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Carta aberta: APqC repudia declarações do ministro do Meio Ambiente e clama por ações políticas harmônicas

apqc1Nesse momento em que o mundo vive uma das suas maiores crises em decorrência da pandemia do coronavírus, roga-se aos nossos governantes que adotem uma visão indissociável entre humanos, animais e meio ambiente, cientes de que qualquer alteração nesta relação pode provocar desequilíbrio e, consequentemente, a propagação de doenças, conforme artigo publicado no dia 14 de maio de 2020 pela Dra. Maria Izabel Merino de Medeiros (leia aqui), em que se retrata a importância da saúde única como estratégia que buscar garantir o bem estar ao planeta e seus habitantes.

Na contramão do que se espera de nossa cúpula política seguiu a fala de Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, que assistimos com indignação no dia 22 de maio de 2020. Nela, Salles sugere que o presidente da república aproveite-se da tragédia social, sanitária e econômica provocada pela pandemia para alterar regras do ordenamento jurídico ambiental sem qualquer debate com a sociedade ou especialistas. Em suas palavras, o governo federal deveria “passar a boiada” enquanto a imprensa e a opinião pública estão “distraídas” com a crise.

Infelizmente o comportamento do ministro não é surpresa para a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), pois quando ocupou o cargo de secretário do Meio Ambiente no Estado de São Paulo foi representado por nossa associação junto ao Ministério Público pela tentativa de venda/concessão de 34 áreas do Instituto Florestal, dentre as quais encontram-se os biomas mais ameaçados do Estado de São Paulo como o Cerrado e a Floresta Estacional Semidectual, colocando em risco de extinção várias espécies da flora e fauna.

Ricardo Salles tentou ainda negociar a sede do Instituto Geológico, mesmo com parecer contrário da própria consultoria jurídica do Estado, e foi condenado em 1ª instância por improbidade administrativa por alterar ilegalmente o zoneamento da proposta de plano de manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do rio Tietê, devendo essa decisão ser confirmada em 2ª instância.

Dessa forma, a APqC pleiteia da liderança política ações harmônicas dentre as pastas da Agricultura, Saúde, Meio Ambiente e Economia, sob o olhar de um sistema único, a fim de evitarmos no futuro uma nova catástrofe como a vivenciada hoje, permanecendo a associação sempre alerta em defesa da ciência, tecnologia e inovação em benefício do povo brasileiro.

Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC)
Gestão 2020-2021

Secretário de Agricultura fala sobre o agro paulista e suas perspectivas futuras

 

Confira como foi o bate-papo promovido ontem (28) pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, reunindo o Secretário Gustavo Junqueira e os Coordenadores da CDA, CDRS, CODEAGRO e APTA, sob a moderação da Diretoria de Recursos Humanos. O vídeo conta com a participação de pesquisadores.

Pesquisas do Instituto Agronômico de Campinas trazem impactos positivos para toda a cadeia de produção do café

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A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo desenvolve, há mais de um século, trabalhos relacionados ao café, produto que ocupa o quinto lugar no valor da produção agropecuária do Estado. Os trabalhos com a cultura passam por toda a cadeia de produção, se iniciando nos laboratórios científicos e campos experimentais até chegar na xícara do consumidor. Conheça parte das ações desenvolvidas pela Pasta que beneficia produtores rurais, indústria e consumidores.

Dia Nacional do Café: confira 10 curiosidades da bebida que é preferência nacional

Novas cultivares 

O desenvolvimento de novas cultivares de plantas ‒ mais produtivas, resistentes a doenças e com características que agradam produtor, indústria e consumidor ‒ é o carro-chefe do trabalho do Instituto Agronômico (IAC), vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Um dos destaques é o desenvolvimento de 70 cultivares de café para o setor de produção. As cultivares IAC Mundo Novo, Catuaí Vermelho e Catuaí Amarelo representam 80% do café arábica produzido no Brasil, aproximadamente.

Além das pesquisas com café do tipo arábica, o IAC, em conjunto com unidade regional da APTA e a Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) desenvolvem trabalhos com café do tipo robusta para alavancar a cafeicultura em regiões marginais ao café arábica. O objetivo é desenvolver materiais de alta qualidade em São Paulo, que é o maior consumidor, torrefador e solubilizador desse tipo de café do Brasil.

Sanidade

A sanidade do café é uma das preocupações da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que desenvolve trabalhos na área com a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) e o Instituto Biológico (IB-APTA).

Nos laboratórios do IB, em Campinas, são realizados projetos de pesquisa, prestação de serviços de análise nematológica, diagnóstico de pragas e doenças e transferência de tecnologia, por meio de treinamentos especializados. As parcerias com a iniciativa privada são constantes, captando recursos e gerando informações essenciais para o manejo de pragas, doenças e nematoides, por meio de agentes biológicos, inimigos naturais e produtos químicos. Além disso, o Instituto realiza trabalhos de transferência de tecnologia para todo o setor de produção e dá suporte junto a outros órgãos da SAA, na elaboração de legislação que protege a cadeia de produção com relação às principais ameaças fitossanitárias.

Os trabalhos do IB envolvem a identificação de espécies de nematoides e avaliação da resistência de cafeeiros aos nematoides das galhas e das lesões radiculares, que têm ocorrência frequente nos cafezais paulistas e brasileiros. Essa ação é desenvolvida em conjunto com a Coordenadoria de Defesa Agropecuária, que faz a certificação de viveiros de mudas de café em São Paulo, para evitar que sejam disponibilizadas ao setor de produção mudas contaminadas com nematoides. O Estado possui 74 viveiros certificados pela Defesa Agropecuária. Em 2018, a Secretaria de Agricultura publicou uma resolução relacionada à produção de mudas isentas de plantas invasoras e de nematoides do gênero Meloidogyne spp. e das espécies Pratylenchus jaehni e Pratylenchus coffeae. A legislação, que é referência brasileira, prevê que, a partir de 2022, não sejam mais comercializadas mudas de café com solo no substrato.

Ainda em sanidade do café, o IB desenvolve diagnósticos de doenças do cafeeiro, com destaque para a mancha aureolada, que se tornou relevante nos últimos anos no Brasil. O IB tem ainda atuação relevante no diagnóstico e manejo das espécies de ácaros encontradas em cafeeiros.

Apoio aos cafeicultores 

O trabalho de extensão rural desenvolvido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, executado pela CDRS, tem papel fundamental no apoio aos cafeicultores paulistas, principalmente nas pequenas propriedades, e na consolidação de suas organizações, atuando de forma estreita com a pesquisa científica, também desenvolvida pela Pasta.

“Nesse contexto, a Secretaria realiza um trabalho de capacitação, difusão de conhecimento, novas tecnologias de produção e Boas Práticas Agropecuárias e de gestão, por meio da realização de Dias de Campo, seminários, palestras, cursos, implementação de Unidades Demonstrativas de Tecnologia, entre outros, levando em consideração as características regionais e as necessidades dos produtores, atuando de forma local, mas pensando de forma global”, ressalta José Luiz Fontes, coordenador da CDRS, acrescentando que as ações extensionistas têm sido desenvolvidas de forma ampla.

Os técnicos extensionistas têm papel importante para a melhoria da qualidade do café paulista, orientando quanto ao momento ideal de se iniciar a colheita dos grãos e o processamento do café no terreiro. Em Franca, uma das mais tradicionais regiões produtoras de café em São Paulo, a CDRS auxiliou na transferência de tecnologias atualmente consolidadas como o manejo de mato, poda e redução de espaçamento, ações com grande impacto na produtividade e qualidade do café. Hoje, há projeto em conjunto com o IB para Manejo Integrado de Pragas (MIP), visando à redução no uso de defensivos agrícolas.

Outro destaque foi o projeto Microbacias II, executado pela Secretaria de Agricultura, por meio da CDRS, que beneficiou 22 organizações rurais da cadeia produtiva do café, sendo 18 associações e quatro cooperativas que, além de agregação de valor à produção, tiveram uma maior inserção no mercado, em um investimento total de R$ 16,4 milhões, dos quais R$ 11,5 milhões foram apoiados com recursos do Projeto. Diretamente, foram beneficiadas 530 famílias rurais, mas o número de beneficiados indiretos é muito maior, pois alcança população de cidades inteiras, gerando impacto na economia local e regional.

Inovação e qualidade

Ao longo de sua história, o Instituto de Tecnologia dos Alimentos (ITAL-APTA) tem atuado para garantir a qualidade do café brasileiro. Exemplo é o estabelecimento de norma técnica para fixação de identidade e qualidade da bebida de café torrado em grão e moído para a classificação em gourmet, superior e tradicional. O trabalho foi feito em conjunto com a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo (Sindicafé-SP), o Laboratório Carvalhaes e diversas empresas.

Além de verificar a pureza do café, como laboratório credenciado da Abic, o ITAL realiza outras análises microscópicas, como a detecção de matérias estranhas e, desde o fim da década de 1990, desenvolve estudos relacionados à prevenção da contaminação do café, do pé até a bebida, por ocratoxina A, composto tóxico produzido por algumas espécies de fungos. Tais estudos levaram ao estabelecimento de resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que controla os limites de micotoxinas em alimentos.

Também são importantes os ensaios relacionados a embalagens de café e o desenvolvimento de novos processos e produtos, como os preparados para bebidas instantâneas com café, cappuccino, bolos, biscoitos, chocolates, recheios, barras de cereais, balas e o inusitado Cafessaí.

A parceria entre o ITAL e o IAC permitiu a evolução das regiões cafeeiras do Estado. Como exemplo, houve pesquisa para obtenção de indicadores ambientais da produção de café arábica, a partir da metodologia de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), via Programa Pesquisa Café. Outro trabalho conjunto foi a determinação da influência das mudanças climáticas nos sólidos solúveis em resíduos da produção, com utilização desses em novos produtos.

Fonte: Assessoria da Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Coronavírus: a Ciência combate a pandemia e é afetada por ela

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Podcast da Revista Fapesp, em parceria com a Rádio Usp, revela – entre outros assuntos – como o combate ao coronavírus, mais especificamente o isolamento social, está interferindo na vida de pesquisadores científicos. Veja abaixo alguns dos entrevistados:

A bióloga Fernanda Staniscuaski, pesquisadora da UFRGS e coordenadora do projeto “Parent in Science”, fala sobre o impacto do isolamento social na produtividade de cientistas que têm filhos, em especial das mulheres.

A engenheira agrônoma Juliana Teixeira Yassitepe, da Embrapa, explica como concilia o trabalho de pesquisa e os cuidados com a família em meio às restrições impostas pela pandemia.

O infectologista Fábio Leal, da Faculdade de Medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, mostra os resultados da estratégia de identificação e monitoramento de pessoas com Covid-19 que está sendo aplicada na cidade, testando a população em suas casas.

Dayane Machado, doutoranda do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp, comenta pesquisa que registrou índices elevados de confiança da sociedade na ciência durante a crise do novo coronavírus.

PARA OUVIR O PROGRAMA CLIQUE AQUI

Pesquisadores desvendam mecanismo que torna Covid-19 mais grave em diabéticos

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Um grupo brasileiro de pesquisadores desvendou uma das causas da maior gravidade da COVID-19 em pacientes diabéticos. Como mostraram os experimentos feitos em laboratório, o teor mais alto de glicose no sangue é captado por um tipo de célula de defesa conhecido como monócito e serve como uma fonte de energia extra, que permite ao novo coronavírus se replicar mais do que em um organismo saudável. Em resposta à crescente carga viral, os monócitos passam a liberar uma grande quantidade de citocinas [proteínas com ação inflamatória], que causam uma série de efeitos, como a morte de células pulmonares.

O estudo, apoiado pela FAPESP, é liderado por Pedro Moraes-Vieira, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp), e por pesquisadores que integram a força-tarefa contra a COVID-19 da universidade, coordenada por Marcelo Mori, também professor do IB-Unicamp e coautor do trabalho.

O artigo encontra-se em revisão na Cell Metabolism, mas já está disponível em versão preprint, ainda não revisada por pares.

“O trabalho mostra uma relação causal entre níveis aumentados de glicose com o que tem sido visto na clínica: maior gravidade da COVID-19 em pacientes com diabetes”, diz Moraes-Vieira, pesquisador do Experimental Medicine Research Cluster (EMRC) e do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP, com sede na Unicamp.

Por meio de ferramentas de bioinformática, os pesquisadores analisaram inicialmente dados públicos de células pulmonares de pacientes com quadros médios e severos de COVID-19. Foi observada uma superexpressão de genes envolvidos na chamada via de sinalização de interferon alfa e beta, que está ligada à resposta antiviral.

Os pesquisadores observaram ainda no pulmão de pacientes graves com COVID-19 uma grande quantidade de monócitos e macrófagos, duas células de defesa e de controle da homeostase do organismo.

Monócitos e macrófagos eram as células mais abundantes nas amostras e as análises mostraram que a chamada via glicolítica, que metaboliza a glicose, estava bastante aumentada.

As análises por bioinformática foram realizadas pelos pesquisadores Helder Nakaya, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP), e Robson Carvalho, professor do Instituto de Biociências de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (IBB-Unesp).

Glicose e vírus

O grupo da Unicamp realizou, então, uma série de ensaios com monócitos infectados com o novo coronavírus, em que eles eram cultivados em diferentes concentrações de glicose. Os experimentos foram feitos no Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (Leve), que tem nível 3 de biossegurança – um dos mais altos –, e é coordenados por José Luiz Proença Módena, professor do IB-Unicamp apoiado pela FAPESP e coautor do trabalho.

“Quanto maior a concentração de glicose no monócito, mais o vírus se replicava e mais as células de defesa produziam moléculas como as interleucinas 6 [IL-6] e 1 beta [IL-1β)] e o fator de necrose tumoral alfa, que estão associadas ao fenômeno conhecido como tempestade de citocinas, em que não só o pulmão, como todo o organismo, é exposto a essa resposta imunológica descontrolada, desencadeando várias alterações sistêmicas observadas em pacientes graves e que pode levar à morte”, diz Moraes-Vieira.

Os pesquisadores usaram então, nas células infectadas, uma droga conhecida como 2-DG, utilizada para inibir o fluxo de glicose. Eles observaram que o tratamento bloqueou completamente a replicação do vírus, assim como o aumento da expressão das citocinas observadas anteriormente e da proteína ACE-2, aquela pela qual o coronavírus invade as células humanas.

Além disso, usaram uma droga que está sendo testada em pacientes com alguns tipos de câncer. Assim como alguns análogos, a 3-PO inibe a ação de um gene envolvido no aumento do fluxo de glicose nas células. O resultado da sua aplicação foi o mesmo da 2-DG: menos replicação viral e menos expressão de citocinas inflamatórias.

Os resultados que indicaram maior atividade da via glicolítica frente à infecção foram obtidos por meio de análises proteômicas dos monócitos infectados, realizadas em colaboração com Daniel Martins-de-Souza, professor do IB-Unicamp apoiado pela FAPESP.

Por fim, as análises mostraram que o mecanismo era mediado pelo fator induzido por hipóxia 1 alfa. Como é estudada em diversas doenças, é sabido que essa via é mantida estável, em parte pela a presença de espécies reativas de oxigênio na mitocôndria, a usina de energia das células.

Os pesquisadores usaram então antioxidantes nas células infectadas e viram que a hipóxia 1 alfa diminuía a sua atividade e, assim, deixava de influenciar o metabolismo da glicose. Como consequência, fazia com que o vírus parasse de se replicar nos monócitos, as células de defesa infectadas, que não mais produziam citocinas tóxicas para o organismo.

“Quando intervimos no monócito com antioxidantes ou com drogas que inibem o metabolismo da glicose, nós revertemos a replicação do vírus e também a disfunção em outras células de defesa, os linfócitos T. Com isso, evitamos ainda morte das células pulmonares”, diz Moraes-Vieira.

Os estudos com linfócitos T e a análise da expressão de hipóxia 1 alfa em pacientes foram realizados em colaboração com Alessandro Farias, professor do IB-Unicamp e coautor do trabalho.

Como as drogas usadas nos experimentos com células estão atualmente em testes clínicos para alguns tipos de câncer, poderiam futuramente ser testadas em pacientes com COVID-19.

O trabalho tem como primeiros autores Ana Campos Codo, bolsista de mestrado da FAPESP; Gustavo Gastão Davanzo, que tem bolsa de doutorado da FAPESP e Lauar de Brito Monteiro, também bolsista de doutorado, todos no IB-Unicamp sob orientação de Moraes-Vieira.

“Esse trabalho só foi possível devido às colaborações, ao empenho dos alunos de pós-graduação, que tem trabalhado noite e dia nesse projeto, e ao financiamento rápido do FAEPEX [Fundo de Apoio ao Ensino, à Pesquisa e à Extensão] da Unicamp e da FAPESP”, diz Moraes-Vieira.

O artigo “Elevated glucose levels favor SARS-CoV-2 infection and monocyte response through a HIF-1α/glycolysis dependent axis” pode ser lido aqui.

Com informações de André Julião, Agência FAPESP

Instituto de Zootecnia abre inscrição para bolsa Fapesp de pós-doutorado em microbiologia

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O Instituto de Zootecnia, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, torna pública edital de inscrições para candidatura de uma bolsa de Pós-Doutorado na área de Microbiologia Veterinária e Biologia Molecular, vinculada a projeto que será desenvolvido no Centro de Pesquisa de Bovinos de Leite, cujo objetivo será avaliar e desenvolver alternativas para tratamento de mastite bovina, o qual participa do Plano de Desenvolvimento Institucional de Pesquisa do Instituto de Zootecnia (PDIP/IZ). O bolsista ficará lotado no Laboratório de Referência de Qualidade do Leite, do Centro de Pesquisa de Bovinos de Leite, na unidade do IZ em Nova Odessa, SP.

Os candidatos devem possuir título de doutor no país ou no exterior obtido há, no máximo, 5 anos a partir da data final para inscrição, e experiência na realização de análises microbiológicas e de biologia molecular na área de mastite bovina e produção animal sustentável, para desenvolver projeto de pesquisa que se enquadre no tema “Avaliação do efeito de bacteriocinas e óleos essenciais e sua associação contra patógenos multirresistentes isolados de mastite bovina”.

O projeto de pesquisa envolve atividades como coletas de amostras biológicas, técnicas laboratoriais de isolamento e identificação microbiológica de patógenos da mastite bovina, pesquisa de cepas resistentes e alternativas terapêuticas com uso de óleos essenciais, e pesquisa de genes por métodos de Biologia Molecular.
O bolsista também poderá conduzir trabalhos de mestrado e doutorado de alunos ligados ao projeto, auxílio na redação de relatórios e de artigos científicos.

A bolsa, com duração de até 12 meses, será financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e vinculada ao PDIP. O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 7.373,10 mensais e Reserva Técnica equivalente a 15% do valor anual da bolsa para atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

Para inscrições contate pelo e-mail lenira@iz.sp.gov.br com a súmula curricular nos modelos da FAPESP, acesse o site aqui, envie carta de motivação evidenciando os pré-requisitos exigidos (máximo de 200 palavras) e três cartas de recomendação, com prazo até o dia 15/06/2020. Para mais informações clique aqui.

Instituto Floresta realiza debate virtual sobre alterações na Lei da Mata Atlântica na próxima quinta

O Instituto Florestal convida para mais uma edição do projeto Café Virtual no IF (pelo Zoom). O tema será “As alterações na Lei da Mata Atlântica e consequências para o bioma”, com Clayton Lino (RBMA), João de Deus Medeiros (RMA) e Mário Mantovani (SOS Mata Atlântica). O debate acontece no dia 28 de maio de 2020, quinta-feira, às 15 horas. Inscreva-se antecipadamente para esta reunião no site: www.iflorestal.sp.gov.br

Mais informações no cartaz abaixo.

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Unidades da APTA realizam colheitas de grãos e novas pesquisas levam resultados ao agro paulista

apqc1Unidades de pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, vêm realizando colheitas de grãos ligadas a diversos experimentos. Os órgãos tomam todas as precauções de saúde necessárias em relação ao momento atual e as pesquisas seguem levando resultados para o agro paulista.

No Polo de Pindorama da APTA, a colheita de amendoim realizada nas últimas semanas deverá fornecer informações importantes sobre novas cultivares, além do combate a uma praga que preocupa o produtor.

“As colheitas que foram realizadas se referem a duas linhas de pesquisa: a primeira é sobre melhoramento de amendoim e desenvolvimento de novas cultivares, e a segunda, sobre a avaliação e controle do percevejo-preto, uma praga de solo que ataca a cultura”, diz Marcos Michelotto, pesquisador da APTA e um dos responsáveis pelos trabalhos.

As pesquisas com melhoramento, coordenadas pelo pesquisador Ignácio Godoy, do Instituto Agronômico (IAC-APTA), visam obter cultivares de amendoim que apresentem maior resistência a doenças e também maior produtividade, explica Michelotto.

