz Maluf Dória de Oliveira, bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Curiosidades esclarecidas pelo autor

Afinal, o que é o urucum?

Talvez a forma mais fácil de apresentar o urucum é começar falando sobre o seu produto mais conhecido: o colorau. Um dos condimentos mais utilizados na culinária brasileira, o colorau é produzido a partir das sementes de urucum que, na produção doméstica, são moídas em um pilão, peneiradas e misturadas com farinha de milho. Hoje, a maior parte do colorau é produzida industrialmente, usando tecnologias modernas.

O urucum é uma planta nativa brasileira e faz parte da história do Brasil. Gosto sempre de enfatizar que a primeira citação do urucum foi feita na carta que Pero Vaz de Caminha enviou a D. Manuel, rei de Portugal, informando a descoberta do Brasil. Na carta, Caminha descreve claramente o fruto do urucum e seu uso pelo nativos para colorir seus corpos.

Estudos recentes indicam que o urucum foi domesticado na região amazônica e hoje sua cultura se espalha por todo o País, tornando-o o maior produtor mundial desses grãos. O urucum é uma cultura típica de pequenos produtores. O alto custo da colheita, que ainda é feita de forma manual, torna a agricultura familiar muito competitiva com grandes plantações, que têm que contratar mão de obra cada vez mais rara e mais cara para a colheita.

Além do colorau, onde mais o urucum é utilizado?

O corante extraído das sementes de urucum é considerado o pigmento natural mais utilizado pelas indústrias de alimentos. Suas características peculiares permitiram que seu uso se generalizasse, sendo utilizados nos mais diferentes ramos das indústrias de alimentos.

Um exemplo clássico dessa versatilidade pode ser demonstrado na sua história junto à indústria de laticínios. A literatura relata que, com o início da retirada da gordura do leite de vaca para a fabricação da manteiga, os queijos, antes de cor amarelada devido à presença da gordura, tornaram-se brancos. Isso frustrou a expectativa do consumidor que estava acostumado com queijos de coloração amareladas pela presença da gordura natural do leite. Assim os produtores buscaram uma alternativa para manter a cor desses queijos produzidos com o leite desnatado. Os pigmentos do urucum resolveram esse problema, graças à propriedade que apresentam de se ligar a caseína do leite e se manter no queijo durante o processo de cura. Os queijos Prato, Cheddar, Reino e Saint Paulin são alguns exemplos dessa aplicação.

Os pigmentos de urucum também são fartamente encontrados em massas e produtos cárneos embutidos como na coloração externa da nossa famosa salsicha para cachorro-quente. Iogurtes, temperos, molhos, recheio de bolachas e sorvetes são outros exemplos de alimentos onde você pode encontrar tais corantes.

As sementes de urucum são benéficas à saúde?

Apesar de o urucum ser conhecido principalmente por seus pigmentos, há na literatura inúmeros relatos de seu uso na medicina doméstica como analgésico, anti-inflamatório, antifebril, antiparasitário, cicatrizante e antibacteriano e no tratamento de doenças cardiovasculares, diabetes e câncer.

Como apenas 10% do material contido nas sementes são aproveitados nos processos de produção de corantes, passamos a conduzir estudos para o aproveitamento integral e nos deparamos com inúmeras referências bibliográficas que atribuíam efeitos fitoterápicos a algumas de suas substâncias, dentre elas o geranilgeraniol e o tocotrienol.

Um projeto conduzido com o apoio da Fapesp permitiu que estudássemos a extração de geranilgeraniol em sementes de urucum. Um outro projeto, financiado pela iniciativa privada, completou esses estudos e dois outros produtos foram separados das sementes: um repelente com atividade similar aos produtos artificiais disponíveis hoje no mercado e os tocotrienóis.

Esses últimos fazem parte do grupo de substâncias com atividade vitamínica E e apresentam atividades antioxidante, redutora do colesterol e no combate de diversos tipos de câncer. Tais produtos já estão sendo extraídos pela indústria e está à disposição dos consumidores brasileiros.

O que motivou a publicação do livro?

Quando publiquei meu primeiro artigo sobre essa cultura, Urucum – Uma fonte de corante natural (1989), era uma revisão bibliográfica do que havia sobre o tema em uma época em que não existia as facilidades que a informática oferece hoje, então ficamos dias “confinados” em bibliotecas procurando em bancos de dados físicos artigos de nosso interesse.

As dificuldades que tivemos para encontrar artigos sobre esse tema me desafiou e desde então nunca mais deixei de trabalhar com o urucum. Assim, depois de mais de 30 anos trabalhando com essa cultura, resolvi deixar parte desse conhecimento registrado para que não se perdesse quando eu me aposentar.

Pode-se dizer que o livro tem um significado especial?

Sim. Eu tinha um sonho de publicar um livro que não só trouxesse informações importantes sobre o urucum como fosse visualmente agradável e que pudesse ser entendido por técnico e leigos e além de nossas fronteiras. Assim, buscamos uma equipe de colaboradores (diagramador, tradutores e revisores) que entendessem e abraçassem a nossa proposta. Dessa forma, foi produzida uma publicação em três idiomas, em tamanho grande (22,5 cm x 30cm), com capa dura e sobrecapa, todo em papel couché, ricamente ilustrado e com um conteúdo que abrange a história do urucum, os aspectos agronômicos, químicos e tecnológicos, além do uso dos corantes e suas atividades fitoterápicas, terminando com uma avaliação dos caminhos que as pesquisas apontam para essa cultura.

Sobre o Ital

Localizado em Campinas/SP, o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) realiza pesquisa, desenvolvimento, assistência tecnológica e difusão do conhecimento nas áreas de embalagem e de processamento, conservação e segurança de alimentos e bebidas.

Fundado em 1963, vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, o Ital possui unidades técnicas especializadas em carnes, produtos de panificação, cereais, chocolates, balas, confeitos, laticínios, frutas, hortaliças e embalagens, sendo certificado na ISO 9001 com parte dos ensaios acreditados na ISO/IEC 17025.

Por meio do Centro de Inovação em Proteína Vegetal, do Núcleo de Inovação Tecnológica e da Plataforma de Inovação Tecnológica, o Ital estimula alianças estratégicas para inovação e projetos de cooperação. Possui ainda Programa de Pós-Graduação aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Outras informações estão disponíveis no site do Ital (clique aqui).

Fonte: Assessoria de Comunicação do Ital

Modernização de estrutura e expertise do Ital permitem valorizar fruticultura e olericultura

Produção do chocolate em escala piloto no Cereal Chocotec (crédito: Antonio Carriero/Ital)

Produção de amostras de chocolates moldados, aplicação de ingredientes inovadores para torná-los mais saudáveis, melhoria da qualidade sensorial e da segurança de frutos desidratados e cristalizados, aumento de produção e desenvolvimento de embalagem com especificações que permitem a redução de matéria-prima sem prejudicar a funcionalidade. Essas dentre tantas outras atividades de pesquisa, desenvolvimento, inovação e assistência tecnológica, além de capacitação e difusão do conhecimento, são possíveis através do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por contar com equipes e estrutura especializadas e constantemente buscar financiamentos e parcerias para modernização física e técnica.

A mais recente conquista foi a aprovação pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) da Plataforma Biotecnológica de Ingredientes Saudáveis (PBIS), Núcleo de Pesquisa Orientada a Problemas (NPOP) interinstitucional com financiamento público-privado que entra em ação este ano liderado pelo Ital, que já vinha modernizando sua estrutura nos últimos três anos através do Plano de Desenvolvimento Institucional em Pesquisa (PDIP), financiado pela Fapesp, dentre outros financiamentos.

No pacote das modernizações do PDIP, está a mesa de corte do Laboratório de Embalagens Celulósicas do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) do Ital para desenvolver embalagens com menor quantidade de matéria-prima mantendo a proteção do produto, melhor capacidade de arranjo na distribuição e maior estabilidade. “Por se tratar de uma mesa de corte modular, em que podem ser instaladas ferramentas como facas para corte do tipo arraste, serrilhado ou rotativo, fresas e roletes para vinco, é possível trabalhar com diversos materiais como couro, MDF, acrílico, plástico e celulose”, detalha o pesquisador Leandro Konatu, especialista em ensaios físicos-mecânicos de embalagens celulósicas e para transporte e distribuição.

Segundo Leandro, além de terem sido realizados trabalhos em conjunto com universidades paulistas, está em andamento um estudo em parceria com o Instituto Agronômico (IAC) para diagnóstico e implementação de melhorias na colheita, distribuição e venda de frutas, levando em consideração a representatividade da cultura para o estado de São Paulo e os níveis de perdas ao longo da cadeia.

Aliás, a valorização de frutas e hortaliças de interesse estadual é possível através de equipe especializada em tecnologias como desidratação, congelamento, acidificação, pasteurização e concentração. Dentre os trabalhos desenvolvidos pelo Centro de Frutas e Hortaliças (Fruthotec) do Ital, foi executado um projeto de adequação do processo produtivo de cristalizados como laranja, figo e abóbora, visando a melhoria da qualidade e da segurança dos alimentos e até mesmo a ampliação da produção. “O trabalho da unidade busca inovação no setor, voltando-se para matérias-primas de importância para a fruticultura e a olericultura do estado de São Paulo, bem como para as agroindústrias que suprem os mercados consumidores paulistas”, reforça a pesquisadora Sílvia Germer, que atua em especial com secagem de frutas e hortaliças, aproveitamento e reuso, estabilidade de alimentos, otimização de processos, determinação de propriedades tecnológicas e de equilíbrio.

