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Coronavírus: produtores recomendam adiamento da colheita de café no Brasil

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Às vésperas do início da safra de café robusta (conilon) no Brasil, produtores têm traçado estratégias de prevenção ao coronavírus que podem incluir o atraso nos trabalhos, solidariedade entre produtores vizinhos e maiores cuidados para contratação de mão de obra.

Embora haja consenso no setor de que as lavouras são um ambiente de menor risco que as cidades para a disseminação da doença, cooperativas e instituições ligadas aos produtores já se mobilizam com a publicação de cartilhas sobre formas de combater a doença no maior produtor e exportador global de café.

E alguns até recomendam, à medida do possível, um adiamento dos trabalhos, com o objetivo de eventualmente deixar para trás o pico da doença no país e obter melhor qualidade, realizando então a colheita de um maior número de grãos maduros, chamados “cerejas”, mais valorizados no mercado.

“Estamos pedindo para o produtor esperar um pouco mais pra colher o café. Se o produtor colher o café um pouco mais à frente, ele terá um percentual de cereja maior, aí vamos melhorar ainda mais a qualidade”, disse à Reuters o pesquisador Abraão Carlos Verdin Filho, coordenador técnico de cafeicultura no Incaper, o órgão de assistência técnica do Espírito Santo.

“O ideal é que tenha de 60% a 80% de cerejas nos pés, para iniciar a colheita e não ter perda de qualidade”, disse ele, avaliando que, se a colheita –que poderia começar em meados de abril– for adiada em 30 dias, esse seria o tempo para passar o que muitos chamam de período mais dramático da contaminação pelo coronavírus no Brasil.

O Espírito Santo é o maior produtor brasileiro de café robusta, chamado conilon no país, com safra estimada em mais de 10 milhões de sacas de 60 kg.

O preço do café tem se sustentado no mercado, diferentemente de muitas commodities, ainda que o Brasil deva colher uma grande safra este ano, pois há preocupações sobre como a colheita poderá ser escoada em tempos de coronavírus.

No caso do conilon do Espírito Santo, a atividade de colheita é mais manual ou semimecanizada em algumas áreas e poderia representar um risco maior em relação ao vírus, não fosse pelo fato de grande parte dos produtores desse tipo de café ser pequena, o que restringe os trabalhos ao núcleo familiar, defendem especialistas.

Além disso, o robusta deve representar somente cerca de 25% da safra total brasileira, estimada pelo governo em até 62 milhões de sacas.

No caso do arábica, cuja produção pode somar até 46 milhões de sacas este ano, os trabalhos só se iniciam em maio ou junho, e a colheita é mecanizada em sua maioria, o que dá mais tempo e alguma segurança para se lidar com o Covid-19.

O pesquisador do Incaper observou ainda que, diferentemente do arábica, o grão de café robusta não descola facilmente dos ramos, o que também dá ao produtor mais tempo para a colheita.

O pesquisador ressaltou também que, em termos agronômicos, não haverá problema nenhum, até porque, por uma feliz coincidência, as temperaturas foram mais amenas ao longo da safra, naturalmente resultando em uma safra com amadurecimento mais tardio que o normal.

“A agricultura no Brasil não parou, e o café não vai ser diferente, se a gente conseguir segurar um pouco mais, talvez a gente consiga passar esse momento mais difícil e teria um efeito positivo, que seria colher um café de melhor qualidade.”

Para Luiz Carlos Bastianello, presidente da Cooperativa Agrária de Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), a maior do Espírito Santo, uma possível forma de enfrentar o coronavírus pode ser a solidariedade entre produtores vizinhos, reduzindo a necessidade de mão de obra de fora, minimizando os riscos.

“Temos observado que o produtor está com medo, não sabemos como ele vai reagir… Então, para passar este momento, é a solidariedade de mão de obra, precisamos resgatar isso, o vizinho que termina a colheita mais cedo, ajuda o outro”, disse ele, ressaltando que essa era uma estratégia comum no passado.

Cerca de 80% do quadro de 6 mil cooperados da Cooabriel envolve agricultura familiar. “Este tipo de compartilhamento de mão de obra é muito importante, não sabemos onde isso vai parar, e há muitas pessoas que estão em casa e vão precisar fazer dinheiro”, disse ele, lembrando que muitas atividades não essenciais nas cidades estão fechadas.

Rondônia

O engenheiro agrônomo Enrique Alves, da Embrapa Rondônia, do Estado produtor do chamado “robusta amazônico”, disse que alguns produtores de variedades muito precoces já iniciaram os trabalhos.

Mas, ainda assim, disse ele, esses poucos que realizam a atividade agora estão se precipitando e formando lotes com muitos grãos verdes, o que não é o ideal.
“Tem algumas pessoas já colhendo, a grande maioria café fora do padrão de colheita. Tem colheita, mas não é representativo, a colheita começa na segunda quinzena de abril e o mês forte é maio”, relatou Alves, ponderando que a recomendação é adiar

“A atividade agrícola não tem como parar, não tem como dizer não vou colher. Se não colher, ninguém bebe café, o que posso fazer é, se posso esperar para colher o café mais maduro, e me organizar melhor, isso eu vou fazer, são estratégias…”, comentou o agrônomo de Rondônia, em linha com a avaliação do pesquisador do Espírito Santo no contexto do coronavírus.

A produção em Rondônia também é desenvolvida em sua maioria por agricultores familiares, diferentemente de parte importante da produção de arábica, realizada em grandes propriedades.

Para o presidente da Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, como a colheita de arábica só começa na segunda quinzena de maio o setor terá mais tempo de lidar com as preocupações relacionadas ao coronavírus.

Segundo ele, se há maiores cultivos de arábica, o que acaba demandando mais mão de obra, essa variedade tem a vantagem de contar com colheita mecanizada na maior parte das áreas.

“Temos tempo para ver como vai ser o comportamento da doença…”, disse ele, acrescentando que neste ano o setor deve conseguir a liberação antecipada dos recursos de 5,7 bilhões de reais do chamado Funcafé, o que pode trazer mais tranquilidade para o produtor organizar a atividade neste momento de crise.

Fonte: Money Times

Coronavírus: veterinários, dentistas e biólogos poderão ser chamados para atuar no SUS em caráter de emergência

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O Ministério da Saúde vai capacitar médicos veterinários e profissionais de outras 13 áreas da saúde nos protocolos clínicos oficiais de enfrentamento à pandemia de Covid-19 por meio de cursos a distância. A portaria 639/2020 que institui a ação estratégica “O Brasil Conta Comigo – Profissionais da Saúde” foi publicada ontem (2), no Diário Oficial da União.

O cadastramento é obrigatório e pode ser feito na internet. Após o preenchimento do formulário, o profissional receberá um link de acesso aos cursos de capacitação.

A medida do governo considera a necessidade de mobilização da força de trabalho em saúde para a atuação serviços ambulatoriais e hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) para responder à situação de emergência causada pelo novo coronavírus.

Os conselhos nas áreas da saúde deverão enviar ao Ministério da Saúde os dados dos seus profissionais e, por sua vez, o ministério vai identificar e informar aos conselhos os respectivos profissionais que não preencheram o cadastro ou que não concluíram os cursos.

A ação abrange as áreas de serviço social, biologia, biomedicina, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, psicologia e técnicos em radiologia.

Será criado, então, um cadastro geral de profissionais habilitados que poderá ser consultado por gestores federais, estaduais, distritais e municipais do SUS, em caso de necessidade, para orientar suas ações de enfrentamento ao coronavírus.

Fonte: Canal Rural

APqC alerta o Governo do Estado de São Paulo para a falta de recursos humanos nos Institutos de Pesquisa que atuam no combate ao coronavírus

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Diante do agravamento da crise provocada pelo novo coronavírus em todo o Brasil, mas especialmente no Estado de São Paulo, e diante dos esforços empregados pelos institutos de pesquisa paulistas no sentido de conter a transmissão do vírus ou reduzir os seus impactos, a Associação dos Pesquisadores Científicos (APqC) faz um alerta à sociedade e ao governo estadual por meio do seguinte comunicado:

“O Instituto Adolfo Lutz (IAL), ao lado do Instituto Butantan e de outros Institutos de Pesquisa, participa da força tarefa estabelecida pelo Governo do Estado de São Paulo contra o avanço da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Pesquisadores e técnicos têm realizado sem descanso exames laboratoriais para identificar casos positivos em milhares de pacientes. Desde o início da crise, o IAL ampliou a sua capacidade de realizar diagnósticos: de 400 análises diárias para cerca de 2 mil. Ainda assim, este número é insuficiente diante da grande demanda recebida.

A APqC alerta para o fato de que os institutos de pesquisa em geral, incluindo o IAL, têm sofrido drástica redução de recursos humanos ao longo dos últimos vinte anos. Estamos convictos de que grande parte do problema enfrentado hoje pelo IAL, em sua capacidade de aumentar a quantidade de testes e entregar os diagnósticos com mais rapidez, ocorre porque o instituto está operando no limite, com um quadro de funcionários abaixo do adequado.

Nos últimos anos, funcionários altamente qualificados têm se aposentado ou saído da instituição pela falta de reposição salarial relativa às perdas pela inflação. O último concurso para Pesquisador Científico no IAL foi efetuado em 2011; no caso de Carreira de Apoio à Pesquisa, em 2006; e para Biomédico, em 2012. Os Institutos de Pesquisa da Secretaria da Saúde perderam 145 pesquisadores, desde 2014. Há também cerca de 2,5 mil cargos vagos das carreiras de apoio à pesquisa (76% do quadro de funcionários), não preenchidos pela ausência de concursos. A falta que faz a contratação de novos servidores está sendo sentida de modo mais crucial agora, por conta dos impactos da pandemia de Covid-19.

Para cumprir sua atual missão pela demanda de exames relacionados com o novo coronavírus, o IAL está trabalhando em regime de mutirão envolvendo pesquisadores e técnicos de diversas áreas do instituto, porém há carência de profissionais aptos para o desenvolvimento da tarefa. Como exemplificação dessa falta de reposição do quadro técnico capacitado no IAL existem dois casos recentes, um deles relacionado com dois médicos veterinários que, mesmo após assinarem anuência de interesse pela vaga em concurso, o qual expirou em dezembro de 2019, não foram chamados. Outro é de quatro médicos patologistas que foram aprovados em concurso, mas também ainda não foram chamados pelo Governo do Estado de São Paulo.

Momentos de crise como este que estamos vivendo, no qual a população de São Paulo está vulnerável a uma pandemia, mostra como é necessário rever essa política para a Ciência em São Paulo, repondo os recursos humanos e equipando essas instituições para enfrentar essa e outras situações futuras, realizando concursos emergenciais para os Institutos que atuam na linha de frente das questões de saúde pública, como os Institutos Adolfo Lutz, Butantan, Laboratorios de Investigação Médica (LIMs), Pasteur, Instituto da Saúde, Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e Instituto Lauro de Souza Lima.

O Instituto Butantan, devido a seu corpo técnico qualificado e preparado para atender e responder a demandas no âmbito da saúde, criou um laboratório com equipamentos modernos para também atender a demanda de exames da Covid-19.  Os pesquisadores dos Laboratórios de Investigação Médica (LIMs), com experiência em biologia molecular, também estão atuando nos testes diagnósticos do coronavírus. Essa ação continuada, porém, não se restringe a área da Saúde, mas pode envolver também Meio Ambiente e Agricultura, as quais dispõem de corpo técnico qualificado, preparado e equipado para responder questões relativas aos seus âmbitos de atuação em prol do enfrentamento da crise relacionada à pandemia dando segurança à população.

A necessidade de reposição urgente de recursos humanos nos Institutos de Pesquisa tem sido apontada em diversos diagnósticos elaborados pelas diversas instâncias e órgãos de governo e pela própria APqC, e encaminhados ao Governo do Estado de São Paulo. Recentemente a reposição de recursos humanos para os Institutos de Pesquisa foi destacada pela Fapesp, na apresentação do Plano Diretor de Ciência e Tecnologia para o Estado de São Paulo, em reunião na Assembleia Legislativa (Alesp).

Somente o contínuo investimento financeiro em equipamentos e a formação de novos recursos humanos para a pesquisa científica e apoio à pesquisa dos Institutos podem manter essa rede capacitada para as missões institucionais a que se propõem e para prontamente atuar em situações de calamidade de saúde pública e de pandemias, como a que estamos vendo hoje com grande apreensão.

Por fim, a APqC salienta que o aporte de recursos financeiros e humanos nos Institutos de Pesquisa e no serviço público de qualidade não é um “gasto”, mas um investimento, uma vez que em momentos de crise são essas instituições que possuem capacitação e competência para orientar qual a melhor forma para debelar problemas. A grave crise deflagrada pela Covid-19 é uma oportunidade para o Governo do Estado de São Paulo rever a sua política de Ciência e Tecnologia.

Em 2007, a APqC encaminhou ao governo estadual um amplo documento “radiográfico” mostrando a grave situação dos Institutos de Pesquisa da Administração Direta, no qual advertiu que, entre os graves problemas que adviriam, estava o “RISCO DE EPIDEMIAS GLOBAIS”. Infelizmente nenhuma providência foi tomada a tempo.

A APqC reafirma sua confiança no diálogo com o governador João Doria e seu secretariado e aposta na sensibilidade dos mesmos para dar uma resposta rápida a esta situação emergencial que envolve nossos Institutos, em especial os ligados à área da Saúde. Consideramos importantíssimo recompor os quadros de recursos humanos, bem como equipar e estruturar as Instituições para enfrentar a crise atual, que deve se prolongar por meses, preparando-as dessa forma para o enfrentamento de pandemias futuras, que certamente virão.”

 

Campinas, 02 de abril de 2020

Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC)

Gestão 2020-2021

 

Coronavírus: Instituto Butantan divulga vídeo sobre a forma correta de lavar as mãos

O Instituto Butantan, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, mantém uma página especial no portal da entidade (clique aqui) com conteúdos multimídia sobre o novo coronavírus, com informações e dicas sobre prevenção e combate à doença. Em um dos vídeos, o instituto orienta a forma correta de lavar as mãos (veja abaixo). A higienização é uma das principais formas de prevenção a COVID-19, como é chamada a doença provocada pelo novo coronavírus.

Na página especial criada pelo Butantan há outros vídeos, imagens e seção de perguntas e respostas sobre COVID-19, que buscam esclarecer os internautas a respeito da enfermidade. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica como pandemia o cenário da doença pelo planeta, conceito usado quando são registrados casos em todos os continentes.

“O Instituto Butantan faz parte de um esforço mundial pela busca da nova vacina contra o vírus, uma iniciativa conduzida pelo National Institutes of Health, órgão de saúde dos Estados Unidos”, salienta o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus no Estado de São Paulo, David Uip.

Criado em 1901, o Instituto Butantan tem em sua origem atividades voltadas à resolução dos problemas de saúde pública. Trata-se de um centro de pesquisa biomédica importante e com larga experiência na produção de imunobiológicos, com capacidade para produzir mais de 100 milhões de doses de vacinas e soros por ano.

Pescados são seguros em relação ao coronavírus, diz Instituto de Pesca

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Por enquanto, não há relatos ou casos de que pessoas foram contaminadas pelo coronavírus por se alimentarem de pescados. Por isso, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do por meio do Instituto de Pesca, montou um guia de perguntas e respostas para informar os amantes deste tipo de alimento.

São classificados como pescados os peixes, crustáceos, moluscos, anfíbios, répteis, equinodermos e outros animais aquáticos usados na alimentação humana. Confira os esclarecimentos da Secretaria:

1. Posso pegar coronavírus ingerindo pescado?

Até este momento não há casos que mostrem evidências de que alimentos ou suas embalagens estejam associados à transmissão de Covid-19. Portanto, não há razão para se preocupar.

