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Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” assinam carta de repúdio ao PL 529 e de solidariedade ao Instituto Florestal

Foto: Bruno Fernandes

Nós, pesquisadoras e pesquisadores do Laboratório de Educação e Política Ambiental (Oca), situado na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, e pertencente à Universidade de São Paulo manifestamos nosso total repúdio ao Projeto de Lei (PL) nº 529/20 apresentando pelo poder executivo do estado à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP). Acreditamos que medidas de redução de gastos em tempos como este da pandemia da COVID-19 não deve envolver jamais o corte no rendimento de trabalhadoras e trabalhadores (bem como seus familiares e dependentes), e nem ainda o desmonte de instituições fundamentais no funcionamento da gestão pública estadual.

Como atuantes na pesquisa do campo socioambiental, nos solidarizamos com o Instituto Florestal e demais instituições do campo, que estão sendo severamente prejudicados pelas diretrizes que este projeto de lei propõe. O Instituto Florestal é uma instituição de mais de 100 anos que tem um papel fundamental na conservação, na pesquisa, na produção, educação ambiental, uso público e no desenvolvimento florestal do Estado de São Paulo, influenciando ações e políticas em todo o país. Administra atualmente 47 áreas protegidas no Estado de São Paulo.

Nos últimos anos a Oca tem desenvolvido ensino, pesquisa e extensão conjuntamente com a unidade do Instituto em Piracicaba, situada na Estação Experimental de Tupi, com ações e pesquisas nos campos da educação ambiental, políticas públicas, agroecologia e tecnologias sociais. Estas iniciativas construídas a muitas mãos atingem toda a comunidade de Tupi, bem como grande parte do município de Piracicaba, e só são possíveis porque existem ali um espaço natural educador e profissionais do mais alto gabarito. Neste sentido as proposições ilógicas do projeto de lei colocam em risco real a continuidade de ações comunitárias, pesquisas de pós-graduação e projetos de extensão universitária, que atualmente já operam com o total desprestígio por parte do estado brasileiro, a partir do não financiamento da pesquisa científica e da universidade pública como um todo.

É sempre importante relembrar o ano de 2017, em que o atual ministro do meio ambiente Ricardo Salles (secretário de meio ambiente do estado de São Paulo na época), propôs de forma autoritária (como é de seu costume político) a venda de 34 áreas de florestas e de produção de madeira no estado de São Paulo (incluindo a estação experimental em Tupi). A mobilização de todos os setores do município de Piracicaba venceu o autoritarismo, e atualmente a área é gerida de forma compartilhada entre o Instituto Florestal, Prefeitura Municipal de Piracicaba, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, e instituições da sociedade civil presentes no Distrito de Tupi. Questionamos neste sentido: Não estaríamos caminhando novamente para este lado obscurantista com o desmonte do sistema ambiental paulista? Qual o sentido desta medida em tempos de pandemia, especialmente sendo esta causada por uma zoonose? Se este governo estadual defende a ciência, como costuma mencionar cotidianamente em suas coletivas públicas, é fundamental rever o Projeto de Lei (PL) 529/20, e seus impactos na manutenção da vida e da natureza no estado. No mais, estaremos aqui novamente mobilizadas (os), e demonstrando ao estado que política pública é instrumento de todas as pessoas, não somente aqueles que atualmente estão em mandato.

Finalmente estamos em solidariedade com as trabalhadoras e trabalhadores prejudicados pelo projeto e nos colocamos a disposição para oque for possível contribuir neste movimento.

Apoie este movimento! Segue formulário para para quem deseja manifestar publicamente seu apoio ao Manifesto Contra a Extinção do Instituto Florestal! Cadastre-se e compartilhe clicando aqui.

Assine e compartilhe também o abaixo-assinado contra a extinção do Instituto Florestal clicando aqui.

Fonte: Laboratório de Educação e Política Ambiental (OCA)

Nota de repúdio à extinção da Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN)

Os profissionais de pesquisa científica da SUCEN, vêm a público manifestar seu repúdio e indignação com o Projeto de Lei (PL) n° 529/20 enviado à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) em 13/08, que inclui a SUCEN no rol de instituições paulistas que devem ser extintas.

A inclusão da SUCEN, órgão que faz parte do parque de instituições voltadas à ciência e tecnologia no estado de São Paulo, neste grupo de instituições passíveis de extinção, é inadmissível em tempos em que a ciência é considerada a base das ações em saúde pública, como reiterado em discursos dos dirigentes do estado de São Paulo, ao justificar as ações de contenção da COVID-19.

A pesquisa científica na SUCEN tem um longo histórico de desenvolvimento técnico-científico que resultou em ações de saúde benéficas para a populações do Estado de São Paulo, que são 1- fundamentais aos municípios que recebem assessoria para o controle de vetores; 2- essenciais às instituições públicas e privadas, que em conjunto com esta instituição desenvolvem projetos científicos que dependem do conhecimento de cada recanto do estado de São Paulo onde proliferam mosquitos, triatomíneos, carrapatos e caramujos, todos envolvidos na transmissão de doenças que acometem vidas; 3- fundamentais à população paulista.

É inaceitável que após tantos anos de dedicação ao trabalho cotidiano de mapeamento, conhecimento e manejo ambiental das populações de mosquitos, carrapatos, triatomíneos e caramujos, que impactam a saúde e qualidade de vida dos cidadãos paulistas, tenhamos como surpresa um projeto de lei que propõe a extinção da SUCEN, baseado exclusivamente em motivos econômicos e financeiros; uma espécie de barganha absurda na qual todos perdem: estado, cidadãos e, principalmente a ciência. Uma história exitosa no desenvolvimento de tecnologias e práticas de controle de vetores de doenças baseadas na pesquisa científica e no debate e intersecção com a comunidade de vigilância epidemiológica, merece aperfeiçoamento, inovação, mas nunca a extinção sumária, sem o amplo debate técnico para dar continuidade aos trabalhos que desenvolvemos.

Com a extinção da SUCEN, dengue, febre amarela, leishmaniose, malária, esquistossomose, doença de Chagas, febre amarela, Zika, Chikungunya e outras novas doenças que ainda estão por vir, deixam de ter um nicho de pesquisa único no estado de São Paulo, com infraestrutura laboratorial e de campo especificamente construídas para dar suporte intelectual e técnico ao desenvolvimento de estratégias que visam a preservação de vidas.

Desta forma, nós, profissionais da pesquisa científica da SUCEN, vimos por meio desta nota de repúdio ao Projeto de Lei (PL) n° 529/20, compartilhar com V.Sas. este grave ataque às instituições de pesquisa do estado de São Paulo, que dentre tantos outros danos, resultará na extinção da SUCEN, com consequências ao sistema de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo mas, principalmente, à saúde da população paulista.

Conheça mais sobre nossa história clicando aqui.

Reformas: a difícil e necessária decisão

Roberto Rodrigues. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

artigo

O Governo Federal enviou uma proposta de reforma do Estado ao Congresso Nacional. O que se busca é o equilíbrio fiscal (a máquina pública custa muito caro e toma parcela excessiva do orçamento), a melhora da eficiência dos serviços e a extinção de privilégios públicos e privados que foram se acumulando ao longo da História em função de lobbies poderosos e de fragilidade ou subserviência de uns poucos parlamentares ou ocupantes do Executivo.
Ao lado da Reforma Tributária, esta é uma necessidade basilar para resgatar a confiança de investidores e a própria capacidade do estado investir. Não há o que discutir: precisa ser feito ou o país vai parar de vez. E não se trata de problema federal apenas: as unidades da federação e os municípios padecem do mesmo problema que tem que ser enfrentado com coragem e determinação.
O ônus político dessa reforma é tremendo: as pressões pela manutenção e até aumento de privilégios são enormes e se traduzem em ataques a executivos e legislativos cujas consequências eleitorais podem ser fatais. Em outras palavras, aqueles que fizerem o bem para o país cortando os excessos podem ser execrados em campanhas ardilosas e nunca mais serem eleitos. E então se acomodam por causa de suas posições pessoais e cedem a interesses nada republicanos. Essa é a dificuldade de avançar.
Por outro lado, e’ um erro grosseiro generalizar a opinião de que os funcionários públicos são todos ineficientes ou indolentes. Ocupei cargos públicos no Governo de São Paulo e no Governo Federal e encontrei muitos funcionários extraordinariamente bem preparados, dedicados, estudiosos, patriotas e competentes, responsáveis mesmo pelos avanços que acontecem a partir de políticas públicas. Na realidade, são eles que fazem as coisas acontecer, porque conhecem o funcionamento da máquina e sabem como redigir e implementar medidas de interesse nacional. E seriam ótimos assessores ou executivos no setor privado também, estão capacitados para qualquer função que exija conhecimento técnico e operacional.
Portanto, a reforma deve separar o joio do trigo. Deve eliminar os privilégios nos três Poderes e não pessoas que são um privilégio para o setor público. E fundamental será premiar a meritocracia como instrumento de remuneração e promoção.
Dito isso, há que se compreender a situação atual, sob o impacto da trágica pandemia do Covid-19. Este tsunami sanitário produziu as catástrofes conhecidas na saúde humana e na economia de todos os países do mundo. Oxalá seja mais rapidamente conhecido de modo a se conseguir um combate eficiente a ele. Mas é possível que o mundo nunca mais seja o mesmo em diversos aspectos no que diz respeito ao comportamento e as formas de trabalho humano e ao funcionamento das instituições.
E aqui ressalta o fato de que também a economia das organizações públicas está sendo duramente abalada. Prefeitos municipais, governadores, o presidente da República e seus secretários e ministros assistem a quedas brutais de arrecadação, seus orçamentos ficaram insuficientes para cumprir seus compromissos, de modo que precisam cortar fundo em sua própria carne para se salvarem da inadimplência.
Com isso resulta um acúmulo de dificuldades: a reforma tinha que ser feita antes da pandemia de qualquer jeito, mas não foi; e agora os cortes se tornaram mais urgentes e muito mais profundos.
É aí que mora o perigo. Cortar o que e quanto? Sacrificar quais atividades e funções?
Como compatibilizar as indispensáveis eliminações de privilégios e enxugamento da máquina com a manutenção dos serviços essenciais à população e ao país?
Nunca foi necessária tanta competência para fazer o que é certo e o que é justo. Porque não se trata de um arranjo emergencial só por causa do vírus. Não se pode confundir a urgência imposta pela pandemia com a questão estrutural do equilíbrio fiscal permanente.
Alguns temas são óbvios. Não pode cortar na saúde (ao contrário, precisa mais recurso), na educação e na segurança. Mas também não se deve cortar na ciência e na tecnologia (em especial deve-se cuidar da remuneração dos cientistas para que possam produzir em paz) porque isso seria matar o futuro competitivo da nação.
E também é importante perscrutar as tendências que se desenham no horizonte para não sacrificar organismos e/ou instituições que são a garantia de atendimento dos anseios da humanidade.
E está claro que dois temas principais se apresentam nesse caminho: segurança alimentar (com qualidade do alimento) e sustentabilidade (com ênfase para a preservação dos recursos naturais). A compatibilização dessas duas macro demandas é o desafio dos executivos em todos os níveis. E ainda mais: não só compatibilizar, mas fortalecer as instituições que cuidam desses aspectos, sobretudo na ciência.
Tal desafio está em todos os níveis governamentais. Sabemos que o Brasil tem as condições para ser o campeão mundial da segurança alimentar e da sustentabilidade.
E o Estado de São Paulo tem uma grande contribuição já dada ao país e que pode ser ainda mais efetiva, com a meritocracia funcionando nas nossas Universidades e nos Institutos que geram as inovações para a produção sustentável, como o Instituto Agronômico de Campinas, o Instituto Biológico, o Florestal, o de Zootecnia, o Butantã, o Instituto de Pesca e outros cujos talentos e conhecimento acumulado devem ser preservados e estimulados para o bem da sociedade brasileira. Outros setores, como a Assistência Técnica e Extensão Rural precisam ser modernizados para atendimento prioritário ao pequeno produtor. O perigo é extinguir uma instituição em função da pandemia porque, quando esta terminar, o serviço importante estará também eliminado em prejuízo do conjunto.
Não será fácil tomar as decisões corretas. Devemos confiar em nossos executivos e parlamentares e torcer para que sejam iluminados em suas decisões.

  • Roberto Rodrigues – Coordena o Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas e foi ministro da Agricultura (2003 a 2006)

Manifesto Sobre o projeto de lei n° 529/2020: Em Defesa das Geociências, do Instituto Geológico, da Vida e da Economia

O Instituto Geológico (IG) é originário da “Comissão Geográphica e Geológica da Província de São Paulo – CGG”, criada em 1886 com o objetivo de planejar e executar estudos e pesquisas para subsidiar a ocupação do território paulista. Atualmente vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado (SIMA), é uma Instituição de Pesquisa Científica, de caráter consultivo e assessoramento técnico, com um corpo funcional altamente qualificado, que como tal desenvolve estudos e projetos em atendimento às mais diversas demandas da sociedade, e presta serviços especializados em Geociências a órgãos do Poder Executivo Estadual (CETESB, CFB – Coordenadoria de Fiscalização e Biodiversidade, CPLA – Coordenadoria de Planejamento e Licenciamento Ambiental, Fundação Florestal – Planos de Manejo para Unidades de Conservação, Casa Militar – Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil); Ministério Público; Poder Judiciário; Prefeituras Municipais; Poder Legislativo (Câmara de Vereadores, ALESP).

A área de Geociências é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico do Estado de São Paulo, e o Instituto Geológico atende políticas setoriais estratégicas tais como: planejamento, transportes, habitação, defesa civil, prevenção de riscos e gestão de desastres naturais, recursos hídricos, energia e mineração. Seja isoladamente, seja em articulação com outros órgãos e entidades, seus trabalhos tem sido veiculados com frequência pela grande imprensa, reforçando a relevância e o papel fundamental que exerce na sociedade.

Todavia, não obstante à sua reconhecida atuação nas questões citadas acima, incluindo a entrega, em 14/08, dos resultados do Mapeamento e Avaliação de Áreas de Risco aos prefeitos de 11 municípios da Região Metropolitana de São Paulo (outros 27 municípios serão contemplados até o final de Outubro de 2020, mormente às adversidades impostas pela pandemia do Covid-19), o Instituto Geológico foi surpreendido com Projeto de Lei 529/2020, de iniciativa do Sr. Governador, que entre outras medidas, em seu Artigo 66 propõe a sua fusão com outras entidades de pesquisa da SIMA (o Instituto de Botânica, e parte do Instituto Florestal que será extinto) cujas atribuições, áreas do conhecimento e atuação, são bastante distintas do Instituto Geológico.

Também em seu Artigo 17, de maneira intempestiva e controversa, e similarmente ao que pretende fazer em relação às Universidades (USP, Unesp e Unicamp), e à própria Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp), propõe o Sr. Governador, uma profunda alteração no manuseio do Fundo Especial de Despesas (receitas próprias), apropriando-se por tempo indefinido, de todo e qualquer superávit do referido fundo (que já responde por mais da metade de todas as despesas de custeio do Instituto, e por 100% dos investimentos).

Tal medida extermina o futuro das instituições, acabando com a possibilidade de criação de reserva financeira ou poupança, para investimentos na própria estrutura ou para enfrentamento de tempos difíceis como estes que estamos todos vivenciando. Além disso, vai na direção contrária aos atuais esforços, e política de incentivo do próprio governo, de parcerias com o Setor Produtivo voltados à inovação tecnológica, e sobremaneira inibe todo e qualquer aumento de produtividade.

Cabe ressaltar que, em nenhum momento houve consulta ou discussão, sobre a eventual fusão dos referidos Institutos num órgão único de Biodiversidade, com a comunidade científica, e nem mesmo com os seus dirigentes. Tampouco foi apresentado qualquer estudo sobre a viabilidade operacional e econômica da fusão. Estamos convictos de que a unificação dos institutos, e a extinção de um deles, não reduzirá o custeio, pois os quadros de recursos humanos tanto dos setores técnicos quanto administrativos já são bastante enxutos, todos estatutários concursados, e que em sua vasta maioria (devido à ausência de novos concursos e renovação dos quadros funcionais) já ocupam seus cargos há bastante tempo, não sendo possível a redução de seus salários.

Por outro lado, haverá perdas significativas para a sociedade no quesito do desenvolvimento das pesquisas e sua aplicação, na prestação de serviços especializados e no atendimento às emergências em decorrência de fortes chuvas, que tão frequentemente causam enxurradas, inundações, deslizamentos de terra, queda de barreiras em estradas.

Um setor estratégico de Geociências não deve ser simplesmente diluído em outras áreas de conhecimento, correndo o risco de perder sua função e aplicabilidade. Por isso, vimos respeitosamente chamar sua atenção para o fato de que, uma área de atuação em Geologia bem definida e com atribuições de pesquisa e de serviços proporcionam o planejamento e a execução de políticas de Estado e de Governo, de uma maneira sustentável e segura. Dessa forma, consideramos equivocada a proposição de fundir o Instituto Geológico em um órgão de Biodiversidade, o que limitaria e diminuiria a expressão e a aplicabilidade da Geologia em prol do desenvolvimento socioeconômico do Estado e da segurança da população diante de desastres naturais, crises hídricas, etc.

Por esta razão pedimos o seu apoio e sua manifestação individual ou de sua empresa, organização, entidade, seja ela pública ou privada.

Não à fusão do Instituto Geológico e do Instituto de Botânica.

Não à apropriação de receitas próprias dos Fundos Especiais de Despesas pelo Governo.

Não à extinção do Instituto Florestal.

FEBRAGEO promove live que debate hoje os impactos do PL 529 à pesquisa científica em São Paulo

Hoje (15/09), às 19h, com a participação do Dr. Paulo Cesar Fernandes da Silva, pesquisador científico do Instituto Geológico da SIMA/São Paulo, a Federação Brasileira de Geólogos promove uma live cujo debate terá como tema o PL 529/20, seus impactos na pesquisa científica e os prejuízos para a sociedade.

Além do pesquisador da SIMA, participam o prof. Dr. José Alexandre de Jesus Perinotto, diretor do Instituto de Geociências e Ciências Exatas – IGCE/Unesp – Câmpus Rio Claro e a Deputada Beth Sahão, Coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão no Estado de São Paulo.

A APqC convida a todos e todas para conhecer os sérios problemas desse Projeto de Lei para a pesquisa científica e tecnológica do Brasil, assim como, para os Institutos de Pesquisa no Estado. Participe e compartilhe com seus amigos, faça suas perguntas ao vivo para nossos convidados. Haverá emissão de certificado aos participantes.

Para assistir e participar acompanhe a transmissão do vídeo abaixo a partir das 19h.

Instituto de Pesca investe na criação de camarão e auxilia aquicultores

Foto: Marcello Boock – Despesca de policultivo de camarões de água doce e tilápias, realizada na fazenda VALED, no Vale do Paraíba.

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Pesca (IP-APTA), realiza na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Pirassununga diversas pesquisas técnico-científicas voltadas a diferentes espécies de organismos aquáticos. Dentre estas, estão aquelas ligadas à carcinicultura (criação comercial de camarões), com destaque para as espécies de água doce, popularmente chamadas de “pitus”. Além dos projetos de pesquisa, os pesquisadores e técnicos da UPD ministram cursos com foco no atendimento ao público em busca de informações sobre o tema, geralmente com o intuito de entrar profissionalmente na atividade.

“Somos frequentemente procurados por produtores rurais interessados em criação de camarões em águas interiores, ou seja, em áreas distantes do litoral. Entretanto, notamos que boa parte dessas pessoas não sabe que a grande maioria das criações no interior do país são realizadas com uma espécie de água doce”, conta Marcello Boock, pesquisador do IP na UPD Pirassununga. A espécie, Macrobrachium rosenbergii, conhecida como camarão-da-Malásia, ou gigante-da-Malásia, é muito difundida mundialmente e corresponde à principal espécie de camarão de água doce (CAD) criada comercialmente no Brasil, segundo o pesquisador. “Por outro lado”, lembra Boock, “há também aqueles que acreditam que todos os camarões criados em águas interiores são exclusivamente espécies de água doce, o que não é verdade, pois atualmente já existe tecnologia para produção de camarões marinhos, em água de baixa salinidade, no interior”.

No IP, a equipe formada, além de Boock, pelos pesquisadores Helcio Marques e Márcia Galvão, em parceria com o pesquisador Sérgio Schalch, do Polo Regional Vale do Paraíba da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), tem atuado em diversas linhas de pesquisa com a carcinicultura de água doce. Entre as mais inovadoras, Boock cita a rizicarcinicultura, que é a criação de camarões de água doce em campos de arroz irrigado por inundação; o cultivo integrado com peixes (policultivos); e a criação em sistemas “pellet free” (sem ração) e em sistema orgânico. “Também desenvolvemos trabalhos com sistemas alternativos de produção de larvas de camarão (larvicultura) e produção de espécies nativas de camarões como isca-viva para pesca esportiva”, acrescenta o especialista.

Boa opção para o pequeno produtor

De acordo com o pesquisador do IP, no Brasil o cultivo do camarão-da-Malásia é uma boa alternativa para o produtor que deseja ingressar na atividade da carcinicultura fora da região litorânea. “Os camarões de água doce geralmente são criados por pequenos e médios produtores, na maioria das vezes não constituindo a sua principal atividade econômica”, comenta Boock. Esses pequenos criadores, segundo ele, normalmente utilizam mão de obra familiar e a atividade complementa a renda da propriedade rural. A produtividade média alcançada, utilizando-se sistema extensivo ou semi-intensivo, é de 1000 a 1500 quilos/hectare a cada ciclo de produção (que dura 6 meses). “Os investimentos e capital de giro nesses sistemas de produção são bem mais baixos quando comparados aos dos sistemas de produção de camarões marinhos”, pontua o especialista. “Além disso, devido à criação em baixa densidade, os camarões de água doce praticamente não apresentam problemas de doenças e os efluentes produzidos na atividade são menos impactantes, podendo ainda serem criados com baixa taxa de renovação de água”, complementa.

O pesquisador do IP comenta que, apesar de ser possível, do ponto de vista técnico, criar camarão marinho em águas interiores, mesmo longe do litoral, o alto custo de investimento inicial e capital de giro lançam dúvidas sobre a viabilidade econômica desse tipo de empreendimento em pequenas propriedades – o que pode significar mais despesas do que lucros para o produtor. “Muitas pessoas estão entrando nesta atividade sem ‘fazer contas’, influenciadas por ‘youtubers’ que só estão preocupados em vender seus cursos ou produtos”, alerta.

Diferenças entre camarões de água doce e marinhos

Boock diz que existem muitas dúvidas a respeito das diferenças entre os camarões marinhos e de água doce comumente cultivadas em águas brasileiras. Conforme elucida, duas espécies perfazem a quase totalidade da produção nacional: o camarão-da-Malásia e o camarão-branco-do-Pacífico (Litopenaeus vannamei). O primeiro é originário do sudeste asiático e passa a maior parte da vida em rios que desaguam no mar. Em cativeiro, é criado em água com salinidade zero. Já o camarão-branco-do-Pacífico, principal espécie de camarão marinho criado no Brasil, é encontrado no oceano que o nomeia e passa todo seu ciclo de vida em regiões com médias a altas salinidades, muito embora possa ser criado em água com baixa salinidade.

Uma diferença importante, segundo o pesquisador, é que os camarões de água doce geralmente são criados em baixas densidades de estocagem (100 mil pós-larvas/ha), principalmente devido ao seu comportamento territorialista e agressivo. Por outro lado, os camarões marinhos, pouco agressivos, podem ser criados em sistemas intensivos a super-intensivos, com densidades de estocagem acima de 200 mil juvenis/ha – característica que, apesar de permitir maior produtividade, pode levar ao aumento de doenças e maior emissão de efluentes.