“Colhemos as vagens e enviamos para análise no instituto, onde se analisa a produtividade e se as características das cultivares atendem às exigências do mercado, podendo ser disponibilizadas como opção ao produtor”, acrescenta.

Classificação

Quanto a outra pesquisa, o grupo liderado pelo pesquisador vem buscando maneiras de melhor conhecer e combater o percevejo-preto (Cyrtomenus mirabilis). “Essa praga pode estar presente na plantação sem que o agricultor se dê conta, uma vez que o inseto ataca as vagens no solo, danificando os grãos”, detalha Michelotto.

Segundo o pesquisador da APTA, o problema pode ser percebido apenas durante o beneficiamento, onde os grãos danificados pelo percevejo acabam tendo sua classificação rebaixada e recebendo valor de mercado bem menor.

“Testamos alguns tipos de inseticidas e pretendemos avaliar tanto a eficiência de cada um no controle do percevejo, quanto a persistência de resíduo no grão colhido”, explica. A questão do controle de resíduos, defende o pesquisador, é essencial para a saúde do consumidor e necessária para adentrar mercados exigentes, como o europeu.

“Também estamos testando alternativas de controle biológico, utilizando nematoides e fungos entomopatogênicos para combater o percevejo”, salienta. Outra aposta é a utilização de compostos à base de enxofre, que agem como repelentes. “Eles impedem que o inseto permaneça na área, ou reduzem sua alimentação e, consequentemente, seus danos, controlando a praga durante todo o ciclo do amendoim”, diz o especialista.

Resultados

Feita a colheita, a hora é de analisar os resultados obtidos para averiguar quais tratamentos empregados foram eficazes. Para isso, o corpo de estagiários do projeto está auxiliando o pesquisador na limpeza dos grãos, contagem de insetos presentes e de grãos avariados e mensuração dos danos observados.

Outras amostras foram enviadas ao laboratório contratado para realizar os testes de resíduos de agrotóxicos. “Nesse projeto, contamos com a parceria de empresas do setor que têm interesse direto em resolver o problema, que pode causar perdas da ordem de 20 a 30% da produção”, salienta Michelotto.

Além do amendoim, pesquisas com soja também estão fornecendo novos resultados na APTA. Na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itapetininga, foram realizadas as colheitas de um relevante projeto realizado em parceria com a cooperativa Coplacana. “Neste projeto, avaliamos mais de 25 variedades de soja quanto a diversas características de produção”, diz o pesquisador da APTA Carlos Frederico Rodrigues, responsável pela unidade.

Ele explica que o projeto terá duração de cinco anos, estando atualmente no terceiro. Nesse período, as cultivares serão avaliadas a cada nova safra, formando-se um ranking de acordo com seu potencial produtivo. “Objetivamos estabelecer uma espécie de ‘selo de desempenho’ para as cultivares, de acordo com o desempenho de cada uma”, aponta.

Mais que expor as características produtivas da planta propriamente ditas, o projeto quer auxiliar o produtor a fazer a melhor escolha, levando-se em conta seu potencial de investimento, demanda de produção, capacidade instalada em termos de maquinário, entre outros fatores. “Começamos cultivando todas em áreas de diferentes tamanhos e, quando identificamos que uma cultivar tem bom desempenho, plantamos em maior escala no próximo ano – um desafio de produção comercial”, comenta Rodrigues.

Variedades

Além das variedades comercialmente conhecidas, a pesquisa trabalha com muitas advindas de instituições de pesquisa e assistência técnica, como a Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS), da pasta, e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Essas variedades de sojas convencionais são, na opinião do pesquisador, interessantes para inserção junto ao agricultor familiar.

Outro intuito da pesquisa, informa o responsável, é difundir e estimular a técnica de plantio direto para soja, considerada vantajosa em termos de conservação do solo. “Todas as variedades do experimento foram cultivadas em plantio direto”, lembra Rodrigues.

“Estamos agora iniciando o plantio de aveia, uma cultura de inverno que será colhida para semente e, depois, servirá de palhada para o novo plantio de soja – que deve ocorrer em outubro”, diz. Algumas variedades foram observadas no sistema ILPF (Integração Lavoura Pecuária Floresta) da unidade, e, nesses cenários de integração, serão avaliadas a partir da safra 2020-2021, incluindo dados climáticos em tempo real e contínuo.

O pesquisador conta que, uma vez por ano, ocorre na UPD o evento Caminhos da Soja, onde os produtores rurais têm a possibilidade de conhecer os resultados levantados pela pesquisa e utilizar deste conhecimento para selecionar as variedades que mais lhe convenham.

“É uma vitrine tecnológica”, ressalta Rodrigues, acrescentando que a Unidade também realiza pesquisas com milho na mesma linha. “Visitas monitoradas nesses sistemas de produção são agendadas com colegas da CDRS, produtores e estudantes, durante todas as fases da cultura”, completa.

Colheita

Também é tempo de colheita no Polo de Adamantina da APTA. A região, assim como a de Itapetininga, assiste a uma expansão considerável da sojicultura. “A soja é uma commodity de segurança em relação à comercialização futura e demanda”, pontua Fernando Nakayama, pesquisador e diretor do Polo, apontando esse fator como um promotor do interesse dos agricultores paulistas na cultura.

“Os produtores começaram a querer informação, procurar variedades e a gente se sentiu na obrigação, como Instituição de Pesquisa, de gerar essa informação e fazer essa difusão”, contextualiza.

De acordo com Nakayama, as pesquisas estão na primeira etapa – e a de maior demanda –, que é a escolha das cultivares de soja adaptadas à região. Para isso, as empresas de sementes são convidadas a terem suas variedades avaliadas. “O que é feito é plantar faixas de cultivares onde avaliamos o comportamento geral de cada uma, fazemos a biometria e constatamos a produtividade”, relata o pesquisador. “Posteriormente, geramos o resultado e disponibilizamos para o produtor”, finaliza.

No Polo, experimentos similares são feitos também com variedades de milho de interesse para a região. Periodicamente, como forma de transferência de tecnologia, são realizados dias de campo para os produtores rurais conhecerem as cultivares disponíveis para cada cultura e embasarem suas escolhas na hora de produzir.

Fonte: Assessoria

Pesquisa realizará testes rápidos de Covid-19 em 133 municípios brasileiros

apqc1Nos próximos dias 28 e 29 de maio e 11 e 12 de junho, entrevistadores da pesquisa “Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19 no Brasil: Estudo de Base Populacional” estarão novamente em campo entrevistando e testando cerca de 33 mil em 133 municípios.

Essa será a segunda etapa da pesquisa que teve início no último dia 17. Espera-se que até dia 12 de junho, quando inicia a terceira e última etapa, seja possível testar mais de 100 mil pessoas. O estudo é financiado pelo Ministério da Saúde, coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), do Rio Grande do Sul, e executado pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope).

O objetivo é avaliar, por meio de testes rápidos, a evolução da infecção da COVID-19 no Brasil, para que a partir disso novas informações possam ser descobertas sobre o vírus e uma nova estratégia de combate possa ser traçada.

A coleta de dados se dará no âmbito domiciliar. Em cada domicílio sorteado para a amostra, será anotada a lista de moradores, e um deles será sorteado para participar do inquérito. A cada nova etapa, a amostragem incluirá os mesmos setores censitários, mas domicílios diferentes daqueles incluídos nos inquéritos anteriores. No site do Ministério da Saúde é possível consultar a lista de municípios participantes da pesquisa.

Agressões contra as equipes

Em alguns municípios foram relatadas agressões contra o pessoal de campo da pesquisa, além de retenção dos equipamentos, insumos e amostras. A coordenação da Universidade Federal de Pelotas lamentou fortemente os incidentes e tem solicitado apoio das autoridades competentes dos municípios envolvidos. A ABRASCO, através de nota pública, também se posicionou sobre os fatos, declarando solidariedade aos pesquisadores.

Fonte: Núcleo de Comunicação Técnico-Científica do Instituto de Saúde

Com apoio dos institutos Butantan e Adolfo Lutz, governo do Estado de SP amplia testes de coronavírus à população

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O governo de São Paulo mudou os critérios e ampliou os protocolos para aplicação dos exames para os testes de coronavírus. Em Bauru, três laboratórios que fazem os exames devem ampliar de 100 para 500 a quantidade diária de análise de testes. Segundo protocolo adotado pelo Ministério da Saúde, os exames para diagnóstico da Covid-19 eram feitos apenas em casos graves da doença, mortes ou em profissionais da saúde.

A ampliação dos testes definida pelo estado, com distribuição de novos insumos, vai permitir que o coronavírus seja diagnosticado também em casos leves em pacientes com sintomas gripais e nos que fazem parte de outros grupos de risco. “A decisão de quem será testado é da equipe médica nas unidades de saúde, e os grupos de risco serão definidos pela Vigilância Epidemiológica. O tamanho da ampliação será definida pela rede de laboratórios e disponibilidade de insumos”, explica Virgínia Bodelão Pereira, diretora do Instituto Adolfo Lutz em Bauru.

Além do Adolfo Lutz local, em Bauru outros dois laboratórios estão credenciados para fazer os testes: o laboratório da Faculdade de Odontologia da USP e o Instituto Lauro de Souza Lima. Juntos, os três laboratórios analisam os exames de 38 municípios da região que concentra uma população estimada em 1 milhão de habitantes. A expectativa de que a capacidade diária chegue a 500 exames é das três instituições.

Segundo o Instituto Butantan, que administra os 50 laboratórios credenciados para fazer exames no estado, a capacidade do sistema deve ser ampliada de 5 mil para 8 mil testes. A testagem é considerada um procedimento fundamental para que os municípios adotem estratégias de combate à doença.

Clique aqui para ver a reportagem.

Com informações do G1 de Bauru.

Secretaria de Agricultura de SP apresenta sucesso em pesquisas com algas marinhas

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A algicultura, ou seja, o cultivo de algas, tem se tornado uma importante atividade econômica no mundo todo, de acordo com os dados estatísticos de 2020 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O Instituto de Pesca (IP-APTA), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, é a única instituição no Estado que vem desenvolvendo pesquisas com a alga cultivada no ambiente natural, desde 1995.

Recentemente, tem ocorrido um crescente reconhecimento do cultivo de algas (cultivo) de algas marinhas e de seu potencial no fornecimento de soluções como o sequestro de gás carbônico na atmosfera; benefícios na alimentação humana e animal e a disponibilidade de biomassa para as indústrias agrícolas, alimentícias, cosméticas, farmacêuticas e de biofertilizantes.

Além das publicações científicas em revistas de alto impacto, as pesquisas desenvolvidas já apresentaram excelentes resultados, rendendo ao Instituto de Pesca, em conjunto com a Universidade Estadual Paulista (UNESP), uma patente referente à hidrólise de glucana em glicose. Esta é mais uma alternativa de matriz energética associada à produção de biocombustíveis e de produtos químicos, por meio de fontes renováveis.

Kappaphycus alvarezii: espécie destaque das pesquisas

A espécie que mais se destaca entre as pesquisas é a macroalga Kappaphycus alvarezii, introduzida no Estado de São Paulo, em 1995, por meio de uma parceria entre o Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e o Instituto de Pesca, instituição que desenvolve diversos projetos na Fazenda Marinha Experimental e no Laboratório de Algas Marinhas (LABALGAS), do Núcleo Regional de Pesquisa do Litoral Norte.

Um dos inovadores projetos da instituição, realizado em parceria com a Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da UNICAMP, apresentou várias potencialidades da macroalga Kappaphycus alvarezii, como o uso de seu extrato como biofertilizante, devido a sua eficiência agronômica e as concentrações dos macronutrientes secundários e micronutrientes analisados.

Destaca-se também o projeto que tem dado suporte à permanência das 11 linhagens da espécie, resultando na produção de farinha da macroalga para uso alimentar, como parte da composição das almôndegas da Carne Mecanicamente Separada de Peixes, por exemplo; e na produção de bioplástico.

A área de agroenergia também se beneficia com as pesquisas, como a realizada em colaboração com a UNESP de Araraquara e a USP de Ribeirão Preto, voltada à extração de biocombustíveis (bioetanol e hidrogênio), associando o cultivo e os parâmetros ambientais e oceanográficos das quatro linhagens da macroalga.

Economia e Áreas de cultivo

Os resultados dos estudos econômicos, relacionados às pesquisas com a macroalga Kappaphycus alvarezii (IP/UNICAMP), mostraram que a produção do extrato artesanal foi economicamente viável para o cenário da análise de sensibilidade, com preço de venda a partir de R$ 9,00 para o sistema familiar.

O dimensionamento das áreas para a implantação da atividade da algicultura, classificadas como as “mais aptas”, com as ferramentas da geotecnologia, foi de aproximadamente 2.299,26 hectares e para as “áreas legais” de 1.299,59 hectares. Resultados esses, que embasaram a estimativa dos potenciais: ambiental de sequestro de gás carbônico que foi de 15.739,33 toneladas, social na geração aproximadamente de 7.797 empregos e econômico com uma estimativa de receita anual de R$ 64,32 milhões.

O estudo em geotecnologia proporcionou em uma primeira fase, a identificação de 44 locais aptos à implantação da algicultura, com base em diferentes fatores e restrições no nível específico para a espécie Kappaphycus alvarezii. Em uma fase posterior, a metodologia adotada poderia ser implantada para outras espécies cultivadas superficialmente, para compor uma estratégia de implantação de novos cultivos.

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(Mapa final da seleção de áreas aptas ao cultivo da macroalga Kapaphycus alvarezii no litoral norte de São Paulo)

A pesquisadora científica do Instituto de Pesca, Valéria Cress Gelli, especialista nos estudos da espécie, explica que “mesmo com os resultados positivos, a atividade da algicultura ainda não se desenvolveu comercialmente no litoral norte de São Paulo como esperado. Estamos aguardarmos, para isso, a publicação do Plano Gestor da Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte, o qual beneficiará consideravelmente todo setor produtivo”.

Com a recente publicação da Instrução Normativa IBAMA n° 1, de 21 de janeiro de 2020, além de Rio de Janeiro e São Paulo, Santa Catarina foi autorizada a cultivar comercialmente macroalgas e, atualmente, quatro linhagens cultivadas no Instituto de Pesca estão sendo replicadas naqueles Estado, que comemora a autorização.

Fonte: CeoAgro

Vacina contra coronavírus deve demorar, dizem pesquisadores

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De tempos em tempos, a humanidade é confrontada com um novo desafio sanitário. Foi assim com a gripe espanhola, no início do século passado, e tem sido desta forma com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Pesquisadores do mundo todo trabalham para encontrar uma vacina, o que garantiria a imunidade da população e salvaria milhares de vidas.

O pesquisador Ricardo Gazzinell, líder do Grupo de Imunopatologia da Fiocruz Minas e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCTV), integrante de rede de pesquisa sobre uma vacina contra o novo coranavirus, explica que “embora as atividades já estejam em andamento, o desenvolvimento de uma vacina leva tempo.” Em situações de calamidade pública como a atual, em que as decisões relacionadas a financiamento são mais céleres, é possível chegar a resultados em torno de dois a três anos. “Este é um momento importante em que a ciência vem sendo chamada e nós estamos preparados para dar a nossa contribuição”, afirma.

Na agropecuária, a busca por vacinas não é muito diferente do processo do desenvolvimento deste produto para os humanos. Os trabalhos levam também anos e precisam de investimento contínuo em ciência e tecnologia. O médico-veterinário do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Ricardo Spacagna Jordão, especialista no desenvolvimento, otimização e produção de vacinas, explica que as para uso veterinário levam 18 meses, no mínimo, de estudos e testes.

Nesse caso, as vacinas são bastante usadas na produção animal, na criação de bovinos, suínos e aves, sendo as mais conhecidas as que imunizam os animais para febre aftosa, brucelose, raiva, parvovirose, newcastle, gumboro entre outras.

A maior dificuldade, segundo o médico-veterinário do IB, está na fase de testes clínicos, realizados em humanos ou em animais de produção. “Infelizmente, a ciência ainda não encontrou como simular em computador todas as variáveis dos organismos, como o sistema imune e os hormônios, por exemplo. Por isso, a necessidade de serem testadas em laboratório e em modelos biológicos, para verificar exaustivamente sua capacidade de estimular o sistema imune e garantir sua segurança”, afirma.

Jordão explica que, apesar das semelhanças no processo de desenvolvimento e de produção, as vacinas para humanos são mais complexas e difíceis de serem desenvolvidas do que as de uso veterinário. Isso porque na formulação para os animais de produção podem ser empregadas matérias-primas que não são aprovadas para uso em humanos. “Por outro lado, para humanos possuem custo por dose mais alto do que as para animais de produção. Por isso nelas se podem usar tecnologias mais avançadas”, observa o pesquisador.

Ele observa que os estudos são permanentes. “A ciência não fica parada entre uma pandemia e outra. Precisamos sempre estar prontos para enfrentar batalhas. Por isso a necessidade de estudos para que, quando um problema desse ocorra, termos ferramentas para dar soluções rápidas”.

O veterinário ressalta que os cientistas aprendem com outras doenças o mecanismo dos vírus, como no caso do Sars-Cov-2, causador da Covid-19, que teve seus “irmãos”: Sars-Cov, transmissor da doença SARS, isolado em 2002, e o MERS-COV, isolado em 2012. Isso permite que agora se tenha dezenas de vacinas em processo de desenvolvimento e teste.”

“Durante a pandemia, os cientistas buscam entender o vírus: qual sua composição, como ele entra nas células, se replica e quais mecanismos das células ele utiliza. Tudo isso para tentar traçar estratégias de cultivo, isolamento e identificação. Definindo isso, é possível sabermos a quais produtos ele é sensível”, conclui.

Fonte: Diário de Pernambuco

Foto: Andrew Milligan / AFP

Artigo de Antonio Roque Dechen: “A Agricultura e o coronavírus”

apqc1Vivemos um momento histórico. A novidade é a pandemia causada pelo coronavírus, preocupação geral de todos os segmentos da sociedade. O receio e o medo levaram a população à reclusão, a proteger-se por máscaras e ao distanciamento social, inclusive dos amigos, à adoção de novos procedimentos de compras online e todo o cuidado no pós-recebimento das mesmas com a limpeza e desinfeção com álcool em gel, este estrategicamente distribuído em todos os pontos da casa.

Os comerciantes estão genuinamente preocupados, pois com o comércio e shoppings em sua maioria fechados, restaurantes e lojas funcionando com o sistema de entregas, observa-se uma grande mudança no nosso dia-a-dia.

Muitos de nós talvez não tenhamos nos preocupado com esse nosso cotidiano, pois nos alimentamos normalmente neste período atípico; as compras nos supermercados, açougues e farmácias passaram a ser online; aliás, estamos com saudades dos supermercados e shoppings!

Assimilamos o uso do álcool em gel e da água sanitária na limpeza das frutas e legumes, enfim, mudamos nossos hábitos mas, com raríssimas exceções, deixamos de encontrar nossos produtos agrícolas preferidos.

O pesquisador da Embrapa, Mário Alves Seixas, na publicação Diálogos Estratégicos, destaca que, a contínua disseminação do vírus corona na China se estenderá além do segundo trimestre de 2020. No agronegócio chinês, os impactos negativos desse vírus foram consideráveis, tanto para os setores de grãos e óleos comestíveis, como para o de carnes (consumo e distribuição) em consequência de cidades inteiras afetadas pelo vírus.

No Brasil ainda não estamos tendo bloqueios, mas estamos sendo afetados pelas restrições de mobilidade da população devidas ao isolamento, ressaltando que a saída para a crise econômica é o Agro, pois o Agro não para nunca!

A grande inserção do agronegócio brasileiro no cenário mundial e as exigências de controles sanitários dos produtos agrícolas fez com que as grandes cadeias do Agro e as cooperativas se ajustassem às exigências internacionais quanto aos aspectos de qualidade e sanidade dos produtos.

Esta pandemia trouxe-nos à memória, a do café nos anos setenta, quando do aparecimento da ferrugem que, num primeiro momento pareceu decretar o fim da cafeicultura brasileira. Mas na época, o ilustre pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), Dr. Alcides Carvalho, já tinha as variedades resistentes pois, com sua experiência na cultura do café, sabia que a ferrugem, mais cedo ou mais tarde, chegaria ao Brasil.

Assim, mandava as sementes das variedades de café por ele desenvolvidas no IAC para seus parceiros de pesquisa em Portugal, que as testavam nas colônias de Portugal na África e o informavam quais eram as resistentes à ferrugem. E estas, ele já as multiplicava! Essa atitude evitou uma grande quebra da cultura do café no Brasil. Hoje, além das instituições de pesquisa, as empresas agrícolas têm programas contínuos para a obtenção de variedades resistentes a pragas e moléstias.