Experiências prévias com surtos de outros coronavírus, como a síndrome respiratória aguda (Sars-CoV) e a síndrome respiratória do Oriente Médio (Mers-CoV), mostram que a transmissão por meio do consumo de alimentos não ocorreu. No momento, não há evidências que sugiram que o Covid-19 seja diferente a este respeito.

2. O coronavírus está em produtos de pescado?

Não há evidências de que o coronavírus possa se espalhar por qualquer produto alimentar. Deve-se destacar que o modo de infecção é principalmente respiratório, assim, a chance de contágio do Covid-19 por meio de alimentos é quase nula.

3. Comer pescado iniciou a epidemia de coronavírus?

Não. A origem provável do vírus é a disseminação (viva) de animal para pessoa. Muitos alimentos estavam presentes no mercado de animais vivos, que se acredita estarem no epicentro do primeiro surto, mas não é sugerido que a ingestão de produtos desse mercado tenha causado a disseminação.

4. Posso obter coronavírus tocando em embalagens de pescado refrigerados ou congelados?

Normalmente os coronavírus são transmitidos de pessoa para pessoa, por meio de gotículas respiratórias. Atualmente, não há evidências para apoiar a transmissão do Covid-19 associada aos alimentos. Mas é importante sempre lavar as mãos com água e sabão por 20 segundos, antes de preparar ou comer alimentos, para segurança geral dos alimentos. Além disto, durante o dia, lave as mãos depois de assoar o nariz, tossir, espirrar ou utilizar o banheiro.

5. Se um consumidor infectado pegar um pacote de pescado e colocá-lo de volta, a próxima pessoa a tocá-lo poderá se contaminar com coronavírus?

Devido à baixa capacidade de sobrevivência desses coronavírus nas superfícies, é provável que haja um risco muito baixo de propagação em alimentos ou embalagens transportados e armazenados para comercialização, por um período de dias ou semanas em temperatura ambiente, refrigerada ou congelada. Entretanto, pode ser possível que uma pessoa se contamine com Covid-19 tocando em uma superfície ou objeto contaminado com o vírus e em seguida, tocando sua própria boca, seu nariz ou seus olhos. Porém, este não é o principal meio de contaminação e disseminação do vírus.

6. Cozinhar os alimentos mata o coronavírus?

Os coronavírus precisam de um hospedeiro (animal ou humano) para crescer e não podem crescer em alimentos. Espera-se que o cozimento completo mate o vírus, e sabe-se que o tratamento térmico de pelo menos 30 minutos a 60oC é eficaz com Sars.

7. Algumas espécies ou tipos de pescado são mais arriscados que outros?

Nenhum produto alimentar, incluindo o pescado, é considerado um risco de propagação do coronavírus. Cozinhar o pescado é uma opção de segurança adicional.

8. Devo evitar pescado da China?

A probabilidade de uma pessoa infectada contaminar mercadorias comerciais é baixa e o risco de pegar o vírus que causa o Covid-19, em um pacote que foi transportado e exposto a diferentes condições e temperaturas, também é baixo. Em geral, devido à baixa capacidade de sobrevivência desses coronavírus nas superfícies, é provável que haja um risco muito baixo de propagação em alimentos ou embalagens transportados por um período de dias ou semanas em temperatura ambiente, refrigerada ou congelada. Nos EUA não houve nenhum caso de Covid-19 associado a mercadorias importadas.

Fonte: Dinheiro Rural

IAC divulga medidas para manter pesquisas durante quarentena

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Como medidas de prevenção ao contágio do coronavírus, o Instituto Agronômico (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, fez adaptações para manter as suas pesquisas em andamento e a prestação de serviços a agricultores e empresas

De acordo com o diretor-geral do IAC, Marcos Antônio Machado, procedimentos estão sendo adotados para minimizar os impactos nos experimentos e a infraestrutura está sendo readequada para atender os funcionários que estão no teletrabalho. Medidas também foram adotadas para reduzir o contato dos servidores públicos com o público externo e pesquisadores e técnicos com mais de 60 anos estão afastados das atividades presenciais.

Para o Programa Cana IAC (Ribeirão Preto/SP) foi criado um grupo de atividades essenciais para manutenção das pesquisas e atendimentos de maior urgência ao setor de produção. Entre ele, destaque-se o Núcleo de Produção de Mudas Pré-Brotadas (MPB), onde há servidores atuando na produção, manutenção e irrigação dessas mudas. As ações de pesquisa e prestação de serviço na área de biotecnologia de cana também serão mantidas.

“Uma parte considerável das atividades tem sido executada por teletrabalho, principalmente análise do banco de dados experimentais do Programa Cana IAC e o preparo de relatórios que acompanharão as futuras variedades de cana IAC, que deverão ser apresentadas no último trimestre de 2020”, diz Marcos Guimarães de Andrade Landell, líder do Programa Cana IAC.

Na área de fornecimento de sementes de cultivares IAC, uma equipe de quatro pessoas está manuseando minimamente os lotes, processando e embalando sementes de feijão, soja, triticale e aveia. A entrega das sementes será feita em um único dia da semana, por agendamento, para reduzir a interação social. “A maior procura é por venda de sementes para cereais de inverno, como trigo, triticale e aveia, além sorgo, que tem procura toda semana”, diz o pesquisador responsável pelo setor, Alisson Chiorato.

Em outras unidades do IAC estão sendo mantidas as estruturas de laboratório e experimentos em campos, onde alguns têm sistema de irrigação que precisam ser acompanhados. Os atendimentos são feitos a distância por e-mail e WhatsApp.

Fonte: Jornal da Cana

Biólogo Átila Iamarino alerta para o impacto dos cortes em Ciência e Tecnologia no combate ao coronavírus

O biólogo especialista em virologia e epidemias, Átila Iamarino, participou na noite de ontem (30) do programa de entrevistas Roda Viva, da TV Cultura, para falar sobre a pandemia do coronavírus no Brasil e no mundo. Iamarino ficou conhecido após divulgar um vídeo no YouTube no qual alertava a população brasileira para a importância de se tomar medidas urgentes de isolamento social, antes que a transmissão do vírus fugisse do controle.

Baseado em estudos científicos, Iamarino afirmou que o Brasil poderia ter mais de 1 milhão de mortos, caso fossem ignorados os alertas da Organização Mundial da Saúde (OMS). O biólogo chegou a ser acusado de “alarmismo”, mas dias depois suas “previsões” se mostraram acertadas e seus vídeos começaram a viralizar nas redes.

No programa de ontem, que bateu recorde de audiência na emissora, o cientista defendeu que o foco principal do combate à Covid-19 tem de ser a vida humana e não a economia. “A gente está em uma casa pegando fogo. Hoje não importa se o governo é de esquerda ou de direita. Nós precisamos evitar que vidas sejam perdidas”, disse.

Questionado sobre a estratégia do presidente Jair Bolsonaro de defender o “isolamento vertical” (que é quando somente grupos de risco ficam em quarentena), Átila disse que só no futuro algum resultado poderá ser verificado, mas que não faz sentido discutir isso no meio de uma pandemia. “O isolamento vertical nem deveria ser considerado em debate porque não tem base científica. Quando tiver base e for testado, aí sim poderemos falar a respeito”, afirmou.

Segundo o biólogo, a melhor estratégia para combater o avanço da Covid-19 é fazer testes no maior número possível de pessoas. No entanto, nas palavras de Iamarino, o Brasil está despreparado nesse sentido por causa da redução dos investimentos em Ciência e Tecnologia. “O Brasil está parado uma fase de não investir na ciência nacional. Nós temos pessoas que estão preparadas para fazer testes, mas que descobriram recentemente que tiveram suas bolsas científicas canceladas pelo governo federal”, afirmou.

Diante desse contexto, o biólogo diz que não há como saber até quando as medidas de isolamento deverão ser seguidas no Brasil e nem quando uma vacina será criada contra o coronavírus. “A gente tem que se preparar para uma economia diferente e um modelo de sociedade que as pessoas não se aglomerem tanto. O mundo que conhecemos nunca mais será o mesmo”, completou.

Assista a entrevista completa.

Secretaria de Agricultura toma medidas de prevenção e mantém pesquisas e prestação de serviços ao setor produtivo em São Paulo

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A pandemia do coronavírus (Covid-19) exige medidas para preservação de vidas humanas em todo o mundo. No Estado de São Paulo não foi diferente e diversas ações têm sido tomadas para garantir a saúde da população e evitar a disseminação da doença. Uma das medidas adotadas foi o incentivo ao distanciamento social e adequações nas relações de trabalho para garantir a segurança e a saúde da população. Na Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, diversas iniciativas têm sido tomadas — em atendimento às determinações do Governo do Estado e da Secretaria de Agricultura — mas com critérios que permitem a continuidade dos serviços essenciais prestados pelas instituições científicas ligadas ao setor dos agronegócios, fundamental para a alimentação e abastecimento da população.

Os seis Institutos e 11 Polos Regionais de pesquisa ligados à APTA fizeram uma análise criteriosa para que grande parte de seus servidores fossem colocados em regime de teletrabalho, principalmente aqueles que compõem o grupo de risco a doença, a fim de diminuir o número de pessoas circulantes em suas unidades. Apesar de algumas adaptações das atividades, a APTA informa que suas pesquisas continuam ativas, pois são essenciais para o desenvolvimento do agronegócio paulista e brasileiro.

“Conforme orientação da Secretaria e do Governo do Estado, avaliamos todas as atividades essenciais, que mesmo neste momento de crise, não poderiam ser interrompidas. Grande parte dos nossos servidores estão trabalhando em regime de teletrabalho, porém, algumas poucas atividades continuam sendo realizadas presencialmente, por servidores que se encontram fora do grupo de risco da doença, como as atividades laboratoriais, de manutenção de campos experimentais e tratamento de animais. Nossos Institutos continuam produzindo insumos imprescindíveis para a continuidade da produção de alimentos, como os imunobiológicos”, afirma Antonio Batista Filho, coordenador da APTA.

Trabalhos relacionados à sanidade animal e vegetal do Instituto Biológico (IB-APTA), considerados essenciais, não serão interrompidos. É o caso, por exemplo, do Laboratório de Viroses de Bovídeos do Instituto, que continua em funcionamento, com equipe reduzida por conta das medidas de contenção para o Covid-19, assim como outros laboratórios da área animal. A sanidade é considerada um serviço essencial para garantir a segurança alimentar, prevenção de doenças e emergência sanitária.

“No Laboratório de Viroses de Bovídeos do IB realizamos diagnósticos de várias doenças de bovinos, inclusive para atender o trânsito (interno e exportação) de animais vivos e seus produtos. Como exemplo citamos o diagnóstico sorológico de febre aftosa para ingresso de animais para o Estado de Santa Catarina, que é considerado livre da doença sem vacina. Para todo animal proveniente de outras regiões do país, inclusive o Estado de São Paulo, é exigido esse teste sorológico. Além disso, mantemos serviços relacionados às certificações dos reprodutores bovinos como de material genético das centrais de inseminação artificial, a fim de atender as demandas de exportação de sêmen”, afirma Liria Okuda, pesquisadora do IB, que reforça que profissionais do LVB utilizam todos os equipamentos de proteção individual necessários e que a infraestrutura é adequada para manipular vírus de animais, sendo alguns deles zoonóticos e, por isso, todos estão treinados para garantir a biosseguridade do técnico, assim como das amostras que serão analisadas, conforme recomendações estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Fonte original: Notícias Agrícolas.

Pesquisa do Instituto Butantan quer criar plasma com anticorpos para combater o coronavírus

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Uma nova pesquisa que está sendo realizada pelo Instituto Butantan poderá reduzir os riscos de pessoas que estão infectadas pelo novo coronavírus.

Segundo o diretor do instituto, Dimas Tadeu Covas, o estudo analisa o plasma sanguíneo de pacientes que foram curados do coronavírus. O objetivo é criar um plasma imune capaz de reduzir os efeitos nocivos da doença e aplicá-lo em pacientes que estão em estado grave.

“Retiramos o plasma de indivíduos que tiveram a doença, mas que já se recuperaram. Como em seu sangue existem anticorpos, ele será aplicado em pacientes graves, que estão entubados na UTI, acelerando assim a sua recuperação”, afirma o diretor.

Há três centros no Estado de São Paulo que estão se organizando para que a medida seja viável o mais rápido possível. A pesquisa ainda está em fase de testes.

Estudo do Instituto Butantan mostra que contágio pelo coronavírus recua em SP após medidas de isolamento

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A taxa de contágio pelo novo coronavírus caiu de quase seis pessoas para menos de duas no estado de São Paulo depois que medidas de distanciamento social foram adotadas pelo governo. Os dados são de um levantamento feito pelo grupo de estudo epidemiológico do Instituto Butantan em parceria com especialistas do centro de contingência do governo, criado para traçar estratégias de combate à Covid-19. De acordo com os dados, uma pessoa infectada transmitia o vírus para outras seis antes de 16 de março, quando as medidas de distanciamento começaram a ser implementadas.

Coronavírus no Brasil

No dia 20 de março, diz o Butantan, esse número caiu para uma a cada três pessoas. E, no dia 25, a transmissão já era de uma para cada duas pessoas, numa curva descendente. O estudo compara a evolução da doença em São Paulo e no resto do país.

No dia 16 de março, o estado tinha 152 casos confirmados do novo coronavírus. Chegou a 862 no dia 25, um crescimento de 467,1%. Já o Brasil, no total, os casos passaram de 234 para 2.433 infecções, um crescimento de 939,7%.

O estado já ordenou o fechamento de academias, shoppings centers, parques e comércio. Restaurantes e bares só podem funcionar fazendo entrega delivery ou de produtos para viagem. Aulas foram suspensas em universidades e em escolas de primeiro se segundo grau.

Fonte original: Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo

 

Animação mostra como se dá o contágio do coronavírus

A Universidade de Stanford, dos Estados Unidos, produziu uma animação bastante didática para explicar como funciona o contágio do COVID19. Passe adiante. A informação é a melhor forma de prevenção contra o coronavírus.

Estresse: o perigoso sintoma invisível do coronavírus

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Foto: Divulgação / UFRJ

O estresse é um dos principais agravantes da atual pandemia provocada pelo coronavírus. O medo e a insegurança provocados pelo isolamento social, pelo afastamento do trabalho, pela preocupação com outros amigos e parentes isolados, a ansiedade com relação aos problemas financeiros e ao risco de desemprego estão gerando níveis inéditos de estresse generalizado em todos os países do mundo afetados pela pandemia.

As instituições de saúde globais estão atentas a esse fato, que é tratado como efeito colateral da COVID19 e, como tal, tratado como questão de saúde pública também. Como a demanda de atendimento é muito alta, é preciso que todos, pacientes, familiares e profissionais de saúde, estejam em condições psicológicas adequadas para enfrentar as dificuldades e tomar decisões com serenidade, o que nem sempre é possível.

Nesse sentido, ajuda seguir as recomendações de quem tem ampla experiência no manejo de situações como essa, com foco em saúde mental. O guia de cuidados para a saúde mental publicado pelo OMS é uma boa fonte de informações a esse respeito e merece ser conhecido em detalhes.

Em primeiro lugar, ele trata do preconceito. Não há nenhuma relação da doença com qualquer povo específico. O excesso de informação também causa ansiedade e estresse. Reduza suas fontes de informação às mais confiáveis, apenas uma ou duas vezes ao dia, evite o “bombardeio desnecessário” de informações e, claro, fuja das fakenews.

Os agentes de saúde são um dos grupos de preocupação do guia. “O gerenciamento da sua saúde mental e o seu bem-estar psicossocial durante este momento é crucial para que você possa manter sua saúde física também”, recomenda da publicação.

As equipes de atendimento direto precisam adotar medidas específicas para lidar com o estresse, como rotatividade entre funções de maior para menor tensão, apoio psicossocial aos trabalhadores e aos pacientes.