Por fim, o pesquisador do IP esclarece uma das principais perguntas que recebe: em relação à carne de ambas as espécies, existem diferenças? “Embora a composição da carne de ambos seja muito semelhante em termos nutricionais, a ‘casca’ – o termo correto é exoesqueleto – dos camarões de água doce é mais espessa e, por isso, as formas de preparo de ambos diferem bastante”, explica Boock. O especialista diz que para se preparar e consumir os camarões de água doce é necessário, na maioria das vezes, se retirar a “casca”, enquanto o marinho pode ser preparado e consumido com ela. “Em termos de sabor, ambos são bastante semelhantes, com muitas pessoas se referindo à carne do camarão de água doce como sendo mais ‘suave e delicada’ enquanto a do marinho, como tendo um sabor mais ‘forte e pronunciado’”, detalha o pesquisador. “Embora esses conceitos de sabor sejam muito subjetivos, é certo que as estratégias de comercialização devem levar em conta todos esses fatores, para que o consumidor não se decepcione ao consumir uma espécie achando que está consumindo outra”, finaliza.

Fonte: Instituto de Pesca

Instituto Geológico lança podcast sobre o trabalho de seus pesquisadores

O Instituto Geológico lançou seu próprio podcast e o primeiro programa já foi ao ar no último dia 4 de setembro. Com o título de “Tempo Geológico”, o programa apresentará aos ouvintes assuntos relevantes sobre as pesquisas desenvolvidas pelo instituto, bem como informações sobre serviços prestados e atualidades da ciência na área da geologia.

O primeiro programa contou com a participação de Luciana Martin Rodrigues Ferreira, diretora do Instituto Geológico, que contextualizou historicamente a instituição e apresentou um panorama atual do órgão, que é uma importante Instituição de Pesquisa Científica do Estado de São Paulo caracterizada como um centro de referência em Geociências na resposta aos desafios da sociedade, contribuindo com o desenvolvimento das políticas públicas que afetam a vida de todos.

Para ouvir basta clicar aqui.

Fapesp: Estudo reforça relação entre perfil genético e resposta à Covid-19

Resultados preliminares de uma pesquisa em andamento no Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEGH-CEL) evidenciam a participação de fatores genéticos na determinação da suscetibilidade ou resistência à COVID-19.

Os pesquisadores já coletaram amostras biológicas e informações de oito pares de gêmeos infectados pelo novo coronavírus. No grupo dos irmãos monozigóticos (originados a partir de um mesmo óvulo que se dividiu), quatro dos cinco pares responderam de forma idêntica à doença. Já entre os irmãos dizigóticos (formados a partir de dois óvulos e dois espermatozoides diferentes), os três pares apresentaram respostas diferentes à infecção.

Os dados foram apresentados pela coordenadora do CEGH-CEL, Mayana Zatz, durante o primeiro encontro do Ciclo ILP-FAPESP de Ciência e Inovação de 2020. O evento on-line é organizado pela FAPESP e pelo Instituto do Legislativo Paulista e está disponível no endereço (aqui).

“Queremos explicar o caso de pacientes jovens com formas letais da COVID-19 e idosos ‘resistentes’. Resolvemos pesquisar os dois extremos. Jovens que devem ter variantes genéticas de risco e idosos que são assintomáticos ou tiveram poucos sintomas e, portanto, devem ter variantes genéticas de proteção”, disse Zatz durante sua apresentação.

Vinculado ao Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), o CEGH-CEL é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP.

Os primeiros casos que chamaram a atenção do grupo de Zatz foram de casais em que o homem teve a forma grave da COVID-19 e a mulher testou negativo para o vírus. Um dos voluntários, de 72 anos, chegou a ficar duas semanas internado na UTI. “A esposa e a mãe, de 98 anos [que vive com o casal], não tiveram absolutamente nada”, disse.

O grupo já recebeu mais de 800 e-mails de pessoas que querem participar do estudo. Dessas, 300 tiveram recolhidas amostras biológicas e formulários epidemiológicos preenchidos, com exames anexados. Há 85 casos de casais chamados discordantes, em que um foi afetado pela doença e o outro não. A pesquisa tem ainda dados de 30 adultos com menos de 60 anos, incluindo crianças, que morreram por COVID-19. As mulheres compõem 70% dos assintomáticos na pesquisa, um dado compatível com estudos internacionais que vêm mostrando a maior suscetibilidade dos homens à doença.

Além disso, seis centenárias que foram expostas ao vírus tiveram material coletado: uma com 104, outra com 106 e três com 100 anos. A de 104 mora com a filha e a neta, que tiveram COVID-19, mas ela mesma não teve nenhum sintoma, apesar do histórico de internações, como a retirada de um rim em 1967, cirurgias de esôfago e bexiga nos anos 1980 e sessões de hemodiálise, realizadas entre 2005 e 2014.

“A partir das amostras coletadas pretendemos estabelecer diferentes linhagens celulares para estudos funcionais, principalmente dos centenários curados e dos indivíduos assintomáticos. A ideia é verificar como essas células se comportam na presença do vírus e tentar entender por que são resistentes. Essa será uma resposta muito importante para entendermos a doença”, disse a pesquisadora.

Sequenciamento em tempo recorde

Além de Zatz, participaram do evento Ester Sabino, professora da Faculdade de Medicina e pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical, ambos da USP, e Rodrigo Calado, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e pesquisador do CEPID-FAPESP Centro de Terapia Celular (CTC).

Sabino mostrou como seu grupo realizou o sequenciamento em 48 horas do novo coronavírus, assim que o primeiro caso foi detectado em São Paulo, em fevereiro (leia mais em: agencia.fapesp.br/32637/).

“É importante ressaltar o caminho que fazemos para chegar em uma pesquisa e como esse sequenciamento do coronavírus pôde ser feito num curto espaço de tempo. Pesquisa é algo que demora. Eu diria que essa começa em 2012, quando tentávamos entender qual o risco de transmissão de dengue pelo sangue”, disse Sabino durante a apresentação.

A experiência estudando o vírus da dengue levou a equipe a trabalhar com um grupo da Universidade de Oxford (no Reino Unido) para estudar o vírus da zika. Hoje, ao lado de Nuno Faria, da universidade britânica, Sabino coordena o Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE). O projeto, apoiado por FAPESP, Medical Research Council e Fundo Newton (os dois últimos do Reino Unido), tem como objetivo estudar em tempo real epidemias de arboviroses, como dengue e zika. A infraestrutura existente foi essencial para o rápido sequenciamento do SARS-CoV-2.

A parte britânica da equipe começou a desenvolver tecnologia para sequenciar o novo coronavírus assim que começaram os casos na Europa. Por isso, o laboratório de Sabino já tinha tudo pronto para fazer o sequenciamento quando houve o primeiro caso no Brasil.

“É importante estarmos organizados para controlar uma epidemia. Isso passa por ter equipes multidisciplinares, com o apoio de grupos de pesquisa bem estruturados”, encerrou a pesquisadora.

Reprogramação de células

Calado relatou como a equipe do CTC realizou pela primeira vez na América Latina a terapia de células CAR-T. O tratamento é feito com células reprogramadas do próprio paciente (leia mais em agencia.fapesp.br/31656/).

“O segredo da terapia com células CAR-T vem de uma junção das formas como funcionam os nossos linfócitos. Temos dois tipos, os linfócitos T e os linfócitos B. Estes últimos produzem os anticorpos que reconhecem uma série de moléculas no nosso corpo e matam diretamente o alvo. Por outro lado, os linfócitos T reconhecem células com antígenos, ou moléculas específicas, e eles matam as células que possuem esses antígenos”, explicou o pesquisador.

Os pesquisadores coletam o sangue de um indivíduo que tem câncer, separam os linfócitos T e os modificam geneticamente para que eles apresentem uma molécula que tem uma parte do anticorpo na superfície e uma que reconhece uma proteína específica da célula do câncer, a NHC.

“Esses linfócitos são multiplicados numa quantidade muito elevada e então são injetados de volta no paciente. No primeiro caso, 30 dias depois de iniciado o tratamento, o paciente teve uma remissão quase total do câncer”, disse.

Calado ressaltou que um passo importante foi o estabelecimento da tecnologia no Brasil, a um custo equivalente a 10% do que é oferecido pela indústria farmacêutica no exterior. Além disso, a plataforma estabelecida no CTC proporciona desenvolver tratamentos para outros tipos de tumor mais prevalentes no Brasil.

Para assistir ao seminário na íntegra, basta acessar aqui

Fonte: André Julião | Agência FAPESP

Dia do Biólogo: Conheça a história de profissionais do Instituto Butantan que compartilham a paixão pela biologia

A bióloga Fernanda Faria, do Instituto Butantan

Hoje, 3 de setembro, é comemorado o Dia do Biólogo, em referência aos profissionais que se dedicam a estudar e trabalhar com a vida e os organismos vivos, sejam plantas ou animais, vírus ou células. No Instituto Butantan, os biólogos são especialistas que atuam não somente nos cuidados com os animais peçonhentos e venenosos, como também em laboratórios de pesquisa e até nas fábricas de soros e vacinas.

Para esta edição do Butantan Notícias pedimos que duas biólogas compartilhassem suas experiências de acordo com os locais em que atuam: na produção de vacinas e em bancada de pesquisa.

Além de mostrar essas formas de atuação em biologia no IB, também contamos a história de um colaborador cuja família tem o amor pela biologia em comum.

Fernanda Faria, bióloga no Laboratório de Biologia Molecular

A partir das glândulas salivares de sanguessugas e carrapatos, Fernanda Faria estuda moléculas que trabalham na coagulação sanguínea, em agregação plaquetária e inflamação, com o objetivo de encontrar novas moléculas para medicamentos que tratem diversas doenças.

“Eu sempre tive uma paixão pela área de biológicas, por isso decidi fazer biologia. No segundo ano da faculdade, eu estava de férias e buscando algo para fazer, então vim bater na porta do Laboratório de Fisiopatologia e comecei um estágio com a Ana Marisa Chudzinsk. Fiz minha Iniciação Científica com ela, depois fiz o mestrado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e o doutorado também. Em 2003, eu prestei um concurso para pesquisador e em 2004, após defender meu doutorado, assumi como pesquisadora no Laboratório de Bioquímica, que mais pra frente se transformou no de Biologia Molecular. Sabendo que sou bióloga, todo mundo olha para mim e pergunta sobre plantas. Apesar de admirar a natureza, a atividade em campo nunca me atraiu muito, eu sempre gostei de ficar na bancada mesmo, desde a faculdade. Quando vim para o Butantan, a proposta do trabalho contava com um pouco de exercício de campo. Era uma pesquisa com sanguessugas, então eu ia a campo para buscá-las em uma fazenda de criação de búfalos, no Rio Grande do Sul, que tinha diversos açudes. Então, tínhamos que entrar nos açudes junto com os búfalos, esperar elas grudarem na gente e assim coletar. Mas isso não era muito agradável. Hoje em dia, já não preciso do animal, nem de coletar ele em campo, pois já montamos um banco de sequências que me permite construir proteínas recombinantes por meio de clonagem. Ser bióloga para mim é estudar a vida, temos diversas áreas de atuação e, na minha, eu busco novidades para melhorar a vida humana e até animal, através das moléculas que estudamos. Nessa profissão eu sou feliz e me realizo. Eu sempre morei na região do Butantã, então visitava bastante o IB e desde pequena falava que viria trabalhar aqui um dia. Então eu realizei um sonho.

Eu tenho orgulho de todos os meus trabalhos e do fato de termos esse banco de moléculas de duas espécies de sanguessugas, de uma espécie de carrapato e de uma lagarta também. Então, o trabalho que foi empenhado no desenvolvimento desse bancos é algo que me orgulha bastante.

Para quem está na biologia eu digo que não pode ter medo de arriscar, de buscar algo novo, tem que ir atrás dos sonhos. Dizem que é uma área não muito bem paga, mas eu acho que em tudo o que fazemos por amor conquistamos grandes feitos, eu acho que vale a pena. Tenho uma sobrinha que fez biologia e hoje está na Bélgica fazendo mestrado, na área de biologia marinha, então estimulo que as pessoas façam e busquem o que querem.”

Rosana Paoli bióloga na producão da vacina contra dengue

Há 30 anos, Rosana trabalha no Instituto Butantan, com vírus e vacinas a partir da cultura de células. Sua carreira é formada pela participação em projetos importantes como da vacina contra a raiva, rota vírus, influenza e zika vírus.

“Na escola, eu sempre gostei da área da saúde, gostava mais de estudar ciência, era uma matéria que sempre me chamou mais a atenção. No colégio eu também tive aula em laboratório, então tive contato antes com esse universo, e me identifiquei muito durante essas aulas. Na época do vestibular cheguei a cogitar medicina, mas escolhi biologia. Nas aulas, as matérias de microbiologia, genética e fisiologia humana sempre me chamavam mais a atenção. Na faculdade, eu tive aula com o Professor Canter, que nos avisou de vagas de estágios abertas no Butantan. Eu estou no Butantan desde 1989 trabalhando com vírus e vacinas. Em março deste ano fiz 30 anos de casa. Entrei, como estagiária, para trabalhar no laboratório que na época trabalhava com vírus neurotrópicos, e que depois virou e seção da vacina contra a raiva. Neste setor tinha a parte de cultura de células e fui direto trabalhar com isso. Passei por todos os setores dentro da produção da vacina mas me identifiquei mesmo com a cultura celular. Ajudei no desenvolvimento da vacina da raiva em cultura de células Vero, que são de rins de macacos, com a Neuza Frazatti. Trabalhei com ela por 20 anos. Em 2006, veio o projeto rotavírus e trabalhei no desenvolvimento de produção desta vacina em cultura celular. Em 2009, ajudei no startup da vacina influenza, mas desta vez saí da área de cultura celular para trabalhar com o ovos de galinha. Em 2015, quando iniciou o projeto zika vírus fui chamada para participar do desenvolvimento da vacina em cultura de célula. Em 2017, fui chamada para vir para a produção da vacina contra a dengue, dessa vez também com cultura celular. Nunca fui muito amiga de trabalhar com os animais diretamente. A cultura de células foi, para mim, uma novidade, nunca tinha visto antes. Aquilo me despertou algo e eu percebi me dei bem. Cultivar células não é para todos, a gente costuma dizer que tem que “ter mão” para fazer isso, elas não se multiplicam com qualquer pessoa. Você chega até a conversar com elas. Eu me sinto muito realizada porque, hoje, embora eu tenha pensado em fazer medicina, vejo que trabalho para salvar vidas, pois fazer vacinas significa isso, então eu sou realizada profissionalmente. O IB é uma escola, é muito bom trabalhar aqui, pois além de desenvolvimento, eu estou na produção das vacinas também. O que me encanta na profissão é o desafio, o novo, a expectativa com os projetos, se perguntar se vai dar certo. É o desafio do desconhecido. Com o projeto da vacina contra a raiva em cultura celular, nós ganhamos um prêmio, então é gratificante ver que seu trabalho está sendo reconhecido. Todo dia é um desafio novo, a cada produção de lote de vacina liberado é uma vitória. Ser um biólogo é aprender todo dia, seja dentro do laboratório, seja dando aula ou na produção de algum produto, é sempre um aprendizado e é preciso estar sempre atualizado, pois sempre haverá um novo equipamento e novas tecnologias. A biologia é uma profissão que tem muitos campos de atuação, então ao fazer a faculdade, você pode se encontrar em várias áreas. Para mim, biologia é observar todo dia, descobrir coisas novas. É sobre a vida.”

Família Dias Ho

O gosto e a paixão pela biologia também são encontradas em algumas famílias quando tios, pais ou filhos compartilham essa escolha seja de forma espontânea ou com alguma influência. No caso da família Dias Ho, o acaso e a influência trabalharam juntos, pois, foi durante a faculdade de Ciências Biológicas, que Paulo Lee Ho, pesquisador do Serviço de Bacteriologia do IB, conheceu a esposa June Ferraz Dias, docente do Instituto Oceanográfico da USP. Juntos eles tiveram as gêmeas Joana Dias Ho e Paula Dias Ho, hoje com 24 anos e formadas também em biologia (não por acaso na mesma faculdade que os pais frequentaram). Joana também faz parte hoje da grande equipe de biólogos do Butantan. Ela faz mestrado no Laboratório de Bacteriologia.

“Indiretamente acho que recebemos a influência dos nossos pais. Nós admiramos muito eles e a biologia sempre esteve muito presente em nossas vidas. Minha mãe que é bióloga marinha, quando nos levava para a praia, sempre mostrava os peixes, falava dos camarões e mariscos, e meu pai também. A gente sempre via ele aqui no Butantan, ouvíamos ele falar das pesquisas. Até no jantar eles ficavam discutindo coisas da área”, contou Joana. Ao ouvir Paulo dizer sobre sua escolha por biologia, feita há 35 anos, não é difícil entender o porquê da filhas também optarem pela área. “O que me encanta na biologia são as possibilidades, as belezas, são as surpresas, porque entender uma pecinha da vida é muito gratificante. A gente também tem um viés social muito forte, por isso estamos no Butantan, para poder retornar à sociedade o que a sociedade nos deu. Então, trabalhamos para isso, para dar esse retorno em forma de um produto que vai chegar à população ou na forma de um conhecimento fundamental, que vai ajudar a sociedade a construir melhor as suas possibilidades”, finaliza Paulo.

Fonte: Caroline Roque, do Instituto Butantan

Governo de SP prepara desmonte de áreas protegidas antes mesmo da votação na Alesp

Minuta de decreto elaborada pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente propõe a transferência automática de todas as áreas administradas pelo IF para a Fundação Florestal e foi apresentada ao Conselho Estadual de Meio Ambiente no dia 26/8. O IF não constava da versão original do projeto de Doria, que inicialmente previa extinguir a Fundação Florestal: “Houve uma troca de instituições horas antes de o PL ser publicado”, dizem os funcionários do IF, que é autossustentável e arrecada R$ 18 milhões por ano.

O Instituto Florestal (IF), um dos dez órgãos públicos que o governador João Doria (PSDB) pretende privatizar, responde por nada menos do que 47 áreas protegidas, somando mais de 51.500 hectares de Mata Atlântica e Cerrado, no interior do Estado de São Paulo, em que restam cerca de 8% destes biomas e plantios experimentais. Estas áreas são utilizadas pela população dos municípios do interior paulista como espaços de lazer e recreação em contato com a natureza, e várias delas proporcionam o abastecimento público de água para a população. Provêm serviços e benefícios à população dos municípios das regiões administrativas de Bauru, Barretos, Campinas, Franca, Marília, Ribeirão Preto, São José dos Campos, São José do Rio Preto, São Paulo e Sorocaba, mostrando ampla inserção no interior paulista.

“Essas áreas possuem relevante valor para a conservação, pois contribuem de forma significativa na conservação da água, na manutenção do clima, na conservação da biodiversidade e na manutenção dos demais serviços ecossistêmicos, além de serem de suma importância para o desenvolvimento das pesquisas desenvolvidas pelo corpo técnico da casa, de outras instituições de pesquisa e pelas universidades, não só de São Paulo, mas de todo Brasil e mesmo de outros países”, dizem os funcionários do IF em declarações prestadas ao Informativo Adusp.

“Diante da mobilização da sociedade contra a extinção do IF, o governo agora caminha para, independentemente da aprovação do PL 529/2020, transferir todas as áreas para a Fundação Florestal por decreto, mais uma vez sem ouvir os funcionários que trabalham nessas áreas e no Instituto Florestal, a comunidade científica e a comunidade envolvida com essas áreas”, denunciam os servidores. “Nesse sentido, foi elaborada nesta semana pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA) uma minuta de decreto que propõe a transferência automática de todas as áreas administradas pelo IF também para a Fundação Florestal, a qual foi apresentada na reunião do Conselho Estadual de Meio Ambiente em reunião realizada no dia de hoje [26/8]”.

A Fundação Florestal não tem experiência na administração de áreas de produção florestal (76% das mantidas hoje pelo IF), nem no desenvolvimento das pesquisas, dizem os funcionários do IF. “Para que consiga fazer gestão dessas áreas será necessária no mínimo a contratação de 47 funcionários e um gerente para acompanhamento das atividades dessas áreas”.

Para contratar no mínimo um gestor para cada área, com base nos valores de salários e benefícios atualmente pagos pela Fundação Florestal, além dos encargos trabalhistas, ela teria que desembolsar cerca de R$ 420 mil por mês, ou R$ 5 milhões por ano, apenas com os novos gestores contratados, “e esse valor é quase o dobro do valor de custeio do Instituto Florestal”.
Não há estudo, diagnóstico e nem “motivos reais para a extinção”

De acordo com os funcionários, “a extinção do IF e transferência das suas áreas desrespeita o artigo 272 da Constituição Estadual, que determina que o patrimônio dos institutos de pesquisa não pode ser transferido sem audiência da comunidade científica e aprovação prévia do Poder Legislativo”. As medidas propostas pelo governo estadual não contam com “nenhum estudo nem diagnóstico sobre o Instituto Florestal”.

Não há motivos reais para a extinção, prosseguem. “Muito pelo contrário, o Instituto Florestal presta relevantes serviços à sociedade e esses serviços ficarão assim ameaçados diante do desmonte proposto”. O abaixo-assinado contra a extinção do IF já conta com 18.150 assinaturas. Várias emendas de deputados pedem a supressão do artigo 66, que trata da extinção do IF e da transferência das áreas protegidas que administra.

Segundo o relato dos funcionários ao Informativo Adusp, o IF não constava do PL 529/2020, mas sim a Fundação Florestal, órgão público da administração indireta. “No momento da divulgação do PL 529/2020 houve o anúncio que a Fundação Florestal estaria no rol de instituições a serem extintas”, em tese por possuir “mais de 100 cargos de confiança em sua estrutura de gestão”. Porém, de última hora a Fundação Florestal foi retirada da minuta do PL — e quando da publicação do projeto no Diário Oficial o Instituto Florestal passou a constar das Disposições Transitórias (artigo 66), “indicando que houve uma troca de instituições horas antes de o PL ser publicado”.

O Instituto Florestal não possui cargos de confiança (livre provimento). É uma instituição autossustentável que arrecada cerca de R$ 18 milhões anuais, mais do que recebe do governo do estado — cerca de R$ 3 milhões anuais. Conforme parecer da própria SIMA, exarado em dezembro de 2019, uma eventual extinção do IF não traria economia de recursos ao Tesouro Estadual.

Atualmente o IF tem em seus quadros 551 funcionários públicos concursados e estatutários. Pesquisadores científicos, especialistas ambientais, engenheiros, funcionários das carreiras de Apoio à Pesquisa e auxiliares de Serviço Geral são as principais carreiras. Como não possui cargos de confiança, “a extinção para fins orçamentários é descabida pois não implicaria nenhuma economia aos cofres públicos”.
Áreas protegidas são bancos de germoplasma de espécies nativas e exóticas

Na avaliação dos funcionários, a eventual extinção do IF poderá levar a prejuízos às pesquisas, ao manejo sustentável, à proteção ambiental e aos trabalhos de educação ambiental e uso público em desenvolvimento nas áreas protegidas atualmente administradas pelo órgão. “Poderá ocasionar o sucateamento e até futura privatização das áreas como as florestas e estações experimentais. Essas áreas não são meramente plantios, são bancos de germoplasma, para conservação ex situ tanto de espécies nativas quanto exóticas. A falta dessa orientação na gestão dessas áreas, ou seja, do manejo florestal embasado pela pesquisa poderá resultar em perdas incomensuráveis de diversidade genética das espécies envolvidas”, explicam.

Também poderá haver sobrexploração das áreas com cortes de madeira em quantidade não dimensionada pela pesquisa, atendendo a necessidades de recursos financeiros do novo órgão gestor.

Outra questão é que essas áreas estão sob a proteção do artigo 272 da Constituição Estadual, por estarem sob a administração do IF, e ficarão mais vulneráveis sem essa proteção.