Outra novidade estrutural de destaque foi a implantação da linha compacta de fabricação de chocolates e derivados usando processo de moinho de esferas financiada pelo Governo de Estado e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), viabilizando em especial o atendimento de empresas de pequeno e médio portes, que representam a maior parte do setor no Brasil.

“Houve uma modernização completa da infraestrutura das plantas-piloto de chocolate e produtos derivados como recheios e spreads. São linhas com capacidade reduzida para teste de cinco a dez quilos de produtos para pesquisas e para teste de desempenho para posterior escalonamento”, explica Valdecir Luccas, pesquisador do Centro de Tecnologia de Cereais e Chocolate (Cereal Chocotec), que atua tanto no desenvolvimento de novos produtos e assistência tecnológica, quanto na produção de amostras, execução de projetos de fomento e realização de cursos regulares ou sob demanda.

A planta também servirá de base para atividades da PBIS em duas frentes. Na primeira, haverá a substituição parcial da gordura no chocolate por lipídeos especiais com funções específicas, com menor teor calórico e/ou com ácidos graxos essenciais. “Será testado todo o desempenho e caracterização de forma a produzir chocolates mais saudáveis”, explica Luccas. Já a outra aplicação será de compostos fenólicos extraídos de subprodutos das indústrias do agronegócio, como cascas e bagaços de matérias-primas amplamente produzidas em SP como amendoim, cana e café. “O objetivo é aumentar o efeito antioxidante desses produtos, auxiliando o retardo do envelhecimento. Posteriormente haverá ensaios pré-clínicos para comprovação desses efeitos”, completa o pesquisador.

Fonte: Assessoria de imprensa do ITAL

Novo WhatsApp da APqC!

IAC vai usar edição gênica para criar café sem cafeína desde a planta

O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) recebeu R$ 34,8 milhões para investir em pesquisas que prometem revolucionar as produções de cana-de-açúcar, café e citros.

Para isso, a aposta é na técnica conhecida como “tesoura genética”, que permitiria, por exemplo, retirar o gene da cafeína das plantas sem alterar o sabor e o aroma. A tecnologia é tão promissora que venceu o prêmio Nobel de Química em 2020.

A iniciativa conta com o apoio do setor privado, que tem bastante interesse, pois 20% do mercado internacional e 10% do brasileiro é para produtos descafeinados.

No caso do citros, a ideia é desenvolver cultivares resistentes ao greening. O Brasil se destaca no mercado internacional, produzindo 3 a cada 5 sucos de laranja, mas o custo para manter a produtividade é alto por conta da doença. Caso os resultados sejam alcançados, o país pode aumentar sua produção.

Por fim, para a cana-de-açúcar, a ideia é criar variedades que produzam o dobro das atuais. O caminho escolhido pelos cientistas é a transgenia e a edição gênica.

Clique aqui para assistir a reportagem veiculada no Canal Rural.

Fonte: Canal Rural

71% dos cargos de pesquisador científico do Instituto Butantan são ocupados por mulheres

Pesquisadoras científicas do Instituto Butantan

Um dos maiores centros de pesquisa e produção de imunobiológicos do país, o Instituto Butantan revelou que tem 71% de seu corpo científico formado por mulheres. Do total de pesquisadores contratados, seja via Fundação ou Instituto, apenas 29% são homens.

Nem sempre foi assim, pelo contrário, essa é uma mudança que vem acontecendo recentemente por conta da maior quantidade de mulehres que têm acesso ao ensino superior.

“Se olharmos as fotos antigas dos laboratórios do Butantan, veremos uma maioria de homens e poucas mulheres. Acredito que essa chave tenha virado com o próprio acesso às universidades porque, antigamente, para alguém fazer um curso superior era preciso se deslocar para as cidades grandes ou até mesmo para fora do país e era muito raro mulheres conseguirem fazer isso, ou inclusive serem aceitas socialmente nesses espaços”, disse Ana Marisa Chudzinski, diretora do Centro de Desenvolvimento e Inovação do Instituto.

Isso, porém, não garante que a área de pesquisa biológica seja de livre do machismo.

“Já passei pela situação, em congressos e em outros encontros, de descobrir que se referiram a mim como ‘o pesquisador Sampaio’, antes de me conhecerem pessoalmente. A primeira ideia até hoje é de que o nome assinado no artigo nunca é de uma mulher. No imaginário continua a imagem de um homem”, contou Sandra Sampaio, diretora do Centro de Desenvolvimento Científico.

Outro comportamento comum em relação às mulheres são os questionamentos relacionados à vida pessoal e à carreira se convergem em algum momento, especialmente no caso da maternidade. Dados obtidos pelo projeto Parent in Science, com 885 pesquisadoras, mostram que essas mulheres passaram por uma queda no número de publicações (indicador de produtividade) após o nascimento de um filho, não em razão das suas novas demandas pessoais, mas, sim, devido às exigências de desempenho e progressão profissional.

“O que conseguimos construir é ainda maior quando consideramos que, apesar dos papéis concebidos socialmente, seja a maternidade, seja como cuidadora de um familiar, nosso papel científico passou a ser reconhecido e nós sempre estivemos na ciência. Andamos com a pesquisa e temos importantes líderes em temáticas e estudos”, concluiu Sandra.

Fonte: IG Delas, com informações da Assessoria de Imprensa

Instituto Biológico desenvolve pesquisas para auxiliar produtores de lichia

Os supermercados estão com as prateleiras cheias de uma frutinha que caiu no gosto dos brasileiros, a lichia. Originária da China, a fruta pode ser encontrada nos pontos de comercialização até o final de janeiro, quando termina sua colheita. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo desenvolve pesquisas com a planta, por meio do seu Instituto Biológico (IB-APTA). Os trabalhos visam disponibilizar soluções para os pequenos produtores enfrentarem ácaro-da-erinose-da-licha, principal praga da cultura, que pode reduzir em 80% a produção.

Produtor diz que lichia é um bom investimento para o futuro

Eduardo Vianna Cotrim, em sua propriedade em Tremembé, possui um pomar com 1.500 pés de lichia que estão com idades variadas, entre seis e 20 anos. São muitas as variedades de lichia, mas foram cinco as escolhidas pelo produtor − Bengal, Brewster, Groff, Folha Negra e Maurício − sendo a Bengal cultivada em diferentes adensamentos: 4m x 4m, 3m x 2,5m e 10m x 10m (espaçamento tradicional). “Venho testando para saber quais as mais indicadas para melhor desenvolvimento da planta e também para atender o meu objetivo de turismo rural, tipo ‘colhe e paga’, e posteriormente pretendo ampliar a produção visando atingir outros mercados.

Na verdade, Eduardo Cotrim é um entusiasta da fruta. A lichia tem sido um hobby ao longo dos últimos 20 anos em que vem se dedicando a outras atividades, como a consultoria em ações de proteção ao meio ambiente, com o plantio de árvores e projetos para licenciamento ambiental. Cotrim foi prestador de serviço autônomo do DPRN (Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais) e, com a integração entre os dois órgãos, passou à Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), em ambos trabalhou com licenciamento ambiental e, após, passou a trabalhar prestando consultoria na área ambiental, o que faz até hoje.

Preocupado com as questões ambientais, o produtor decidiu fazer um manejo natural e não usa produtos químicos há mais de quatro anos. Um dos incentivos para isso foi a visita e o acompanhamento do pesquisador Mário Sato, do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria, que vem fazendo o controle do ácaro-da-erinose-da-lichia com predadores naturais. “Tem dado resultados, é preciso atenção e controle, mas é perfeitamente possível trabalhar dessa forma mais natural, sem agressões ao meio ambiente ou às pessoas que, em épocas normais, vêm colher a sua própria lichia, totalmente isenta de produtos químicos”, diz Cotrim.

A época de colheita é exatamente essa, tem início em novembro e vai até meados de fevereiro. “Este ano as chuvas ocorreram na época certa para a lichia e a produção tem sido boa”, confirma o produtor. É uma fruta muito usada em decoração de Natal, mas são o seu sabor adocicado e aroma que vêm conquistando cada vez mais consumidores. Há muita demanda para a fruta in natura, mas também em polpas, para sucos e sorvetes, compotas e minimamente processadas, em embalagens próprias. Cotrim não faz apenas as visitas guiadas, que podem ser agendadas, mas também atende os pedidos e entrega na região, o contato é feito por WhatsApp (12 99706-2627).

Apesar de dizer que ainda não tem uma produção considerada comercial, Cotrim colhe entre duas a cinco toneladas por ano. Essa diferença ocorre por se tratar de uma cultura bianual em um ano a colheita é maior, no outro menor − uma característica da planta, e também por ter pés em diferentes idades, ;os de seis/sete anos, produzem menos, já os de 10/20 anos têm uma produção considerada boa, com tendência de só vir a crescer nos próximos anos. A muda por alporquia permite que a árvore comece a dar frutos mais cedo, por volta do terceiro ano de idade. A alporquia ou alporque é um método de reprodução de plantas a partir de um galho de uma planta. As raízes da nova planta nascem quando o galho está preso à planta-mãe. A utilização do método, um dos mais antigos na produção de mudas, permite reproduzir uma planta que tem boa produção e a nova planta terá a mesma produção de flores e frutos da planta-mãe.

A pretensão de Cotrim, no entanto, é que a atividade venha a ter um viés mais comercial e que reverta em ganhos. “Por enquanto, fica praticamente empatada, mas trata-se de investimento e meu conselho para outros interessados é que a lichia funcione como uma poupança para o futuro; vale a pena investir, pois o mercado ainda tem muito a crescer”, aconselha. Além dessa área de 10 hectares, a família possui um sítio na Serra da Mantiqueira, próximo à Santo Antonio do Pinhal, onde vem plantando diversas frutíferas: “Esse é um outro hobby, já são mais de 300 espécies diferentes, e os hóspedes também poderão colher as frutas no pé”, diz animado, por saber que está contribuindo com a natureza e a preservação ambiental.