Os cuidadores de crianças devem permitir que elas expressem seus medos e ansiedades. Brincadeiras, jogos e desenhos podem ajudar. É importante mantê-las junto de suas famílias sempre que possível. Quando o contato físico não for possível devem ser usados meios de comunicação como celulares e computadores.

Por fim, o guia trata dos cuidados com os idosos. Especialmente em casos de isolamento social e de demência, os idosos podem apresentar sintomas de raiva, agitação e estresse. É fundamental oferecer apoio emocional a eles nesses casos.

Conversar com eles sobre as coisas que estão acontecendo, fornecendo informações claras sobre as medidas de contenção da pandemia, é uma das formas de ajudar. Tudo da forma mais simples possível. O apoio da família pode ajudar na adoção das medidas de prevenção, como lavar as mãos.

Os medicamentos devem ser mantidos sempre à mão e os amigos devem ser alertados em caso de qualquer necessidade de ajuda. Os idosos devem estar preparados para buscar ajuda, chamar um taxi, pedir entrega de comida em casa ou chamar um médico. E devem manter seus estoques de medicamentos para no mínimo duas semanas.

Fazer exercícios físicos simples durante a quarentena ajuda não reduzir a mobilidade. E claro, manter uma rotina de atividades regulares: arrumar a casa, cozinhar, cantar, pintar, desenhar, escrever e tudo que der vontade! Manter o contato e ajudar a família e os vizinhos sempre que for seguro ou, não sendo possível, por meio do telefone.

O guia completo da OMS para redução do estresse durante a pandemia COVID19 você encontra aqui.

Fonte: Instituto de Saúde.

Fapesp incentiva conversão de pesquisas atuais para o estudo do coronavírus

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A Fapesp abriu chamada para a seleção rápida de propostas de pesquisa de curto prazo (24 meses) como suplementos para auxílios vigentes nas modalidades Temático, Jovem Pesquisador, CEPID ou CPE em curso, que redirecionem parte de seu esforço de pesquisa para contribuir de forma significativa ao entendimento e superação do risco representado pelo vírus SARS-Cov-2 e/ou possíveis caminhos para sua gestão ou prevenção. A data limite para apresentação de propostas de pesquisa nessa chamada é 22 de junho de 2020.

Os tópicos de pesquisa de interesse incluem, mas não são limitados, aos seguintes:

1) Características epidemiológicas, por exemplo, potencial de transmissão, disseminação geográfica, interações com outros vírus, alteração do genótipo viral, suscetibilidade do hospedeiro, período de incubação, etc.

2) Desenvolvimento de testes diagnósticos clínicos sensíveis, específicos e rápidos para COVID-19.

3) Desenvolvimento de candidatos terapêuticos para a COVID-19; terapêutica de amplo espectro contra múltiplas cepas de corona vírus; estudo da atividade anti-COVID-19 de terapêuticas existentes inicialmente desenvolvida para outras indicações.

4) Terapêutica, com priorização daqueles com potencial para rápido desenvolvimento clínico ou reuso de terapêuticas existentes desenvolvidas para outros patógenos.

5) Estudos para compreender aspectos críticos da infecção viral, replicação, patogênese e transmissão; examinar a estabilidade e persistência do vírus.

6) Pesquisa em procedimentos clínicos, indicadores de prognóstico clínico, incluindo investigações voltadas para a compreensão da história natural da doença.

7) Identificação e avaliação das respostas imunes inatas, celulares e humorais à infecção pelo SARS-Cov-2.

8) Investigações epidemiológicas e soro-epidemiológicas, como as que visam compreender melhor as características e gravidade da transmissão, a fim de compreender o impacto potencial das medidas de controle da COVID-19.

9) Pesquisa baseada em ciências sociais que contribua para a compreensão e influência do comportamento – para as instituições públicas e locais de trabalho – para facilitar a contenção e minimizar comportamentos contraproducentes (inclui pesquisa baseada em georreferenciamento e dados sociais para investigar zonas de risco nas grandes cidades).

O valor total oferecido nessa chamada é de R$ 10 milhões. A duração dos projetos de pesquisa propostos deve ser de 24 meses e cada proposta pode solicitar até o valor máximo de R$ 100 mil por ano.

Além do valor especificado acima, excepcionalmente nesta Chamada, poderá ser solicitada uma Bolsa de Pós-Doutorado (do tipo BCO – Bolsa como Item Orçamentário cujo recipiente será selecionado após a aprovação da solicitação – www.fapesp.br/2615), com duração de até 24 meses.

A submissão deve ser por um Pesquisador Responsável ou Pesquisador Principal na concessão nas modalidades Temático, Jovem Pesquisador, CEPID ou CPE em andamento e que demonstre ter tempo disponível entre suas atividades de pesquisa para liderar de forma eficaz a atividade proposta.

As propostas devem seguir as diretrizes e requisitos de elegibilidade aplicados aos Auxílios à Pesquisa Regulares, descritos em www.fapesp.br/137.

Sendo uma iniciativa de Rápida Implementação as propostas serão analisadas à medida que forem recebidas até que se esgotem os recursos oferecidos ou até a data limite anunciada acima.

Para dúvidas sobre essa chamada escreva para chamada-apr-covid@fapesp.br.

Instituto Butantan constrói laboratório para a realização de testes do coronavírus

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O Instituto Butantan está concluindo a montagem de laboratório especial com a finalidade de desafogar a demanda do Instituto Adolfo Lutz e oferecer uma quantidade maior de testes do coronavírus à população. O processo será mais automatizado e o laboratório deve começar a operar em breve. O jornal do G1, da Rede Globo, entrevistou o diretor do Butantan, Dimas Tadeu Covas. Clique aqui para ter acesso à reportagem.

Coronavírus não é transmitido por leite materno, diz pesquisadora do Instituto de Saúde

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“É muito importante que os profissionais de saúde continuem orientando as lactantes a continuar amamentando seus bebês, mesmo as que adquirirem a infecção pelo novo coronavírus”. Essa é a orientação da pediatra Sonia Venâncio, assistente de direção do Instituto de Saúde, que participou da redação da Nota Técnica publicada pelo Ministério da Saúde sobre amamentação por mães portadoras da doença provocada pelo novo coronavírus, a COVID19.

Até o momento não foram encontradas evidências de que o aleitamento provoque a transmissão do vírus pelo leite, por isso a recomendação contida no documento do Ministério da Saúde e de outros organismos estrangeiros, como OMS, CDC e Unicef, é não interromper a amamentação, porque as evidências existentes são de que ela protege as crianças contra infecções, e não o contrário. Ou seja, deixar de amamentar não oferece qualquer benefício à criança, segundo os estudos atualmente existentes. Porém é imprescindível manter as medidas de higiene, como uso de máscara e lavagem criteriosa das mãos pelas mães.

A nota técnica foi elaborada pelo Ministério da Saúde para orientar o Centro de Operações de Emergência para o Coronavírus sobre as medidas a serem adotadas pela rede SUS quanto ao aleitamento materno. Além do Instituto de Saúde, participaram da redação da nota a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, a Sociedade Brasileira de Pediatria, Instituto de Medicina Integrada Professor Fernando Figueira, Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras e Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar.

Fonte: Assessoria do Instituto de Saúde

Cientista Miguel Nicolelis aponta caminhos para o combate ao coronavírus

Em entrevista aos jornalistas Rodolfo e Eleonora de Lucena, o neurocientista Miguel Nicolelis define pandemia como situação de guerra, critica respostas dadas pelo governo brasileiro até o momento e propõe a criação de uma Comissão de Salvação Nacional para coordenar ação no país contra o coronavírus. Assista.

Instituto Florestal: Mata Atlântica tem substância que combate protozoário causador da Doença de Chagas

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(Foto: Ramos com flores de Nectandra barbellata Coe-Teixeira, Laurácea / João B. Baitello)

Estudo publicado na revista Bioorganic Chemistry em janeiro deste ano aponta um composto natural, isolado dos galhos de uma espécie de canela, como potencial candidato ao desenvolvimento de um novo medicamento para a Doença de Chagas. A pesquisa revelou que a substância identificada como ácido cóstico pode alterar diretamente o sistema bioenergético do protozoário Trypanosoma cruzi, levando à morte do parasita.

A ação biológica do composto, pertencente à classe dos terpenos, foi avaliada em laboratório frente ao parasita causador da doença. Observou-se que a substância afetou o transporte de metabólitos e nutrientes para o protozoário. Estudos de microscopia eletrônica revelaram intenso dano ultraestrutural no citoplasma e desorganização das organelas intracelulares. Além disso, o ácido cóstico também abalou a membrana das mitocôndrias, que são vitais aos parasitas e únicas em cada indivíduo.

Atualmente, estima-se que mais de 4 milhões de pessoas estejam infectadas no Brasil com a doença, que causa aproximadamente 6 mil mortes por ano a partir de um quadro clínico com complicações principalmente cardíacas e gastrointestinais. A transmissão ocorre geralmente pelas fezes de insetos popularmente conhecidos como “barbeiro”. A busca por novos protótipos que auxiliem na cura dessa enfermidade é muito importante, já que o tratamento com benznidazol, único fármaco disponível no país para o tratamento dos pacientes acometidos com a doença, é considerado tóxico e pouco eficaz. Dessa forma, para contribuir com novas terapias, a química dos produtos naturais desempenha um papel importante na busca de compostos bioativos.

As Unidades de Conservação cumprindo sua função social

A coleta do material vegetal foi realizada no Parque Estadual Alberto Löfgren, zona norte da cidade de São Paulo, sede do Instituto Florestal (IF). A Nectandra barbellata, popularmente conhecida como canela-amarela, é nativa da Mata Atlântica dos estados de São Paulo e Espírito Santo.

A Lista Vermelha do Centro Nacional de Conservação da Flora, que utiliza os critérios da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), classifica a espécie como vulnerável. Ou seja, enfrenta um risco de extinção elevado. A grande ameaça à canela-amarela é a destruição de seu habitat, como ocorre na Serra da Cantareira com a expansão imobiliária e desmatamentos ilegais.

A vegetação nativa esconde compostos químicos ainda não revelados, o que realça a importância de estudos como este. Assim, seus resultados mostram como as Unidades de Conservação da Natureza são imprescindíveis para a pesquisa científica e a saúde pública.

O estudo faz parte das pesquisas realizadas pelo aluno de doutorado Vinicius Silva Londero, da Universidade Federal de São Paulo, com orientação do Prof. Dr. João Henrique Ghilardi Lago, da Universidade Federal do ABC, em parceria com pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, da Universidade de São Paulo e do Instituto Florestal e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O projeto está aprovado e registrado na Comissão Técnico-Científica do IF, que faz a gestão da pesquisas científicas realizadas nas unidades de conservação do Sistema Estadual de Florestas do Estado de São Paulo.

O pesquisador científico do IF, especializado na família das Lauráceas, João Batista Baitello, foi parceiro neste trabalho interinstitucional, apresentando, identificando e indicando os locais para a coleta da espécie. Em geral, quando se utiliza uma espécie botânica em estudos químicos, recomenda-se que um exemplar seja depositado em herbário oficial. O testemunho da canela-amarela utilizada nesta pesquisa encontra-se no Herbário Dom Bento José Pickel (SPSF), do Instituto Florestal.

Acesse o artigo:

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0045206819315536

APqC entra com mandado de segurança contra decreto do governo de SP que determina gozo de licença prêmio aos servidores

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COMUNICADO EM RAZÃO DO DECRETO GOVERNAMENTAL Nº 64.864 DE 16/03/2020.

Prezados Pesquisadores,

A APqC tem recebido dúvidas recorrentes de seus associados sobre Decreto Governamental nº 64.864 de 16/03/2020, dessa forma, a fim de esclarecer seguem as respostas para os questionamentos mais frequentes:

1) Sou obrigado(a) a gozar de férias ou de licença prêmio, por decisão unilateral da administração, em razão da edição do Decreto Governamental nº 64.864 de 16/03/2020?

Inicialmente, cabe esclarecer que estamos lidando com uma situação excepcional, nunca antes vivida, para prevenir a propagação de contágio pelo COVID-19, prevendo o Executivo a adoção de medidas, que segundo o Estado, convergem em benefício a saúde do servidor/população e do serviço público.

Faz-se necessário o presente esclarecimento, pois muitas situações ainda poderão ser frutos de debates em âmbito dos nossos tribunais, ainda mais após a decretação do Estado de Calamidade.

QUANTO A LICENÇA PRÊMIO:

A APqC informa que foi impetrado mandado de segurança com pedido de liminar (MS n. 2055199-75.2020.8.26.0000), objetivando que nenhum pesquisador científico associado, seja compelido arbitrariamente, a gozar de sua licença prêmio, sem prévio requerimento.

Estamos aguardando o deferimento da liminar e comunicaremos assim que obtivermos resposta do Poder Judiciário.

Anexo, segue o link da petição inicial para ciência.

Para aqueles que já fizeram o requerimento solicitando a concessão de sua licença prêmio, a APqC orienta que o pesquisador associado, protocolize novo requerimento, conforme modelo anexo, para serem beneficiados caso o mandado de segurança seja julgado procedente. Modelo I.

Caso o pesquisador ainda não tenha feito requerimento e não desejar gozar de sua licença prêmio no presente momento, recomendamos o preenchimento do requerimento anexo. Modelo II.

QUANTO A FÉRIAS:

No tocante a Férias o Estatuto do Servidor Público assim disciplina:

Artigo 176 – O funcionário terá direito ao gozo de 30 (trinta) dias de férias anuais, observada a escala que for aprovada.

Artigo 177 – Atendido o interesse do serviço, o funcionário poderá gozar férias de uma só vez ou em dois períodos iguais.

Artigo 178 – Somente depois do primeiro ano de exercício no serviço público, adquirirá o funcionário direito a férias.

Artigo 179- Caberá ao chefe da repartição ou do serviço, organizar, no mês de dezembro, a escala de férias para o ano seguinte, que poderá alterar de acordo com a conveniência do serviço.

Assim, observa-se que o administrador público possui discricionariedade para aprovar e alterar a escala de férias dos servidores de acordo com a conveniência e oportunidade do serviço público.

Vale observar, que as férias, diferentemente da licença prêmio, possuem prazo legal para serem usufruídas.

E nesse raciocínio, o administrador poderia determinar o gozo imediato de férias regulamentares, estando o Decreto n. 64.864, de 16 de março de 2020 em harmonia com a Lei 10.261, de 1968.

Dessa forma, não observamos ilegalidade.

2) Eu tenho menos de 60 anos, porém gostaria de continuar trabalhando “home office”? Como ficam as atividades que não podem ser interrompidas?

Essa decisão, infelizmente não cabe ao funcionário e sim ao gestor público, podendo haver diferentes entendimentos em âmbitos das diferentes secretarias.

Dessa forma, em regra geral, segundo o artigo 2º, o gestor público deve determinar o gozo imediato de férias regulamentares e licença-prêmio.

Entretanto, deve assegurar apenas a permanência de número mínimo de servidores necessários a atividades essenciais e de natureza continuada.

Logo, por exemplo um determinado gestor, a fim de assegurar a proteção do servidor, bem como a permanência de número mínimo de servidores necessários a atividades essenciais e de natureza continuada, pode determinar o teletrabalho, sem prejuízo do serviço público, mesmo para aqueles que possuem idade inferior a 60 anos.

Por outro lado, outro gestor, pode entender que aquela pesquisa não constitui atividade essencial ou que já existe n. mínimo de pesquisadores em atividade para desenvolver aquela atividade para o Estado, e, estando presentes os requisitos, pode determinar o gozo imediato das férias.

Também poderia entender que mesmo aqueles que possuem licença prêmio ou férias não poderão assim gozá-las no momento, em razão da necessidade da prestação do serviço a população.