“Nas 47 áreas que administra há várias década, o IF conta com equipes de funcionários públicos de carreira que desempenham suas atividades e por isso detém expertise na gestão, produção e no desenvolvimento de pesquisas florestais com foco na proteção, melhoramento genético, conservação de sementes nativas e no desenvolvimento e manutenção dos bancos de germoplasma, entre outras. Uma área protegida jamais será bem administrada apenas com a presença de um gestor, diversos outros funcionários são fundamentais: engenheiros, técnicos de campo, tratoristas, guarda-parques, educadores ambientais etc”.

Fonte: Adusp

Ambientalistas se mobilizam contra a extinção do Instituto Florestal de SP

Os ambientalistas estão se mobilizando para impedir a extinção do Instituto Florestal de São Paulo (IF), com mais de 100 anos de existência, pretendida pelo governo do Estado.

O Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam) encaminhou nesta semana ofício ao secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido, que comanda o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), contra a medida, que teria como justificativa a contenção de gastos. Um abaixo assinado contra a extinção do IF já conta com mais de 20 mil assinaturas.

Conforme o ofício, enviado no último dia 26, em função da reunião ordinária do Consema, que analisou a questão, o Instituto Florestal, que administra as áreas que se pretende transferir para a Fundação Florestal (FF), é uma das instituições ambientais mais antigas do Brasil. “Atuante desde 1896, teve papel marcante na conservação, na pesquisa, na produção e no desenvolvimento florestal do Estado, influenciando ações e políticas de âmbito nacional e os próprios polos madeireiros do Brasil”, diz o ofício.

A reforma do Sistema Estadual de Florestas (Seiflor), apresentada na reunião do Consema, “não tem qualquer fundamentação do ponto de vista econômico, porque as Unidades de Conservação, administradas pelo Instituto Florestal, são autossustentáveis e trabalham com pesquisa de produção de madeira, o que permite a elas um ganho muito superior ao que é pago para os funcionários”, afirma Carlos Bocuhy, presidente do Proam.
Uma das razões para a extinção do instituto, conforme argumentam os ambientalistas, seria a posição rigorosa de profissionais do setor em relação ao cumprimento de critérios de proteção ambiental para a área florestal, constantemente ameaçada pela especulação imobiliária com a qual muitas vezes se alinham setores governamentais.

Atualmente, o IF é responsável pela gestão de 10 Estações Ecológicas, um Parque Estadual, 17 Estações Experimentais, dois Viveiros Florestais, um Horto Florestal e 15 Florestas Estaduais, totalizando área de mais de 51.500 de hectares, além de ser responsável pela secretaria executiva da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo.

“O IF é o melhor gestor para essas áreas devido a possuir recursos humanos, materiais e financeiros já destinados e um plano de uso sustentável para as mesmas, decorrente de suas pesquisas e ações de manejo”, diz o ofício. Além disso, o instituto é amplamente reconhecido no meio acadêmico e na sociedade.

Fonte: Revista Sou Ecológico

APqC consulta pesquisadores sobre emendas para tentar impedir a extinção de institutos

No mês de agosto, os pesquisadores científicos do estado de São Paulo foram surpreendidos pela notícia de que os instituto paulistas de pesquisa estavam na mira do Projeto de Lei (PL) 529/2020, de autoria do governo estadual, que atualmente tramita em regime de urgência na Assembleia Legislativa (Alesp). Caso seja aprovado e se torne lei, a proposta irá extinguir o Instituto Florestal e fundir os institutos Geológico e de Botânica, alterando completamente a função original destas instituições e comprometendo a continuidade das pesquisas em curso.

Diante desta ameaça, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) consultou, ao longo deste mês, pesquisadores da Secretaria do Meio Ambiente (Institutos Florestal, Geológico e de Botânica) , da Secretaria de Saúde (SUCEN) e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Instituto de Pesca) com o objetivo de ouvir os que estão diretamente envolvidos no processo de extinção e fusão dos institutos supracitados e pensar em ações para impedir a aprovação do PL ou reduzir os danos que serão causados por seu conteúdo.

Deste trabalho desenvolvido foram preparados, para envio à Alesp, cerca de 60 emendas, a maioria endossada pela APqC. Dentre elas destacam-se as emendas que visam barrar a extinção do Instituto Florestal e, consequentemente, dos institutos Geológico e de Botânica; impedir que o SUCEN seja descontinuado; e assegurar o espaço mantido pelo Instituto de Pesca no Parque da Água Branca, em caso de concessão da área do parque, que está prevista no PL. A Associação informa que irá acompanhar de perto a tramitação das emendas apresentadas e seus resultados.

Museu Florestal realiza conservação do acervo e educação ambiental online durante isolamento social

Pesquisador do Instituto Florestal trabalhando na conservação do acervo

Durante o período de isolamento social por conta da pandemia de Covid-19, o Museu Florestal “Octávio Vecchi” teve de fechar suas portas aos visitantes temporariamente. No entanto, sua equipe seguiu trabalhando tanto na conservação do acervo quanto na promoção de atividades de comunicação e educação ambiental junto a seus públicos, não deixando passar em branco datas comemorativas importantes como a 18ª Semana de Museus, promovida em maio pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), e a Semana do Meio Ambiente, em junho.

Conservação dos acervos

Entre junho e julho foi realizada manutenção do telhado do Museu e limpeza do forro. No mês julho, iniciou-se também o trabalho de elaboração de inventário das obras e documentos do Museu e da elaboração de uma política de acervo. A empresa que está executando o serviço foi contratada com recurso de Compensação Ambiental. Seis profissionais das áreas de biblioteconomia, arquivologia e museologia estão trabalhando neste projeto.

Além disso, diariamente, desde o início da fase de isolamento social, a equipe do Museu Florestal atua em rotinas de conservação do acervo, como operação dos desumidificadores e ventilação da salas.
Videoconferências

O Museu Florestal promoveu duas videoconferências ao longo do período. A primeira foi uma roda de conversa, que já estava prevista para ocorrer presencialmente no espaço do Museu Florestal no período pré-pandemia como parte da programação da Semana de Museus, mas que foi adaptada à nova situação. O evento aconteceu no dia 18 de maio e teve como tema “Arte, Meio Ambiente e História” e o papel do Museu na confluência destas diferentes áreas. Os convidados para conduzir o bate-papo foram o professor Janes Jorge, do Departamento de História da Unifesp-Guarulhos, a professora Letícia Squeff, do Departamento de História da Arte da Unifesp-Guarulhos, e o doutorando do Nepam/Unicamp Felipe Zanusso. (veja como foi)

Janes Jorge e Felipe Zanusso retornaram no dia 4 de junho para palestra no Café Virtual do IF, que em comemoração à Semana do Meio Ambiente teve como tema “A origem da Festa das Árvores”. Os convidados contaram a história desta celebração no Brasil, que ocorreu pela primeira vez em 1902, no município de Araras/SP. (veja como foi)

No dia 5 de junho, foi realizado o lançamento do livro “O passado magnífico da ilustração e da pesquisa científica no Serviço Florestal do estado de São Paulo – 1942 – 1960”. A publicação resgata a história das ilustradoras botânicas do Serviço Florestal Maria Elizabeth Veiss e Betty Hettfleisch. A equipe do Museu Florestal, além de ter dado apoio à realização da videoconferência, publicou no site do Instituto Florestal uma exposição virtual com os desenhos e aquarelas das ilustradoras. A exposição também foi divulgada nas redes sociais da instituição.

Redes Sociais

As redes sociais do Museu Florestal foram os canais mais ativos em relação nas atividades de educação ambiental. Uma das iniciativas promovida nas páginas de Facebook e Instagram foi a de contações de histórias com temáticas ambientais. A ideia era proporcionar aos pais e mães uma opção de entretenimento com conteúdo para passarem o isolamento social com suas crianças. As contações ou leituras são publicadas todas as quartas-feiras às 9h e até o momento já foram postados 12 vídeos, com a participação de funcionários do Museu mas também de muitos amigos voluntários.

No dia 22 de maio aconteceu a oficina virtual “Borboletas: Diversidade e Inspiração”. Como parte da comemoração da Semana de Museus e Dia Internacional da Biodiversidade, inspirada nas borboletas, a arte-educadora Antonia Oliveira Rodrigues realizou uma demonstração da técnica em pintura em cerâmica. No vídeo, também temos uma apresentação da pesquisadora científica do IF Andréa Soares Pires sobre a importância e a diversidade das espécies encontradas no Parque Estadual Morro do Diabo, localizado em Teodoro Sampaio/SP. A programação inicial previa a realização de oficina presencial no Museu Florestal “Octávio Vecchi”, aberta a todos interessados e já tínhamos dentre os inscritos, estudantes da Escola Estadual Guilherme de Almeida. A oficina seria antecedida de um bate-papo com os participantes sobre a importância ecológica das borboletas, com a participação do pesquisador científico do IF Osny Tadeu Aguiar. Apresentamos um texto preparado por ele ao final desta matéria.

A tradicional Caminhada Histórica, realizada desde 2018 no Parque Estadual Alberto Löfgren, desta vez não pode contar com os visitantes. Mas como a data já estava marcada no calendário (6 de junho) e a equipe do Museu não queria deixar seu público assíduo só na vontade, foi realizada uma transmissão ao vivo pelo Facebook que durou 4 horas, e todos puderam acompanhar do conforto do seu lar. (veja como foi)

Em junho o Museu Florestal também lançou, em parceria com o MICA, um concurso internacional chamando crianças e jovens para demonstrar seu amor à natureza por meio de fotografias. As inscrições podem ser feitas até 15 de setembro. (confira aqui o regulamento)

Outra ação promovida nas redes sociais do Museu Florestal durante a Semana do Meio Ambiente foi o quadro “Pergunte ao cientista”. Nele, os internautas enviam suas dúvidas a respeito das diversas questões em relação à floresta, ao meio ambiente e à conservação da natureza. E a resposta é dada por algum especialista do Instituto Florestal. A iniciativa é uma forma de aproximar a pesquisa científica do dia-a-dia da pessoas.

Foto e Fonte: Acervo Museu Florestal

Carta aberta da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo sobre o PL 529/2020

Dezenove institutos públicos de pesquisa científica e tecnológica do estado de São Paulo estão em risco de extinção abrupta ou lenta, com o envio, pelo Governo do Estado de São Paulo, do projeto de lei 529/2020 à sua Assembleia Legislativa. O mesmo dispositivo que retira recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e das Universidades Estaduais Paulistas retira dos Institutos de Pesquisa das áreas de Agricultura, Saúde e Meio Ambiente recursos de seus Fundos Especiais de Despesas, muitos deles já desfalcados pelo recolhimento compulsório de seus recursos através do Decreto Nº 65.051, de 7 de julho de 2020. Entende-se a necessidade de medidas drásticas visando a recuperação econômica do Estado de São Paulo frente à calamitosa e incontrolada pandemia que abrange todo o país. Não se entende, todavia, o desprezo por instituições de Estado que primam: 1) por seu desenvolvimento econômico, como os institutos de pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento; 2) por seu papel social, os da Secretaria de Saúde; ou 3) pela conservação ou conhecimento de seu ambiente, como os da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente e da Secretaria de Economia e Planejamento. Suas atividades, seja pelas suas especificidades seja pelo médio e longo prazos de implantação, não são cobertas pela atividade das universidades estaduais paulistas, sem ─ frise-se ─ críticas à sua atuação. Alerta-se que a aprovação do Projeto de Lei 529/2020 sem o veto à extinção da Superintendência de Controle de Endemias, à extinção do Instituto Florestal e à criação do Instituto do Meio Ambiente (?), com a consequente extinção dos Institutos Geológico e de Botânica, implicará em mais que centenário retrocesso não só à política de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo mas também à recuperação econômica e à diminuição da desigualdade social no estado de São Paulo.

Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo- APqC (Gestão 2020-2021)

Mapeamento do Instituto Geológico aponta mais de 2 mil áreas de risco na Região Metropolitana de SP

apqc1Como a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) tem alertado reiteradamente, o projeto de lei 529/2020, que está tramitando em regime de urgência na Alesp, ameaça a existência ou a continuidade do trabalho realizado por vários institutos de pesquisa. Entre eles está o Instituto Geológico, que o governo estadual pretende fundir ao Instituto de Botânica e ao Instituto Florestal, criando uma nova unidade administrativa – o que comprometerá a função original de cada instituição.

O Instituto Geológico, para quem não conhece o trabalho de pesquisa por ele desenvolvido, acaba de concluir a primeira fase do mapeamento das áreas de risco da Região Metropolitana da Grande São Paulo. Em 11 cidades foram detectadas mais de 2.800 áreas de risco propensas a deslizamentos de terra, desmoronamentos e enchentes. Entre setembro e novembro, servidores do Instituto Geológico vão transmitir orientações e dar treinamento aos municípios para que sejam elaborados protocolos de segurança. O objetivo final é proteger a população de tragédias como as citadas acima.

Com isso a APqC chama a atenção da sociedade para o risco de se comprometer o trabalho deste e de outros Institutos de Pesquisa. Clique aqui para ver matéria veiculada na Rede Globo sobre o mapeamento feito pelos pesquisadores do Geológico.

Carta aberta da APqC contra a extinção da Sucen e demais autarquias da área da saúde

apqc1A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) manifesta sua preocupação em relação ao teor do projeto de lei nº 529/2020, encaminhado à Alesp pelo governo estadual no último dia 12 de agosto, e que tramita em caráter de urgência. Entre outras medidas, abordadas pela APqC em carta aberta divulgada ontem (18), o PL extingue autarquias e instituições que prestam relevantes serviços à população paulista na área da saúde. São elas: a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), a Fundação para o Remédio Popular (Furp) e a Fundação Oncocentro de São Paulo (Fosp).

Com a justificativa de que se faz necessário um ajuste fiscal rigoroso, o governo estadual coloca em risco a saúde pública, uma vez que a extinção destes órgãos em meio à mais grave pandemia registrada no país desde a gripe espanhola poderá agravar ainda mais a situação.

A Sucen, por exemplo, é responsável pelo controle de doenças como a dengue, zika e chikungunya em cidades que não possuem equipes para desempenhar esta tarefa e também ajuda na formação de profissionais e no fornecimento de insumos para o controle dos mosquitos Aedes aegypti em todo o estado de São Paulo. Cabe lembrar que a dengue é uma doença que pode levar a óbito.

A Sucen vem sendo sucateada desde o ano passado, quando o governo estadual promoveu a alteração significativa do organograma da Secretaria de Estado da Saúde, criando a Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) e deixando a Sucen de lado. Há um ano, em agosto de 2019, a gestão anterior da APqC se reuniu com o superintendente temporário da Sucen, Marcos Boulos, para manifestar sua preocupação. Hoje, a atual diretoria da Associação dos Pesquisadores reitera a preocupação com o fim anunciado da autarquia.

Os trabalhos e estudos realizados pela Sucen no controle da dengue e de animais que transmitem doenças como malária, leishmaniose, esquistossomose, febre maculosa e doença de Chagas, entre outras, trazem resultados indiscutíveis na melhoria das condições de vida e no crescimento social e econômico do Estado de São Paulo e do País.

Por isso, a APqC se coloca contra a extinção desta e das demais autarquias da área da saúde e e tentará, por meio de emendas parlamentares, reverter a situação ou reduzir os danos causados pelo PL à saúde da população e ao trabalho dos servidores da Sucen.

Carta aberta da APqC contra a extinção do Instituto Florestal proposta pelo Governo de SP

apqc1A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) vem manifestar sua preocupação com o projeto de lei nº 529/2020, que está tramitando em regime de urgência na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Entre outras medidas, o PL determina a extinção do Instituto Florestal, que será “absorvido” pelo Instituto Geológico e de Instituto de Botânica, gerando uma nova unidade administrativa. A justificativa do governo estadual é que um “ajuste fiscal” se fez necessário diante do “déficit na arredação causado pela pandemia.”

Diante desse quadro, a APqC alerta para o fato de que o texto do PL, em nenhum momento, deixa claro qual será o destino dos funcionários do Instituto Florestal, todos eles concursados estatutários. Não é dito se eles continuarão trabalhando em seu local de origem ou serão reaproveitados na nova unidade. Tampouco diz se as atividades e pesquisas em curso serão descontinuadas.

Segundo apontamento feito pela Associação dos Especialistas Ambientais do Estado de São Paulo (AEAESP), o valor economizado pelo governo estadual com a extinção do Instituto Florestal seria irrisório, uma vez que seu custo anual gira em torno de R$ 3 milhões – o que corresponde a 0,01% do déficit que se pretende resolver. Além disso, por meio do Programa de Produção Sustentada, a instituição tem acesso a uma fonte própria de recursos.

Dessa forma, a APqC entende que a extinção do Instituto Florestal não se justifica. A descontinuidade do trabalho atualmente desenvolvido por seus pesquisadores e técnicos causará um prejuízo incomensurável às áreas de proteção ambiental no estado de São Paulo, que estão sob a gestão da Fundação Florestal, vinculada a este instituto.

O Instituto Florestal é uma instituição com mais de cem anos de tradição em pesquisa e trabalho de conservação do meio ambiente, sendo uma referência nacional em matéria de ações e políticas públicas nesta área. Graças ao instituto, São Paulo é considerado o estado que mais preserva o bioma Mata Atlântica no País. As pesquisas desenvolvidas passam também pelo melhoramento genético de sementes que auxiliam produtores rurais de todo o Brasil, só para citar um exemplo.

Por fim, a APqC chama a atenção para o fato de que a fusão do Instituto Florestal com os institutos Geológico e de Botânica representará, de certa forma, uma descaracterização profunda das funções originais dessas importantes instituições de pesquisa paulistas, podendo levá-las, na prática, à extinção. Em nenhum momento tal medida foi discutida com a sociedade e com as partes diretamente interessadas no assunto.

A APqC informa a todos os pesquisadores paulistas e a quem interessar possa que irá propor emendas parlamentares para tentar reverter essa situação ou reduzir os danos que o PL nº 529/2020 promete causar aos nossos Institutos de Pesquisa e, por tabela, ao meio ambiente no estado de São Paulo.

Dr. João Paulo Feijão Teixeira

Presidente da APqC (Gestão 2020-2021)

Pesquisadores divulgam manifesto contra a extinção do Instituto Florestal em SP

apqc1Foi divulgado ontem (16) um manifesto assinado por pesquisadores e servidores do Instituto Florestal (IF) que clama ao Governo do Estado de São Paulo para que volte atrás em sua decisão de extinguir a instituição. A carta faz ainda um alerta à população.

O argumento do governador é que a extinção de algumas fundações e autarquias é uma necessidade imposta pelo déficit na arrecadação do estado causado pela pandemia. No entanto, conforme diz o manifesto, o custo anual do IF é de R$ 3,2 milhões, que corresponde apenas a 0,031% do déficit que o governo quer equacionar. De outro lado, o Instituto Florestal tem previsão de gerar R$ 18,5 milhões em 2021, além de contar com recurso próprio proveniente do Programa de Produção Sustentada.

Leia a seguir a íntegra do Manifesto.

“MANIFESTO CONTRA A EXTINÇÃO DO INSTITUTO FLORESTAL
Em defesa da conservação da biodiversidade, bem estar da população e pelo desenvolvimento sustentável do setor florestal no Estado de São Paulo

O Instituto Florestal (IF) é uma das instituições ambientais mais antigas do Brasil. Atuante desde 1896 teve papel marcante na conservação, pesquisa, produção, e desenvolvimento florestal do estado, influenciando ações e políticas de âmbito nacional.

Sediado no Parque Estadual Alberto Lofgren (Horto Florestal) desde a sua origem quando essa área foi desapropriada e adquirida para esta finalidade, o Instituto é o responsável direto pela criação e amplo desenvolvimento de uma rede de Unidades de Conservação (UCs) com quase um milhão de hectares, contribuindo para que São Paulo seja o estado que mais preserva Mata Atlântica no Brasil e detenha hoje um patrimônio natural de valor universal, de grande significado, tanto para o bem-estar da população quanto para a economia.

Atualmente, o IF conta com 64 pesquisadores científicos e suas pesquisas se concentram nas áreas de conservação da natureza, manejo e produção florestal. As pesquisas realizadas pelo IF geram conhecimento técnico-científico que tem sido fundamental para dar suporte às políticas públicas promovidas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, hoje Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente. Esse mesmo corpo técnico apresenta forte compromisso com a formação e capacitação de novos pesquisadores e profissionais nas áreas florestal e ambiental, seja por meio de seu programa de estágio junto ao Centro de Integração Empresa Escola – CIEE, seja por seu Programa de Bolsas de Iniciação Científica vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento – CNPq.

A equipe do Instituto Florestal tem sido fundamental nos processos de elaboração de Planos de Manejo das Unidades de Conservação paulistas e de criação de UCs, no desenvolvimento de métodos para restauração florestal, melhoramento e conservação genética e na realização de trabalhos de educação ambiental e uso público. Também é responsável pelo Inventário Florestal do Estado de São Paulo que mapeia sua cobertura vegetal, sendo de amplo uso para a sociedade paulista.
O Parque Estadual Alberto Lofgren é um patrimônio histórico centenário, tombado pelo CONDEPHAAT. Vinculado às suas atividades, estão inseridos laboratórios, viveiros, coleções como herbário, xiloteca, arboretos e o Museu Florestal Octavio Vecchi. O Instituto Florestal possui também em suas instalações setor administrativo para apoio a gestão das unidades do interior e da própria sede.

Hoje o IF responde por 10 Estações Ecológicas, 1 Parque Estadual, 18 Estações Experimentais, 2 Viveiros Florestais, 2 Hortos Florestais e 14 Florestas Estaduais, totalizando mais de 51.500 ha, conservando áreas de Mata Atlântica, Cerrado e plantios experimentais. Essas áreas possuem relevante valor para a conservação pois contribuem de forma significativa na conservação da água, na manutenção do clima, na conservação da biodiversidade, e na manutenção dos demais serviços ecossistêmicos, além de serem de suma importância para o desenvolvimento das pesquisas desenvolvidas pelo corpo técnico da casa, de outras instituições de pesquisa e pelas universidades, não só de São Paulo, mas de todo Brasil e mesmo de outros países.

Várias dessas áreas são abertas à visitação pública e representam importantes espaços de recreação, lazer e educação, cumprindo importantíssimo papel socioambiental para a comunidade. O IF é também responsável pela secretaria executiva da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo (Programa MaB-UNESCO), um programa que envolve jovens, sua inserção na sociedade e a proteção da natureza.

Em 2004 o Instituto Florestal implementou o Plano de Produção Sustentada ( PPS), com plantio médio anual de 1.000 ha de Pinus e Eucalyptus, oriundos de sementes geneticamente melhoradas, resultantes das suas próprias pesquisas, repondo as árvores que sofrem anualmente o corte seletivo. O PPS contribui financeiramente gerando recursos para a sustentabilidade econômica de todas as Unidades de Conservação do Estado de São Paulo, inclusive as 102 Áreas Protegidas que se encontram atualmente sob administração da Fundação Florestal.

Em seu Programa de Melhoramento Genético, o Instituto Florestal conduz pesquisas e conserva, ex-situ, 25 espécies nativas, além de várias espécies dos gêneros Eucalyptus e Pinus, resultando dentre elas na produtividade de madeira bem como na produção de goma resina de Pinus. Graças a esse programa o IF pode ofertar aos produtores rurais sementes melhoradas para a produção florestal através do banco ativo de germoplasma instalado nas Estações Experimentais e Florestas Estaduais do Instituto Florestal.

O Projeto de Lei 529/2020

A proposta de extinção do Instituto Florestal consta do Projeto de Lei no 529/2020 publicado no Diário Oficial em 13 de agosto de 2020, e apresenta como justificativa a necessidade de ações governamentais voltadas ao ajuste fiscal e ao equilíbrio das contas públicas em razão da crise econômica gerada pela pandemia.