Controle biológico

Se na casa da população a presença da lichia tem sido cada vez mais frequente, no campo os produtores enfrentam um problema que pode reduzir em até 80% a produção: o ácaro-da-erinose-da-licha, principal praga da cultura. Pensando em disponibilizar soluções para os pequenos produtores que se dedicam à atividade, o Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, desenvolve pesquisas para combater esse ácaro por meio do uso de controle biológico. Não existe no Brasil nenhum defensivo químico registrado para a cultura.

Os trabalhos do IB para controle biológico do ácaro-da-erinose-da-lichia se iniciaram em 2018 e são conduzidos em uma área de produção orgânica no munícipio de Botucatu, no interior paulista. Trabalho de mestrado resultante desses estudos aponta que o uso de controle biológico e de caldas sulfocálcica e bordalesaajuda a controlar o ácaro-da-erinose-da-lichia.

“A liberação de ácaros predadores da espécie Neoseiulus californicus mostrou-se útil para o manejo da praga em períodos de baixa população de ácaros predadores nativos no campo”, afirma Mário Sato, pesquisador do IB que orientou a dissertação de mestrado de João Tenório Ramos, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Sanidade, Segurança Alimentar e Ambiental no Agronegócio do IB.

O Neoseiulus californicus é um inimigo natural de várias espécies de ácaros fitófagos, por isso ajuda no controle da praga que ocorre em diversas regiões brasileiras, além da China, de Taiwan, da Índia, Tailândia e Austrália. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o ácaro-da-erinose-da-licha pode comprometer severamente a produção de lichia, sendo que sua viabilização comercial passa pelo desenvolvimento de estratégias de manejo do ácaro.

Desta forma, segundo os pesquisadores, é possível combinar o uso de controle biológico com outras estratégias de manejo, como a utilização das caldas sulfocálcica e bodalesa. A calda sulfocálcica é originada da reação entre cálcio e enxofre dissolvidos em água e submetidos à fervura. A calda bordalesa foi o primeiro fungicida desenvolvido pelo homem e sua ação ocorre devido a compostos provenientes da reação entre sulfato de cobre e cal virgem. Ambas são bem conhecidas pelos produtores de orgânicos.

De acordo com os pesquisadores, o trabalho do Instituto mostrou que o uso da calda sulfocálcica serviu para reduzir a população deAcerialitchii. Já a aplicação da calda bordalesa contribuiu para diminuir a incidência da erinose e também da população do ácaro-praga, que utiliza a erinose como abrigo.

Segundo os pesquisadores do IB, os ácaros se alimentam dos tecidos vegetais e podem provocar enrolamento das folhas, formação de galhas, queda prematura das folhas, além de danos em órgãos reprodutivos e redução na produção. Algumas espécies de ácaros podem ainda ser vetores de viroses para as plantas, o que não é o caso do ácaro-da-lichia.
“A pesquisa deve ser continuada na busca de novas estratégias para o manejo do ácaro-praga, com ênfase na seleção de novas espécies de inimigos naturais, incluindo predadores e entomopatógenos, visando minimizar os problemas causados pelo ácaro-praga”, explica Sato.

A lichia é uma frutífera de climas tropical e subtropical, originária do sudeste asiático. A China é o principal produtor, respondendo por 80% da produção mundial. A produção brasileira da fruta é em torno de quatro mil toneladas e o Estado de São Paulo se destaca no cenário nacional, produzindo ao redor de 1,5 mil toneladas.

Excelente fonte de vitamina C

Nutricionistas da Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro), da Secretaria, afirmam que a lichia é uma excelente fonte de vitamina C e rica em ferro, cálcio, fibras e potássio. Possui propriedade anti-inflamatória, por meio disso previne os problemas cardíacos, atua no controle da pressão arterial e melhora a saúde intestinal. Sua polpa gelatinosa é adocicada, de agradável sabor e pode ser consumida in natura ou em sucos.

10 Curiosidades sobre a lichia*

1.A lichieira é originária da China, na sua região subtropical da província de Guangdong. O termo “litchi” ou “Li-zhi” vem do dialeto chinês e originariamente significava a propriedade de “ser destacada do galho”. Com o tempo, se descobriu que esse nome também se referia à propriedade de ocorrer uma rápida deterioração dos frutos após a colheita.

2. A lichia é da família das “sapindaceae”, termo proveniente do latim “Sapindus” e significa sabão da índia, pois “sapindus” provém de “sapo” = sabão e “indus” = Índia, devido à presença de saponinas em seus frutos.

3. O cultivo da lichia está por todo o mundo, sendo descrita desde 1.500 anos antes de Cristo pelo povo Malaio e já há milhares de anos cultivada na China. A lichia foi registrada em Madagascar (1.802), no Brasil (1.810), na Austrália (1.854), no Havaí (1873), na Flórida (1.880), na Califórnia (1.897). Os principais produtores mundiais são a China, o Vietnã, a Tailândia, a Índia, Madagascar e a África do Sul. No Brasil, as variedades de lichieiras são, predominantemente, Bengal, Brewster e Americana, e a comercialização dos frutos iniciou-se somente na década de 1970.

4. A lichia possui nutrientes essenciais e micronutrientes, bem como diversos minerais, dentre eles o potássio, magnésio e fósforo, e vitaminas como riboflavina (B2), niacina (B3) e tiamina (B1) e, especialmente, vitamina C, além de ter atividade antioxidante.

5. Em média, cada 100g de lichia contêm cerca de 65 calorias. Seus valores nutricionais médios são de 0,8g de proteínas, 0,4g de gorduras, 16,3g de carboidratos, 2g de fibras e 10mg de cálcio. Esses valores são médios, tendo em vista a condição de produção de cada cultivar e também de cada espécie. A riqueza de potássio e fósforo na lichia são superiores aos do pêssego, da laranja, da uva, da maçã e do morango. Os teores de fósforo da lichia são comparáveis aos da banana e os teores de vitamina C são comparáveis aos da laranja, do limão, da carambola, da tangerina e do maracujá.

6. Na gastronomia, a lichia é utilizada fresca, enlatada, desidratada, processada em sucos, vinhos, licores, picles, aguardentes, caipirinhas, compotas, gelatinas, iogurtes, sorvetes, tortas, bolos e uma série infindável de usos que dependem somente da criatividade.

7. A pitomba, muito consumida no Nordeste brasileiro, possui frutos bastante atraentes e são da sub-família “Nepheleae”, da qual a lichia faz parte. São, por assim dizer, parentes próximas.

8. A lichieira é uma árvore rústica e longeva. Exemplares com mais de 1.200 anos ainda florescem e dão frutos, atingindo de 10m a 12 m de altura e, às vezes, até 20m em espécimes mais antigos.

9. A desidratação dos frutos é considerada a principal causa da rapidez com que o fruto apodrece. As microrrachaduras que ocorrem na superfície da casca aceleram o processo de desidratação e o consequente escurecimento dos frutos. Estudos sobre pós-colheita ainda precisam ser aprofundados.

10. Os chineses são potenciais importadores de lichia brasileira, uma vez que as datas de colheitas não são coincidentes.
* (Fonte: Portal Lichias.com)

Fonte: Assessoria de Comunicação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Fomento ao consumo de pescado será tema de pesquisa inédita realizada pela USP em parceria com Instituto de Pesca

O Pescado para a Saúde será tema de pesquisa aplicada realizada pela Universidade de São Paulo (USP), em co-execução com o Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, aprovada em 22 de dezembro pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Ao todo, o projeto contará com recursos de R$ 23,8 milhões em cinco anos, sendo que a agência de fomento à pesquisa cientifica fará o aporte de R$ 3,65 milhões no projeto, que contará ainda com a participação de universidades e instituições governamentais do Brasil e do exterior. Participam ainda da iniciativa empresas privadas do Brasil, Estados Unidos, Holanda, Dinamarca e França que farão aporte de mais R$ 6 milhões. O Estado investirá outros R$ 14,2 milhões na forma de infraestrutura e divulgação dos resultados, além de bolsas e salário dos servidores. Confira podcast sobre o assunto no Spotify e SoundClound.

O projeto será articulado em um Núcleo de Pesquisa Orientada a Problemas em São Paulo (NPOP-SP), no âmbito do edital Ciência para o Desenvolvimento da FAPESP, que busca resolver problemas e desafios enfrentados pelo Estado por meio da pesquisa aplicada. Além do NPOP com a participação do IP, outros dois Núcleos serão criados no âmbito da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. São eles: NPOP-IAC, sediado pelo Instituto Agronômico e que trabalhará com biotecnologia em citros, cana e café, e o NPOP-BIS, sediado pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), voltado a ingredientes saudáveis. Os recursos para as três iniciativas somam R$ 93,4 milhões, sendo cerca de R$ 10,8 milhões da FAPESP, R$ 14,4 milhões da iniciativa privada e R$ 68 milhões do Estado, incluindo as infraestrutura e salários.

De acordo com o professor da USP, Daniel Lemos, líder do projeto, o pescado é um alimento de alto valor nutricional e que pode ajudar a combater um importante problema enfrentado pelo Brasil e o estado de São Paulo: a obesidade e suas consequentes implicações de saúde. Cerca de 50% da população adulta brasileira está acima do peso e 15% é tida como obesa. Em São Paulo, 45% das crianças e adolescentes estão com sobrepeso ou obesidade infantil, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo em parceria com o Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clinicas da USP e a LetinMed Editora em Saúde.