Outrossim, o Decreto n. 64.879, de 20 de março de 2020, prevê uma outra situação, qual seja, de colocar funcionários à disposição da Administração, para quem exerça atividade não essencial e não disponha de período de férias, ou mediante teletrabalho ou presencial para aqueles responsáveis por atividades essenciais.

Vejam, há inúmeras situações, devendo o gestor, em cada caso, assim disciplinar a questão, sempre levando em consideração a saúde do servidor, o bem do serviço público e o estado de calamidade.

Por fim, vale dizer, que o Decreto n° 62.648, de 27 de junho de 2017, instituiu e regulamentou o teletrabalho em âmbito da administração pública, podendo no futuro ser caracterizado como uma nova forma de trabalho, independentemente de estarmos diante de uma situação calamitosa.

São Paulo, 23 de março de 2020.

Dra. Helena Goldman
OAB/SP 307.103

ANEXOS*

Modelo I

Modelo II

Mandado de Segurança n. 2055199-75.2020.8.26.0000

Em vídeo, pesquisador do Instituto Butantan explica como funciona o teste para diagnosticar coronavírus

Para esclarecer a população sobre o novo coronavírus, que já infectou mais de 900 pessoas no Brasil, o Instituto Butantan, por meio do pesquisador Renato Astray, produziu um vídeo informativo que mostra como são realizados os testes para diagnosticar a covid-19 nos pacientes. Clique abaixo para assistir, compartilhe e divulgue. A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) se soma aos esforços dos institutos de pesquisa para ajudar na redução dos impactos causados pela pandemia.

Instituto Butantan fará mil testes diários de covid-19 em São Paulo

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O Instituto Butantan anunciou que irá processar até mil exames de covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus SARS-CoV2) por dia. Em uma segunda fase de expansão, a capacidade será de até 2 mil exames diários. A medida faz parte dos esforços do governo do de São Paulo para reduzir o impacto da doença no estado. Além do Butantan, o Instituto Adolfo Lutz também realiza os testes na capital.

Além do trabalho dos pesquisadores dos institutos públicos, que estão à frente da realização dos testes,  a Universidade de São Paulo (USP) irá disponibilizar 17 laboratórios, que serão adaptados para processar exames de coronavírus, principalmente em pacientes internados.

O governo segue uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para testar o maior número possível de pessoas, como forma de deixá-las isoladas o quanto antes para evitar a disseminação do vírus.

Ana Maria Moro é a quarta entrevistada do podcast “Cientistas do Butantan”

Em sua quarta edição, o podcast “Cientistas do Butantan” conversou com a imunologista Ana Maria Moro. Bióloga com especialização em Genética Bioquímica, Ana Maria é diretora do Laboratório de Biofármacos em Células Animais do Instituto Butantan. A pesquisadora, que se dedica ao assunto desde o surgimento do tema, liderou produções de anticorpos monoclonais no Instituto em parceria com empresas de medicamentos.

 

Pesquisadores da Unicamp iniciam teste de diagnóstico do coronavírus para auxiliar Instituto Adolfo Lutz

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Uma equipe do Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (LEVE) do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, em colaboração com outros docentes do IB, da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e do LNBio, começou na terça-feira (17) o processo de elaboração de um teste para a detecção do Covid-19. A partir da amostra do coronavírus do primeiro paciente infectado no Brasil, os pesquisadores iniciaram os procedimentos que visam dar agilidade ao diagnóstico local e, assim, contribuir para o controle da doença.

“Se tudo funcionar bem, até quarta no fim do dia pode ser que a gente tenha a primeira reação de detecção de coronavírus funcionando em Campinas. Nesse momento, o trabalho que estamos fazendo é uma assessoria para implementar a detecção do vírus localmente, aqui dentro da Unicamp, como uma alternativa de suporte aos laboratórios de referência”, explica o coordenador do LEVE, José Luiz Proença Módena.

Ele ressalta que os diagnósticos seguirão sendo realizados pelo laboratório de referência no estado de São Paulo, o Instituto Adolfo Lutz. No entanto, um diagnóstico rápido e local, que deverá ser realizado pela Divisão de Patologia Clínica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, é importante para dar agilidade ao encaminhamento do paciente.

“Vai continuar indo para o Lutz, mas vai ter um fluxo paralelo para ser testado no Hospital das Clínicas, na tentativa de minimizar esse tempo, visando uma estratégia de contenção adequada dos pacientes positivos. Isso é muito importante”, observa José Luiz. No processo de controle do coronavírus na China, segundo o professor, a diminuição do número de casos passou pela rápida detecção dos casos positivos e o isolamento imediato dos sintomáticos, com acompanhamento àqueles que apresentavam agravo dos sintomas relacionados à doença. “É algo que estamos tentando mimetizar e fazer igual aqui no estado de São Paulo”, conta o professor.

Na manhã da terça-feira (17), ele e a equipe começaram os procedimentos de expansão do Covid-19. Essa etapa é realizada introduzindo o vírus em células que são suscetíveis ao crescimento do microrganismo. Quando a célula está com uma grande quantidade de vírus, ocorre uma alteração em sua forma, chamada efeito citopático, o que é esperado que ocorra em um período de 36 a 72 horas após infecção.

A partir do efeito citopático, a próxima etapa segue com a inativação do vírus e a extração do seu material genético, o RNA, para a obtenção do material que será utilizado como controle positivo. “Com esse controle positivo a gente pode padronizar a reação de detecção, que é uma reação que busca encontrar fragmentos genômicos, ou seja, resquícios genômicos do vírus nas amostras coletadas de pacientes suspeitos”. Caso se encontre os fragmentos, é possível afirmar que um paciente testou positivo para o Covid-19.

O professor lembra que os diagnósticos vêm avançando e já foram desenvolvidos até mesmo kits comerciais para detecção do coronavírus. No entanto, o alto custo torna-os pouco acessíveis. “Então quando você pensa em testar milhares de pessoas acaba sendo proibitivo. Por isso a importância de um protocolo local na tentativa de baratear os custos”. A estimativa de valor, conforme José Luiz, é entre R$50 e R$70 por teste para o HC, incluindo todo o processo, desde a extração da amostra até a realização do ensaio de detecção molecular. O valor, entretanto, pode sofrear alguma alteração, já que foi calculado antes da declaração da pandemia e antes do pico do dólar.

Após desenvolver o teste de diagnóstico, a equipe ainda pretende ir além, realizando testes de combate ao vírus. “Vamos fazer uma busca ativa de reposicionamento de fármacos, de drogas que já estão validadas para uso humano, tentando encontrar alguma que possa inibir a replicação do vírus para uso imediato naqueles pacientes com sintomatologia grave em resposta à infecção”, indica o professor.
Todos os testes realizados no LEVE com o Covid-19 são realizados em laboratório de biossegurança de nível 3, que está preparado para trabalhar com agentes de risco nível 3, como no caso do coronavírus. Há sistema de exaustão, de controle de pressão e de esterilização que não permitem a saída do vírus para o ar e que minimizam o risco de contaminação para os profissionais que manipulam o microrganismo.

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Além dos pesquisadores da Unicamp, o estudo, que utiliza protocolo desenvolvido por pesquisadores do German Center for Infection Research, é multidisciplinar e envolve outras instituições, como o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). Houve também a colaboração do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, que enviou a mostra do vírus ao LEVE e a outros laboratórios brasileiros que poderiam ajudar no combate ao vírus.

A equipe da Unicamp é composta por José Luiz Módena, e a equipe que trabalha no LEVE – Matheus Cavalheiro Martini; Daniel Augusto de Toledo Teixeira; Mariene Ribeiro Amorim; Stéfanie Primon Muraro; Gabriela Fabiano de Souza; Aline Vieria, Pierina Lorencine Parise, Karina Bispo do Santos; Julia Forato; Camila Simeoni; Julia Vitória. Além deles, a iniciativa conta com a participação do professor Rafael Elias Marques do LNBio; professora Clarice Weis Arns (IB); professor Fabio Trindade Maranhão Costa (IB); professora Carolina Horta Andrade (Universidade Federal de Goiás) e professora Fabiana Granja, que coordena o Laboratório de Biologia Molecular da Universidade Federal de Roraima (UFRR).

Com informações de Liana Coll, da Unicamp.

Governo de São Paulo destaca papel do Instituto Adolfo Lutz no combate ao coronavírus

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O governo de São Paulo anunciou que está investigando quatro mortes suspeitas por coronavírus e que há um total de 162 casos no estado. Ontem (17) foi registrada a morte de um homem de 62 anos, sem histórico de viagens recentes, que começou a sentir os sintomas da doença no último dia 10.

O secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann, e o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, David Uip, em entrevista coletiva, confirmaram o primeiro óbito por coronavírus no Brasil. Apesar do caso ter ocorrido na rede privada, o governo se prepara para receber uma onda de internações na rede pública. “Inicialmente, impactou o sistema privado. É questão de dias, horas para impactar o sistema público”, disse o infectologista David Uip.

Uip afirmou que o governo estuda a possibilidade de utilizar alguns hospitais apenas para atender pacientes de coronavírus. Além de aumentar as vagas de UTI, o governo pretende aumentar a quantidade de testes. “Nós entendemos que é adequado tentar ampliar os centros de diagnóstico. Mas insisto: existe o mundo ideal e o real. O mundo ideal é fazer exames para todo mundo, isso não é real”, afirmou Uip, que elogiou o trabalho realizado pelos pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, que até o momento já analisaram mais de três mil amostras.

Segundo o médico, a pandemia tem gerado grande preocupação em relação aos profissionais da saúde, pois a experiência têm mostrado uma evolução rápida dos casos e alguns médicos e enfermeiros já estão contaminados. O representante do governo fez também um apelo à população, devido ao baixo estoque dos bancos de sangue. Conforme a administração estadual, o hospital com maior estoque tem quantidade suficiente para apenas uma semana.

TJ-SP suspende reforma da previdência de servidores paulistas

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O desembargador Antonio Carlos Malheiros, do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, concedeu liminar para suspender os efeitos da PEC 49/20, que modifica o regime próprio de previdência social dos servidores públicos titulares de cargos efetivos do estado. A emenda à constituição de São Paulo foi aprovada no início do mês na Assembleia Legislativa.

A decisão foi proferida em ação direta de inconstitucionalidade movida pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). O sindicato alegou vício na condução do processo legislativo que aprovou a PEC proposta pelo Executivo estadual.

O desembargador identificou violações ao artigo 10 da Constituição Estadual e ao artigo 31 do regimento interno da Alesp. Em sua decisão, o magistrado afirmou ainda que os trâmites necessários para a votação da proposta não teriam sido observados corretamente.

Segundo o parágrafo único do artigo 10 da Carta paulista, “salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações da Assembleia Legislativa e de suas Comissões serão tomadas por maioria de votos, presente a maioria absoluta de seus membros”.

Ocorre que, para o magistrado, houve um trâmite diferenciado para a aprovação da reforma. Trâmite esse não excepcionado pela Constituição estadual. “Inexiste, a princípio, qualquer indício de que as razões, que levaram à Proposta de Emenda Constitucional 18/19, de autoria do Governador do Estado de São Paulo, à votação pela Casa Legislativa, estejam incluídas no rol do autorizativo constitucional, para que houvesse um trâmite diferenciado”, afirmou o relator.

Em não havendo qualquer determinação constitucional, Malheiros afirmou que o processo legislativo não pode ser alterado, devendo seguir as regras já existentes na Casa Legislativa. Assim, os efeitos da reforma da previdência foram suspensos, “uma vez que os documentos trazidos aos autos são hábeis a comprovar a existência de direito líquido e certo, além do fumus boni juris e o periculum in mora“.

Outro vício preliminar identificado foi o fato de parecer do relator especial ter sido aprovado, em detrimento de parecer da Comissão de Constituição e Justiça, o que, em tese, fere o artigo 31, parágrafo primeiro, do Regimento Interno da Assembleia Legislativa.

O Governo do Estado de São Paulo ainda não se pronunciou sobre a liminar.

Clique aqui para ler a decisão na íntegra

Com informações de Tábata Viapiana, da Revista Consultor Jurídico.

APqC orienta a população a seguir medidas preventivas contra o coronavírus

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Diante do avanço da pandemia do coronavírus em nosso país, que registrou no dia de hoje (17), em São Paulo, as duas primeiras mortes causadas pela Covid-19, a Associação dos Pesquisadores Científicos (APqC) vem, por meio deste comunicado, recomendar à toda sociedade, incluindo nossos pesquisadores e técnicos de apoio, que observem com rigor as medidas preventivas divulgadas pelas autoridades médicas, com o objetivo de reduzir a proliferação do contágio e impedir que a doença resulte em grave crise humanitária, como tem acontecido em alguns países da Europa.

O vírus, até então desconhecido, é de fácil e rápida transmissão e causa problemas respiratórios que podem oscilar de leves a moderados. Em alguns casos, geralmente em idosos ou em pessoas cujos organismos apresentam baixa imunidade, a doença pode progredir para uma síndrome aguda grave, levando a complicações e mesmo ao óbito.

Para informar a população, o Governo do Estado de São Paulo criou o Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, coordenado pelo médico David Uip. Dentre as recomendações do coordenador, endossadas pelo Secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann, a quarentena voluntária é a forma mais eficaz de evitar que se adquira ou se transmita o coronavírus. Quanto menos as pessoas circularem nos próximos 30 ou 40 dias, menores serão as chances de contágio. Durante esse período evite sair de casa sem necessidade, não utilize o transporte público (sobretudo em horários de pico), não vá a lugares com grande concentração de pessoas (como bares, restaurantes, shopping centers, bancos, igrejas, eventos culturais ou esportivos, etc). Se você puder, trabalhe de casa. Se não puder trabalhar de casa e tiver que se deslocar, redobre a atenção no cumprimento das seguintes orientações:

– Lave as mãos frequentemente com água e sabão e use antisséptico à base de álcool gel 70%, principalmente após tossir ou espirrar, apertar a mão de alguém, ir ao banheiro, usar o telefone celular, etc.

– Evite ficar em ambientes fechados. Na medida do possível, trabalhe ou estude em ambientes arejados. Caso haja alguém doente ou com sintomas de gripe, mantenha a distância mínima de um metro entre uma pessoa e outra.

– Se estiver com os sintomas da Covid-19 (febre alta, tosse e dificuldades para respirar) procure o serviço de saúde mais próximo, como um Pronto Atendimento, para análise inicial. Se o quadro for compatível com a definição de caso, esse serviço de saúde deverá seguir o fluxo estabelecido pela Secretaria de Estado da Saúde.

Para mais informações, recomendamos que todos visitem o site (clique aqui) do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo. A APqC, por meio de seus canais de comunicação, irá atualizar diariamente as informações acerca do coronavírus.

Denise Tambourgi é a segunda entrevistada da série “Cientistas do Butantan”

O segundo podcast da série “Cientistas do Butantan” é com Denise Tambourgi. Bióloga com mestrado e doutorado em Imunologia, ela é diretora do Laboratório de Imunoquímica do Instituto Butantan. Estuda venenos de animais peçonhentos, principalmente o da aranha Loxosceles, a aranha-marrom, e o da lagarta Pararama, um bicho que só aparece na Amazônia, mais especificamente, nas seringueiras. Está desenvolvendo ensaios clínicos para a elaboração de uma pomada que combate o veneno da aranha-marrom. O ensaio clínico está na fase III, o que quer dizer que já está testando o medicamento em um grupo controlado de pacientes. Clique para ouvir a entrevista.

Com apoio da Fapesp, cientistas de São Paulo estão desenvolvendo vacina contra novo coronavírus

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Pesquisadores do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor) da Faculdade de Medicina (FM) da Universidade de São Paulo (USP) estão desenvolvendo uma vacina contra o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave, o Sars-CoV-2.