Parabéns aos profissionais das áreas de ciências agrárias, florestais e de alimentos, por contribuírem para a estabilidade social e econômica do país pela produção de alimento e energia, que são o esteio da sustentabilidade social e econômica de qualquer nação.

Relembrando a memorável frase do Dr. Norman Borlaug, Nobel da Paz de 1970: “não se constrói a paz em estômagos vazios”, registramos nosso reconhecimento aos engenheiros agrônomos, agricultores e empresas agrícolas que, pela participação na produção de alimentos, garantem essa sustentabilidade e a paz no Brasil.

*Antonio Roque Dechen, Presidente da Fundação Agrisus; Professor aposentado do Departamento de Ciência do Solo, ESALQ-USP; Membro do Conselho Científico de Agricultura Sustentável – CCAS; Membro do Grupo de Trabalho NPV – Nutrientes Para a Vida, ANDA

Professor da USP fala da relação entre meio ambiente e pandemias no projeto “Café Virtual” do Instituto Florestal

No próximo dia 21 de maio, quinta-feira, o Instituto Florestal convida para o debate “Café Virtual no IF” (pelo Zoom). O professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP, falará sobre a relação entre meio ambiente e pandemias, o novo Coronavírus e perspectivas para o Brasil e o Estado de São Paulo. A transmissão começa às 15h.
Inscreva-se antecipadamente para esta reunião:
Após a inscrição, você receberá um e-mail de confirmação contendo informações sobre como entrar na sala virtual.
IF

Coronavírus: Pesquisador do Instituto de Saúde analisa atual cenário e aponta caminhos para a redução de casos

A repórter Isabella Marzolla, do blog Inconsciente Coletivo, entrevistou José da Rocha Carvalheiro, professor aposentado da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, pesquisador e ex-diretor do Instituto de Saúde. A conversa girou em torno do novo coronavírus, seus impactos sobre a saúde pública e o que podemos esperar da ciência dentro do atual cenário.

Segundo o pesquisador, cientistas podem identificar os anticorpos capazes de impedir a reprodução do vírus até o fim deste ano. No entanto, será necessária mais uma etapa relativamente longa para a avaliação de eficiência, eficácia e riscos da vacina em seres humanos. “Nós estamos, nesta altura do campeonato, num imperfeito conhecimento da história natural dessa doença (Covid-19)”, afirma.

Enquanto a vacina não surge, Carvalheiro comenta as alternativas “não farmacológicas” para conter a epidemia. A primeira, adotada na China e Coreia do Sul, é a intensa aplicação de testes diagnósticos. No Brasil, apesar dos esforços dos laboratórios públicos, como Instituto Butantan e Bio-Manguinhos, ainda é necessária a importação desses testes em larga escala. A segunda, que vem sendo adotada com mais intensidade no Brasil, é o isolamento social.

O que fazer se aumentar o número de casos e diminuírem os leitos disponíveis? Carvalheiro chama a atenção para o fato de que a recomendação da OMS, adotada pelos países que tiveram maior sucesso na contenção da epidemia, é o isolamento social, cuja intensidade depende basicamente da variação dos cenários. Quanto maior o número de casos, mais radical deve ser o isolamento, e vice-versa.

Clique abaixo para ver a entrevista na íntegra.

Artigo: “Saúde única: importante em tempos de pandemia ou em qualquer tempo”

Bauru, 14 de maio de 2020

SAÚDE ÚNICA, IMPORTANTE EM TEMPOS DE PANDEMIA OU EM QUALQUER TEMPO

A relação entre doenças que afetam humanos e animais é estudada desde o século 19. Iniciou-se com o médico patologista alemão Rudolf Virchow (1821-1902) que assertivamente afirmava que entre animais e a medicina humana não há divisórias e nem deveria haver. E foi ele o responsável pela criação do termo zoonose (doença infecciosa capaz de ser naturalmente transmitida entre animais e seres humanos), mas foi apenas na década de 1960 que Calvin W. Schwabe, conhecido como “pai de apqc1epidemiologia veterinária”, criou o termo “medicina única”, que mais tarde daria origem ao conceito de Saúde Única (One Health). O tema foi abordado em seu livro “Veterinary Medicine and Human Health”, no qual Schwabe enfatizava a necessidade de colaboração entre as medicinas humana e veterinária para efetivamente curar, prevenir e controlar doenças que afetam tanto humanos como animais.
Em 2004, um simpósio dedicado a debater abordagens interdisciplinares de saúde em um mundo globalizado permitiu a criação de um documento conhecido como “Princípios de Manhattan”, que define 12 prioridades no combate às ameaças à saúde de humanos, animais e da vida selvagem, formando assim as bases para o conceito de Saúde Única.
Saúde Única representa o conceito perfeito da relação indissociável entre as saúdes animal, humana e ambiental e recebe o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e do Banco Mundial (BM) para a aplicação de estratégias conjuntas de saúde que garantam o bem-estar não apenas do ser humano, mas de todo o planeta. Reconhece, por meio de uma visão integrada, a importância de como humanos e animais interagem ecologicamente em um ambiente, onde qualquer alteração nesta relação provocará desequilíbrios e, consequentemente, a propagação de doenças.
Questões como o aumento da demanda mundial para produção de alimentos, os efeitos das mudanças climáticas sobre a relação entre o ambiente, humanos e animais evidenciam a importância multidisciplinar na abordagem da Saúde Única.
Os serviços da Medicina Veterinária, em seus componentes públicos e privados, desempenham um papel essencial no desenvolvimento e implementação de políticas para gerenciar os riscos à saúde animal. Ao proteger a saúde e o bem-estar dos animais contribuem significativamente para melhorar a saúde humana, bem como a segurança e proteção dos alimentos.
Segundo a OIE, cerca de 60% das doenças humanas têm em seu ciclo a participação de animais, portanto, são zoonóticas, assim como quase 75% dos agentes patogênicos das enfermidades infecciosas emergentes do ser humano são de origem animal.
Além disso, calcula-se que a cada ano aparecem cinco novas enfermidades em todo o mundo, sendo que três são de origem animal. A OIE adverte também que 80% dos agentes patogênicos potenciais para fins de bioterrorismo são zoonóticos.
No Brasil, um exemplo importante de interdisciplinaridade foi conquistado pelo trabalho do Conselho Federal de Medicina Veterinária e Zootecnia – CFMV com a participação de Médicos Veterinários no Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), atuando ao lado de outros profissionais que trabalham pela qualidade da atenção básica à Saúde nos municípios brasileiros, desde 2011.
Em todo o mundo, no dia 3 de novembro, comemora-se o Dia da Saúde Única, mas é em 2020, frente aos desafios de uma Pandemia, que a Saúde Única no Brasil e no mundo ganha mais importância, definindo políticas, legislação e o rumo das pesquisas, onde a união interdisciplinar se destaca, tanto no desenvolvimento e aplicação de diagnósticos, quanto no tratamento e na busca da cura, atuando diretamente em ações na Saúde Pública visando a redução dos riscos para a saúde global.
Olhar o todo, como uma só saúde torna-se fundamental no combate à pandemia da doença causada pelo novo coronavírus (COVID-19) e de outras doenças que podem ser melhor prevenidas e combatidas por meio da atuação integrada entre a Medicina Humana, a Medicina Veterinária, e outros profissionais.
A Ação Estratégica do Ministério da Saúde – “O Brasil Conta Comigo – Profissionais da Saúde” é um exemplo deste olhar. No dia 02/04/2020, o Ministério da Saúde publicou a Portaria nº 639/2020, que determina o cadastramento dos profissional da área de saúde (Serviço Social, Biologia, Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia e Técnica em Radiologia) e também a participação nos cursos à distância que os capacitarão com base nos protocolos clínicos oficiais de enfrentamento à pandemia de Covid-19. O objetivo do Ministério da Saúde é mapear os profissionais de saúde, para orientar as suas ações voltadas à pandemia de Covid-19, bem como deixar todos atualizados em relação aos protocolos, videoaulas e informações importantes para cada categoria profissional.
No Estado de São Paulo, a carreira de Pesquisador Científico une os principais pilares da Saúde Única: Saúde, Agricultura e Abastecimento e Meio Ambiente. Médicos, Médicos Veterinários, Zootecnistas, Biólogos, Químicos, Engenheiros Agrônomos, Engenheiros Ambientais, Engenheiros de Alimentos, Economistas, entre outros, compõe o quadro de pesquisadores.
As pesquisas realizadas por estes profissionais sempre foram destaque no Brasil e no mundo, mas em tempos de Pandemia, o trabalho realizado nas Instituições de Pesquisa do Estado de São Paulo tem se destacado e chamado a atenção de governantes e da população em geral.
Laboratórios montados pelos pesquisadores científicos com o apoio do governo e de instituições de fomento para o desenvolvimento de pesquisas estão sendo utilizados pelo Estado no combate ao novo vírus (Sars-Cov-2) causador da doença Covid-19, com a realização incansável de diagnósticos, pesquisas relacionadas ao tratamento da doença e o desenvolvimento de vacina.
Desde o início da doença no Estado houve uma evolução fantástica no tempo da entrega de resultados de diagnóstico. Com estes resultados é possível identificar rapidamente o aumento de casos no Estado, no intuito de que sejam tomadas decisões para contenção do avanço da doença no âmbito da Secretaria de Estado da Saúde, assim como pelo Governo Federal.
O Instituto Adolfo Lutz – IAL, Laboratório Central de Saúde Pública do Estado de São Paulo, como responsável pelas análises laboratoriais para a detecção do novo coronavírus no Estado, vem atuando, desde o início de fevereiro de 2020, quando da liberação dos primeiros resultados do Brasil, à época negativos, de exames em amostras de casos suspeitos. Os pesquisadores do IAL fazem parte do projeto CADDE, que tem apoio da FAPESP e do Medical Research Council (MRC) do Reino Unido, que desenvolve novas técnicas para monitorar epidemias em tempo real e, em conjunto com o Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e com a Universidade de Oxford, completou o sequenciamento do primeiro caso de coronavírus da América Latina, apenas 2 dias após o caso ter sido confirmado.
Demonstrando mais uma vez a importância da visão de Saúde Única, além do Centro de Virologia do IAL, uma força-tarefa forneceu novas áreas físicas e equipamentos neste Instituto para realização de testes diagnósticos, reunindo profissionais dos Centros de Imunologia, Bacteriologia, Patologia, Parasitologia e Micologia, de Alimentos e de Procedimentos Interdisciplinares, que se dispuseram, de maneira espontânea e dedicada, a trabalhar para auxiliar na realização dos exames.
Outro importante destaque é o Instituto Butantan, que além da realização de diagnósticos da Covid – 19, realizou um trabalho hercúleo na produção da vacina trivalente contra gripe que protege contra três cepas da doença (H1N1, H3N2 e B) e que foi disponibilizada pelo Ministério da Saúde para os grupos prioritários em todo o território nacional. Esta produção foi ampliada para 75 milhões de doses em 2020 e a campanha de imunização em São Paulo antecipada em 23 dias antes do prazo inicialmente planejamento. A antecipação foi extremamente importante para que menos pessoas fossem infectadas com os vírus da gripe colaborando assim com a rapidez e precisão do diagnóstico na população de casos suspeitos de coronavírus. Além disso, está sendo desenvolvido por pesquisadores do Instituto Butantan um produto composto por anticorpos para combater a doença Covid-19. Estão sendo selecionados anticorpos monoclonais neutralizantes de células de defesa (células B) do sangue de indivíduos curados da doença. O objetivo é localizar proteínas com a capacidade de se ligar ao vírus para neutralizá-lo. As moléculas mais promissoras serão produzidas em larga escala para serem utilizadas no tratamento da enfermidade.
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do Instituto Biológico (IB), também está atendendo o Estado no diagnóstico da Covid-19. O Laboratório de Viroses de Bovídeos do Instituto, que possui instalação de Biossegurança Nível 3 (NB3), com sede na capital, recebeu avaliação satisfatória do Instituto Adolfo Lutz para prestar o atendimento durante a pandemia.
Além disso, pesquisadores da Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo continuam gerando conhecimento para melhorar a economia e garantir a segurança alimentar colaborando com a saúde da população, assim como os Pesquisadores da Secretaria de Meio Ambiente estudam o melhor manejo de áreas nativas e a preservação da qualidade da água essencial para a vida.
A verdade é que, “Em tempos de Pandemia ou em qualquer tempo”, a carreira de Pesquisador Científico do Estado de São Paulo é um grande exemplo de profissionais de diversas áreas, que atuam no desenvolvimento de pesquisas e tecnologias em prol da Saúde Única, do Estado, do Brasil e do Mundo.

Dra. Maria Izabel Merino de Medeiros
Médica Veterinária
Pesquisadora Científica VI – APTA
Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Mais informações:

Clique para acessar o folder_SU.pdf


https://www.oie.int/en/for-the-media/onehealth/
http://www.ial.sp.gov.br/ial/perfil/homepage/destaques/a-atuacao-do-ial-no-enfrentamento-a-pandemia-da-covid-19
http://www.biologico.sp.gov.br/noticia/laboratorio-da-secretaria-de-agricultura-de-sao-paulo-fara-testes-para-o-covid-19

Butantan acelera produção para antecipação da Campanha de Vacinação contra a Gripe


Clique para acessar o al868e00.pdf


http://www.fao.org/europe/news/detail-news/en/c/1170251/

Projeto “Plantando Batatas com Ciência”, de pesquisador do IAC, recebe apoio de empresa brasileira

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Em tempos tão difíceis como esse, de pandemia, vale a reflexão: o que sua empresa tem feito, antes mesmo da crise ou durante, para agregar conhecimento de forma positiva às pessoas? A Microgeo, empresa 100% brasileira, do setor de biológicos, por exemplo, apoia desde o início o Projeto voluntário Plantando Batata com Ciência, que aborda muitos ensinamentos do período que a sociedade vive atualmente. O programa, que começou no ano de 2008, foi idealizado pelo Dr. José Alberto Caram de Souza Dias, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), e tem como objetivo ensinar os conceitos básicos de ciências e moldar, desde a infância, potenciais cientistas conscientes da importância da sanidade vegetal.

Voltado para crianças de 9 a 11 anos de idade, o projeto acontece nas escolas municipais CEIEF Jamile Caram de Souza Dias, em Limeira (SP), e EMEIEF Maria Nazareth Stocco Lordello, em Cordeirópolis (SP). No programa, cada estudante é orientado a plantar e acompanhar até a colheita o desenvolvimento de plantas de batatas (Solanum tuberosum). Para isso, são utilizados vegetais sadios e com algum tipo de virose, comum no cultivo da cultura. Essa ação garante aos alunos tanto a percepção de alguns conceitos básicos de acompanhamento/ observação e avaliação, quanto o conhecimento dos benefícios do cultivo orgânico.

“E é neste momento que entendemos que o trabalho que aplicamos é mais do que importante. É uma forma de aprendizagem para a vida como um todo, já que estamos há 12 anos ensinando alunos a serem guardiões e ajudarem no controle dos vírus que podem estar presentes em plantas de batata, especificamente. Podemos então, associar o vírus na batata com o novo coronavírus na humanidade, e afirmar que os estudantes que tiveram a experiência em participar do programa, possuem noções básicas do que estamos enfrentando e o que deve ser feito para prevenir a doença”, afirma Dr. José Alberto Caram de Souza Dias.

Os ensinamentos no Projeto Plantando Batata com Ciência são totalmente focados em plantas com e sem vírus, oferecendo oportunidade de ensino, de forma simples e segura, ressaltando aspectos fundamentais da ciência da virologia, como epidemiologia, nomenclatura, testes de detecção, sintomas, transmissão/ disseminação, prevenção e controle. “Esses conhecimentos, apesar de específicos para vírus que só infectam plantas, também são destaques para controlar e prevenir o vírus na sociedade”, explica Caram.

Segundo ele, o projeto ainda mostra sementes, mudas, brotos, ramas, galhos ou borbulhas que precisam, antes de serem plantados, passar por isolamento (quarentena vegetal) e análises – testes para saber se a planta a ser desenvolvida estará com ou sem o vírus e outras pragas, algo semelhante ao que vêm sendo frequente neste período de quarentena com as pessoas. Além disso, o programa ensina conceitos básicos e fundamentais de higiene individual e comunitária, como lavar as mãos com água e sabão, por exemplo”, destaca.

O Plantando Batata com Ciência é realizado duas vezes por ano, pois o ciclo de vida da planta é curto (80-90 dias do plantio à colheita) e os sintomas de virose são visíveis desde o início. A ação conta com duas etapas: a primeira – teórica, que ocorre dentro da sala de aula com os professores, e a segunda – prática, na qual os alunos vão até a estufa para fazer o plantio e acompanhar o desenvolvimento das plantas. Para que o projeto seja realizado com sucesso, a Microgeo disponibiliza a inovadora tecnologia Microgeo®, que permite a produção e o uso do adubo biológico no cultivo das batatas.

“Apoiamos esse projeto por sua iniciativa de unir duas inovações científicas: a técnica IAC-Broto/Batata-semente e a tecnologia Microgeo®. A ação já educou aproximadamente 2.000 alunos, despertando nas crianças a consciência ecológica nas relações sanitárias das plantas com o meio ambiente e o conhecimento de poderem aplicar tudo que aprenderam com o programa, no dia a dia, principalmente, nesta quarentena”, cita o Engenheiro Agrônomo e Diretor de P&D da Microgeo, Paulo D’Andréa.

Fonte: Agrolink 

Pesquisadores apontam que Brasil tem 14 vezes mais casos de Covid-19 do que os notificados

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O site Covid-19 Brasil é uma iniciativa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto que reúne uma equipe de cientistas independentes de várias instituições brasileiras. Nele, é possível encontrar informações, estatísticas, mapas e ferramentas de pesquisa sobre os diversos aspectos da doença e da pandemia provocada por ela.

A partir do monitoramento em tempo real dos dados fornecidos por fontes oficiais sobre a propagação do vírus no país, o site oferece ferramentas de análise cientificamente embasadas de maneira a auxiliar gestores, autoridades e a população de uma maneira geral no enfrentamento da COVID-19.

A partir das análises contidas no site Covid-19 , a repórter Maria Fernanda Ziegler – da Agência FAPESP – aponta que “mais de 1,6 milhão de casos da doença causada pelo novo coronavírus no país, sendo 526 mil só no Estado de São Paulo. O número, referente ao dia 4 de maio, é 14 vezes maior que o registro oficial”. Nessa data, o Ministério da Saúde registrava 108 mil casos confirmados da doença no Brasil, sendo 32 mil só no estado de São Paulo.

Esses dados não considerados pelas estatísticas colocariam o Brasil na liderança de casos da doença, ultrapassando os 1,2 milhão de casos registrados nos Estados Unidos.

“É sabido que existe uma grande subnotificação de casos no Brasil todo, pois só estão sendo testados os casos graves, de quem vai para os hospitais. Mas de quanto é essa distorção da realidade? A motivação deste estudo é, de alguma forma, contribuir para o planejamento da epidemia, pois com essa subnotificação tremenda só estamos vendo a ponta do iceberg”, disse à revista Domingos Alves, integrante do grupo COVID-19 Brasil, formado por cientistas de mais de 10 universidades brasileiras para monitorar a epidemia por meio de técnicas de ciências de dados.

O pesquisador, que também é coordenador do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que uma estimativa mais realista do número de casos de COVID-19 permitiria que governos e população tivessem maior capacidade de planejar medidas de combate à pandemia.

“Para ter uma noção real da dimensão, o ideal seria testagem em massa. Como não temos testes disponíveis para todos, as estimativas podem servir de base para o gerenciamento de medidas de confinamento, necessidade de novos leitos e da abertura de hospitais de campanha”, diz Alves, que tem experiência em modelagem de epidemias de pneumonia.

A projeção 14 vezes maior do que o registro oficial foi obtida a partir dos dados epidemiológicos da Coreia do Sul e ajustaram fatores como pirâmide etária, porcentual de comorbidades e fatores de risco para COVID-19 na população brasileira. O ajuste contou ainda com informações sobre o número de óbitos.

Dessa forma, ressalta o pesquisador, a realidade deve ser ainda mais grave que a estimativa. “A estimativa de a epidemia ser 14 vezes mais grave que o registrado já assusta e pode fazer com que as pessoas optem por um lockdown ou cobrem mais leitos e hospitais de campanha, mas é importante ressaltar que se trata de uma estimativa para baixo que estamos fazendo nesse estudo”, diz.

Fonte: Instituto de Saúde

Audiência para concessão do Zoológico e do Jardim Botânico de SP acontece hoje, às 17h, pela internet

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A Audiência Pública para a concessão do Zoológico e do Jardim Botânico de São Paulo acontecerá hoje, 12 de maio, às 17h, virtualmente pela internet. A reunião, inicialmente convocada para 7 de abril pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), acabou adiada em função do controle e combate à pandemia do Novo Coronavírus, conforme as diretrizes do Governo do Estado de São Paulo.