Apesar de o pescado ser um alimento estratégico para enfrentar a má nutrição, tendo em vista seu alto valor nutricional e baixo índice de gordura, esses alimentos ainda são pouco consumidos no Brasil, se levado em conta todo o país e não regiões específicas, como a amazônica, e as diferenças socioeconômicas e culturais da população. “O consumo de pescado, seja ele oriundo da pesca ou produzido por meio da aquicultura, traz diversas vantagens do ponto de vista nutricional para a população. O que queremos fazer é promover melhorias por meio de resultados de pesquisa científica e conscientizar as pessoas de que esse alimento pode ser superior as proteínas cultivadas de forma terrestre”, afirma Lemos.

Para vencer os desafios do fomento ao consumo do pescado por meio da pesquisa aplicada, os integrantes do projeto focarão suas ações na análise de mercado, análise nutricional e contaminantes e a contribuição atual para o suprimento de nutrientes, análise nutricional de duas espécies da aquicultura e de rações e o aprimoramento do perfil nutricional das espécies por meio do uso de dietas dos peixes e de técnicas de processamento, podendo trazer maior acesso ao pescado pelo mercado consumidor ou por meio de mercados institucionais como a merenda escolar.

“Também desenvolveremos pesquisas focadas em marcadores genéticos e estudos de ampla associação de genomas relacionados a produtividade e qualidade nutricional. Outro ponto importante é a comunicação, fundamental para conscientizar os consumidores quanto aos benefícios do consumo desses alimentos. Para essa conscientização, o Museu de Pesca do IP, localizado em Santos, terá papel muito relevante, já que ele é a principal atração turística da cidade e tem potencial de levar conhecimento, para diferentes faixas etárias”, afirma Vander Bruno dos Santos, diretor do Instituto de Pesca.

O NPOP Pescado para a Saúde terá como Instituição Sede a USP. O Instituto de Pesca e a Universidade de Mogi das Cruzes serão instituições co-executoras. Participam também da iniciativa, a Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (MAPA), além das empresas Polinutri Alimentos S.A., Neogen Ltda, Phileo by Lesaffre (França), Veramaris (Holanda), AquaHana LLC (EUA), BioMar (Dinamarca), Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag), Global Peixe e Guabi, que atuam na cadeia produtiva de ração, genética e prestação de serviços. O desenvolvimento do projeto contará ainda com Albert G J Tacon, consultor da FAO, que detém atuação em vários países no tema, e que será pesquisador visitante.

Apesar do alto potencial do país no setor, brasileiro ainda consome pouco peixe e frutos do mar

De acordo com Lemos, o projeto tem potencial para transformar a produção e o consumo de pescado no Estado e em todo país. “Queremos seguir o que foi feito com o frango, que no passado era um alimento caro e hoje é acessível e muito consumido no Brasil, que é inclusive um grande exportador desse tipo de carne”, afirma o pesquisador da USP.

Atualmente, o Brasil ocupa os últimos lugares no ranking de consumo de pescado no mundo. “Apesar do enorme potencial do país nesse setor, importamos cerca de 30% do pescado que consumimos. Este projeto busca mudar essa realidade, pois vamos focar nas necessidades dos consumidores, dos cidadãos paulistas, para que eles entendam a importância desse alimento e passem a ter condições de consumi-lo mais”, explica Lemos.

Para o diretor do Instituto de Pesca, a junção de esforços entre instituições de pesquisa, governo e iniciativa privada, proposta no edital da FAPESP, traz grandes perspectivas para que os problemas levantados pelos pesquisadores sejam solucionados. “Se trabalhássemos de forma separada, dificilmente conseguiríamos alcançar todos esses objetivos. O grande diferencial desse projeto é a integração entre as instituições e as empresas com vistas a inovação. Isso tem que ser cada vez mais incentivado, para trazermos soluções para toda a população”, afirma.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Vídeo aborda a eficácia da vacina do Instituto Butantan

Confira nesse vídeo inédito os bastidores da eficácia da Vacina do Butantan, contra a COVID-19. Após meses de pesquisas e testes clínicos, os diretores e pesquisadores do Instituto Butantan participaram de uma reunião técnica, para serem apresentados os dados de eficácia da Coronavac. Clique no vídeo acima para assistir e obter mais informações sobre a vacina.

Butantan apresenta nesta quinta dados da eficácia da CoronaVac

O Instituto Butantan e o governo de São Paulo apresentam nesta quinta-feira (7) dados sobre a eficácia dos testes clínicos realizados no Brasil com a vacina CoronaVac, imunizates desenvolvido em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

A previsão é de que os dados sejam divulgados durante a coletiva de imprensa do governo do Estado, que será realizada na sede do Instituto Butantan. A coletiva terá a participação do governador João Doria (PSDB), do secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn e outros integrantes do governo.

O Instituto Butantan adiou o envio do resultado dos testes da vacina CoronaVac no Brasil à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A previsão inicial era de que os documentos fossem entregues no dia 15 de dezembro.

Com isso, a nova data estipulada para a entrega dos resultados seria, então, 23 de dezembro. No dia 23 de novembro, Gorinchteyn, confirmou que o Instituto Butantan havia entrado na fase final do desenvolvimento da vacina CoronaVac após atingir o número mínimo esperado de infectados pela Covid-19 na fase 3 do estudo clínico. São esses os resultados que precisam ser entregues à Anvisa.

Cronograma de vacinação
Segundo o secretário de saúde, o programa tem como prioridade vacinar idosos com mais de 60 anos, que equivalem a 7,5 milhões de pessoas e representam 77% das mortes decorrentes da Covid-19. Trabalhadores da área da saúde, indígenas e quilombolas, que equivalem a 1,5 milhões, também terão prioridade. Assim, a população total a ser vacinada no primeiro momento corresponde a 9 milhões de pessoas. A primeira fase se encerrará dia 28 de março, com duas doses aplicadas por pessoa.

De acordo com o governo, essa fase de imunização prevê 18 milhões de doses de vacina, atuação de 54 mil profissionais de saúde, uso de 27 milhões de seringas e agulhas, 5.200 câmaras de refrigeração, 25 postos de armazenamento e distribuição regional, 30 caminhões refrigerados de distribuição diária e 25 mil policiais para escolta das vacinas e segurança dos locais de vacinação.

“Vimos uma situação semelhante com a gripe espanhola e hoje vivemos uma guerra com um inimigo invisível que jamais imaginaríamos. Tivemos um incremento nos casos, óbitos e internações no Estado. Jamais imaginávamos, tanto no mundo, no Brasil e no próprio Estado, esse aumento porque estávamos observando, durante 12, 13 semanas, uma queda nos casos e voltou de uma forma forma abrupta a varrer vidas e encher nossos hospitais. Temos 10 hospitais que atingiram sua capacidade máxima de atendimento.”

O secretário do desenvolvimento regional, Marco Vinholi, disse que os prefeitos que não seguirem regras podem ir “para o fim da fila”. “Se não cumprir as regras fundamentais, notificamos, encaminhamos para o MP-SP, que, muitas vezes, entra com improbidade administrativa, e os prefeitos podem sofrer sanções”, afirmou.

Fonte: Correio do Povo

A história do cientista Adolfo Lutz é contada em animação

Você conhece a história de Adolfo Lutz, o cientista que dá nome a um de nossos mais importantes institutos de pesquisa de São Paulo? Ele ficou conhecido como o pai da medicina tropical e foi o primeiro cientista a estudar o mecanismo de transmissão da febre amarela. O Canal Futura fez essa ótima animação indicada a pessoas de todas as idades.

Instituto Geológico de SP abre chamada para seleção de jovens pesquisadores

O Instituto Geológico (IG), da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA) do Governo do Estado de São Paulo, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), está selecionando um(a) candidato(a) com títulos de doutor(a) e pós-doutor(a), para uma bolsa de Jovem Pesquisador. Inscrições até 14 de fevereiro de 2021.

O projeto de pesquisa, com duração 48 meses, abordará temas como hidrogeologia, hidroquímica e modelagem numérica de fluxo e transporte reativo de contaminantes e está vinculado ao Plano de Desenvolvimento Institucional em Pesquisa (PDIP), em andamento.

Maiores informações sobre o tema do referido projeto, duração, valor da bolsa e documentos necessários são apresentados AQUI.

IAC concede prêmio à Usina Monteverde por melhoramento genético da cana-de-açúcar em MS

A usina Monteverde, unidade da BP Bunge Bioenergia, em Ponta Porã, Mato Grosso do sul, foi premiada pelo trabalho de melhoramento genético da cana-de-açúcar no estado. O Prêmio Excelência 2020 foi concedido pelo programa Cana do Instituto Agronômico (IAC). A premiação existe desde 2016 e destaca as melhores iniciativas de melhoramento com base em vários indicadores, como, por exemplo, o de atualização varietal.

Segundo o professor Marcos Landell, coordenador do Programa Cana – IAC, a escolha correta de uma variedade de cana pode mudar significativamente a produtividade de uma área, muito além do que qualquer outro elemento agregado ao processo produtivo. “Este reconhecimento coroa o trabalho de toda uma equipe técnica dedicada a obter os melhores resultados em qualidade e produtividade”, afirma Rogério Bremm, diretor Agrícola da BP Bunge Bioenergia.

O Prêmio Excelência 2020 foi entregue durante a 3ª Reunião On-Line do Grupo Fitotécnico de Cana IAC.