Por meio de uma estratégia diferente das adotadas por indústrias farmacêuticas e grupos de pesquisa em diversos países, os cientistas brasileiros esperam acelerar o desenvolvimento e conseguir chegar, nos próximos meses, a uma candidata a vacina contra o novo coronavírus que possa ser testada em animais.

“Acreditamos que a estratégia que estamos empregando para participar desse esforço mundial para desenvolver uma candidata a vacina contra a COVID-19 é muito promissora e poderá induzir uma resposta imunológica melhor do que a de outras propostas que têm surgido, baseadas fundamentalmente em vacinas de mRNA”, salientou à Agência Fapesp Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Incor e coordenador do projeto, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Metodologia

Utilizada no desenvolvimento da primeira vacina experimental contra o Sars-CoV-2, anunciada no fim de fevereiro nos Estados Unidos, a plataforma tecnológica de mRNA se baseia na inserção na vacina de moléculas sintéticas de RNA mensageiro (mRNA) – que contêm as instruções para produção de alguma proteína reconhecível pelo sistema imunológico.

A ideia é que o sistema imunológico reconheça essas proteínas artificiais para posteriormente identificar e combater o coronavírus real. Já a plataforma que será utilizada pelos pesquisadores do Incor é fundamentada no uso de partículas semelhantes a vírus (VLPs, na sigla em inglês de virus like particles).

Estruturas multiproteicas, as VLPs possuem características semelhantes às de um vírus e, por isso, são facilmente reconhecidas pelas células do sistema imune. Porém, não têm material genético do vírus, o que impossibilita a replicação. Por isso, são seguras para o desenvolvimento de vacinas.

“Em geral, as vacinas tradicionais, baseadas em vírus atenuados ou inativados, como a do influenza [causador da gripe], têm demonstrado excelente imunogenicidade, e o conhecimento das características delas serve de parâmetro para o desenvolvimento bem-sucedido de novas plataformas vacinais”, afirmou Gustavo Cabral, pesquisador responsável pelo projeto, à Agência Fapesp.

“Mas, neste momento, em que estamos lidando com um vírus pouco conhecido, por questões de segurança é preciso evitar inserir material genético no corpo humano para evitar eventos adversos, como multiplicação viral e possivelmente reversão genética da virulência. Por isso, as formas alternativas para o desenvolvimento da vacina anti-COVID-19 devem priorizar, além da eficiência, a segurança”, acrescentou Cabral.

Sistema imunológico

Para permitir que sejam reconhecidas pelo sistema imunológico e gerem uma resposta contra o coronavírus, as VLPs são inoculadas juntamente com antígenos – substâncias que, ao serem introduzidas no corpo humano fazem com que o sistema imune produza anticorpos.

Dessa forma, é possível unir as características de adjuvante dos VLPs com a especificidade do antígeno. Além disso, as VLPs, por serem componentes biológicos naturais e seguros, são facilmente degradadas, explicou Cabral.
“Com essa estratégia é possível direcionar o sistema imunológico para reconhecer as VLPs conjugadas a antígenos como uma ameaça e desencadear a resposta imune de forma eficaz e segura”, disse.

Plataforma de antígenos

O pesquisador Gustavo Cabral fez nos últimos cinco anos pós-doutorados nas universidades de Oxford, na Inglaterra, e de Berna, na Suíça, onde desenvolveu candidatas a vacinas utilizando VLPs contra doenças, como a causada pelo vírus zika.

Por meio de um projeto apoiado pela Fapesp, o cientista retornou ao Brasil e iniciou no laboratório de imunologia do Incor, no começo de fevereiro, um estudo voltado a desenvolver vacinas contra Streptococcus pyogenes – causador da febre reumática e da cardiopatia reumática crônica – e chikungunya, utilizando VLPs.

Com a pandemia do COVID-19, o projeto foi redirecionado para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus. “O objetivo é desenvolver uma plataforma de entrega de antígenos para células do sistema imune de forma extremamente fácil e rápida e que possa servir para desenvolver vacina não só contra a COVID-19, mas também para outras doenças emergentes”, ressaltou Cabral.

Os antígenos do novo coronavírus estão sendo produzidos a partir da identificação de regiões da estrutura do vírus que interagem com as células e permitem a entrada dele, as chamadas proteínas spike.

Essas proteínas, que são protuberâncias pontiagudas ao redor do envelope viral, resultam um formato de coroa que conferiu o nome corona a esse grupo de vírus. Após a identificação dessas proteínas spike, são extraídos fragmentos delas que são conjugadas às VLPs.

Por meio de testes com o plasma sanguíneo de pacientes infectados pelo novo coronavírus, é possível verificar quais fragmentos induzem uma resposta protetora e, dessa forma, servem como potenciais candidatos a antígenos. “Já estamos sintetizando esses antígenos e vamos testá-los em soro de pacientes infectados”, afirmou Cabral.

Testes

Depois da realização dos testes em camundongos e comprovada a eficácia da vacina, os pesquisadores pretendem estabelecer colaborações com outras instituições de pesquisa para acelerar o desenvolvimento.

“Após comprovarmos que a vacina neutraliza o vírus, vamos procurar associações no Brasil e no exterior para encurtarmos o caminho e desenvolver o mais rápido possível uma candidata a vacina contra a COVID-19”, disse Kalil.

O pesquisador é coordenador do Instituto de Investigação em Imunologia, sediado no Incor – um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) apoiados pela Fapesp e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no Estado de São Paulo.

Fonte: Governo de São Paulo

Série “Mulheres que Inspiram”, da APTA, chega ao fim com homenagem à pesquisadora Edna Bertoncini

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Finalizamos hoje a campanha Mulheres que Inspiram, que ao longo de oito dias compartilhou histórias e trajetórias de mulheres que atuam nos seis Institutos e na APTA Regional.

Nossa personagem de hoje é Edna Ivani Bertoncini, pesquisadora do Polo Regional de Piracicaba da APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Edna é engenheira agrônoma e tem forte atuação junto aos produtores rurais. Suas pesquisas com azeite de oliva extravirgem também contribuem para transferir conhecimento aos consumidores e a melhorar o mercado nacional de azeites.
Obrigado a todos que nos acompanharam esses dias e parabéns às mulheres, que conquistam seu espaço e nos inspiram a seguir no caminho do conhecimento, do desenvolvimento científico e do agronegócio sustentável.

Edna Ivani Bertoncini escolheu cursar engenharia agronômica, embora seu pai sugerisse que cursasse engenharia mecânica e atuasse na indústria, pois dizia que os avós eram agricultores e o trabalho no campo não era valorizado. Seguindo os avós imigrantes e agricultores resolveu partir para agronomia. Logo depois, ingressou no mestrado para desenvolver projeto de pesquisa com uso de lodo de esgoto como fertilizante em solos agrícolas, uma área na época muito pouco conhecida no Brasil, mas que efervescia no exterior. Fez seu doutorado na mesma área e teve a oportunidade de fazer parte da pesquisa na Itália. Quando finalizou o pós-doutorado, prestou concurso e ingressou na APTA, em 2005.

Atualmente, desenvolve pesquisas na área de uso de resíduos como vinhaça, lodo de esgoto, e outros tantos resíduos orgânicos na fertilização de solos. A partir de 2009, coordena o Grupo Oliva SP, que visa fomentar a produção de oliveiras em São Paulo e incentivar o consumo de azeite de oliva extravirgem de alta qualidade. O projeto conta com 24 pesquisadores de sete instituições científicas. São Paulo possui 73 produtores de oliveira, muitos deles orientados diretamente pelo Oliva SP. Os conhecimentos e as tecnologias gerados pelo grupo de pesquisadores têm sido utilizados em outros estados produtores de oliveiras do Brasil. A área cultivada com oliveiras em São Paulo está em torno de 600 hectares, em 28 municípios. O Estado conta também com oito plantas, com capacidade de moagem de 3.075 kg de azeitonas/hora, e vários azeites paulistas ganharam nos últimos dois anos prêmios na categoria ouro em concursos internacionais.

Fonte: Assessoria de Imprensa da APTA

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Governo de São Paulo anuncia medidas restritivas para conter o avanço do coronavírus

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                         (Instituto Butantan ficará fechado para visitas durante 30 dias)

Na noite de ontem (15), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou novas medidas restritivas para tentar conter o avanço do coronavírus. Uma delas impacta diretamente o trabalho dos institutos de pesquisa científica: a determinação para que todos os servidores públicos com mais de 60 anos trabalhem de casa a partir de amanhã (17). A ordem é válida para todo o estado.

As exceções são funcionários ligados às áreas de Segurança e de Saúde (férias e licenças destes últimos servidores foram suspensas por 60 dias). O governador recomendou ainda que o setor privado suspenda convenções e eventos culturais, além de fechar pelo prazo mínimo de 30 dias salas de cinema, teatros e casas de shows. Museus, bibliotecas e centros culturais pertencentes ao estado terão suas atividades encerradas temporariamente. Também o Instituto Butantan estará fechado para visitantes.

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) irá acompanhar os desdobramentos das medidas restritivas e conclama a todos os servidores estaduais que evitem participar de eventos sociais ou frequentar lugares com grande concentração de pessoas. Cobraremos do governo que garanta condições de segurança aos nossos pesquisadores em seus ambientes de trabalho.

Instituto Butantan lança série de podcasts sobre o trabalho de suas pesquisadoras

Em novembro de 2019, o Instituto Butantan lançou a primeira edição do podcast “Cientistas do Butantan”, com a pesquisadora Ana Maria Moura e Silva, entrevistada pelas jornalistas Adriana Matiuzo, Mônica Teixeira e Valesca Dios.

Ana Maria fez carreira de pesquisadora no Instituto Butantan. Desde 1981 estuda de diferentes maneiras os componentes tóxicos dos venenos de serpentes. Nos últimos anos, agregou aos trabalhos em laboratório a observação dos efeitos dos venenos em seres humanos, especialmente na Região Norte.

Clique abaixo para ouvir o primeiro programa da série (ao longo da semana publicaremos as demais entrevistas).

APqC manifesta preocupação com a não reposição de pesquisadores do Instituto Butantan

apqc1-1O Instituto Butantan, que recentemente completou 119 anos de existência, tem frequentado a mídia com grande ênfase por ser o principal produtor de soros e vacinas para o SUS – Sistema Único de Saúde – e tem se empenhado para transformar-se em grande indústria de produtos biofarmacêuticos relevantes com capacidade para atender ao mercado nacional e internacional.

Mas o Instituto Butantan é muito mais que uma grande indústria de biofármacos; é um centro de excelência em saúde, pesquisa e ciência. E assim, gerando conhecimentos e tecnologias, projetou-se ao longo dos anos como Instituto de Pesquisa e tem demonstrado sua importância ao lado de institutos congêneres, como o Instituto Adolfo Lutz na recente presença do coronavírus (Covid-19) em nosso país.

Exatamente por esse motivo, a APqC reuniu-se com pesquisadores que dirigem grandes áreas de pesquisa do Instituto Butantan para diagnóstico da situação atual da instituição quanto ao seu recurso humano que sabe-se encontrar defasado nos vários institutos públicos de pesquisa.

No Butantan não é diferente. Áreas de importância indiscutível para o desenvolvimento de pesquisa e suporte à ação de saúde pública, como no caso da pandemia de Covid-19, carecem de pesquisadores e há as que sofrerão descontinuidade proximamente pela aposentadoria de lideranças científicas.

A APqC acredita que o Governo do Estado de São Paulo não permitirá que essa ruptura na capacidade de pesquisa e geração de soluções para a sociedade brasileira de tão importante Instituto de Pesquisa venha a acontecer. Por isso, a Associação desenvolverá ações junto ao Governo Estadual e apoiará esforços do Butantan no sentido de que concurso público seja autorizado para afastar as ameaças hoje presentes.

APqC se reúne com diretores do Instituto Butantan para acompanhar ações de combate ao Coronavírus

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A diretoria da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) se reuniu hoje (13) com os diretores das grandes áreas do Instituto Butantan. O objetivo foi discutir a pandemia do Coronavírus e o trabalho intensivo dos pesquisadores e dos institutos paulistas no combate à transmissão do vírus e ao tratamento das pessoas infectadas.

Foram abordados os exemplos do Instituto Adolfo Lutz, que está fazendo os testes de detecção do Coronavírus e sequenciou em tempo recorde o genoma do vírus que chegou ao Brasil, e do próprio Instituto Butantan, que está em processo acelerado de produção da vacina da gripe para disponibilizá-la à população brasileira no menor prazo possível – o que contribuirá para o manejo da epidemiologia, evitando que pessoas precisem de cuidados médicos devido à gripe durante o surto do Coronavírus. A vacina poderá também contribuir com a diminuição de casos de fatalidade do Coronavírus, que geralmente afeta pessoas idosas ou que tenham imunidade baixa devido a outros problemas de saúde.

A APqC acredita que sem institutos de pesquisa fortes e sem investimento na contratação de novos pesquisadores, o enfrentamento à epidemias como esta não será possível no futuro próximo. “É preciso que este debate seja feito pela sociedade civil junto ao Governo do Estado de São Paulo”, disse Enéas de Carvalho, pesquisador do Butantan e membro do conselho da Associação.

Instituto de Saúde assessora municípios paulistas na implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra

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Dos 645 municípios do Estado de São Paulo apenas 26, ou seja 0,04%, adotaram a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), segundo informação do Comunicado do Conselho Estadual de Saúde de São Paulo (CES), de setembro de 2019.

Visando apoiar os Municípios na implementação da PNSIPN, o Instituto de Saúde e outras instituições – Centro de Formação Pessoal para a Saúde (CEFOR), Saúde do Trabalhador do CVS e Área Técnica de Saúde da População Negra da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e o Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (Diesat) realizarão o curso “Política Nacional de Saúde Integral da População Negra: importância do quesito cor nos sistemas de informação”, sob coordenação do pesquisador Luís Eduardo Batista, integrante do Núcleo de Serviços em Saúde (NSS/IS). Essa assessoria visa apresentar a profissionais de saúde, gestores e movimentos sociais, a PNSIPN e a importância da coleta e análise da informação raça/cor para atenção qualificada as populações em situação de vulnerabilidade.

Segundo o pesquisador “O curso será ministrado nos 17 Departamentos Regionais de Saúde (DRS) do Estado de São Paulo, e tem como objetivo sensibilizar os trabalhadores dos municípios e construir uma proposta de ação regional para a implementação da PNSIPN”.

O curso vem como uma ação proposta no Plano Estadual de Saúde (PES) 2020-2023, que conta com 05 diretrizes colocadas como prioridades na proposta realizada pelas áreas técnicas da SES-SP para o quadriênio (2020-2023), mais especificamente na diretriz 2, objetivo 6, “Ampliar o número de cursos de capacitação para trabalhadores da saúde na temática Saúde da População Negra”.

O Instituto de Saúde tem papel importante nesta assessoria aos municípios, considerando sua participação desde o início da formulação da PNSIPN através de pesquisas elaboradas pelo pesquisador Luís Eduardo, que contribuiu com dados de análise epidemiológica do perfil da população adulta brasileira por raça/cor e sexo que pretendia descobrir o que estava adoecendo e causando mortes na população negra. Essa análise serviu como fundamentação teórica e subsidiou a equipe que estava conduzindo a elaboração dos documentos da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Mais recentemente o pesquisador contribui com o IBGE na construção do instrumento que avaliou a implementação da PNSIPN no Brasil.

O primeiro curso acontece em abril nos DRSs de Piracicaba, seguindo para Baixada Santista, Taubaté e São José do Rio Preto.

Fonte: Assessoria de imprensa do Instituto de Saúde

Pesquisadora do Instituto de Zootecnia é homenageada pela APTA

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O Dia Internacional da Mulher foi comemorado no domingo, porém, sempre é tempo de se inspirar na trajetória de nossas colegas. Por isso, continuaremos a compartilhar durante toda esta semana a campanha “Mulheres que Inspiram”.