Entretanto o Instituto Florestal é um órgão da administração direta não sendo uma entidade descentralizada. Seu quadro é composto por funcionários públicos concursados em regime estatutário, regidos pela Lei 10.261/1968, cujo Artigo 222 estabelece a aposentadoria compulsória aos 70 anos. Não há cargos de confiança ou livre provimento. O custo anual do IF é de R$ 3.260.859,00, que corresponde a 0,031% do déficit que o governo quer equacionar. De outro lado, o Instituto Florestal tem previsão de gerar R$ 18.551.653,00 em 2021. Cabe ressaltar que a Instituição gera recurso próprio, através do Programa de Produção Sustentada, não apenas para o próprio Instituto, mas para outros órgãos do estado.

A crise da pandemia mostrou a importância do conhecimento científico, de tratarmos com mais respeito a natureza e nossos iguais, entretanto o governo estadual está propondo a extinção de um Instituto de Pesquisa que atua de forma contundente na geração de informação e na prática do manejo florestal e conservação ambiental, desconsiderando inclusive a questão humanitária relativa ao seu quadro funcional; pessoal de campo, engenheiros, especialistas, técnicos, pessoal administrativo, pesquisadores científicos, gente que dedica sua vida ao trabalho de proteção da natureza por todo Estado de São Paulo.

Com estas ações o governo do estado está colocando em risco o patrimônio ambiental e cultural do estado, fragilizando todo o Sistema Ambiental paulista e comprometendo bens que são do povo, patrimônio intergeracional e inalienável.

Abandonar os Institutos de Pesquisa, negando a Ciência, é uma política desastrosa para o futuro do Estado de São Paulo.”

Leia também (link abaixo) o manifesto contra a extinção da Fundação Florestal. A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) trabalha para viabilizar emendas parlamentares ao projeto de lei, com o intuito de reverter a situação de risco em que se encontra o IF.

Manifesto contra a Extinção da Fundação Florestal e em defesa da Natureza, do bem-estar humano e das unidades de conservação, sob responsabilidade do Governo do Estado de São Paulo.

 

Pesquisadores da Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN) emitem nota de preocupação sobre projeto do governo que extingue a autarquia em SP

sucen

O Governo do Estado de São Paulo enviou para a Assembleia Legislativa (Alesp), na última quarta-feira (12), um projeto de lei que traz como justificativa “combater os impactos orçamentários causados pela pandemia do coronavírus.” O conteúdo do PL dispõe, entre outras medidas, sobre a extinção de duas empresas, três fundações e quatro autarquias – entre elas a Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN).

Em nota a respeito do projeto que, uma vez aprovado, encerrará as atividades desse importante órgão, os servidores da SUCEN lamentam a atitude do Governo de São Paulo e fazem um alerta à sociedade sobre os impactos que a extinção dos serviços prestados pela autarquia causará na vida da população paulista. Leia abaixo.

A SUCEN, O CONTROLE E A PESQUISA CIENTÍFICA

Os trabalhos e estudos realizados pela Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN) permeiam o desenvolvimento dos níveis da Saúde Pública do Estado de São Paulo, com consequências indiscutíveis na melhoria das condições de vida e no crescimento social e econômico do Estado de São Paulo e, subsequente, no progresso nacional.

Ainda que a denominação da SUCEN date o ano de 1975, a história da Instituição com a finalidade do controle e busca de conhecimentos sobre as endemias em território paulista, remonta o começo do século passado com a malária e a Doença de Chagas. Já como SUCEN, recebeu a incumbência de atuação com a esquistossomose, a leishmaniose tegumentar americana e visceral, a febre amarela e após 1985, encabeçou o controle e vigilância das espécies dos mosquitos vetores da dengue, que mais recentemente responderam pela introdução e disseminação de doenças até então pouco conhecidas, como por exemplo, causadas pelo vírus Zika.

A SUCEN agregou as responsabilidades do Serviço de Profilaxia da Malária (SPM), posteriormente designado Serviço de Erradicação da Malária e Profilaxia da Doença de Chagas (SEMPDC) instaurado em 1960 e da Campanha de Combate à Esquistossomose (CACEsq) em 1976.

Em síntese, o percurso da SUCEN e dos profissionais do quadro da Instituição até os dias atuais, segue relevante na redução dos riscos da aquisição e transmissão de agentes infecciosos, como o Plasmodium falciparum e P. vivax, Trypanosoma cruzii, Schistosoma mansoni, do gênero Leishmania e dos vetores dos vírus da dengue, Chicungunya e Zika. A atuação da SUCEN também foi relevante para o controle dos surtos recentes de febre amarela e maculosa.

A história do sucesso no controle desses problemas de Saúde Pública pela SUCEN decorreu da disponibilidade de recursos humanos capacitados e especializados em diferentes áreas do conhecimento e da manutenção de um quadro de pessoal qualificado, condições fundamentais na contenção da perda de vidas e redução dos custos relacionados ao atendimento da população quando atingida por esses patógenos, muitas vezes responsáveis por sequelas e quadros crônicos debilitantes e incapacitantes para o trabalho.

Hoje a SUCEN ainda abriga um conjunto de profissionais com capacidade para a orientação das equipes municipais de saúde, que fornecem respostas e ações de controle, vigilância e de pesquisa, reconhecidamente relevantes para a Saúde Coletiva, seja pela letalidade, caso da malária, como pelo desenvolvimento de formas crônicas incapacitantes, como as leishmanioses, a Doença de Chagas e a esquistossomose. À propósito do quadro de pessoal da SUCEN, composto de pouco mais de mil profissionais de nível médio e universitário, com pesquisadores de diversas formações, compõe um conjunto de profissionais de alta especialização e capacitação para o desenvolvimento de ações e pesquisas não disponíveis na maioria dos municípios e em outros Órgãos e Instituições do Estado.

Em resumo, a extinção da SUCEN é um fato preocupante e, certamente terá impacto e reflexos negativos com relação às doenças endêmicas, em razão da descontinuidade de projetos e atividades do controle, vigilância e pesquisa científica.

Em contraste com a necessidade da atenção e investimento para a melhoria das condições do controle das endemias, que atualmente rondam e causam transtornos na maioria dos municípios, com repercussões negativas para o desenvolvimento econômico paulista, a iniciativa da extinção parece uma medida desprovida do conhecimento da real situação do Estado.

A título de esclarecimento, no âmbito do território paulista, em razão da circulação de casos e disseminação dos vetores, ainda permanecem riscos da aquisição de certas doenças endêmicas, como a esquistossomose, a malária, as leishmanioses, a dengue, entre outras, com a possibilidade do desenvolvimento de formas graves, como da neuroesquistossomose por perda da imunidade. Embora com casos caracterizados pela baixa intensidade parasitária, a transmissão da esquistossomose, por exemplo, segue com focos ativos nas regiões do Vale do Paraíba e do Ribeira, do Médio Paranapanema, Baixada Santista e Litoral Norte.

Recentemente os trabalhos, estudos e pesquisas efetuados pela SUCEN também demonstraram a dispersão e disseminação continuada de exemplares de espécies dos vetores infectados por T. cruzii, condição que favorece a ressurgência da Doença de Chagas. A interrupção da transmissão vetorial desse grave problema de Saúde Pública, datada de fins dos anos 70 do século passado, indica o risco iminente do aparecimento de novos casos humanos, então restrito a certos municípios do interior paulista, sendo que atualmente acontece em municípios da Região Metropolitana da Grande São Paulo com o reencontro de Panstrongylus megistus.

A respeito da malária, ainda persistente em São Paulo, com transmissão sazonal em municípios com cobertura da Mata Atlântica, permanece devido à presença de espécies de mosquitos anofelinos vetores e à circulação de doentes que procedem de outras regiões endêmicas brasileiras. Nos casos da malária é fundamental a pesquisa e vigilância sobre os vetores, complementada pela atuação com o diagnóstico rápido dos portadores e definição das medidas mais adequadas de controle para que as repercussões na população não assumam maiores proporções.

No caso, a SUCEN é responsável pelas pesquisas de campo e laboratório com os vetores, pela supervisão da qualidade dos resultados do diagnóstico dos casos humanos suspeitos da infecção por Plasmodium, além do desenvolvimento de estudos e pesquisas científicas para detecção de possível resistência à terapêutica e aplicação de técnicas de diagnóstico rápido para a redução dos riscos de agravamento das infecções.

No mais, é sobejamente conhecido o engajamento dos pesquisadores e do conjunto de profissionais da SUCEN nos esforços para a contenção das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, em trabalhos integrados com as equipes municipais, que certamente reduzem a possibilidade de incidência da dengue hemorrágica e, mais recentemente, dos casos de Chicungunya e Zika.

Por fim, merece destaque a qualidade dos resultados dos trabalhos, estudos, projetos e pesquisas registrados em notável número de revistas científicas de circulação nacional e internacional.

Conquanto as repercussões negativas da circulação do coronavírus sejam inegáveis, a interrupção dos trabalhos da SUCEN terá repercussões desfavoráveis à população que somarão efeitos já causados pela COVID-19, de maneira irreversível e que transcendem as razões econômicas e financeiras que servem de pano de fundo para a justificativa de sua extinção.

Presidente da APqC fala sobre o trabalho da associação em tempos de pandemia

Feijão apqc

O APqC Notícias entrevistou o engenheiro agrônomo Dr. João Paulo Feijão Teixeira, presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC). Apesar de o início de sua gestão ter se dado pouco antes da eclosão da pandemia do novo coronavírus – o que o obrigou a interromper o trabalho presencial da atual diretoria -, o trabalho continua.

Nesta conversa, o presidente faz um balanço das ações realizadas até o momento, fala de suas expectativas em relação ao enfrentamento das principais demandas apresentadas pelos pesquisadores e apresenta novidades que vêm sendo implementadas na comunicação com os associados e a população em geral.

Como o senhor avalia o trabalho da APqC nestes oito primeiros meses? Dentre as ações que foram tomadas pela atual gestão, qual destacaria?

Destaco como relevante o estabelecimento do diálogo propositivo com as várias instâncias do Executivo e diretores dos institutos, além de instituições que atuam ou no fomento ou na definição de políticas públicas para ciência e tecnologia. Também, o desenvolvimento de documentos e propostas para equivalência salarial entre pares, posicionamento quanto a reestruturações administrativas de instituições, defesa de instituições expostas a dificuldades e até críticas e atuação para aperfeiçoamento de processos de concessão de áreas públicas das instituições. Além de defender, administrativa e judicialmente, interesses dos pesquisadores associados quanto a direitos funcionais.

Cabe destaque, ainda, a divulgação de notícias de ciência e de tecnologias desenvolvidas pelos Institutos, de vídeos em linguagem acessível ao grande público, produzidos anteriormente, e preparo de novos vídeos com o mesmo objetivo em produção no momento. Além disso, foram criados grupos executivos de comunicação, relacionamento com agências de fomento e equiparação salarial.

Estabeleceu-se sistemática de concessão da Medalha Alba Lavras que, a partir deste ano, será aplicada com escolha de candidatos em setembro e cerimônia de premiação em dezembro.

A diretoria da APqC está investindo no desenvolvimento de novo site e na automação da área financeira que repercutirão favoravelmente na interação com associados e público interessado.

Desde março, com o início da pandemia, a diretoria da APqC vem seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e cumprido o isolamento social. De que forma isso tem comprometido as atividades da associação e quais foram as alternativas encontradas para que o trabalho não fosse interrompido?

A proposta da APqC e que vinha sendo desenvolvida era de aproximação com todos os Institutos através de suas direções, Secretarias Estaduais, a Assembléia Legislativa, outros órgãos estaduais e mesmo lideranças importantes de ciência, tecnologia e inovação. Com a pandemia esse trabalho presencial foi interrompido. A alternativa encontrada foi o estabelecimento de reuniões por videoconferências. Essas reuniões ocorreram com dirigentes da FAPESP, com a direção de institutos, com lideranças do agronegócio, e tornaram-se rotineiras entre diretores e conselheiros da APqC, inclusive nas reuniões mensais da Associação.

Proximamente, será também utilizada para realização de assembleias da APqC e, para tanto, há uma proposta de alteração do estatuto da Associação para introdução da possibilidade de uso videoconferência que será debatida em Assembléia Geral Extraordinária a realizar-se em outubro próximo.

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento tem uma proposta de decreto que visa a restruturação da pasta e isso está causando grande preocupação nos pesquisadores. O que a APqC está fazendo a respeito?

A APqC tem acompanhado o desenrolar da iniciativa da Secretaria de Agricultura para, via decreto, promover a reestruturação administrativa. Para tanto, manteve reuniões com a Secretária Executiva, Chefe de Gabinete e Assessoria da Secretaria, também com o coordenador da APTA e com os diretores dos institutos envolvidos.

O assunto da reestruturação vem sendo tratado em reuniões da APqC e tem-se ouvido as preocupações dos pesquisadores com esse processo, em especial dos pesquisadores que atuam hoje em unidades de pesquisa descentralizadas.

Baseando-se nesses contatos e nas informações obtidas foi apresentada à APTA, ao futuro coordenador da área de pesquisa e ao Gabinete do Secretário de Agricultura, relato das preocupações presentes, solicitadas reuniões dos dirigentes com pesquisadores para esclarecimentos e também a APqC apresentou proposta de alteração do decreto de reestruturação restabelecendo a condição de unidades de pesquisa para as unidades regionais que na versão inicial do decreto fora perdida.

No momento temos agendada reunião com o Secretário de Agricultura para o dia 19 de agosto e aguarda-se na sequência reuniões de dirigentes com os pesquisadores da APTA, por videoconferência, para esclarecimento de dúvidas e posicionamento da Secretaria quanto às propostas recebidas.

A APqC ingressou em juízo contra progressividade da alíquota de contribuição previdenciária e ampliação da base contributiva aos aposentados e pensionistas. Quais foram os resultados obtidos com essa ação?

A APqC ajuizou ação coletiva  por meio da qual foi deferida a  tutela de urgência para suspender, em relação a seus  associados, a  exigibilidade da diferença de alíquota derivada dos artigos 30 e 31 da  Lei Complementar Estadual n. 1.354/2020, incidente  sobre a contribuição  previdenciária, ou seja, em primeiro momento foi deferido pelo Poder  Judiciário a suspensão do aumento da  alíquota previdenciária para os  associados em atividade e aposentados.

Contra essa decisão o Estado de São Paulo interpôs o recurso de agravo de instrumento perante a segunda instância, no qual foi deferida tutela para suspender os efeitos da decisão de primeiro grau ao menos até́ o julgamento final deste recurso.

Cabe observar que a referida matéria é objeto de tema a ser analisado pelo STF, que determinou, enquanto não o aprecia, a suspensão do julgamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre  a questão e que tramitem no território nacional.

A equiparação salarial é uma das principais reivindicações dos pesquisadores. O que a atual diretoria tem feito para responder a esta demanda?

A equiparação salarial entre os pares é uma bandeira dessa diretoria da APqC e representará, quando obtida, a superação de grande injustiça cometida contra a maior parte dos pesquisadores científicos.

A APqC tem proposta para resolver definitivamente essa situação e atua hoje em várias frentes para que o Governador de São Paulo, através de ato normativo, restabeleça a situação vigente por ocasião da Lei Complementar nº 859 de 21 de setembro de 1999, esclarecendo a amplitude dessa lei e aplicando-a em toda sua eficácia, conforme vontade do então governador Mario Covas ao encaminhá-la à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). E para tanto, foi desenvolvida densa argumentação jurídica para equivalência salarial entre os pares.

A Lei Complementar 173/2020 não será um empecilho para a edição do referido despacho normativo, visto que a exceção prevista no artigo 8º, I, permite majorar vencimentos, desde que haja determinação legal anterior a calamidade, o que é o caso, em razão da existência da LC 859/1999.

Também, como proposta alternativa para solução definitiva sugere a edição de nova lei de iniciativa do Senhor Governador na forma de Lei Complementar, cuja minuta de anteprojeto foi preparada pela APqC.

Nessa busca para que o governador considere a proposta da APqC tem-se contado com vários interlocutores, personalidades paulistas e mesmo dirigentes de instituições que tem acesso irrestrito ao Governador para fazer chegar a argumentação desenvolvida. Paralelamente, a diretoria da APqC criou grupo executivo com o propósito estrito de desenvolver estratégias, campanhas e documentos que se somam a esse esforço de convencimento do executivo.

Não se esquecendo que a APqC mantém, como possibilidade na área judicial, processo de contestação de ação rescisória em decisão que já transitara em julgado favorável aos pesquisadores e que hoje, em grau de recurso, encontra-se no STJ, em Brasília.

Como a APqC tem se comunicado com a sociedade durante a pandemia? Como tem sido o trabalho da associação no sentido de informar e alertar a sociedade em meio a tantas informações cruzadas?

A APqC tem utilizado diariamente suas redes sociais, especialmente o WhatsApp e o Facebook, para divulgar as pesquisas desenvolvidas pelos Institutos, bem como as atividades da própria associação. Os pesquisadores associados passaram a receber, a partir do mês de julho, um boletim mensal, via e-mail, com o balanço geral do trabalho realizado por nós naquele período.

No caso de notícias relacionadas à pandemia, temos buscado manter a população o mais que possível informada sobre o passo a passo dos testes para o desenvolvimento da vacina contra o coronavírus, que têm sido feitos pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech, além de trazer informações atualizadas sobre a situação da pandemia no Estado de São Paulo e no País. Temos a preocupação de recorrer apenas à fontes seguras – cientistas, professores e autoridades médicas – para evitar a disseminação de notícias falsas ou de notícias que forneçam falsas esperanças à sociedade. Nossa preocupação é com o rigor da informação técnica. Uma novidade é que, em breve, a APqC estará com um site novo no ar, mais moderno, acessível e dotado de mais recursos que irão proporcionar uma comunicação mais ágil.

Quais serão os maiores desafios e dificuldades dos institutos de pesquisa após a pandemia e qual será o papel da APqC na resolução desses problemas?

Independentemente da pandemia há problemas que afetam os institutos públicos de pesquisa científica do Estado de São Paulo há algum tempo; o mais grave refere-se aos recursos humanos. Não se tem reposição de pessoal há muitos anos e a defasagem salarial está presente. Não falamos em repor quadros na mesma quantidade de momentos áureos dos Institutos, mas sim de renovar quadros.

Hoje, áreas vitais, inquestionavelmente importantes para suprir de tecnologia e conhecimentos a demanda da sociedade, estão reduzidas ou cessaram atividades pela falta de pessoal; outras que deveriam ser objeto de atenção da pesquisa, por representarem novos campos ou recursos tecnológicos, não são agregadas. Perde-se conhecimento não codificado e o conhecimento acumulado, não se transmite informações, experiências entre os pares e não se cria a importante cadeia de conhecimentos essencial para efetividade das ações de pesquisa.

No pós-pandemia, preocupa-nos a incerteza que esta situação aponta. E mais por poder se agravar pela iminente falta de recursos, pelas ações de redução de despesas, pela alta faixa etária de grande parte dos pesquisadores científicos em atividade, pela escassez de pessoal de apoio, pela ameaça que tudo isso representa para o futuro da carreira de pesquisador científico que tem por base a avaliação sistemática dos integrantes por mérito.

Há de se lembrar, também, o problema da falta de fomento de ciência e tecnologia no âmbito federal, afetando desde agora a formação de recursos humanos e o desenvolvimento tecnológico e que não se prevê diferente nos próximos anos.

Ao lado das dificuldades expostas, também surgem oportunidades que precisam ser aproveitadas. A interação entre grupos de pesquisa, do país e/ou exterior, precisa ser estimulada. E as restrições de mobilidade impostas pela pandemia estimularam o desenvolvimento de meios digitais de interação e podem ser otimizados e aproveitados.

A pandemia expôs a face da ciência que resolve problemas, que salva vidas, que é indispensável. Essa visibilidade no pós-pandemia não pode ser perdida, e está a exigir maior relacionamento das instituições com a sociedade e de maneira contínua para ser efetivamente reconhecida como meio de solucionar problemas. Papel importante, também, terá a seriedade da divulgação da ciência, do ensinar conceitos básicos, da informação de avanços tecnológicos e mesmo de suas limitações para incentivar a análise crítica da sociedade.

À APqC cabe o papel indispensável de diagnosticar os problemas limitantes da ação dos Institutos Públicos de Pesquisa do Estado de São Paulo, interagir com as instituições, com os pesquisadores, coordenar anseios, idéias e proposições e explicitá-las junto às instâncias decisórias, executivo e legislativo paulistas, para viabilizá-las.

Fonte: Assessoria de Imprensa

Instituto Biológico desenvolve pesquisas para controle biológico de inseto transmissor do greening em Citros

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Pesquisas desenvolvidas pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Biológico (IB-APTA), buscam novas formas para o controle do psilídeo, inseto transmissor do greening (huanglongbing/HLB), a mais destrutiva doença da citricultura mundial. A estratégia do IB é utilizar inimigos naturais do psilídeo para o seu controle, fornecendo mais opções para as ações de manejo dos citricultores brasileiros.

Dados da Fundecitrus mostram que 20,87% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste de Minas Gerais possuem sintomas do greening, o que corresponde a cerca de 41 milhões de árvores contaminadas. Este índice, de acordo com a Fundação, é 9,7% maior do que o de 2019, estimado em 19,02%.

Os trabalhos do IB para desenvolvimento de opções de controle biológico do psilídeo ocorrem em três frentes: a seleção de cepas de fungos; o uso de joaninhas, inimigas naturais do transmissor da doença; e a seleção de ácaros predadores.

De acordo com José Eduardo de Almeida, pesquisador do IB, o Instituto desenvolve pesquisas com uma empresa privada para o desenvolvimento de um produto inovador para o controle biológico do psilídeo. “Já isolamos três cepas de fungos que se mostraram eficazes para o controle do inseto. Uma biofábrica já iniciou a produção do produto, que deve estar no mercado em três anos”, afirma o pesquisador.

Segundo Almeida, o greening é uma doença de difícil controle. Não há no mundo cultivares de laranja resistentes a doença, conhecida também como dragão amarelo. As estratégias para controle são a erradicação das árvores de laranja contaminadas e o uso de defensivos agrícolas para eliminar o psilídeo, que por ser um inseto voador, precisa de muitas aplicações de produtos químicos, aumentando os custos de produção e causando impactos no ambiente.

Joaninha

Outro resultado importante do IB na área de controle biológico em citros foi a seleção de besouros de joaninhas predadores que se alimentam de ovos e formas jovens do psilídeo. Segundo estudo coordenado pela pesquisadora do IB, Terezinha Monteiro dos Santos Cividanes, do Laboratório de Parasitologia Vegetal de Ribeirão Preto, as populações de joaninhas em pomar orgânico foram mais elevadas e a diversidade de espécies encontrada foi o dobro da observada no pomar com manejo convencional.

“Em laboratório, registrou-se que os coccinelídeos Cycloneda sanguinea, Cycloneda conjugata, Harmonia axyridis e Hippodamia convergens alimentaram-se do psilídeo. Os resultados desse estudo comprovaram a relevância das joaninhas como agentes controladores do inseto-praga”, afirma Terezinha. O estudo foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Segundo Terezinha, uma tática recomendável ao agricultor consiste em reconhecer as joaninhas para conservá-las no pomar e também utilizar práticas para a atração desses inimigos naturais, como por exemplo a manutenção de plantas floríferas. “O manejo seletivo de inseticidas na cultura dos citros é relevante para a sobrevivência das joaninhas no pomar”, destaca.

Ácaros predadores para o controle do psilídeo e ácaro da leprose

Pesquisadores do Instituto Biológico trabalham em mais uma estratégia para controle biológico do psilídeo: o uso de um ácaro predador, chamado de Amblydromalus limonicus, que é seu inimigo natural. De acordo com Mario Eidi Sato, pesquisador do IB, esse ácaro-predador se alimenta dos ovos do psilídeo Diaphorina citri, que é o vetor do greening.

“Esses ácaros são pequenos organismos, com aproximadamente 0,5 mm, que vivem sobre um grande número de plantas hospedeiras, incluindo citros. Além de atacar os ovos do psilídeo, também pode controlar ácaros e insetos fitófagos de diferentes espécies, incluindo o ácaro purpúreo (Panonychus citri), moscas-brancas e tripes”, explica Sato.