Fonte: Com informações do G1

Butantan deverá solicitar até quinta uso da Coronavac à Anvisa

O secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou ontem (4/1) que os pedidos de registro da vacina Coronavac serão feitos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nas próximas 48 horas. O Instituto Butantan, que desenvolve o imunizante contra a Covid-19 em parceria com a chinesa Sinovac, ainda não apresentou os dados de eficácia da fase final da pesquisa. Esses resultados são essenciais para o parecer da Anvisa.

Segundo o secretário, eles serão divulgados até quinta-feira (7/1). O estado de São Paulo vai fazer a solicitação tanto de uso emergencial como de uso definitivo do imunizante. “E dessa forma existem questões burocráticas, de documentos, que estão sendo juntados para serem enviados nos próximos dias para a Anvisa. Nesta semana serão enviados, possivelmente hoje ou amanhã”, disse o secretário, em entrevista à Rádio Bandnews.

Segundo ele, a entrega vai depender do próprio Instituto Butantan ter toda documentação já estabelecida. “Mas muito possivelmente entre hoje e amanhã teremos envio da documentação, fazendo solicitação do ponto de vista emergencial e definitivo.”

De acordo com o Butantan, a Coronavac apresentou, na terceira fase de testes, eficácia acima dos níveis exigidos pela agência brasileira e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A Anvisa considera o mínimo de 50% de eficiência para que um imunizante contra o novo coronavírus seja autorizado para uso em território brasileiro.

A previsão inicial era de que esses dados tivessem sido divulgados em meados de dezembro, o que não ocorreu. De acordo com o instituto, o adiamento, anunciado em 23 de dezembro, ocorreu porque a Sinovac resolveu unificar os dados dos testes feitos no Brasil, na Indonésia e Turquia, o que pode levar 15 dias. A consolidação e a análise de dados são critérios exigidos pela agência de regulação de medicamentos da China.

Fonte: Metrópoles

IAC espera alcançar resultados inéditos em pesquisas após investimento de R$ 34,8 milhões

O Instituto Agronômico (IAC) acaba de ser contemplado com R$ 4.540 milhões em edital da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP) dentro do Núcleo de Pesquisa Orientado a Problemas – SP (NPOP-IAC). Somam-se a esse montante outros R$ 4.470 milhões da iniciativa privada e R$ 25.790 milhões como contrapartida em infraestrutura e recursos humanos do Estado, totalizando R$ 34.800 milhões. O objetivo das pesquisas que serão realizadas com esse aporte é ampliar a base científica e tecnológica para solução de problemas bem definidos nas culturas de citros, café e cana-de-açúcar. Essas três importantes cadeias agrícolas terão o reforço da biotecnologia para acelerar estudos que trarão resultados inéditos para a agricultura mundial. A maior celeridade será proporcionada pelo método de edição de DNA, chamada CRISPR/Cas9 (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats), que significa Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas. Esta é a tecnologia que rendeu o prêmio Nobel de Química 2020 às cientistas Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna, responsáveis pelo desenvolvimento da chamada “tesoura genética”.

“Essas três culturas foram escolhidas pela importância que têm em São Paulo e no Brasil e pelo protagonismo do IAC no desenvolvimento de cultivares dessas espécies perenes e semi-perenes”, conta a pesquisadora e líder do NPOP-IAC, Mariângela Cristofani Yaly. Os desafios foram definidos pelos pesquisadores em conjunto com os três setores de produção.

Na área de citros, o foco é a doença conhecida como huanglongbing (HLB), considerada a mais devastadora nos pomares citrícolas no mundo. Na de café, o objetivo é desenvolver cultivar de café tipo arábica naturalmente desprovida de cafeína a fim de buscar saudabilidade e incluir o produto em novos mercados. Nos estudos com cana-de-açúcar, pretende-se gerar cultivares com tolerância ao estresse hídrico e a patógenos a partir do uso de edição gênica em plantas geneticamente modificadas (transgênicas) e não geneticamente modificadas.

“O conteúdo dos três projetos e a aprovação obtida mostram o alinhamento da ciência agronômica paulista com esse cenário de inovação e tecnologia de ponta, mundialmente reconhecida pelo Nobel 2020”, afirma o diretor-geral do IAC, Marcos Antônio Machado. Para o gestor, é necessário somar esforços nas pesquisas para o agro, aumentar a eficiência e otimizar estruturas.

Além do NPOP-IAC, no edital da FAPESP chamado Ciência Para o Desenvolvimento, também foi selecionado o NPOP do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) – NPOP-BIS, voltado a ingredientes saudáveis. Os dois projetos de pesquisa foram elaborados, avaliados e aprovados considerando os problemas específicos para os quais se voltam as soluções a serem geradas com as pesquisas. Os recursos para esses dois NPOP de Institutos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, que são sede das pesquisas, somam R$ 69,6 milhões, sendo R$ 7,240 milhões da FAPESP, R$ 8,47 milhões de empresas e R$ 53,89 milhões do Estado, incluindo as infraestruturas e salários de equipes. Também da Secretaria, o Instituto de Pesca (IP) participa do NPOP sediado pela USP e trabalhará na temática Pescado para a Saúde. Este projeto contará com total de R$ 23,8 milhões, sendo R$ 3,6 milhões da FAPESP, R$ 6 milhões de empresas e R$ 14,2 milhões do Estado, incluindo as infraestruturas e salários de equipes.

De acordo com Mariângela, no NPOP-IAC, as equipes das três culturas estão trabalhando com ferramentas da biotecnologia, utilizando técnicas semelhantes e haverá ajuda mútua na busca por estratégias de cultivo que possam agregar valores. “No NPOP-IAC pretendemos agregar o que estamos fazendo para obter novas cultivares e nossos sistemas de produção, a edição genômica será a estratégia usadas para as três culturas”, explica. Outra semelhança entre as três áreas é a interação com o setor privado em suas atividades científicas.
No caso dos citros, pretende-se chegar a uma planta editada para controle do HLB, com porta-enxerto que induza a copa a um tamanho reduzido, resultando em sustentabilidade e redução do custo de produção. Em citros, são considerados a variedade copa, parte aérea da planta, e o porta-enxerto, que fica sob o solo.

Todo o esforço será em busca de soluções para o HLB ou Greening, visto que não existe, até o momento, variedade tolerante. As equipes terão três linhas de atuação. Na primeira, serão avaliados citros geneticamente modificados (GM) em ensaios de campo, que já estão em andamento. A segunda linha terá edição gênica por CRISPR para silenciar genes associados à resposta de hipersensibilidade da planta à infecção pela bactéria do HLB. Essa ação possibilitará o desenvolvimento de variedades copa resistentes ao HLB. Espera-se, ao final de cinco anos, ter uma planta editada com as características de tolerância ao HLB, qualidade de fruta, aspecto e sabor desejados. Esta etapa já está em andamento no IAC. A terceira linha de atuação será o uso de porta-enxertos citrandarins (híbridos de tangerinas com Poncirus trifoliata), obtidos no programa de melhoramento de citros do IAC. Esses materiais têm tolerância ao HLB, isto é, reduzem o impacto da doença, além de diminuírem o tamanho da copa da planta, característica muito demandada pelo setor citrícola.

“A equipe de citros do IAC já tem as variedades de porta-enxertos ananicantes e eles têm bons resultados”, adianta Mariângela. Por conta dos prazos, o fato de o IAC já ter parte desses estudos em andamento irá colaborar bastante com a conclusão. Isso porque, como os citros são perenes, são necessários quatro anos, após o plantio, para iniciar as avaliações; e outros quatro anos para analisar as performances completas.

Segundo a pesquisadora do IAC, Alessandra Alves de Souza, o IAC já tem o gene discover, a descoberta dos genes, e a equipe já sabe quais genes são realmente importantes, quais são os top genes, que possam ser editados através dos CRISPR. “Isso requer tempo e nós já temos”, ressalta. A equipe descobriu genes associados com suscetibilidade e resistência da planta ao HLB. Esses genes serão utilizados na edição de citros. “Já temos um background: temos o gene discover, já temos construções em andamento, estamos aplicando a tecnologia em laboratórios e o trabalho já foi publicado em revista internacional de alto impacto”, enumera Alessandra.

Os primeiros testes com as plantas com os vetores para CRISPR já estão em andamento, há algumas plantas com as primeiras transformações, mas a obtenção da planta editada ainda requer tempo e pesquisa. Daí a relevância dos investimentos a serem feitos nos próximos cinco anos.

De acordo com Alessandra, esses estudos envolvem testes de novos produtos em campo e trabalhos de pesquisa em laboratório. “Aplicamos o produto na planta e avaliamos a ação da molécula em relação ao HLB, vamos verificar se dá certo e porque dá certo, assim é possível elucidar os processos envolvidos no controle do HLB e como indutor de resistência”, explica.

Dentre os benefícios que as pesquisas trarão, estão a disponibilização de variedades copa e porta-enxertos mais tolerantes ao HLB. “Para a pesquisa, possibilitará o estabelecimento de uma tecnologia relevante e revolucionária que permite editar o genoma, sendo que as plantas não são caracterizadas como transgênicas”, explica Mariângela.

Terão também porta-enxertos que induzem ao menor porte da variedade copa para um novo sistema de produção na citricultura. Alguns dos porta-enxertos ananicantes estão conferindo naturalmente à copa da planta a tolerância ao HLB. Isso será importante para os citricultores, pois esta é a doença mais devastadora dos citros, para a qual não existem variedades resistentes.

“Novas tecnologias deverão ser desenvolvidas, possibilitando o manejo sustentável da citricultura, com menor aplicação de defensivos agrícolas, melhores condições de trabalho aos colhedores e utilização de colheita mecanizada, quando possível”, afirma. Essas soluções contemplam benefícios sociais, ambientais e econômicos, que poderão resultar desses estudos.