Nossa personagem de hoje é Cristina Maria Pacheco Barbosa, pesquisadora do Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Filha de produtores rurais, Cristina decidiu cursar zootecnia na Universidade para ajudar na propriedade da família. Mal sabia que seus conhecimentos ajudariam todo o setor produtivo.

Cristina Maria Pacheco Barbosa é zootecnista e pesquisadora do Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O interesse pelos animais de criação é coisa de família e foi o que a inspirou na escolha da profissão. “Venho de família de produtores rurais, meu pai era produtor de leite e sempre convivi nesse meio. Na escolha da faculdade, quis fazer alguma coisa que pudesse ajudar na propriedade. Escolhi a zootecnia pensando nisso”, conta.

O mundo da produção animal se mostrou ainda mais incrível para Cristina quando ele se aliou à pesquisa científica, durante a Iniciação Cientifica realizada na graduação. Essa vontade ganhou mais força quando, então estudante de pós-graduação, conheceu o IZ. “Meu primeiro contato com o IZ ocorreu durante o mestrado, pois meu experimento foi realizado no Instituto. Nesse período tive certeza que queria trabalhar aqui”, relembra. Logo após concluir o doutorado, a zootecnista ingressava como pesquisadora da Instituição.

Quanto ao papel da mulher na pesquisa, Cristina diz que  as mulheres estão chegando e conquistando seus espaços. “Vemos hoje, cada vez mais, grandes mulheres em destaque em diversas áreas do agro”, diz.

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APqC discute reestruturação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo

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No dia de ontem (10), a diretoria da Associação dos Pesquisadores Científicos (APqC), representada por seu presidente João Paulo Feijão Teixeira, pela assessora jurídica Dra. Helena Goldman, pelo conselheiro José Orlando Prucoli, e pelos diretores Marco Antonio Zullo, Edna Bertoncini e Juliana Rolim, esteve reunida na Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo para tratar de assuntos relativos ao trabalho da nova gestão.

Representando o secretário Gustavo Junqueira estiveram presentes a secretária-executiva Gabriela Chiste e o chefe de gabinete Omar Cassim e o assessor Ricardo Lorenzini. Foi apresentada à APqC a reestruturação da Secretaria de Agricultura, que está em fase final de tramitação no governo estadual para sua efetivação. Segundo o presidente da APqC, a apresentação se deu “dentro de nova relação estabelecida entre a Associação e a Secretaria, onde prevalece o diálogo propositivo”.

Houve espaço para esclarecimentos quanto aos propósitos da reestruturação e abriu-se perspectiva para que a Associação acompanhe a implantação das mudanças organizacionais que ocorrerão. “Foi dada abertura para que os pesquisadores possam sugerir, quando necessário, ajustes a serem considerados pelo Gabinete do Secretário de Agricultura”, disse Feijão.

Competência feminina nas pesquisas impacta desenvolvimento científico do agronegócio

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Mulher, ciência e agronegócio combinam e formam uma equação perfeita que resulta em mais produtividade, lucratividade e sustentabilidade. No Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), mostrou algumas conquistas lideradas pelas servidoras da APTA e o papel fundamental das mulheres para o desenvolvimento econômico do Estado e de todo o País. A APTA conta, atualmente, com 1.423 servidores, sendo que 48% deste total é composto por mulheres. Entre os cientistas, elas ocupam 53% dos cargos.

Exemplo claro dessa força e liderança está nas pesquisadoras do Instituto Agronômico (IAC-APTA), Mariângela Cristofani-Yaly e Marinês Bastianel, que foram responsáveis pelo desenvolvimento da primeira tangerina 100% obtida no Brasil, a “IAC 2019Maria”, que também é o primeiro material de citros do Instituto protegido no Sistema Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Os trabalhos de melhoramento genético convencional da cultivar se iniciaram em 1997 e incluíram diversos pesquisadores. Mariângela e Marinês, porém, foram as responsáveis pela seleção da “IAC 2019Maria”, que deve estar no mercado em dois anos, aproximadamente.
“A grande vantagem da “IAC 2019Maria” é a sua resistência à mancha marrom de alternaria, uma doença de difícil controle e que já acarretou a diminuição do plantio de tangerina em São Paulo. Além disso, este material tem característica de fruto excepcional e o consumidor o aprova”, explica Marinês, agrônoma formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que possui mestrado pela mesma instituição e doutorado pela Unicamp.

O manejo da mancha marrom de alternaria requer várias aplicações de fungicidas, em áreas com a presença do fungo. A resistência da “IAC 2019Maria” resulta em diminuição dos custos de produção e mais sustentabilidade para a atividade. “Esta doença afeta as principais variedades de tangerina comercializadas no Brasil – a Ponkan e a Murcott. Há registros de produtores que fazem, por ano, até 25 aplicações de fungicidas”, afirma Mariângela, engenheira agrônoma formada pela Esalq/USP, com mestrado e doutorado pela mesma Universidade
A pesquisadora do Polo Regional de Piracicaba da APTA, Edna Bertoncini, também vê os frutos de seu trabalho sendo colhidos em diversos cantos do Estado. Ela é a líder do projeto Oliva SP da APTA que visa fomentar a produção oliveiras em São Paulo e incentivar o consumo de azeites de oliva extravirgem de alta qualidade. Iniciado em 2009, o projeto conta com 24 pesquisadores de sete instituições científicas.

Confira vídeo sobre a atuação das pesquisadoras Mariângela e Marinês e o desenvolvimento da IAC 2019Maria. 

Atualmente, São Paulo possui 73 produtores de oliveira, muitos deles orientados diretamente pelo Oliva SP. Os conhecimentos e tecnologias geradas na olivicultura paulista pelos pesquisadores do Grupo têm sido utilizados em outros estados produtores de oliveiras brasileiros. A área cultivada com oliveiras em São Paulo está em torno de 600 hectares, em 28 municípios. O Estado conta também com oito plantas extratoras de azeite, com capacidade para extração de 3.670 quilos por hora.

Formada em engenharia agronômica na Esalq/USP, com mestrado e doutorado pela mesma instituição na área de solos e nutrição plantas e doutorado sanduiche no Dipartimento di Biologia e Chimica Agro-florestale ed Ambientale, da Universidade de Bari, na Itália, e pós-doutorado pela Unicamp, Edna Bertoncini conta que sua motivação é a paixão pelo trabalho e o desafio de atender diariamente as cadeias produtivas com as quais trabalha, que são a olivicultura e o uso sustentável de resíduos agroindustriais e urbanos em solos agrícolas. “Todos os dias acordo e tenho cinco, seis solicitações de produtores no celular para responder. Isso me motiva a buscar explicações e soluções por meio da pesquisa para atender essas demandas, e a pesquisar mais, aprender mais. A necessidade de manter o grupo de pesquisa e os alunos que trabalham nos projetos sempre atualizados e atuantes também são impulsos para manter acesa a ânsia por conhecimentos mais aprofundados e soluções adequadas”, afirma.

Outro exemplo de pesquisa são os trabalhos com truta desenvolvidos pelo Instituto de Pesca (IP-APTA) e liderados pela pesquisadora Yara Aiko Tabata, que é responsável pela unidade de pesquisa de Campos do Jordão desde 2002. Em conjunto com seu marido, Marcos Guilherme Rigolino, Yara desenvolveu diversas tecnologias para a truticultura brasileira, como a que possibilita a produção de lotes de truta apenas com fêmeas, viabilizando o aumento da produtividade em até 20%. Outro exemplo é a triploidização, tecnologia que associada ao processo de salmonização melhora a qualidade e agrega maior valor ao produto.

Anualmente, cerca de dois milhões de ovos embrionados de truta são produzidos pelo IP e disponibilizados a todas as regiões produtoras do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina. O Instituto atende 10% da demanda nacional por ovos embrionados. “Não temos a intenção de atender plenamente à demanda nacional. Queremos fomentar e estimular os truticultores a produzirem os ovos necessários às suas atividades. Nosso papel é gerar ferramentas tecnológicas, sobretudo, aquelas capazes de contribuir para a superação de gargalos do setor e, assim, amparar os produtores na tarefa de encontrar alternativas para gerar renda”, afirma. Yara é médica-veterinária pela UNESP Jaboticabal e possui especialização pela Japan International Cooperation Agency em Kanagawa Center, Japão, e pela Food Agricultural Organization, em Cohiaique, Chile. Tem mestrado em Reprodução Animal pela USP e doutorado em Ciências Biológicas pela Unesp de Botucatu.

O protagonismo brasileiro na produção de proteína animal também possui presença feminina. Flávia Fernanda Simili, pesquisadora do Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), é uma das diversas mulheres que atuam no Instituto e que contribuem no desenvolvimento de novas tecnologias e sua difusão para o produtor rural. Formada em zootecnia pela Unesp, com mestrado e doutorado na mesma instituição, Flávia desenvolve há cinco anos projetos de pesquisa na área de Sistemas Integrados de produção Agropecuária, com foco em integração entre Lavoura e Pecuária, sistema que garante sustentabilidade da propriedade, aumento de renda e melhor bem-estar animal. “Esta é uma área muito nova. Percebemos que o produtor está interessado, mas que tem um grande desafio pela frente, já que esses sistemas são complexos e o produtor precisa de conhecimentos ligados à agricultura e pecuária”, afirma.

Levar esse conhecimento para o campo é uma das tarefas de Flávia, que participa de diversas palestras e dias de campo, lidando diretamente com os produtores rurais. “O produtor está cada vez mais acostumado a ver mulheres atuando no agronegócio. Gosto de observar os quadros com fotos dos gestores das fazendas e das próprias instituições. Muitos homens lideravam esses ambientes, mas a mulher vem ocupando cada vez mais esses espaços”, conta.

Mulheres conquistam espaço, mas ainda é preciso lutar pela equidade

As mulheres têm cada vez mais conquistado espaço no setor dos agronegócios e na ciência. Se antes eram minoria em cursos como engenharia agronômica e medicina veterinária, por exemplo, hoje conquistam cada vez mais lugar nos bancos universitários e no mercado de trabalho. “Quando eu fiz agronomia, o curso tinha 180 homens e 17 mulheres. Acredito que hoje esta proporção está mais equilibrada”, afirma Mariângela.

Yara conta que quando cursou a disciplina de reprodução de grandes animais na universidade se apaixonou pelo oficio e decidiu atuar nesta área, o que não era nada fácil, já que naquela época havia preconceito com mulheres trabalhando no campo. “O mais comum era homens exercerem essa função, enquanto nós íamos para os laboratórios. Atualmente, a situação é bem diferente e as mulheres são em maior número na maioria dos cursos de Medicina Veterinária”, afirma.

Marinês também relata que sua sala na graduação tinham apenas três mulheres. Com atuação no campo, diz que não sente preconceito e que possui respeito dos produtores rurais que atende e interage. O mesmo é relatado por Edna, que acrescenta que, apesar de se sentir respeitada, a mulher precisa, primeiro, provar várias vezes sua competência no setor para depois ser ouvida. “Mas, isso ocorre ainda em todas as áreas de atuação, não apenas no agronegócio. Somos testadas e confrontadas diariamente não apenas pelo público masculino, mas igualmente pelo público feminino. A partir do momento que provamos nossa competência, ocorre o reconhecimento. Às vezes são necessários anos para que isso ocorra e os projetos e trabalhos comecem a fluir. Esse processo é continuo, pois continuamente estamos atendendo e abrangendo novos públicos”, afirma.

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Esalq-USP) mostram que de 2004 a 2015 o total de mulheres trabalhando no agro aumentou 8,3% e a participação da mulher no mercado de trabalho do agronegócio cresceu consistentemente no período, passando de 24,1% para 28%. Na ciência, indicadores do Instituto de Estatística da UNESCO, mostram que 28% dos pesquisadores no mundo são mulheres, que continuam sub-representadas nos campos da ciência, tecnologia, engenharia e matemática. No campo científico, segundo a organização, elas também estão sub-representadas nas decisões políticas tomadas no mais alto nível da pesquisa.

Três Institutos da APTA são dirigidos por mulheres

No caso da APTA, as mulheres têm ocupado cargos de liderança dentro dos seis Institutos de Pesquisa da Agência, formada pelo IAC, Instituto Biológico (IB-APTA), Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), IP, Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL-APTA), Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), além da APTA Regional. Dentre os seis Institutos, três são liderados por mulheres. Elas também estão na assessoria técnica e na direção de diversos centros e Polos de pesquisa. No ITAL, por exemplo, todos os seis centros técnicos são dirigidos por mulheres.

Eloísa Garcia, pesquisadora do ITAL há mais de 35 anos, encara com grande satisfação o desafio de ser a primeira mulher a estar no posto de diretora-geral do Instituto, cargo que ocupa desde 2019. “A presença feminina é muito forte na pesquisa porque há mentes mais abertas, pessoas com visão mais inovadora: as mulheres têm mais facilidade de se desenvolverem e subirem na carreira”, afirma.

A bióloga e pesquisadora do IB, Ana Eugênia de Carvalho Campos, vê como positiva e importante a participação cada vez maior das mulheres em profissões estratégicas, como a pesquisa científica e na ocupação de cargos de liderança. Com experiência na assessoria técnica da direção do IB por 12 anos, na diretoria do Núcleo de Inovação Tecnológica do Instituto desde 2016, e na direção do IB desde 2019, Ana Eugênia consegue perceber na prática como as mulheres podem contribuir para o avanço do conhecimento e também na gestão das instituições científicas. “Dizem que as mulheres possuem a capacidade de fazer diversas coisas ao mesmo tempo. Que estamos sempre atentas, que somos curiosas e que conseguimos tomar decisões com rapidez. Todas essas características são importantíssimas para um gestor e para um cientista”, diz.

A visão é compartilhada por Priscilla Rocha Silva Fagundes, diretora do Instituto de Economia Agrícola (IEA). “Sou formada em engenharia agronômica e venho de uma turma que tinha poucas mulheres. O campo sempre foi visto como um ambiente masculino, apesar de a mulher sempre ter uma participação importante dentro das propriedades rurais. Estamos, porém, ocupando cada vez mais lugar no setor dos agronegócios e na pesquisa científica. Temos contribuído muito para aproximar o rural do urbano e mostrar a força do setor dos agronegócios”, afirma.

Por Fernanda Domiciano
Assessoria de Imprensa – APTA

Presidente da APqC visita Alesp em busca de apoio e parcerias

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No dia 4 de março, o presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), Dr. João Paulo Feijão Teixeira, acompanhado da asssessora jurídica Dra. Helena Goldman e do conselheiro da associação Dr. Jose Orlando Prucoli, esteve na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde manteve contatos com alguns deputados e participou de reunião com o consultor e integrante da Secretaria Executiva da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, Dr. Silvério Crestana.

A Frente, presidida pelo deputado Itamar Borges, trata de políticas públicas que visem incentivar o empreendedorismo, as micro e pequenas empresas e os empreendedores individuais. e tem como foco o estímulo à inovação tecnológica. Foram discutidas e sugeridas ações que buscam dar visibilidade à ação dos Institutos Públicos de Pesquisa e que serão avaliadas pela diretoria da APqC para implementação futura.

Foram contatados também assessores parlamentares visando próximas reuniões com deputados de várias bancadas na Alesp. “Foi possível um rápido contato com o deputado Sergio Vitor, do partido Novo, que preside a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informação e que se comprometeu a receber a diretoria da APqC, em breve, para tratar de pauta de interesse da Associação e dos Institutos de Pesquisa”, disse Feijão.

Minuta de Decreto – Serviço Voluntário nos IPs

“Prezados Pesquisadores,

 

Anexo segue  sugestão de minuta elaborada pela APqC para o Exmo. Governador, objetivando que pessoal de apoio e pesquisadores científicos, aposentados no auge do saber, possam continuar voluntariamente colaborando com o desenvolvimento científico e tecnológico do Estado de São Paulo.