Os interessados deverão se cadastrar previamente enviando nome, RG, órgão ou entidade que representa, telefone e endereço de correio-eletrônico para sima.concessoes@sp.gov.br. Perguntas também poderão ser mandadas durante a Audiência, tanto por participantes quanto por espectadores. O endereço eletrônico para ingresso ao ambiente virtual será fornecido para os inscritos nos e-mails informados. As instruções também serão disponibilizadas neste link (aqui). As inscrições para fala começarão às 9h do dia 12 de maio e terminarão até 60 minutos após o início da audiência.

Mais informações sobre a reunião e a versão digital dos documentos do projeto estão disponíveis neste link (aqui)

Sobre o projeto

O “Projeto de Concessão de uso de bem público para a exploração do Zoológico, do Jardim Botânico e da Fazenda, compreendendo as atividades de Manejo, Educação Ambiental, Recreação, Lazer, Cultura e Ecoturismo, com os serviços associados” visa repassar à iniciativa privada a administração e modernização das áreas e serviços dos complexos, localizados no Parque Estadual Fontes do Ipiranga (PEFI).

O PEFI é um significativo fragmento de Mata Atlântica de 500 hectares dentro da cidade de São Paulo. Possui 24 nascentes do Riacho Ipiranga, dois aquíferos subterrâneos, diversos exemplares de fauna silvestre e a presença de espécies ameaçadas de extinção.

Vale destacar que a unidade de conservação, as pesquisas e a proteção das espécies ameaçadas de extinção continuarão sob a responsabilidade do Governo do Estado durante o prazo da concessão, que será de 30 anos.

VISITAÇÃO

O Zoológico de São Paulo, administrado pela Fundação Zoológico, foi fundado em 1958 e recebeu, em 2019, mais de um milhão de visitantes. Ele abriga cerca de dois mil animais de mais de 250 espécies. É o maior da América Latina.

Já o Jardim Botânico, fundado em 1928 e administrado pelo Instituto de Botânica (IBot), recebeu no ano passado mais de 133 visitantes. O local abriga atividades de pesquisa, conservação, educação ambiental, além da promoção da cultura e lazer.

Fonte: Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente

Dia do Enfermeiro: vídeo homenageia profissionais da enfermagem na luta contra a covid-19

Hoje, dia 12 de maio, comemora-se no mundo todo o Dia do Enfermeiro, em homenagem a Florence Nightingale, símbolo da enfermagem moderna nascido em 12 de maio de 1820. No Brasil, além do Dia do Enfermeiro, comemoramos a Semana da Enfermagem entre os dias 12 e 20 de maio, data instituída na década de 1940 em referência à brasileira Anna Nery, primeira enfermeira a se alistar voluntariamente em combates militares.

A enfermagem como profissão data de milhares de anos e, durante séculos, vem formando profissionais comprometidos com a saúde dos seres humanos. Reconhecendo a sua importância, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) parabeniza a todos os enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares pela semana comemorativa. A pesquisa e a ciência estão ao seu lado nesta luta para salvar vidas em meio à pandemia do coronavírus.

#LuteComoUmaEnfermeira

#EnfermagemEuValorizo

Curso de aplicação de agroquímicos, no Instituto Agronômico de Campinas, adiado por conta da pandemia

A Unidade de Referência em Tecnologia e Segurança na Aplicação de Agroquímicos (UR) informa que transferiu para o período de 15 a 19 de junho o primeiro módulo de seu curso Tecnologia de Aplicação. Inicialmente agendado para a segunda quinzena de maio, o programa foi adiado ante os riscos à saúde decorrentes da pandemia de coronavírus. Conforme os organizadores, a parte conclusiva do treinamento ocorrerá entre os dias 6 e 10 de julho. apqc1

De acordo com o coordenador da UR, o pesquisador científico Hamilton Ramos, o curso Tecnologia de Aplicação será ministrado na sede do Centro de Engenharia e Automação (CEA), do Instituto Agronômico (IAC), órgão da Secretaria de Agricultura a Abastecimento do Estado de SP, sediado na cidade de Jundiaí. Serão aceitos no máximo 15 inscritos.

Segundo Ramos, além do conteúdo tecnológico envolvendo pulverizadores, equipamentos, aplicações aéreas e terrestres, o curso tratará ainda de medidas efetivas para proteger a saúde do trabalhador rural e o meio ambiente.

“Os módulos visam a formação de agentes multiplicadores de treinamentos, tais como engenheiros agrônomos e técnicos que atuam em assistência técnica ou trabalham nas propriedades e empresas do agro. Focamos na aplicação sustentável de defensivos e no sucesso das práticas de controle de pragas, doenças e plantas daninhas”, diz Ramos.

“Constatamos que pelo menos 80% dos trabalhadores aplicadores de agroquímicos não possuem qualificação, daí a importância de se incentivar a multiplicação de treinamentos ao campo brasileiro”, complementa ele. O pesquisador calcula que o mau uso de agroquímicos ocasiona prejuízos anuais da ordem de R$ 2 bilhões ao agronegócio, somados desperdícios de ingredientes ativos e despesas resultantes de acidentes e intoxicações.

A Unidade de Referência é uma entidade sem fins lucrativos. Foi criada há cerca de três anos por meio de uma parceria entre o CEA-IAC e o setor privado. A meta central da UR, conforme Hamilton Ramos, é reduzir o déficit de profissionais especializados no uso de defensivos agrícolas. As inscrições permanecem abertas no site http://www.unidadedereferencia.com.br

Fonte: Agrolink

 

ITAL: Regulamentação de produtos alimentícios integrais é tema de consulta pública

apqc1A ausência de critérios de composição e rotulagem em produtos à base de cereais integrais tem resultado em informações variadas entre fabricantes e consumidores, o que induz ao engano. Diante desse contexto, o assunto ganhou especial atenção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que abriu consulta pública até 15 de junho sobre requisitos para identificação como integral e para destaque dos ingredientes integrais na rotulagem dos alimentos contendo cereais. Os comentários e sugestões para a proposta de resolução podem ser enviados através de formulário online.

A consulta é parte de uma série de atividades conduzidas pela Anvisa para estabelecer requisitos sanitários para produtos de cereais, amidos, farinhas e farelos, tema integrante das agendas regulatórias 2015-2016 e 2017-2020 que levou à criação, em 2016, do grupo de trabalho de integrais, com o qual contribui o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, através da expertise de pelo menos 15 anos da equipe de pesquisadores do Centro de Tecnologia de Cereais e Chocolate (Cereal Chocotec).

“A regulamentação que está sendo proposta traz o conceito internacional de farinha de grão inteiro, que diz que os benefícios dos produtos integrais não são provenientes de um componente isolado, mas da interação de todos os componentes do grão (endosperma, farelo e gérmen), que, além das fibras, apresentam proteínas, lipídeos funcionais e importantes micronutrientes (vitaminas, minerais e compostos fitoquímicos)”, explica Elizabeth Nabeshima, pesquisadora que representa o Ital nas discussões.

De acordo com a pesquisadora, também estão sendo detalhadas as fontes de grãos permitidas e a porcentagem mínima para que o produto seja considerado integral, permitindo a disponibilização de produtos padronizados ao consumidor. “Muitos estudos já se baseavam em regulamentações internacionais, assim como algumas indústrias, principalmente as multinacionais. Entretanto ainda são poucas as ofertas de produtos com esses requisitos”, esclarece.

Esforço conjunto

A pesquisadora do Ital avalia que serão necessárias várias adequações em muitas indústrias, o que exige esforço conjunto em toda a cadeia desde os moinhos, disponibilizando farinhas integrais em quantidade e qualidade, as indústrias de panificação e massas alimentícias, oferecendo produtos em conformidade com as novas especificações, até a academia (institutos de pesquisa e universidades), subsidiando os ajustes e desenvolvimentos dos produtos com estabilidade e qualidade para serem oferecidos aos consumidores.

Não é por acaso que integram o grupo de trabalho sobre integrais outros representantes de ensino e pesquisa, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as universidades federais de Ouro Preto (Ufop) e Viçosa (UFV), a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Também compõem o grupo representantes das indústrias, como as associações brasileiras das indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), do Trigo (Abitrigo), de Panificação e Confeitaria (Abip) e de Alimentos (Abia), e dos consumidores, através da associação e do instituto brasileiros de Defesa do Consumidor, Proteste e Idec.

Contribuições

“A temática sobre produtos balanceados nutricionalmente tem sido uma das linhas de pesquisa do Cereal Chocotec em destaque, ou seja, estudos de produtos integrais envolvendo a adição de compostos bioativos ou de algum nutriente específico aliado a redução de aditivos químicos, gordura, sódio e açúcares”, ressalta a pesquisadora do Ital, que foi responsável pela elaboração de dois documentos para subsidiar a regulamentação: “Qualidade sanitária de cereais: comparativo entre farinha de cereais obtidas com e sem reconstituição” e “Efeito da substituição da farinha refinada pela integral sobre as propriedades tecnológicas e sensoriais”.

O primeiro documento contou com colaboração da Unicamp e da Embrapa e o segundo foi resultado de estudo teórico-prático a partir de projeto de pesquisa realizado na planta-piloto de biscoitos do Cereal Chocotec com colaboração da pesquisadora Cristiane Ruffi e apoio de bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Fonte: Jaqueline Harumi (ITAL)

Pesquisadores debatem concessão de Jardim Botânico e Zoológico de SP

JB

O Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA), debateu na terça-feira (5) o projeto de concessão do Jardim Botânico e do Zoológico de São Paulo com a comunidade científica. A audiência ocorreu de forma on-line em função das recomendações e diretrizes para controle da pandemia causada pelo novo coronavírus.

O subsecretário de Meio Ambiente da SIMA, Eduardo Trani, informou que o objetivo da concessão é “conjugar esforços entre a iniciativa privada e o governo para aumentar investimento e melhorar as condições físicas e estruturais dos prédios e equipamentos do Jardim Botânico e diminuir os encargos do setor público”.

Segundo a assessoria de imprensa da SIMA, representantes da Secretaria e do Instituto de Botânica comprometeram-se a acatar contribuições oferecidas pelos pesquisadores durante o debate. Muitas das críticas ao projeto dizem respeito à preocupação dos servidores quanto à autonomia e continuidade das pesquisas, sobretudo no Instituto de Botânica, localizado dentro do Jardim Botânico, que se encontra na área de concessão. Representantes da Secretaria, no entanto, afirmaram que a unidade de conservação, as pesquisas e a proteção das espécies ameaçadas de extinção continuarão sob a responsabilidade do Governo do Estado durante o prazo da concessão, que será de 30 anos.

Conforme as regras do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), a SIMA poderá receber contribuições, sugestões e dúvidas até o próximo dia 12 de maio. Pesquisadores interessados devem encaminhar suas mensagens para o e-mail sima.concessoes@sp.gov.br dentro do prazo estipulado.

O projeto de concessão de uso de bem público para a exploração do Zoológico, do Jardim Botânico e da Fazenda, que compreende as atividades de Manejo, Educação Ambiental, Recreação, Lazer, Cultura e Ecoturismo, visa repassar à iniciativa privada a administração e modernização das áreas e serviços dos complexos, localizados no Parque Estadual Fontes do Ipiranga – um significativo fragmento de Mata Atlântica de 500 hectares na cidade de São Paulo. Possui 24 nascentes do riacho Ipiranga, dois aquíferos subterrâneos e diversos exemplares de fauna silvestre.

Audiência Pública

Na próxima terça-feira (12), às 17h, a sociedade civil é convidada a participar da Audiência Pública para a concessão do Zoológico, Jardim Botânico e da Fazenda. Assim como ocorreu com a comunidade científica, a reunião será on-line e o acesso a ela estará disponível no portal da SIMA (www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br).

Os interessados em fazer uso da fala deverão fazer um cadastro prévio enviando nome completo, RG, órgão ou entidade que representa (se aplicável), telefone e endereço de correio-eletrônico para sima.concessoes@sp.gov.br.

A versão digital dos documentos do projeto estão disponíveis aqui.

Sobre o Zoo e o Botânico

O Zoológico de São Paulo, administrado pela Fundação Zoológico, foi fundado em 1958 e recebeu, em 2019, mais de um milhão de visitantes. Ele abriga cerca de dois mil animais de mais de 250 espécies. É o maior da América Latina.

Já o Jardim Botânico, fundado em 1928 e administrado pelo Instituto de Botânica (IBt), recebeu no ano passado mais de 133 mil visitantes. O local abriga atividades de pesquisa, conservação, educação ambiental, além da promoção da cultura e lazer.

Instituto Butantan trabalha para desenvolver vacina alternativa contra Covid-19

Instituto-Butantan

Pesquisadores do Instituto Butantan, na capital paulista, estão utilizando técnicas inovadoras de biotecnologia para desenvolver uma vacina alternativa contra a covid-19. O instituto espera que a nova abordagem sirva como uma espécie de plano B, caso as vacinas feitas pelo modelo tradicional, já em teste em alguns países, não tenham resultado satisfatório.

Segundo o Butantan, a vacina que o instituto está desenvolvendo utiliza um mecanismo usado por algumas bactérias para enganar o sistema imunológico humano: elas produzem pequenas bolhas, ou vesículas, feitas com material de suas membranas para atrapalhar as células de defesa. Dessa forma, o sistema imunológico passa a atacar também as bolhas, diminuindo a agressão contra as bactérias.

Os pesquisadores do instituto pensam em fazer o mesmo, fabricando essas bolhas em laboratório, mas, em vez de usar a membrana das bactérias, vão acoplar nas vesículas proteínas de superfície do novo coronavírus. Assim, em contato com o sistema de defesa, as bolhas criariam uma memória imunológica no organismo, estimulando a produção de anticorpos específicos contra o coronavírus.

De acordo com o Butantan, as vesículas são muito imunogênicas, ou seja, têm alta capacidade de estimular a resposta imune ao entrar em contato com o organismo. Segundo o instituto, estudos recentes mostram que elas têm grande capacidade de ativar células de defesa do organismo.

“No mundo todo, e aqui no Brasil também, estão sendo testadas diferentes técnicas. Muitas delas têm como base o que já estava sendo desenvolvido para outros vírus, como o que causou o surto de Sars [síndrome respiratória aguda grave] em 2001. Esperamos que funcionem, mas o fato é que ninguém sabe se vão realmente proteger. Neste momento de pandemia, não é demais tentar estratégias diferentes. A nossa abordagem vai demorar mais para sair, mas, se aquelas que estão sendo testadas não funcionarem, já temos os planos B, C ou D”, destacou a pesquisadora Luciana Cezar Cerqueira Leite, do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do Instituto Butantan.

A pesquisa está sendo apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Clique aqui para ter acesso à matéria original publicada na Revista Época Negócios e ouvir o podcast sobre a pesquisa brasileira que irá testar 100 mil pessoas.

Marcha pela Ciência no Brasil será realizada em formato virtual na quinta-feira, dia 7

sbpc

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), junto a suas Secretarias Regionais e Sociedades Científicas Afiliadas, convida todas as entidades, instituições e associações científicas e acadêmicas de todo o País, todas as entidades civis, professores, pesquisadores, estudantes e todos os amigos da ciência para participar ativamente da Marcha Virtual pela Ciência no Brasil no dia 7 de maio. Com atividades transmitidas pelas redes sociais ao longo do dia, o objetivo da manifestação é chamar a atenção para a importância da ciência no enfrentamento da pandemia de covid-19 e de suas implicações sociais, econômicas e para a saúde das pessoas.

A Marcha Virtual pela Ciência visa reforçar a luta que já dura anos por recursos adequados para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, e para a saúde e educação no País. A ação também reitera os termos do PACTO PELA VIDA E PELO BRASIL, publicado em 7 de abril. O documento, elaborado pela CNBB, OAB, Comissão Arns, ABC, ABI e SBPC e que ganhou apoio de mais de uma centena instituições e associações, pede a união de toda a sociedade, solidariedade e conduta ética e transparente do governo, tomando por base as orientações da ciência e dos organismos nacionais e internacionais de saúde pública no enfrentamento da pandemia de coronavírus.

Seguindo as recomendações da OMS de distanciamento social para evitar a disseminação do coronavírus, a SBPC adaptou para o Brasil um aplicativo francês que permitirá que as pessoas marquem presença na manifestação digital por meio de um avatar. A ferramenta utiliza o serviço colaborativo Open Street Map (equivalente ao Google Maps) e permite que o manifestante personalize seu avatar, associando-o a uma “placa” na qual escreve seu protesto, anonimamente.

Entre as atividades da manifestação, a SBPC realiza dois painéis de debates no dia 7 de maio – um dedicado à pandemia da covid-19 e o outro abordando o financiamento da ciência brasileira. As Secretarias Regionais da SBPC, juntamente a entidades e instituições científicas locais, também promoverão atividades direcionadas às suas regiões de abrangência.

Além dos seminários online, as entidades promoverão duas ondas de tuitaços no dia, um às 12h e outro às 18h, com as hashtags #paCTopelavida e #FiqueEmCasacomaCiência.

Durante a semana que antecede a manifestação, a SBPC divulgará entrevistas, vídeos e depoimentos escritos de representantes das entidades científicas e acadêmicas, pesquisadores, estudantes, professores e amigos da ciência sobre temas de ciência, educação e saúde e convocando para a Marcha. Os depoimentos podem ser vistos no canal do YouTube da SBPC (SBPCnet).

Mais informações no site: Marcha Virtual pela Ciência

 

Coronavírus: Vacina começa a ser testada em animais nas próximas semanas, diz biólogo

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O imunologista Gustavo Cabral cresceu vendendo frutas na feira de Tucano, interior do sertão baiano. Natural de Creguenhem, povoado na zona rural da cidade, ele só concluiu o ensino fundamental aos 21 anos. Hoje, aos 38, é responsável por chefiar a pesquisa para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus no Instituto do Coração (Incor) da Faculdade de Medicina da USP. Ele concedeu entrevista ao jornal El País e falou sobre a corrida contra o tempo da ciência e a previsão para que a vacina esteja disponível a todos os brasileiros.

Leia a reportagem na íntegra: Gustavo Cabral, biólogo: “Vacina no Brasil começa a ser testada em animais nas próximas semanas”

Conheça as espécies de pescado mais cultivadas e capturadas em SP

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O processo de cultivo de peixes, conhecido como Aquicultura ou Piscicultura, vem crescendo muito no mundo todo, e o Brasil tem conquistado cada vez mais produtores e consumidores de espécies cultivadas. Segundo os Anuários da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a produção foi de 578.800 toneladas em 2014 e de 758.006 toneladas em 2019, representando um aumento de 31% para o setor, sendo o maior índice entre todas as proteínas animais no país.

A fim de apoiar o aumento da comercialização de pescado em São Paulo, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento apresenta os pescados mais produzidos por aquicultores, capturados por pescadores e encontrados, principalmente neste momento, nos estabelecimentos comerciais paulistas, com preços mais acessíveis e todos os cuidados orientados aos comerciantes para a manipulação, preservação e apresentação dos produtos.

Pescados mais vendidos em São Paulo

Segundo a Peixe BR, São Paulo produziu em cativeiro 69.800 toneladas em 2019. Já o Programa de Monitoramento da Atividade Pesqueira Marinha e Estuarina do Estado de São Paulo (PMAP-SP), do Instituto de Pesca (IP-APTA), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, de julho a setembro de 2019, registrou o descarregamento de 4.482,5 toneladas de pescados no Estado.

Tilápia: Dentre as espécies cultivadas é, sem dúvida, o grande destaque, que chega a colocar o Brasil em 4o lugar do ranking mundial, com representatividade de 57% na produção total, ficando atrás de China, Indonésia e Egito. São Paulo é o segundo maior produtor da espécie, que também é a mais exportada pelo Brasil. De carne branca, magra e suave, sem odor intenso, capaz de render filés sem espinhas, a tilápia tem sido muito bem aceita nas mesas da população paulista, até em função do preço acessível quando comprada a peça inteira, e por ser considerada um pescado “magro”, ou seja com fonte de proteínas e gorduras insaturadas, o que a faz ter menos calorias e mais proteínas quando comparada com outras proteínas animais.

Pintado: Com ocorrência maior nos rios da bacia do Prata, é peixe saudável de carne suculenta e quase sem espinhos. O surubim, assim conhecido na Região Norte, é mais consumido nos estados dessa área; mas também pode ser encontrado na versão fresca em peixarias e supermercados de São Paulo, assim como os peixes redondos como o tambaqui e o pacu (e o híbrido tambacu), piau e pirarucu, que têm sabor assemelhado ao bacalhau, não perdendo em nada para o importado. Caso o consumidor só encontre na versão congelada, indica-se que não se deve resfriá-lo na água quente, pois interfere na textura da carne.