O Brasil é o maior produtor mundial de laranja, o estado de São Paulo é líder em produção e exportação mundial de suco. Nos pomares brasileiros, são IAC 90% das cultivares copa e 95% de porta-enxertos. O valor bruto de produção do setor citrícola é de R$ 14 bilhões, por ano. Os desafios do setor são sustentabilidade e controle do huanglongbing (HLB).

Tríplice hélice de inovação

Com estratégias biotecnológicas e genômicas para qualidade, produtividade e manejo sustentável de citros, café e cana-de-açúcar no Estado de São Paulo, esta proposta traz também um modelo inédito de gestão, envolvendo instituições de pesquisa e ensino, empresas e universidades do exterior, chamado tríplice hélice de inovação. Trata-se de uma novidade na gestão da pesquisa científica. “Os NPOP se caracterizam por pesquisa avançada em parceria com a iniciativa privada e com instituições de pesquisa e ensino internacionais”, afirma Mariângela.

Empresas dos setores citrícola, cafeeiro e sucroenergético estão investindo em parceria nesse novo modelo de desenvolvimento tecnológico. As parceiras do NPOP-IAC são: Amazon e Cia Camp, Daterra, Corteva, Biovertis e GrandBio, Citrosuco, Agroterenas, Solo Sagrado e Jacto. Outras empresas poderão aderir ao projeto ao longo dos cinco anos de execução.

A missão desse modelo de ciência é integrar competências, infraestrutura, conhecimento, bases genéticas em projetos disruptivos com genômica e biotecnologia para a solução de problemas nessas três culturas em que o Brasil é líder de produção mundial.

Todo o trabalho será feito em colaboração com a participação de equipe multidisciplinar, com cerca de 200 cientistas de diversas áreas do conhecimento e pluri-institucional. Participam junto ao IAC: Instituto de Economia Agrícola (IEA), ESALQ/USP, UNIFESP, FFCLR/USP, Embrapa, Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, MaxPlant Institute, na Alemanha, e Universidade de Queensland, na Austrália.

Capacitação no sistema ágil

Com o objetivo de capacitar as equipes com novas metodologias que proporcionam alinhamento ao mercado, essas instituições de pesquisa e ensino envolvidas nos NPOP da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo passaram pelo treinamento de gestão ágil, composto por 120 horas, ao longo de seis meses.

Cientistas e profissionais que os apoiam aprenderam sobre as metodologias Design Thinking, MVT (Tecnologia Mínima Viável) e Scrum. No Brasil, essas equipes dos NPOP estão entre os primeiros a recorrer a esse sistema. Os grupos também definiram valores, visão, identidade e missão dos Núcleos e elaboraram o regimento interno. Tudo em conjunto com as empresas parceiras.

IAC recorre à “tesoura genética” para desenvolver café sem cafeína

NPOP-IAC Café está relacionado ao desenvolvimento de cultivares naturalmente sem cafeína – totalmente desprovidos de cafeína ou com baixíssimos índices

Na área de café, a pesquisa dentro do Núcleo de Pesquisa Orientado a Problemas – SP (NPOP-IAC) é direcionada ao desenvolvimento de uma cultivar de café tipo arábica sem cafeína. A equipe propôs um método alternativo de obtenção de uma cultivar naturalmente desprovida de cafeína. Esse método é o de edição genômica, com o uso da metodologia CRISPR/Cas9, que consiste no silenciamento do gene responsável pela síntese de cafeína nas plantas. “Essa tecnologia será adotada para bloquear a síntese de cafeína em uma variedade comercial, que já reúne atributos agronômicos e industriais desejáveis”, explica o pesquisador do IAC, Oliveiro Guerreiro Filho.

Ao invés de transferir esta característica de cafeeiros silvestres, não cultivados, para uma variedade produtiva e resistente, a equipe irá trabalhar em uma variedade comercial, já dotada de boas características e, por meio da edição genômica, bloquear nela a síntese da cafeína. “Isso é fazer edição genômica, é como se, ao editar um texto, o DNA equivalesse a uma frase e dentro desta frase fosse alterada uma letra”, simplifica.

Segundo Guerreiro, há dois caminhos que levam ao mesmo resultado: um deles é o melhoramento genético clássico, que requer de 25 a 30 anos para obter resultados; e o outro é a edição genômica. Este novo método serve para resolver diversos problemas existentes nas diferentes espécies cultivadas e de interesse econômico. “Neste caso, a tecnologia será usada para atribuir baixo índice de cafeína a uma cultivar de café; é como se houvesse um interruptor capaz de desligar o gene que produz cafeína”, explica.

Como isso funciona: existe um determinado gene que é responsável pela síntese da cafeína, chamado gene da cafeína sintase – ele transforma a teobromina em cafeína nas plantas. “Quando nós editamos esse gene, mudamos o código genético, ele deixa de sintetizar a cafeína, deixa de transformar a teobromina em cafeína nos grãos, e a planta deixa de produzir cafeína”, explica Guerreiro. Não existe no mercado um café naturalmente descafeinado. A maior parte do café descafeinado presente no mercado é obtida por meio de processos químicos, que alteram também o aroma e o sabor da bebida.

“Nossa proposta é usar a edição genômica em cultivares comerciais com o objetivo de obter plantas com grãos desprovidos de cafeína, como uma estratégia alternativa à seleção clássica, também conduzida pelo IAC. Partindo de uma cultivar comercial, produtiva, vigorosa, resistente a pragas e doenças e que receberá o gene que atribui a característica aos grãos naturalmente desprovidos de cafeína”, detalha.
O pesquisador explica que essa mesma tecnologia se desdobra e poderá ser usada para obter, por exemplo, cultivares resistentes à determinada praga ou doença. Estima-se que em cinco anos a equipe terá a planta de café editada com baixo índice de cafeína. A partir desse resultado terá início uma nova etapa da pesquisa com avaliações de plantas editadas em casa de vegetação e campo. Ciência é trajetória de longo prazo, ainda que os avanços viabilizem atalhos.

10% do café consumido mundialmente são descafeinados

O café reúne fãs pelo mundo. Mas nem todo consumidor lida bem com a cafeína, fato que levou ao crescimento do mercado de café descafeinado. Cerca de 10% do café consumido mundialmente têm essa característica. A expansão de cafés especiais também ampliou a demanda pela bebida com baixo teor de cafeína. Mas o desenvolvimento de uma cultivar de café arábica naturalmente desprovida de cafeína é uma demanda antiga. No entanto, a “ausência de cafeína” nos grãos havia sido relatada apenas em espécies de cafeeiros não cultivadas, endêmicas de Madagascar, e a ciência brasileira não tinha acesso a estes recursos genéticos. É o que conta o pesquisador do IAC, Oliveiro Guerreiro Filho.

Sem ter como transferir esta característica para o café arábica, por falta de acesso às espécies Malgaxes, foi necessário garimpar exaustivamente no banco de germoplasma do IAC, em Campinas, plantas com essa característica. A busca, liderada pela pesquisadora do IAC, Maria Bernadete Silvarolla, deu resultado e, em 2003, pesquisadores do Instituto encontraram na coleção de cafeeiros café arábica, originária da Etiópia, plantas com ‘baixo teor de cafeína’. Essa descoberta facilitaria a transferência da característica desejada, já que é mais fácil transferir genes, por meio de cruzamentos, entre plantas de uma mesma espécie. A conquista foi veiculada pela revista Nature, publicação de divulgação científica mais citada do mundo.

A partir dessa descoberta, o desenvolvimento de uma variedade de café naturalmente com baixo teor de cafeína seria feito pelo método clássico de melhoramento genético, isto é, com hibridações e seleções sucessivas. Com essa estratégia, os cientistas transferem os genes das plantas e selecionam os descendentes com as características desejadas.

Esse método tradicional de seleção vem sendo conduzido no IAC desde 2003/2004, pois embora pertencentes à mesma espécie, os cafeeiros originais identificados com baixa cafeína não reuniam o perfil comercial necessário para serem imediatamente cultivados, apresentando baixa produtividade e vigor vegetativo, além de serem suscetíveis a doenças e pragas, com a maior parte de nossas cultivares. “A ideia então foi aproveitar somente a característica de interesse e transferi-la para uma variedade mais produtiva e com boa qualidade de bebida”, explica Guerreiro.

O longo período de seleção de uma cultivar de café se explica por algumas particularidades relacionadas à natureza perene da espécie e à necessidade de avaliação das gerações mais avançadas em ambientes distintos. “A nova cultivar deve ser estável, ou seja, sempre do mesmo jeito, em qualquer ambiente cultivado”, explica Guerreiro.

Cerca de 90% do parque cafeeiro brasileiro de café arábica são compostos por cultivares desenvolvidas pelo Instituto Agronômico. O Estado de São Paulo é o maior consumidor, processador e exportador do Brasil, que é o maior produtor mundial de café. O setor cafeeiro nacional movimenta o valor bruto de produção de R$ 25 bilhões, por ano. Os principais desafios são a qualidade da bebida, o mercado de cafés especiais e a sustentabilidade da produção.

NPOP-IAC na área de cana-de-açúcar envolve aumento de biomassa, tolerância à seca, resistência ao carvão e modificação da parede celular

Na área de cana-de-açúcar, o NPOP-IAC objetiva gerar produtos biotecnológicos, com foco em transgenia, a partir de resultados de uma década de pesquisa desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC). O objetivo é tornar o setor sucroenergético mais sustentável e competitivo, partindo de resultados de pesquisas científicas já desenvolvidas no Instituto Agronômico. A equipe irá desenvolver variedades de cana-de-açúcar e cana-energia transgênicas que apresentem aumento de produtividade, tolerância à seca, plantas resistentes ao fungo do carvão e modificação de parede celular para produção de etanol de segunda geração.