 

Contribuições são bem-vindas e podem ser encaminhadas no seguinte e-mail:  secretaria.apqc@gmail.com 

Att.,

 

João Paulo Feijão Teixeira”

Minuta Decreto Disciplina o Serviço Voluntário nos IPs

APTA homenageia Carla Gomes, do IAC, em série dedicada às mulheres

Carla Gomes

Para dar visibilidade as ações das mulheres e celebrar as conquistas femininas, a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, compartilhará ao longo da semana histórias e trajetórias de algumas das 679 mulheres que atuam em seu corpo de servidores.

A mulher que nos inspira hoje é Carla Gomes, assessora de imprensa do Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. As assessorias de imprensa dos Institutos de pesquisa que formam a APTA são majoritariamente femininas. A equipe é formada por seis mulheres e um homem. Na edição de hoje, Carla conta um pouco sobre sua trajetória e como vê a importância da comunicação para o compartilhamento de informações sobre a ciência e o agronegócio.

Carla Gomes é assessora de imprensa do Instituto Agronômico (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, há 18 anos. Graduada em Jornalismo e em Direito e com especialização em Jornalismo Científico e mestrado em Divulgação Científica e Cultural, Carla diz que, apesar da experiência, há assuntos em que começa do zero e aprende algo novo a cada dia em seu trabalho de divulgação para a imprensa dos resultados alcançados pelas pesquisas do Instituto Agronômico. “Quando eu comecei no IAC, não sabia nada sobre agricultura e ciência. Comecei do zero e nunca tive constrangimento de dizer que não conhecia o assunto. Apesar da bagagem que adquiri ao longo desses anos, constantemente sou surpreendida com assuntos novos. Sempre aprendemos algo diferente com a ciência e isso é um desafio”, afirma.

Sua motivação é levar para o público de fora da instituição, que muitas vezes nada sabe sobre agricultura e ciência, os feitos do IAC e como eles impactam o dia a dia de toda a sociedade. Com experiência em redação de jornal, tendo sido a única mulher a cobrir a editoria de Polícia em Campinas, nos anos 1990, Carla conta que se sente respeitada dentro do IAC. “Tive uma experiência difícil fora do Instituto, quando era muito jovem e atuei como jornalista em ambientes muito masculinos, como delegacias e até presídio. No IAC, o fato de ser mulher nunca me levou a experiência ruim nesse sentido”, afirma.

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Instituto de Pesca recebe visita do presidente da APqC

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O diretor do Instituto de Pesca/APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento paulista, Vander Bruno dos Santos, e a pesquisadora Claudia Maris Ferreira Mostério, receberam, no dia 4 de março, a visita do presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo – APqC, João Paulo Feijão Teixeira, que foi acompanhado pelo conselheiro José Orlando Prucoli e pela assessora jurídica Helena Goldman.

A APqC foi fundada em 2 de agosto de 1977 e é uma sociedade civil sem fins lucrativos, com Sede e Foro na cidade de Campinas (SP). A associação tem como missão a defesa da pesquisa científica, dos Institutos de Pesquisa do Estado de São Paulo e dos seus recursos humanos, pesquisadores científicos e pessoal de apoio à pesquisa.

O objetivo da visita foi conhecer a estrutura da instituição de pesquisa, estreitar as relações e apresentar as propostas e ações da nova gestão, voltadas a todos os beneficiados pela Associação, a qual se colocou à disposição para apoiar o Instituto de Pesca no que for preciso.

Por Gabriela Souza
CECOM – Centro de Comunicação e Transferência do Conhecimento

Pesquisa do IAC mostra que falta de investimento mantém índices negativos na cultura da cana-de-açúcar

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Das etapas do processo produtivo de açúcar e etanol, o campo é uma das mais custosas. De acordo com um estudo do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), referente à safra 2018/19, os tratos de cana-soca, a formação de canavial e a colheita representam mais da metade dos custos de produção.

O estudo também afirma que estes custos seguem crescendo ao longo dos anos e que, para reverter essa situação, o produtor precisa buscar maior produtividade, tornando “a cadeia da cana-de-açúcar mais sinérgica e eficiente”. De forma resumida, é necessário que os gastos compensem e gerem um retorno.

Por mais que indiquem um custo extra inicial, os investimentos no campo, especialmente em renovação e novas variedades, poderiam fazer com que este quadro de muitos gastos e poucos retornos revertesse.

O consultor do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Rubens Braga, é categórico ao afirmar que há uma necessidade latente de se investir no campo. De acordo com ele, há a insistência na utilização de variedades de cana-de-açúcar antigas, que resultam em menor produtividade, além de que a mesma planta segue sendo cortada várias vezes, o que também é negativo.

Os dados utilizados pelo consultor são parte do resultado do Censo Varietal referente à safra 2019/20, realizado pelo IAC, que pesquisou 217 unidades, correspondentes a 5,8 milhões de hectares.

O resultado, comparativamente a 2018/19, demonstra uma certa estabilidade em alguns indicadores, de forma negativa – como o estágio médio de corte, o índice de atualização varietal e até nas escolhas das variedades presentes no campo –, mas também traz um pequeno alento em relação à concentração de variedades.
De qualquer forma, é preciso que haja uma mudança maior no campo, o que não é visto há anos.

Fonte: Agrolink

Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) lança série de homenagens às suas pesquisadoras

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Em 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher.

Para dar visibilidade as ações das mulheres e celebrar as conquistas femininas, a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, compartilhará ao longo da semana histórias e trajetórias de algumas das 679 mulheres que atuam em seu corpo de servidores.

Acompanhe nos próximos dias a história de algumas das muitas Mulheres que Inspiram a ciência e o agronegócio paulista e brasileiro. A primeira da série é a pesquisadora do Instituto Biológico, Alessandra Nassar, que atua no Laboratório de Bacteriologia Geral e é diretora do Centro de Pesquisa em Sanidade Animal, trabalhando em projetos relacionados a enfermidades bacterianas que acometem animais de produção.

Alessandra Nassar é médica veterinária, pesquisadora do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, há quase 20 anos. O amor pelos animais a levou a escolher a formação e o pela pesquisa, a carreira. “Eu sou de uma família do interior e sempre gostei muito de animais, por isso eu quis fazer medicina veterinária”, conta.

Ainda na faculdade, entrou em contato com o que viria a ser a dedicação de sua vida profissional, a pesquisa científica. “Interessei-me muito pela enfermidade raiva, que é causada por um vírus e acomete os animais e, para o homem, é altamente fatal. Na época, fiquei sabendo que o IB tinha um laboratório especializado no diagnóstico desta doença. Vim fazer estágio, e me apaixonei por todo esse ambiente maravilhoso da pesquisa. Assim resolvi seguir a carreira de pesquisadora científica”, relata.

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APqC alerta sobre tentativa de golpe relacionado ao recadastramento anual dos servidores

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A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) informa a todos os associados que recebemos a comunicação de uma tentativa de golpe, pelo celular. Na referida ligação, uma pessoa anônima, informando ser do RH da Secretaria da Agricultura, disse a um de nossos associados que deveria fazer o seu recadastramento anual obrigatório como servidor público, para não ter suspenso o seu salário. Como este associado havia feito o recadastramento na última segunda-feira (2), estranhou a ligação e checou tratar-se de uma tentativa de golpe.

A APqC alerta a todos e todas que o recadastramento é feito de forma individual, e online, no portal do servidor público. Recomendamos aos associados que avisem os colegas e denunciem qualquer tentativa de extorsão.

Diretoria da APqC (Gestão 2020-2021)

Vídeo: Pesquisadoras do IAC falam sobre tangerina 100% obtida no Brasil

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo irá divulgar materiais voltados para o Dia Internacional da Mulher ao longo da semana. Esse primeiro vídeo aborda o trabalho das pesquisadoras Mariângela Cristofani-Yaly e Marinês Bastianel, responsáveis pelo desenvolvimento da primeira tangerina 100% obtida no Brasil, a “IAC 2019Maria”, que também é o primeiro material de citros do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) protegido no Sistema Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Assistam o vídeo abaixo.

APqC se reúne com a direção do Instituto de Botânica

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O presidente da APqC, João Paulo Feijão Teixeira, reuniu-se ontem (3 de março) com o diretor-geral do Instituto de Botânica, Dr. Luiz Mauro Barbosa, e com o diretor Dr. Emerson A. da Silva. O presidente da Associação estava acompanhado do Conselheiro Dr. José Orlando Prucoli e da assessora jurídica, a advogada Dra. Helena Goldman.

Foram apresentadas, em linhas gerais, as principais ações que a atual diretoria da APqC vem implementando. Dentre elas a proximidade com os Institutos de Pesquisa para a obtenção de informações que embasem argumentação utilizada pela Associação nas suas reivindicações e também no oferecimento de apoio aos Institutos para divulgação de suas atividades de pesquisa explorando os impactos que provocam na sociedade.

Também, como disse o presidente da APqC, buscando apoio político junto a deputados e lideranças politicas regionais para apresentar ao governador João Doria propostas já elaboradas visando a equiparação salarial na carreira de pesquisador científico.

Deu-se destaque ao documento que consolida as bases jurídicas a ser apresentado ao governador buscando a equiparação, além de se apresentar e discutir a proposta da APqC de decreto criando e regulamentando o trabalho voluntário no âmbito dos Institutos de pesquisa, para aproveitamento, no interesse institucional, de pesquisadores e funcionários de apoio aposentados.

Foram discutidos os benefícios que a exploração das possibilidades oferecidas pela Lei de Inovação pode proporcionar aos Institutos e o diretor Emerson da Silva enfatizou como o Instituto de Botânica tem-se aproveitado dessas possibilidades.

Dr. Luiz Mauro relatou com otimismo as oportunidades de financiamento das atividades de pesquisa e de serviços tecnológicos do Instituto de Botânica proporcionadas pela concessão futura das áreas de visitação do parque, inclusive do Jardim Botânico de São Paulo, que é um laboratório ao ar livre facilitando o aprendizado sobre diferentes aspectos da flora e a conscientização do público sobre a importância da biodiversidade e da necessidade de sua conservação.

MulherADA Tec: pesquisadoras participam de bate-papo sobre ciência e tecnologia em Campinas

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No próximo sábado (7), a agência NuminaLabs promove, no Instituto Pavão Cultural, em Campinas (SP), edição inédita do MulherADA Tec – evento cujo nome homenageia Ada Lovelace, pioneira da computação, e que combina ciência, tecnologia, arte e culinária. A atração principal da atividade, que acontece das 17h às 22h, é uma série de palestras ministrada por seis mulheres pesquisadoras que se tornaram referências em suas áreas de atuação. A proposta é levar conhecimento científico para fora do ambiente acadêmico.

Nas palestras serão abordados temas como computadores, cultura hacker, machine learning, arqueologia e outros. Em paralelo às palestras estará acontecendo uma exposição de arte e nos intervalos haverá música com a DJ Pagu. Um food truck estará estacionado na porta para servir lanches e refeições. E o espaço Pavão Cultural continuará funcionando normalmente com seu serviço de bar.

As convidadas serão Camila Laranjeiras, da Bahia, mestre em Ciência da Computação que fala de tecnologia no canal Peixe Babel no YouTube; Virgínia Fernandes, de Minas Gerais, professora universitária e doutora em Ciência da Computação, também do Peixe Babel; Márcia Jamille, de Sergipe, mestre em Arqueologia, do blog Arqueologia Egípcia, agora também no YouTube; Rita WU, de São Paulo, arquiteta, designer e pesquisadora que em seus trabalhos explora a relação entre corpo, espaço e tecnologia; Ana Carolina da Hora, do Rio de Janeiro, estudante de Ciência da Computação, influenciadora e voluntária em Iniciativas que incentivam a inserção de meninas e mulheres na tecnologia; e Sandra Ávila, doutora em Ciência da Computação e professora da Unicamp que participa do desenvolvimento de um software capaz de agilizar diagnósticos de melanoma (câncer de pele).

As falas das convidadas terão duração média de 15 minutos. A cada duas falas haverá interação com o público e um intervalo. “Reuniremos pela primeira vez essas mulheres para falar ao público de Campinas. Para nós, é bem mais representativo do significado do Dia da Mulher a demonstração do trabalho de profissionais que estão fazendo história, produzindo e impactando a sociedade, do que suas trajetórias pessoais como mulheres rompendo barreiras em um mundo predominantemente masculino”, diz Isabela Schirato, sócia da NuminaLabs.

Os ingressos custarão R$ 30 e incluem uma breve apresentação da exposição “Proximidades Desiguais”, mostra coletiva de 15 mulheres artistas que será inaugurada um dia antes, no dia 6 de março, véspera do Dia Internacional da Mulher. O evento segue o mesmo formato do projeto Chopp comCiência, espécie de “sarau científico” que já realizou 74 encontros em bares da cidade, também realizado pela NuminaLabs.
Os lugares para o MulherADA Tec, que também é patrocinado pelo Instituto Serrapilheira, são limitados. Inscrições podem ser feitas com até uma hora de antecedência ao evento (link no fim desta matéria).

Os temas do MulherADA Tec

“Pensamento Computacional como estratégia da cidadania digital” (Ana Carolina da Hora): Como o pensamento computacional pode ajudar a formar pessoas capazes de não só identificar as informações, mas, principalmente, produzir soluções para os desafios que temos em sociedade, alinhadas à reflexão sobre o cotidiano.

“O que competições podem te ensinar?” (Camila Laranjeiras e Virgínia Fernandes, do canal Peixe Babel): A área da tecnologia está em constante mudança. Novas tecnologias surgem a cada minuto e fica até difícil de acompanhar. O que pode ajudar é um ambiente ao mesmo tempo colaborativo e competitivo, permitindo que uma grande comunidade aprenda em conjunto, incentivando-se e se divertindo no processo. Olimpíadas de informática, competições de robótica e até trabalhos em sala de aula podem ser o incentivo perfeito para aprender algo novo!

“Inteligências tecnológicas: abordagens criativas para um futuro menos distópico” (Rita WU): Máquinas inteligentes estão entre as mais incríveis invenções dos seres humanos e nos mostram o potencial que temos na resolução de problemas, principalmente daqueles criados por nós mesmos. Como tudo, essas maravilhas também podem ser usadas para aumentar as desigualdades de todos os tipos, ainda mais quando intangíveis, como os dados, e passam a ser o ouro da contemporaneidade. Como podemos fazer com que essas novas inteligências sintéticas nos ajudem a sonhar futuros alternativos antes que se tornem o grande pesadelo da humanidade?

“A Arqueologia da Tecnologia” (Márcia Jamile, do blog e canal Arqueologia Egípcia): A tecnologia sempre existiu e podemos enxergá-la nas marcas de cinzel deixadas pelos construtores da Grande Pirâmide do Egito e até em uma pequena ponta de flecha advinda da Pré-História brasileira. É difícil desvinculá-la da história da humanidade e agora, mais do que nunca, ela tem nos proporcionado avanços surpreendentes. Tais avanços têm nos auxiliado em diversas tarefas diárias, inclusive no entendimento do nosso passado mais remoto.

“Inteligência artificial tornando a medicina mais humana” (Sandra Ávila): Para muitos, o termo IA evoca imagens de um futuro distópico em que os robôs se infiltram na sociedade e substituem nossos empregos — uma percepção gerada de histórias fabulosas. Mas mais do que empregos, a IA vai mudar a sociedade e as relações humanas. A assistência médica será transformada através de uma melhor análise dos nossos dados com o uso da IA. Consequentemente, isso pode contribuir para uma medicina cada vez mais proativa, personalizada, e até mais humana.