Panga: tem ganhado espaço nos tanques de criação e nas prateleiras dos comerciantes paulistas, disputando com o salmão a terceira posição entre os importados. De acordo com pesquisa da Peixe BR, a oferta do panga produzido no Brasil ainda é pequena, mas saiu de 4,6% para 5% no total da produção, tendo São Paulo se destacado como maior produtor da espécie, que já é facilmente encontrada em peixarias e supermercados.

Pesquisa realizada em 2019 pela WWF-Brasil, observou que algumas espécies de panga, resultantes do cultivo em Aquicultura, são as melhores para serem consumidas. Mesmo considerado um peixe “gordo”, tem grande indicação ao consumo, uma vez que sua gordura é boa, contendo ômega 3. É um peixe muito apreciado na gastronomia, pois possui baixo odor e absorve temperos muito bem, mas é preciso ter cuidado no preparo, pois sua carne é extremamente macia.

Truta: apresenta elevado teor de ômega 3 e nutrientes, importantes na prevenção de doenças coronarianas, por exemplo. A truta salmonada, que é é uma ótima opção para substituir o salmão, principal espécie importada e utilizada na gastronomia oriental.

Tainha: uma das 20 principais categorias de pescado descarregadas no Estado de São Paulo, no período de julho a setembro de 2019, junto ao camarão sete-barbas, que encabeça a lista, sobretudo nas cidades de Santos e Guarujá; a Corvina, Pescada, Porco e Cavalinha. De água doce ou salgada, a tainha é muito consumida devido ao bom preço. Durante a compra, é preciso verificar a firmeza da carne, o odor fraco e a quantidade de gelo em que estiver conservada a qual não deve ser em grandes blocos, o que sugere estar há mais tempo sendo congelada.

Assim como a carne vermelha, o leite, os grãos e outros alimentos, a variedade do pescado também faz parte da agricultura e da alimentação saudável da população paulista; o que tem levado a Secretaria de Agricultura e Abastecimento a apoiar, ainda mais neste momento, os atores da cadeia produtiva que têm demonstrado resiliência na adaptação diante de tantas mudanças.

Fonte: Agrolink

Secretaria de Agricultura do Estado mobiliza institutos de pesquisa no combate ao coronavírus em SP

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O agronegócio de São Paulo está mobilizado para auxiliar na luta contra o novo coronavírus, causador da doença COVID-19. Além das ações relacionadas ao abastecimento, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado atua para realizar o diagnóstico da enfermidade e discutir junto a associações e especialistas o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) durante a pandemia.

Além disso, técnicos e pesquisadores da pasta com formação em biologia, biomedicina e medicina veterinária se cadastraram no Ministério da Saúde para atuar em todo o Brasil no combate ao coronavírus, caso seja necessário.

O setor privado também tem feito diversas ações, sendo um exemplo delas a produção e disponibilização de 250 mil litros de álcool 70% à população, além da parceria entre o Governo do Estado e empresas para distribuição de adesivos eletrônicos (tags) para caminhoneiros. Há ainda ações da secretaria relacionadas ao compartilhamento de orientações junto aos produtores rurais e consumidores, por meio de manuais gratuitos.

“Desde o início da pandemia, temos trabalhado de forma integrada com todas as frente da Secretaria de Agricultura, colocando à disposição toda a tecnologia e corpo técnico capacitado que atua nos institutos de pesquisa, na extensão rural, no abastecimento e na defesa agropecuária para contribuir na minoração dos problemas de abastecimento de alimentos, na saúde e no bem-estar da população”, destaca o secretário de Agricultura e Abastecimento Gustavo Junqueira.

Diagnóstico

A infraestrutura e a expertise do Instituto Biológico (IB) na área de diagnóstico de viroses em animais de produção permitiu que a instituição, ligada à pasta, recebesse avaliação satisfatória do Instituto Adolfo Lutz para diagnóstico da COVID-19. O Laboratório de Viroses de Bovídeos do Instituto, que possui instalação de Biossegurança Nível 3 (NB3), iniciará o atendimento após adequação e recebimento de insumos e EPIs.

Na área de Equipamentos de Proteção Individual, a expertise do Instituto Agronômico (IAC) para aplicação de defensivos agrícolas também tem auxiliado discussões com a Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho (ANIMASEG).

O Centro de Engenharia e Automação (CEA-IAC) tem auxiliado, por exemplo, na revisão de nota técnica para orientações para serviços de saúde, com medidas de prevenção e controle que devem ser adotadas durante assistência a casos suspeitos da enfermidade no que se refere aos EPIs.

Além disso, o CEA tem atuado na revisão de texto geral e elaboração de respostas relacionados a fabricação e aquisição de vestimentas que possuam repelência a líquidos ou impermeáveis similares àquelas utilizadas para proteção contra agentes químicos. Outra ação é a elaboração de um manual explicativo para profissionais de saúde, para que possam entender a equivalência entre os equipamentos que utilizam e o que pode ser utilizado.

Vestimentas

O Centro de Engenharia e Automação do IAC é referência no Brasil e no exterior em trabalhos científicos relacionados a vestimentas de proteção para aplicação de defensivos agrícolas. A instituição possui o Programa IAC de Qualidade de Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura (QUEPIA), que avalia os EPI agrícolas do mercado nacional e disponibiliza o selo QUEPIA para as marcas que estão em conformidade com a legislação.

Além disso, o IAC integra a Comissão de Estudos de Luvas e Vestimentas para Riscos Químicos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e da Organização Internacional de Normatização (ISO).

Os laboratórios de prestação de serviços do IAC, como análise de solos, resíduos, microbiologia, diagnóstico de doenças e a produção de sementes genéticas continuam em atividade, atendendo aos produtores. Medidas de prevenção aos servidores foram devidamente orientadas.

Os profissionais que atuam na Secretaria de Agricultura também estão mobilizados para auxiliar o Ministério da Saúde, caso seja necessária atuação durante a pandemia. O Ministério tem o objetivo de cadastrar e capacitar nos protocolos clínicos da doença cerca de cinco milhões de profissionais de saúde de 14 categorias, como biologia, biomedicina e medicina veterinária.

O reforço é para auxiliar os gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) nas ações de enfrentamento da COVID-19 a partir da capacidade de trabalho. O médico veterinário e pesquisador do Instituto de Zootecnia (IZ) Jackson Barros do Amaral foi um dos profissionais da Secretaria de Agricultura a se cadastrar na plataforma do Ministério da Saúde.

Amaral, que atua desde 1994 no IZ, na área de sanidade animal, explica que, na verdade, não existe uma saúde humana e outra animal e que o Ministério deve se beneficiar com o cadastramento de todos os profissionais da área da saúde em estudos e atividades inerentes a cada profissão na prevenção, controle, tratamento e mecanismos de transmissão da pandemia entre humanos, animais e ambiente.

“Envolvendo, assim, a saúde única (humana, animal e ambiental), já discutida por diversas linhas de estudos e pesquisas pela comunidade científica. No caso dos médicos veterinários este tema tem fundamental importância, tendo em vista a interação da transmissibilidade das pandemias pelos animais, representando um campo promissor de ações conjuntas com os demais profissionais da área de saúde”, afirma.

O Instituto de Pesca (IP) também colocou à disposição de pesquisadores o material biológico de linhagens de macroalga marinha, que possuem atividades antioxidantes, anticoagulantes, antihiperlipidemicas, antihiperglicêmicas, anti-inflamatórias, antitumorais, antifúngica e antivirais. A macroalga Kappaphycus alvarezii, estudada pelo IP para o uso na indústria, é uma fonte importante do polissacarídeo sulfatado, que são componentes estruturais da parede celular da alga e são os mais estudados como compostos antivirais.

Setor privado

Governo e iniciativa privada também estão trabalhando em conjunto para ações relacionadas ao combate ao novo coronavírus. Um exemplo é a parceria entre o Governo de São Paulo e as empresas Conectcar, Sem Parar e Veloe para a distribuição gratuita sem taxa de adesão ou de mensalidade de 25.850 adesivos eletrônicos (tags) para o pagamento de pedágios nas rodovias do Estado.

Ao utilizar as tags nas cabines automáticas, motoristas e funcionários eliminam o risco de contágio pelo coronavírus e agilizam o deslocamento pelas rodovias, principalmente dos caminhoneiros, principal público da ação. O Governo do Estado também criou um site (www.abastecimentoseguro.sp.gov.br) com as informações sobre as estradas para os caminhoneiros.

Recentemente, o portal passou a receber manifestações de consumidores, que podem relatar problemas nas estradas e estabelecimentos e denunciar a falta de itens ou preços abusivos dos produtos comercializados.

Neste período de quarentena, 64% dos pagamentos de pedágio nas rodovias paulistas estão sendo feitos nas cabines automáticas, o que elimina o contato. O objetivo do Governo de São Paulo é ampliar ainda mais o serviço como forma de proteger esses profissionais.

Outro exemplo é o caso da Natura &Co e o Grupo São Martinho, que produziram 250 mil litros de álcool 70% doados para a Secretaria da Saúde, com o objetivo de ajudar na prevenção do novo coronavírus e proteger a saúde de milhares de pacientes da rede pública. O álcool, doado pelo Grupo São Martinho, foi processado e envazado na fábrica da Natura em São Paulo. Foram 50 mil litros, distribuídos em embalagens de 750 ml.

Além disso, a marca Coperalcool também doou 50 mil frascos de álcool em gel para instituições de segurança pública do Estado, como a Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica e Corpo de Bombeiros.

Informações

Os profissionais que atuam na pasta também têm trabalhado para levar informações para os produtores rurais e consumidores para prevenção contra a COVID-19. O Manual de Orientações e Boas Práticas ao Consumidor Final contra a doença traz dicas de como os consumidores podem ser proteger para evitar a propagação do vírus e o Manual de Orientação e Boas Práticas para a População Rural leva orientações para que os produtores paulistas e toda a comunidade, que, neste momento, continuam trabalhando para garantir o abastecimento de toda a população, também possam proteger sua saúde e de suas famílias.

A secretaria também criou um canal de comunicação com o cidadão para ajudar veterinários, agrônomos e produtores rurais com informações para conter o avanço da COVID-19. O contato pode ser feito pelos seguintes meios:

Telefone: (11) 5067-0060

E-mail: faleconoscoagricultura@sp.gov.br

Site: Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Fonte: Governo do Estado de São Paulo

Instituto Butantan cria campanha para coleta, cadastro e armazenamento corretos dos testes de coronavírus

O Instituto Butantan, que desde 3 de abril coordena a Plataforma de Laboratórios para Diagnóstico de Covid-19 no Estado de São Paulo, conjuntamente com a Secretaria de Saúde do Estado e o Instituto Adolfo Lutz, criou uma campanha para promover o cadastro, a coleta e o armazenamento corretos de amostras para realização do exame RT-PCR, que detecta a presença de material genético do coronavírus em pacientes na fase aguda de sintomas.

Uma série de três vídeos foi produzida com o objetivo de evitar o descarte dos materiais colhidos por inconsistência e garantir a comunicação dos resultados aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Os vídeos serão compartilhados nas redes sociais do Butantan, Adolfo Lutz e Secretaria de Estado da Saúde, além de serem enviadas ao Cosems (Conselho de Secretários Municipais de Saúde de São Paulo).

Os materiais mostram o passo a passo das etapas que devem ser realizadas pelos serviços de saúde, responsáveis pela coleta das amostras dos pacientes suspeitos. No primeiro, profissionais do Instituto Adolfo Lutz explicam como deve ser realizada a coleta de amostra por meio do swab – haste que é friccionada nas narinas e na garganta para recolhimento de material.

Já o segundo explica como a amostra deve ser armazenada para garantir as condições de processamento em laboratório e, por fim, o terceiro traz orientações para o cadastramento no sistema onde são disponibilizados os dados do paciente e os resultados dos exames para os profissionais da saúde.

“O Butantan entende que todo o processo de testagem tem de ser cumprido corretamente, desde a coleta, passando pelo processamento das amostras, até a comunicação do resultado ao paciente, o ciclo tem que ser completo. Por isso tivemos essa iniciativa. É importante que todo o nosso trabalho esteja alinhado para não só garantir os resultados para os pacientes, como para termos mais elementos que nos ajudem a superar essa epidemia da melhor forma possível”, afirma o diretor do Instituto Butantan e coordenador da Plataforma de Laboratórios para Diagnóstico de Covid-19 no Estado de São Paulo, Dimas Tadeu Covas.

Os vídeos completos podem ser vistos gratuitamente no Canal Butantan no Youtube ou basta clicar nas imagens abaixo!

Fonte: Instituto Butantan

 

A atuação do Instituto Adolfo Lutz no enfrentamento à pandemia da Covid-19

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O Instituto Adolfo Lutz – IAL*, Laboratório Central de Saúde Pública do Estado de São Paulo, como responsável pelas análises laboratoriais para a detecção do novo coronavírus no Estado, vem atuando, desde o início de fevereiro de 2020, quando da liberação dos primeiros resultados do Brasil, à época negativos, de exames em amostras de casos suspeitos.

Tão logo foi declarada a pandemia da COVID-19 pela Organização Mundial de Saúde, a Diretoria do Instituto procedeu, em face do limitado espaço físico e da ausência de profissionais habilitados em número suficiente no Centro de Virologia (área responsável pela resposta laboratorial ao agravo), à organização de uma segunda área, chamada de Polo II, para aumentar a capacidade de análises da instituição na identificação do SARS-CoV-2.

Este segundo polo, além de integrar uma força-tarefa fornecendo novas áreas físicas e equipamentos, reuniu profissionais dos Centros de Imunologia, Bacteriologia, Patologia, Parasitologia e Micologia, de Alimentos e de Procedimentos Interdisciplinares, que se dispuseram, de maneira espontânea e dedicada, a trabalhar para auxiliar na realização dos exames. O número de colaboradores que atuam nos exames para o enfrentamento à pandemia passou, então, de menos de 60 para mais de 170, ou seja, foi quase que triplicada a disponibilidade de recursos humanos para o atendimento à crescente demanda por exames. Com a implantação do Polo II, assim como com a reorganização de áreas e métodos de trabalho no Centro de Virologia, a capacidade analítica do IAL Central para a resposta à COVID-19 saltou de 400 para 1.400 resultados liberados ao dia.

Esclarecemos que a entrada de amostras, que era, em meados de março, em torno de 400 ao dia, número próximo à capacidade inicial instalada para a realização dos exames, entre os dias 19 e 29 de março sofreu um aumento de escala geométrica, chegando a um pico diário de quase 2.500, como pode ser observado na Figura 1 (imagem no link anexo), impossibilitando que o Instituto Adolfo Lutz, assim como observado em outros laboratórios de referência no mundo, por exemplo os Centers of Disease Control and Prevention (CDC), atendesse à demanda.
Considerando o acúmulo inesperado de amostras, foi publicada a Resolução SS-43/2020, segundo a qual o Diretor do Instituto Butantan passaria a coordenar uma rede de laboratórios, públicos e privados, previamente habilitados pelo Instituto Adolfo Lutz, com a finalidade de ampliar a capacidade de diagnóstico de COVID-19 por RT-PCR no estado de São Paulo, visando à diminuição do número de amostras represadas.

Concomitantemente à organização da rede mencionada, o Instituto Adolfo Lutz estruturou seis de seus laboratórios regionais (Bauru, Ribeirão Preto, Santo André, Santos, São José do Rio Preto e Sorocaba), para que atendessem às demandas regionais por exames para a identificação do vírus causador da COVID-19. Estes laboratórios iniciaram sua atuação de maneira escalonada, e atualmente já absorvem uma quantidade considerável da demanda do interior do Estado, com mais de 3.000 exames realizados até o momento.

O IAL, em parceria com alguns dos laboratórios da rede coordenada pelo Diretor do Instituto Butantan (este incluído), processou um número expressivo de amostras, como pode ser observado na Tabela 1 (imagem no link anexo), que especifica quantos resultados foram liberados por cada um dos laboratórios que recebeu amostras para atender ao acúmulo repentino. Na Figura 2 (imagem no link anexo), é apresentada a evolução da liberação de resultados ao dia de toda a plataforma, considerando o Instituto Adolfo Lutz Central e a rede de laboratórios.

Além de analisar as amostras que constam na Tabela 1, o Instituto Butantan nos disponibilizou para teste um extrator automático, uma vez que todo o trabalho de extração do RNA no Polo II atualmente é manual. Após quinze dias de ajustes na metodologia para validação, acreditamos que o equipamento poderá ser colocado na rotina a partir da próxima semana.

Como medida para a melhoria na atuação do Instituto no enfrentamento à pandemia, a recepção de amostras com suspeita de COVID-19, que acontecia no Centro de Virologia, foi recentemente transferida para o Núcleo de Gerenciamento de Amostras Biológicas, por solicitação da Diretoria Geral, e agora agrega o espaço antes ocupado pelo Núcleo de Gerenciamento de Amostras de Produtos, remanejado para outro prédio. Foram agregados à equipe mais oito colaboradores, provenientes de contratação pelo Instituto Butantan. Estas ações aumentaram a capacidade de triagem e separação, agilizando-a, para uma organização mais eficaz das amostras a serem enviadas aos laboratórios.

Ressaltamos, adicionalmente, que os pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz têm, a todo tempo, procurado desenvolver novas metodologias e aprimorar as já existentes, para que os testes realizados sejam cada vez mais ágeis e eficientes. Nós nos orgulhamos das diversas melhorias, a serem em breve divulgadas, que já foram implantadas pelas equipes para um trabalho com maior excelência a cada dia.

É importante mencionar o grande esforço das áreas administrativas, como os Centros de Administração, de Planejamento e de Orçamento e Finanças na realização de aquisições de maneira muito célere, o Centro de Infraestrutura nas adequações emergenciais necessárias à implantação de áreas adequadas às atividades, a Unidade Integrada de Tecnologia da Informação e Comunicação e o Núcleo de Apoio à Pesquisa, que se disponibilizaram a organizar o fluxo de informações e prioridades.

Além disso, colaboradores de áreas muito distantes dos laboratórios que realizam exames de biologia médica, como do Núcleo de Meios de Cultura e dos Centros de Alimentos, Contaminantes e Medicamentos, se juntaram para auxiliar na reorganização de amostras com suspeita de COVID-19, o que foi crucial ao bom andamento dos trabalhos.

O apoio da Coordenação Geral de Laboratórios – CGLAB, do Ministério da Saúde, no envio de mais de 60.000 testes, além de inúmeros outros itens utilizados na rotina diagnóstica da COVID-19, é indispensável, também, para que possamos atingir nossos objetivos na prevenção às doenças e na promoção da saúde.

Por fim, esta Diretoria agradece a todos os colaboradores do Instituto Adolfo Lutz envolvidos nesta força-tarefa pela dedicação, pelo empenho, pelas horas de trabalho muito além de seus horários e pelos turnos aos finais de semana, num esforço espontâneo para entregar resultados à população, que mantém a confiança nesta instituição desde sua fundação, em 1940.

São Paulo, 27 de abril de 2020

Dra. Adriana Bugno
Diretora Geral em Exercício
Instituto Adolfo Lutz

Clique aqui para ter acesso ao PDF com os gráficos (em breve).

 

Instituto Biológico esclarece que coronavírus que acomete suínos é diferente da Covid-19

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Em um momento de preocupação mundial com a pandemia do coronavírus (Covid-19) é importante compartilhar com a população informações corretas, de instituições sérias, para combater um outro problema: a disseminação de fakenews. Para contribuir neste sentido, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Biológico (IB-APTA) – instituição de pesquisa referência em sanidade animal e vegetal – prepara uma série de textos sobre os coronavírus em animais, como suínos, bovinos e aves.

É importante deixar claro: os coronavírus atingem também estes animais de produção, mas são de subgrupos específicos somente para esses animais e diferentes do Covid-19. Não há qualquer tipo de evidência de transmissão da enfermidade desses animais para humanos e vice-versa. Além disso, não há qualquer risco de infecção dos humanos a partir do consumo da carne e produtos obtidos desses animais.

No caso dos suínos, eles podem ser acometidos por cinco tipos de coronavírus, sendo apenas um deles encontrado no território nacional: o TGEV (Transmissible gastroenteritis virus). De acordo com a pesquisadora do IB, Daniela Pontes Chiebao, o TGEV pode causar anorexia, letargia, diarreia, perda de peso e vômito nos animais. Os mais suscetíveis são os suínos jovens e as fêmeas em lactação. “Este vírus já é bastante conhecido no Brasil e disseminado há muitos anos. Ele causa mais problemas quando ocorre surto em ambientes de confinamento”, explica a pesquisadora.

Nos suínos, a transmissão do vírus ocorre, segundo o assistente técnico do IB, Renato Akio Ogata, principalmente, pela via fecal-oral, contato direto entre os animais, aerossóis ou pela contaminação de fômite, que são vetores mecânicos de transmissão indireta de microrganismos, ou seja, neles não há multiplicação ou transformação do vírus, podendo ser, por exemplo, material cirúrgico ou vestimentas.