“A equipe do IAC identificou genes funcionalmente associados à tolerância a seca que, quando superexpressos em plantas transgênicas, também foram capazes de aumentar a produtividade em condições de estresse hídrico. Também identificou genes envolvidos na composição da biomassa lignocelulósica, de forma a viabilizar a produção de etanol celulósico ou etanol de segunda geração”, explica a pesquisadora do IAC, Silvana Aparecida Creste Dias de Souza.

Segundo a cientista, apesar do potencial energético existente na cana para produção de etanol de segunda geração a partir da biomassa vegetal, sua conversão em biocombustíveis ainda enfrenta obstáculos técnicos e econômicos. A lignina, um componente estrutural da parede celular vegetal, dificulta o processo de sacarificação e obtenção deste biocombustível. Para obter elevados rendimentos de produtividade, que torne o processo economicamente rentável, é necessário um aperfeiçoamento da matéria-prima. “Nossa equipe tem prospectado genes capazes de superar esse gargalo desde 2008, e, atualmente, vários genes identificados podem ser utilizados em abordagens de engenharia genética, a fim de alterar o conteúdo e/ou a composição da lignina e de outros componentes da parede celular, por meio de produção de plantas transgênicas”, explica a pesquisadora do IAC.

Os resultados alcançarão toda a cadeia de produção do setor sucroenergético e também as pesquisas nessa área. “O setor será beneficiado por ter acesso a tecnologias robustas para aumento de produtividade da cana-de-açúcar e melhoria da qualidade da matéria-prima da cana-energia para indústria de etanol 2G”, resume Silvana.

Segundo a cientista, a tolerância à seca tem sido uma característica priorizada pelos programas de melhoramento de culturas agrícolas em todo o mundo. “Além da necessidade de produzir mais com menos água, essa característica reduz a competição de água na agricultura com o humano”, completa. Além disso, completa a pesquisadora, as mudanças climáticas globais têm trazido uma imprevisão na ocorrência das chuvas, fazendo com que os veranicos ocorram nas estações mais chuvosas, como no verão brasileiro. Por exemplo, na safra de 2018, o veranico que ocorreu no início do ano, na região Centro-Sul, reduziu em 6% a produtividade dos canaviais. “Isso parece pouco, mas equivale à produção de cana-de-açúcar no estado do Paraná naquele ano, de aproximadamente 36 milhões de toneladas”, acrescenta.

Considerando os benefícios para o ambiente, as tecnologias a serem geradas permitirão aumentar a produtividade com economia no uso da água, além de verticalizar a produção, isto é, proporcionar maior produtividade por área. “Temos plantas transgênicas de cana energia em experimentação a campo que estão apresentando até 40% a mais na produtividade, afirma.

De acordo com Silvana, o carvão é uma das principais doenças fúngicas na canavicultura. O controle químico não é uma estratégia economicamente viável, de forma que a melhor forma de manejo é o uso de variedades resistentes. No entanto, a doença apresenta interação com o ambiente e, às vezes, uma variedade apresenta resistência num determinado ambiente e não o faz em outro. “Segundo a literatura, para cada 1% de planta infectada, estima-se 0,89% de perda na produtividade. Apesar de ser uma doença que os programas de melhoramento estão atuando bastante, das 22 cultivares mais cultivadas no Brasil, 16 apresentam algum nível de suscetibilidade ao carvão”, explica.

Nesse cenário, o IAC desenvolve pesquisa com carvão e atualmente existem vários genes promissores que poderão ser usados no desenvolvimento de tecnologias disruptivas para resistência ao carvão.

“O interessante de nossas pesquisas é que não estamos reinventando a roda mas, sim, avançando no desenvolvimento de tecnologias que promoverão uma canavicultura mais sustentável e economicamente viável”, comenta. Atualmente há três pedidos de propriedade intelectual depositados no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). Há experimentos com canas geneticamente modificadas para melhoria de conteúdo e qualidade de biomassa para etanol celulósico. As plantas estão em avaliação experimental a campo, por meio da liberação planejada no ambiente aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), em projeto de parceria público-privada com a Granbio. “Em cinco anos de projeto, a equipe pretende dispor de genótipos elites, portanto as tecnologias proprietárias do IAC em campo, com vistas à liberação comercial”, diz. O estudo será conduzido no Centro de Cana do IAC, em Ribeirão Preto, que dispõe de infraestrutura e equipe técnica qualificada para o desenvolvimento do projeto.

A equipe também pretende atuar na edição gênica em cana. “Apesar dessa tecnologia prometer pavimentar o caminho da agricultura futuro, ela ainda apresenta desafios enormes na área de cana que precisam ser superados e, nesse projeto, pretendemos avançar no aprendizado e domínio dessa tecnologia em cana de forma a estabelecer uma plataforma de edição gênica no IAC”, diz.

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Fonte: Assessoria de imprensa – IAC

Plataforma Biotecnológica de Ingredientes Saudáveis liderada pelo Ital é aprovada pela Fapesp

Com investimento público-privado de aproximadamente R$ 6,7 milhões ao longo de cinco anos, sairá do papel a Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (PBIS), sob liderança do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, envolvendo institutos de pesquisa, universidades públicas, fundação, cooperativa e empresas paulistas. Alinhada aos objetivos de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), a proposta de Núcleo de Pesquisa Orientada a Problemas (NPOP) foi aprovada nesta terça-feira (22) pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no Edital Ciência para o Desenvolvimento com a missão de integrar os sistemas produtivos e aplicar processos biotecnológicos sustentáveis para produção de alimentos usando matérias-primas nacionais e aproveitando subprodutos da agroindústria.

Outros dois órgãos de pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) da Secretaria estão envolvidos na PBIS, o Instituto Agronômico (IAC) e o Instituto de Economia Agrícola (IEA), assim como a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Escola de Engenharia de Lorena (EEL) e o Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP) e a Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Assis. Também uniram-se à plataforma a Dori Alimentos, sediada em Marília, a Jacto, sediada em Pompeia, com fábricas na Argentina e na Tailândia e escritórios comerciais nos Estados Unidos e no México, e a cooperativa agrícola Coplana, sediada em Guariba, com filiais em Jaboticabal, Taquaritinga, Dumont, Pradópolis, Batatais e Colina e postos Avançados em Catanduva, Monte Aprazível e Frutal (MG), além da Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia.

Pelo mesmo edital, foi aprovado ainda outro NPOP-IAC liderado pelo Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura, dedicado a biotecnologia em citros, cana e café. Os dois núcleos somam R$ 69,6 milhões em investimentos, sendo R$ 7,240 milhões da Fapesp, R$ 8,47 da iniciativa privada e R$ 53,89 milhões do Estado, incluindo infraestrutura e salários. Já o Instituto de Pesca (IP), também vinculado à APTA, participa do NPOP sediado pela Universidade de São Paulo (USP) com a temática Pescado para Saúde, com financiamento de R$ 3,6 milhões da Fapesp, R$ 6 milhões da iniciativa privada e R$ 14,2 milhões do Estado, incluindo infraestrutura e salários.

Para melhor alinhamento dos profissionais das instituições de pesquisa e ensino envolvidos nos NPOPs, as equipes passaram pelo treinamento de 120 horas em gestão ágil ao longo de seis meses, em que aprenderam sobre as metodologias Design Thinking, MVT (Tecnologia Mínima Viável) e Scrum. Durante a capacitação, foram ainda definidos valores, visão, identidade e missão e elaborado o regimento interno de cada núcleo em conjunto com as empresas parceiras.

“É um modelo de trabalho que existe em outros países considerando a tríplice hélice de inovação, envolvendo governo, pesquisa pública e iniciativa privada, o que tem gerado no mundo resultados mais eficientes e rápidos por considerar as demandas e os problemas do sistema produtivo e da sociedade para concretizar pesquisas e desenvolvimentos. O setor privado envolvido será beneficiado por estar perto do conhecimento e integrar o comitê executivo e estratégico que direciona as pesquisas”, explica a gestora executiva da PBIS, Gisele Camargo, diretora de Programação de Pesquisa e vice-diretora do Ital. “Tudo foi pensando para conseguirmos no final tecnologias, produtos e processos que tragam maior competitividade para as indústrias que atuam no setor de alimentos e bebidas, de forma que possam gerar resultados para o País como emprego e renda”, complementa Gisele, lembrando que a grande maioria de ingredientes utilizados atualmente é importada.

A pesquisadora responsável pela PBIS, Maria Teresa Bertoldo Pacheco, que atua no Centro de Ciência e Qualidade de Alimentos (CCQA) do Ital, considera as aprovações um marco na virada do modelo de pesquisa no Brasil. “A Fapesp foi inovadora nesse arranjo, onde com o apoio do governo permite às indústrias pinçar da academia e dos institutos os conhecimentos que consideram importantes para seu crescimento, diferencial de mercado e atendimento aos anseios dos consumidores”, avalia. “O arranjo proposto vai ser o fio condutor para construção de uma mentalidade inovadora, com troca de conhecimento e experiências. Trata-se de uma oportunidade de externar as expertises dos pesquisadores dos institutos e de aprender novas tecnologias e métodos de trabalho, além da troca de experiências e networking”, completa.

Motivação e diretrizes

A PBIS foi concebida para atender à tendência mundial da indústria de alimentos em oferecer praticidade, indulgência e ao mesmo tempo nutrição com benefícios à saúde, considerando o crescimento da população e da urbanização com consequente aumento do consumo de alimentos de industrializados. Também foi levado em conta a falta de acessibilidade da indústria brasileira a tecnologias dominadas por um número reduzido de multinacionais, responsáveis pela maior parte dos ingredientes disponíveis no Brasil.