SERVIÇO
MulherADA Tec
Data: 7 de março
Horário: das 17h às 22h
Local: Instituto Pavão Cultural (Rua Maria Tereza Dias da Silva, 708, Cidade Universitária, Barão Geraldo, Campinas)
Ingresso: R$ 30 / Faça sua inscrição clicando aqui –> (site oficial do evento)

Fitossanidade: IAC realiza ciclo de palestras para produtores de figo e goiaba

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O alinhamento entre o campo, o ambiente, a indústria, o consumidor e as pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, é um dos pilares desde sua fundação, em 1887. Reafirmando sua linha de atuação, o IAC realizou o XXVII Ciclo de Palestras de Fitossanidade nas culturas de figo e goiaba, em Campinas, no dia 21 de fevereiro de 2020 em atendimento à solicitação de consultores e produtores da região. O Brasil é um importante exportador dessas frutas, sendo São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina os principais estados produtores. A produção paulista é a segunda maior, representando 38% da produção de figo e 34% de goiaba, de acordo com dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O evento abordou os diversos tipos de manejos para doenças e pragas de figo e goiaba, além de controle de fungos e pragas com óleo de citronela, enxofre e silício. Segundo a pesquisadora do IAC, Margarida Fumiko Ito, o bom manejo fitossanitário envolve um adequado sistema de cultivo, preparo do solo, material de plantio sadio, inspeções periódicas, eliminação de plantas doentes e restos de culturas da área e não deixar culturas abandonadas, pois estas podem ser fontes de pragas e fitopatógenos, que podem contaminar culturas vizinhas. “Ainda é necessário fazer o bom manejo do solo, irrigação adequada, poda, controle biológico, lavar e desinfetar ferramentas, implementos, sapatos, botas e outros, utilizados em culturas contaminadas, com hipoclorito de sódio”, a cada operação, diz. São recomendados ainda cuidados como adoção de quebra-ventos e rotação de culturas.

Na região de Campinas, o município de Valinhos foi responsável pela produção de 3,6 mil toneladas de figo e de 14 mil toneladas de goiaba para mesa (IBGE, 2018). De acordo com Margarida, as duas culturas desempenham importante papel econômico e social para a região, no Circuito das Frutas. “As atividades desempenhadas no campo possibilitam geração de renda e emprego nos municípios”, diz.

As culturas de figo e goiaba são mais propícias para áreas de solo fértil, rico em matéria orgânica, úmido, porém sem encharcamento, e com diversidade de organismos benéficos. O clima ameno é propício ao seu desenvolvimento, porém adaptam-se à ampla faixa de temperatura. Para a pesquisadora do IAC, o solo é o principal substrato para a agricultura e dele se originam matérias-primas diversas para a produção de alimentos, além da capacidade do solo, conforme sua boa composição química, física e biológica, de reciclar materiais, filtrar e reter água.

Outra recomendação feita pela pesquisadora do IAC é a adoção do uso de rotação de culturas, com plantio de leguminosas, preferencialmente, pois há aproveitamento da matéria orgânica produzida pela planta, além da assimilação de nitrogênio, que é disponibilizado à cultura. “O uso de leguminosas aumenta a produção de matéria orgânica no solo, podendo contribuir com o aumento da biodiversidade de organismos benéficos”, comenta Margarida.

Esses organismos contribuem no controle de pragas e doenças das culturas. Além disso, a matéria orgânica melhora as estruturas física, química e biológica do solo, fazendo com que as raízes consigam se aprofundar mais. Esse aprofundamento melhora e proporciona maior volume do sistema radicular, otimizando a absorção de água e nutrientes, tornando a planta mais vigorosa e menos suscetível ao estresse hídrico e ataques de pragas e fitopatógenos.

Fonte: Notícias Agrícolas

De olho no Coronavírus, Instituto Butantan antecipa e amplia produção de vacinas contra a gripe

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O Governo do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Butantan, decidiu antecipar a produção de vacinas contra gripe e aumentar o lote para 75 milhões de doses (13% a mais do que no ano passado), que devem começar a ser disponibilizadas a partir do dia 23 de março, data marcada para o início da campanha de vacinação. A medida foi tomada em conjunto com o Ministério da Saúde para fazer frente à presença do novo coronavírus no Brasil.

Segundo o médico infectologista David Uip, a vacina contra a gripe não é diretamente efetiva contra o coronavírus, mas a imunização ampliada do organismo ajuda muito na redução da capacidade de contaminação pelo prazo de seis meses ou mais. “Vacinadas, as pessoas estão menos suscetíveis a doenças. É uma decisão fundamental antecipar e ampliar a vacinação da população neste momento”, diz. Ele revela ainda que a produção atual de vacinas do Instituto Butantan corresponde a 10% da produção mundial, o que colocaria o Brasil entre os países mais preparados para enfrentar o novo coronavírus com medidas preventivas.

Ainda segundo David Uip, que é Coordenador do Centro de Contingência do COVID-19 (sigla em inglês para o novo coronavírus) em São Paulo, o Butantan já está em fase final de produção da vacina trivalente contra o vírus Influenza (H1N1) para antecipar o fornecimento de lotes ao Ministério da Saúde, responsável por definir o calendário vacinal. A antecipação dos lotes tem exigido dos pesquisadores do Butantan uma “corrida contra o tempo”, mas graças à estrutura do instituto e a capacidade técnica da equipe responsável pela produção, as vacinas serão entregues dentro do prazo estipulado.

Para a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), ao adiantar a produção e distribuição de vacinas contra a gripe, o Butantan ajudará a melhorar a imunidade geral da população, reduzindo as chances de infecções pelo novo coronavírus; fará as pessoas se vacinarem antecipadamente, diminuindo o número de pacientes com gripe que buscam atendimento médico nos hospitais e possibilitando um diagnóstico mais preciso do coronavírus; diminuirá o número de pessoas nos hospitais devido à complicações da gripe, o que pode liberar mais leitos para uma possível grande incidência do coronavírus.

Orientação
O governador de São Paulo, João Doria, destacou a importância da divulgação de informações para orientar corretamente a população na prevenção ao novo coronavírus. Para ele, a transparência nas ações de comunicação enfraquece a possibilidade de boatos alarmistas e fake news. “Nosso objetivo é a informação, que é fundamental em uma circunstância como essa para que haja conhecimento por parte da população sobre os procedimentos a serem adotados a partir da identificação de um portador aqui em São Paulo. Exatamente para que não haja pânico, equívocos de interpretação e situações que não são necessárias”, afirmou.

A APqC recomenda a todos que se informem sobre o coronavírus no site da associação, dos institutos de pesquisa vinculados ao governo do estado e das universidades públicas paulistas, que possuem conhecimento e legitimidade para falar sobre o assunto.

Pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz e da USP fazem sequenciamento genético inédito de coronavírus

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Claudia Gonçalves, Jaqueline Goes e Claudio Sacchi, parte da equipe brasileira que conseguiu sequenciar genoma de coronavírus em aproximadamente 48 horas após confirmação de diagnóstico (Arquivo Pessoal)

Uma excelente notícia vinda dos nossos institutos de pesquisa: na sexta-feira (28), o Instituto Adolfo Lutz, em parceria com o Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), realizou o primeiro sequenciamento genético do novo coronavírus (COVID-19) e se tornou pioneiro no mundo. O genoma do SARS-Cov-2, causador da doença em circulação internacional, foi sequenciado no laboratório estadual de referência para o Brasil. O trabalho foi concluído apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso da doença em São Paulo.

O governador João Doria agradeceu os esforços dos pesquisadores e chamou de “extraordinário feito científico” o sequenciamento genético obtido em tempo recorde. “É um trabalho inédito e absolutamente fundamental para que novas vacinas sejam desenvolvidas”, disse.

Segundo a pesquisadora Jaqueline de Jesus, do Instituto de Medicina Tropical, o sequenciamento por nanoporos (poros em escala nanométrica) foi feito em um dispositivo portátil inovador que se conecta a um software que funciona como uma espécie de “tecla SAP”, ou seja, capaz de “traduzir” o genoma.

O genoma completo do vírus foi disponibilizado ontem à comunidade científica internacional. “Os dados de genomas completos do SARS-CoV-2 dos casos de COVID-19 são essenciais para o desenvolvimento de vacinas e de testes diagnósticos. São importantes para a compreensão da dispersão do vírus e para detectar mutações que possam alterar a evolução da doença”, afirmou o pesquisador Claudio Sacchi, do Instituto Adolfo Lutz.

Análises preliminares indicam que o genoma identificado no Brasil difere-se por três mutações da cepa de referência de Wuhan, na China. Duas dessas mudanças se aproximam à cepa da Alemanha, diagnosticada em transmissão de Munique, região da Bavária. Portanto, a maior similaridade do vírus detectado no paciente de São Paulo é com a cepa europeia.

“Grupos internacionais têm demorado, em média, 15 dias para gerar e submeter as suas sequências relativas a casos de COVID-19, o que destaca a relevância científica da pesquisa brasileira e o pioneirismo do Estado de São Paulo. Essa conquista certamente contribuirá para aprimorarmos as políticas públicas de vigilância e prevenção da doença”, comemorou o Secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann.

No dia 31 de janeiro, a Itália confirmou dois casos em turistas chineses. Atualmente, há apenas uma sequência genética disponível naquele país, de um desses turistas da província chinesa de Hubei. No dia 21 de fevereiro, foi confirmada a transmissão local na Lombardia, local visitado pelo primeiro brasileiro infectado pelo vírus. Até então, não existem dados genômicos dos casos na Itália, mas o sequenciamento feito em São Paulo é da amostra do paciente que esteve no país europeu.

“Dados adicionais da Alemanha e da Itália serão importantes para entender as origens e a dinâmica do vírus na Itália. O monitoramento contínuo de novos casos suspeitos no Brasil será fundamental para monitorar novas importações de vírus e também para identificar grupos iniciais de transmissão local no país, se houver”, conclui o artigo dos pesquisadores envolvidos no estudo. Eles fazem parte do projeto CADDE, que tem apoio da Fapesp e do Conselho de Pesquisa Médica do Reino Unido e desenvolve novas técnicas para monitorar epidemias em tempo real.

Os autores que contribuíram para a pesquisa científica são Jaqueline Goes de Jesus, Claudio Sacchi, Ingra Claro, Flávia Salles, Daniela da Silva, Terezinha Maria de Paiva, Margarete Pinho, Katia Correa de Oliveira Santos, Felipe Romero, Fabiana dos Santos, Claudia Gonçalves, Maria do Carmo Timenetsky, Joshua Quick, Nick Loman, Andrew Rambaut, Ester Cerdeira Sabino, Nuno Rodrigues Faria.

Primeiro caso em SP

O Brasil segue com apenas um caso confirmado de COVID-19, até o momento, no Estado de São Paulo. O homem está em isolamento domiciliar, com quando clínico estável e sintomas leves. Ele retornou da Itália ao Brasil no último dia 21 e apresentou sintomas suspeitos, como tosse, coriza e febre.

O paciente foi atendido no Hospital Israelita Albert Einstein, que fez o diagnóstico inicial no dia 25. O resultado foi confirmado no dia 26 com contraprova no Adolfo Lutz. O instituto fez o procedimento com diagnóstico molecular, denominado RT-PCR – reação da transcriptase reversa em tempo real, na sigla em inglês.

Saiba mais

Os bastidores e resultados da corrida de cientistas brasileiros para sequenciar o coronavírus em tempo recorde (clique aqui).

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Pesquisadores do Butantan mostram que sapo-cururu é predador do escorpião e pode ajudar no controle de pragas

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Na fábula, com a intenção de atravessar o rio, o escorpião convence o sapo a carregá-lo nas costas. No meio da viagem, o anfíbio é picado e ambos morrem. “Desculpe, é da minha natureza”, justificou o escorpião em seu último suspiro. Nada poderia estar mais distante da realidade, segundo um novo estudo publicado por pesquisadores do Instituto Butantan e da Universidade Estadual de Utah, nos EUA.

Longe da fantasia, o sapo, que não é tão chegado em água fora do período reprodutivo, teria devorado o escorpião antes que ele terminasse a primeira tentativa de comunicação, e, mesmo que topasse servir de montaria aquática, o anfíbio não teria morrido ao ser picado.

Pela primeira vez, cientistas mostraram que o sapo-cururu (Rhinella icterica) é um predador voraz do famigerado escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), que se tornou um problema de saúde pública crescente no Brasil, com mais de 140 mil casos anuais de envenenamento.

Em uma pesquisa publicada na revista Toxicon, o herpetologista Carlo Jared, do Instituto Butantan, e colaboradores mostram como isso acontece -em uma questão de segundos e sem qualquer cerimônia.

Os cientistas também injetaram nos anfíbios uma dose de veneno equivalente à picada de dez escorpiões, o suficiente para matar roedores e deixar um ser humano em péssimo estado. Parece que eles nem sentem cócegas.

Para ter certeza de que estava tudo bem com os anfíbios depois da injeção, os cientistas ofereceram baratas (insetos que os sapos adoram devorar). Arremesso de língua, deglutição, fim. Tudo normal.

Jared conta uma história de quando viu pela primeira vez esse comportamento dos bichos, há mais de duas décadas, numa fazenda de plantação de algodão no Rio Grande do Norte. “Os peões ficavam depois do trabalho na porteira da fazenda, com a luz ligada. A luz atraía insetos, e os sapos comiam e se refestelavam. Os bichos eram gordos, muito bem alimentados.”

“Duas vezes eu vi sapo comendo escorpião. Era uma coisa meio rápida, ele dava uma linguada. Não era o escorpião comum na região Sudeste, o Tityus serrulatus, mas o T. stigmurus, da caatinga. Uma vez puxei uma pedra para ver se tinha anfíbio embaixo e fui picado por um desses. Uma dor incrível. A língua até ficava com vida própria, se mexendo na boca de tanta dor. Mas acabou passando.”

Nem todo mundo tem a sorte de Jared. Especialmente crianças pequenas e idosos correm sério risco de vida ao serem picados por escorpiões. Cerca de 140 pessoas morrem ao ano por causa das picadas, apesar de a letalidade ser relativamente baixa, de 4 mortes para cada 10 mil envenenamentos.

“O grande problema é que o escorpionismo sempre foi considerado do ponto de vista médico. A grande ideia deste novo trabalho é alertar para os pontos de vista biológico e ecológico.”

Muitos dizem que as galinhas, que também se alimentam de escorpiões, seriam boas predadoras, mas os encontros seriam eventuais, já que a ave é diurna e os escorpiões têm hábitos noturnos.

“Outro possível predador é um gambá, o saruê. Mas ele é escansório (ou seja, vive em árvores) e tem um andar desajeitado no chão. Não sei se seria tão eficiente”, especula Jared.

A moral da história é que, apesar de ser considerado repugnante por muitos, o sapo pode ter um papel ecológico importante. “A chave é educação ambiental”, diz o herpetologista. “É um traço cultural chamar o bicho de feio, nojento. Mas isso não ajuda em nada. É muito triste quando as pessoas colocam água sanitária ou sal nas costas do sapo.”

A situação do guloso sapo-cururu não é muito boa, porém, por causa das sucessivas mudanças do ambiente, e eles podem um dia ser extintos. Ao retornarem para lagos, rios ou concentrações de água para se acasalarem e se reproduzirem, obstáculos como estradas e construções podem dificultar ou impedir a conclusão da jornada.

Na luta contra os escorpiões-amarelos, que não precisam nem de machos para se reproduzir e que por isso ocupam rapidamente qualquer novo ambiente, qualquer ajuda é bem-vinda.

“Ninguém está dizendo que precisamos começar a criar sapos”, diz Jared, mas existem recursos, como a construção de passagens e corredores ecológicos que podem ajudar na preservação do bicho, além, é claro, da tentativa de acabar com o preconceito que as pessoas têm em relação a eles.

Fonte: Folhapress