“Esse tipo de coronavírus suíno não é o mesmo que o Covid-19. Os suínos não transmitem o TGEV para o homem e não há infecção por meio do consumo da carne desses animais”, explica a pesquisadora do IB.

IB faz diagnóstico do TGEV

O Instituto Biológico faz o diagnóstico sorológico do TGEV em seu Laboratório de Doenças de Suínos “Washington Sugay”, atendendo produtores de todo o Brasil. O Laboratório do IB é credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e acreditado pela norma ISO 17025, relacionada à qualidade.

Com informações da Assessoria de Imprensa IB/APTA

 

Coronavírus: Programa IAC-Quepia desenvolve manual de equipamentos de proteção para profissionais de saúde

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O programa IAC-Quepia, focado na qualidade de EPI – equipamentos de proteção individual – passou a integrar um grupo multidisciplinar de especialistas reunido para atuar na pandemia de coronavírus. Organizado pela Associação da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho (ANIMASEG), o comitê assessora aos ministérios da Saúde e do Trabalho, além de setores da indústria, quanto a medidas preventivas e de controle atreladas aos EPI, ante casos suspeitos ou confirmados de Covid-19.

Resultado de uma parceria entre o setor privado e o Centro de Engenharia e Automação, do Instituto Agronômico (IAC), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de SP, o “Quepia” trabalhará no projeto da ANIMASEG integrado a profissionais das áreas médica e de saúde, biológica e química, entre outras.

De acordo com o coordenador do programa e pesquisador científico, Hamilton Ramos, o laboratório avançado do programa IAC-Quepia, instalado na cidade de Jundiaí, colabora também na elaboração de um manual prático para profissionais de saúde.

Segundo a ANIMASEG, o manual fica pronto nos próximos dias e permitirá entender a equivalência entre EPI já em uso na pandemia e outros que, eventualmente, venham a ser adotados, frente aos cenários de risco de contaminação de profissionais de saúde e da escassez de determinadas matérias-primas.

Ainda de acordo com Ramos, o programa IAC-Quepia completa 15 anos no mês de maio próximo. A produção de conhecimento encampada pela iniciativa, conforme ressalta o pesquisador, tornou o Brasil no primeiro país a contar com normas de qualidade específicas para vestimentas protetivas agrícolas. A adesão da indústria ao Quepia também reduziu, de 80% para 20%, o índice médio de reprovação a EPI submetidos às análises do Centro de Engenharia e Automação do IAC.

Fonte: Revista Cipa

Servidor do Instituto Butantan se recupera da Covid-19 e relata experiência

Devanildo Batista da Silva trabalha desde 2018 na fábrica de vacina contra a influenza do Instituto Butantan. Tem 41 anos e mora no bairro do Grajaú, em São Paulo. No dia 23 de março, Devanildo se apresentou no setor de recepção de ovos, mas se sentiu mal e voltou para casa. Desse dia 23 de março até 8 de abril, quando saiu do hospital, viveu a dolorida experiência de ter Covid-19. É sobre esses dias e a recuperação que Devanildo falou nesta entrevista, concedida em 16 de abril, quando veio ao Butantan fazer um teste para SARS-COV-2 que resultou negativo — Devanildo está oficialmente recuperado. Clique no vídeo abaixo para ver seu relato.

Coronavírus: SP aumenta número de laboratórios credenciados pelo Instituto Adolfo Lutz para agilizar testes

 

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São Paulo é o estado brasileiro com o maior número de casos de Covid-19, registrando mais de 13 mil pessoas infectadas pelo coronavírus e mil mortes confirmadas. Estes dados, porém, podem ser ainda maiores dada a fila de testes à espera de um diagnóstico – fila que somente agora começa a diminuir, após a chegada de 725 mil kits vindos da Coreia do Sul e da ampliação do número de laboratório habilitados para a realização de exames no estado. Todos os 38 laboratórios que estão atuando desde a última sexta-feira (17) foram credenciados pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL).

Outra medida anunciada pela Secretaria de Saúde é a contratação emergencial de funcionários para trabalharem no IAL, que passou a funcionar 24 horas por dia. O objetivo do governador João Doria com as contratações e o aumento do número de laboratórios é aumentrar a capacidade de processamento para 8 mil testes diários até o dia 18 de maio.

Até o momento, mais de 60% dos pacientes internados com sintomas de coronavírus em São Paulo não têm diagnósticos confirmados de Covid-19 e a fila de espera chegou a ser de 20 mil testes até o início da semana passada.

Além de contar com os laboratórios credenciados pelo Instituto Adolfo Lutz, a Plataforma para Diagnóstico de Coronavírus em São Paulo passa a ser coordenada pelo Instituto Butantan. “A pandemia serviu para mostrar ao governo e à população a real importância dos nossos institutos de pesquisa, principalmente os da área da saúde, em momentos de crise”, diz o João Paulo Feijão Teixeira, presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC). Ele ressalta ainda a necessidade do aporte de recursos humanos e infraestrutura das instituições como forma de conter o pico da doença, previsto para maio, e para reduzir o impacto de futuras epidemias.

Confira abaixo a lista dos laboratórios cadastrados pelo Instituto Adolfo Lutz que estão realizando testes para detectar a presença do coronavírus nos pacientes sob suspeita:

Adolfo Lutz Central (capital)
Adolfo Lutz Regional Araçatuba
Adolfo Lutz Regional Bauru
Adolfo Lutz Regional Campinas
Adolfo Lutz Regional Bauru
Adolfo Lutz Regional Marília
Adolfo Lutz Regional Presidente Prudente
Adolfo Lutz Ribeirão Preto
Adolfo Lutz Rio Claro
Adolfo Lutz Santo André
Adolfo Lutz Santos
Adolfo Lutz São José do Rio Preto
Adolfo Lutz Sorocaba
Adolfo Lutz Taubaté
Hospital Universitário – HU
Divisão Laboratório Central/Hospital das Clínicas-FMUSP
HC-FMRP/ Hemocentro Ribeirão Preto
Faculdade de Odontologia de Bauru
Instituto Butantan
Instituto Emílio Ribas
Laboratório de Imunogenética e Transplante Experimental da Faculdade de Medicina-USP
Laboratório de Retrovirologia (Escola Paulista de Medicina)
Unicamp
Laboratório Municipal de Saúde Pública em DST/AIDS –Ipiranga
Laboratório do CRT-Aids – São Paulo
DB Molecular – Diagnósticos do Brasil
Departamento de Microbologia da USP
Grupo Fleury
Centro de Análises e Tipagem de Genomas LTDA
Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa – AFIP
Diagnósticos da América S/A
Hospital Albert Einstein
Fundação Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto
Instituto de Análises Clínicas de Santos
Laboratório de Imunologia Clínica e Biologia Molecular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas/Unesp
Laboratório de Zoonoses e Doenças Transmitidas por Vetores Labzoo/DVZ/Covia/SMS
Inside Diagnósticos S.A
HCFMB/Hemocentro Botucatu

Jovens são a maioria dos infectados pelo coronavírus em São Paulo

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O jornal El País informa que, no Brasil, o Coronavírus está atingindo muito mais pessoas jovens do que na Europa e EUA, onde a maioria dos casos é de pacientes acima dos 60 anos. A médica Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), declarou à repórter Beatriz Jucá que “no Brasil, a covid-19 vai rejuvenescer”. Segundo ela, “a distribuição da população brasileira é diferente da europeia. Não temos o percentual de idosos que tem a Itália ou a Espanha. É natural que a doença se distribua majoritariamente entre jovens. A distribuição demográfica no Brasil dará à doença características brasileiras. Além disso, o vírus sofreu mutações e já se adaptou ao país”, disse Dalcomo.

Segundo o jornal, por esse motivo, algumas capitais iniciaram nesta semana a testagem em larga escala de pessoas com suspeita de coronavírus a fim de dimensionar a extensão do contágio. Como Florianópolis, com 72% dos infectados no grupo de 20 a 59 anos. A capital catarinense tem a sexta maior incidência de covid-19 do país, 50% acima da média nacional, e foi classificada em nível de emergência pelo Ministério da Saúde.

Pessoas com menos de 60 anos são as mais infectadas pela doença no Brasil, elevando o número de internações entre as camadas mais jovens da população e sobrecarregando o sistema de saúde. O Ministério da Saúde não detalha os casos por idade, mas, de acordo com levantamentos das secretarias locais, os estados brasileiros em situação de emergência registram percentual maior de contaminados e hospitalizados abaixo dos 60 anos do que Estados Unidos, Espanha e Itália. Os números contrariam a tese de que a doença não teria tanto impacto entre a população mais jovem.

A faixa etária com mais infectados pela covid-19 (40%) em São Paulo vai dos 20 aos 39 anos (4.420 pessoas). Os menores de 60 anos representam 77% que, segundo a Secretaria Estadual da Saúde, correspondiam a quase metade (49%) das internações em estado grave pela doença até o fim da semana passada e a 21% dos óbitos.

Os governos não divulgam dados sobre as comorbidades dos jovens infectados sobreviventes, como diabetes ou problemas do coração, por exemplo. No Rio, na última terça-feira, a vítima mais jovem no Estado, Kamilly Ribeiro, de 17 anos, não tinha qualquer doença prévia. O percentual de doentes jovens no Brasil supera o de países como os Estados Unidos, que lideram o ranking mundial da pandemia, onde 26% das hospitalizações por Coronavírus em UTIs situavam-se na faixa entre 20 e 54 anos em 20 de março último.

Na Espanha e na Itália, países mais afetados da Europa, a taxa de infectados abaixo dos 60 anos é de 44,7% e 43,9%, respectivamente. Dentre os espanhóis, 14,5% estão na faixa de 20 a 39 anos (menos da metade de São Paulo). Porém, tanto na Espanha quanto na Itália, o grupo maior de 60 anos conforma mais de 25% da população. No Brasil, eles representam 14%. Apesar do risco de morte ser maior após os 60 anos (73% dos óbitos no país), os jovens já representam a maior demanda atendimento no sistema de saúde em vários estados.

Na Bahia, a média dos infectados é de 39 anos. A faixa etária mais atingida (29%) é a de 30 a 39 anos, seguida pela de 50 a 59 anos. Segundo a secretaria da Saúde local, “o risco de contrair a covid-19 passou a ser maior entre os adultos jovens”. No Ceará, 60% está na faixa dos 20 aos 49 anos. O grupo com maior proporção em internações por covid-19 é o de 50 a 59 anos (entre os homens) e de 40 a 49 anos (entre as mulheres), sendo que 59% das hospitalizações envolvem pacientes com menos de 60 anos.

“Temos a demonstração cabal de que a doença atinge pessoas jovens e pode ser fatal para essa faixa etária. Todos devem estar em alerta durante a epidemia”, afirma André Longo, secretário de saúde de Pernambuco, que, em menos de uma semana, registrou a morte de um adolescente de 15 anos e um bebê de sete meses por Coronavírus. A média de idade dos infectados no Estado é de 37 anos. Em Recife, quase 80% dos leitos de UTI já estão ocupados.

Em entrevista coletiva, o médico infectologista Jailson Correia, secretário da Saúde da capital pernambucana, chamou a atenção para o papel dos mais jovens na sobrecarga dos hospitais. “A doença tende a ser mais grave a partir dos 60 anos, o que não quer dizer que os jovens estejam imunes. O vírus está levando a quadros graves na parcela mais jovem da população. Permanecer em casa significa proteger a si próprio e à família”, afirmou Correia, reafirmando a orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que ressalta os grupos de jovens adultos como vetores de transmissão do Coronavírus e, sobretudo, potenciais pacientes por agravamento das complicações da doença.

Em São Paulo, a taxa de isolamento na capital paulista ainda está abaixo da meta ideal para evitar o colapso dos hospitais que, segundo o governo, é de pelo menos 70%. Mesmo diante do decreto de situação de emergência na cidade, pessoas mais jovens seguem ocupando avenidas e ciclovias para a prática de atividades físicas.

No Rio de Janeiro, a taxa de mortalidade da doença em pessoas com menos de 60 anos (30%) é duas vezes maior que a de São Paulo. Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, todos os leitos de terapia intensiva para pacientes com covid-19 já estão ocupados. “Existe uma falsa sensação de segurança entre as pessoas jovens. Mas o vírus também tem se comportado de maneira agressiva nesses pacientes, que ainda podem se tornar vetor de contaminação em casa”, diz Edmar Santos, secretário estadual de saúde.

A faixa etária mais infectada pelo Coronavírus no Rio de Janeiro é a de 30 a 39 anos, mas há casos de hospitalização e morte em idade inferior.

Com informações do Núcleo de Comunicação Técnico-Científica do Instituto de Saúde

Coronavírus: Instituto Butantan pretende zerar fila de testes esta semana

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A estimativa do Instituto Butantan, de São Paulo, é zerar a fila acumulada de testes para o novo coronavírus até amanhã, quarta-feira (22). Em 7 de abril, 17 mil amostras estavam pendentes de análise. “Isso já se reduziu. Na quarta, esperamos anunciar que a fila foi zerada”, garante o diretor da instituição, Dimas Covas.

Ele justificou a fila como resultado da dificuldade de obter insumos e da centralização dos exames no Instituto Adolfo Lutz. Por isso, no início do mês, o governo do Estado criou uma rede com outros hospitais e hemocentros estaduais da capital e do interior para acelerar as análises.

Com essa força-tarefa, a rede realiza cerca de 5 mil testes por dia. “Vamos chegar a 8 mil muito rapidamente”, garante. A testagem é voltada a amostras de pacientes mortos ou com casos graves associados aos sintomas do novo coronavírus. Além disso, com o aumento da capacidade estadual, será estendida a todos os profissionais de saúde, mesmo que em quadros leves. A projeção é de que os resultados saiam em até 48 horas.

“Com isso, podemos atender a demanda imediata, principalmente dos municípios do interior que, sem os exames, podem ter a sensação que o vírus não chegou, mas que, na verdade, foi o exame que não foi feito”, comenta Covas. “Vai nos ajudar a ter uma fotografia dessa epidemia mais próxima da realidade. Vai permitir que as autoridades tomem decisões fundamentadas em fatos.”

O diretor do Butantan aponta que a necessidade de ampliar a rede também é uma forma de se preparar para o avanço da pandemia e que o governo não enfrenta mais falta de insumos. “Se espera que a demanda vá aumentar muito rapidamente à medida que a curva (de casos) também cresça. Esperamos que não seja explosivo.”

A rede de testagem do Estado também passou a incluir laboratórios privados. De acordo com Covas, a maior participação é do Grupo Fleury em parceria com Bradesco Seguros, a Coca-Cola Brasil e a Coca-Cola FEMSA, que vão realizar e subsidiar 26 mil testes em um espaço no Jabaquara, na zona sul da capital. O valor estimado é de R$ 4 milhões, sem custos para o poder público.

Do total, 2,5 mil testes já foram realizados ou encaminhados pelo Estado ao grupo. As empresas destacaram a necessidade do “espírito de colaboração” neste momento, enquanto Covas disse que parcerias com o setor privado são fundamentais.

“Um grupo (de funcionários) se revezou 24 horas por dia para processar esse volume expressivo de exames em pouco tempo. Estamos felizes em ajudar a baixar a fila”, comenta Carlos Marinelli, presidente do Grupo Fleury.

Com informações do R7.

APqC alerta: Falta de investimento e de funcionários nos institutos de pesquisa impacta nos testes para o coronavírus

apqc1Na sexta-feira da semana passada, 10 de abril, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) encaminhou ofício ao Ministério Público em que acusa o Instituto Adolfo Lutz (IAL) por “indícios de irregularidades” no armazenamento de amostras que deveriam ser submetidas ao teste de coronavírus. Segundo a denúncia, das quase 30 mil amostras recebidas, apenas 7,8 mil haviam sido examinadas. O Cremesp destacou ainda a “baixa capacidade” de o instituto realizar apenas 1,4 mil testes por dia.

O coordenador do controle de doenças da Secretaria Estadual de Saúde, Paulo Menezes, negou as irregularidades apontadas pelo Cremesp e afirmou que o IAL está em processo de aquisição de quatro novos freezeres, para ampliar o armazenamento de amostras, e de contratação de 136 novos profissionais, para agilizar o diagnóstico dos testes.

Em nota, o IAL rebateu também informações publicadas na Folha de S. Paulo no dia 14 de abril. A respeito da ausência de quadros para enfrentar a crise, citou que “gestores, pesquisadores, assistentes, técnicos e auxiliares de outras áreas, como imunologia, bacteriologia, patologia, e produção de insumos voluntariamente, sob coordenação da Diretoria Geral do Instituto, estão participando dos mutirões a fim de dar respostas à população”.

A direção do IAL anunciou também que suspendeu todas as férias previstas a partir de março. “O Governo de São Paulo autorizou apenas o afastamento de funcionários de área meio, ou seja, nenhum colaborador que executa suas atividades nos laboratórios de análises de biologia médica foi removido de seu posto de trabalho, com exceção dos que, eventualmente, apresentaram sintomas da Covid-19”.

Por sua vez, uma servidora do IAL, que pediu para não ser identificada, confirmou que o “aumento absurdo da demanda” trouxe alguns problemas, como a falta de insumos necessários para a rapidez dos exames para coronavírus e outros. Segundo ela, isso poderia ter sido minimizado se o Governo do Estado tivesse realizado concursos públicos para suprir as vagas consequentes das aposentadorias acontecidas nos últimos oito anos. “Não há investimento no instituto e o último concurso aconteceu em 2012. Agora o Estado terá de fazer contratações emergenciais e cada dia perdido conta muito”, criticou.

Como destacou Guilherme Novelli em seu blog, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) encaminhou ao governador Alberto Goldman (PSDB), em 2007, um estudo da situação dos institutos de pesquisa e laboratórios estaduais, inclusive o IAL. Na época foi feito um alerta quanto ao risco de eclosão de epidemias globais, mas o mesmo foi desconsiderado.

Hoje temos 2,5 mil cargos em aberto entre cientistas, técnicos e outras categorias de servidores, o que representa uma lacuna de 76% de vagas de profissionais atuando no combate à pandemia de coronavírus. Somente no IAL são 172 funcionários a menos do que o necessário. A falta de testes em quantidade suficiente, portanto, não é culpa dos institutos ou dos servidores, mas da ausência de investimentos consistentes em infraestrutura, em tecnologia de ponta e em recursos humanos.

Este último fator consideramos ser o mais importante deles: a não reposição de mão de obra qualificada está no cerne do problema que o Estado de São Paulo tem enfrentado agora com a dificuldade em diagnosticar todos os casos suspeitos de Covid-19. O Instituto Butantan e o Adolfo Lutz têm uma capacidade muito maior para realizar testes para coronavírus do que a capacidade demonstrada atualmente.

A APqC alerta que, sem a contratação imediata de profissionais para realização destes testes, o Estado de São Paulo dificilmente conseguirá zerar a fila dos exames que ainda estão por fazer. A meta do governador João Doria é de 8 mil testes por dia, a partir de 18 de maio.

Coronavírus: Produtores devem redobrar cuidados com a colheita do café

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A colheita de café deve começar em todo o Brasil a partir da segunda quinzena de maio. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a estimativa da safra de café arábica e robusta no País deve variar de 57,15 e 62,02 milhões de sacas, o que representa um aumento de 25,8% em comparação ao volume colhido na temporada passada. Em tempos de pandemia pelo novo coronavírus (Covid-19), o cafeicultor precisa redobrar os cuidados para proteger a vida de seus colaboradores e fazer a colheita deste importante produto para o agro do País e do exterior. A colheita do café é uma das atividades mais importantes na cafeicultura e normalmente demanda bastante mão de obra e equipamentos para ser realizada em tempo hábil.

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo produziu um manual de orientação e boas práticas contra a Covid-19, com direcionamentos que podem ser adotados nas comunidades rurais, nas propriedades e no dia a dia da produção. Sendo a colheita do café uma atividade essencial, o produtor, de acordo com o manual, deve afastar os funcionários que apresentem sintomas, como febre, tosse ou dificuldade para respirar e evitar ao máximo a presença de pessoas acima de 60 anos nos locais de trabalho.

O trabalhador deve manter as mãos limpas, as unhas cortadas e não fumar e beber durante a atividade de colheita. Além disso, deve-se evitar compartilhar ferramentas de trabalho, como pás, enxadas, rastelos e peneiras, assim como garrafas de água e de café, e lavar com desinfetante todos os utensílios e equipamentos com solução clorada (900ml de água para 100ml de água sanitária) e higienizar com álcool 70% as partes de contato direto com as mãos nas ferramentas de trabalho, antes do início e ao final da atividade. A recomendação é que ocorra o mais breve possível o recolhimento dos sacos com os frutos colhidos, que devem ser mantidos abertos na parte sombreada da planta.