No mercado nacional, essa demanda é sustentada dentre os principais fatores pelo Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) 2011-2022, pela Estratégia Intersetorial de Prevenção e Controle da Obesidade e pela Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN).

O projeto foi construído ouvindo as demandas da sociedade e dos consumidores e os interesses das indústrias parceiras, tendo sido selecionados então institutos e universidades envolvidos em pesquisas científicas relevantes e compatíveis com os interesses levantados, sempre considerando as perspectivas de tendências de mercado alinhadas com propostas de inovação.

“Vamos juntar as competências e atuar com a aplicação em alimentos e bebidas e o escalonamento, passando pela caracterização nutricional, microbiológica e tecnológica, para obtenção de ingrediente competitivo no mercado e que, dentro da matriz alimentícia, atenda a indústria e ao consumidor, garantindo a saudabilidade”, resume a gestora executiva da PBIS, Gisele Camargo, sobre a contribuição do Ital, que terá como parceiras sedes a Unicamp e a USP e como associados o IAC, o IEA e a Unesp.

Da Unicamp, será aproveitada a expertise em processos biotecnológicos, biotransformações enzimáticas e avaliação de compostos bioativos in vitro das pesquisadoras Gabriela e Juliana Macedo, do Departamento de Nutrição da FEA. Pelo IFSC-USP, participa o professor Igor Polikarpov, reconhecido mundialmente por seu trabalho com estruturas de proteínas e bioprocessos, possibilitando a atuação com proteínas doces e fibras como xilooligossacarídeos e frutooligossacarídeos. Nas áreas de biotransformação e bioprocessos, ainda haverá o suporte da EEL-USP e da Unesp Assis, com os pesquisadores Fernando Segato e Pedro Oliva Neto, respectivamente. Já o IAC contribuirá com a seleção de fontes de matérias-primas viáveis a serem utilizadas e o IEA, com a avaliação da viabilidade econômica.

Segundo a pesquisadora responsável pela PBIS, Maria Teresa, o Ital destinará 268 m2 de área física com apoio técnico e administrativo para a realização e desenvolvimento das diferentes plataformas biotecnológicas envolvidas no projeto. Além disso, todas as áreas técnicas estarão envolvidas, direta ou indiretamente, com equipes bem definidas e treinadas. “Acreditamos que tanto os pesquisadores quanto as instituições terão maior reconhecimento e projeção nacional e internacional, ocupando lugar de destaque no cenário atual de inovação. Do ponto de vista de recursos humanos, serão abertas novas oportunidades de trabalho através de bolsas, inclusive de pós-graduação vinculadas ao Ital e às universidades”, finaliza.

Próximos passos

Dividido em sete etapas, contemplando toda a cadeia produtiva, o programa de pesquisa será executado através de quatro plataformas de investigação de média e grande complexidades para oferecer substitutos saudáveis e funcionais de ingredientes convencionais. São elas: síntese de lipídios estruturados para redução calórica de alimentos com perfis de fusão e cristalização adequados para aplicação em diferentes tipos de produtos (I); obtenção de extratos fenólicos a partir de resíduos agrícolas nacionais abundantes com aplicação em alimentos funcionais (II); desenvolvimento e produção de prebióticos e proteínas doces e suas interações para promoção da saúde humana (III); novas fontes de proteínas vegetais utilizando pulses para obtenção de farinha de maior teor proteico com funcionalidade tecnológica e nutricional melhoradas para serem substitutas das proteínas animais em sistemas alimentícios (IV).

Na primeira etapa serão sintetizados os compostos saudáveis, por vias biotecnológicas e validação dos métodos. Em seguida, haverá o escalonamento de produção dos ingredientes e o desenvolvimento e readequação de formulações, envolvendo caracterização, avaliação sensorial e estudo de estabilidade dos alimentos desenvolvidos, trabalhos correspondentes à segunda e à terceira etapas.

Já a quarta etapa abrange os ensaios pré-clínicos in vitro e in vivo e na quinta etapa haverá scale up, transferência de tecnologia e estudos de viabilidade econômica. Por fim, a sexta e a última etapas envolverão apoio aos assuntos regulatórios e gestão da propriedade intelectual.

Fonte: Assessoria de imprensa do ITAL

Instituto Biológico participa da elaboração de guia para vacinação contra brucelose

Servidores do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, participaram da elaboração de guia voltado às boas práticas na vacinação contra brucelose em bovinos. O Guia Prático de Procedimentos para Vacinação contra Brucelose de Bovídeos, publicado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária de SP, foi idealizado pela Comissão Técnica de Saúde Animal do CRMV-SP. Participaram da elaboração os profissionais do IB Ricardo Spacagna Jordão, Maristella Cardoso e Margareth Genovês (aposentada), além de técnicos da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), também da Secretaria, e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

“Há um problema, principalmente no campo, de infecção dos médicos-veterinários pela brucelose durante a vacinação”, aponta o médico-veterinário Ricardo Jordão. Ele explica que a contaminação é possível porque a vacina é feita com células vivas da bactéria causadora da doença (Brucella abortus). “Há um risco grande de se infectar no manuseio dos materiais, que é aumentado pelo fato de, muitas vezes, não se utilizar os EPIs (equipamentos de proteção individual) corretos”, alerta o especialista.

Conforme afirma, apesar de, por vezes, haver negligência, também há uma falta de orientação adequada ao profissional que realiza a vacinação. “A gente achou que seria importante ter um manual bem prático para dar suporte para os médicos-veterinários, evitando a contaminação. O Guia é justamente para isso: evitar a contaminação no trabalho, ocupacional”, pontua Jordão. Em alguns estados, acrescenta, existem vacinadores auxiliares, que também precisam ser treinados.

De acordo com Jordão, outra questão que pode ocorrer é não haver o descarte adequado dos materiais (seringas, frascos, etc), aumentando os riscos de infecção acidental. Há algum tempo, menciona, era comum enterrar e queimar os materiais, mas, em virtude do aumento da percepção dos impactos ambientais envolvidos, a prática deixou de ser uma opção. “Esse manual veio também para padronizar isso: o que fazer com os frascos, como descartar agulhas, etc. O intuito é orientar o médico veterinário no atendimento tanto da legislação sanitária quanto da ambiental”, defende o médico-veterinário do IB. A iniciativa, segundo ele, vem complementar as ações do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose. “Queremos trazer soluções práticas, que o profissional consiga fazer no seu dia a dia”.

Jordão exalta a experiência dos órgãos envolvidos, e em especial do IB, enquanto elemento central para a confiabilidade do material. O especialista lembra que o Instituto trabalha há muito tempo com a brucelose e é o responsável pela produção do antígeno necessário para diagnóstico da doença nos animais. “O IB possui também laboratório específico para diagnóstico de brucelose, com corpo técnico altamente especializado”, destaca o especialista. “São anos de pesquisa que vêm aproximar o laboratório do campo”, realça.

Perigo real

Apesar de haver uma baixa percepção do problema pela população em geral, a infecção por brucelose pode trazer danos sérios à saúde humana, com sintomas como fraqueza, tremores, febre, entre outros. Como elucida o especialista do IB, apesar de haver tratamento, o diagnóstico é bastante difícil, por não ser uma doença de rotina. “Por ser uma doença veterinária, o médico humano muitas vezes acaba não suspeitando do problema, mesmo que os sintomas estejam presentes”, alerta Jordão. Eventualmente, diz, uma pessoa pode passar anos com os sintomas sem que a doença seja corretamente diagnosticada. Por isso, é importante qualquer pessoa que trabalhe com vacinação contra a brucelose expôr o fato ao procurar o auxílio de profissionais de saúde.

O Guia Prático de Procedimentos para Vacinação contra Brucelose de Bovídeos do CRMV-SP está disponível na internet e pode ser obtido gratuitamente através deste link.

Fonte: Assessoria de Imprensa APTA

Governo de SP publica decreto que eleva à nível superior cargos de pesquisadores científicos dos institutos públicos

O governo do Estado de São Paulo publicou hoje (22/12), no Diário Oficial, decreto que eleva à classe de nível imediatamente superior cargos e funções-atividades de cem pesquisadores científicos de carreira lotados no serviço público. O decreto é resultado de uma luta antiga da categoria, da qual fez parte a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC). “É uma conquista há muito esperada.”, definiu o presidente da entidade, Dr. João Paulo Feijão Teixeira.

Segundo ele, houve “forte empenho da APqC junto às secretarias de estado e ao vice-governador” para que não houvesse descontinuidade do processo de avaliação por mérito dos pesquisadores que atuam nos intitutos públicos de pesquisa. Em mensagem encaminhada ao vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, no último dia 17, o presidente da Associação lembrou que a publicação do decreto atenderia o cumprimento da Lei Complementar nº 125/1975, que criou a carreira pública de pesquisador, hoje com 45 anos de existência.

O decreto eleva de nível pesquisadores científicos aprovados no acesso 2019, homologado e publicado em 7 de abril de 2020 pela Subsecretaria de Gestão da Secretaria de Fazenda e Planejamento. Feijão Teixeira destaca a importância da ampliação deste direito a pesquisadores que estão, neste momento, trabalhando na linha de frente contra a Covid-19 dentro dos institutos Butantan, Adolfo Lutz e Biológico, entre outros. “Finalmente uma boa notícia nesta reta final do ano. A APqC parabeniza os pesquisadores e continuará na luta pela garantia de direitos em 2021.”, disse.

Para ter acesso à íntegra do decreto e aos nomes dos pesquisadores contemplados clique aqui.