As pesquisas desenvolvidas pelo IB também visam o uso de ácaros predadores para o controle do ácaro-da-leprose (Brevipalpus yothersi), vetor da leprose dos citros (CiLV-C), uma das principais doenças da citricultura e que atinge, principalmente, laranjeiras doces. A doença causa perdas na produção e reduz a vida útil da árvore debilitada.

Os estudos recentes foram realizados por uma aluna de mestrado da Pós-Graduação em Sanidade, Segurança Alimentar e Ambiental no Agronegócio do IB. A pesquisa foi desenvolvida em uma área de citros em conversão para produção orgânica. Nesse pomar foi feita a liberação de ácaros predadores da espécie Neoseiulus calfornicus. Além de controlar o ácaro-da-leprose e outros ácaros-praga, o organismo é resistente aos principais acaricidas e inseticidas químicos registrados para citros, o que torna interessante o seu uso em áreas com aplicações frequentes de defensivos para o controle de pragas.

A pesquisa mostrou que apesar de serem predadores eficientes, os N. californicus não se estabelecem de forma duradoura na área, agindo mais ou menos como um produto químico: “são introduzidos, matam o alvo e depois de um tempo curto vão embora”.

Os estudos também buscam identificar novas espécies ou linhagens de ácaros predadores (ex.: Euseius, Amblyseius) com alta capacidade de predação de ácaros e insetos pragas, e que consigam se estabelecer por longo período de tempo nos pomares após sua liberação.

De acordo com Sato, o uso de ácaros para a citricultura é mais indicado para áreas pequenas e periféricas da propriedade, além daquelas que estão com a população de insetos e ácaros em desequilíbrio. “Outro uso interessante é para pomares abandonados ou cultivo de citros na cidade, que se não forem bem cuidados, podem ser foco do vetor do greening, por exemplo, e impactar áreas comerciais”, afirma.

Controle biológico

O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais para diminuir a população de uma praga. Resumidamente, pode ser definido como natureza controlando natureza. Os agentes de controle biológico agem em um alvo específico, não deixam resíduos nos alimentos, são seguros para o trabalhador rural, protegem a biodiversidade e preservam os polinizadores.

O IB é referência no Brasil e no mundo em controle biológico e tem forte atuação junto ao setor produtivo tendo orientado a criação e manutenção das biofábricas, que desenvolvem esses produtos biológicos para serem aplicados nas lavouras. Ao todo, mais de 80 biofábricas de todo o Brasil recebe orientação dos pesquisadores do IB. Em 2019, o Instituto assinou 23 contratos para transferência de tecnologia a essas empresas, localizadas em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná.

O Instituto mantém o Programa de Inovação e Transferência de Tecnologia em Controle Biológico (Probio), que reúne as tecnologias e serviços prestados no Instituto, principalmente para as culturas da cana-de-açúcar, soja, banana, seringueira, flores, morango, feijão e hortaliças.

Fonte: Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Mais cinco centros de pesquisa iniciam testes da vacina contra coronavírus em voluntários no Brasil

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O Governador João Doria anunciou que mais cinco centros de pesquisa vão iniciar a testagem da vacina contra coronavírus em voluntários. Todos iniciaram os testes com a CoronaVac esta semana, somando-se a outros cinco que já estão em operação. Ao todo, 12 núcleos científicos foram selecionadas para a realização da terceira e última fase de ensaios clínicos do imunizante que é desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa SinovacLife Science.

“Mais cinco centros de pesquisa iniciam testes da vacina CoronaVac. Chegamos, assim, a 10 centros e em breve serão 12 no total. A testagem, coordenada pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, deve ser concluída até novembro com cerca de 9 mil voluntários”, destacou o Governador João Doria.

Desde quarta-feira (05) as vacinas começaram a ser aplicadas em profissionais da saúde na Universidade de Brasília (UnB) e, na quinta-feira (06), no Hospital das Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP). Na sexta-feira (07), as ações foram iniciadas no Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, e na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (SP). No sábado (08) foi vez do Hospital São Lucas da PUC do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

O cronograma para início da aplicação das vacinas no Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista, e no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, serão anunciados em breve. A previsão é de que os testes, a serem feitos com cerca de 9 mil pessoas voluntárias, sejam concluídos pelo Instituto Butantan entre o final de outubro e o início de novembro.

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) foi o primeiro a aplicar a CoronaVac (foto), no dia 21 de julho. Na semana passada, entre quinta (30) e sexta-feira (31), os testes começaram no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Universidade Municipal de São Caetano do Sul e no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Sobre os testes

Entre os voluntários recrutados, metade receberá duas doses do imunizante num intervalo de 14 dias e a outra metade receberá duas doses de placebo, uma substância com as mesmas características, mas sem os vírus, ou seja, sem efeito. Essas pessoas serão monitoradas pelos centros de pesquisa por meio de exames entre aqueles que tiverem sintomas compatíveis à Covid-19. Assim, poderá ser verificado posteriormente se quem tomou a vacina ficou de fato protegido em comparação a quem tomou o placebo.

A Sinovac forneceu ao Butantan as doses da vacina para a realização dos testes clínicos de fase III em voluntários no Brasil, com o objetivo de demonstrar sua eficácia e segurança. As fases I e II de ensaios clínicos foram realizadas com cerca de 700 voluntários na China com bons resultados preliminares. Antes, o modelo experimental aplicado em macacos apresentou resultados expressivos em termos de resposta imune contra o coronavírus.

Assim que forem comprovadas a eficácia e a segurança nesta última fase de estudos clínicos e a vacina seguir para registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Sinovac e o Butantan vão firmar acordo de transferência de tecnologia para produção em escala e fornecimento gratuito pelo SUS.

Abaixo, a relação dos 12 centros de estudo que vão participar da fase final de pesquisa da vacina contra o coronavírus:

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
Instituto de Infectologia Emílio Ribas
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto
Universidade Municipal de São Caetano do Sul
Universidade Federal de Minas Gerais
Hospital Israelita Albert Einstein
Hospital das Clínicas da Unicamp
Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto
Universidade de Brasília
Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas de Fiocruz (RJ)
Hospital São Lucas da PUC do Rio Grande do Sul
Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná

Foto: Governo do Estado de São Paulo

Fonte: Assessoria do Instituto Butantan

Instituto Butantan abre inscrições para bolsas do CNPq voltadas para o desenvolvimento de vacinas

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O Centro de Desenvolvimento e Inovação Industrial do Instituto Butantan está com bolsas disponíveis do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para a Rede Colaborativa para o Desenvolvimento de Candidatas Vacinais contra Sars-CoV-2. As bolsas são voltadas para profissionais e estudantes com formação em ciências biológicas, química, farmácia, biotecnologia ou cursos de áreas afins. Para início imediato, com duração de 24 meses. As inscrições terminam no próximo dia 16 de agosto. Veja o regulamento na íntegra clicando aqui.

Covid-19: Butantan diz que é possível ter vacina para produção em outubro

Luciana Amaral (Do UOL, em Brasília)

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou ontem (6) ser possível ter uma vacina contra a covid-19, doença causada pelo coronavírus, em produção em outubro. Para ser disponibilizada à população, ela ainda deverá passar pela aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), responsável pelo registro. Em junho, o Butantan firmou parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac para produção e testes avançados de uma vacina. As declarações foram dadas em audiência pública virtual da Câmara dos Deputados para debater o desenvolvimento da imunização.

No momento, a vacina está sendo testada em cerca de 9.000 voluntários em seis unidades federativas —São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro— sob a coordenação e o acompanhamento do Butantan. Se a vacina for clinicamente bem-sucedida, o Butantan a submeterá para registro na Anvisa. Caso aprovada pela agência, poderá ser distribuída para o SUS (Sistema Único de Saúde) por meio do governo federal.

“Poderemos ter (a vacina) a partir agora de outubro. O processo de preparo para a formulação e o envase já se iniciou. Todos os processos de controle de qualidade e validação já se iniciaram. Então, poderemos ter a vacina. A grande pergunta é se estará registrada e aprovada pelo estudo clínico e poderá ser utilizada. Sou muito otimista. Acho que um prazo razoável seria janeiro de 2021 dado o desempenho até o presente momento”, afirmou Covas.

Gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa, Gustavo Santos afirmou que a agência tem acelerado e flexibilizado processos em meio à pandemia para atender demandas. No caso da vacina, ele disse que há um prazo de 60 dias para a análise do eventual registro após a entrega da documentação necessária por parte do interessado, mas a avaliação será prioridade e deverá acontecer em menos tempo.

“A avaliação para o registro é justamente o balanço risco-benefício, para ver se os benefícios superam os riscos. Temos de nos embasar em resultados científicos válidos”, explicou.

Butantan diz não ser preciso temer ‘vacina da China’

O diretor do Butantan falou não haver motivo para preocupações quanto a uma parte da vacina se originar da China. O coronavírus surgiu pela primeira vez em Wuhan, no país asiático, antes de se espalhar pelo mundo.

“Não há motivo para ter essa questão de descaracterizar uma vacina pelo fato de ter sido desenvolvida inicialmente na China”, disse. Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) valorizou a candidata à vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca, no Reino Unido, e testada no Brasil em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

“Não é daquele outro país, não. Tá ok, pessoal?”, declarou. Covas ressaltou que a AstraZeneca tem um grande complexo industrial na China e o país asiático tem se destacado na produção de conhecimento científico há anos.

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Armando Medeiros, afirmou que o compromisso da pasta “é com a saúde pública brasileira”. Ele acrescentou que o governo está “disposto a conversar, avançar e adquirir as vacinas que chegarem primeiro” e ressaltou confiar na capacidade do Butantan para o desenvolvimento da vacina.

Dimas Covas classificou a parceria com a Sinovac como “ganha-ganha” para ambos os lados. A indústria chinesa terá a patente do coronavírus atenuado e o Butantan terá a integralidade do estudo clínico. A intenção é firmar acordos para o fornecimento da vacina a outros países, em especial da América Latina, informou.

A estimativa é que o Butantan precise de pelo menos R$ 130 milhões em investimentos de equipamentos e tecnologia para o aumento da capacidade de produção. Um programa de captação de recursos foi aberto pelo governo do estado de São Paulo. O diretor informou que o custo final da vacina está sendo avaliado, mas deve ficar no patamar ou abaixo do patamar do que se tem visto em outros acordos.

Instituto Agronômico de Campinas (IAC): Novo porta-enxerto de café resistente a parasitos está em fase final de pesquisa

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O café é a bebida mais consumida no mundo Ocidental, depois da água. No Oriente, é a segunda, atrás dos chás. Originário da Etiópia, na África, possui inúmeras variedades, como Mundo Novo, Catuaí, Laurina etc. Se fizermos uma analogia com os vinhos, a maneira como é preparado, o terroir, a cepa, entre outras características, permite que cada garrafa de vinho produzida apresente características completamente diferentes uma das outras. O mesmo acontece com o café. No Brasil, existem duas espécies cultivadas de café: Arábica, com 75% da produção e Canephora, com 25%.

O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) é considerado o mais importante centro de pesquisa do café no mundo, e só em seus anais estão registrados 126 cultivares de café arábica. O IAC lançou, em 1987, um cultivar de Canephora porta-enxerto para as cultivares suscetíveis de café arábica. Essa cultivar se chama Apoatã IAC 2258, resistente a essas pragas.

A grande maioria é suscetível a uma praga de solo chamada nematoide, os parasitos do café. “Quando as pessoas compram seus cafés nos pontos de venda, poucos conhecem o longo processo de pesquisa e produção de café. A imensa maioria, com certeza, desconhece toda a pesquisa e o tempo dedicados para se chegar ao café na xícara.

Mas, acredite: são necessários cerca de 25 anos para o desenvolvimento de uma nova cultivar de café. E mais dois ou três anos para a planta começar a dar frutos”, explica o pesquisador Oliveiro Guerreiro Filho, responsável pelo estudo de um novo porta-enxerto constituído por clones com resistência múltipla a diferentes espécies de nematoides, uma praga de solo que ataca as raízes do café, comprometendo o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da planta, levando à redução da produtividade das lavouras e à queda no preço do grão (commoditie). “Os cafeeiros debilitados são menos produtivos e seus frutos e grão são pequenos, com menor valor de mercado. O produtor, muitas vezes, convive com o problema, tendo um sócio permanente, levando uma parte importante de sua produtividade”, explica Oliveiro.

Agora, o pesquisador está em fase de conclusão um novo porta-enxerto constituído por clones com resistência múltipla a diferentes espécies de nematoides. Esse novo porta-enxerto será usado no plantio de cultivares copa de café arábica (o mais utilizado na casa dos brasileiros), que é suscetível às três espécies de nematoides.

Uma nova cultivar de café pode demorar até 30 anos para ser criada

Oliveiro explica ainda que para o novo porta-enxerto foi utilizada a espécie Coffea Canephora, que possui resistência simultânea a algumas raças de nematoides das galhas radiculares.

Um porta-enxerto tolerante ou resistente aos nematoides é extremamente importante, diante do difícil controle do problema. “Em casos severos, especialmente relacionados à incidência de nematoides das galhas radiculares, a lavoura acaba sendo eliminada”, afirma Guerreiro. Como a erradicação da praga é praticamente impossível, as plantas vão aos poucos, morrendo e as ‘reboleiras’, que são manchas de solo onde são observadas plantas com sintomas, vão aumentando nas lavouras.

A pesquisa ainda não está finalizada e encontra-se no estágio de caracterização dos clones a partir dos descritores mínimos para o cafeeiro. Os próximos passos serão registrar o novo material e protegê-lo junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), além da multiplicação vegetativa destinada à implantação de campos de produção de sementes.

“Em realidade, essa pesquisa foi iniciada há 40 anos, com a participação de alguns produtores e viveiristas, sob a responsabilidade do agrônomo Wallace Gonçalves que, no meio do trabalho, se aposentou. É uma grande honra pra mim, dar continuidade a essa excepcional pesquisa”, finaliza.

A pesquisa é financiada pelo Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Fonte: Grão Especial

Entrevista: Felipe Zanusso fala sobre a importância dos Guarda-Parques na proteção ambiental

azanuzzoEm 31 de julho foi comemorado o Dia Internacional dos Guarda-Parques. Estes profissionais compõem a linha de frente da defesa das áreas naturais. Atuam na prevenção e combate a incêndios, protegem a fauna dos caçadores e as árvores da extração ilegal, orientam trilheiros, auxiliam na pesquisa científica e conhecem a área que atuam como ninguém.

No exercício de sua função, estes profissionais enfrentam bandidos com armas de fogo e perigos naturais diversos. Alguns perdem a vida.

O biólogo Felipe Zanusso, doutorando em Meio Ambiente e Sociedade no Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Universidade de Campinas (Unicamp), com o objetivo de contar a história destes trabalhadores imprescindíveis para a proteção da natureza, e que nem sempre são valorizados, criou o livro/blog Guarda-Parque: histórias das nossas matas.

O livro/blog apresenta a história de pessoas ímpares que atuam na profissão, como por exemplo Maroka, a primeira Guarda-Parque mulher da história do estado de São Paulo. São narradas situações de tensão, como quedas em buracos, ou mesmo engraçadas, como quando um infrator teve uma dor de barriga no momento da abordagem.

Para saber um pouco mais, entrevistamos o pesquisador Felipe Zanusso e ele nos contou sobre a iniciativa e esta profissão tão importante para o meio ambiente.

O que é o Guarda-Parque?
Os Guardas-parques podem ser definidos como aqueles profissionais capacitados para atuar diretamente nas unidades de conservação (UCs) e nas respectivas zonas de entorno. Além de receber e orientar visitantes, têm como atribuições também monitorar trilhas; prevenir e combater incêndios florestais; apoiar a fiscalização de desmatamentos e outras infrações ambientais; realizar ações de busca e salvamento; realizar atividades de educação e interpretação ambiental; manejo de fauna; apoio à pesquisa científica e, ainda, desempenhar ações de caráter socioambiental junto às comunidades do entorno das UCs.

O último concurso realizado no Estado de São Paulo estabelecia as seguintes atribuições: “Fiscalizar e proteger o patrimônio ambiental; Verificar e vigiar os núcleos e bens móveis e imóveis das Unidades de Conservação; Efetuar conservação das estruturas e núcleos de apoio das UCs; Orientar e monitorar o público nas atividades relativas à visitação pública e outros; Fazer o atendimento de emergências de primeiros socorros aos usuários das Ucs; Executar outras tarefas que se incluam, por similaridade, no mesmo campo de atuação”.

Ou seja, eles são nossos verdadeiros protetores do patrimônio coletivo, cuidando diariamente de áreas protegidas e de seus recursos naturais, bem como na atenção e orientação constante de seus visitantes.

O que te motivou a iniciar este projeto de resgate da história destes profissionais?
Apesar da importância da profissão, muitas vezes esses profissionais são pouco reconhecidos e valorizados. Em meus primeiros estágios no Mosaico de UCs da Juréia-Itatins, entre 2006 e 2007, aprendi muito escutando os Guarda-Parques daquela área e desde então valorizo e reconheço sua importância. Ficava impressionado com as histórias e já pensava que deveriam ser divulgadas. Quando trabalhei na Fundação Florestal do Estado de São Paulo, de 2012 a 2017, junto com outros colegas, participamos de diversas ações para apoiar sua valorização no âmbito institucional.

Em 2015 e 2016 visitei alguns áreas protegidas no Estados Unidos e pude conhecer como o Sistema Nacional de Parques daquele país respeita seus Rangers! Existem diversas atividades, materiais e publicações inspirados na profissão, como o livro que comprei lá, chamado “Oh, Ranger! True Stories from Our National Parks”.

De volta ao Brasil, percebi que deveríamos fazer algo neste sentido, mesmo que mais simples, considerando que em São Paulo a história dos Guarda-Parques é bastante antiga e cheia de “causos” interessantes.

Em julho de 2018, lançamos o Blog, marcando nossa participação e envolvimento com o Dia Mundial do Guarda-parque, uma iniciativa da Federação Internacional de Guarda-Parques, promovida juntamente com seu braço beneficente oficial, The Thin Green Foundation.

O Livro/ Blog “Guarda-Parque: Histórias fantásticas das nossas matas” é uma realização de um coletivo. Somos um grupo de entusiastas e interessados na função que o Guarda-Parque exerce na gestão das áreas protegidas. O objetivo é divulgar e contribuir com o reconhecimento dessa importante profissão no Estado de São Paulo.

É uma parceria do Movimento Conservatio – Cultura de Áreas Protegidas (do qual sou o coordenador), dos Amigos do Museu Florestal e da Associação de Guardas-Parques de São Paulo. Para nós foi uma grande honra poder registrar e divulgar um pouco das histórias de nossos guardiões da biodiversidade.

Os Guardas-parques foram convidados a compartilhar suas trajetórias profissionais, conhecimentos e experiências através do preenchimento de um formulário bem resumido.

Gostaríamos de fazer algo mais completo, como um livro mesmo. O Blog foi uma forma de começarmos e fazermos de uma forma simples.

Quantos Guardas-Parques temos atuantes em São Paulo e no Brasil?
No âmbito do Estado de São Paulo, segundo informações do Portal da Transparência, temos os seguintes números:

Fundação Florestal – 53 Guardas-parques ativos, em cerca de 14 unidades de conservação;
Instituto Florestal – 95 Auxiliar de serviços gerais dos quais alguns atuam na fiscalização*.
Além desses, em virtude da ausência da realização de concurso público, uma das estratégias tem sido a contratação de vigilantes patrimoniais terceirizados. Apesar de não atuarem “oficialmente” como Guarda-Parques, em muitas situações eles acabam colaborando na fiscalização das UCs.

Recentemente, inclusive, um vigilante foi morto por criminosos em uma ação de fiscalização contra uma mineração ilegal dentro do Parque Estadual Intervales (SP),

A partir de informações obtidas pelo Conselho de Representantes de Funcionários da Fundação Florestal em 2015 através da Ouvidoria da instituição, existiam cerca de 269 postos de vigilantes patrimoniais contratados por através de serviços terceirizados.

Muitos Guarda-Parques relatam a precarização e falta de reconhecimento da profissão no blog. Como você vê o futuro da profissão em SP e no Brasil, levando em conta a situação atual e as diferentes experiências em outros países?
Infelizmente essa é uma realidade que atinge não só os Guardas-Parques, mas toda a estrutura de gestão das áreas protegidas.

Por serem a ponta da linha, ou seja, aqueles que estão nos territórios, que dependem de recursos para implementar diariamente a política pública de conservação da natureza, eles acabam sendo mais afetados pela “cadeia de gestão”.

A falta de reposição e de ampliação do número dos profissionais é muito negativa. Porque não é uma profissão que você pode aprender em uma escola. A aprendizagem, o conhecimento, a formação ocorre no dia-a-dia, na interação com os colegas, na vivência, na experiência.

Apesar do cenário político muitas vezes nos desanimar, eu sou um otimista. Acredito que ainda vamos ter uma carreira para os Guardas-Parques, com salários adequados à importância da profissão.

E que um dia possamos ter Guardas-Parques no comando dos órgãos públicos responsáveis pela conservação ambiental.

* A Lei Estadual nº 1.080/2008 dá nova denominação a mais de 20 carreiras do estado, transformando todas em auxiliar de serviços gerais .

Fonte: Paulo Andreeto de Muzio, para o Blog da Unicamp

Pesquisa revela potencial da Floresta Estadual de Pederneiras para atividades de uso público

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Estudo publicado na revista IF Série Registros revela o potencial da Floresta Estadual de Pederneiras (FEP) para a realização de atividades de Uso Público. A pesquisa propõe a implantação de trilhas interpretativas de média e de longa distância na Unidade de Conservação (UC) passando por atrativos cênicos e áreas adequadas para atividades educativas e recreativas. No levantamento, são identificadas edificações que podem ser utilizadas para a implementação de estruturas físicas de atendimento ao público, como centro de visitantes e hospedaria.

O trabalho foi desenvolvido com o objetivo de avaliar o potencial da FEP para a implantação de um Programa de Uso Público. Para isso, os pesquisadores envolvidos realizaram diversas visitar à área entre 2016 e 1017 e analisaram sua infraestrutura e seus atrativos. Também percorreram trilhas e elaboraram traçados demarcados com GPS.

A relevância ecológica e paisagística da Floresta de Pederneiras

A Floresta Estadual de Pederneiras é uma UC de Uso Sustentável com cerca de 2 mil hectares. Seu bioma natural é Mata Atlântica em região de transição com o Cerrado, apresentando vegetação exótica de pinus e eucalipto e cerca de 800 hectares de vegetação nativa. No artigo é mencionado que o município de Pederneiras possui apenas 4,71 % de sua área com vegetação natural e 3,3 % de reflorestamentos, o que mostra a grande importância da unidade para a proteção da biodiversidade da região. Além disso, a Floresta pode ser uma fonte para obtenção de sementes e produção de mudas nativas para a recuperação da cobertura florestal.

A Floresta Estadual de Pederneiras possui diversos atrativos para a visitação, como corpos d’água, cachoeira, represa e vegetação nativa (que pode ser ampliada por meio da substituição de parte da vegetação exótica). Quatro pequenos riachos nascem no interior da Unidade e formam o córrego dos Carajás. Dois deles estão totalmente inseridos na UC.

O estudo serviu também para subsidiar o Plano de Manejo da UC, publicado em 2018. De acordo com o documento, a FEP abriga diversas espécies ameaçadas: árvores como o ipê-felpudo, o jacarandá-paulista, a canela-preta, e cedro-rosa, além do arbusto Mostuea muricata. Este último merece destaque. Presente em todos os trechos de vegetação nativa da unidade é endêmico do Brasil e foi descrito há apenas 15 anos para o interior paulista. A população presente na FEP é a sexta população registrada para a espécie e a segunda em Unidade de Conservação. Dentre as espécies animais, temos o gato-do-mato-pequeno, a jaguatirica e a onça-parda, todas consideradas ameaçadas de extinção. Já os lagartos papa-vento e lagarto-do-rabo-azul são considerados ameaçados de extinção no estado de São Paulo.