No transporte dos trabalhadores, também deve-se retirar toda a sujeira e borrifar antes e depois das viagens solução de água com 1% de água sanitária ou peróxido de hidrogênio, além de disponibilizar álcool 70% para limpeza das mãos dos trabalhadores, manter as janelas dos veículos abertas e a distância de 1,5 metro entre os passageiros.

As orientações têm sido seguidas por Diogo Dias Teixeira de Macedo, da fazenda Recreio, que fez algumas adaptações para garantir a colheita do produto e a saúde de seus colaboradores. Entre as iniciativas destacas pelo cafeicultor da montanhosa região de São Sebastião da Grama está a contratação de trabalhadores da própria cidade, em vez de pessoas do Norte de Minas Gerais, como vinha ocorrendo nos últimos anos, para evitar o trânsito e a aglomeração dos trabalhadores nos alojamentos da fazenda. “No ano passado, contratamos 45 trabalhadores de Minas Gerais, que ficavam hospedados na fazenda. Optamos neste ano por contratar 30 pessoas, da própria cidade, para que eles durmam em suas casas, evitando assim a aglomeração na propriedade”, explica.

Outra providência foi reforçar a instalação de pias para lavagem das mãos dentro do ônibus e da propriedade. Os trabalhadores também recebem álcool gel 70%, além de máscaras. “Os orientamos também quando acabar o trabalho irem direto para suas casas e permanecerem por lá”, conta o produtor, que realiza 100% da sua colheita na forma manual, devido as condições de topografia da região em que está localizada sua propriedade. A expectativa do produtor é que os 150 hectares de café plantados gerem 4.500 sacas de café.

André Cunha, sócio proprietário da Fazenda Bela Época, situada em Ribeirão Corrente, na região da Alta Mogiana, também tem tomado alguns cuidados no planejamento da colheita do café. Apesar de 90% da colheita em sua propriedade ser feita de forma mecânica, o produtor tem realizado treinamento na área de segurança do trabalho e entregue cartilhas para os trabalhadores. Além disso, tem-se evitado o transporte coletivo dos funcionários. Os trabalhos na fazenda estão sendo executados de forma mais isolada possível e estão sendo disponibilizados frascos de álcool 70% para assepsia das mãos. Os veículos e tratores também estão sendo desinfetados e os trabalhadores que constam no grupo de risco foram colocados em férias.

“Esperamos não ter grandes impactos na colheita que se aproxima, pelo fato da pequena necessidade de mão de obra em função do alto nível de mecanização na Região da Alta Mogiana. Entretanto, podemos sim ter problemas no médio prazo, quanto a logística e comercialização de insumos e da própria produção, uma vez que muitos fertilizantes e defensivos agrícolas dependem de matérias-primas importadas e nosso maior volume da produção de café tem outros muitos países como destino final”, afirma.

Colheita do café

O pesquisador do Instituto Agronômico (IAC-APTA), Gerson Silva Giomo, explica que a colheita do café ocorre, normalmente, de maio a agosto, sendo que em algumas regiões paulistas, como na Alta Mogiana, há uma forte utilização de máquinas, e em outras, como na região de São Sebastião da Grama e Divinolândia, a utilização é menos frequente, devido as condições de topografia, que dificultam o uso de colheitadeiras. “O Estado de São Paulo tem migrado nos últimos anos para uma colheita mecânica do café, com aumento expressivo do uso de colheitadeiras em todas as regiões com topografia favorável à mecanização. Isso é bastante interessante, principalmente neste momento, para os produtores de algumas regiões paulistas, que acabam não sendo tão afetados por conta da pandemia”, afirma.

A informação é confirmada pelo pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), Celso Vegro, que afirma não haver estatísticas sobre a mecanização do café em todos os estados brasileiros. “Mas arrisco em dizer que as lavouras submetidas a colheita mecânica atingem percentual majoritário em São Paulo, sendo que no cerrado e na região da Mogiana, esse índice deva estar em praticamente 100% das propriedades”, analisa.

Giomo explica que no mês de maio, nem todos os grãos de café estão prontos para serem colhidos, por isso, não deverá haver maiores problemas, do ponto de vista da maturação dos grãos, o atraso da colheita em algumas semanas, caso esta seja a estratégia adotada pelo cafeicultor. “O atraso curto pode ser até positivo em determinadas regiões, pois os grãos estarão em melhor grau de maturação e, consequentemente, terão mais qualidade. Ocorre que a colheita é demorada, por isso, ainda mais com a restrição de aglomeração, deve ser uma estratégia bastante pensada pelo produtor, para que o café não passe do ponto lá no final, caindo no chão, o que reduz o preço do produto”, explica.

Segundo o pesquisador do IAC, em abril começa a preparação do cafezal para a colheita, por isso, as recomendações de higiene e segurança, também devem ser respeitadas. “A partir de abril, o produtor que faz a colheita manual já começa o processo de “arruação” do cafezal, retirando o mato da lavoura, para que no momento da colheita, não haja perda de café que caiu no chão. Essas atividades também contam com a mão de obra de trabalhadores, que devem seguir as recomendações da propriedade para evitar a contaminação e disseminação da Covid-19″, afirma Giomo.

Para Vegro, o momento é de planejamento e preparação, com a manutenção das máquinas e preparo do terreiro. “A Covid-19 traz uma importante mudança para os cinturões produtores paulistas”, afirma.

Giomo lembra que o produtor também deve ter atenção no processamento pós-colheita do café, principalmente durante a secagem, para preservar a qualidade do produto, estando sempre atento quanto às recomendações que visam minimizar provável disseminação da Covid-19.

Café é um dos principais produtos agropecuários do Brasil

O café é um dos principais produtos da agropecuária paulista e brasileira. “Cerca de 35% do café consumido no mundo é produzido no Brasil. Temos mais de 350 torrefadoras”, diz Vegro. Dados do IEA mostram que o café beneficiado está na nona colocação no ranking do valor total da produção agropecuária em 2019, tendo sido produzido no estado 4.4 milhões de sacas no ano.

Fonte: Agrolink com informações da Assessoria de Imprensa

Instituto Butantan: entenda como funcionará o tratamento da Covid-19 com anticorpos de pacientes curados

Instituto-Butantan

Uma equipe de cientistas do Instituto Butantan, em São Paulo, desenvolve em laboratório anticorpos para um novo tratamento de pacientes com a Covid-19. Assim como na terapia de plasma, a técnica executada pelo centro de pesquisa tem como base amostras de sangue cedidas por pacientes curados.

A técnica em execução no Butantan tem o nome de “anticorpos monoclonais neutralizantes”. Entenda a seguir a diferença entre as duas:

Plasma x anticorpos monoclonais

Plasma: O plasma é a parte líquida do sangue, onde ficam os anticorpos produzidos pelo organismo para combater as doenças. Essa substância, retirada de pacientes recuperados, pode ser aplicada em alguém que tenha um quadro grave da Covid-19. No entanto, cada amostra terá uma quantidade e uma composição diferente de anticorpos, pois depende do organismo do doador.

Anticorpos monoclonais neutralizantes: Os cientistas isolam apenas o anticorpo que consegue neutralizar o coronavírus, especificamente. Assim, com o uso do gene, células são criadas em laboratório. O produto será um frasquinho apenas com o anticorpo contra a doença específica, enquanto o plasma contém todos os anticorpos, variando em composição de pessoa para pessoa.

Solução que exige tempo

De acordo com a pesquisadora Ana Maria Moro, coordenadora do projeto, o plasma é uma solução que deve ser usada em um momento de emergência como o que vivemos com a pandemia, quando pessoas precisam de um tratamento urgente. O projeto de anticorpos monoclonais é uma versão mais precisa e direcionada, mas que demanda mais tempo.

“Nós isolamos as células B (linfócitos) que estão produzindo os anticorpos contra o vírus. Isolamos os genes e a partir deles criamos os anticorpos em laboratório. Não compete com o plasma, porque precisa de mais estudos e o plasma pode ser utilizado agora”, explicou a cientista.

O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com diferentes instituições, como a Universidade de São Paulo (USP). O desenvolvimento da plataforma começou em 2012, quando o grupo identificou uma composição de três anticorpos que neutralizam a toxina do tétano. Mais tarde, em um acordo com a Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, a pesquisa seguiu para gerar linhagens celulares contra o vírus da zika durante a epidemia da doença, em 2015.

Ana Maria explica que existem diversos produtos monoclonais aprovados para uso clínico, usados em tratamentos para doenças autoimunes, alguns casos de câncer e até contra o ebola. A primeira parte do projeto contra o coronavírus deverá recrutar voluntários curados para coleta de sangue e, assim, começar a pesquisa em busca de uma nova forma de tratamento contra o Sars-CoV-2.

Fonte: G1

Instituto Butantan vai produzir anticorpos para tratamento de Covid-19

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Um grupo de pesquisadores do Instituto Butantan trabalha no desenvolvimento de um produto composto por anticorpos para combater o novo coronavírus (SARS-CoV-2). Os anticorpos monoclonais neutralizantes, como são chamados, serão selecionados de células de defesa (células B) do sangue de pessoas que se curaram da covid-19. A ideia é encontrar uma ou mais dessas proteínas com a capacidade de se ligar ao vírus com eficiência e neutralizá-lo. As moléculas mais promissoras poderão, então, ser produzidas em larga escala e usadas no tratamento da doença.

Coordenado pela pesquisadora Ana Maria Moro e apoiado pela Fapesp, o projeto utiliza uma plataforma criada para o desenvolvimento de anticorpos monoclonais (mAbs) humanos para diferentes doenças, que está em fase avançada para obtenção de anticorpos monoclonais para o tratamento de zika e tétano.

“Começamos a desenvolver essa plataforma em 2012 com os mAbs humanos antitetânicos, com apoio da Fapesp, e identificamos uma composição de três anticorpos que neutralizam a toxina do tétano. Depois, estabelecemos um acordo com a Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, sob coordenação de Michel Nussenzweig, para gerar linhagens celulares para mAbs antizika, que foram identificados no seu laboratório durante a epidemia da doença, em 2015. São dois mAbs neutralizantes que poderão ser usados na proteção de gestantes em caso de retorno da circulação desse vírus. É um processo longo, mas já estamos começando o trabalho com o novo coronavírus”, disse Moro à Agência Fapesp.

O trabalho segue um princípio parecido com o da transferência passiva de imunidade – técnica que consiste na transfusão de plasma sanguíneo de pessoas curadas da covid-19, que também está sendo desenvolvida no Brasil.

O plasma – parte líquida do sangue – de pessoas que se curaram da covid-19 é naturalmente rico em anticorpos contra a doença. Ao entrar na corrente sanguínea de uma pessoa doente, essas proteínas começam imediatamente a combater o novo coronavírus.

No entanto, ainda não se sabe exatamente quais anticorpos estão combatendo o microrganismo. Além disso, diferentes doadores podem ter quantidades maiores ou menores dos chamados anticorpos neutralizantes, que não só reconhecem como eliminam o vírus. A técnica de transferência passiva de imunidade depende ainda de constantes doações de plasma para manter os estoques.

“No caso dos anticorpos monoclonais, um líquido composto por um ou mais anticorpos selecionados entre os mais eficientes é produzido em larga escala, de forma recombinante, por cultivos celulares no que chamamos de biorreatores”, explica a pesquisadora.

Atualmente, existem mais de 70 biofármacos à base de anticorpos monoclonais aprovados para uso clínico no mundo. A maioria é voltada ao tratamento do câncer e doenças autoimunes e vários, mais novos, para outras condições, como o combate ao vírus ebola. Há ainda centenas de produtos em diferentes estágios de ensaio clínico.
Recrutamento de convalescentes

A primeira parte do trabalho é o recrutamento de voluntários convalescentes da covid-19, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), onde Moro também atua como professora, e com a Rede Vírus (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações). Com o sangue coletado dos voluntários, os pesquisadores realizarão uma série de processos de biologia molecular a fim de identificar, nos linfócitos B, as sequências de genes que expressam os anticorpos neutralizantes.

Cada anticorpo será então caracterizado quanto à sua ação perante o vírus, como capacidade de ligação, especificidade e afinidade, reatividade cruzada com outros anticorpos e capacidade de neutralização.

Entre um e três anticorpos que tiverem maior eficiência nesses critérios serão então testados em animais. No caso do vírus zika, um anticorpo apenas havia sido selecionado devido à sua capacidade neutralizante. Quando testado em animais, porém, ele sozinho não deu conta de suprimir o vírus pelo mecanismo de escape viral. Foi então agregado um segundo anticorpo, que, em conjunto com o anterior, mostrou-se efetivo. No caso do tétano, foram três anticorpos selecionados para a terapia contra a toxina causadora da doença.

Identificados os genes, a etapa seguinte consiste na transfecção dos que produzem os anticorpos mais promissores em células para gerar as linhagens recombinantes permanentes. No desenvolvimento da linhagem celular, são produzidos muitos clones, que são isolados, caracterizados quanto às propriedades celulares (crescimento, viabilidade, produtividade) e do anticorpo expresso pela ação esperada (ligação, afinidade, capacidade de neutralização)

Os resultados são levados em consideração para selecionar os melhores clones, que podem ser produzidos em larga escala num biorreator para, então, serem levados aos ensaios pré-clínicos e clínicos.

Fonte: André Julião, da Agência Fapesp, para o Estadão

Instituto Butantan receberá 726 mil testes de coronavírus enviados pela Coreia do Sul

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Chegaram hoje (14) ao Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), 726 mil testes para identificação do novo coronavírus, enviados pela Coreia do Sul. A carga foi encomendada pelo Instituto Butantan. Segundo a concessionária responsável pela administração do aeroporto, para os próximos dias é esperada mais uma carga com 550 mil testes também vindos do país asiático.

De acordo com a programação do Instituto Butantan, um segundo carregamento deve chegar ao Brasil nos próximos dias com mais 550 mil testes (5,5 mil kits). Cada kit contém 100 testes de análise.

O Instituto Butantan, com sede na capital paulista, integra o esforço coordenado pelo governo do Estado de São Paulo para controlar a disseminação do coronavírus. O laboratório montado no Instituto para detecção do SARS-COV-2 (coronavírus) é parte desse esforço.

Coronavírus: Primeiros resultados de testes feitos pelo Instituto Adolfo Lutz em Bauru são divulgados

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A unidade do Instituto Adolfo Lutz em Bauru iniciou ontem (13) a realização de testes para diagnóstico de coronavírus e já divulgou a sua primeira leva de resultados. De um total de 22 amostras analisadas, cinco deram positivas para a Covid-19, o que aumentou de 13 para 18 o número de casos da doença confirmados no município. Por sua vez, os casos suspeitos caíram de 240 para 216.

Financiados pelo Estado, os exames realizados pelo Lutz contemplam apenas pacientes internados, com quadro mais grave da doença e os trabalhadores da saúde sintomáticos afastados em razão da suspeita. Além das amostras do município, o Lutz local, chamado oficialmente de Centro de Laboratório Regional Bauru (CLR 2), irá analisar exames de outras 37 cidades da região centro-oeste do estado de São Paulo.

Diretora do CLR 2 do Adolfo Lutz, a pesquisadora Virgínia Bodelão Pereira afirma que, com a estrutura atual disponível, a unidade conseguirá processar até 500 amostras por semana. Os resultados levam até 72 horas para ficar prontos.

A pesquisadora diz que, para aumentar a capacidade de processamento, ou para manter o ritmo dos resultados em dia, caso haja aumento da demanda nas próximas semanas, o laboratório do Adolfo Lutz de Bauru necessitará de novas contratações de biologistas e técnicos em laboratórios, além de mais equipamentos.

Confira em vídeo a entrevista que a pesquisadora Virginia Bodolão Pereira, diretora do Instituto Adolfo Lutz de Bauru, concedeu à Rede Globo (clique aqui).

Informe sobre alteração de data da audiência pública sobre concessão do Jardim Botânico e Zoológico

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Prezados Pesquisadores,

Informamos que a audiência pública para a concessão do Jardim Botânico e Zoológico foi adiada para o dia 12.05.2020, às 17h, e os interessados devem se cadastrar previamente, conforme instruções no site da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (clique aqui).

Além das perguntas que poderão ser enviadas durante a audiência, tanto por participantes quanto por espectadores, àqueles que desejarem poderão enviar as suas dúvidas referente a concessão do uso do JARDIM BOTÂNICO, por e-mail, à Dra. Inês Coordeiro (isandona@uol.com.br), até o dia 30.04.2020, que consolidará todas em um único documento e as levará para que a APqC, por meio de sua assessoria jurídica, possa respondê-las.

Outras informações sobre a reunião e a versão digital dos documentos do projeto estão disponíveis neste link (clique aqui).

Att.,
João Paulo Feijão Teixeira
Presidente da APqC

Coronavírus: Secretário de Agricultura de SP responde a dúvidas de servidores

Em live, o Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Gustavo Junqueira, esclarece dúvidas dos servidores sobre atuação da Pasta em meio à pandemia do novo coronavírus. Clique abaixo para acompanhar as perguntas feitas pelos pesquisadores e as respostas do secretário.

Aos 51 anos, Instituto de Pesca apresenta novos projetos à comunidade

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O Instituto de Pesca (IP-APTA), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, no último dia 8 de abril completou 51 anos realizando ações no cumprimento de sua missão de gerar, adaptar, difundir e transferir conhecimentos científicos e tecnológicos para os agronegócios na área da Pesca e da Aquicultura, visando ao uso racional dos recursos aquáticos vivos e à melhoria da qualidade de vida.

Reconhecendo a importante contribuição do instituto no setor aquícola, a Secretaria de Agricultura apresenta os projetos mais recentes da instituição.

Projetos do Instituto de Pesca

Os projetos e programas criados e desenvolvidos pelo Instituto de Pesca (IP-APTA), geralmente, são voltados à melhoria e ao desenvolvimento da cadeia do pescado desde o monitoramento da água até à segurança alimentar dos consumidores, às melhores práticas de pesquisa e gestão, à geração de emprego e renda, à aprendizagem continuada de estudantes, à qualificação de servidores internos e profissionais da área de Pesca e Aquicultura.

Visando atender aos Objetivos Estratégicos do Governo de São Paulo e à missão institucional, o instituto incluiu em seu Plano de Ações para o período de 2020 a 2023 as principais metas a serem alcançadas nas áreas científica, técnica, administrativa e financeira, todas adequadas às prioridades contidas no Plano Plurianual do governo, por meio dos programas Abastece-SP, Segurança do campo à mesa e Agro-SP sustentável, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

Os projetos estratégicos estão distribuídos entre as seguintes categorias: Monitoramento e desenvolvimento sustentável da pesca; Sanidade de organismos aquáticos de cultivo; Desenvolvimento tecnológico e inovação na pesca e aquicultura e Promoção da eficiência e competitividade da cadeia de produção de pescado.

Um deles é o programa Pesca Paulista 4.0, coordenado pelo pesquisador científico Marcelo Ricardo de Souza, do Centro Avançado de Pesquisa do Pescado Marinho (IP-APTA) que estabelece um plano de ação com propostas de curto, médio e longo prazo para promover a cadeia produtiva da pesca no Estado de São Paulo. Desta forma, inicia-se com a estruturação de um ambiente de recepção e prospecção de demandas, no formato de um Hub, funcionando como um centro de convergência pautado na troca de informações, conhecimentos, visões e estratégias, reunindo segmentos da cadeia produtiva da pesca e players externos. Posteriormente, com base em um sistema de retroalimentação de dados, poderá definir cenários de desafios e roadmaps tecnológicos focados no atendimento aos desafios para 2030.

Outro de grande importância é o Valoriza Pesca, coordenado pela pesquisadora científica Cristiane Rodrigues Pinheiro Neiva, do mesmo Centro, projeto de apoio às comunidades pesqueiras artesanais da baixada santista, com objetivo principal de valorização da atividade pesqueira e de seus atores na região da Baixada Santista, por meio da elevação do status de conhecimento sobre a atividade pesqueira artesanal das comunidades, suscitando a busca de soluções aos entraves desta atividade.

Destacam-se também os projetos desenvolvidos pelo Centro Avançado de Pesquisa do Pescado Continental como a possível Domesticação do porquinho de água doce (Geophagus sveni), para uma produção racional e sustentável, coordenado pelo pesquisador científico Eduardo Gianini Abimorad, e os estudos de Exigência em proteína bruta e colorações de filé para o pangasius (Pangasianodon hypophthalmus), coordenado pelo pesquisador científico Giovani Sampaio Gonçalves.