Trilhas interpretativas como instrumentos de sensibilização

Uma das principais propostas foi a de implantação de duas trilhas de interpretação, uma de média e outra de longa distância (2 e 4 quilômetros). Os traçados dessas trilhas contemplam áreas planas e passam por atrativos cênicos e plantios de espécies exóticas e trechos de vegetação nativa, adequados para atividades educativas ou recreativas.

Caminhada por trilhas em áreas naturais é uma modalidade de ecoturismo, uma das formas sustentáveis do turismo, que pode contribuir com a conservação da biodiversidade e promover melhorias na qualidade de vida das comunidades do entorno. Trata-se de um investimento de longo prazo em conservação e educação.

As trilhas interpretativas auxiliam a assimilação do conhecimento sobre as relações que ocorrem na natureza e sensibilizam os visitantes acerca da importância das áreas e dos recursos naturais. O processo de interpretação ambiental é um importante recurso de interação do público visitante com o meio natural, representando uma importante ferramenta de sensibilização e de construção de conhecimentos para os visitantes, podendo também proporcionar atividades lúdicas e recreativas.

Uma trilha é considerada interpretativa quando seus atributos são traduzidos para o visitante através de guias especializados, folhetos ou painéis. A trilha guiada é aquela realizada com acompanhamento de um guia tecnicamente capacitado para estabelecer um bom canal de comunicação entre o ambiente e o visitante. Já a trilha autoguiada permite o contato do visitante e o meio ambiente sem a presença de um guia. Recursos visuais como painéis e placas, orientam a caminhada com informações de direção, distância, elementos a serem destacados e os temas desenvolvidos.

Legado do mestre das trilhas

O artigo publicado na IF Série Registros é o último trabalho do pesquisador científico do IF Waldir Joel de Andrade, falecido em 2017. Waldir destacou-se por seu pioneirismo na implantação de sistemas de trilhas nas UCs do estado de São Paulo e tornou-se um profissional de referência no Brasil no assunto.

Para a implementação de uma trilha é necessário um amplo conhecimento do local onde se pretende implanta-la, para que ela possa alcançar seus objetivos com maior plenitude e causar o mínimo de impacto. Por isso, deve-se levar em consideração diversos fatores ambientais, como solo, vegetação, fauna e recursos hídricos e definir, ainda na fase de planejamento, qual será o objetivo da trilha, os elementos de interpretação, assim como o público alvo.

Em 2017, Waldir recebeu a medalha Alba Lavras, condecoração dada pela Associação de Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo àqueles que tenham se destacado em favor da ciência.

Se apropriar do espaço para proteger

Em relação aos impactos a serem mitigados na unidade, foram identificados fatores relacionados à ocupação humana, como rodovias e ferrovia que atravessam a área, aterro sanitário contíguo à UC, deposição irregular e ilegal de resíduos sólidos em abundância, utilização de área na zona de amortecimento para criação de animais domésticos, entre outros.

Os Programas de Uso Público são os cartões de visita das Áreas Protegidas. A visitação sensibiliza as pessoas sobre a importância da conservação da biodiversidade e podem constituir-se em vetor de desenvolvimento local e regional. A estruturação da Floresta Estadual de Pederneiras para atividades de Uso Público pode auxiliar na criação de um vínculo do visitante com a unidade. O Ecoturismo ajuda a educar o público com relação a questões de conservação e cria um elo natural entre negócios e conservação, na defesa por um melhor manejo de áreas protegidas. Além disso, é importante que a população esteja envolvida em um projeto educativo com vistas à sensibilização da importância da conservação da biodiversidade. E os trabalhos de educação ambiental são estratégicos para integrar a comunidade no processo de proteção dos patrimônios natural e histórico-cultural abrigados pela Floresta Estadual de Pederneiras.

As belezas e peculiaridades da Floresta Estadual de Pederneiras em conferência online

Em 14 de maio deste ano, a pesquisadora científica Maria Teresa Zugliani Toniato e o gestor da unidade José Arimateia Rebelo Machado apresentaram a Floresta Estadual de Pederneiras em videoconferência realizada pelo Instituto Florestal. Foram apresentados dados técnicos, científicos e históricos sobre a UC. Confira no vídeo abaixo:

O artigo “Avaliação do potencial para Uso Público na Floresta Estadual de Pederneiras, Estado de São Paulo, Brasil” foi publicado na revista IF Serie Registros nº 57, de dezembro de 2019. São autores do trabalho Waldir Joel de Andrade, Marilda Rapp Eston, Maria Teresa Zugliani Toniato, Marina Mistue Kanashiro, Sueli Herculiani, Rosângela Célia de Oliveira, Fernando Descio.

Acesse aqui o artigo

Imagem: Acervo Instituto Florestal / Fonte: Assessoria de Imprensa do IF

Com apoio da pesquisa e extensão rural da APTA, produtores de Tupã investem no cultivo da batata

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A parceria entre a pesquisa e a extensão rural para a difusão de tecnologias é atividade antiga e sempre utilizada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a qual procura sempre fortalecer integração entre pesquisadores ligados aos Institutos que compõem a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) e extensionistas da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS). Não foi diferente quando o pesquisador José Alberto Caram de Souza Dias, do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, e o engenheiro agrônomo Idoraldo Dassi Gonçales Júnior, da Casa da Agricultura de Tupã, vinculada à CDRS Regional Tupã, se uniram para apresentar uma nova proposta aos produtores rurais da região: o cultivo de batata em terras de clima reconhecidamente mais quente e normalmente não apto para a cultura.

Uma proposta e um desafio para pequenos produtores rurais − orgânicos, convencionais e agroecológicos − que estavam em busca de alternativas. “Normalmente, os produtores de batatas são de grande porte, que adquirem as batatas semente importadas dos mais variados países, como Holanda, Escócia, Chile, França, Canadá, enfim, do extremo norte e extremo sul, mas todas regiões de clima temperado no verão, quando é feito o cultivo, e um inverno com frio e neve, condições que reduzem as viroses transmitidas por insetos a perto de zero. Isso não acontece nos climas tropical e subtropical, onde os plantios podem ser feitos o ano todo, mas estão mais sujeitos a todo tipo de doença causada por vírus. Por isso, o Brasil e outros 70 países importam as batatas-sementes”, explica Caram de Souza Dias, que mantém e divulga a pesquisa com brotos de batata-semente desde 1985, quando foi feita a primeira divulgação da tecnologia.

O objetivo foi incentivar os pequenos produtores ao cultivo da batata, fugindo da importação e com redução de custos de produção que chegam a 40% do total. A primeira divulgação na região de Tupã, que não é área tradicional de cultivo de batata, ocorreu durante o 52.º Ciclo de Palestras “Álvaro Santos Costa”, quando foi oferecido a 32 agricultores interessados o curso “Cultura da Batata e Tecnologia IAC do broto/batata-semente”, em abril do ano passado.

O curso contou com partes teórica e prática, sendo a primeira realizada na sede da CDRS Regional Tupã, para abordar a “Introdução à Bataticultura (técnicas de preparo do solo, adubação, calagem, condução, tratos culturais) e a “Tecnologia de propagação de batatas-sementes a partir do broto”, com orientações técnicas voltadas aos sistemas agroecológico e convencional. A parte prática foi realizada na Chácara Nossa Senhora Aparecida, localizada no Bairro Sabiá, em Tupã.

“O intuito era que os produtores se organizassem e, decidindo investir na bataticultura, pudessem produzir e ter autonomia em relação à obtenção das suas próprias batatas-semente, livre de vírus”, conta Caram, que apresentou os minitubérculos livres de vírus, produzidos a partir do broto, e permitiu, na ocasião, que 28 produtores interessados pudessem iniciar os experimentos, sendo 12 de linha agroecológica, dois orgânicos com certificação e 14 convencionais. Desses, 22 são do município de Tupã, três de Lucélia, um de Iacri, um de Parapuã e outro de Queiroz.

“Nos disponibilizamos, neste primeiro momento, a verificar se os novos brotos realmente estariam livres de vírus, pois é preciso que sejam produzidos sob telado, em substrato, sobre bancadas, sem contato com o solo. A princípio, de forma simples, não sendo necessários grande estrutura e investimento por parte do produtor”, esclarece Caram, afirmando: “O intuito é que trabalhem de forma cooperativa, escolhendo um para produzir batatas-sementes para todos ou formando uma associação, ou, ainda, solicitando apoio de prefeituras para a construção de um barracão telado para a produção; enfim, é preciso que tenham a consciência da importância da produção de suas próprias batatas-sementes, livres de vírus, porque, uma vez infectado, o tubérculo já não poderá ser usado como semente, pois degenera, inviabilizando a produção. Por tal motivo, estamos fazendo os testes nesses experimentos, para que possam dar início a uma produção sustentável”, afirma o pesquisador, que é vinculado ao Setor de Virologia do Centro de Fitossanidade do IAC.

Segundo Idoraldo Junior, infelizmente, com a pandemia, foi necessário cancelar o curso deste ano (2020), que daria continuidade ao trabalho, tirando as dúvidas, incentivando outros produtores e apresentando os primeiros resultados dessa parceria para difusão de tecnologia. “Mas os trabalhos a campo serão retomados assim que for possível”, frisa o técnico.

É o que espera o produtor agroecológico Wilson Dias. Contador por formação, Wilson trabalhou durante anos em sua área, mas, depois de uma experiência caseira com a agricultura, “tomou gosto”. Há seis anos voltei do Pará para São Paulo, comprei uma propriedade em Tupã e resolvi investir em agroecologia. “Eu me encontrei na agricultura, fiz diversos cursos, tanto pelo Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) quanto pela Casa da Agricultura de Tupã. Sou um entusiasta da agroecologia e quero alçar novos voos”, diz Wilson. Quando se refere aos voos, não é no sentido figurado, Wilson conta que o aeroporto de Tupã foi privatizado e logo realmente serão disponibilizados voos de 40 minutos, para São Paulo. “Meus produtos ainda vão chegar na capital!”, diz entusiasmado.

Esse mesmo entusiasmo ele teve com o resultado das batatas-sementes que utilizou em sua área após o curso oferecido por Idoraldo e Caram. O resultado foi excelente, resultando em batatas de excepcional qualidade. “A minha intenção realmente é reunir os produtores agroecológicos em uma associação e termos uma casa de vegetação que nos forneça as sementes, não só de batata, mas de outros produtos, já que a certificação agroecológica pressupõe que as sementes sejam produzidas no mesmo sistema. Somos muito unidos, só falta mesmo formalizar”, disse.

Por alguns aspectos a pandemia adiou os planos; por outros, o isolamento fez com que todo o grupo de oito produtores agroecológicos esteja produzindo e vendendo muito mais. “A clientela aumentou, percebo as pessoas cada vez mais preocupadas com uma alimentação saudável e, realmente, essa tecnologia do broto-batata-semente apresentada no ano passado abriu novas possibilidades”, afirma o produtor, que espera novas capacitações oferecidas pela Secretaria de Agricultura para o próximo ano.

A Tecnologia IAC do broto-batata-semente

Normalmente, ao observar as batatas/tubérculos, podemos notar que elas, com o passar do tempo, emitem brotos. Milhares desses brotos acabam sendo perdidos, descartados quando tem início o plantio dos tubérculos para uma nova safra. Pois é justamente esse material ‒ os brotos perdidos ‒ que pode ser utilizado para a produção das batatas-sementes. Verificando que estão livres de vírus, eles são plantados em vasos e irão originar novos minitubérculos, que serão transplantados no campo, criando um círculo de produção. “O importante é serem brotos sadios, livres de vírus, e devem ser escolhidos os melhores para o plantio ‒ os maiores e mais bonitos ‒, que se destacam pela qualidade, para que a produção também venha a ter essa qualidade genética”, explica Caram.

A própria produção de batatas-sementes para venda pode ser uma alternativa para um produtor que tenha interesse em fornecer aos demais. Já para os pequenos produtores é economicamente inviável adquirir via importação, seja ele convencional ou orgânico. O Brasil depende da importação, mas Caram e Idoraldo, parceiros nessa difusão de tecnologia, acreditam que para o pequeno produtor que queira uma alternativa com a produção de batatas, a produção em forma de condomínio de agricultores para a produção de batatas-sementes em uma casa de vegetação para esta finalidade é um caminho fundamental.

“É preciso criar uma cadeia entre produtores/extensão/pesquisa e, dessa forma, a Secretaria de Agricultura proverá o incentivo e o suporte necessários para iniciarem uma nova atividade. “Podem começar de maneira simples, primeiro dominar a técnica para viabilizar a produção segura. Se, de cada 10 tubérculos, o produtor vender nove e escolher um, apenas aquele para dar início à produção de novos tubérculos, ele já terá novos tubérculos para plantar no próximo ciclo, o produtor não ficará dependente, vai utilizar o recurso que tem, isso é a base da sustentabilidade”, se entusiasma Caram.

As batatas-sementes produzidas pelo IAC ‒Aracy, Aracy Ruiva, Itararé, Vitória,Ibitu-açú ‒são ideais para os cultivos agroecológico e orgânico, mas existem outras variedades comerciais bem conhecidas como Àgata, Asterix e Atlantic. O engenheiro agrônomo Idoraldo Junior tem acompanhado os agricultores no campo, ajudando a implantar o cultivo da batata na região.

Não só a tecnologia IAC do broto-batata-semente foi levada como alternativa aos agricultores da região de Tupã. Também por meio de uma parceria com a APTA-Polo Itararé, a extensão rural buscou variedades de batatas, mais rústicas, citadas acima e, portanto, mais adequadas para adaptação na região, para incentivar o cultivo. “Este ano, 20 produtores vêm realizando os testes com tais variedades, resultado das parcerias com a pesquisa, sendo nove de linha agroecológica, quatro orgânicas com certificação e sete convencionais”, conta o agrônomo.

A região de Tupã, segundo Idoraldo, tem tradição no cultivo de amendoim e mandioca para indústria, importantes na produção agrícola; as culturas da soja e batata-doce vêm crescendo na região, ao lado de grandes culturas consolidadas, como a cana-de-açúcar; já na atividade pecuária, destaca-se a bovinocultura de corte.

Fonte: Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Butantan amplia “drive-thru” de teste PCR para diagnóstico de coronavírus em SP

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Até o dia 10 de agosto o Instituto Butantan, vinculado à Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo, irá promover um drive-thru de testagem diagnóstica PCR gratuita de COVID-19 para a população no Shopping SP Market, localizado na Zona Sul da capital paulista. A ação é um piloto e voltada a pessoas assintomáticas para detectar a presença do vírus, ou seja, o exame irá verificar se a pessoa está com infecção em fase aguda.

A testagem acontecerá das 08h às 17h no estacionamento do shopping, onde serão distribuídas senhas para a realização com limite de 200 testes por dia. A partir do dia 5 de agosto a capacidade diária será de 400 atendimentos.

Será permitida a entrada apenas de carros de passeio. Os participantes preencherão um formulário e terão amostras das narinas e garganta coletadas por uma equipe de técnicos do Butantan para análise no laboratório do próprio Instituto. Após a coleta, os resultados serão enviados em até 72 horas por e-mail.

“Existe uma orientação da Organização Mundial da Saúde para se fazer o maior número de testes possível. E o Butantan vem trabalhando intensamente neste intuito, coordenando a Plataforma de Laboratórios para Diagnóstico de Covid-19 no Estado de São Paulo, realizando ações de testagem em populações vulneráveis, entre outras. Esta que estamos iniciando agora ainda é um piloto, mas visa democratizar o acesso ao teste. Se essa experiência demonstrar sucesso, pretendemos ampliá-la”, afirma o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

Testagem no Estado de São Paulo

O Instituto Butantan é referência na realização de testes diagnósticos do novo coronavírus no Estado de São Paulo. Desde abril, coordena a Plataforma de Laboratórios para Diagnóstico de COVID-19, responsável pelo processamento de exames PCR da rede pública estadual de saúde, apoiando inclusive outros estados. Também coordena um programa de testagem em populações vulneráveis, como indígenas e comunidades periféricas, por exemplo, além de algumas categorias do funcionalismo público com o objetivo de combater a disseminação do vírus nestes grupos.

Serviço drive-thru de exame PCR para diagnóstico de covid-19

Quando: de 30 de julho a 10 de agosto de 2020

Horário: das 8h às 17h – até o limite de 200 atendimentos. A partir do dia 5/8 a capacidade será de 400 atendimentos.

Local: Estacionamento do Shopping SP Market

Avenida das Nações Unidas, 22540 – Jurubatuba – São Paulo/SP

Gratuito

Fonte: Assessoria de Imprensa

Laranjeiras imunes: Variedades desenvolvidas no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), com acréscimo de gene de tangerina, se mostraram resistentes à clorose variegada dos citros

IAC Fapesp

De Sarah Schmidt para a Revista Fapesp / Foto de Léo Ramos Chaves

Laranjas doces das variedades Pineapple e Hamlin receberam um gene de tangerina e se mostraram resistentes à clorose variegada dos citros (CVC), também conhecida como a praga do amarelinho. O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em Cordeirópolis, interior paulista. Para chegar ao resultado, eles infectaram plantas de tangerina, naturalmente resistentes à doença, com a bactéria Xylella fastidiosa, causadora da CVC, e conseguiram identificar um gene com potencial de conferir essa resistência.

Batizado de RAP2.2, o gene já era conhecido da comunidade acadêmica por estar presente em outras espécies vegetais. No entanto, a descoberta de seu papel em defender plantas de citros frente à Xylella é inédita, “assim como a inserção do gene de tangerina em laranja doce com o objetivo de combater a praga”, ressalta a bióloga Alessandra Alves de Souza, líder do estudo e pesquisadora do IAC, instituição que completou 133 anos em junho. Os caminhos percorridos na pesquisa foram publicados nas revistas Phytopathology e Molecular Plant-Microbe Interactions, em 2019 e 2020, respectivamente.

A clorose variegada de citros é transmitida às laranjeiras pela picada de cigarrinhas, insetos que medem pouco mais de 1 centímetro. Uma vez dentro do fruto, a Xylella começa a se multiplicar ao ponto de obstruir os vasos que transportam água e nutrientes da raiz para a copa das plantas, deixando os frutos pequenos e duros e, por isso, impróprios para o consumo e a comercialização. A praga já foi o maior problema dos citricultores paulistas – em 2009, atingia 42% das plantações de laranja de São Paulo e na região do Triângulo Mineiro e no sudoeste do estado. Atualmente, esse número caiu para 1,71%, de acordo com o levantamento de 2019 do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). O controle é feito com técnicas de manejo, como uso de inseticidas e plantio de mudas em ambiente protegido.

O gene de tangerina pode dar às laranjeiras condições de se defender melhor da doença. “Esse gene se liga ao DNA da planta e ativa outros genes, envolvidos na fortificação da parede celular vegetal. Com isso, a bactéria não consegue se mover tão bem e fica aprisionada”, explica Souza. “A planta, então, percebe o patógeno e ativa seu mecanismo de resistência, conseguindo matá-lo ou reduzir de forma significativa os danos causados por ele.” Como as laranjas doces são a principal cultura do agronegócio de cítricos, a nova planta tem potencial para ser mais competitiva. “Elas poderão produzir mais e ter um manejo mais sustentável e econômico”, observa a bióloga.

O cruzamento entre tangerina e laranja doce já ocorre de forma natural no ambiente e, por isso, o procedimento adotado não é classificado como transgenia e sim como cisgenia, quando são transferidos apenas genes de espécies compatíveis do ponto de vista reprodutivo. Isso garante um desenvolvimento mais rápido e seguro por evitar etapas em que poderiam ocorrer incompatibilidade e conferir características indesejáveis ao fruto. O IAC já desenvolveu uma tangerina que vem do cruzamento genético natural com a laranja doce, batizada de Maria, resistente à mancha marrom de alternária, em um processo que durou 20 anos e envolveu cruzamentos, mapeamento genético, testes de paladar e de resistência à doença.

Atualmente, as plantas de laranja doce com gene de tangerina estão sendo preparadas para entrarem na fase de ensaio em campo no próprio Centro de Citricultura, após mostrarem um bom resultado nas estufas. Como se trata de uma planta geneticamente modificada, para que a nova fase em campo seja iniciada é preciso obter autorização da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). “Estamos com a documentação em andamento e a expectativa é que a liberação ocorra até o final do ano”, prevê Souza. Essa fase deve durar cinco anos e, depois disso, se os testes apresentarem resultados satisfatórios, as novas plantas poderão ser liberadas para os citricultores.

O processo e a planta “cobaia”

Após identificarem na tangerina uma série de genes associados aos mecanismos que poderiam conferir resistência à CVC, os pesquisadores os implantaram em uma “planta cobaia”, a Arabidopsis thaliana, muito utilizada em estudos de biologia molecular. “Nesta etapa, ganhamos vários anos em pesquisa, já que a transferência e o estudo de todos os genes em laranjas é um processo caro e demorado”, explica Souza, “principalmente porque a planta leva uns três anos para se desenvolver e tem um longo período juvenil de difícil manipulação genética”. Com o teste na planta modelo, esse período caiu para cerca de oito meses. Após a experiência em Arabidopsis, foi possível eleger o gene mais promissor, o RAP2.2, e transferi-lo para as plantas de laranja doce.
Parte do estudo foi desenvolvida no campus de Davis da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, onde o biotecnologista Willian Pereira passou um ano por meio do programa Ciência sem Fronteiras, enquanto cursava o doutorado em genética e biologia molecular, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob orientação de Souza.

Entre agosto de 2015 e julho de 2016, ele aprofundou a pesquisa em Arabidopsis nos laboratórios do Departamento de Ciências das Plantas da universidade norte-americana. Por lá, analisou a função da proteína RAP2.2 da planta modelo para compará-la com a de tangerina. Ao perceber a semelhança entre elas, avaliou a reação de ambas frente à infecção por Xylella. “Os resultados mostraram que as proteínas são ortólogas, ou seja, desempenham a mesma função nos dois tipos de planta. Percebemos também que a infecção em Arabidopsis é similar àquela que ocorre nas laranjas doces, porque a bactéria coloniza os mesmos vasos e também gera sintomas”, conta Pereira. A pesquisa ainda mostrou, de forma inédita, que Arabidopsis pode ser usada como planta modelo para futuras pesquisas com outros genes de citros para uma variedade de aplicações.

Tradição no combate às pragas

“A possibilidade de existir uma planta resistente permitiria um uso menor de inseticidas no controle das cigarrinhas que são os vetores da CVC”, avalia o engenheiro agrônomo Antonio Juliano Ayres, gerente-geral do Fundecitrus. Ele ressalta, porém, que “é necessário aguardar os resultados em campo para confirmar a efetividade desses resultados preliminares obtidos em casa de vegetação”.

De fato, as demais etapas da pesquisa sugerem que o gene RAP2.2 tanto pode ser usado em outras espécies afetadas pela Xylella, como oliveiras e videiras, como tem potencial para o combate a outras pragas de citros, como o greening. Também chamado de HLB, o patógeno é hoje o maior desafio da citricultura mundial e atinge 19,02% das plantações de laranja em São Paulo e Minas Gerais, de acordo com dados de 2019 do Fundecitrus.

Como a Xylella, o HLB é transmitido pela picada de um inseto, o psilídeo Diaphorina citri, e a bactéria Candidatus liberibacter também coloniza os vasos das plantas. “O gene de tangerina pode fortalecer as paredes desses vasos e ajudar a planta a eliminar a bactéria. Ainda, com os vasos mais resistentes, o inseto pode desistir de picar a planta”, conta Souza. “Estamos estudando essa possibilidade.”