Outro projeto inovador e pioneiro no Brasil, desenvolvido pelo Centro de Pesquisa em Aquicultura, é o estudo da diversidade de fungos em sistema de cultivo de truta, desenvolvido na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Campos do Jordão (IP-APTA) e coordenado pela pesquisadora científica Yara Aiko Tabata. Dentro desta temática de sanidade, a equipe coordenada pelo pesquisador científico Leonardo Tachibana está desenvolvendo o projeto Imunoestimulação da tilápia-do-nilo, Oreochromis niloticus alimentada com probióticos e vacinadas contra Streptococcus agalactiae, uma bactéria que causa grande impacto nas pisciculturas.

Podem ser destacados também os projetos do Centro de Pesquisa em Recursos Hídricos como o Monitoramento da densidade de larvas do mexilhão-dourado em piscicultura no reservatório Canoas II, rio Paranapanema, SP/PR, coordenado pela pesquisadora científica Daercy Maria Monteiro de Rezende Ayroza, e o projeto que avalia Novos métodos para identificação e quantificação de algas tóxicas, coordenado pela pesquisadora científica Cacilda Thais Janson Mercante.

Também recebem destaque os experimentos realizados com nutrição, genética, crescimento e reprodução de carpas ornamentais nishikigois, além de outras iniciativas de importância que estão sendo conduzidas por pesquisadores e funcionários do instituto.

Um instituto de pesquisa não pode deixar todos esses conhecimentos construídos pelos pesquisadores dentro dos laboratórios. Com o fácil acesso a equipamentos tecnológicos, como o celular, aprender hoje em dia pode estar, literalmente, nas mãos das pessoas. Ciente disso e da importância da aprendizagem continuada, o Núcleo de Qualificação de Recursos Humanos do Centro de Comunicação e Transferência do Conhecimento (IP-APTA) está na fase de planejamento do Programa Academia AquIPesca, uma plataforma virtual que oferecerá, por meio da Educação Tecnológica, cursos on-line a distância com diversos assuntos das áreas de Pesca e Aquicultura. O programa contribuirá significativamente para a democratização do acesso a dados e informações que possibilitam a construção de conhecimentos e o desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias a todos os interessados em se profissionalizar nessas áreas.

O diretor do Instituto de Pesca, Vander Bruno dos Santos, informa que “os projetos existentes foram construídos e são coordenados por equipes altamente capacitadas, como acontece com os novos que estão sendo criados no âmbito institucional, e que serão, posteriormente, integrados com outras instituições e secretarias do governo. Metas e indicadores escalonados estão sendo estabelecidos em curto, médio e longo prazo de execução, com possíveis fontes de financiamento”, explica Santos, que conclui “agradeço pelo reconhecimento da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e a todos os servidores do Instituto de Pesca pelo constante empenho que têm demonstrado na atualidade e ao longo dos 51 anos da instituição”.

Fonte: Governo do Estado de SP

 

Comunicado importante da APqC sobre ação judicial relacionada à licença prêmio dos pesquisadores

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A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) informou no dia 23 de março de 2020 que foi impetrado mandado de segurança com pedido de liminar (MS n. 2055199-75.2020.8.26.0000), objetivando que nenhum pesquisador científico associado fosse compelido, arbitrariamente, a gozar de sua licença prêmio, sem prévio requerimento.

O MS restou prejudicado, uma vez que o desembargador relator entendeu que o Decreto Estadual n. 64.864, de 16 de março de 2020, é dotado de ampla generalidade e abstração, logo uma decisão declarando-o nulo, por exemplo, afetaria não só a classe de pesquisadores científicos e sim o funcionalismo de modo geral e por essa razão o correto seria ajuizar uma demanda em que a Fazenda Pública poderia exercer de forma plena o contraditório.

Assim, em ato contínuo, a APqC ajuizou a ação declaratória de nulidade de ato administrativo com pedido de antecipação de tutela liminar n. 101677-176.2020.8.26.0053, em trâmite perante a 14ª Vara da Fazenda Pública, objetivando:

a) liminarmente, que nenhum associado, pesquisador científico do Estado de São Paulo, abrangido pela Lei Complementar Estadual, 125 de 18 de novembro de 1975, seja compelido arbitrariamente, a gozar de sua licença prêmio, sem prévio requerimento.

b) a nulidade com efeitos retroativos do artigo 2º, I, do Decreto n. 64.864 de 16.03.2020, especialmente na parte que determina o gozo imediato da licença prêmio, sem prévio requerimento.

O juízo de primeira instância não deferiu a medida liminar, porém deixou claro que caso a ação venha a ser julgada procedente, os efeitos irão retroagir. Dessa forma, o Estado terá que devolver ao servidor o período aquisitivo de sua licença prêmio, podendo essa ser usufruída após prévio requerimento e concordância da administração. Logo, os prejuízos seriam do Estado.

Acrescentou também que impor o gozo da licença prêmio, sob o contexto de quarentena, seria (ao que parece ao magistrado) tudo menos prêmio por assiduidade. Desse modo, determinou a citação da Ré para apresentação de sua defesa.

Acompanharemos os desdobramentos da ação e havendo novidades informaremos.

Anexos seguem a petição inicial e a decisão sobre o pedido liminar.

São Paulo, 08 de abril de 2020

Dra. Helena Goldman
OAB/SP 307.103

ANEXO – PETIÇÃO INICIAL

ANEXO – DECISÃO SOBRE O PEDIDO LIMINAR

 

 

Governo de SP faz o primeiro diagnóstico dos impactos da Covid-19 na produção agropecuária

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A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo divulgou o primeiro relatório dos impactos do Covid-19 em toda a produção agropecuária no Estado de São Paulo. Os dados englobam toda a cadeia, nos 645 municípios, desde a produção, passando pela distribuição e comercialização, e são de 23 a 27/03. O objetivo do monitoramento é centralizar as informações para que as ações mitigatórias dos impactos sejam mais assertivas.

O levantamento mostrou que o setor de hortaliças e frutas foi um dos mais afetados pela crise, principalmente em decorrência do fechamento de bares e restaurantes e redução das feiras livres em alguns municípios. As frutas também sofrem com as exportações aéreas – o setor de itens frescos somava 600 toneladas por semana e as vendas caíram 75% sem embarque nos últimos 15 dias. Outro setor muito impactado é o de flores e plantas ornamentais, onde as vendas em supermercados e floriculturas de todo o país desabaram 70% só na semana passada. Somente aos produtores rurais desse setor, os prejuízos estão entre R$ 40 e R$ 60 milhões.

Já para o setor de proteína animal, há impactos diversos a depender da origem do produto (bovino, suíno ou avícola). A bovinocultura, apesar da arroba do boi ainda estar estável, tem vendido nos supermercados cortes menos nobres, o que apresenta menor valor agregado, enquanto, os food services, que utilizam mix de cortes de carne mais nobres, tiveram uma redução significativa das vendas devido ao lock down, com queda no movimento de aproximadamente 75%. A demanda por carne de frango, por sua vez, vem impulsionando os preços com o aumento da procura por congelados. No atacado em São Paulo, frango inteiro congelado valorizou 4% nos últimos sete dias. Houve, ainda, um aumento da demanda de ovos e os preços têm se valorizado diariamente. Em São Paulo o preço médio do ovo tipo branco extra FOB da granja é de R$108,10/caixa, um recorde nominal de 9,4% maior que o de fevereiro. O setor de pescados foi também muito afetado pela queda de Food Services.

Segundo o Secretário de Agricultura e Abastecimento, Gustavo Junqueira, este primeiro retrato vai balizar as próximas decisões estratégicas da pasta. “Com esse grupo analisamos dia a dia questões que precisamos acompanhar de perto, como a garantia da produção e distribuição de alimentos e os gargalos do setor neste momento. A secretaria tem estudado medidas para atender e apoiar o setor e analisado linhas de crédito emergenciais para as cadeias mais afetadas”.

Além da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, o grupo de monitoramento conta também com membros da InvestSP, da Prefeitura de São Paulo, indústria de alimentos, transporte de cargas, armazéns e frigoríficos, bares, restaurantes e supermercados. São feitas reuniões diárias para monitoramento das cadeias produtivas. Esse monitoramento constante durante a crise gerada pela pandemia possibilitará a tomada de medidas mais estratégicas e técnicas para mitigar os efeitos para o agronegócio, principalmente aos pequenos produtores que são os que mais têm sofrido com a crise. Um exemplo de medida pensada e em estruturação com a Associação Paulista de Supermercados (APAS), é a disponibilização de gôndolas especiais nos supermercados para os pequenos produtores.

O Secretário ressalta que há um risco de rompimento das cadeias por conta da fragilidade do pequeno produtor que opera somente com seu capital de giro. “Uma vez colhida e não vendida a produção, o produtor perde seu capital. Outro problema é que quando o momento de colheita chega é necessário colher mesmo sem venda, porque se o produtor não fizer isso, o risco sanitário aumenta muito. O agro não pode parar literalmente”, afirmou Gustavo Junqueira.

Outra ação importante, pensando na distribuição e escoamento da produção, foi à criação, pelo governo, de website com informações oficiais sobre o abastecimento. O intuito deste website é justamente oferecer informações oficiais, além de disponibilizar mapas indicando pontos de apoio aos caminhoneiros e informações sobre o funcionamento de estabelecimentos de apoio nas estradas, como postos, restaurantes e outros locais que ofereçam alimentação para viagem. O website também possui um Formulário para o caminhoneiro informar sobre eventuais bloqueios nas estradas e outro para denúncias de eventuais problemas ligados ao abastecimento, tais como falta de alimentos e preços abusivos.

Fonte: Governo do Estado de SP

Sob coordenação do Instituto Butantan, rede de laboratórios de SP começa a analisar 9 mil testes de coronavírus

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A Plataforma de Laboratórios para diagnóstico do novo coronavírus de São Paulo irá analisar no prazo de dez dias cerca de 9 mil dos 17 mil testes de coronavírus parados na fila. Esse montante dos testes faz parte do grupo prioritário: pacientes graves que estão internados e profissionais de saúde.

Segundo o Instituto Butantan, responsável pela coordenação dos trabalhos, as amostras do Instituto Adolfo Lutz começaram a ser distribuídas pela plataforma ontem, dia 7 de abril.

Instituições como Albert Einstein e Fleury, além das regionais do Adolfo Lutz no interior e laboratórios universitários – um na Unicamp, um na Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto e outro no Hospital das Clínicas na mesma cidade – receberão as amostras para que a situação atual de represamento – que hoje é de 9 mil, dentro dos critérios prioritários – seja solucionada no período estipulado.

O Butantan também afirma que negocia o envio de 44 mil kits de testes da Fiocruz para agilizar a realização dos exames. A organização dos trabalhos já tinha sido anunciada pelo coordenador da Rede, Dimas Tadeu Covas.

A expectativa é a de que após a conclusão dessa primeira etapa, a rede seja capaz de analisar os testes em até 48 horas.

Entidades da sociedade civil divulgam manifesto e pedem diálogo do governo com a ciência em meio à crise do coronavírus

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CNBB, OAB, Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Comissão Arns, ABC, ABI e SBPC publicam manifesto pedindo união de toda a sociedade, solidariedade, disciplina e conduta ética e transparente do governo, tomando por base as orientações da ciência e dos organismos nacionais e internacionais de saúde pública no enfrentamento da pandemia de coronavírus no País. O documento foi encaminhado aos presidentes dos três Poderes nesta terça-feira, 7 de abril, dia Mundial da Saúde

PACTO PELA VIDA E PELO BRASIL

Cidadãos brasileiros, mulheres e homens de boa-vontade, mais uma vez, conclamamos a todos:

O Brasil vive uma grave crise – sanitária, econômica, social e política — exigindo de todos, especialmente de governantes e representantes do povo, o exercício de uma cidadania guiada pelos princípios da solidariedade e da dignidade humana, assentada no diálogo maduro, corresponsável, na busca de soluções conjuntas para o bem comum, particularmente dos mais pobres e vulneráveis. O momento que estamos enfrentando clama pela união de toda a sociedade brasileira, para a qual nos dirigimos aqui. O desafio é imenso: a humanidade está sendo colocada à prova. A vida humana está em risco.

A pandemia do novo coronavírus se espalha pelo Brasil exigindo a disciplina do isolamento social, com a superação de medos e incertezas. O isolamento se impõe como único meio de desacelerar a transmissão do vírus e seu contágio, preservando a capacidade de ação dos sistemas de saúde e dando tempo para a implementação de políticas públicas de proteção social. Devemos, pois, repudiar discursos que desacreditem a eficácia dessa estratégia, colocando em risco a saúde e sobrevivência do povo brasileiro. Em contrapartida, devemos apoiar e seguir as orientações dos organismos nacionais de saúde, como o Ministério da Saúde, e dos internacionais, a começar pela Organização Mundial de Saúde – OMS.

Os países democráticos atingidos pelo COVID-19 estão construindo agendas e políticas para combatê-lo de maneira própria, segundo suas características, mas, todos, sem exceção, na colaboração estreita entre sociedade civil e classe política, entre agentes econômicos, pesquisadores e empreendedores, convencidos de que a conjugação de crise epidemiológica e crise econômica assume tal magnitude, que só um amplo diálogo pode levar à sua resolução. É hora de entrar em cena no Brasil o coro dos lúcidos, fazendo valer a opção por escolhas científicas, políticas e modelos sociais que coloquem o mundo e a nossa sociedade em um tempo, de fato, novo.

Nossa sociedade civil espera, e tem o direito de exigir, que o Governo Federal seja promotor desse diálogo, presidindo o processo de grandes e urgentes mudanças em harmonia com os poderes da República, ultrapassando a insensatez das provocações e dos personalismos, para se ater aos princípios e aos valores sacramentados na Constituição de 1988. Cabe lembrar que a árdua tarefa de combate à pandemia é dever de todos, com a participação de todos — no caso do Governo Federal, em articulada cooperação com os governos dos Estados e Municípios e em conexão estreita com as nossas instituições.

A hora é grave e clama por liderança ética, arrojada, humanística, que ecoe um pacto firmado por toda a sociedade, como compromisso e bússola para a superação da crise atual. Como em outras pandemias, sabemos que a atual só agravará o quadro de exclusão social no Brasil. Associada às precárias condições de saneamento, moradia, renda e acesso a serviços públicos, a histórica desigualdade em nosso país torna a pandemia do novo coronavírus ainda mais cruel para brasileiros submetidos a privações. Por isso, hoje nos unimos para conclamar que todos os esforços, públicos e privados, sejam envidados para que ninguém seja deixado para trás nesta difícil travessia.

Não é justo jogar o ônus da imensa crise nos ombros dos mais pobres e dos trabalhadores. O princípio da dignidade humana impõe a todos e, sobretudo, ao Estado, o dever de dar absoluta prioridade às populações de rua, aos moradores de comunidades carentes, aos idosos, aos povos indígenas, à população prisional e aos demais grupos em situação de vulnerabilidade. Acrescente-se ao princípio da dignidade humana, o princípio da solidariedade – só assim iremos na direção de uma sociedade mais justa, sustentável e fraterna.

É fundamental que o Estado Brasileiro adote políticas claras para garantir a saúde do povo, bem como a saúde de uma economia que se volte para o desenvolvimento integral, preservando emprego, renda e trabalho. Em tempos de calamidade pública, tornam-se inadiáveis a atualização e ampliação do Bolsa Família; a rápida distribuição dos benefícios da Renda Básica Emergencial, já aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Executivo, bem como a sua extensão pelo tempo que for necessário para a superação dos riscos de saúde e sobrevivência da população mais pobre; a absorção de parte dos salários do setor produtivo pelo Estado; a ampliação de estímulos fiscais para doações filantrópicas ou assistenciais; a criação do imposto sobre grandes fortunas, previsto na Constituição Federal e em análise no Congresso Nacional; a liberação antecipada dos precatórios; a capitalização de pequenas e médias empresas; o estímulo à inovação; o remanejamento de verbas públicas para a saúde e o controle epidemiológico; o aporte de recursos emergenciais para o setor de ciência & tecnologia no enfrentamento da pandemia; e o incremento geral da economia. São um conjunto de soluções assertivas para salvaguardar a vida, sem paralisar a economia.

Ressalte-se aqui a importância do Sistema Único de Saúde – SUS, mais uma vez confirmada, com seus milhares de agentes arriscando as próprias vidas na linha de frente do combate à pandemia. É necessário e inadiável um aumento significativo do orçamento para o setor: o SUS é o instrumento que temos para garantir acesso universal a ações e serviços para recuperação, proteção e promoção da saúde.

Em face da expansão da pandemia e de suas consequências, é imperioso que a condução da coisa pública seja pautada pela mais absoluta transparência, apoiada na melhor ciência e condicionada pelos princípios fundamentais da dignidade humana e da proteção da vida. Reconhecemos que a saúde das pessoas e a capacidade produtiva do país são fundamentais para o bem-estar de todos. Mas propugnamos, uma vez mais, a primazia do trabalho sobre o capital, do humano sobre o financeiro, da solidariedade sobre a competição.

É urgente a formação deste Pacto pela Vida e pelo Brasil. Que ele seja abraçado por toda a sociedade brasileira em sua diversidade, sua criatividade e sua potência vital. E que ele fortaleça a nossa democracia, mantendo-nos irredutivelmente unidos. Não deixaremos que nos roubem a esperança de um futuro melhor.

Dia Mundial da Saúde, 7 de abril de 2020

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB

José Carlos Dias, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos

Dom Paulo Evaristo Arns, Comissão Arns

Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências – ABC

Paulo Jeronimo de Sousa, presidente da Associação Brasileira de Imprensa – ABI

Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC

Clique aqui para ter acesso à carta (Pdf).

*As entidades, instituições e associações da sociedade civil que desejarem subscrever o documento, podem enviar uma solicitação por e-mail para presidencia@sbpcnet.org.br.

Instituto Butantan começa a fazer testes do coronavírus

covid

O Instituto Butantan começou a fazer os testes do coronavírus na útima sexta-feira (3). O Instituto aguardava há uma semana a certificação para iniciar os diagnósticos. O laboratório foi homologado pelo Instituto Adolfo Lutz, que é vinculado à Secretaria Estadual da Saúde.

Um dia antes, o diretor do Butantan, Dimas Tadeu Covas, assumiu o comando da plataforma de laboratórios de diagnóstico de coronavírus, criada pelo governo do estado para dar agilidade aos trabalhos e ampliar a rede de laboratórios credenciada.

Para conseguir zerar a fila de exames que aguardam análise e liberar os resultados em até 48 horas, o coordenador disse que irá aumentar o número de funcionários no Adolfo Lutz, que passará a funcionar durante 24 horas ininterruptas.

“Nós temos que fazer o sistema funcionar, automatizar, por isso que estão sendo comprados equipamentos e reagentes. O prazo máximo que se espera para esses exames é de 24 a 48 horas, no máximo. Não podemos ter exames represados porque eles refletem em tempo real a evolução da epidemia”, disse.

Diagnósticos

De acordo com o coordenador, o estado tem, hoje, dez instituições públicas participando ativamente das análises dos exames. Ele destacou ainda que mais dez laboratórios privados foram credenciados para realizar os testes e aguardam liberação.

Tadeu Covas detalhou de que forma o trabalho da plataforma de testes, comandada pelo Instituto Butantan, será organizada. Ele ainda afirmou que o estado não irá enfrentar falta de testes para população. “Não vai faltar teste para ninguém para o monitoramento desta epidemia”. A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) acompanhará o processo.

Plataforma

Segundo publicado no Diário Oficial na quinta-feira passada, Tadeu Covas passa a ser responsável pela Plataforma de Laboratórios de diagnóstico de coronavírus. Pelo texto, caberá à plataforma, além de realizar os testes, proceder avaliações técnicas para aquisição de insumos e definir protocolos de trabalhos. Com a medida, o Instituto Adolfo Lutz fica subordinado aom diretor do Instituto Butantan.

As instalações de um novo laboratório no Instituto Butantan começaram no dia 25 de março. O espaço recebeu uma pipetadora e equipamentos de extração do RNA do vírus e de RT-PCR automatizados. A expectativa do coordenador é que os testes comecem a ser feitos o mais rápido possível.

O Butantan também já adquiriu os primeiros lotes de reagentes necessários para a realização dos exames e está implementando um software de rastreabilidade de amostras.

Laboratórios 

Dimas Tadeu Covas afirmou que à frente da coordenação dos testes, irá ativar a rede da USP, que tem capacidade para realizar 45 mil exames por mês, e ampliar as jornadas de trabalhos.

“Vamos ativar os Lutz (laboratórios) regionais, que devem passar a fazer exames no máximo até segunda-feira (6) e vamos tentar implementar um segundo turno de atividades. Com isso podemos ter aí rapidamente as 12 mil amostras”.

De acordo com Covas Tadeu, o governo do estado de São Paulo deve importar 1,3 milhão de testes. “Neste momento nós estamos em negociação direta com o governo da Coreia do Sul. Esperamos que estes testes cheguem aqui ainda na primeira quinzena de abril”, afirmou.