O Centro de Citricultura Sylvio Moreira tem tradição na busca por novas maneiras de combater as pragas em citros. Em 2017, Souza e colegas desenvolveram outra variedade de laranjeira transgênica resistente à CVC. Na ocasião, foi introduzido no genoma da planta um gene da própria bactéria: o rpfF, responsável pela produção de uma proteína homônima que reduz a movimentação de Xylella. Em 2020, as plantas completam dois anos em fase de campo e, até o momento, se mostraram resistentes ao patógeno e com bom desenvolvimento. O genoma da Xyllela foi o primeiro de um organismo causador de doenças em plantas a ser sequenciado no mundo e o feito, parte do Programa Genoma FAPESP, foi capa da revista Nature em 13 de julho de 2000, com participação de Souza.

Outro destaque do Centro de Citricultura é um produto desenvolvido nos laboratórios do centro, cujo princípio ativo é uma molécula antioxidante chamada N-acetilcisteína (NAC), destinado ao controle do CVC, do cancro cítrico e do HLB. A NAC é comercializada desde 2019 pela startup CiaCamp – da Ciência ao Campo. Para Souza, as tecnologias desenvolvidas são complementares. “Nunca teremos um gene ou um produto que resolva todo o problema. Trabalhamos para termos alternativas. Daqui a uns anos, o patógeno conseguirá quebrar a resistência. Por isso, precisamos de diferentes abordagens, olhando para o futuro”, conclui.

Semana Mundial de Amamentação será lançada amanhã (31) pelo canal Saúde em Rede

apqc1A Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) é comemorada em vários países anualmente na primeira semana de agosto, por iniciativa da Aliança Mundial pela Amamentação – WABA. O tema de 2020 foi definido a partir da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, um plano de ação global para o desenvolvimento humano com a preservação da natureza e nos convida a uma reflexão sobre a importância de promover o aleitamento materno para termos planeta saudável.

A amamentação é um excelente exemplo das profundas conexões entre a saúde humana e os ecossistemas. O leite materno é um alimento natural e renovável, ambientalmente seguro e ecológico, porque é produzido e entregue ao consumidor com o mínimo de poluição, embalagem ou desperdício.

Neste ano, a SES-SP lançará a SMAM amanhã, dia 31 de julho, às 9 horas. Com o apoio da Coordenadoria de Controle de Doenças e equipe da “Saúde em Rede”, o evento de abertura será transmitido online, com a presença de Sonia Venancio, pediatra, pesquisadora e assistente da diretoria do Instituto de Saúde. “Amamentação é um tema muito caro para o Instituto de Saúde, nós temos uma linha de trabalho já consolidada”, diz ela. “O nosso trabalho é pautado pela produção de evidências, conhecimentos, difusão técnico-científica e promoção de eventos, porque a gente acredita que essa é a melhor forma de contribuir para a formulação e implementação das políticas de aleitamento materno no Brasil”, acrescenta.

O evento conta, ainda, com a presença de Moisés Chencinski, presidente do departamento científico de aleitamento materno da Sociedade Brasileira de Pediatria; Alberto Guimarães, obstetra e fundador da Parto Sem Medo; e representantes do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros e Hospital Geral de São Mateus na Iniciativa Hospital Amigo da Criança.

Acompanhe a abertura da SMAM 2020 pelo canal da Saúde em Rede no YouTube (clique aqui para assistir), na próxima sexta-feira, 31 de julho.

Fonte: Instituto de Saúde

Instituto Butantan quer dobrar capacidade de produção de vacina contra o coronavírus

Da Revista Veja

Nesta quarta-feira, 29 de julho, o governador de São Paulo, João Dória, afirmou em coletiva estar buscando parceiros em todo o continente para conseguir aumentar a capacidade de produção da vacina Coronavac, que, no momento, está sendo testada pelo Instituto Butantan. Caso a vacina funcione, o Butantan possui capacidade de produzir até 60 milhões de doses. O desejo é dobrar esse número, mas, para isso, é necessário um aporte de cerca de R$ 130 milhões.

Ainda em São Paulo, a prefeitura afirmou estar estudando a liberação de mesas de bares em calçadas já em agosto. A notícia vem no dia em que o diretor regional da OMS na Europa, Hans Kluge, afirmou que os jovens provavelmente são os responsáveis por novos picos na região. Em entrevista à BBC, Kluge falou que os relatórios estão mostrando que as infecções nessa faixa etária vem crescendo e que isso deve estar ligado ao fato de que os mais novos estão saindo às ruas para aproveitar o verão europeu.

Para Margaret Harris, porta-voz da OMS, não faz mais sentido falar em “segunda onda”. Na coletiva de hoje, ela afirmou que estamos em uma única grande onda e que, para ela, falar dessa forma leva as pessoas a acreditarem que o vírus se comporta de um jeito que está fora do controle do Ser Humano, quando, na verdade, há uma série de medidas que podem ser tomadas para evitar a propagação.

Nas últimas 24 horas, o Brasil teve 69.074 novos casos confirmados do coronavírus e 1.595 mortes causadas pela doença. O novo recorde diário, porém, pode ser explicado pelo fato de que na última terça o governo de São Paulo atrasou a divulgação dos dados do Estado e divulgou hoje dados referentes a dois dias, que somaram 713 óbitos e 23.543 novos casos. O país acumula agora 2.553.265 casos, 90.134 mortes e 1.787.419 recuperados.

Instituto Florestal celebra em live o Dia Mundial do Guarda-parques

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Você é nosso convidado especial para participar de mais uma edição do Café Virtual. O programa dessa vez será em homenagem ao Dia Mundial dos Guarda-Parques, servidores que ajudam a preservar e a proteger o Meio Ambiente. O evento será realizado amanhã (quinta, 30 de julho), às 15h, diretamente da Sala do Zoom do Instituto Florestal. Após a inscrição, você receberá um e-mail de confirmação contendo informações sobre como entrar na reunião.

Inscreva-se CLICANDO AQUI

 

Dia do Agricultor: conheça as inovações da Secretaria de Agricultura e Abastecimento que facilitam a vida deste profissional

O Dia do Agricultor, comemorado hoje (28 de julho), marca as homenagens ao profissional que produz alimentos, gera renda e empregos e contribui ativamente para a economia paulista e brasileira. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo listou seis ações que facilitam o dia-a-dia dos agricultores, seja na realização de serviços, na capacitação. Confira abaixo.

 

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1- Novo normal: novas formas de levar tecnologia ao campo

Mesmo durante a pandemia, os trabalhos desenvolvidos pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento não pararam. Pesquisadores, extensionistas e técnicos têm desenvolvido diversas ações para continuar levando informação e tecnologia para os agricultores. De abril a julho de 2020, por exemplo, os pesquisadores dos Institutos e unidades regionais da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) participaram de 70 lives, aproximadamente. O acesso aos sites dos órgãos da Secretaria foi bastante expressivo de janeiro a julho de 2020: mais de um milhão e meio de acessos a notícias, pesquisas e serviços oferecidos pela Pasta.

Além disso, os Institutos têm se esforçado para realizar eventos online, como é o caso do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL-APTA), que por meio do Centro de Tecnologia de Frutas e Hortaliças (Fruthotec), realizará pela primeira vez o tradicional curso de industrialização de palmito de forma online. A capacitação deve ocorrer em novembro ou dezembro. O ITAL atuou na elaboração de normas do Codex Alimentarius relacionadas ao palmito em conserva que norteiam a imensa maioria da produção no Brasil e realiza essa capacitação obrigatória de profissionais da área há mais de 20 anos, tendo formado mais de 500 profissionais.

2 – Compartilhar informação para alavancar a produção

O setor cafeeiro tem uma ferramenta de comunicação importante para tratar de assuntos que vão da semente à xícara e que contribui para alavancar a produção de café. É a Rede Social do Café, uma ação que tem o pesquisador do Instituto Agronômico (IAC-APTA), Sérgio Parreiras Pereira, como mediador. Diariamente, os cafeicultores podem se atualizar sobre notícias relacionados a clima, cotação, comercialização e agroindústria, além de resultados científicos das instituições que compõem o Consórcio Pesquisa Café.

Neste período de pandemia, o acesso à rede, que existe há 14 anos, aumentou em 27% em números de usuários, 35% em novos usuários e 23% em visualização da página. Ao longo desses anos, a Rede teve 22 milhões de acesso de todos os Estados brasileiros e outros 165 países. “Na plataforma, os produtores de café têm acesso direto a conteúdos digitais com tecnologias e práticas que ao serem adotadas impactam positivament’e no cotidiano do seu sistema produtivo”, afirma Pereira.

3- Gedave

O sistema Gestão de Defesa Animal Vegetal (Gedave) modernizou e agilizou a vida dos agricultores nos últimos anos, permitindo a realização de diversos serviços sem a necessidade de se deslocar ao Escritório de Defesa Agropecuária. A mais recente funcionalidade do sistema eletrônico é a emissão digital da Permissão de Trânsito Vegetal (PTV), de forma totalmente independente, sem a necessidade da assinatura do engenheiro agrônomo do serviço oficial. A emissão é feita após o pagamento pelo serviço.

O documento é emitido ao final de um processo de certificação fitossanitária pela Secretaria, por meio da Coordenadoria de Defesa Agropecuária. Desde o início da liberação do sistema, foram emitidas 3.979 PTVs, sendo que 2.404 emitidas pelo produtor ou seu responsável técnico, o que representa 60,41% do total emitido.

4 – App calcula o Valor Venal da propriedade

A Calculadora do Valor Venal da Terra Rural, primeiro aplicativo desenvolvido pela Secretaria de Agricultura, permite que, ao informar o município, área e categoria da terra rural, o interessado tenha na tela do celular, em questão de segundos, o valor venal de uma propriedade. Uma informação preciosa, que permite ao agricultor recolher corretamente os impostos, comprar e vender um imóvel e resolver questões ligadas à Justiça, e totalmente gratuita.

O app foi desenvolvido no âmbito do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) do projeto de modernização da metodologia para cálculo dos índices preços de terras, que passou a contar com 12 informações sobre cada um dos 645 municípios, o que permitiu a ponderação de uma média muito mais confiável. Além de servir de base para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), a ferramenta também facilita o recolhimento do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). Está disponível nas plataformas de aplicativos para Android e IOS.

5- Apoio ao agricultor

Para garantir o acesso às políticas públicas destinadas ao agricultor, que presencialmente conta com a capilaridade das Casas da Agricultura em todo o Estado, a Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS), órgão de extensão rural e assistência técnica da Secretaria, tem buscado meios de agilizar o atendimento, utilizando-se do teletrabalho e de ferramentas tecnológicas sem descuidar do necessário distanciamento social.

Uma das facilidades disponíveis ao produtor é o preenchimento e entrega digital das Declarações de Conformidade à Atividade Agrícola (DCAA) e de Conformidade à Atividade Aquícola (DCAAq). A DCAA é uma ferramenta muito importante que possibilita o acesso ao crédito. Todas as orientações estão descritas no site da CDRS (www.cdrs.sp.gov.br).

Outras atividades da equipe de extensão rural em teletrabalho neste período de pandemia visam ouvir os produtores, promover sondagens com entrevistas relativas à pandemia, levantamentos sobre abastecimentos e relatórios que possam direcionar as ações do Estado à viabilização de novas políticas públicas diante das grandes mudanças em todos os cenários.

6 – Orientação nas compras públicas

As compras públicas representam uma importante atividade na geração de renda aos agricultores paulistas. O Sistema Edital Paulista, ferramenta online gratuita da Secretaria visa orientar e dar transparência às chamadas públicas de compras de alimentos. Criado pela Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro), o sistema oferece informações e meios para acompanhar e participar dos editais de compras públicas dos Programas Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e Paulista da Agricultura de Interesse Social (Ppais) em andamento.

Além da divulgação de editais e referência de preços, há um passo a passo na elaboração de editais para chamamento e estatísticas com dados tabulados a partir da demanda das unidades compradoras. Esclarecimentos podem ser obtidos pelo email: compraspublicas@codeagro.sp.gov.br.

Fonte: Assessoria de Imprensa – APTA

Vídeo: Funcionários do Instituto Butantan falam de suas expectativas em relação à vacina contra o coronavírus

Quando as doses da candidata da Sinovac desembarcaram em São Paulo, as equipes do almoxarifado e do setor de rotulagem do Instituto Butantan estavam a postos esperando por elas, para começar a distribuição aos centros de pesquisa clínica vão acompanhar os resultados. Alguns destes funcionários falaram ao Canal Butantan, no Youtube, sobre seus sentimentos em relação a este grande passo em direção à uma vacina que poderá estar acessível a todos os brasileiros, caso sua eficácia seja comprovada. Assista o vídeo.

Instituto de Saúde e Butantan desenvolvem estudo sobre a saúde mental dos profissionais de saúde durante a pandemia

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O Instituto de Saúde, em parceria com o Instituto Butantan, dá início a um projeto que tem como tema central a saúde mental de profissionais de saúde durante a pandemia do coronavírus. O projeto realizará uma avaliação longitudinal, coletando dados de profissionais de saúde que atuam hospitais, que serão sorteados, situados em diferentes localidades do Estado, como a própria capital, a Grande São Paulo e o Interior.

Segundo Tazio Vanni, médico infectologista e pesquisador do Instituto Butantan, a ideia de fazer essa amostragem por sorteio permite ter controle sobre qual é a população alvo, qual o seu grau de resposta, ou até de não resposta, para que o projeto possa abranger diferentes grupos de profissionais.

“Nosso objetivo é conhecer a realidade e as condições de trabalho dos profissionais de saúde que atuam em hospitais aqui no estado de São Paulo, […] se esses profissionais estão tendo acesso e estão aderindo as medidas de prevenção, qual a percepção que eles têm sobre o risco de contágio e o impacto desse momento de pandemia na saúde mental desses trabalhadores”, afirma Sonia Venancio, vice diretora do Instituto de Saúde e coordenadora do projeto.

O estudo será baseado em um instrumento validado para a população utilizado para avaliações de saúde mental, visando entender o quanto a epidemia está afetando o planejamento pessoal, a satisfação e grau de felicidade desses profissionais. Além da questão emocional será avaliada a percepção do risco físico, o quanto essas pessoas se sentem expostas e o quanto acham que estão expondo seus familiares; se consideram quais os riscos que isso pode ocasionar para elas em médio e longo prazo, e calculando tudo isso se ela ainda está disposta a ajudar as pessoas a se manter na linha de frente do combate da doença.

“A metodologia já foi feita em Hong Kong durante a SARS-COV-1, em 2003, e se viu que tinha um impacto importante, até porque naquele momento teve um efeito dominó no sistema de saúde, então eles queriam entender porque algumas pessoas estavam estrando em estafa não só do ponto de vista físico, mas também mental”, diz Tazio.

O estudo será divido em três ondas, a primeira tendo início imediato durante o atual estágio da pandemia. As duas seguintes serão iniciadas após a diminuição da taxa de contágio e a estabilização da doença. Alguns dos profissionais serão avaliados durante as três ondas para que se possa perceber se há um efeito acumulativo em seus diagnósticos. “Isso [estafa física e mental] talvez também esteja acontecendo aqui no Brasil, salvando as devidas proporções, mas se não olharmos não vamos saber, se não soubermos não vamos poder fazer nada para ajudar essas pessoas que estão assistindo quem mais precisa”, afirma Vanni.

Fonte: Núcleo de Comunicação Técnico-Científica

Instituto Geológico divulga diagnóstico da contaminação potencial por nitrato nos aquíferos Bauru e Guarani

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O Instituto Geológico (IG), órgão vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA), e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) apresentaram durante os dias 14, 15, 16 e 17 de julho, em formato de webinars, os resultados do projeto de pesquisa “Delimitação das Zonas Potenciais à Contaminação por Nitrato nas Águas Subterrâneas dos Sistemas Aquíferos Bauru e Guarani, no Estado de São Paulo”.

O estudo, financiado pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO), por meio do Comitê Coordenador do Plano Estadual de Recursos Hídricos (CORHi) do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CRH), abrangeu as áreas urbanas de 304 municípios paulistas, distribuídos ao longo de 15 comitês de bacias hidrográficas (CBHs).

A pesquisa foi divulgada em encontros virtuais para os presidentes, secretários executivos e demais integrantes de 12 CBHs: Piracicaba/Capivari/Jundiaí (CBH-PCJ), Alto Paranapanema (CBH-ALPA), Sorocaba/Médio Tietê (CBH-SMT), Pardo (CBH-PARDO), Tietê-Jacaré (CBH-TJ), Sapucaí-Mirim/Grande (CBH-SMG), Mogi (CBH-MOGI), Baixo Pardo/Grande (CBH-BPG), Baixo Tietê (CBH-BT), Tietê/Batalha (CBH-TB), Turvo/Grande (CBH-TG) e São José dos Dourados (CBH-SJD). Para os demais CBHs, a equipe de pesquisadores do IG e do IPT promoveu um evento presencial em 16 de março de 2020 e que antecedeu às ações de combate à pandemia da COVID-19, sendo eles: Médio Paranapanema (CBH-MP), Aguapeí/Peixe (CBH-AP) e Pontal do Paranapanema (CBH-PP).

“Trata-se de uma abordagem regional inédita. Com os resultados podemos efetuar a discussão com os membros dos comitês de bacias hidrográficas e técnicos interessados nesse tema emergente, além de iniciar o importante diálogo com a sociedade sobre os possíveis problemas com o nitrato e soluções para o seu enfrentamento”, disse o secretário da SIMA, Marcos Penido. Já na abertura dos eventos, no primeiro dia, o Subsecretário da SIMA Eduardo Trani relembrou o papel do Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo (SIGRH), destacando a qualidade e a importância dos resultados obtidos no âmbito do projeto.

Por sua vez, o Eng. Rui Brasil Assis, coordenador da CRHi (Coordenadoria de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo) declarou que “esse conhecimento é muito valioso para toda a sociedade, mas principalmente para o Departamento de Águas e Energia (DAEE) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), que podem utilizar as informações para o licenciamento ambiental. Os municípios ganharam mais um subsídio para incorporarem em seus Planos Diretores”.

Os quatro dias de evento foram bastante dinâmicos, onde os palestrantes procuraram enfocar os resultados obtidos nos municípios que fazem parte dos CBHs envolvidos. Durante os webinars os pesquisadores do IG e do IPT responderam às perguntas dos participantes, sempre em número expressivo. Assim, está sendo elaborado um caderno de “perguntas e respostas” que, oportunamente, será disponibilizado na mídia. O evento contou com a participação de 1.152 profissionais na área de recursos hídricos e demais interessados pelo tema.

A coordenadora do projeto, Claudia Varnier, pesquisadora do Núcleo de Hidrogeologia do IG, explicou que “o nitrato é o contaminante inorgânico de maior ocorrência em aquíferos no mundo devido à sua alta mobilidade e persistência, sendo motivo de preocupação dos gestores de recursos hídricos em função do crescente aumento do número de casos reportados”. A pesquisadora ainda lembrou que a principal fonte potencial de nitrato em áreas urbanas corresponde aos sistemas de saneamento, dos quais destacam-se as fossas sépticas e os vazamentos das redes coletoras de esgoto.

Os dados e informações obtidos no estudo demonstraram que, segundo a pesquisadora do Laboratório de Recursos Hídricos e Avaliação Geoambiental (Labgeo) do IPT, Tatiana Tavares, “a maior porcentagem das áreas dos municípios estudados possui classificação moderada quanto ao potencial de contaminação por nitrato. As áreas cujo potencial de contaminação foi classificado como elevado, situam-se, principalmente, nas zonas centrais das áreas urbanas desses municípios”.

Uma priorização dos municípios foi feita para futura execução de estudos de detalhe e ações de gestão, sendo prioritários aqueles que são abastecidos total ou parcialmente por água subterrânea e onde ocorrem concentrações de nitrato acima do padrão de potabilidade (>10 mg/L N-NO3–) ou dentro do Valor de Alerta (5 a 10 mg/L N-NO3–). Tais localidades possuem áreas de carga potencial elevada para esse contaminante.

De acordo com o pesquisador José Luiz Albuquerque Filho, coordenador dos trabalhos pelo Labgeo/IPT, “essa pesquisa constitui instrumento para o enfrentamento do problema do nitrato nos aquíferos paulistas, constituindo-se em subsídio para o desenvolvimento de ações estratégicas por parte de todos os gestores públicos, das diversas esferas de governo e pelos comitês de bacia, lembrando que a água subterrânea é um recurso fundamental para a grande maioria dos municípios do Estado de São Paulo, considerada como fonte exclusiva para o abastecimento público das cidades”.

No documento são também apresentadas recomendações para a prevenção e mitigação do problema, abrangendo ações para os poços contaminados por nitrato, às áreas com carga potencial de nitrato elevada e alta criticidade. Os encontros foram mediados pelas pesquisadoras do Núcleo de Hidrogeologia do IG, Mara Akie Iritani, Marta Deucher e Sibele Ezaki.

Para assistir ao Webinar CLIQUE AQUI.

Fonte: Assessoria / Instituto Geológico

Vídeo: Diretor do Instituto Butantan fala sobre a satisfação de trazer ao Brasil possível vacina contra o coronavírus

Neste episódio da série Butantan na Pandemia, o diretor Dimas Covas fala da satisfação em ver o Instituto Butantan à frente do estudo com uma das três vacinas mais promissoras contra o coronavírus no mundo. Clique acima para assistir o vídeo.

Instituto Florestal discute permissão de uso da floresta estadual de Bebedouro

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O Instituto Florestal, órgão ligado à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA), realizou no dia 15 de julho uma audiência com a comunidade científica para discutir a proposta de permissão de uso da Floresta Estadual de Bebedouro pelo município. A concessão é a título precário e gratuito pelo prazo de 30 anos dos 94,27 hectares de área.

“Estou absolutamente satisfeito com a audiência. Essa somatória de esforços na parceria consistente com a prefeitura trará benefícios para a população e o meio ambiente”, disse o diretor geral do IF, Luiz Alberto Bucci.

A área é destinada para a promoção de atividade de uso público, educação, recreação, lazer e turismo. As pesquisas em andamento no território não sofrerão qualquer alteração e a outorga é revogável a qualquer tempo.

“A floresta possui uma localização estratégica na entrada do município. Será um avanço para o turismo da região. Já temos projetos com instituições e iniciativa privada para desenvolver o lazer e a educação ambiental no local”, comentou o representante da prefeitura, Rogério Valverde.

A unidade foi fundada em 1928 pelo então governador Júlio Prestes com a finalidade de produzir e distribuir mudas oriunda da capital para fins de reflorestamento com espécies nativas e exóticas.

“Temos ótimos exemplos de outras áreas que também foram concedidas para prefeituras. São exemplos de gestão compartilhada, onde quem ganha é o cidadão com a inclusão social em um local bem cuidado para fazer contato intenso com a natureza”, destacou o subsecretário de Meio Ambiente, Eduardo Trani.

A audiência foi conduzida pelos técnicos do IF, Jose Luiz Carvalho e Elaine Rodrigues. Com a aprovação, o projeto segue agora para análise do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).

Fonte: Assessoria do Instituto Florestal

Instituto de Pesca realiza pesquisas que podem viabilizar produção de salmão no Brasil

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Queridinhos dos apreciadores de comida japonesa, o salmão e a truta são peixes cada vez mais procurados pela população paulista e brasileira. Classificados como salmonídeos, originários do hemisfério norte, as duas espécies ocupam parcela significativa da piscicultura comercial e da pesca esportiva e são objeto de estudos científicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que mantém há mais de 50 anos a Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Campos do Jordão do Instituto de Pesca (IP-APTA), referência no Brasil e exterior em pesquisas com salmonídeos.

Criada em 1964 para promover o desenvolvimento da truticultura nas regiões serranas do Sudeste brasileiro, a Unidade de Pesquisa se mantém na vanguarda, na fronteira do conhecimento, ao desenvolver projetos de pesquisa na área de biotecnologia, que permitiu resultado inédito que pode viabilizar a produção de salmão do Atlântico em águas brasileiras, por meio de processo de aceleração da reprodução do peixe.

Os projetos foram conhecidos de perto pelo secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Gustavo Junqueira, que visitou a Unidade em 20 de julho, acompanhado pelo diretor do Instituto de Pesca, Vander Bruno dos Santos. Durante a visita, Junqueira conheceu as instalações da Unidade e acompanhou todo o processo de desova, incubação e alevinagem dos peixes. O secretário visitou ainda a Truticultura Ecoparque Pesca e Montanha, parceira do Instituto.

Biotecnologia: barriga de aluguel

Pesquisa inédita do Instituto de Pesca possibilitou a geração de alevinos de salmão do Atlântico em dois anos – enquanto naturalmente são necessários quatro anos para a reprodução do peixe. A celeridade do processo está na utilização da truta arco-íris como barriga de aluguel para produção do salmão.

Com a técnica, é possível acelerar o processo de melhoramento genético do salmão do Atlântico em até metade do tempo que seria necessário, levando em conta os métodos tradicionais. O estudo foi liderado pelo cientista do programa Jovem Pesquisador em Centros Emergentes da FAPESP, Ricardo Hattori, que desenvolveu a pesquisa no IP entre 2015 e 2019.

A dificuldade de se produzir salmão no Brasil está na temperatura das águas dos rios. A pesquisadora Yara Aiko Tabata explica que os salmonídeos, que englobam os salmões e trutas, existentes no País são do tipo landlocked, ou seja, que fazem o ciclo de vida completo em água doce. No caso da truta, o seu cultivo é mais difundido no Brasil, pois ela já se encontra aclimatada e apresenta bons índices reprodutivos em águas com temperatura de 10º a 12ºC. Já o salmão do Atlântico requer temperaturas mais baixas, ao redor de 8ºC.

“Se esta limitação é tida como um entrave para seu desenvolvimento, por outro lado, o fato de não encontrar em nossas águas temperaturas compatíveis para sua reprodução natural pode ser considerado uma condição interessante para que esta espécie venha a ser empregada como uma alternativa na pesca recreativa, sem riscos para o meio ambiente em caso de eventuais escapes”, explica Yara.

Segundo os pesquisadores, para realizar o melhoramento genético das espécies são necessárias várias gerações. Considerando um processo de melhoramento de três gerações, como o salmão leva cerca de quatro anos para atingir a idade reprodutiva, este processo levaria no mínimo 12 anos. Com a barriga de aluguel, é possível encurtar esse período pela metade.

Os resultados dos estudos foram publicados na revista científica Aquaculture, de relevância internacional. Outro estudo liderado por Hattori sobre linhagens de truta azul foi publicado neste ano na renomada revista científica Plos One.

Tecnologias paulistas em todas as regiões produtoras de truta do Brasil

A Unidade do Instituto de Pesca (IP), da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), atua na geração e difusão de tecnologias voltadas para a melhoria da qualidade da truta e a diversificação de produtos de valor agregado. Suas pesquisas e resultados podem ser vistos em todas as regiões produtoras de truta do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Minas Gerais e Paraná.

Anualmente, a unidade de pesquisa transfere ovos de truta para 50 produtores, aproximadamente, atendendo 10% da demanda nacional por ovos. Mais de um milhão de ovos são disponibilizados por ano, que são usados para melhorar a qualidade de 210 toneladas de truta produzidas no Brasil.

Entre resultados de pesquisa marcantes está a reversão sexual da truta para produção de lotes 100% fêmeas, aumentando a produtividade ao eliminar os machos sexualmente precoces e a triploidização, que consiste na manipulação cromossômica para a produção de lotes de peixes estéreis a fim de aumentar a produtividade por meio da eliminação da atividade reprodutiva, obtendo trutas de grande porte, com filés altos.

A truticultura brasileira é formada por pequenos produtores, por isso, uma forma de aumentar a renda desses profissionais é o uso de tecnologias que agreguem valor à produção.Uma grande contribuição do IP neste sentido foi a viabilização no Brasil da técnica de salmonização da truta, ou seja, o processo de pigmentação da carne com caroteinoide adicionado à ração, deixando a carne do peixe em tom rosa, característica que agrada aos consumidores. Outro resultado foi o desenvolvimento do “caviar de truta”, um produto de grande aceitação na alta gastronomia.

Fonte: Assessoria de Imprensa – APTA

Coronavírus: Diretor do Instituto Butantan se diz otimista com resultados da vacina

Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse ontem (21) que está muito esperançoso com as chances de sucesso da vacina contra o novo coronavírus que será testada pelo governo de São Paulo em parceria com o laboratório chinês Sinovac. De acordo com Covas, o nível de otimismo, entre 0 e 10, é 11.

Fonte: UOL

Webinar do Instituto de Saúde vai mostrar o mapa da Covid-19 no Brasil

“Mapeando COVID-19″ é o título da última edição da revista Metodologias e Aprendizado, dedicado aos métodos de georreferenciamento da expansão da pandemia nos territórios. O próximo webinar do Instituto de Saúde, na quinta-feira, 23 de julho, às 15 horas, irá explorar esse método de pesquisa e seus resultados no Brasil.

“O webinar irá tratar da importância de dados que podem ser posicionados em determinada região geográfica, tendo por base suas coordenadas na análise do espaço geográfico”, diz o geógrafo Eduardo Werneck, professor do Instituto Federal Catarinense – IFC e editor da revista, um dos convidados participantes do encontro.

O evento contará ainda com a presença de Fernando Heck, professor de Geografia do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) em Tupã (SP) que irá apresentar seu estudo “Os territórios da degradação do trabalho na Região Sul e o arranjo organizado a partir da COVID-19”; e do urbanista Leandro Ludwig, mestre em desenvolvimento regional, autor da nota técnica ”A COVID-19 em Movimento: efeitos emergentes da rede urbana na propagação espacial da COVID-19 em Santa Catarina”, do Núcleo de Estudos da Tecnociência da Universidade Regional de Blumenau. A mediação será de Lígia Duarte, pesquisadora do Núcleo de Serviços e Sistemas de Saúde do Instituto de Saúde.

Fernando analisou os dados relativos à localização dos frigoríficos e dos casos confirmados da doença por município, utilizando modelos convencionais da cartografia temática e técnicas de geoestatística. Os resultados sugerem áreas críticas e potencialmente críticas, considerando a similaridade e a difusão espacial da doença no âmbito local e regional. Aponta também para a preocupação com a disseminação da doença em virtude dos movimentos pendulares de trabalhadores e trabalhadoras e os frigoríficos como potenciais centros de difusão da COVID-19.

Leandro Ludwig convida o público a conversar sobre como a COVID-19 se expressa territorialmente nas redes urbanas, a partir de um estudo feito em Santa Catarina. “Imagine uma região metropolitana com alta densidade populacional e muita mobilidade de pessoas. Essa região tende a ter uma maior propagação do vírus que outra região do interior que possuí pouca mobilidade e densidade de pessoas. São essas relações que iremos discutir! Isso é importante para entendermos como aspectos de mobilidade, economia e densidade influenciam na propagação do vírus”.

Assista o webinar Rede Urbana e Saúde do Trabalhador na Pandemia: contribuições das informações georreferenciadas para o debate, na próxima quinta-feira, 23 de julho, às 15 horas, no canal do Instituto de Saúde no YouTube ou nesta postagem da APqC.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Instituto de Saúde

Instituto Butantan inicia hoje testes da vacina contra o coronavírus em voluntários

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Os testes com os voluntários da vacina chinesa contra o coronavírus devem começar nesta segunda-feira em São Paulo após parceria com o Instituto Butantan, segundo o governo do estado. As doses da vacina do laboratório chinês Sinovac Biotech chegaram no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, na madrugada de hoje (20).

O avião com as vacinas saiu de Frankfurt, na Alemanha, e, após 11 horas de viagem, pousou por volta das 4h20 no Aeroporto Internacional de São Paulo. As vacinas serão levadas para o Instituto Butantan, na Zona Oeste de São Paulo.

Nesta terceira fase de testes, 9 mil voluntários irão receber a vacina contra o coronavírus. O Instituto Emílio Ribas, na Zona Oeste de São Paulo, começou a cadastrar na última quarta-feira (15) os voluntários. As inscrições continuam abertas e a prioridade é testar os profissionais da área da saúde.

De acordo com o governo estadual, o Instituto Butantan está adaptando uma fábrica para a produção da vacina. A capacidade de produção é de até 100 milhões de doses. O acordo com o laboratório chinês prevê que, se a vacina for efetiva, o Brasil ficará com 60 milhões de doses para distribuição.

A parceria entre o laboratório chinês e o Butantan foi anunciada no dia 11 de junho. Na ocasião, o governador João Doria (PSDB) disse que, se comprovada a eficácia e segurança da vacina, ela será disponibilizada no SUS a partir de junho de 2021.

Esses novos testes da fase 3 da CoronaVac, nome da vacina, serão feitos em larga escala e precisam fornecer uma avaliação definitiva da eficácia e segurança, isto é, a vacina precisa ser capaz de criar anticorpos para imunizar contra a Covid-19

Outra vacina que também está na terceira fase é a de Oxford, que será testada no Brasil pela Universidade Federal de São Paulo. Ela foi a primeira a receber autorização da Anvisa para os testes no país.

Centros de pesquisa

O Emílio Ribas é um dos doze centros pesquisa no país selecionados para a última fase de teste da vacina. O espaço recebia as últimas adaptações na semana passada para que 700 voluntários possam receber as doses a partir desta segunda-feira (20). (Veja o vídeo abaixo)

“Da mesma maneira que a gente sempre quer que alguém descubra a vacina, é importante que a gente também contribua para que isso aconteça”, afirmou uma médica de UTI que se inscreveu, mas que não pode ser identificada para não prejudicar a pesquisa.

Toda vacina precisa passar por etapas importantes até ser aprovada. Após a fase pré-clinica, com testes em animais, há 3 fases de testes em humanos. Os testes precisam comprovar que a vacina é realmente segura, que produz anticorpos e protege contra o vírus.

Vacina chinesa

No dia 13 de julho, começou a inscrição de voluntários para a terceira fase de testes da vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela farmacêutica chinesa de biotecnologia Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Apenas profissionais de saúde que estejam atuando diretamente no combate à Covid-19 poderão participar do estudo.

Outros pré-requisitos são que os voluntários não tenham se contaminado pela doença anteriormente, mulheres não estejam grávidas ou planejem engravidar nos próximos três meses, e que os voluntários morem perto de um dos 12 centros de pesquisa que conduzirão o projeto.

Em todo o Brasil, serão escolhidos 9 mil voluntários distribuídos em São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Distrito Federal.

A inscrição e triagem inicial dos voluntários foi realizada pela internet com profissionais da saúde. Cada centros de pesquisa ficará responsável pelas informações coletadas dos voluntários, que serão sigilosas.

Em 3 de julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou a nova etapa do projeto. Dias depois, o governador João Doria (PSDB) anunciou que a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) também aprovou a realização dos testes.

CoronaVac

A vacina da Sinovac já foi aprovada para testes clínicos na China. Ela usa uma versão do vírus inativado. Isso quer dizer que não há a presença do coronavírus Sars-Cov-2 vivo na solução, o que reduz os riscos deste tipo de imunização.

Vacinas inativadas são compostas pelo vírus morto ou por partes dele. Isso garante que ele não consiga se duplicar no sistema. É o mesmo princípio das vacinas contra a hepatite e a influenza (gripe).

Ela implanta uma espécie de memória celular responsável por ativar a imunidade de quem é vacinado. Quando entra em contato com o coronavírus ativo, o corpo já está preparado para induzir uma resposta imune.

Cientistas chineses chegaram à fase clínica de testes – ensaios em humanos – em outras três vacinas. Uma produzida por militares em colaboração com a CanSino Biologics, e mais duas desenvolvidas pela estatal China National Biotec.

Fonte: G1

Governo de SP reabre parques públicos com restrições

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O Governador João Doria anunciou recentemente a retomada de visitação dos parques na capital, que se encontra na fase amarela do Plano São Paulo. Nove dos 16 parques já estão abertos com restrição de portões e de horário de funcionamento e regras específicas. A Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente vai monitorar as atividades e comportamento da população nos espaços durante as primeiras semanas para deliberar sobre a abertura integral.

Os parques urbanos Villa-Lobos, Cândido Portinari, Água Branca e Ecológico do Tietê funcionarão de segunda a sexta, das 10h às 16h. Espaços fechados como bibliotecas, salas de atividades, museus e orquidários permanecerão com restrição. Será recomendada visita ao parque apenas para atividades físicas individuais como corridas, caminhadas, ciclismo, entre outras.

O mesmo horário será seguido pelos parques naturais Jaraguá e Cantareira (Núcleo Pedra Grande), cujas visitas deverão ser agendadas com antecedência mínima de 24 horas por meio do Site da Fundação Florestal, órgão responsável pelas duas Unidades de Conservação, e obedecer o limite de 30% da capacidade. As trilhas com ocorrência de mamíferos e cachoeiras permanecerão fechadas.

Já o Zoológico, Zoo Safari e Jardim Botânico estarão abertos de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h; sábados, domingos e feriados das 9h às 16h, com restrição de 50% dos ingressos. Nesta etapa, apenas a área de visitação aberta poderá ser utilizada. Os espaços fechados, tais como as exposições educativas, continuarão sem receber visitantes. Para visitação ao Zoo Safári, será permitido uso apenas de veículos particulares (o serviço de vans estará suspenso). O acesso às áreas comuns, como sanitários, lanchonetes e loja de lembranças, será permitido mediante utilização de máscara. Para o acesso de veículos, haverá desinfecção das rodas por meio de pulverizador e solução de hipoclorito de sódio na portaria.

Em todos os locais, a limpeza e desinfecção dos banheiros serão intensificadas. O uso de máscara continuará obrigatório, bem como o distanciamento social. Os permissionários de alimentação deverão seguir as regras específicas do setor e haverá totens com álcool gel em pontos estratégicos. Não será recomendado o uso de quadras e parquinhos.

Os protocolos estarão disponíveis na tarde desta sexta-feira (10) no site da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (aqui). Também serão publicados no Diário Oficial do Estado.

Serviço
Parques Urbanos – Portarias

Água Branca
Av Francisco Matarazzo, 455 – portão principal
Rua Dona Ana Pimentel, s/n
Villa-Lobos
Av Prof Fonseca Rodrigues, 2001 – portaria principal
Av Prof Fonseca Rodrigues, 1025 – portão 3
Candido Portinari
Av Queiroz Filho, 1365
Parque Ecológico do Tietê
Rodovia Parque, 8054

Agendamento Fundação Florestal
Cantareira (Núcleo Pedra grande), Jaraguá
Agendamento por meio do site (aqui)

Zoológico e Zoo Safari (aqui)

Para mais informações sobre a visitação no Zoológico e Zoo Safari acesse este link (aqui).

Parques temáticos
Os parques temáticos e de diversão poderão reabrir a partir de 12 de outubro em regiões que estejam na fase verde há pelo menos 28 dias consecutivos. Haverá limitações previstas no Plano São Paulo: ocupação máxima de 60%, público em pé com distanciamento social (haverá marcações para delimitar a distância mínima) e uso de máscaras em todos os ambientes. Também será necessário haver venda de ingressos ou inscrições online, com marcação de assentos e horários pré-agendados, e controle de acesso para garantir a lotação autorizada. Os parques deverão adotar protocolos específicos para o setor e para brinquedos que geram aglomeração.

Fonte: Assessoria de imprensa

Vídeo mostra a importância do Instituto Pasteur no controle da raiva animal em SP

O Instituto Pasteur é uma entidade centenária ligada à Secretaria da Saúde do Governo do Estado de São Paulo dedicada à pesquisa científica sobre a raiva animal, doença infecciosa que atinge o sistema nervoso central e que através da transmissão do vírus pode contaminar todos os grupos de mamíferos, sendo potencialmente fatal em casos mais graves.

A grande missão do Instituto é, com as atividades em laboratórios e projetos de pesquisa, controlar e atentar a população em relação à raiva e outras encefalites virais fazendo atividades de laboratório com pesquisas e inovações.

Assista o vídeo abaixo que traz a participação de pesquisadores associados à APqC.

Após ação da APqC, Tribunal de Justiça do Estado de SP isenta pesquisadores do aumento da contribuição previdenciária

apqc1Atenção! Informe da Assessoria  Jurídica da APqC:

Prezados Pesquisadores,
saiu hoje (16/07) a decisão que concede a
tutela de urgência para suspender em relação a todos os associados da APqC a exigibilidade da diferença de alíquota derivada dos artigos 30 e 31 da Lei Complementar Estadual no 1.354/2020. Com essa decisão, os pesquisadores associados ficam isentos do aumento da alíquota previdenciária.

A decisão é decorrente da iniciativa da Associação de ingressar em juízo contra progressividade da alíquota de contribuição previdenciária e ampliação da base contributiva aos aposentados e pensionistas, previstas na Reforma Previdenciária do Estado de São Paulo.

Leia mais sobre a ação movida pela APqC clicando aqui.

Instituto Geológico de SP abre inscrições para bolsas de iniciação científica

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Estão abertas as inscrições para Bolsas de Iniciação Científica – Ensino Superior do Programa de Iniciação Científica do Instituto Geológico (PIBIC-IG/CNPq).

Com foco na criação de uma cultura científica, o PIBIC é um programa do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) voltado para o desenvolvimento do pensamento científico e iniciação à pesquisa de estudantes de graduação do ensino superior. O CNPq é uma agência do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), destinada ao fomento da pesquisa científica e tecnológica e à formação de recursos humanos para a pesquisa no País.

A bolsa concedida possui duração de 01 de agosto de 2020 a 31 de julho de 2021, e a mensalidade é de R$ 400,00 (quatrocentos reais). O processo seletivo será feito no Instituto Geológico, a partir do Edital e da Resolução Normativa 017/2006 do CNPq, disponível AQUI.

A cota de bolsas concedidas ao Instituto Geológico será divulgada, oportunamente, pelo CNPq.

Período das Inscrições: 04 a 31 de julho de 2020.

Saiba mais:

Edital (clique aqui)

Formulário de inscrição (clique aqui)

Informações sobre Bolsa de Iniciação Científica para o Ensino Médio (clique aqui)

Instituto Florestal promove live sobre cultivo de Jequitibá Rosa e Louro Pardo

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Hoje (quarta-feira, 15 de julho), pontualmente às 20h, a Futuro Florestal promoverá uma Live Especial para todos aqueles que querem conhecer mais sobre o Cultivo de Jequitibá Rosa e Louro Pardo. Nossos diretores especialistas receberão o convidado Miguel Luiz Menezes Freitas, pesquisador científico do Instituto Florestal de São Paulo, doutor em Genética e Melhoramento de Plantas, coordenador do Grupo de Conservação Genética e Melhoramento Florestal e membro da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC). O tema será o Potencial do Jequitibá Rosa e do Louro Pardo para a produção de Madeira Nobre em plantios comerciais.

Prepare suas perguntas!.

Para assistir acesse o link e faça seu cadastro clicando no link abaixo:

Futuro Florestal

Instituto de Zootecnia comemora 115 anos com programação especial no YouTube

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Fundado em 15 de julho de 1905, com a missão de “desenvolver e transferir tecnologia e insumos para a sustentabilidade dos sistemas de produção animal”, o Instituto de Zootecnia (IZ), pertencente à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, vinculados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, completa 115 anos de existência amanhã (15).

Entre outras contribuições à agricultura e a pecuária, o IZ é pioneiro na pesquisa científica mundial com a raça Nelore e destaca-se pela geração de uma série de benefícios ao meio científico, ao meio técnico e aos pecuaristas (pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e serviços à disposição do agronegócio paulista).

Para comemorar seu 115º aniversário, o IZ preparou uma programação especial com uma série de lives, trazendo conversas e palestras com especialistas que abordarão temáticas como a genética na produção de carne, caraterísticas das pastagens, inovação na qualidade do leite, entre outras.

Amanhã (15), às 17h no YouTube, o tema da live será “Como o IZ chega à sua mesa”, e contará com os palestrantes Gustavo Junqueira (Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo), Dr. Luiz Marques da Silva Ayroza (Diretor Técnico de Departamento do Instituto de Zootecnia), Dra. Joslaine Noely dos Santos Gonçalves Cyrillo (Pesquisadora e Diretora do Centro Avançado de Pesquisa de Bovinos de Corte, do Instituto de Zootecnia), Dr. Luiz Carlos Roma Júnior (Pesquisador e Diretor do Centro de Pesquisa de Bovinos de Leite, do Instituto de Zootecnia), Dr. José Evandro de Moraes (Pesquisador do Centro de Pesquisa de Zootecnia Diversificada, do Instituto de Zootecnia), entre outras participações especiais.

Na sequência o IZ promove alguns webinários:

No dia 16 (quinta), às 10h, sempre no Youtube, o webinar será sobre a cadeia produtiva da carne, com o tema “Contribuição da genética na produção de Carne”. Participam os seguintes palestrantes: Dra. Maria Eugênia Zerlotti Mercadante (Pesquisadora do Centro Avançado de Pesquisa de Bovinos de Corte, do Instituto de Zootecnia), Dr. Ricardo Abreu (Gerente de Fomento da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu).

No mesmo dia 16, às 14h, o webinar discute as pastagens nas cadeias produtivas com o tema “A importância da produtividade e qualidade das pastagens para a cadeia produtiva”, com os palestrantes Dr. Waldssimiler Teixeira de Mattos (Pesquisador do Centro de Pesquisa de Nutrição Animal e Pastagens, do Instituto de Zootecnia) e Deyvid Rodrigues Bueno (Gerente de Desenvolvimento de Mercado da Fertiláqua).

No dia 17 (sexta), às 10h, o tema do webinar será a cadeia produtiva Leite, com a palestra “Inovação na qualidade do Leite”. A conversa será entre o Dr. Luiz Carlos Roma Júnior (Pesquisador e Diretor do Centro de Pesquisa de Bovinos de Leite do Instituto de Zootecnia) e a Dra. Flávia Fernanda Simili (Pesquisadora e Diretora do Laboratório de Referência em Qualidade do Leite do Instituto de Zootecnia.

Para acompanhar toda a programação basta acessar o canal do IZ no YouTube (clique aqui). Mais informações no site do instituto.

Fonte: Assessoria de imprensa

Instituto Butantan abre cadastro de voluntários para teste de vacina contra coronavírus

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O Instituto Butantan abriu nesta segunda-feira (13) a plataforma de inscrição e triagem para quem deseja participar dos testes da Coronavac, vacina contra o coronavírus desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

A previsão é que as primeiras doses comecem a ser aplicadas já na próxima segunda-feira (20).

As exigências incluem ser profissional da saúde e trabalhar com pacientes que estejam com covid-19. Além disso, não pode ter contraído o vírus ainda.

O formulário está disponível no site do governo de São Paulo (clique aqui). Após o preenchimento, o candidato vai ver se ele é um potencial voluntário ou não.

Caso esteja habilitado, será orientado a procurar um dos centros de pesquisa da área onde mora. Haverá testes em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

Serão 9 mil voluntários, sendo que metade tomará a vacina e a outra metade receberá placebo. Esse tipo de estudo é duplo cego, em que paciente e aplicador não sabem quem está recebendo o quê.

Apenas os pesquisadores têm informações de quem recebeu o antígeno ou placebo. É um protocolo padrão usado em estudos científicos para não influenciar o resultado final.

Todos serão acompanhados pelo período de 12 meses, o que vai incluir exames rotineiros para dosagem de anticorpos contra o coronavírus.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, voltou a afirmar que essa é uma das vacinas em estágio mais avançado de desenvolvimento.

“A China neste momento é o país que tem o maior número de vacinas para o coronavírus em estudos clínicos de fase 2 ou 3. A China tem 5 vacinas, o Reino Unido tem duas vacinas, Estados Unidos têm duas vacinas. Eu, particularmente, sou muito esperançoso de que nós teremos essa vacina muito rapidamente, até o final deste ano.”

Fonte: Assessoria com informações do R7